sábado, 11 de fevereiro de 2017

Por dentro

Ao acordar, desejei tantos devaneios,
muitos e intangíveis, feitos de açúcar
e um pouco de amargor
com uma xícara de café bem quente.

Não sou de amores monocromáticos
ou mesmo multicoloridos,
nem de azedumes e
hordas de juras e promessas.

Sou daquelas bi coloridas,
uns tonzinhos pastéis, quem sabe.
Com melancólicos passeios
noturnos e sorrateiros.

Sou dos amores nos ônibus
e de encontros repentinos
de promessas de um dia
e dias por promessa.

Sou saudade e aconchego
Sou conversa e quietude
Sou quem deveria ser

E você, que eu nunca conheci,
ou bem que eu já vi
por aí, talvez...

Conversamos algum dia?
Olhei-te nos olhos?
Trocamos ao menos
duas palavras?

Se soubesses dos meus anseios
e eu dos teus...
Muito do teu pesar
também seria meu.

Se eu sou você
e você está em mim
Digo-te, meu desvario,
O amor nunca
foi tão injusto.

T. S. Frank


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Tracklist da semana - Via Spotify - Hoje é dia de OLDIES, bebê! Part. II

Bem, cá estou eu em mais uma madrugada. Tomei umas vacinas e sinto-me febril como um bebê.

Está quente e ao mesmo tempo chuvoso. Por que o clima não pode se decidir por uma coisa ou outra?

Enfim...
Bobby Vee na sua era dourada das Oldies

Tem um certo tempo que não falo sobre Oldies, um dos meus gêneros musicais favorito. A primeira tracklist que eu fiz para o Blog foi exatamente com elas, em 11 de dezembro de 2011. E tem apenas 10 músicas.

Resolvi fazer um listão com mais ou menos todas as músicas que eu gosto. Nela você, leitor (a), poderá ter um resumo dessa época que engloba o finalzinho da década de 40 e as décadas de 50 e 60.

Aqui fica minha homenagem ao grande e fofíssimo Bobby Vee que morreu em outubro de 2016, ao 73 anos. Suas músicas fazem parte do repertório da minha vida. 



Golden Oldies - Playlist do Spotify feita por T.S. Frank 
Seleção de músicas por T.S. Frank




Lembrete: provavelmente você irá escutar somente 30 segundos de cada música se não tiver o Spotify instalado. Então eu recomendo que o tenha - uma das melhores plataformas para se escutar música, de rápida e fácil instalação - disponível para PC, tabletes e celulares - GRATUITO!


Quer saber mais de Oldies aqui no CQ&Sherlock? Então leia:

Recomendação Musical - The Ventures
Tracklist da semana - Hoje é dia de OLDIES, bebê!
Glenn Miller
Devil or Angel?

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Crítica da Semana: A Chegada (Arrival)/2016

A Chegada não é uma a unanimidade. É como observar um lindo balão no céu que, ao alcançar o ápice, lentamente, esvazia-se até cair murcho e sem graça no chão. 

A Chegada (Arrival/EUA/2016) é um dos filmes mais elogiados do ano passado - pudera - não foi um ano bom nem mesmo para o cinema, então, qualquer película acima da média, como esta, ganharia muitos louros.

O filme narra a chegada de seres extraterrestres em doze naves que pousam em pontos diferentes da Terra. Após as autoridades americanas perceberem que eles querem fazer contato, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma renomada linguista, e o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner) são procurados por militares para interagirem com as criaturas, traduzir os sinais e desvendar se os visitantes representam uma ameaça ou não. O filme conta ainda com a presença do grande ator Forest Whitaker (ganhador do Oscar de Melhor Ator pelo filme O Último Rei da Escócia/2007) como general Weber.

Parece uma ótima premissa para um Sci-Fi digno de figurar ao lado de ícones como Alien - O Oitavo Passageiro (Alien/1979) e Contatos Imediatos de Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind/1977). E você, leitor (a), encontrará muitas maravilhas e honras em 90% das críticas especializadas, como o Rotten Tomatoes (94% de aprovação), e seus amigos, parentes e vizinhos também glorificarão este trabalho do diretor Denis Villeneuve. Mas aqui será exatamente o contrário. E vamos por partes.

A Trilha Sonora é o melhor do conjunto - simplesmente impactante. É uma experiência auditiva que faz jus ao Olimpo. O compositor Jóhann Jóhannsson é certeiro ao empregar um ar de suspense e apreensão que uma Ficção Científica pede. Trilhas sonoras são diferentes para Sci-Fi - elas raramente contêm hinos galopantes, como nos Épicos Históricos. Nesse aspecto, o Gênero Científico é bem mais parecido com o Terror e o Suspense, pois é o desconhecido que reina nessas partes. A fotografia é boa, com tomadas de tons frios, por exemplo, que contrastam com o laranja das roupas de proteção dos personagens. E isso faz, e muito, lembrar cenas dos astronautas de 2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey/1968). O filme conta com lindas cenas aéreas, efeitos visuais decentes e um elenco digno.

O filme foi baseado no livro História da Sua Vida (Story of Your Life/1998) de Ted Chiang. O título do livro é sincero e dá uma primeira ideia do que realmente pretende. E esse é exatamente o problema do filme - ele vende algo que não é o seu objetivo e suas partes são ótimas em relação ao todo.

Narrativas que usam o argumento do artifício cíclico para encontrar chaves de linguagem não são novidade. O exemplo mais brilhante é o livro Contato (Contact/1986) do Carl Sagan (que virou filme de mesmo nome em 1997). Só que este é um Sci-Fi que trabalha também temas com relação à natureza humana, assim como vários outros do gênero. Contudo A Chegada é um filme sobre a natureza humana que usa a Ficção Científica como pano de fundo. E não há nada de errado nisso, pelo contrário. Só que neste caso, o erro foi levar a pensar outra coisa.

Em um filme que trabalha a importância do entendimento da linguagem do outro para saber seus reais propósitos, chega a ser paradoxal o fato do próprio filme não dizer a que veio antes que o espectador caia em si e sinta-se frustrado. 

Para ser mais clara - temos um filme que como Sci-Fi é um ótimo drama filosófico. 

Trailer - A chegada (Legendado em Português)


Fontes


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Desistência e Mudança

Hoje pensei em um outro cenário. E foi assustadora a sensação de alívio e leveza por uns instantes. Eu até consegui imaginar como não é mais ter dor crônica.

Eu descobri o valor da desistência.

E da mudança urgente com suas nuances.

E eis que eu explico...

Muitas postagens desse blog falam sobre a realização de um sonho e esse era o curso de Astronomia. Só que, devido as imensas dificuldades, tive que optar por Física. E é inegável que, ao longo dos anos, tornou-se ela mais um dos grandes pesadelos da minha vida.

Sim, eu arrependo-me. E ao mesmo tempo sei que foi necessário.

Não há nada no curso que faça-me feliz. Não há ninguém para admirar, nem para seguir e muito menos para conversar.

Só há uma imensa infelicidade, dores de cabeça, doenças psicológicas que viraram físicas, inimizades, desconfiança, falsos amigos, baixa auto estima, cobranças extremas e muita culpa.

Sinto-me incapaz e bem deslocada. E é bem difícil admitir que eu deveria ter feito uma mudança quando ela era necessária.

Sofro com dor lombar crônica desde o primeiro dia de aula nesse curso. Foi como um grande aviso da tormenta que viria do leste. E essa dor, quase certamente, não cessa por eu viver ameaçada e amedrontada, sem ter com quem compartilhar todas as minhas angústias.

São 6 anos de médicos, fisioterapias inúteis, uma rizotomia que não surtiu efeito, remédios fortíssimos e o mais agravante - aquele velho sentimento de que eu não tenho o direito de falhar nem sequer com a minha própria doença. Que apesar do martírio que eu vivo, são os outros que vivem atormentados pelos problemas que eu causo.

Hoje estou sem plano de saúde. E não posso ir tão cedo ao médico.

Cotidianamente eu escuto que tornei-me um fardo, um descrédito, alguém que PASSOU DO PRAZO DE VALIDADE.

Por mais que eu ame a ideia de trabalhar com Ciência, o lugar, o curso oferecido, o material humano, colegas e professores tiraram todo o brilho do meu sonho. Aliás, tiraram muito mais do que isso - eu não sinto-me digna de um dia possuir algo bom ou de merecer alguma estabilidade e felicidade.

Estou vazia e trincada.

É hora de mudar, inevitavelmente.

Preciso de liberdade, respeito e consideração. Eu não tenho isso na faculdade e muito menos na minha vida.

E é a partir desse ponto que terei que fazer algo que não gosto muito, mas que a necessidade faz-me reconsiderar - estudar para concursos públicos. E se eu passar em algum, sim, eu poderei refazer a minha vida e tentar colocar algum sentido nela.

Quem sabe eu não chore mais, todas as noites, por ter dor crônica.

Não quero ser mais o estorvo.

Quero apenas ter a chance de ser eu mesma.

E não levarei ninguém da minha antiga vida. A lembrança de seus rostos é, gradualmente, queimada em uma grande fogueira, um por um...

Se eu pudesse, eu trocaria até mesmo de nome, desapareceria por um longo tempo e sentiria o gosto de tudo o que me foi negado.

Daqui por diante não escreverei mais sobre esse devaneio que não mais existe.

Pretendo apenas relatar a minha luta pela minha própria sobrevivência.

E no dia que eu disser que finalmente sinto-me liberta, eis que a velha roupa cinza nunca mais será vestida.

domingo, 22 de janeiro de 2017

De quem é a culpa?

Eu tenho muitos sonhos recorrentes. A maioria é como ver um filme do David Lynch. Eu até já descrevi um aqui no Blog (link para a postagem aqui). Só que há um cenário que entra em um modo chamado looping.

Eis o relato...

"Eu acordei bem angustiada. De fato, o sonho todo foi sufocante e intenso. Eu estava revivendo um terror juvenil – a escola. Lá estavam as mesmas pessoas que um dia transformaram minha vida em um inferno sem precedentes, deleitando-se todos em pura maldade. Tudo era igual, a sala, as árvores, as ruas... Eu estava imersa no fracasso total, questionando os métodos, não entendendo o conteúdo, odiando os professores, faltando às aulas. Eu fui uma aluna exemplar na vida real. Só que, neste pesadelo, eu era um ponto fora da curva. A sensação de inquietude e desespero reinavam. Eu estava na ponta de um abismo de conflitos existenciais. Eu tinha medo que meus perseguidores arrancassem os meus desejos, afinal, eles estavam novamente ali, tão próximos. Parecia mais um jogo sádico. E, mesmo com toda a tristeza que pesava dentro de mim, eu estava perseguindo a Lua - grande e paradoxal - que estava aproximando-se. Meus olhos não saíam do céu. E era uma espera conflitante, cheia de dúvidas. Pedi a quem estava próximo para chamar-me quando ela surgisse. Mas não fizeram isso por mim - eu mesma tive que achá-la no firmamento. Eu, finalmente, estava prestes a colocar minhas mãos naquele astro imenso e significativo - tudo que eu sempre quis. Porém, de repente, saí e deixei para os outros, pois tinha medo e uma sensação de frustração. Eu estava abandonando as recompensas de toda uma espera. Não existia mais prazer e muito menos olhos para contemplá-la."

Após despertar, eu tive um lampejo de felicidade ao constatar que não era real. Só assim todo o peso e angústia foram dissipando-se. Fiquei horas pensando no que tinha acabado de acontecer e o que tudo aquilo significava. Então eu pesquisei no Google, achando alguns significados:

Sonhar com o passado - o sonho de viver no passado indica reflexão sobre alguma coisa que não foi resolvida e que, aos poucos, vai descortinando-se na própria mente. Sonhar vivendo no passado possui o significado de uma possível regressão e de uma vida diferente.

Sonhar com pessoas do passado - ver pessoas do passado em um sonho indica incertezas profundas quanto ao futuro. Somente quando estamos preocupados com o futuro é que nos voltamos para o passado. A incerteza é uma das maiores tiranas dos homens e os persegue para sempre, posto que a única coisa que temos de concreto é que um dia deixaremos esta vida. Sonhar com pessoas do passado é desnudar anseios e vê-los diante de nós com um ponto de interrogação enorme, fazendo a velha pergunta existencial: ser ou não ser!

Sonhar com a Lua - sonhar que procura a Lua e não a encontra significa que o seu momento é de baixa e de grandes decepções. Sonhar que está contemplando a Lua significa que sua alma está sentindo-se mais livre e espontaneamente carregada de boas energias. Neste contexto, pode-se abrir um precedente que nos faz refletir sobre a capacidade de evolução.

Apesar de todo o misticismo envolvido nas interpretações, não pude deixar de notar a grande semelhança com os acontecimentos atuais e o meu próprio estado de espírito.

Há um tempo eu venho fazendo-me a pergunta: de quem é a culpa pela tristeza da minha vida que reflete-se até mesmo no sono?

Se eu fosse uma religiosa fervorosa, eu diria que a culpa é totalmente minha. Talvez se eu fosse a um psicólogo, ele diria a mesma coisa, mas de uma maneira mais suave.

Quase cotidianamente, convidam-nos a achar que somos exclusivamente o nosso próprio inimigo. E que, para aniquilar essa personalidade destrutiva, perdoar em massa é a única solução. O resto é seguir em frente. Parte dessa cartilha de martírio e desnudez é necessária sim. Mas segui-la à risca é tornar-se um bobo desnecessariamente.

É claro que perdoar e apagar as mágoas passadas retira um peso do próprio corpo. Afinal ninguém quer ser Atlas. Contudo estes dois atos devem ser feitos com cuidado e refinamento justamente para ajudar e não deixar a sensação de vulnerabilidade e de uma pessoa que esquece tudo facilmente.

Eu não posso retirar o passado e a lembrança das pessoas más de mim. Eu gostaria, entretanto não posso.

Eu consigo, somente, amenizar algumas dores e desculpar algumas que mostraram merecimento. Tolice grande é perdoar aqueles que não admitem o erro, que acham que estão certos e orgulham-se de ser opressores.

Está semana, como comentei em uma postagem anterior, estava preparando-me para conversar e pedir desculpas para alguém que há muito não falava. De fato, eu também o perdoei por uma história do passado. E sabe por quê? Pois, passados 4 anos, eu descobri os que realmente foram responsáveis por incentivarem o rancor.

E sobre as outras pessoas? Talvez eu nunca as perdoe. Por que eu trataria a mim mesma como vilã quando na verdade fui vítima? É algo que muitos fazem e eu não consigo entender. Isso é bem diferente de quando há redenção, pedido de desculpas. É uma outra história quando você sente que magoou alguém.

Hoje mantenho-me o mais longe possível daqueles que um dia fizeram-me algum tipo de mal. Eu convivo bem com a solidão. O que não suporto é a proximidade dos iconoclastas, falsos admiradores e críticos destrutivos.

Concluí que a culpa não é minha somente.

E depois do devido reconhecimento, o que fazer?

Não sei, de fato. Tudo é tão incerto. É um sabor amargo, um desprazer...

Não sintam pena, seria humilhante. Se for para sentir algo, que seja empatia e compreensão.

E é isso que todos os que são magoados precisam...

E todo mundo se magoa às vezes.
Às vezes tudo está errado. (REM, Everybody Hurts, 1992)



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Crime & Castigo

São apenas alguns minutos para a metade do dia. Mas bem antes disso, eu já estava desfeita em minúsculos pedaços. E cada um desses tinha algum rosto, donos de tristes lembranças e muita desilusão.
Minha vida é um carrossel, girando, girando... Intensamente pela vida... Porém cavalgando presa em meus erros.
Decidi comer fora. Apenas saí sem muito alarde. Só que, como sempre, até mesmo esse pequeno ato cotidiano tem seus pesares. E é extremamente bizarro o porquê disso. Talvez eu, um dia, consiga achar as palavras certas para explicar o que ocorre.
Sentei-me só. E isso foi de uma paz inexplicável. Nunca entenderei essa imensa necessidade alheia, quase doentia, de fazer qualquer refeição acompanhado.
Aliás, a solidão seria mesmo um castigo? Ou as companhias erradas, as migalhas de sentimento e a eterna busca da aceitação são bem piores? Perguntei-me isso anteriormente. E a resposta está em meu próprio comportamento.
Quando desapareço da vida de alguém é, de fato, a sentença máxima para muitos dias e minutos pela busca da verdade - por que esta criatura entrou em minha vida para fazer isso? É claro que eu deixei e não vou me eximir dessa contribuição. Só que muitos crimes e atrocidades são cometidos exatamente por aqueles em que deposita-se a fé.
Como em um grande tribunal, a investigação é cheia de sofrimento. E mesmo a punição máxima não é capaz de apagar as marcas - somente amenizar as sequelas.
Só há uma ressalva nisso tudo. Apesar de copiar o Mr. Darcy na afirmação de que minha boa opinião uma vez perdida é para sempre, tenho que falar claramente sobre uma única exceção.
E a seguir relato...
Há muito tempo eu gostei de alguém. Não é o mesmo de tantas histórias tristes, não trata-se do grande e inesquecível amor, o destrutivo e amargo. Foi um relacionamento brevíssimo, uma tentativa... Contra tudo e todas as opiniões.
Só que várias desventuras e confusões sobre o que sentíamos e o que realmente éramos causaram um grande rompimento. A maior e, talvez, única ira partiu de mim, alimentada por afirmações de inúmeras pessoas.
E assim foi até outro dia.
Mas a vida sempre dá um jeito de revelar o que estava escondido e as reais intenções daqueles que circudam, os próximos... Sempre eles...
Desnudada a amarga verdade. Tive que reconsiderar a redenção, afinal eu estava cega e envenenada, cheia de rancor e extremamente quebrada.
Todas as máscaras caíram. E o único que permaceu intacto diante desse terromoto foi justamente ele...
Alguém já agiu como mediafor dessa tarefa um pouco estranha para mim. E ele, em um primeiro contato, mostrou-se disposto a conversar...
Agora mesmo, tento pensar em como desculpar-me pelo imenso engano. A angústia da espera pelo perdão equivale a pedi-lo. Entretanto não deixo de considerar se minhas mágoas também não mereceriam consolo...
Mesmo assim, é um peso que preciso tirar da minha alma.
Dito tudo isso acima...
A premissa básica para o entendimento do meu próprio ser passa longe até mesmo de mim. E não há nada mais egoísta e opressor do que a fala "conheço-te bem..." proferida ousadamente por pessoas que são ou foram próximas.
Todos os que já utilizaram tal falácia agora residem em outras dimensões trancadas por mim e longe do meu olhar.
Não sou uma pessoa fácil. E, se fosse, não teria consciência do maravilhoso universo de possibilidades, longe da vulgaridade e extravagância...
Não há nenhum erro que não deixe cicatriz. Mas também não há nenhuma personificação dele que não possa ser extinta.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Lágrimas Por Um Amor Perdido (Tears For Lost Love) - Flauta Nativa Americana - NAF

Lágrimas Por Um Amor Perdido
Flauta (em bambu) Nativa Americana, chave em F, pentatônica
Tocada por T.S. Frank


Tears For Lost Love
Native American Bamboo Flute, Key F, pentatonic,
Performed by T.S. Frank














quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Faltas

Hoje o amanhecer teve sabor atômico de um laranja sufocante.

Gritos, indagações... Minha liberdade nunca existiu. Não tenho privacidade e nem incentivos. E por tudo, depois de toda a sarjeta jogada em mim, querem que eu, forçosamente, erga-me e siga em frente. De fato, eu sou o peso que pretendem livrar-se.

Quantas pessoas sentem-se hoje como eu me sinto todos os dias. Eu queria muito encontrar os meus iguais. Eu desejei. Aliás, foi um dos primeiros pensamentos dessa manhã tenebrosa.

Somente uma coisa mudaria a minha vida neste momento: um emprego. Talvez eu tivesse algum valor. Estou escarnecida, bem de fato. 

O ano começa assim - com brigas, dissabores e falta de diálogo. E dentro desse cenário, angustia-me as acusações. Eu pergunto-me, "sou um ser humano péssimo assim?".

É como uma espécie de maldição familiar, ou talvez muitas pessoas entendam por maldizeres.

Desde sempre eu escuto os meus próprios defeitos, dia após dia, como um mantra - as recriminações começam do âmago.

Sinto falta do amor em sua essência, porém esta falta é desde sempre, do tempo imemorial, daquele que nunca pode ser sentido, mas sabe-se que existe.

Quando falo em amor, não é aquele proferido por bêbados, ou por namorados abusivos, ou por pessoas que querem apenas sexo, ou por familiares e suas obrigações. Não, não é nada disso e nunca será.

Todas estas relações acima são vazias e ferem profundamente, deixando cicatrizes ano depois de ano.

Sinto falta de cumplicidade, de amizades no sentido da palavra e de proteção.

Sinto falta de compreensão, de conversas adequadas para resolver problemas.

Sinto falta de sentir-me um ser humano completo. Hoje tenho apenas pedaços mal formados, degradados por chicotadas.

Por Deus, como estou cansada de tudo isso.

Eu fico perguntando-me se o dinheiro e status fazem uma pessoa feliz. Talvez não. Só que a falta dos dois, quando você está no círculo errado de todas as relações da vida, podem levar à loucura sem precedentes.

E pior do que a loucura, é ter a sensação da sarjeta, de alma inferior, de perda do brilho e da vontade de viver.

Todos os dias formam-se as comparações injustas.

Todos os dias é como morrer. Ir ao inferno e voltar apenas para dormir.

E o ciclo vicioso recomeça nos primeiros raios de Sol.

É como gritar e ter uma sacola plástica na cabeça.

Desejei morrer tantas vezes e desejei viver outras mais.

Eu só quero uma vida diferente. Mas para que ela aconteça, eu preciso apenas que deixem-me livre, que não coloquem pesos de crimes e o peso da hereditariedade.

Sou uma pessoa na fogueira. Meu crime foi ter pensado em cruzar o horizonte e alcançar o céu com as minhas mãos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Manuscrito - Hécate

domingo, 25 de dezembro de 2016

Mais um Natal...

Então, eu não tenho muito para escrever sobre o Natal. O que eu tinha para falar sobre ele foi escrito anteriormente, em outros anos...

Deixarei um vídeo do Drauzio Varella que explora bem o assunto natalino...

... É uma boa ferramenta para reflexão.

E sim... Eu estou com meu bucho cheio até agora - chutei a intolerância à lactose por hoje, comi muito panetone, Chester assado na cerveja, salpicão, farofa e bebi litros de Coca-Cola.

Hoje permiti-me ser um pouco feliz. Esqueci minhas dores físicas e psicológicas.

Estou com a minha família, o que realmente importa... O restante... Bem, deixarei para os comentários do Ano Novo...

Este é o meu milagre de Natal.