sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Zeca Camargo, por que não te calas?

Hoje eu estava a ouvir Altemar Dutra. Sim, eu não coloco minha descrição aqui do lado à toa. Eu tenho uma alma bem velha, bem à moda de Dorian Grey (com um pouco menos de pecados do que o próprio) e amo os boleros brasileiros. Dessa maneira, eu também escuto muitas canções do filho dele, o Altemar Dutra Jr., cuja a herança genética não pode ser questionada, o timbre de voz é bem parecido mesmo. E é neste ponto que lanço uma pergunta:

Entre Altemar Dutra e Altemar Dutra Jr., quem você prefere? Você teria coragem e a prepotência de comparar um com o outro e menosprezar o mais novo por ter uma voz parecida e também ser um cantor?

Se você é sensível, tem bom senso e classe, mesmo que seu âmago nutra algum tipo de espinhosa rejeição por heranças genéticas marcantes, em hipótese alguma isto tornaria-se público, não é mesmo? A não ser que... Você seja o Zeca Camargo.

Esta criatura, conhecida pelo seu repertório de afrontas e desserviços ao jornalismo, foi o centro de discussões acaloradas após sua desastrosa participação como jurado no programa Popstar da Globo no último domingo, dia 13/08.

Na postagem anterior, eu falei da minha torcida para o Cláudio Lins. E neste fatídico dia de apresentação, justamente Dia dos Pais, ele prestou uma bela homenagem "ao seu véio" com a emblemática canção Lembra de Mim. Todos gostaram, inclusive o ácido, mas não tão menos ótimo, João Marcelo Bôscoli (sim, falando em pais, filho da Elis Regina). Só que o embuste viajado do Zeca Camargo foi contra a corrente de uma forma, digamos, bem controversa e emburrecida. Você, leitor (a), deve estar pensado: "Ah, mas isso é a opinião dele. E gosto é gosto!". De certo! Mesmo eu sendo quase uma tiete do Cláudio, eu ainda tenho as faculdades perfeitas para considerar isso. Porém o problema residiu na justificativa do candidato a Boneco de Judas. Ora, preste bem atenção nas linhas que reproduzo abaixo tiradas do discurso dele no programa:

"Eu sou fã dessa família inteira. Mas quando você canta uma música do Ivan a referência é fortíssima. Eu fiquei lembrando mais do seu pai do que de você. É uma homenagem lindíssima, mas eu fiquei com aquela referência, mas no gol a gol eu sou o Ivan."

"E por isso eu não merecia o seu voto? Poxa!", lamentou Claudio, deixando Zeca sem palavras.

Nossa, eu fiquei chateada e desliguei a TV. "Ah, eu não vou perder meu tempo com isso mais não!", pensei! Porém não tardou para que as avalanches de críticas, repúdios, xingamentos e hostilizações começassem a aparecer nas redes sociais do Popstar e do próprio Zeca. E este último foi obrigado a deixar um texto tentando justificar o injustificável:

"[...] Minha expectativa era altíssima com todos - que acompanho desde o início do programa, que sou fã... Mas... e talvez por isso, deixei de dar duas estrelas para dois astros e explico. [...] E de Claudio Lins - que é um dos melhores atores da sua geração -... o risco foi ele ter escolhido uma música do próprio pai, que é um dos maiores nomes da nossa #MPB. É uma baita responsabilidade - e... bem, segue minha admiração absurda por ele, e o desejo sincero de que ela vá muito longe nesse #Popstar." (Texto publicado no Perfil do Facebook O Zeca Camargo, em 13 de agosto de 2017)

Adiantou nada. Na segunda, 14/08, todos os programas de fofocas estavam com essa pauta. E não é a primeira vez que este ser humano torna-se alvo de críticas duras. Basta buscar um pouco mais na memória sobre o texto que ele escreveu em um momento bem inoportuno a respeito do cantor sertanejo Cristiano Araújo (logo após sua morte trágica). Este é o carma dele até hoje, sendo constantemente alvo de boicotes por parte de vários músicos conhecidos. Entretanto, dada a nova história, tenho a impressão de que ele não aprendeu a lição.

Cabe-me, agora, dizer que Cláudio Lins cantou lindamente, bem linear, ao piano, com graça e estilo (como vocês poderão conferir no vídeo de react que deixarei no final da postagem). A trajetória dele tem sido irrepreensível até aqui. Contudo o somatório da última nota o deixou quase no rabicó da classificação. Mesmo com todo o empenho que ele coloca para ser um bom ator e cantor e imprimir suas próprias impressões nas interpretações das músicas, nada disso parece ser suficiente para calar a boca de quem tem algum olhar torto sobre sua carreira. É bem comum em entrevistas perguntarem como ele sente-se sendo filho do Ivan Lins. A resposta dele é genial:

"Eu não sei como é não ser!".

Sabe disso a Maria Rita também. E tantos outros filhos de pessoas consagradas. A grama dos vizinhos sempre parecerá mais verde do que realmente é.

***






Vou deixar também uma entrevista da Maria Rita, junto com seu irmão João Marcelo, ao Jô Soares em 2012. Ela fala muito bem dessa cobrança e comparação e como lida com isso. Vale lembrar que Maria Rita gravou uma canção escrita por Cláudio chamada Cupido.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Popstar - Rede Globo - Torcida para o Cláudio Lins - #TeamClaudioLins


De uns tempos para cá a Globo tem investido em umas atrações menos pífias. A começar pelo Ding Dong do Faustão. Agora temos esse novo programa, Popstar, que nos mostra a faceta musical de famosos que são mais conhecidos em outras áreas. Se a situação brasileira, no geral, anda degradante, com figuras assombrosas como o golpista vampiresco Michel Temer, os defensores do Bolsonaro e a burguesia classe média arcaica a todo vapor, imagine a Cultura... Meu Deus, as pessoas andam a ofender de forma veemente Chico Buarque, Caetano e Gil, chamado-os de nomes inconfessáveis quase todos os dias, e a juventude está no fundo do poço fazendo companhia para a Samara do filme O Chamado. Então, qualquer pontinho fora da reta, mesmo sendo dessa emissora, já é um alento.

Sim, eu gosto de televisão. E assisto muito. Eu fui criada assim, lá na década de 90, assistindo reprises de boas coisas porque, graças a Deus, minha mamãezinha incentivou bastante o meu começar cultural. Sendo assim, o meu novo divertimento é esse programa do Plim-Plim,  aos domingos, lá pelas tantas do meio-dia.

E nessa onda dos pais, eu tenho que dizer que a minha torcida é todinha para o lindo aí do lado - o Cláudio Lins. Se você não sabe, caro (a) leitor (a), ele é ator, cantor, compositor, pianista e mais além. Já assisti muitas novelas com ele, aliás, todo mundo aqui de casa. Entretanto, neste momento, o lado musical dele está em evidência e o que tenho visto defini-se pelo deleite.

Bem, só pelo sobrenome já dá para ter uma noção. Ele é filho do grande Ivan Lins, que, por favor, dispensa apresentações (olha aí a playlist do lado para saboreá-lo.) e da Lucinha Lins, uma grande atriz consagradíssima, que também é cantora. O DNA familiar bateu e agregou geral, pois o moço tem a voz quase igual ao do pai, sério mesmo, e, se duvidar, é a versão geneticamente modificada para melhor, pois ele é bem mais afinado que o Mestre Pai.

Eu não sei se ele ganhará essa edição. Depois de umas cinco semanas, o público, acostumado à zoeira e a péssima MPB atual, devagarzinho, quase parando, começa a entendê-lo e conhecer a sua história. Eu detesto a participação do público quando trata-se de talentos musicais, pois é como dar o poder de decisão para um gambá com demência.

Enquanto ele durar no programa, estarei vidrada na TV.

Vou deixar os vídeos das apresentações dele com a Reação (React) de um youtuber muito bom, o músico Márcio Guerra Canto. As performances na íntegra estão no site e no aplicativo do GloboPlay (clique aqui). Tenho quase certeza que vão amar!

Primeira Semana - Com a música Dinorah, Dinorah, Ivan Lins (a voz está igualzinha!)


Segunda Semana - Com a música Corsário, João Bosco/Elis Regina


Terceira Semana - Fé Cega, Faca Amolada, Milton Nascimento & Beto Guedes


Quarta Semana - Fora da Ordem, Caetano Veloso


Quinta Semana - Expresso 2222, Gilberto Gil


terça-feira, 25 de julho de 2017

Crítica da Semana: Universo no Olhar (I Origins)/2014

Um filme ruim com uma ideia ruim pode ser até divertido, mas quando temos um trabalho péssimo advindo de uma ótima ideia, o único sentimento que fica é de um grande aborrecimento. Eis a definição exata para essa película.

Meu Deus do Céu... Fazia um certo tempo que um filme não despertava em mim um sentimento de antipatia. Algo um pouco perto disso veio com À Noite Sonhamos (A Song to Remember/1945). Portanto Universo no Olhar (I Origins/EUA/2014) conseguiu superar todas as minhas expectativas negativas. Ele, arrisco-me a dizer, deveria ser uma cartilha para todos os alunos de cinema, pois é sempre bom ter exemplos vívidos de como desperdiçar uma ideia interessante no campo da Sétima Arte.

Apesar de ser muito elogiado por aí e até ganhar uns prêmios no cenário independente, o filme tem uma construção que peca pela não profundidade em temas que insiste o tempo todo em comprar para si, como o encontro de almas, a morte e o luto. E, de quebra, ainda trata a Reencarnação muito superficialmente, tanto pelo lado da Religião como da Ciência. E a culpa resvala para tudo que é canto: direção, elenco e, principalmente, roteiro.

Vamos por partes...


O diretor Mike Cahill erra a mão feio, viu. Com quatro filmes no currículo, o seu A Outra Terra (Another Earth/2011) já o colocava no cenário cult promissor sem muito merecimento. Sua assinatura é o apelo pelo dramalhão travestido com uma roupinha mais descolada, underground e jovial, digamos assim. Essa sua obra de 2014 ratifica isso. 

O elenco é bem mediano, salvando-se somente Archie Panjabi (que interpreta Priya Varma) que ganha no quesito carisma e faz um grande esforço para dar credibilidade ao seu personagem, mesmo que este esteja relegado aos momentos finais da película. Michael Pitt (que interpreta Ian Gray) está deslocado e não causa empatia, piorando ainda mais quando um luto muito estranho, por parte dele, é revelado; na primeira oportunidade, atraca-se com sua assistente porque esta leva-lhe uma sopinha quente. Seu personagem melhora no final apenas, quando liga-se justamente à personagem mais sensata do filme, Priya Varma. Brit Marling interpreta Karen, a personagem oportunista de pesares. Ela não destaca-se além disso. Uma analogia ao urubu caberia muito bem aqui.

Dedico agora um parágrafo a personagem Sofi (interpretada por Àstrid Bergès-Frisbey). Sua presença tem uma grande parcela de culpa pelo desastre que o filme é. Ela deveria ser a parte espiritual, iluminada e sensata, passando uma serenidade típica àqueles que estão em um nível mais elevado em suas próprias crenças. Só que ao invés disso, a moça é enjoativa por demais. Seu ar misterioso do começo beira o ridículo, muito ajudado pela sua tentativa de inserir sexo em um contexto bem falso. E daí por diante a ladeira é lucro. Ela restringe-se a partes de seminudez e nudez. Seu jeito de modelo sem cérebro é parecido com alguém que foi criada dentro desses cultos malucos. Com frases saídas de livros baratos de auto ajuda, ela mira na parte divina e acerta o new hippie chic. A cena em que ela morre, pelo amor... Lembrou-me os filmes do antigo Cinema em Casa do SBT. Poxa, se era para a garota passar dessa para outra por causa de um elevador, que fizesse com ele caindo, lentamente, dando espaço para analogias e reflexão. Cortá-la ao meio, deixando-a em uma poça de sangue foi uma mistura de gore com impacto zero.

O final é insosso. Nosso desbravador descontextualizado finalmente encontra a íris única de Sofi na Índia. O renascimento é a prova que abala um universo inteiro. Era para ser majestoso... Entretanto não é. 

Aqui não cabe-me julgar as Crenças e a Ciência. Se o filme fosse bom, assim como a ideia que o cerca, um debate razoável seria estabelecido. 

Se quer um conselho, melhor assistir outro filme, talvez Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time/1980) na Netflix. Ao menos tem o Christopher Reeve e é de época. 



Trailer Legendado

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Conversa Cafeinada - Minhas novidades e algumas histórias sobre o comportamento de muitos seres humanos pequenos


Há algum tempo não venho por aqui. Então vamos, você e eu, tomar uma xícara de café quentinha, viajar no tempo e ir para uma época em que tudo era muito mais romântico e simples. 

Deixe que comece eu, por assim dizer...

Mudei de médico e agora é uma médica. Estava muito aflita pelas dores na coluna terem piorado e precisava, mesmo que fosse pagando, de palavras mais acolhedoras sobre o meu estado. Achar um bom profissional é uma loteria e nisso tenho experiência. Essas visitas para tratar a saúde são um desgaste só. Pelo menos, dessa vez, achei alguém com mais suavidade e que explicou-me com mais detalhes o que tenho.

Isso foi há quase um mês e estou bastante medicada com todos esses remedinhos coloridinhos e pomposos, dignos de uma boa hipocondríaca como eu. Uma segunda visita está agendada para semana que vem.

Essa é um das partes corriqueiras da vida e para qual não há escapatória - uma hora ou outra ela irá acontecer.

Já outras... Por Deus! São momentos bizarros protagonizados por criaturas saídas das profundezas abissais da falta de classe e de trato. Mas nem por isso deixam elas de ser as protagonistas de histórias curiosas sobre o modus operandis desses bufões modernos. Eis uma...

Em um dia qualquer, quente e enfadonho, foi-me apresentado um moço estudante de pós-graduação. E antes que eu entre nas linhas principais, não preciso dizer que sou quem sou. De nada importa-me a presença de novas pessoas, serei o mais formal possível e respeitosamente distante, observo primeiro, olhos e língua, e não vai sair de mim (a não ser que esteja sofrendo com encefalopatia espongiforme) sorrisos escancarados e expressões histriônicas (Ai, como isso é cansativo!).

Continuemos...

Depois de conversas e deste mesmo ser vivente apresentar-me um conhecido seu, nessas andanças pela busca de bons lugares para tomar um brisa fresca na face, lá pelas tantas da noite e já quase na despedida, ele fala que pareço arrogante e um tanto convencida. Que belíssimo julgamento, não é mesmo?

Você pode agora falar: "Tu mesmo gostas de sinceridade!".

Sim, é claro. Se os julgamentos forem concisos e bem fundamentados, as críticas, mesmo as mais espinhosas, não podem ser desvalidadas. Porém leia só as bases deste energúmeno, que eu digo certamente, são as mais rasas e míopes que já ouvi...

Esta pobre alma disse que eu fui muito distante, que não sorri muito, ou no popular mesmo, "Não mostrei meus dentes". E que isso era ruim e tornava-me uma pessoa prepotente. Em um único momento de lucidez nessa desfaçatez todinha, ele supôs que poderia ser um modo de defesa ou um jeito único. Ora só, temos um Sherlock!

Gente, que patacoada! Era só o que faltava, ser julgada como um péssimo ser humano apenas por não pavonear por aí... Prefiro ser odiada milhões de vezes então.

E a cereja desse bolo podre é que este mesmo homem é um desses galanteadores deslizantes esperando só uma oportunidade para fazer-se, um antagonista no quesito charme e detentor de um jeito malandro nada buarquiano.

Como diria Kurtz no livro O Coração das Trevas (Heart of Darkness/1899):

O horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror, o horror...

No mais, comprei uma camiseta com o desenho de Moby Dick e veio-me um moletom danadíssimo de feio. Enviei para troca, o que foi até descomplicado. Estou aguardando a chegada do produto ao destino para ter meu vale compras. Também tenho estudado para as primeiras provas da minha pós em Contabilidade Pública. Às vezes acho que deveria não ficar tão chateada por estar formada nessa área, afinal, eu tenho um diploma por uma universidade federal e fui uma ótima estudante nessa área, mesmo que a não queira de jeito nenhum. Talvez tenha que orgulhar-me mais dos meus feitos e parar de dar combustível para as dragas de plantão.

Esse semestre de Física está altamente desinteressante. O mais do mesmo, um bocado de gente jovem com uma personalidade tão fútil como as das irmãs Kardashians e o conhecimento mais ralo que sopa no final da madrugada. Trata-se, só pode, de uma epidemia descontrolada de pessoas assim. Parece até mau uso da modernidade, ou a preguiça reinante ou a falta de uma genética mais favorável, vai lá saber-se sobre esses mistérios nada desejáveis da vida.

O meu maior desafio tem sido controlar a minha vontade de agir como iconoclasta de algumas figuras discentes de Física - as lendas do bom coração e do humanitário e que de tão falsas fazem as declarações de inocência do Michel Temer e do Aécio Neves orações para São Francisco de Assis. Eu poderia ser o Snowden desse curso... Só que... Eu quero apenas a paz... E quem quiser sair da ilusão... Que procure desconfiar dessa benevolência desmedida.

Comprei alguns livros que há tempos tenho vontade de ler, um é Coração Desnudado, do francês Charles Baudelaire, e o outro é Música na Noite e Outros Ensaios, do inglês Aldous Huxley. Estou só esperando a Amazon entregar.

Sobre os homens, bem... Eles ainda parecem muito instigantes para observação e, vez ou outra, bons para degustação. Todavia o material ao redor, salvo uma ou duas exceções, não ajuda muito.

Das exceções, confesso que estou com saudades de observar um certo jovem, na casa de seus quase 20 anos. Ele é um desses espécimes raros, brejeiro todo, com um sorriso que faria qualquer velho e petrificado coração bater por uns bons minutinhos. Por onde quer que ande este Adônis, conserve Deus ele na aura do natural e na ignorância dessa idolatria. Aquela tez dourada não necessita de envaidecimentos e muito menos teatralização.

Comprei um DVD de um dos últimos concertos do Everly Brothers. Sim, eu ainda compro DVDs.

Por hora, é isso que tenho para contar. Espero que as suas histórias sejam menos desafortunadas e mais saborosas que as minhas.


sábado, 17 de junho de 2017

Tracklist da semana - Via Spotify - Canções de Amor e Baladas (Love Songs and Ballads)

Muito bem... O Dia dos Namorados passou... Graças a Deus! Pois é pavoroso ver o amor transformado em um monte de promessas sem graça, presentes caros, futilidade e postagens em redes sociais.

Sim, eu sou muito old school. E posso muito bem ter sido, na existência passada, um homem ou mulher dos anos 20 ou 60, escrevendo longas cartas apaixonadas e saudosistas durante as guerras.

Eu tenho um coração. Não sou a bruxa má que faz poções para matar a princesa loira e da voz de arranha disco e ficar, assim, com o príncipe ainda mais insosso.

Pensando bem...
... As feiticeiras são bem mais sexies e atraentes hoje em dia.

Linus Larrabee
Harrison Ford
Sabrina - 1995
Eu sou como o Linus Larrabee em Sabrina (1995). E um dos melhores diálogos do filme apresenta exatamente o que eu penso sobre o mundo dos relacionamentos:

Sabrina pergunta a Linus:

 - Foi por esta razão que você nunca se casou? Você provavelmente não acredita no casamento.

E Linus sabiamente responde:

 - Sim, eu acredito. É por isso que eu nunca me casei.

Espero que gostem dessa tracklist, pois aqui estão quase todas as músicas que eu desejaria dançar com alguém em um desses encontros que o destino prepara maliciosamente...

Jamie Fraser
Sam Heughan
Outland - 2014
Vou ressaltar que eu montei essa lista totalmente DROGADA por remédios para dor crônica... E... Sinceramente... Eu acho que estou vendo o Jamie Fraser da série Outland na minha janela...

Oh... Meus Deus... Eu não estou sentindo o meu rosto... E nenhum ossinho do meu corpo... Estou flutuando... Acho que virei um raio de luz. 

Love Songs and Ballads - Playlist do Spotify 
feita por T.S. Frank 
Seleção de músicas por T.S. Frank


Lembrete: provavelmente você irá escutar somente 30 segundos de cada 
música se não tiver o Spotify instalado. Então eu recomendo que o tenha
 - uma das melhores plataformas para se escutar música, de rápida e fácil
 instalação - disponível para PC, tabletes e celulares - GRATUITO!




terça-feira, 6 de junho de 2017

Tartarus

Frias e brilhantes reinam lápides de mármore.

E jazem silenciosamente todos os restos de corações pueris. 

Todos eles brutalmente assassinados.

É um lugar amaldiçoado, cheio de pesar. 

Mas sutilmente realista.

É a tragédia do saber-se desnudado e humilhado.

Um alvorecer de vergonha em cada nota de despertar.

Pois aqueles que amaram muito

[por dias infinitos de imaginação] 

vivem seu próprio inferno. 

Enterrados estão seus sentimentos. 

E seus corpos são preenchidos por um vazio catalítico.

Em meu epitáfio, apenas meu nome. 

Em minha cova, pérolas e ossos metálicos.

Não sou mais quem deveria ser.

E minha alma apenas vagueia...

Estão todos avisados - não teçam ilusões!

Apaguem as luzes e rasguem as poesias.

Bati a pesada porta...

E tranquei-me para sempre.

T.S. Frank

domingo, 28 de maio de 2017

O peixe fora d'água

Cai uma leve e deliciosa chuva lá fora. Lembro-me que clamei por essa sensação de frescor anteriormente. Porém aqui dentro é como uma pequena guerra cheia de feridos e sangue. E este cenário é uma tela em que memórias amargas ressurgem.

De todas as palavras que aprendi cedo, a primeira e mais esquisita foi egoísmo. E ela surgiu em um dia ordinário que, por ordem natural, deveria ser uma celebração com doces momentos infantis. Era a minha primeira festa de aniversário e eu já tinha uns nove anos.

Chegado o momento de cortar o bolo e dar o primeiro pedaço, eis que a intensa e férvida vontade de falar algo extraordinário e digno de admiração saiu como dentes de leão na primavera:

 - O primeiro pedaço de bolo vai para mim mesma!

Ah, como eu senti-me orgulhosa, brava e intrépida. Só que não foi totalmente original, pois eu tinha ido a uma festa de uma menina bem mais nova e esta fez exatamente essa declaração de auto consciência de si mesma. Nossa, eu achei aquilo um máximo! E lembro que todos riram e mostraram sinais de aprovação e uma eufórica surpresa com aquela criaturinha tão cheia do próprio amor. Eu queria a mesma sensação, sim, eu queria.

Mas comigo foi um imenso desastre. E até hoje eu não entendi o porquê. Olhares de reprovação e de vergonha, uma verdadeira mancha em um tecido que deveria estar imaculado. Tive um ataque de pânico e o medo tomou meu coração - eu sentia o que estava vindo... O inverno perpétuo.

 - Que menina egoísta. Desde sempre!

Foi o fim do meu brilho e talvez um dos primeiros acontecimentos-base para minha eterna reprovação crônica. Até hoje detesto sussurros por conta desse episódio (e por outros que escutei uma vida inteira). Eu passei a associar o amor-próprio auto declarado a uma espécie de maldição, uma marca de nascença e a uma afronta desmedida.

Eu só tinha nove anos e ninguém ouviu minhas explicações... Não, espera... Eu não expliquei nada... Eu estava muito aterrorizada.

Eu acredito que nessa minha existência atual eu sou um completo peixe fora d'água, bem longe do mar de empatia ideal para uma vida plena. Estou em uma obra misteriosa para resolver pendências de um tempo imemorial.

Claro, foi-me negado o bem-estar com o meu verdadeiro ser, considerado muito errado, extremamente não altruísta, divergente e abominável na maioria das vezes. E sobre isso só há uma saída - o abandono da culpa imposta e o recomeço bem longe. 

Contudo é devastador colocar-se diante do espelho e olhar-se terrivelmente desfigurada pela má interpretação.

Sinto que o abismo está bem mais perto do que eu imagino - justamente nesse salto arriscado para um outro mundo.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

No palco da dor crônica e outras tristezas cotidianas

A vida, em um dia qualquer, foi soprada em nossas narinas e, como um presente delicado e nobre, não pode ser rejeitada e muito menos amaldiçoada. E qualquer ação que a danifique por vontade do novo proprietário é vista como um ultraje dantesco, não importando que este vento motriz seja um vale cheio de estradas navalhadas, com um horizonte cinzento, árvores mortas e águas turvas de lamentações e lágrimas.

Estive pensando nessa descrição e como ela é caprichosa e cheia de mistérios nas entrelinhas. Antes de possuirmos essa consciência, talvez fervorosamente pedimos pelo renascimento e por outra chance. Contudo a hipótese mais condizente é aquela do grande empurrão inesperado para tentarmos aprender o que foi deixado de lado ou incompleto.

Dizem alguns que somos todos concebidos pelo amor. Bem utópica esta ideia, mas não há de negar-se a beleza de tal proposição. É como adentrar a história de Psiquê e o Cupido.

Sim, existem alguns afortunados originários dessa fonte - e como são eles cobertos por olhares de inveja. Porém emergimos, recorrentemente, por consequência somente do prazer alheio unilateral e egoísta. É como ser contratado, por tempo indefinido, para uma peça teatral. E nessa turnê há toda sorte de atores e atrizes, um poço de não empatia, além da encenação que pode ser uma tragédia grega ou um drama satírico.

Fiquei a repassar todo este cenário e a maneira como ele encaixa-se nesta minha atual existência.

Em qual ato está a minha dor crônica? Será que ela desaparecerá, se desaparecer, antes dos aplausos finais?

Há seis anos ela reina absoluta frente as ribaltas, regida por frenesis senoidais. E estou tão farta que eu gostaria de dissolver-me e virar, por alguns instantes infinitos, partículas douradas de luz.

Hoje estou em cartaz com este monólogo e minhas palavras atingem as vazias cadeiras. E eu chorei rios que desemborcaram em um mar rubro de angústia e medo.

O único lugar em que posso ser meu eu essencial, mesmo fragmentada, é por trás das cortinas, bem onde há os velhos caixotes. Minha imaginação e minha alma saem desse teatro em ruínas e condessam-se em uma nuvem que flutua por outros espetáculos que mostram vidas doces e normais, cheias de prazeres e sorrisos, amores e amantes, onde não há espaço para nenhum tipo de dor.

Entretanto há um grande perigo em visitar constantemente minhas próprias ilusões - elas são perfeitas e nascem do ato de vestir-me com roupas que não foram feitas para minhas medidas. A fantasia irá rasgar-se mais cedo ou mais tarde, quebrando as barreiras mal feitas da auto proteção. Rajadas de realidade ignorada matam tanto quanto a própria realidade cruel.

O meu mal crônico rasgou minhas vestes. E agora sinto-me prisioneira de um lugar repleto de veracidade que mostra manhãs de escárnio e noites de gritos sufocados.

E está proibida qualquer queixa sob pena de represálias. E falar sobre o que sente-se, segundo os diretores, é o maior sinal de fraqueza de uma atriz que enfrenta a linha tênue do fracasso e esquecimento.

E em quais outros tablados eu já pisei? Estas pessoas que conheço estavam lá? As mentes e corpos que amei também estão aqui? Amam eles, agora, outros daqui ou os que estão longe desses muros? Bem... Respostas faltam-me.

E essa dor duradoura esmaece meu coração e maltrata os pequenos brotos de sentimento. Lá estão eles, franzinos e temerosos. Famintos, precisam nutrir-se de uma confiança quebradiça que os levará ao declínio.

Eis que chega a noite com seu véu negro e brilhantemente pontilhado. Escuto o som de algumas luzes a serem desligadas. Mas há uma que nunca se apaga, mesmo envolta em grandes conflitos e males - uns chamam de felicidade... E eu de esperança.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Um namoro falido e violento

O amor não existe, pressupus um dia.

Talvez se eu tentasse apenas gostar de alguém...

E assim nasceu um namoro falido e violento. Desse Lembro-me bem.

Ele sempre dizia que eu não era interessada em crescer e se rica, apenas em sonhar com uma profissão nada rentável e gastar o que não tinha. Ele, filho de um juiz, um fanático religioso desviado que levava as mulheres para dormir em sua casa e suprir carências sexuais, afetivas e maternais dele, enquanto dizia-lhes sobre os deveres de uma esposa, o que ela poderia ser em um casamento.

Um dia ele reclamou que eu não usava maquiagem diariamente:
- Não vou ensinar você a ser UMA VERDADEIRA MULHER. Você já deveria ter aprendido! Ora, que sacrilégio não usar uma base nas unhas!

Em outro momento fez-me chorar copiosamente. Eu queria apenas comer fora em um domingo qualquer. Só que eu não poderia, tinha que cozinhar na casa dele:
- Você não possui dinheiro para esse luxo e eu não vou pagar!

Aliás, fez questão de deixar bem claro que só casaria comigo se eu pagasse minhas dívidas. Ele não iria trabalhar para pagar nada de ninguém. Quem falou em casamento? E em pagar dívidas? De onde saiu tudo isso?

Se eu ficasse doente ou muito cansada da faculdade e não pudesse ir para casa dele, escutava:
- Do que adianta uma namorada se não se pode ter sexo na hora em que se quer?

Ele, um estudante de psicologia, usava as minhas incertezas e angústias contra mim mesma.

Eu tinha que agradar a mãe dele, que desprezava-me porque eu morava em um bairro popular e não era da mesma religião da família. Uma vez ele brigou porque eu não fiz sala para a irmã.

Ele, com três meses de namoro, não convidou-me para a festa de aniversário dele na casa da família. O motivo era ridículo e escandaloso - eu não conhecia a tão famosa e intocável mãe. De último momento, resolveu mudar de idéia. Claramente recusei.

No dia dos namorados, depois de muito arrumar-me, ele levou-me para casa dele. Foi um jantar pavoroso e sem graça. Não ganhei presente e ele ainda reclamou do meu. Esse circo tosco foi a desculpa perfeita para que não houvesse despesas e eu dormisse lá.

Com seis meses eu resolvi terminar. Em uma viagem, senti-me atraída por outro homem.

No caminho para o lugar que marcamos, depois da minha chegada, ele queixava-se porque eu era a única e exclusiva culpada pelo namoro não estar indo bem, que eu tinha que mudar se quisesse mantê-lo. Ele salientou que quando começou a namorar comigo, saía com outras mulheres e tinha muitas opções. Eu deveria orgulhar-me por ele ter escolhido-me.

Assim que falei que estava acabado, ele quase teve um ataque cardíaco. Não acreditou que eu estava tendo aquela audácia. Ele repetiu várias vezes que foi um erro ter apresentado-me a mãe dele e toda a família (muito antes disso, eu tinha apresentado a minha!).

Tirei um grande peso das costas e acabei com uma farsa. Contudo fiquei com essa repulsa por compromissos e namoros, quase como um asco.

Depois de procurar saber mais e mais sobre o feminismo, descobri que fui vítima de abuso e violência psicológica.

Sinto-me mais segura e decidida hoje neste campo. Não tenho vontade alguma de enveredar-me por esse caminho novamente.

Minha solteirice tornou-se meu refúgio.

terça-feira, 2 de maio de 2017

In perpetuum mobile

O que se faz com um punhado de felicidade?
Uns docinhos merengues coloridos
com um gosto tão enjoativo
que dá uma certa azia.

E o que se faz com um bocado de tristeza?
Uma poção azul metálica bem venenosa
de amargar toda a boca
e morrer só de desgosto.

O nada nunca será suficiente
e muito menos o tudo.
É um acabar-se de exagero
de muitos que querem o mundo.

Eu rejeito a felicidade
como um gato preto
que sabe por instinto
da morte na encruzilhada.

Eu abraço a tristeza
como um peregrino
cego em sua fé
e vazio de confiança.

Um extremo, o oriente
E na outra ponta, o ocidente.
E nunca quero eu o centro
por teimar em não desvelar.

Mas não há como negar
que se um não agir
o outro não existirá.

No fim, meu coração dramático
é um poço de alquimia
que explode todo dia.

A felicidade tem fim
e a tristeza, bem...
Quem sabe.

T.S. Frank