sexta-feira, 8 de junho de 2018

Ex Libris - O que é?

Agora o CQ&Sherlock tem seu  EX LIBRIS
Imagem: a própria T.S. Frank
Os livros podem carregar verdadeiras obras de arte em seu interior. Um dos exemplos mais clássicos está nos Manuscritos Iluminados (artigo do CQ&Sherlock aqui). Entretanto a beleza de uma obra estende-se também para os elementos pré-textuais. E é aqui que o Ex Libris destaca-se.

O que é Ex Libris?

Latim: 

Ex: preposição, "de"
Libris: de liber m (libri, genitivo); segunda declinação: livro

"[...] Ex libris é uma expressão latina cujo significado etimológico é “dos livros” ou “da biblioteca de...”, é assim um indicativo de posse bibliográfica ou uma marca de posse bibliográfica. Uma espécie de selo de propriedade, incontestável e universal, que vem colado na face interna da capa, no rosto ou ante-rosto do livro. É um verdadeiro título de propriedade que identifica os livros de uma pessoa, ou biblioteca, expressando a personalidade daquele que o possui. Há quem diga que tem força de escritura pública, pois se observa que no ex libris nem sempre se vê presente o nome do dono e, no entanto, há um respeito pelo direito de propriedade." (Brantes apud Pottker, 2006.)

A primeira vez que vi um Ex Libris foi em um livro de Gramática Latina em inglês, o New Latin Grammar For Schools and Colleges, 1903. Eis a marca abaixo:


Outro exemplo é este:

Aqui o nome do dono venho acompanhado de uma frase que sintetizou o pensamento e a personalidade desse, juntamente com uma imagem significativa.

A citação acima, em latim, fala-nos: "A vida é curta, a arte é longa." e origina-se dos escritos de Hipócrates (em grego antigo: Ἱπποκράτης/Ippokráti̱s; * 460 a.C. em Cós; † 370 a.C. em Tessália), contudo foi popularizada pelo poeta romano Sêneca. Esta mostra foi feita em Xilogravura (técnica de fazer gravuras em relevo sobre madeira).

Fontes:

Monografia: Ex Libris. Resgatando marcas bibliográficas no Brasil, Gisele Pottker
Ex Libris - Wikipédia em Português
Ex Libris - Wikipédia em Inglês



Quem leu este artigo pode se interessar por: 

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Audiopost - Tracklist Rádio das Madrugadas


Olá, queridos (as) leitores (as) e OUVINTES!
 

Tears For Fears
Isso mesmo, resolvi voltar com as atividades da categoria AUDIOPOST.

Não é a primeira vez que eu gravo a minha voz aqui. Tem um material marcado como Audiopost (clique aqui) no blog. E são mais antigos. O último (de autoria própria) foi em abril de 2011. E não estranhe, fui escutar a minha voz nas gravações passadas e ela está bem diferente (será que foi o passar do tempo e a chegada dos 30 anos?). Entretanto, vida que segue!

Pois bem, essa gravação de hoje traz um pincelada, com opiniões minhas e informações, pelas músicas um pouco mais antigas (muito familiares para o pessoal da década de 80 e 90) e que sempre estão tocando na programação da madrugada. Aqui eu falo sobre: Bee Gees, Smokey Robinson & The Miracles, B.J. Thomas, Peter Cetera, Procul Harum, Tears for Fears, Bangles, Toto e Nazareth.

Espero que escutem e gostem!

Até a próxima! 


Bee Gees

sábado, 5 de maio de 2018

A escala cinza do cotidiano

Pigmaleão e Galatea
Jean-Léon Gérôme
1890
The Metropolitan Museum of Art

"Ser estúpido, egoísta e ter boa saúde são três requisitos para a felicidade, mas se a estupidez faltar, está tudo perdido." (Être bête, égoïste, et avoir une bonne santé, voilà les trois conditions voulues pour être heureux; mais si la première nous manque, tout est perdu/ La correspondance de Flaubert‎ - Página 799, Gustave Flaubert, Charles Carlut - Ohio State University Press, 1968 - 826 páginas)

Hoje pensei sobre a felicidade alheia e como ela, essa bizarrice, parece extremamente vulgar aos meus olhos. Deus, é como ver uma amostra cotidiana de seres humanos com cérebros liquefeitos, esperando não mais que muito dinheiro (e precisa ser sempre mais do que já tem!), sexo ruim (principalmente para as mulheres), amor inexistente (por parte dos homens), filhos endiabrados (culpa de quem?) e um livro de ficção constituído de fotografias expostas aos quatro cantos do mundo.

A vida parece morrer no namoro. E pergunto-me por que insistem nesses enlaces que, segundo os relatos que chegam-me, firmam-se nas traições e num teatro patético para as famílias de ambos os lados.

Há algo de viciante na tristeza e em seus tons de cinza. Ela traz os pensamentos mais aniquilantes em versos e estrofes, destrói mitos e reconstrói muros de proteção. Por outro lado... A felicidade traz uma calmaria em tons amarelos débeis e bobos. Sorrisos que engasgam e sufocam. É, talvez, a morte da alma mais sarcástica que exista. 

Esse utópico contentamento não pode ser um estilo de vida, pois já nasce em decaimento, pronto para acabar e deixar vontades, assim como um orgasmo. Já a tristeza é fiel e ajuizada e torna-se um perigo somente ao se combinar com a vontade de morrer. 

Por esses dias trabalhei, estudei, tive insônia de madrugada e dormi muito de dia. Fiquei doente e pensei que era meu fim. Tomei muito café. E engordei mais um pouquinho. Procurei um trabalho fixo e não achei absolutamente nada. Terminei de ver a Série Terror e li os trechos finais do livro de mesmo nome (em inglês) do Dan Simmons. Faltaram muitas coisas interessantes na série que só existem na parte manuscrita e, mesmo assim, foi ótimo assisti-la. 

Ainda não recebi resposta sobre o término de mais uma demanda do meu trabalho freelance. Será um bom dinheiro neste período, maior que a quantia do mês passado. Entretanto a minha desconfiança (quase paranoica) mostra-me mãos absolutamente vazias. 

Preciso entregar meu TCC, da pós-graduação, para a correção e validação até às 23:59 horas de hoje. Muito precisa ser corrigido, segundo a orientadora, e minha coragem está em falta. Orçamento Participativo é o melhor tema que achei na Contabilidade Pública. E, mesmo assim, tem dado dor de cabeça.

Também falei para meu botões... O que separa-me dos meus ex-colegas de curso já formados em Física é só a área mesmo. No final, ficaram eles no mesmo nível que eu, pensando melhor... Estando todos nós na mesma cidade, as oportunidades reais de trabalho podem estar muito piores para as bandas de lá. 

O que seria excitante agora? De uma forma que explode na boca como coalhadas e maçãs? Admirar corpos nus? Usá-los? E depois... Se forem nada mais do que cascas vazias que não se pode manter uma conversa agradável nem mesmo para tomar um café matinal? 

Tornei-me escrava dos meus questionamentos. E não há quem resista inteiro a eles. 

Será que precisarei ser estúpida para sentir prazer nos outros? 

Necessito, urgentemente, construir outro objeto de adoração. E dá-lhe uma vida envolta por pensamentos maliciosos que podem ser desnudados todas as noites e abandonados ao nascer do Sol. 


terça-feira, 1 de maio de 2018

Crítica da Semana - Cargo/2013 - O curta

Cargo é um curta competente no que propõe-se, deixando de lado os diálogos para dar vez a expressões e comportamentos que falam diante do inevitável. É preciso salvar o mais precioso de tudo das garras da besta iminente - a irracionalidade do próprio eu.

Fazer um curta é de uma nobreza ímpar e, ao mesmo tempo, uma tarefa ingrata - a história deve ter seu começo, meio e fim em minutos e precisa ser eficaz como canal de comunicação entre o diretor e o telespectador.

Hoje há muito mais público para essa parte do Cinema e os festivais especializados já fazem questão de colocá-los gratuitamente. E este é o caso de Cargo (Cargo/Austrália/2013), um filme curto de horror com a temática do apocalipse zumbi, dirigido por Ben Howling e Yolanda Ramke.

Entretanto não espere que haja mais do mesmo aqui. Você, caro (a) leitor (a), não verá sangue, gritos, vísceras, carnificina e outros recursos.  Seu foco é estritamente no essencial da relação humana - os sentimentos. E neste caso, teremos amor de um pai pela filha.

O enredo é basicamente este...

Um homem, após acordar de um desmaio provocado por um acidente de carro, descobre que sua esposa morreu e tornou-se um zumbi bem ao seu lado. Desesperado, ele deixa o carro e pega sua filha, que ainda é um bebê. Ele percebe que foi mordido enquanto estava inconsciente. A partir desse momento seu destino já é certo. Contudo, antes dessa tragédia, ele precisa garantir que sua filha sobreviva.

O destaque maior é a atuação de Andy Rodoreda, o pai protetor. Ele, juntamente com Ruth Venn (a pequena Rosie), é responsável pela carga emocional do filme. Também vale destacar a bela fotografia apresentada. 

Cargo foi feito para o festival de curta-metragens Tropfest, onde foi finalista.

Só a titulo de curiosidade... Cargo, em inglês, é carga, assim como conhecemos mesmo, a definição de aquilo que se transporta. Pelo cartaz do filme, o nome não poderia ser mais adequado, além, óbvio, de todo o simbolismo que traz. 

Se eu fosse você, assistiria logo! Vale muito uma conferida. E faça isso antes da estreia de Cargo da Netflix, como o maravilhoso Martin Freeman (meu querido Dr. Watson!). 

Deixo o curta, na íntegra, aqui embaixo. E não se esqueça que dia 18 de Maio o filme estará na plataforma streaming (O CQ&Sherlock vai trazer a resenha do filme também!).

Recomendadíssimo!






domingo, 8 de abril de 2018

Divindade

Apolo em sua carruagem (1685)
Óleo sobre tela
Luca Giordano
Museu de Belas Artes de Boston/EUA
Meu amor não consumado
Tinha um rosto vívido,
Cabelos feitos de Sol
E olhos do Oceano.

Criou a primavera
E o outono acarvalhado
Deixou o inverno lacrimoso
E o verão de Cassiopéia.

Era um Deus do Olimpo,
Apolo em sangue e carne.
De um sorriso abrasador
E palavras reconfortantes.

Ainda lembro-te
Parado à porta
A fazer-se efígie
Imaculada e idolatrada.

Foste de outras,
Tantas outras.
E de mim
Apenas poesia.

Perdeu-se tua figura
Que era minha morada
Apagou-se tua face,
Farol de muitas caminhadas.

Findou-se a devoção,
Assim como meus sonhos
De insanos devaneios.

Vivo agora de lembranças
Daquele que nunca tive
E que não mais sei.

Sou migalhas de utopia
De uma ingrata vida
Que fez-me só solidão.

T.S. Frank




quinta-feira, 5 de abril de 2018

Ab imo pectore

Do fundo do coração... Parece que o dias não se esforçam para emergir das águas turvas com perspectivas animadoras para a alma.

Trago em mim uma dúvida navalhante: Deus, onde estão as oportunidades de trabalho?

Ontem percebi que enviei quase cinquenta currículos para diversas agências de recrutamento. Recebi resposta alguma dessas. Só consegui, até o momento, um homework sem carteira assinada. A tecnologia para educação corporativa deu-me uma chance, não muito grandiosa, mas não deixa de ser fonte de algum dinheiro. E isso leva-me a crer que eu tenho muita capacidade. O que atinge-me é a inexistência de oportunidades. E isso é bem devastador.

Cá estou desde dois mil e onze. E aconteceram tantos fatos inenarráveis e estrambóticos. Cheguei sentido-me uma anciã de vinte e cinco anos muito incompreendida, que tornou-se refugiada nas montanhas do próprio mundo interior. Quis o destino que eu instalasse-me em um lugar bucólico e catito, um reduto para universitários e recém-formados sem um vintém (ou quase), com uma ruazinha ladrilhada por tijolos de uma época remota, uma gente bem popularesca de dia e gatuna à noite.

Nunca esquecerei-me das luzinhas amarelas débeis que pareciam abrir um portal para a era oitocentista. Tão pouco do Palacete mais acima, já desgastado, vívido de memórias e com a escada de O Mulato ainda em pé a muito custo. Os cabarés mais horripilantes ficavam por trás dessa minha moradia. A degradação moral e da alma eram vizinhas, o sujo e o vulgar. E eu só pensava: - Pobres mulheres! Por que a vida é tão ingrata para com seus espíritos e corpos?
Sim, eu estava no Desterro. Literalmente. E essa será referência para toda uma vida - exilada daqueles que do rosto não sei.

Dá-me preguiça da vida em certos momentos do dia. Ah, e como assolam-me essas passagens. Porque compõe-me as peças de um quebra cabeça muito incomum - partes modernas, à frente, e outras muito antigas, necessitando ora de uma máquina de escrever e uma vitrola, ora de um tinteiro, pena e uma estante de livros de capas de pano azuis e vermelhas com folhas amareladas.

Sofro com dores de estômago, entretanto a coluna e seus disco estragado amenizaram o ranger de dentes diabólicos por esse ciclo.

Acho que não tenho saudades do ambiente universitário. Sinto falta mesmo das conversas agradavelmente desprendidas que chegavam de surpresa, sorrateiramente e que raramente aconteciam. E vinham justamente das pessoas mais inesperadas, com suas figuras altas e esguias, de rostos delicadamente feitos por uma jovialidade quase imaculada e deliciosamente ingênua e boba.

Falta-me tanto... E a maioria trata-se de sentimentos e prazeres aprisionados, renegados, arrancados à fórceps.

Dessa semana, agradou-me sair para comprar os caprichos usuais de uma mulher. E depois tomei o café mais delicioso e espumante com uns bolinhos quentinhos e cremosos. Não deixei de notar a figura de uma moço com um rosto bonito e um pouco acima do peso, o que o fez ainda mais amável de olhar-se. Tão tímido... Lendo ali o seu livro. E assim como apareceu-me, esvaiu-se. Porque fui embora tão logo terminou a comida.

Assombra-me o pavor de não conseguir um trabalho fixo a médio prazo. É um desespero que pulsa a intervalos regulares. É uma face temerosa. Sinto-me prejudicada pela falta de conexões.

Preciso finalizar o trabalho de conclusão da minha Pós-Graduação. Tenho mais uma demanda de mapa mental. E está tudo odiosamente calmo; até o explodir dos próximos gritos de reprovação e maledicências.

Por enquanto os malditos inquisidores e toda a sorte de inimigos estão vencendo. Até quando? Não sei... Nada dura para sempre. Mesmo que esse sempre estenda-se por várias e várias existências.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

The Gael - Main Theme from The Last of Mohicans (O Último dos Moicanos/1992) - Flauta Nativa Americana - NAF

Capa da Trilha Sonora Regravada pela
Royal Scottish National Orchestra/2000
O tema principal do filme O Último dos Moicanos (The Last Of Mohicans/1992) contou com a música The Gael, do cantor e compositor escocês Dougie MacLean, do seu álbum de 1990, The Search.

Os compositores são Trevor Jones e Randy Edelman e os condutores são Daniel A. Carlin e Randy Edelman.

Curiosamente o tema incorpora a cultura gaélica (própria da região da Escócia) e, apesar das diferenças entre os povos, caiu bem para a trilha de um filme que aborda a cultura nativa americana.

Gael (Goidel) é um termo que designa os falantes de uma das línguas gaélicas e célticas: irlandês, escocês gaélico e manx.

Gael também pode ser um nome de uma pessoa (com a variante feminina Gaelle), onde é escrito Gaël (feminino Gaëlle). Sua etimologia é incerta, pois há possibilidade de relacionar-se ao etnônimo (gentílico) Gael (Goidel) e, alternativamente, também a uma variante do nome Gwenhael (de um santo bretão do século VI).

Vale lembrar que o filme é uma adaptação de O Último Dos Moicanos (The Last Of The Mohicans: A Narrative Of 1757), um romance histórico de James Fenimore Cooper que foi lançado em 1826. Baseia-se em acontecimentos relativos à Guerra Franco-Indígena (1754-1763), aos quais foram adicionados elementos ficcionais. É uma das obras mais representativas do romantismo estadunidense.


***


Esta é uma gravação minha em minha NAF. Espero que gostem!

O Gaélico - Tema Principal de O Último dos Moicanos
Flauta (em bambu) Nativa Americana, chave em F, pentatônica
Tocada por T.S. Frank

The Gael - Main Theme from The Last of Mohicans
Native American Bamboo Flute, Key F, pentatonic, 
Performed by T.S. Frank















Trilha Principal do Filme




Canção Original 




Trilha Sonora na Íntegra no Spotify




Fontes:



sábado, 31 de março de 2018

Réquiem

Requiem aeternam dona eis, Domine; et lux perpetua luceat eis.
Repouso eterno dá-lhes, Senhor, e que a luz perpétua os ilumine.

(Introitus - Requiem em ré menor, K. 626, Mozart)

Latim
Requiēs - descanso, repouso
f (genitivo requiētis); terceira declinação.

É um momento difícil para escrever. De vez em quando, creio eu, as pessoas que contam um pouco das suas vivências e de seus devaneios por meio das palavras sofrem, em maior ou menor grau, com o gosto amargo de ter inspiração nenhuma. E estou nessa fase, um tanto melancólica, empurrando os acontecimentos, sem excitação, tal qual uma andarilha a desfazer-se.

Posso citar muitas coisas que estou fazendo e isso pode parecer bem animador.

Estou...

... Redigindo um artigo para terminar minha Pós/MBA em Contabilidade Pública, trabalhando com Mapas Mentais no modo homework para um aplicativo de Educação Corporativa, indo ao pilates, planejando estudar para concursos públicos e fazer mais cursos de capacitação, voltando para a Auto-Escola e assistindo a Netflix no final de todas as noites.

Parece uma vida agitada e cheia de possibilidades, entretanto algo anda a atormentar-me, como uma dormência parcial. Sinto que vivo uma realidade indiferente, que nunca pertenceu-me. Assemelha-se a vestir a roupa de outro ser e que usurpei o seu lugar. As pessoas que esperam algo dela não fazem ideia de que eu não posso satisfazê-las.

Todos os dias escuto sentenças cruéis sobre uma criatura que não deveria ser do modo como é. Ela deveria existir para fazer-se ideal e assim suprir as expectativas daqueles que nunca enxergarão além das cercas dos seus lugares de origem.

Eu não desejava exatamente essa Pós de Contabilidade Pública, quero mesmo estudar História, Arqueologia, Literatura, Cinema, Música, participar de rodas de poesia com pessoas ávidas e instigantes e que almejam os prazeres das minúcias. Gostaria de tomar café e falar sobre os livros que contam as experiências reais de George Orwell. Meu trabalho com Mapas Mentais gera apenas 63% de um salário mínimo por mês e quando há demanda (depois de um tempo de aflição, acabei de verificar que já recebi pelo trabalho desse mês.). O pilates causa-me dor e a instrutora transparece uma falsidade sem precedentes. Estudar para concursos públicos é um fardo e a Auto-Escola, bem... É sempre um evento traumático.

Ontem soube que um colega do meu ex-curso de Física teve seu plano de estudos aprovado. Ele já está no curso desde 2008 (e nessa época faltava pouco para que eu me formasse em Ciências Contábeis na mesma instituição...). Só em uma cadeira, ele reprovou incontáveis vezes, sendo a última no semestre que passou. Ele ainda veio-me falar que sentia muito por mim e que pelo menos eu estava fazendo uma pós e estava na frente dos que ficaram. Fiquei em estado de cólera e se estivesse falando pessoalmente com o mesmo, teria cometido uma barbaridade. Só que o meu problema não o engloba. A minha raiva direciona-se aos professores e ao maldito e inútil colegiado (o que foi relatado minuciosamente em outro texto). Para mim, foi a morte de algo, uma grande ilusão embrulhada em papel de sonho, e, neste momento, passo pelo Requiem e não sei quando o rito terminará.

Eu sempre vivi numa solidão extrema, mesmo acompanhada por muitos. Tentei suprimi-la com amizades débeis e descartáveis e com relacionamentos odiosos e abusivos. Entretanto este estado recente é ainda mais obscuro, pois está nu, de pele ao vento, reluzindo como um farol que não deixa-me esquecer do meu desterro... Longe daqueles que completam-me.

Todos sumiram. Foram cuidar das suas vidas e dos assuntos e pessoas de seus interesses. Noto que enquanto estavam em uma situação frágil e distanciados dos olhos e toque dos que amavam, procuravam uma morfina para abrandar o deslocamento temporário. Assim saíam à procura da pessoa mais disponível. E como em toda revoada, ao atingirem suas metas, partiram para onde pertenciam, deixando os mortos e feridos para trás.

Pergunto-me como superar seis anos e alguns meses de apostas altas, de erros e desvarios. Indago-me como esquecer os rostos e as falas. Meu receio é que esta existência esteja falhando e eu não cumpra o propósito que foi-me designado. Sou uma pecadora imperdoável e meu carma pode-se estender além do infinito.

Acomete-me uma enjoativa enxaqueca e meu estômago padece há dias. Deus, mantenha-me em minha própria mente, pois longe dela sobrará de mim apenas poeira e escuridão.

terça-feira, 20 de março de 2018

Altered Carbon (Carbono Alterado) - Um pós Blade Runner ou um Doctor Who Cyberpunk? Uma visão da série por suas bases mais interessantes (e polêmicas)

Canal: Netflix
Meio: Streaming
Adaptação: Livro Altered Carbon/2002, Richard K. Morgan
Ano: 2018
Gênero: Cyberpunk
               Ficção Científica
               Thriller de Ação
               Drama Policial
               Romance Noir
Criada por: Laeta Kalogridis
Elenco: Lista completa aqui: Altered Carbon IMDb
Trilha Sonora por: Jeff Russo
Número de Temporadas: 1
Número de episódios: 10
Locações: Vancouver, British Columbia, Canadá.

Altered Carbon não é para família e nem para as grandes audiências. É um mundo para adultos, especialmente os fascinados por Blade Runner e toda a cultura do Cyberpunk.



O ano de 2018 chegou e trouxe a produção mais cara da NetFlix - Altered Carbon, série baseada no livro de mesmo nome (que é seguido por Broken Angels e Woken Furies) de Richard K. Morgan e criada por Laeta Kalogridis.

Assim que o livro saiu, Kalogridis adquiriu os direitos de adaptação com a intenção, primeiramente, de um longa metragem. Mas a complexidade da trama afastou os investimentos dos estúdios e, assim, lá foram-se longos 15 anos até que o projeto virasse realidade pelas mãos (e dinheiro) da Netflix, que a encomendando somente em 2016.

Passaram-se alguns bons dias até que eu assistisse a série. Não porque o enredo sugerisse algo desinteressante, pelo contrário, e sim porque a Netflix (não sei se só a versão em Português) tem o péssimo hábito de não fazer boas e instigantes sinopses, fugindo, muitas vezes, da essência do próprio trabalho, além de não dar o nome de todos os atores e, o pior, não coloca boas fotos promocionais. Só depois de ler a segunda sinopse e ver que o Joel Kinnaman era o principal que eu parti para o primeiro episódio.

A história gira em torno de Takeshi Kovacs (o original é interpretado por Will Yun Lee e a nova capa por Joel Kinnaman), um ex-soldado das forças especiais que fazia parte do projeto Envoy. Após uma missão fracassada, Kovacs foi para uma prisão digital. Ele foi libertado por Laurens Bancroft (James Purefoy), membro da elite dos Matusas. Bancroft está intrigado porque foi assassinado em sua própria casa e acredita piamente que não cometeu suicídio. A missão de Kovacs é achar o verdadeiro culpado.

Há, também, muitas subtramas e envolvimentos, destacando-se o círculo próximo que se formará em torno de Kovacs, com a a policial Kristin Ortega (Martha Higareda), Poe (Chris Conner) e Vernon Elliot (Ato Essandoh).

Mas Altered Carbon vai muito além. Seus melhores pontos residem nas bases sociais em que a narrativa central foi construída... Então, vamos entendê-las!

A partir de agora entra o selo de:




O mundo em Altered Carbon

A série passa-se 350 anos no futuro, no ano 2384...

(um adendo para as primeiras perguntas: Que futuro? Porque se for contar de 2018, somando-se esses 350 anos, daria o ano de 2368, um diferença de 16 anos. Ou estamos falando do futuro do ano de 2034 ou essa contagem no tempo tem que passar para 334 anos no futuro... Você escolhe!)

Então, nesse tempo, as memórias de uma pessoa, na sua forma mais pura, podem ser passadas para um dispositivo em forma de disco chamado cartucho cortical (isso mesmo, uma espécie de pendrive com o backup do nosso cérebro), que é implantado nas vértebras da parte de trás do pescoço, em um processo de codificação e armazenamento chamado Frente Digital Humana - FHD. Esse cartucho é colocado quando a pessoa é ainda criança, por volta de 1 ano de idade.

Quando há algum dano grave a essa constituição física, este cartucho pode ser colocado em um novo, digamos, receptáculo, chamado de capa, um ser clonado a partir do corpo original ou outros corpos que estiverem disponíveis. Também pode-se voltar ao corpo original, restaurado ou não. Tudo isso dependerá de quanto é possível pagar para ter a vida de volta. A capa é substituível, o cartucho não. E a não ser que tenha-se muitos backups espalhados por aí, uma vez que esse dispositivo tenha sido destruído, a morte é real.

Esta possibilidade só foi possível graças a uma tecnologia alienígena vinda de um povo chamado Elders e que já está extinto.

As diferenças de classes sociais 

As capas não são criadas de forma igual. Os ricos podem dispor de clones aparentemente infinitos de si mesmos, distribuidos por cofres trancados e altamente seguros em torno da galáxia. Assim surge-nos os Matusaspessoas poderosas que efetivamente tornam-se imortais.

Entretanto a maioria das pessoas não escolhe sua nova capa, devendo, ser quiser viver novamente, usar o que estiver disponível. Isso significa que pode-se ter uma criança colocada no corpo de uma pessoa idosa ou acabar em uma raça ou gênero diferente. 

Então, de onde vêm as capas dos pobres? 

Esta é até fácil de deduzir: daqueles ainda mais pobres que não podem pagar sequer para manter o corpo original. Porque se a capa sofreu um dano grave, esta pode também ser, dependendo da complexidade, restaurada. Se o antigo dono, representado por sua família, não puder pagar, então outra pessoa torna-se dona do seu corpo. E tem outras possibilidades...

O caso dos prisioneiros

Nesse universo, não há mais prisões como conhecemos hoje. Elas tornaram-se digitais e, sendo assim, os condenados têm os cartuchos removidos e seus antigos corpos são colocados a disposição. Se a família puder arcar com as despesas de manutenção até o cumprimento da pena, o detento terá seu corpo de volta, senão, haverá a permuta.

O caso da realidade virtual

Se o dinheiro não deu para manter a capa, então há a possibilidade de permanecer em uma Realidade Virtual, onde amigos e familiares poderão conectar-se para passar o tempo com a pessoa.

O caso dos corpos sintéticos

Por que não apenas colocar o cartucho em um corpo sintético ou um androide? Sim, é possível. Todavia é o meio menos usado. Imagine acordar em uma boneca ou boneco, mesmo que ele/ela seja uma cópia fiel da capa anterior? Muito esquisito será não poder comer, nem beber e nem sentir estímulos. Foi assim que o Serial Killer Charles Lee Ray ficou ao transferir-se para o boneco Chucky, só que ao invés de vudu, temos a tecnologia.

Eu não sou o dono do meu corpo?

A capa da primeira vida é, basicamente, um empréstimo. Se não puder pagar pela segunda vida no mesmo corpo, o governo vem e leva-o embora. É como comprar uma casa pelos bancos (considerando que as prestações da casa sejam infinitas). Pense que viver é o período que abrange o pagamento das parcelas. Parou de pagar (a morte), o banco vem e abre a possibilidade de renegociar (manter o corpo e voltar nele), se não tem mais meios de continuar o vínculo... Lá vai a casa para leilão.

E existem hospitais?

Sim. Como dizem todos os médicos, melhor prevenir do que remediar. Só que não há mais hospitais públicos ou privados, apenas um tipo de hospital onde quem tem dinheiro entra na frente, ganhando membros reforçados e tratamentos caros, enquanto, não importando a gravidade, os pobres podem morrer na fila de antedimento (o que já é real aqui e agora...). 


Reencarnação ou Ressuscitação?

A discussão em torno da Religião é um dos pontos mais fortes da série. Assim, aqueles que não querem viver para sempre, optam pelo bloqueio (com a codificação Neo-C) ou destruição do seu cartucho. O Neo-C (Neo-Catolicismo) é uma religião que sustenta a crença de que os seres humanos não devem ser trazidos de volta à vida após a morte.

Alguns podem fazer uma confusão com a Reencarnação. Contudo ela não se encaixa aqui. A Reencarnação e um processo natural, misterioso, baseada na lei do Carma. É uma nova vivência, de fato, de uma mesma alma (você pode dizer até mesmo que a alma é o cartucho). Mas a antiga vida, no princípio da Reencarnação, foi deixada para trás (porém é sabido que lembranças podem ficar, assim como nos casos documentados de vidas anteriores). Para que a tecnologia usada em Altered Carbon chegasse um pouquinho perto do que considera-se Reencarnação, além da nova capa, todas as memórias deveriam ser apagadas, sobrando apenas os traços de personalidade, ou o que chamamos de essência.

O que é a Resolução 653?

A Resolução 653 é uma proposta legal que altera a lei para permitir que as vítimas de assassinatos possam ser ressuscitadas com o intuito de testemunharem contra os criminosos. Ela não possui nenhuma restrição quanto a religião.

Entretanto pela lei vigente, um Neo-C não pode ser ressuscitado para esse caso.

A 653 é de suma importância para a construção da história da série, pois Reileen (Dichen Lachman), a irmã de Takeshi, aproveita-se disso para fugir das acusações dos assassinatos ocorridos em seu bordel, o Head in the Clouds, onde os clientes podem matar os profissionais do sexo.

Seu artifício é o de mudar ilegalmente os códigos dos seus empregados para Neo-C para que não haja processos criminais que exijam a ressuscitação dos mesmos. 

Mas a 653, sem restrições, caminha para ser aprovada na ONU. Por isso ela resolve armar para o Matusa mais poderoso. Depois de ser drogado no Bordel, Laurens Bancrofts assassina uma jovem. Com isso, ele é chantageado para que barre a aprovação da 653.

Mas, cheio de culpa, Laurens se mata antes que seu cartucho completasse a atualização com as memórias do crime.

É desse ponto que começa Altered Carbon. 

Altered Carbon é um pós Blade Runner ou um Doctor Who Cyberpunk?

A comparações com Blade Runner são inevitáveis, principalmente pelo universo cyberpunk - a melancolia, mundo poluído e sujo contrastando com o colorido das luzes da alta tecnologia. Se você gosta de ligar obras anteriores à atuais, pode considerar o enredo da série como uma continuação de Blade Runner (1982) e Blade Runner 2049 (2017).

Cabe aqui dizer que a história das capas assemelha-se muito ao enredo de Doctor Who, pois, ao invés de termos apenas um Senhor do Tempo que troca de corpo de tempos em tempos, temos vários deles que, dependendo da condição financeira, podem optar pela capa que mais lhe agrada e mantê-la para sempre.

Quero morrer junto com meu corpo!

As questões éticas e de liberdades individuais também são um ponto forte dessa trama. Imagine morrer ou ser preso e seu corpo passar de pessoa para pessoa? Ou ficar com a mente presa em uma realidade virtual? Ou em um corpo sintético? Onde acaba a vida? Onde começa outra nova? O seu corpo não era você? Por que o Governo tem o direito sobre ele após o desligamento da sua consciência?

São essas questões um verdadeiro nó de marinheiro, pois todos temos um tipo de posicionamento a respeito. Só que qualquer uma dessas opiniões encontrará sempre uma contrapartida duríssima para reflexão. 

Por exemplo, se seu corpo é somente seu, então você escolhe o que fazer com ele - doar órgãos ou doar a capa. Entretanto se o conceito de posse for considerado uma vontade egoísta que fere o princípio de convivência igualitária em uma sociedade? E se uma vida for perdida por puro capricho alheio? São a Terra ou o Fogo mais importantes do que um semelhante? O Governo, que supostamente deve cuidar do bem estar dos cidadãos e protegê-los, não deve intervir nessa questão? 

Altamente complicado, não?

A série Altered Carbon teve Whitewashing?

O whitewashing, ou embranquecimento, significa substituir personagens fictícios ou históricos, de origem estrangeira, por atores norte-americanos ou de cor branca. 

Nesse caso, claro que não ocorreu isso na série. O próprio livro dá espaço para que um protagonista oriental seja, depois, um caucasiano. E o trabalho traz os dois, na vida passada e presente, dando espaço para as duas etnias. Aliás, uma coisa que Altered Carbon não pode ser acusada é de não ter diversidade. Todo o resto em torno dessa polêmica é intriga da oposição...

Afinal, por que diabos a série chama-se Carbono Alterado?

Nem os três livros e muito menos a série dão-nos uma resposta clara e objetiva, apenas alguns subentendimentos com frases que trazem essa expressão.

O que pode-se supor é que Carbono Alterado seja uma expressão para a própria capa que foi mudada para abrigar novamente uma vida, pois os seres humanos são constituídos por carbono e, nesse processo de reciclagem, essas cadeias precisam ser refeitas ou até mesmo modificadas. Quase um produto transgênico de hoje. 

Oh, Meu Deus, que mundo horrível esse...

Sim, por isso que temos um exemplo claríssimo de DISTOPIA.

As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade e grande desigualdade social.


Fontes:


quinta-feira, 15 de março de 2018

Partidas & Reflexões - Uma carta de despedida para Ciência

Encerra-se aqui meu ciclo com o curso de Física. Faltam-me apenas as formalidades com a papelada do desligamento voluntário.

Bem, no começo desse blog, eu falava da minha paixão por Astronomia. Compartilhei minha alegria em passar para o curso de Física e também todos os dissabores que vieram depois e como a estrada foi penosa. É o famoso nadar e nadar e morrer na praia.

Entretanto a história é mais profunda e, talvez, sirva de alerta para quem pretende entrar neste universo ingrato e miserável de estudar Ciência no Brasil, pois ela não é feita só de pensamentos, teorias e experimentos, muito menos de ilusões com o Firmamento e as Abóbadas Estelares. É essencialmente composta por pessoas odiosas de todos os tipos, professores e professoras asquerosos (as), machistas, hipócritas e egocêntricos (as) e colegas de classe do mesmo feitio, mas em versão beta.

Estudar Física é uma boa alusão para a expressão cavar o próprio túmulo - ou você foge do algoz ou aceita a morte de todas as suas conquistas. Acredite, diante deles, esses monstros rotundos e infelizes, você é apenas um daqueles fardos que fica pedindo explicações e exercícios.

A Física não precisa de questionadores e exigências, precisa de máquinas submissas, de preferência, muito petizes, que não atormentem suplicando o modo de fazer e o desvendar do mistério - quem ousa entrar nesse lugar precisa, minimamente, sair de casa sabendo toda a Mecânica Clássica. E não tente aprendê-la na faculdade, finja que aprendeu ou terá sua cabeça guilhotinada logo mais.

E foi assim que aconteceu comigo.

Eis toda a história...

Os alunos de todos os cursos que passaram dos quatro anos tiveram suas matrículas canceladas pela minha agora ex-Instituição. Houve um tremendo pandemônio por causa disso devido a uma série de irregularidades e questionamentos e a Universidade, uma covarde, como qualquer órgão público brasileiro, jogou nas mãos do Colegiado de cada Departamento o destino dos alunos. Ao saber disso, muitos desistiram tão logo, pois é de conhecimento geral a forma como os professores de Física tratam seus discentes mais comuns.

Eu já pensava em sair e até expliquei isso em outros textos. Mas nunca acredita-se que a tempestade realmente virá.

Entreguei o meu processo para tentar cursar mais um período e dar uma nova chance a mim mesma, caso não aparecesse outro curso ou um trabalho (que já venho procurando). A Instituição deu a todos, de qualquer ano, o prazo de 2 anos para conclusão, mediante plano de estudos e aval dos professores do tão famigerado COLEGIADO.

Da Física, que mistura erroneamente Licenciatura e Bacharelado, 49 alunos tiveram suas matrículas canceladas, num total de 150 alunos. Isso mesmo, eu não digitei errado: no curso de Física, juntando Licenciatura e Bacharelado (meu caso), havia um total de 150 alunos ativos e de todos os anos que você possa presumir. Se você se perguntar o porquê do MEC já não ter fechado esse pequeno clã... Eu também faço-me o mesmo questionamento.

Desses 49, 12 apresentaram seus argumentos em forma de processo ao colegiado e 4 tiveram os seus, entre eles o meu, indeferidos.

Tudo bem... Você, leitor (a), deve pensar que  "Ela foi indeferida porque é de 2011 e todos os outros são mais antigos..."  Ah, não mesmo!

Desses 8 deferidos, três são de 2008. Imagine, a diferença de 2008 para 2011 são de 3 anos, praticamente um curso de qualquer área. Se um aluno de 2008, por menos cadeiras que ele possa ter, tem condições de voltar, já que ele estourou o tempo de conclusão em 6 anos, por que uma pessoa de 2011, ativa, que estourou o tempo de formar-se em 3 anos, não pode? Porque, repito, 4 semestres foram dados a todos.

Pois não é que verdades sobre esse mundo obscuro que cercava-me vieram à tona?

A notícia foi dada-me pelo coordenador do curso. Coloco aqui o que ele escreveu, na íntegra (recortes originais da conversa):


Esses mostressores, principalmente os que eu soube que tomaram conta do meu processo, não conhecem-me, praticamente. Se um ou dois deram aulas para mim, digo que foi muito. Neste caso... Como podem tomar uma decisão séria dessas? Baseados em quais fatos? Em históricos e números prejudicados por problemas de ordens diversas? Problemas esses que foram bem documentados e entregues.

Todavia nada supera a seguinte sentença:

QUE EU NÃO TERIA CONDIÇÕES DE VOLTAR COM TANTAS DISCIPLINAS DIFÍCEIS.

E eu concluo: ALEM DO MEU SONHO TER VIRADO PESADELO, OS PROFESSORES DUVIDAM DA MINHA CAPACIDADE. ALGUNS SERES QUE NUNCA SEQUER DERAM AULA PARA MIM NESSES SEIS ANOS. E COM O AVAL DO RESTANTE, ACHARAM QUE EU NÃO MEREÇO ESTAR ALI.


Claro, eu posso entrar novamente, fiz ENEM, tenho nota para isso, posso conseguir até mesmo por porte de diploma superior. Mas como continuar num curso que tem esse tipo de gente como professor? Uma coisa é você especular, saber por suposições... Outra bem diferente é alguém de dentro falar, melhor, escrever o que os professores acham de sua pessoa. Por que continuar a estudar com seres que pensam isso sobre seus alunos?

E eis a prova final de que eu não sou apenas alguém com o orgulho ferido - eu fui INJUSTIÇADA:

Olharam bem essa parte grifada? Então, é essa gente que não está nem aí para mim que formam os futuros da Ciência no meu estado. São essas pessoas que escolhem quem deve ficar e quem deve sair, como imperadores bufantes e maquiavélicos que fazem o famoso sinal para acabar com o gladiador na arena.

É uma melancólica história de um sonho bonito. Só que a vida é feita desses infortúnios, a minha até bem mais. É o que estava destinado e o que, de fato, aconteceu.

Meu balanço do curso de Física foi o pior. Dele eu não levo ninguém, não fiz amigos de verdade. Poderia dizer que é a diferença de idade... Eu sou bem mais velha que a maioria... Entretanto há muita falsidade e gente esperta, que fica em cima do muro o tempo todo, esperando uma boa oportunidade para se sobressair. Muita gente jovem extremamente astuta, que usa de todas as formas para passar e se formar. Muitas pessoas que diziam-se minhas amigas... E que depois descobri o mar de mentiras e deslealdade em que elas estavam metidas. Outras que vão e voltam... E eu, muitas vezes, sou ignorada. Não, não... Pensando bem, dessa forma não havia como continuar.

Sim, eu fui muito inocente, pois sou uma entusiasta de carteirinha. Cheguei com expectativas altas, achando que tinha encontrado o meu lugar e que todos falariam de Carl Sagan, nebulosas, filosofia de vida... Percebi que o curso de Contabilidade, ao menos, deixou-me com alguns amigos que sentem saudades de mim e dizem isso. De onde eu não queria é que eu construí algo, mesmo que pequeno.

Apesar do tempo que todos disseram que eu perdi... Penso...

É melhor a iconoclastia do que a adoração a falsos ídolos.

É melhor desvencilhar-me de uma relação falida e abusiva como essa.

Adeus, Física! Adeus, Ciência! 
Talvez em outra vida, eu consiga achar a sua real essência...

Deus, que eu não demore muito para reerguer meus olhos para as Constelações e a Astronomia.

E a minha vida segue!

terça-feira, 13 de março de 2018

Damnatio memoriae - a expulsão do paraíso

Expulsão do Paraíso
(La Cacciata dei Progenitori dall'Eden)
Masaccio
1425
Capela Brancacci
Igreja de Santa Maria del Carmine
Se eu fosse contar os dias de dissabor e tristezas, faltariam-me números precisos. Pois deles perdi a conta há tanto tempo que parece-me que estes fazem parte da minha própria essência.

Quase não saio mais de casa e pouco importa-me mais olhar o céu e as pessoas. O mundo se liquefez, o meu próprio, em algo tóxico e de um amargor insuportável.

Não sou uma pessoa de muita sorte, talvez, a mais azarada dentre alguns. Tudo o que eu toquei virou pó, perdeu o brilho, fragmentou-se em espelhos minúsculos que refletem as mil faces do revés constante.

É estranho conviver com as sombras e não ter o reconhecimento devido. Cresci em um ambiente onde para chegar-se a notoriedade e o respeito, o muito nunca será o suficiente e os fracassos e decepções, trilhas essenciais da vida, são considerados erros grosseiros, dignos de maldição.

Se antes eu era uma crianças esperançosa, sonhando com um mundo além das nuvens, mesmo sofrendo com as constantes perseguições, hoje tornei-me uma adulta desiludida, que não acredita nem mesmo nos enredos do amor utópico, que culpa-se por escapar da realidade, tão dolorida, ao invés de tornar-se uma cidadã digna, como toda a sociedade quer: uma funcionária pública, uma mulher com dinheiro, uma esposa e mãe. Esse alguém, tão distante de mim, é que tornaria-me respeitada, principalmente pela família, adorada por outros comuns, notada pelo meu entorno e adjacências.

Diante dos meus mais novos fracassos, não posso concluir o processo de restauração da minha alma. E assim sempre foi. Todos os dias puxam-me para o Inferno, não por quererem o meu mal, mas por não saberem como lidar com a minha difícil caminhada pela estrada do meu ser, esse que veste essa capa momentânea e que, em sua forma mais jovem, foi a desculpa perfeita para zombarias que refletem-se hoje em gotas rubis de memórias navalhantes.

Frente a esse cenário, pergunto-me se eu gostaria de morrer. E logo vem-me um não. O que é muito excêntrico. Todos que consideram-se um fardo para o mundo, um fardo para eles próprios, arquitetam planos para sair desse universo e ter uma segunda chance (porque todos, de acordo com minha própria crença, também têm outras chances, todadavia acabam trazendo suas dores antigas e os ferimentos físicos mortais em forma de mais sofrimento para a vida nova.).

Então... O que faz com que eu ainda queira viver?

E essa pergunta é respondida de diversas formas. E não espere que elas sejam lógicas ou poéticas.

Vem-me, neste instante, um caso recente. Uma conhecida entrou em depressão gravíssima e que quase custou-lhe a vida. Tudo ocasionado por um mestrado e por perseguições de professores. Coloquei-me em seu lugar e os únicos sentimentos que vieram-me foram o ódio e a vingança. Visualizei cenas de violência e no fim... Lá estava eu, possivelmente presa por assassinato.

Assim, o que motiva-me a continuar nesta vida não é a esperança moribunda, mas sim os sentimentos de cólera e fúria contra tudo e todos.

Porque pior do que a própria morte é o que vem depois dela: o infame damnatio memoriae.

E o que seria mais saboroso para os inimigos do que pisar em cima do cadáver do rival? O que seria mais refrescante do que beber as lágrimas derramadas antes dos instantes finais? É, o que posso imaginar, o mais próximo de presentear o diabo com a própria alma.

Se antigamente a Condenação da Memória era dada para traidores do Império Romano, essa vaga, atualmente, é ocupada pelos suicidas. Porque os familiares e amigos evitam falar sobre e evocar recordações e os detratores refestelam-se no mar dessa sentença vil.

Claro que nada disso afasta-me das possibilidades que vagueiam por aí. Só que meu orgulho ferido alimenta o meu espírito contra qualquer ato que possa ser o triunfo daqueles que eu gostaria de ver estatelados no chão, esmagados e exauridos pela consequência de suas próprias maldades.

Se minhas adorações de carne e osso foram obliteradas, todas as minhas oferendas, agora, dirigem-se a Nêmesis.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Tracklist da semana - Via Spotify - O melhor do meu conhecimento sobre o Soft Rock e suas vertentes (1969-1989) - O que tocava na noite/madrugada nas rádios (Night Radio)

Bem, cá estou eu com mais uma das minhas listas Via Spotify.

Essa aqui é com o melhor do que eu conheço sobre o Soft Rock e suas vertentes, ou seja, todas aquelas músicas que tocavam nas saudosas estações de rádio no comecinho da noite até as madrugadas.

O Soft Rock é um subgênero, na verdade, que derivou do pop e do rock. Ele usa muita guitarra acústica e suas canções têm um ritmo lento ou bem suave, com simplicidade e aspectos bem melódicos.

Ele dominou, praticamente, toda a década de 1970, embalando muitas programações das rádios do mundo todo. Hoje você pode relacioná-lo com o Contemporâneo Adulto (Adult Contemporary), bem como ouvi-lo sob outros nomes, como o Light Rock (ou Lite Rock) ou Smooth Rock.

Meu pobre Anthology of Bread já está quase
riscado de tanto escutar!
E é claro... Que no contexto de todas essas bandas, a minha favorita é o Bread

(Esses caras lindos aí do lado!)

Espero que gostem e que escutem essa lista em seus melhores momentos, pois esta é um pedacinho da minha alma que compartilho com vocês, queridos (as) leitores (as).

Até a próxima!



Night Radio (The Best Of Soft Rock) - Playlist do Spotify 
feita por T.S. Frank 
Seleção de músicas por T.S. Frank


Lembrete: provavelmente você irá escutar somente 30 segundos de cada 
música se não tiver o Spotify instalado. Então eu recomendo que o tenha
- uma das melhores plataformas para se escutar música, de rápida e fácil
instalação - disponível para PC, tabletes e celulares - GRATUITO!


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Falta de ar

É Carnaval. E todos estão entopercidos, imersos em prazeres, alegria e agitação.... Bem, exceto eu.
Ah, esta vida é muito pretenciosa, cheia de gentilezas compradas, atenção e cuidados brilhantemente falsos e corpos harmoniosamente costurados por histórias da vida alheia. É como viver em um universo odiosamente emprestado.
Algumas notícias surgem de conhecidos, com suas novas vidas e decisões. Nesse momento, vem-me o desfazer das débeis linhas que um dia aproximaram-nos. Olho para trás e pergunto-me o que realmente foi concreto, ou se, considerando o mundo nu e cru, as ilusões caramelizadas não passaram de desvarios carbonizados. Concluo que somos facilmente esquecidos ou substituídos quando a pele não mais reluz as partículas de excitação pela novidade.
Estou com crise de asma. E ter essa falta de ar, repentina e audaciosa, é um mergulho em queda livre em um oceano de memórias juvenis desagradavéis. Anseio por respirar livremente... Em todos os aspectos da minha vida.
Fogem-me as palavras bem escritas dos letrados, estudados e diplomados. Entretanto sobra-me uma convicção solitária de que posso ser cronista do meu eu incompleto e cinza.
Sou quem posso ser no momento, aquela que odeia recados com palavras tiradas de livros de auto-ajuda, que escuta o Antologia do Bread quase todas as madrugadas, que acha maravilhoso esperar o final de semana para assistir Arquivo-X e os filmes do Carpenter e que perdeu a confiança, admiração e a fé em quase todos que um dia conheceu... E... Mesmo assim... A esperança de achar uma resposta para meus anseios impera.
Preciso de um sorriso desses que tornam-se uma lembrança indestrutível. Mas é uma época difícil... As boas almas foram-se e restaram-me os meus algozes, estes prontos e solícitos por navalhar a minha carne.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Desventuras

Antes de fechar a minha porta, vi o cinturão de Órion entrelaçado pelas nuvens altas e cinzentas. Faz um pouco de frio nas madrugadas do verão, uma espécie de aconchego para dormir sem muitos calmantes.

Meu estômago dói e minha cabeça fervilha. Uma vertigem nauseante toma forma. Preciso de um chá para recompor-me. Não... Eu necessito bem mais do que isso.

The Cure é a minha companhia para horas assim e suas melodias despejam notas em cortinas que balançam em um vento gélido. Pequenas festas a dois seriam muito mais atraentes se houvesse uma companhia que não estivesse interessada apenas em sexo.

De fato, eu não sei escrever de uma forma padrão e digna. Olhe para as minhas narrativas tortas e não lineares, repletas de encaixes defeituosos. E mesmo assim, foi um tanto chocante ver a minha pífia nota na redação do Enem. Que infelicidade! Os meus escritos nunca foram bem recebidos pela bancada acadêmica desse tipo de prova, nem nos tempos áureos de Ensino Médio.

Vivo a ser corrigida - pré-projetos, mapas mentais, trabalhos, artigos... Definitivamente... Encaixo-me em lugar algum. E meu orgulho tem um lado que foi devorado.

Mudanças aguardam-me avidamente. Sou Édipo avistando a Esfinge.

Suspeito que cheguei a um consenso. É quase certo o fim do meu devaneio pela Ciência. Eis um exemplo muito fidedigno de um casamento à beira do fracasso.

Estou muito velha para acostumar-me a ingratidão dos estudos e muito nova para desperdiçar-me em um sistema que escolheu podar todas as minhas pequenas mudas.

Aproximo-me de uma linha tênue entre a tristeza e a loucura...

Outro dia recusei ver o Céu. Achei-me incapaz de encontrá-lo apenas em números e contas secas. Ainda poderei dizer que amo a Astronomia mesmo se abandonar uma formação acadêmica em Ciências? Sei bem que estou em um vale de indagações que visam medir minhas qualificações por quantidades e diplomas. E parece tudo muito fúnebre e doentio dessa perspectiva.

Deus... Como quero mergulhar de vez no mundo da Literatura e das Artes em Geral. E tenho que, antes de tudo, livrar-me de meus próprios preconceitos por pensar que não posso entrar nesse universo. É como abrir a porta de uma festa em que a Elite está preparada para mais uma noite de escárnio.

Falta-me amor, de meu próprio lado. Não há mais Deuses e Deusas para dedicar poemas ou lágrimas. Antes, caía aos pedaços por paixões avassaladoras, causadoras de dor e sangramentos. Era preenchida por algo, um ódio manancial, que transformava-se em palavras afiadas destinadas a um assassinato imaginário. Sou, agora, um total vazio, inerte e andarilha.

A calmaria do meu coração tornou-me apática. Sem eles, ou elas, não tenho nada mais o que esculpir.

Procuro o meu eu de antes, aquele que está perdido em algum canto de um mundo que isolei dos outros por conta dos meus traumas e receios.


domingo, 31 de dezembro de 2017

31

31 é um número esquisito, cheio de mistério, mas sem misticismo algum. É um primo daqueles que você não dá a mínima, como um desses infelizes parentes que a vida tratou de distribuir aos montes.

Entretanto, todos os anos, os terráqueos comemoram essa data como uma passagem exultante, um ritual sagrado que irá purificar todas as maldades feitas, expurgando assim todos os demônios para que nasça um novo ser. E estes, já no primeiro dia, farão tudo que, anteriormente, livraram-se e de forma extremamente potencializada.

Ao longo de alguns bons anos, eu mesma tentei socializar-me, mergulhando na atmosfera das festividades do ano novo vindouro comercial. Saí por aí com companhias tão interessantes como agasalho de lã caxemira no calor. E voltava dessa tramoia com a sensação de que a vida é uma eterna farsa, recheada de retoques, ambição e filtros para esconder as imperfeições (sem contar as inúmeras prestações acordadas para o vestido que nunca foi usado novamente). Não havia graça, as conversas eram pífias e os sorrisos vulgares ecoavam em uma vertigem que tomava conta de mim - um carrossel do horror com mascarados assustadores.

Só que a roda da existência realmente trabalha e transforma...

Na noite da sexta-feira que passou, recebi uma mensagem de um ex-colega da minha primeira faculdade. Esta era bem eloquente: - Estou na cidade, venha ver-me! Por um golpe de má sorte (ou não!), há um dois dias, uma virose apossou-se de mim, causando-me febrícula e dor de cabeça. Entretanto, para quem busca diversão, isso não configura impedimento. Em outros tempos, não seria indiferente este convite a mim.

Pensei e repensei em uma maneira de fugir dessa situação. Poderia apenas responder, marcar e não ir? Ou apenas contar um pouco da verdade, omitindo o real significado? Fiquei com a segunda opção. Livrei-me logo desse peso.

Evito ao máximo encontrar pessoas que participaram do meu cotidiano. Talvez, devido a relâmpagos de felicidade diabética, de vez em quando, ressurjo e mando alguns cumprimentos para estas criaturas e falo do passado, para depois sumir no nevoeiro da minha realidade. Lembranças daquela época são resquícios das tentativas de ter o meu próprio Show de Truman. Chega desse espetáculo de quinta categoria!

Minhas sandálias de ermitã começam o contato com a estrada poeirenta.

E o que eu quero da vida? Bem... Isso eu não sei ao certo e não será por causa de uma contagem de segundos que o oráculo do destino revelará suas concretas intenções. Mas é mais do que óbvio que tenho vontades.

Uma delas é curar-me da dor crônica e essa ânsia comparo com o poema do Quintana, Utopia. E desse pesar que tenho, gostaria de eliminar dois extremos: as pessoas que são indiferentes por considerar uma doença corriqueira e aquelas altamente piedosas que objetificam-me no seu conceito de coitadismo.

Sim, eu quero sair de casa e ter o meu próprio canto, comprar a minha vitrola para tocar meus vinis, decorar meu espaço com o quadro gigante do poster dos Beatles que comprei em São Paulo, junto com Casablanca e Cantando na Chuva.

Preciso de um emprego! E temos aqui uma necessidade e não um querer.

Nesta existência, hei de ir para a minha tão sonhada jornada a Galiza - fazer o Caminho de Santiago de Compostela.

Entrarei o ano esperando os DVDs que comprei do The Cure, o Acústico do A-ha, Jerry Lee Lewis e Concert Central Park do Simon & Garfunkel. Mandei todos para casa de um conhecido e um do Elvis (Live Hawaii) voltou e tive que buscar no CDD mais próximo porque a mãe dele não reconheceu a encomenda, apesar de todos os avisos... Talvez eu tenha um trabalhão para ter o restante em mãos ainda.

Não desejo amores e muito menos presenças em demasia. Quero muita tranquilidade, isso sim.

Quer saber... Assim como no Natal... Eu comerei bastante e depois ficarei a noite toda em claro, na nova poltrona reclinável, fazendo a digestão. Vou rir da degradação humana, ter um ou dois pesadelos, pensarei sobre reencarnação, escutarei Van Morrison e depois dormirei.

Concluo que a passagem de ano novo, assim como é hoje, não passa de um embuste bem disfarçado de promessas e ilusões rasas celebradas com fogos de artifício irritantes.