terça-feira, 21 de novembro de 2017

Aprisionamento

Mais cedo tentei juntar algumas palavras. Não consegui. O ambiente não é tão favorável assim. E tenho que dizer que sou uma fraca por isso.

Ora! Dostoiévski escreveu Crime & Castigo inteiro em uma cela de prisão e eu mal redigi umas parcas linhas desconexas e logo tive um dissabor como resultado final. Eu sou uma grande piada!

Estou imersa em grande dilema. E queria contar tudo sem assemelhar-me a esta gente frívola dessa época...

É que... Sim... Eu perdi a vontade e o interesse no curso de Física. Eu não o quero mais! Soa simples, afinal, é só uma faculdade.

E o que eu estou fazendo para contornar essa situação? Pois bem, tenho colocado currículos incessantemente por aí e fiz o ENEM para uma possível permuta na Universidade. Estou prestes a completar trinta e dois e quero a minha vida só para mim. E pronto! Já tenho uma profissão, tenho registro e uma pós graduação prestes a terminar.

Parece muito e é de fato. Entretanto não é o suficiente para minha família. E nunca chegarei a alcançar as metas do sucesso ideal dela.

Eu tentei, por diversas vezes, descrever o meio no qual em cresci. E os rascunhos acabaram no cesto de lixo. Essa é uma tarefa, além de excruciante, difícil de realizar. Posso começar por dizer que é um povo muito religioso e temente a um Deus que castiga muito e ama fantoches.

Meu problema maior concentra-se no núcleo principal. Só que os entornos, assim por dizer, são a encarnação do mal em essência. E os dias são repletos por um falatório sem fim sobre esses familiares que, pelos dois lados sanguíneos, são vulgares e muito alienados em diversas áreas do conhecimento.

Eu simplesmente cansei! Estou farta do regime comunista e dessa imposição 1984 que imperam na minha existência e atrapalham minha criatividade, transformando-me num reflexo monstruoso da culpabilidade pelas miserabilidades alheias.

A verdade é que sinto que não poderei ter algo somente meu em matéria ou espírito.

Lembro-me de uma conversa em que falei que eu era incompatível espiritualmente com a família dessa existência. E esta sensação fica mais e mais clara à medida que envelheço. E ela estende-se para o círculo de conhecidos também.

Semana passada, um rapaz, da época da minha primeira faculdade e que está morando em outro estado, perguntou se não haveria a possibilidade de, alguma hora, eu passar alguns dias com ele por aquelas bandas. Minha primeira reação foi pensar comigo mesma: - Pobre coitado! Como ele ainda pode, depois de tanto tempo, ainda ter algum sentimento por mim? Eu nunca gostei dele e fico indagando-me sobre a minha real intenção, mesmo que brevemente e naquela época, em alimentar suas ilusões. Logo eu cheguei a uma cruel conclusão: Enganei muita gente! E para quê? Para obter prazer? Muito difícil. Nenhum homem conseguiu satisfazer-me e a recordação dos seus rostos são ondas amareladas, como tardes sufocantes pela fumaça das industrias. Com certeza ainda estou procurando por uma resposta plausível para estas empreitadas sem sentido.

Se eu amei? Todos amam um alguém. Mas acredito que esse meu sentimento puro, platônico, por uma alma parecida e íntima, não consumou-se por razões que estão além do meu entendimento atual. Espíritos que têm afinidades, talvez pelo chamado carma, encontram-se somente de passagem para assim evitar tragédias e tristeza. E isso foi há dezesseis anos. Tempo suficiente para ainda ser um pouco doce.

Eu também apaixonei-me - resultado de falha e da necessidade de preenchimento. E são esses os caminhos que levam a um entusiasmo doentio, incrustado pela toxidade. Eu ainda posso sentir o amargor do veneno...

Sou uma cativa que costura uma colcha de retalhos. E cada pedaço dela tem uma utopia -  êxtase, Supernova, romances, nebulosas, céus estrelados e um beijo ardente com Cassiopeia, ao fundo, no céu de um verão frio de dezembro.

Eu era apenas muito jovem e inocente... O tempo passou e tornei-me uma incrédula.

Vesti-me de Icarus. E neste momento estou em queda livre.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Erotismo

Álbum Lovedrive/1979
Scorpions
A madrugada abriga-nos
em beijos ardentes
com notas lascivas
de dizeres estridentes .

Consumo teu espírito
e penetras tu a minha carne
para terminamos em arcos
brilhantemente goticulados.

Nua estou
e em nuances
formo-me.

Somos a representação
da sedução das horas
mais adentro.

Venhas a mim
e mata a tua sede
toma-me em
corpo e deleite.

Mas assim
que a Aurora
despontar
de mim
nada lembrarás.

Sou apenas teu desejo
e tua utopia.

Porque no fim...
Seremos apenas
veraneios de solidão.




domingo, 29 de outubro de 2017

Cronicidade

"Estou preso em uma fantasia, 
não posso acreditar nas coisas que eu vejo.
O caminho que escolhi, agora, levou-me a um muro.
E, a cada dia que passa, sinto mais e mais
como se algo estimado tivesse sido perdido.
Levanta-se, agora, diante de mim,
uma barreira de silêncio e escuridão entre
tudo que sou e tudo que eu queria ser.
É apenas uma farsa, elevando-se,
marcando os limites que meu espírito
poderia apagar." 

(The Wall, canção por Kansas, escrita por Livgren
 e Steve Walsh. Leftoverture/1976)


Não sabia se voltava a escrever. E isso arrastou-se por alguns bons dias. E se você perguntar-me o porquê, responderei prontamente pela escrita de hoje.

Há um tempo venho oscilando como um pêndulo frio de metal. Percebi que morri, não por completo, mas estou esvaindo-me em forma de poeira.

Carrego uma tristeza imensa e meu peito pesa. E isso piorou muito por eu ter voltado a morar com a família. São relações muito delicadas, construídas muito debilmente. Sinto-me extremamente oprimida e um grande fracasso.

Ao chegar nesse ponto, indaguei-me se alguma vez, nessa vida deprimente, eu deixei de ver-me dessa maneira. E a resposta assustou-me. Pois, analisando toda a minha trajetória, vi que eu estava desde sempre mergulhada na lama do eu desacreditado.

E eu também faço-lhes uma pergunta: como conseguem ler esses textos? Quem quer saber de tristura e melancolia em um mundo tão esfuziante como esse? Cheio de possibilidades e arcos coloridos.

Sou uma escritora desonrosa, apática e que traz um mundo pálido e cinza. Se todos os meus textos fossem impressos, não me surpreenderia que fossem estes queimados em grandes labaredas.

O impuro deve ser purificado pelo fogo, não é o que dizem?

Talvez seja hora de assumir que estou doente mentalmente.

A minha dor na coluna voltou. E, como todo padecimento permanente, esse é um daqueles momentos de crise que pode durar dias. E, mesmo que eu tente, nunca saberei detalhar o medo que sinto quando ela reinstalar-se em mim. Não é somente a dor física, se assim o fosse, viveria como todos os que têm uma discopatia degenerativa - agarrando-me a grandes esperanças. Junto com esse calvário, eu enfrento acusações, caras de desgosto e as piores profecias... Ah, esses oráculos... Penso eu que nasci amaldiçoada.

Há três dias eu só quero dormir e ficar no escuro, quieta e imóvel. Estou quase num estado de estupor. Não tenho vontade de sair, nem de conversar com ninguém. Olho algumas pessoas e já as considero minhas inimigas mortais. Deixei muitos conhecidos de lado. Outro dia mesmo tratei um friamente, sem muita conversa e o encarava com certa antipatia. Disfarcei-me com cordialidade. As minhas veneradas imagens foram quebradas pelas suas verdadeiras faces monstruosas, suas sujeiras, ambições e crimes.

Gostaria de não acordar mais. E o mais estranho disso tudo é que eu caí neste novo buraco em menos de uma semana. Eu estava um pouco alegre anteriormente, pois tinha posto na minha mente que tentaria achar uma solução para todos os meus problemas e começaria uma nova caminhada.

E esse castelo de areia desmoronou todo nas minhas mãos.

Andei sempre pelas sobras. E, a cada estação, sou assassinada por asfixia.

É... Hoje eu pensei em morrer. E vislumbrei os aborrecidos que causaria por conta dos preparativos para o funeral. Bizarro também foi pensar no falatório sobre a minha alma perdida...

Sim... Eu sou pessimista, e isso potencializa-se com a dor que sinto na lombar. Eu só estou bem cansada.

Será que algum vivente nesse mundo pode compreender essa minha angústia?

A única coisa que restou-me foi beber um café e olhar para o céu azul que nunca irei desfrutar.

Deus tenha piedade do meu espírito, pois, além de uma grande pecadora, com toda certeza, eu carrego uma grande calamidade dentro de mim.



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Unilateralidade nas conversas - uma reflexão sobre os seres humanos in natura

Outro dia, por aqui mesmo, falei do meu gosto por escutar histórias de outras pessoas. Um lado egoísta que revelei sem muito pudor, afinal, isso tira-me do tédio absoluto. Porém, contrariando o meu lado demoníaco, tornei o relato disso extremamente ameno, limitando-me a falar de uma parcela pequena, aquela dos relatos interessantes e instigantes.

Sim, a maioria dessas narrações é um suplício sem precedentes, vulgares, murchas, comuns, advindo de gente ainda mais comum, com seus casos amorosos e problemas que não venderiam uma linha sequer em um classificado de anúncios baratos. Enquanto tagarelam, presto atenção nos movimentos de suas bocas e línguas. Os homens, admito, são os meus objetos favoritos nesse parte.

E eu já escutei de tudo nessa vida - Ah, meu bom Deus, quanta paciência tenho...

Pois bem, a política das trocas não funciona nessa situação. E eu explico - essa gente não tem a mesma disposição para ouvir. Falta-lhe um certo senso, mesmo que possa ser fingido, de fascínio pelo semelhante (a não ser que esse seja de interesse sexual, romântico ou econômico.).

Por ser teimosa, aplico-me a autoflagelação de contar alguns fatos da minha vida para alguns desse círculo. E, como esperado, recebo umas poucas linhas com frases pré-fabricadas como resposta. Muitas vezes essas até demoram, ou, sendo clássica, o silêncio ensurdecedor da indiferença deles ecoa pelo ar.

E aconteceu mais uma vez por esses dias. Eu descobri a verdadeira história por trás das ações de um ex caso de alguns anos atrás, a paixão avassaladora da minha vida. E num ímpeto de partilhar a história bizarra, mergulhada em um total frenesi, contei tudo a uma conhecida.

E, bem, veio-me, depois de ser extremamente cozinhada, duas frases resumidas como resposta em um aplicativo de celular desses bastante comuns agora. E olha que eu praticamente narrei um livro em áudio para ela...

O mais interessante nisso tudo é que esta mesma pessoa é uma das muitas que encaixa-se fielmente nas linhas iniciais desse texto. Em outro momento, não muito distante desse, contou-me ela sobre sua vida atual, problemas e dúvidas. Eu dei um suporte específico em uma situação grave até. Obviamente, os supostos amores, assunto preferido da unanimidade, foi o carro-chefe nesse confessionário. Cabe-me aqui dizer que sua limitação é notada às vistas. Porém acreditava que, culpando de antemão um desvario meu, este ser, ao menos, não tornaria-se monossilábico e enlatado - Que grande, grande engano!

Mais adiante vi, por meio de uma rede social (o oráculo das podridões), que a mesma estava ocupada estudando e... Escutando música... Certo, ora! Um motivo justo. Não, calma aí um bocadinho... Quando suas lágrimas vieram à tona e ela precisava urgentemente desabafar, não lembro-me de ser indagada se eu estava ocupada... O que recordo-me é de ter dito - Vem agora para cá!

Por mais frívolas e restritas que determinadas pessoas possam aparentar ser (e de fato é assim), elas, em seus instintos primitivos, tem a esperteza intrínseca em sua essência. O ser humano é, naturalmente, egoísta. Um fato. Mas alguns, lapidados e muito maquiavélicos, conseguem mascarar essa predisposição em benefício próprio, teatralizando e suportando muitas situações que odeiam. Uma hora, ou outra, isso servirá. Já os primeiros... Acabam afundados em sua lama, procurando outros para contar suas proezas de botequim.

Chafurdar na areia com água é a vida de muita gente. E eu gosto muito de observar esse cenário - há algo de muito misterioso na degradação humana.

Contudo deixo aqui meu agradecimento a esses seres tão convidativos. Se não fosse por suas vidas tolas e seus atos odiosamente grotescos, metade dos meus escritos não existiria.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Epifania


Eis que todo ser humano dotado de uma peculiar sensação de aprisionamento rende-se, algumas vezes e tantas outras, a um estado obscuro de estupor - uma odisseia mental por entre as águas mais turvas de que se tem conhecimento - o seu próprio eu.

E há muitos modos de descrever esta jornada, como usar palavras requintadas, amassar inúmeras folhas de papel, destruir e reconstruir versões. Entretanto todas são indignas, não passando de réplicas baratas que nunca poderão reproduzir com fidedignidade o que uma Epifania é de fato.

Sim, epifania, este oráculo dos místicos, a desilusão dos descrentes, o porrete dos iconoclastas. Prefiro eu chamar de aviso, um impulso nervoso, de que a vida pode ser ainda mais entediante do que já vem sendo. E diante do apocalipse previsto, o mundo e seus habitantes mundanos continuariam a viver em modo perpétuo.

Mas há de dizer-se, logo, que o joio é separado do trigo.

Para um homem, esse filme em Fast-Forward é a constatação de que outro caminho, da sua imensa gama de possibilidades, deve ser seguido. No mínimo, um aborrecimento, uma mudança de curso, um ligeiro desvio rumo a um horizonte infinito. E para uma mulher? Como eu poderia narrar um pandemônio com as palavras certas? Um mergulho no dantesco? A visão do inferno? Melhor, tenho algo mais fiel - um prisioneiro à espera da degola que vislumbra o brilho da lâmina do carrasco ao Sol, para, logo em seguida, corta-lhe os músculos e cerrar sua vida. 

Uma epifania feminina é semelhante a caminhar descalço por entre lâminas afiadas; cada corte é uma obrigação, uma espera, um compromisso, uma dívida de sangue com a sociedade. 

Dizem que algumas mulheres querem mais do que a liberdade, elas cobiçam ser os próprios homens. São as párias, as aberrações da natureza, que renegam suas identidades maternais, afetivas e altruístas. 

Que estúpido engano... 

Essas são aquelas que profetizaram um martírio infindável e não querem, de modo algum, esse martelo pesado da injustiça. 

Muitas disfarçam esse calvário dando a si mesmas uma falsa ilusão de poder. No fim, os enlaces, a barriga que cresce e todos os olhares cobram quase as mesmas atitudes de uns duzentos anos atrás. Então esses lampejos da vida dupla e ordinária, de saídas para jantares semanais, de festas de aniversário, de sexo regular, trabalho enfadonho, traições, choros infantis, suflês queimados e sorrisos artificiais não passam de pesadelos recorrentes e de medos que transformam-se em lágrimas e traumas. 

Nenhum homem será capaz de entender o que é aguardar por um destino cruel de mãos atadas apenas por ser mulher. E o que seria deles, a propósito, se não houvesse uma (mulher) a sua espera quando a revelação do seu aparecesse? Eles suportariam saber da morte das suas almas? Obviamente que não. É mais fácil que eles deem cabo das próprias vidas antes.

Ao término da minha jornada, desejo apenas a calmaria. E que minha alma seja livre e espalhe-se pelo ar em forma de coágulos de luz. Que nenhuma centelha de profecias imundas viva e que todos os rostos sejam esquecidos... 

... E que além-mar haja apenas os espíritos dos incompreendidos. Aqueles que, como eu, profanaram o próprio destino. 


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Crítica da Semana: A Fonte da Vida (The Fountain)/2006 - Com explicação da história

Eis um filme cheio de simbolismo. Aqui a chave do entendimento passa pelos conceitos de reencarnação e aceitação da morte para semear a vida. Sua não linearidade é um convite para aqueles que pensam e gostam de cinema muito além do lugar-comum.

A Fonte da Vida (The Fountain/EUA/2006), quando foi lançado, recebeu muitas críticas espinhosas. O tempo passou e eu só assisti agora. E tive a sorte de ver logo após O Universo no Olhar (I Origins/2014) (crítica aqui), um filme muito ruim com uma ideia muito boa. E, ao contrário desse último, os assuntos mostrados, como a Ciência e Espiritualidade, caminham juntos sem que um tema desfavoreça o outro. A ideia de reencarnação, juntamente com a aceitação da morte para propagar a vida, tem seu próprio espaço, trabalhada de uma forma filosófica e na dosagem certa.

Mesmo antes das filmagens começarem, Darren Aronofsky, o diretor, enfrentou problemas. Ele planejou, originalmente, dirigir a obra com um orçamento de R$ 70 milhões e contava com Brad Pitt e Cate Blanchett para os papéis principais. Porém a saída de Pitt e o aumento nos custos levaram a Warner Bros. a encerrar a produção. Depois desses imbróglios, o diretor remodelou o script e ressuscitou o projeto com um orçamento quase pela metade do inicial (cerca R$35 milhões). O casal principal agora era outro, com os atores Hugh Jackman e Rachel Weisz. As locações de cenários passaram para Montreal e Quebec e a macrofotografia foi um dos artifícios usados para criar os efeitos visuais fundamentais do filme a um baixo custo.

A alma da película gira em torno das boas interpretações de Hugh e Rachel. A química dos dois é cativante. A versatilidade e talento de Jackman são notáveis. Seus três personagens são distintos entre si, mas procuram atingir o mesmo ponto e achar as mesmas respostas. E ele nos entrega exatamente isso com muita maestria. Weisz é mais contida, suas duas personagens são muito diferentes e não tem muito em comum. Entretanto isso apenas ressalta seu próprio talento na obra.

A Fonte da Vida alterna momentos entre o belo e o confuso. O que assusta os telespectadores mais ávidos pelo imediatismo. Contudo, como toda obra com um intuito mais profundo, faz-se necessário um olhar mais instigante e pessoal. Somente com esses dois elementos, seus segredos são revelados. Linguagens rebuscadas e consultas a obras acadêmicas (há artigos em português sobre o filme recheados de conceitos assustadoramente difíceis!) não são necessárias para seu entendimento, acredite!

Um filme tocante e visualmente deslumbrante, um daqueles que permeia os pensamentos por muito tempo. Muitíssimo recomendado!

Trailer de A Fonte da Vida
Legendado


***

Para um melhor embasamento, utilizarei aqui um bom artigo em inglês chamado A Fonte Explicada (The Fountain Explained) do site Philoscifi. A partir deste momento coloco o selinho de:



Explicações e organização

O filme é fragmentado, seguindo uma ordem não cronológica. Assim, temos uma bela bagunça para arrumar. Isso pode ser reduzido um bocado se aceitarmos a reencarnação como o elemento primordial da narrativa.

Dessa forma, Tomás/Tommy/Tom são reencarnações da mesma alma em um período dentro de mil anos até a descoberta da chave da imortalidade. Isabel/Izzy também reencarnou muitas vezes. E esse ciclo só é interrompido quando Tommy (o marido de Izzy) deixa a semente no túmulo dela, tornando-a uma Árvore da Vida.

Com essas premissas, podemos então reordenar as sequências do enredo para produzir uma linha cronológica:

Isabel e Tomás
Cena de A Fonte da Vida/2006
Passado - Isabel envia Tomás para uma viagem em busca da chave da vida eterna. Nessa missão ele encontra a Árvore da Vida, porém morre logo em seguida, pois sua ambição o torna indigno. Ambos, Rainha Isabel e Tomás, reencarnam até o presente.

Presente - Izzy está morrendo, mas aceita o diagnóstico pacificamente. Só que Tommy, seu marido, não aceita este fato . Izzy escreve A Fonte (The Fountain), um livro inacabado sobre seu passado, e pede ao marido para finalizá-lo. Ela morre. Tommy começa a investigar a Árvore da Vida e desvenda o segredo da imortalidade. Ele deixa uma semente no túmulo de Izzy e ela torna-se uma Árvore.

Futuro - Tom e a Árvore estão se aproximando da estrela moribunda Shibalba. A Árvore começa a morrer. Tom desespera-se, mas finalmente entende o significado da vida eterna. Ele abandona a Árvore e lança-se ao seu destino. Tom e a Árvore morrem na explosão da Estrela, espalhando a vida e criando o universo. Tom é o último homem e o Primeiro Pai.

A busca

A busca pela vida eterna é o esforço humano por excelência, atravessando todas as culturas e atividades ao longo do tempo. No filme, Tomás procura o Santo Graal (A Árvore da Vida) e Tommy a cura para o câncer. O primeiro corre atrás do místico e o segundo quer uma resposta científica. Tomás começa na selva, caçando uma lenda, e acaba no laboratório, perseguindo o científico. No entanto, o objetivo de ambos os personagens é o mesmo - a Árvore.

A história também pode ser vista como uma abordagem sobre a obsessão pela grandeza e o quanto essa jornada é solitária. Por mil anos, Tomás/Tommy/Tom estão, na maior parte do tempo, sozinhos. Eles só enxergam o que amam por partes e nunca como um todo. Tomás vê seus soldados morrerem na selva. Os pesquisadores que trabalham com Tommy esforçam-se sempre para acompanhar seu ritmo vertiginoso. E Tom, o último homem, sabe que todos que já conheceu e gostou estão mortos. E isso torna-se um fardo e uma agonia.

Trata-se, por assim dizer, de uma expedição pessoal para enfrentar nosso maior medo - a morte. Apesar de todo nosso conhecimento científico e crenças religiosas, a maioria das pessoas ainda têm medo de morrer quando esta hora chega. Assim como Tom, o viajante espacial, despido de todo o materialismo, cada pessoa deve aceitar seu destino sozinha, ou seja, ninguém pode fazê-lo por outra, mesmo que a ame profundamente.

A Jornada através dos nomes

Izzy e Tommy
Cena de A Fonte da Vida/2006
A evolução dos nomes do herói através da linha do tempo é uma parte importante da obra - Tomás, Tommy Creo e Tom. No Novo Testamento, em João 20:24-29, a aparição mais famosa de Tomé (ou Tomás) dá-se quando ele duvida da ressurreição de Jesus e afirma que necessita sentir Suas chagas antes de convencer-se. Essa passagem é a origem da expressão "Tomé, o Incrédulo" bem como de diversas tradições populares similares, tal como "Fulano é feito São Tomé, precisa ver para crer". Após ver Jesus vivo, Tomé professa sua fé em Jesus e então passar a ser considerado "Tomé, o Crente".
No filme, Tomás, o Conquistador, é um seguidor da Rainha Isabel. Este aceita a missão que a soberana destina-lhe. Mais tarde, como Tommy Creo, ele passar a ter dificuldades em aceitar a morte de Izzy. Este é um ponto interessante porque "Creo" em espanhol significa "Eu acredito". No final, Tom, o viajante espacial, sem título ou mesmo sobrenome, passar a acreditar e torna-se simplesmente um homem.

A Árvore

A Árvore é um grande símbolo neste filme. Não só tem laços religiosos (Árvore da Vida no Jardim do Éden, por exemplo), como também científicos. Muitos dos nossos medicamentos são extraídos de plantas. E esta é uma das razões pela qual os cientistas estão tão preocupados com a destruição das florestas. Pode ser que muitas delas, até então desconhecidas, sejam chaves para tratar doenças que no momento são incuráveis. As árvores são seres vivos muito próximos da imortalidade. Sabe-se que algumas espécies existem há mais de mil anos.

O Conquistador

O Ocidente tem uma visão extremamente polarizada do mundo - preto e branco, o bem e o mal e o certo e o errado. No começo, o conquistador é a religião, portanto a mão da justiça que está disposta a matar todos os que se opõem a ela. Nos dias atuais, o Conquistador é a Ciência, cuja a determinação de desmistificar o mundo enfrenta as fronteiras do fervor religioso.

O pensamento oriental é mais circular aceitando mais a pluralidade e a ambiguidade. E por seguir essa Filosofia, na maioria das vezes, é desvalorizado pelo Ocidente. Essa tensão pela busca do meio termo e da reconciliação permeia a obra de Aronofsky.

Tempo

A Fonte da Vida, de alguma forma, distorce nossa percepção do tempo. O filme parece ter mais tempo do que os 96 minutos de sua duração. Existem duas possíveis razões para isso. Primeiro, três histórias distribuídas em uma grande escala de tempo, contribuindo para um sentimento de épico. Em segundo lugar, o nível de intensidade emocional sustentada ao longo do filme e que deixa muitos espectadores exauridos até o final.

A Roda ou o Círculo

Tom, o viajante espacial
Cena de A Fonte da Vida/2006
Este é um símbolo muito comum no pensamento oriental. Não há começo ou fim, tudo está relacionado, fazendo parte do mesmo conjunto. Dessa maneira, destacam-se alguns dos seus usos e aparecimentos no filme:

Roda do tempo - A história inteira é um círculo. Tom é o primeiro pai e o último homem. Ele, presume-se, reencarnou muitas vezes (círculos dentro dos círculos) até tornar-se efetivamente imortal no final.

Ciclo de vida e morte - A morte gera vida e a vida leva à morte. Sem um, não existe o outro. Esta não é apenas uma ideia religiosa, na ciência há muitos exemplos, tais como o ciclo do carbono e a criação de elementos mais pesados ​​através de múltiplas explosões estelares.

Anéis do tempo - Uma ótima cena mostra como Tom, o viajante espacial, conta o tempo tatuando-se com anéis. É uma boa alusão aos anéis de crescimento, como os que uma árvore possui. Quando o tronco de uma árvore é cortado, nota-se que existem círculos escuros. Cada anel corresponde a um ano de vida desta. Nas árvores que vivem em regiões de clima temperado, esses anéis são bem fáceis de contar. Já nas espécies de regiões tropicais, como é o caso do Brasil, os anéis são difíceis de definir. Isso porque o clima influencia diretamente na formação desses anéis. A análise desses anéis de crescimento também comprovou que é possível reconstruir as oscilações de fatores do clima em certos períodos. Assim também acontece com os moluscos, que possuem anéis que dizem sua idade.

Anéis concêntricos - Quando Tom voa em direção a Shibalba, uma série aparentemente interminável de anéis concêntricos surge.

Nave espacial esférica - A esfera é basicamente a versão 3D do círculo.

O anel - O símbolo tradicional de amor e compromisso infinito. Tomás e Tommy, cada um, perdem o anel, uma vez como conquistador e outra como cientista. Isso acontece porque eles não estavam preparados e não tinham aprendido a verdadeira lição sobre seu significado. A lição só é absorvida por Tom, o viajante espacial, que recupera o anel do Conquistador para completar o ciclo (a roda) da vida.

Música - A música é minimalista, repetindo, insistentemente, os mesmos temas em ciclos.

Mais dicas

Iluminação progressiva – O filme fica mais leve à medida que a linha do tempo progride. Por exemplo, escuro (selva), tons silenciosos e neutros (laboratório) e brilhante (Shibalba).

Ouro - A cor dourada é usada porque simboliza o desejo e a obsessão e encaixa-se particularmente bem com o tema maia e espanhol. Também está conectado com o "ouro de tolo", algo que você cobiça, mas depois percebe que não é o que você queria.

O mapa das estrelas - A maioria das pessoas não se preocupa com os créditos (a não ser que seja um filme da Marvel), entretanto, neste filme, é uma parte interessante. Podem ser observados aglomerados de luz em segundo plano. Isso é, de fato, o que os cientistas dizem que aconteceu após o Big Bang.

***

Fontes

A Fonte Explicada. Site Philoscifi. Artigo em inglês
A Fonte da Vida. Site Omelete.
A Fonte da Vida. Wikipédia em Português.
A Fonte da Vida. Wikipédia em Inglês.
A Fonte da Vida. Rotten Tomatoes. Site em Inglês.
A Fonte da Vida. IMDb. Site em Inglês.
Macrofotografia. Wikipédia em Português.
Dúvida de Tomé. Wikipédia em Português.
Você sabia que é possível descobrir a idade de uma árvore olhando o interior do tronco. Site EBC. 
Anéis de crescimento de árvores indicam histórico do clima. Hemocentro/USP.

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Passagens

Imersa em minha grande arrogância, muitas vezes pensei dominar todos os meus sentidos, inibindo e liberando-os como pingos milimetrados em um frágil conta gotas de vidro. Santo Deus, que ilusão patética!

A certeza mesmo é somente da minha incendiária passionalidade. Poderia amar mais e mais e morrer na mesma intensidade, assim como odiar com o fervor das fornalhas ardentes das piras da antiga Grécia.

Toda essa jornada, com picos de calma, oscila ao compasso da passagem das estrelas pelo céu noturno.

E viver assim, neste carrossel desvariado, não causa-me desconforto. O que assusta-me é a monotonia, juntamente com os cumprimentos matinais vazios, as aparências, os corações satisfeitos e o conformismo com uma vida ordinariamente normal.

Toda a malícia deliciosa esvaiu-se. Os homens possuem apenas olhares carnais e ávidos pela quantidade e as mulheres, bobas como são, caem nessa historieta como vespas na lareira.

Acumulam-se alguns convites sobre a minha mesa. Jantares, cafés... Alguns muitos na surdina, de sexo rápido e a domicílio em forma de cappuccinos.

Deixei-os em aberto, bem provavelmente para sempre. Meus instintos não seriam satisfeitos com tão pouco. De fato, nenhum homem arrancou de mim gemidos impetuosos desprovidos de obrigação, receio ou chateação. Assim, cabe-me apenas tecer aquele que, longe da perfeição, povoa a minha imaginação e penetra-me corpo e alma.

Ao olhar o passado, tão pouco significou. E com as poucas fagulhas douradas de êxtase de outrora, posso apenas construir com palavras as histórias para entretenimento de desconhecidos mais próximos do que aqueles que um dia tocaram por entre
meus lábios.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Crítica da Semana: Universo no Olhar (I Origins)/2014

Um filme ruim com uma ideia ruim pode ser até divertido, mas quando temos um trabalho péssimo advindo de uma ótima ideia, o único sentimento que fica é de um grande aborrecimento. Eis a definição exata para essa película.

Meu Deus do Céu... Fazia um certo tempo que um filme não despertava em mim um sentimento de antipatia. Algo um pouco perto disso veio com À Noite Sonhamos (A Song to Remember/1945). Portanto Universo no Olhar (I Origins/EUA/2014) conseguiu superar todas as minhas expectativas negativas. Ele, arrisco-me a dizer, deveria ser uma cartilha para todos os alunos de cinema, pois é sempre bom ter exemplos vívidos de como desperdiçar uma ideia interessante no campo da Sétima Arte.

Apesar de ser muito elogiado por aí e até ganhar uns prêmios no cenário independente, o filme tem uma construção que peca pela não profundidade em temas que insiste o tempo todo em comprar para si, como o encontro de almas, a morte e o luto. E, de quebra, ainda trata a Reencarnação muito superficialmente, tanto pelo lado da Religião como da Ciência. E a culpa resvala para tudo que é canto: direção, elenco e, principalmente, roteiro.

Vamos por partes...


O diretor Mike Cahill erra a mão feio, viu. Com quatro filmes no currículo, o seu A Outra Terra (Another Earth/2011) já o colocava no cenário cult promissor sem muito merecimento. Sua assinatura é o apelo pelo dramalhão travestido com uma roupinha mais descolada, underground e jovial, digamos assim. Essa sua obra de 2014 ratifica isso. 

O elenco é bem mediano, salvando-se somente Archie Panjabi (que interpreta Priya Varma) que ganha no quesito carisma e faz um grande esforço para dar credibilidade ao seu personagem, mesmo que este esteja relegado aos momentos finais da película. Michael Pitt (que interpreta Ian Gray) está deslocado e não causa empatia, piorando ainda mais quando um luto muito estranho, por parte dele, é revelado; na primeira oportunidade, atraca-se com sua assistente porque esta leva-lhe uma sopinha quente. Seu personagem melhora no final apenas, quando liga-se justamente à personagem mais sensata do filme, Priya Varma. Brit Marling interpreta Karen, a personagem oportunista de pesares. Ela não destaca-se além disso. Uma analogia ao urubu caberia muito bem aqui.

Dedico agora um parágrafo a personagem Sofi (interpretada por Àstrid Bergès-Frisbey). Sua presença tem uma grande parcela de culpa pelo desastre que o filme é. Ela deveria ser a parte espiritual, iluminada e sensata, passando uma serenidade típica àqueles que estão em um nível mais elevado em suas próprias crenças. Só que ao invés disso, a moça é enjoativa por demais. Seu ar misterioso do começo beira o ridículo, muito ajudado pela sua tentativa de inserir sexo em um contexto bem falso. E daí por diante a ladeira é lucro. Ela restringe-se a partes de seminudez e nudez. Seu jeito de modelo sem cérebro é parecido com alguém que foi criada dentro desses cultos malucos. Com frases saídas de livros baratos de auto ajuda, ela mira na parte divina e acerta o new hippie chic. A cena em que ela morre, pelo amor... Lembrou-me os filmes do antigo Cinema em Casa do SBT. Poxa, se era para a garota passar dessa para outra por causa de um elevador, que fizesse com ele caindo, lentamente, dando espaço para analogias e reflexão. Cortá-la ao meio, deixando-a em uma poça de sangue foi uma mistura de gore com impacto zero.

O final é insosso. Nosso desbravador descontextualizado finalmente encontra a íris única de Sofi na Índia. O renascimento é a prova que abala um universo inteiro. Era para ser majestoso... Entretanto não é. 

Aqui não cabe-me julgar as Crenças e a Ciência. Se o filme fosse bom, assim como a ideia que o cerca, um debate razoável seria estabelecido. 

Se quer um conselho, melhor assistir outro filme, talvez Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time/1980) na Netflix. Ao menos tem o Christopher Reeve e é de época. 



Trailer Legendado

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Conversa Cafeinada - Minhas novidades e algumas histórias sobre o comportamento de muitos seres humanos pequenos


Há algum tempo não venho por aqui. Então vamos, você e eu, tomar uma xícara de café quentinha, viajar no tempo e ir para uma época em que tudo era muito mais romântico e simples. 

Deixe que comece eu, por assim dizer...

Mudei de médico e agora é uma médica. Estava muito aflita pelas dores na coluna terem piorado e precisava, mesmo que fosse pagando, de palavras mais acolhedoras sobre o meu estado. Achar um bom profissional é uma loteria e nisso tenho experiência. Essas visitas para tratar a saúde são um desgaste só. Pelo menos, dessa vez, achei alguém com mais suavidade e que explicou-me com mais detalhes o que tenho.

Isso foi há quase um mês e estou bastante medicada com todos esses remedinhos coloridinhos e pomposos, dignos de uma boa hipocondríaca como eu. Uma segunda visita está agendada para semana que vem.

Essa é um das partes corriqueiras da vida e para qual não há escapatória - uma hora ou outra ela irá acontecer.

Já outras... Por Deus! São momentos bizarros protagonizados por criaturas saídas das profundezas abissais da falta de classe e de trato. Mas nem por isso deixam elas de ser as protagonistas de histórias curiosas sobre o modus operandis desses bufões modernos. Eis uma...

Em um dia qualquer, quente e enfadonho, foi-me apresentado um moço estudante de pós-graduação. E antes que eu entre nas linhas principais, não preciso dizer que sou quem sou. De nada importa-me a presença de novas pessoas, serei o mais formal possível e respeitosamente distante, observo primeiro, olhos e língua, e não vai sair de mim (a não ser que esteja sofrendo com encefalopatia espongiforme) sorrisos escancarados e expressões histriônicas (Ai, como isso é cansativo!).

Continuemos...

Depois de conversas e deste mesmo ser vivente apresentar-me um conhecido seu, nessas andanças pela busca de bons lugares para tomar um brisa fresca na face, lá pelas tantas da noite e já quase na despedida, ele fala que pareço arrogante e um tanto convencida. Que belíssimo julgamento, não é mesmo?

Você pode agora falar: "Tu mesmo gostas de sinceridade!".

Sim, é claro. Se os julgamentos forem concisos e bem fundamentados, as críticas, mesmo as mais espinhosas, não podem ser desvalidadas. Porém leia só as bases deste energúmeno, que eu digo certamente, são as mais rasas e míopes que já ouvi...

Esta pobre alma disse que eu fui muito distante, que não sorri muito, ou no popular mesmo, "Não mostrei meus dentes". E que isso era ruim e tornava-me uma pessoa prepotente. Em um único momento de lucidez nessa desfaçatez todinha, ele supôs que poderia ser um modo de defesa ou um jeito único. Ora só, temos um Sherlock!

Gente, que patacoada! Era só o que faltava, ser julgada como um péssimo ser humano apenas por não pavonear por aí... Prefiro ser odiada milhões de vezes então.

E a cereja desse bolo podre é que este mesmo homem é um desses galanteadores deslizantes esperando só uma oportunidade para fazer-se, um antagonista no quesito charme e detentor de um jeito malandro nada buarquiano.

Como diria Kurtz no livro O Coração das Trevas (Heart of Darkness/1899):

O horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror...

No mais, comprei uma camiseta com o desenho de Moby Dick e veio-me um moletom danadíssimo de feio. Enviei para troca, o que foi até descomplicado. Estou aguardando a chegada do produto ao destino para ter meu vale compras. Também tenho estudado para as primeiras provas da minha pós em Contabilidade Pública. Às vezes acho que deveria não ficar tão chateada por estar formada nessa área, afinal, eu tenho um diploma por uma universidade federal e fui uma ótima estudante nessa área, mesmo que a não queira de jeito nenhum. Talvez tenha que orgulhar-me mais dos meus feitos e parar de dar combustível para as dragas de plantão.

Esse semestre de Física está altamente desinteressante. O mais do mesmo, um bocado de gente jovem com uma personalidade tão fútil como as das irmãs Kardashians e o conhecimento mais ralo que sopa no final da madrugada. Trata-se, só pode, de uma epidemia descontrolada de pessoas assim. Parece até mau uso da modernidade, ou a preguiça reinante ou a falta de uma genética mais favorável, vai lá saber-se sobre esses mistérios nada desejáveis da vida.

O meu maior desafio tem sido controlar a minha vontade de agir como iconoclasta de algumas figuras discentes de Física - as lendas do bom coração e do humanitário e que de tão falsas fazem as declarações de inocência do Michel Temer e do Aécio Neves orações para São Francisco de Assis. Eu poderia ser o Snowden desse curso... Só que... Eu quero apenas a paz... E quem quiser sair da ilusão... Que procure desconfiar dessa benevolência desmedida.

Comprei alguns livros que há tempos tenho vontade de ler, um é Coração Desnudado, do francês Charles Baudelaire, e o outro é Música na Noite e Outros Ensaios, do inglês Aldous Huxley. Estou só esperando a Amazon entregar.

Sobre os homens, bem... Eles ainda parecem muito instigantes para observação e, vez ou outra, bons para degustação. Todavia o material ao redor, salvo uma ou duas exceções, não ajuda muito.

Das exceções, confesso que estou com saudades de observar um certo jovem, na casa de seus quase 20 anos. Ele é um desses espécimes raros, brejeiro todo, com um sorriso que faria qualquer velho e petrificado coração bater por uns bons minutinhos. Por onde quer que ande este Adônis, conserve Deus ele na aura do natural e na ignorância dessa idolatria. Aquela tez dourada não necessita de envaidecimentos e muito menos teatralização.

Comprei um DVD de um dos últimos concertos do Everly Brothers. Sim, eu ainda compro DVDs.

Por hora, é isso que tenho para contar. Espero que as suas histórias sejam menos desafortunadas e mais saborosas que as minhas.


sábado, 17 de junho de 2017

Tracklist da semana - Via Spotify - Canções de Amor e Baladas (Love Songs and Ballads)

Muito bem... O Dia dos Namorados passou... Graças a Deus! Pois é pavoroso ver o amor transformado em um monte de promessas sem graça, presentes caros, futilidade e postagens em redes sociais.

Sim, eu sou muito old school. E posso muito bem ter sido, na existência passada, um homem ou mulher dos anos 20 ou 60, escrevendo longas cartas apaixonadas e saudosistas durante as guerras.

Eu tenho um coração. Não sou a bruxa má que faz poções para matar a princesa loira e da voz de arranha disco e ficar, assim, com o príncipe ainda mais insosso.

Pensando bem...
... As feiticeiras são bem mais sexies e atraentes hoje em dia.

Linus Larrabee
Harrison Ford
Sabrina - 1995
Eu sou como o Linus Larrabee em Sabrina (1995). E um dos melhores diálogos do filme apresenta exatamente o que eu penso sobre o mundo dos relacionamentos:

Sabrina pergunta a Linus:

 - Foi por esta razão que você nunca se casou? Você provavelmente não acredita no casamento.

E Linus sabiamente responde:

 - Sim, eu acredito. É por isso que eu nunca me casei.

Espero que gostem dessa tracklist, pois aqui estão quase todas as músicas que eu desejaria dançar com alguém em um desses encontros que o destino prepara maliciosamente...

Jamie Fraser
Sam Heughan
Outland - 2014
Vou ressaltar que eu montei essa lista totalmente DROGADA por remédios para dor crônica... E... Sinceramente... Eu acho que estou vendo o Jamie Fraser da série Outland na minha janela...

Oh... Meus Deus... Eu não estou sentindo o meu rosto... E nenhum ossinho do meu corpo... Estou flutuando... Acho que virei um raio de luz. 

Love Songs and Ballads - Playlist do Spotify 
feita por T.S. Frank 
Seleção de músicas por T.S. Frank


Lembrete: provavelmente você irá escutar somente 30 segundos de cada 
música se não tiver o Spotify instalado. Então eu recomendo que o tenha
 - uma das melhores plataformas para se escutar música, de rápida e fácil
 instalação - disponível para PC, tabletes e celulares - GRATUITO!