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terça-feira, 2 de maio de 2017

In perpetuum mobile

O que se faz com um punhado de felicidade?
Uns docinhos merengues coloridos
com um gosto tão enjoativo
que dá uma certa azia.

E o que se faz com um bocado de tristeza?
Uma poção azul metálica bem venenosa
de amargar toda a boca
e morrer só de desgosto.

O nada nunca será suficiente
e muito menos o tudo.
É um acabar-se de exagero
de muitos que querem o mundo.

Eu rejeito a felicidade
como um gato preto
que sabe por instinto
da morte na encruzilhada.

Eu abraço a tristeza
como um peregrino
cego em sua fé
e vazio de confiança.

Um extremo, o oriente
E na outra ponta, o ocidente.
E nunca quero eu o centro
por teimar em não desvelar.

Mas não há como negar
que se um não agir
o outro não existirá.

No fim, meu coração dramático
é um poço de alquimia
que explode todo dia.

A felicidade tem fim
e a tristeza, bem...
Quem sabe.

T.S. Frank




quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Crítica da Semana: Brilho de uma Paixão (Bright Star)/2009

Uma explosão de cores em tons pastéis e o fulgor de azuis vivazes. A suavidade do amor expressado através das palavras e construído com primor e delicadeza. Nesse tempo que presenciamos a imposição do amor carnal como o único verdadeiro e possível, a beleza dessa película mostra-nos o que há de mais puro, singelo e (por que não?) revigorante no sentimento primordial que o último grande poeta do romantismo inglês retratou em cada verso de seus poemas.

Produções inglesas de época sempre carregam consigo grandes expectativas. Pudera! Na terra onde reinam os melhores canais de televisão, BBC e ITV, as brigas por audiência são produtivas e trazem trabalhos estupendos. E com os filmes não seria diferente. Eis uma belo exemplo, Brilho de uma Paixão (Bright Star/Austrália/Reino Unido /França/ 2009).

Nos romances, os riscos de cair em um enorme clichê são sempre altos. Porém, nesta película, o amor não consumado em sua totalidade ganha a forma da poesia do inglês John Keats (1795-1821). Keats é um jovem poeta que, pela morte dos pais e da busca pelo reconhecimento de seus trabalhos, vê-se endividado e sem muitas chances imediatas de estabilizar-se. Seu irmão, Tom, há muito tempo doente, acaba morrendo e John muda-se definitivamente para a casa de seu amigo e companheiro de trabalho, Mr. Brown. Brown mora na metade da casa da família de Fanny Browne (1800-1865). John já havia conversado algumas vezes com Fanny em reuniões e festas sociais. Agora como vizinhos, pouco a pouco, o relacionamento transforma-se em um amor puríssimo.

Quem conhece o mínimo de Keats, sabe que ele morreu cedo em decorrência do agravamento da tuberculose que adquiriu um pouco antes. Contudo o modo como o filme apega-se a sutileza do amor entre os dois jovens foge à armadilha do melodramático e carrega uma beleza ímpar de colorir (literalmente) os olhos.

Fanny é interpretada de maneira formidável pela atriz Abbie Cornish e Keats perfeitamente por Ben Whishaw. Wishaw é um ator belíssimo, com traços delicados. Sua figura cativou-me. Não poderia esquecer tal rosto desde Perfume - A História de um Assassino (Perfume: The Story of a Murderer/2006).

A fotografia do filme é primorosa, a trilha sonora é inebriante e a direção é certeira. Aliás, a diretora é responsável, também, pelo filme O Piano (The Piano/1993), que é um dos meus favoritos e conta com a trilha sonora maravilhosa de Michael Nyman.

Brilho de uma Paixão é visualmente espetacular e possuidor de um enredo belíssimo. O amor, com sua enorme gama de ser, é mostrado como um bálsamo. Seus olhos cativantes são capazes de conquistar a mais incrédula e seca das criaturas. Simplesmente obrigatório assisti-lo - um deleite imensurável!


Curiosidade

O título do filme vem do poema de Keats, Bright star, would I were stedfast as thou art (Estrela brilhante! Gostaria de ser fixa como tu és). O original e a tradução encontram-se abaixo.

Bright star, would I were stedfast as thou art
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like nature's patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth's human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors
No – yet still stedfast, still unchangeable,
Pillowed upon my fair love's ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever – or else swoon in death.

Estrela brilhante! Gostaria de ser fixa como tu és
Não em um solitário esplendor como agora,
Velando como estás, com grandes pálpebras,
As águas movimentadas em torno das praias humanas,
Como um austero eremita da Natureza.
Ou contemplando a agradável máscara da neve por sobre as Montanhas e os Pântanos.
Não – Quieta, imutável como sempre,
Parada sobre o seio maduro de minha amada,
Para que eu sinta eternamente seu calmo respirar,
E acorde um dia numa doce inquietação.
Quieta, fixa, para que eu ouça sua terna e calma respiração,
E assim viva para sempre, ou desfaleça na morte.

Trailer - Brilho de uma Paixão



Fontes

domingo, 26 de julho de 2015

Das desilusões e suas agonias

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


(Augusto dos Anjos, Versos Íntimos/1901, Eu e Outras Poesias, Martim Claret, 2ª ed., 2001, p. 103)




Lembro-me como se fosse ontem daquela aula de Português em um lugar distante da civilização e acima do céu mais bonito que já vi. Eram tardes amareladas e sufocantes. Naquele instante, deparei-me com Versos Íntimos e seus entrelaçamento perfeito, cheio de ressentimentos e lamúrias. Ali não estava só o registro de um desespero. Havia uma desilusão grandiosa (fruto de ingratidão, desprezo, acusações e traição) destinada àqueles (ou àquelas) que, antes detentores de admiração e amor, depois, tornaram-se algozes selvagens. 

Não há momento mais oportuno do que este: muito triste sim, silencioso e angustiante. E eu recordei-me dessas estrofes e do meu fascínio por Augusto dos Anjos - um dos pré-modernistas (ou simplesmente o inclassificável), poète maudit, que morreu cedo e escreveu um único livro. 

[Hoje tomei inúmeras xícaras de café - consolo momentâneo. Foi o que restou.]

Resgatei, dentro de mim, inúmeras amarguras [tão vastas!]. Não há como descrever, precisamente, o gosto amargo da agonia e do medo. Mas sua localização entre o pulmão e a garganta causa um sufocamento que traz uma sonolência insaciável. A sensação de abandono é apenas uma constatação. 

Foi-se o tempo do amor e das poesias. E meu coração é só saudade do meu antes que amava imensamente e inocentemente. Recordo com carinho do azul fascinante em uma das faces mais instigantes da minha vida. Eram outros tempos, longínquos, misturados com os primeiros cortes no coração, este que ainda era sonhador e cheio de esperanças de uma vida intrépida.

Perdi-me na busca do que li e reli, do meu castelo de areia e ânsias. Estendi a mão e amei; e voltaram-se contra mim todas as minhas ações. Sou novamente tristeza em seu magnífico tom acinzentado.

Não quero este passado que assombra-me agora. Gostaria de ter o outro, da vivaz cor dos oceanos mais límpidos. 

São os meus fantasmas os monstros que alimentei e que tiram-me a paz. E deles quero apenas o esquecimento. 

Não existe escapatória desse distante registro dos erros da minha própria vontade de mudar o que nunca poderá ser mudado.

Sento-me. Mais tarde, com o aprendizado, haverá vinho das minhas próprias lágrimas. 

Versos Íntimos - Declamado pelo ator Paulo José

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ano novo... E mais histórias...

"Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre." 

(Carlos Drummond de Andrade; fragmento de Receita de Ano Novo, texto extraído do Jornal do Brasil/Dezembro/1997.)

Sim, mais um ano para o Café Quente & Sherlock, mais um ano para mim e mais um ano para você, caro (a) leitor (a). 

Comemos bastante, ganhamos uns quilinhos (eu mesma, nenhum!), fizemos promessas, daquelas como dietas de segunda-feira. Talvez não fosse o bastante querer um ano novo cheio de peripécias e aventuras, das boas, sim! Almejamos o divinamente difícil, a redenção, as desculpas, os amores inatingíveis, um belíssimo e magnífico dez em Mecânica Teórica (Ai, ai... Suspiro...). Porém, se não fossem essas metas hercúleas, a graça dos dias definharia em um poço de amargura.  

Para mim, muitas tarefas. Descobri a inimiga dos docinhos: intolerância à lactose. E não aguento mais tomar vitamina de banana com leite de soja. 

Minha coluna ainda dói, muito menos do que antes, mas continua irritadiça. Passaram-se rizotomia e fisioterapias; agora, mais exercícios e remédios dignos da Lúcia no céu com seus diamantes. Continuo na luta para vencer a dor crônica - lágrimas e esperança. 

Do ano que passou, levo pouco. Ao menos muito aprendizado sobre o pior do ser humano, suas vaidades e preconceitos. São tantos casos. Alguns merecem o degradê do esquecimento - sim, a cura homeopática - e outros recentes são, ainda, de difícil digestão. 

Lembro-me de um... Resquício das eleições. Uma pessoa considerada altamente inteligente em uma área, erroneamente, invade outra com a propriedade fajuta de quem acha-se discípulo encarnado e esculpido de Platão (por isso dignos de admiração são os polivalentes que, ao menos, sabem o valor da Língua Portuguesa e da educação.) - surge do nada, fala-me uns montes, em uma rede social, porque critiquei um conhecido pseudocolunista (de uma revistinha direitista de quinta). Eu estava errada, era uma trouxa, pela definição dele. O pseudoescritor deveria ser criticado pelo que ele achava correto - "Cresça, garota, e você vai entender!". E olha que nunca trocamos uma palavra antes do ocorrido. Temos a mais nova receita de um pobre iludido - mula empacada ao molho pomarola! 

Outra bem peculiar e recente aborda um recém-doutorado, graduado nas entranhas da universidade em que estudo. O bom moço regurgitou todo o desprezo existente pelos ingressantes em Física via ENEM - "No meu tempo era assim e assado; o curso tem baixo índice por causa dessas criaturas; tem que fazer mestrado e doutorado fora; essa universidade não presta; esses que se dizem inteligentes e tiram boas notas não sabem de nada; esses cursos dessa universidadezinha que possuem conceito A estão se enganando...". E mais uma centena de impropérios [com tanto conhecimento matemático e físico, será que sobrou espaço em uma mente tão valiosa para conhecer o significado da palavra impropério?].

Física é um curso estranho com muita gente ainda mais estranha: professores mortos-vivos e divinos, alunos que fazem de conta que sabem porque não podem aprender em sala de aula - perguntar o trivial é uma ofensa. Se Halliday ou o Carl Sagan ainda existissem, perguntaria se é necessário ter dons especiais para aprender Física, pois o que se passa nessa faculdade é uma feira das vaidades digna de Luís XIV - muitos querem ser o Sol, mas têm a personalidade de uma anã negra. 

E por fim...

Espero escrever mais. De todos os amores, esse é o que mais recompensa-me. Os outros espalharam-se em fragmentos miudinhos - pedaços de coração e tentativas. 

Que seja um belo ano - o despertar do adormecido!  


sábado, 28 de junho de 2014

Ferri durities temperatur igne, hominum poese et artibus*

"Eis que o tempo passou e os corações tornaram-se rochas polidas e refinadas, porém ainda rochas. A essência de passar para a nova geração a beleza do outrora perdeu-se. Os precursores das artes e poesia são desprezados e sobrevivem cabisbaixos e taciturnos, moribundos, de certa forma, em prateleiras empoeiradas. O futuro é preocupante. A relevância dos sentimentos descritos brilhantemente em palavras, tintas e notas que reluzem como gotas douradas de sol vagueia pelo escárnio - envelheceu. E os discursos limpos e prazerosos sobre ela estão em baixa.
Como sacerdotes da antiga Grécia em ruínas, os semeadores ainda espalham os grãos quase extintos. Todavia os frutos apodrecerão em uma estrada com muitos caminhantes. Se esse cenário se mantiver, em breve, lacunas que não poderão ser mais preenchidas serão uma realidade intransponível e as bases fortes e essenciais, consideradas antiquadas, logo serão derrubadas e substituídas. E será o fim daqueles que embelezaram o mundo apenas com a imaginação. E a dureza dos homens não poderá ser mais abrandada."



Colin Firth e Scarlett Johansson em Moça com Brinco
de Pérola (2003)
Em Moça com Brinco de Pérola (Girl with a Pearl Earring/Reino Unido/Luxemburgo/2003) há um diálogo que merece atenção: Johannes Vermeer (Colin Firth) explica a jovem empregada Griet (Scarlett Johansson) o que é uma base de cor, pois a moça indagou sobre um quadro que parecia não ter nenhum cor certa. Sendo assim, o pintor define que a base determina o tom, a sombra na luz, e quando esta seca, ele dá o acabamento. Para elucidar, pergunta a Griet de que cor as nuvens são e ela responde que são brancas. Vermeer sabia que Griet compreendia e espera pela resposta certa. Griet pensa mais e percebe que as nuvens possuem cores: amarelo, azul e cinza, ou seja, há cores nas nuvens. E ele finaliza: agora você entende. Mais tarde, no desfecho da história do filme, a esposa de Vermeer, furiosa, reafirma que Griet é analfabeta. Mas ela, a própria companheira de Vermeer, não é capaz de compreender a essência dos quadros dele, a beleza e a importância da demora na composição. A jovem empregada, mesmo iletrada, entende e admira, sabe o que pode mudar, por exemplo, a luz no estúdio e atrapalhar a pintura. Ela sabe que pode mover até mesmo um móvel de lugar para dar mais liberdade ao cenário de um quadro inacabado.

Em Os Contos Proibidos do Marquês de Sade (Quills
Kate Winslet em Contos Proibidos
do Marquês de Sade (2000)
/EUA/Alemanha/Reino Unido/2000
), a jovem lavadeira Madeleine (Kate Winslet) faz de tudo para que os livros do Marquês de Sade (Geoffrey Rush) sejam publicados, mesmo este estando decadente e confinado em um asilo. Ela adora ler os contos dele e os considera até mesmo divertidos e cômicos. O Marquês procura chocar, mostrando um lado proibido e faz uso desse para o entretenimento da sociedade. Só que não é aceito e muito menos bem visto. Porém faz sucesso no submundo e poucas pessoas o compreendem como Madeleine.

Nos dois exemplos há a quebra do muro do status social - o poder da compreensão é independente de saber ler ou não, de ser rico ou pobre. É como um instinto, mas somente inerente ao ser humano que nasce com ele.

E na compreensão das artes e da poesia reside, de forma cromossômica, a essência da humanidade - os sentimentos. Não os de origem vil e sim os que emocionam, despertam o amor, a compaixão e fazem rir. Esta percepção tira-nos da escuridão de bases mais selvagens e primitivas - os de posse, os territorialistas, os de sobrevivência a qualquer custo e do possuidor e do possuído. É uma janela aberta que é capaz de manter nossa alma limpa, mesmo com todas as sujeiras ao redor.

Agora vivemos, depois de épocas de frenesi cultural, um verdadeiro estupor, onde prevalece a insensibilidade. Não existe entendimento total das artes e poesia, muito menos da literatura mais trabalhada, ou das músicas mais esplendorosas.

Se estamos em época assim, como haverá o despertar da compreensão naqueles que nasceram e nascerão com essa percepção? Todos precisamos de estímulos e situações para descobrirmos o que nos fazem seres humanos, assim como Griet tinha as pinturas de Vermeer e Madeleine tinha as obras do Marquês. A pergunta que fica é: o que essa geração e a geração vindoura terão? Os novos alicerces são castelos de cartas e as referências diluídas. Sabe-se tudo sobre tecnologia, porém quase nada sobre a escrita. Sabe-se muito sobre a vida dos outros e muito menos como os de perto sentem-se. Sim, os corações transformaram-se em silício, silicone, plasma e LED. Não há tempo e nem vocação para doçura - a praticidade não deixa e o novo não importa-se com o velho.

Porém, enquanto houver uma fagulha da chama que mantém viva as artes e a poesia, bem como sua compreensão, sempre existirá esperança - uma das poucas dádivas que restou nessa caixa de Pandora em que vivemos.

E mesmo encoberto e, por muitas vezes, imaginário, ainda é um mundo maravilhoso, esperando apenas ser descoberto e sentido.

"Amai para entendê-las..." Bilac diria.

***


Palavras e frases latinas:

*Ferri durities temperatur igne, hominum poese et artibus
- a dureza do ferro é abrandada pelo fogo, a do homem pela poesia e pelas artes.

***


Fragmento extraído da parte XIII [Ora (direis) ouvir estrelas!] do poema Via-Láctea de Olavo Bilac, declamado por Juca de Oliveira, ator  e dramaturgo brasileiro.




quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

28 anos


Passou-se o dia 22 de novembro e agora mais um ano, dos tantos e muitos que desejo. 
Um aniversário diferente: a velha tristeza sentou-se para comer um pedaço de bolo, enquanto a alegria de um dia pintou-se com notas florais azuis e inundou o ambiente, declamando Vinicius. 

Soneto de Aniversário 

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

(Rio, 1942)

(Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 451.)


sábado, 23 de abril de 2011

Audiopost - Momento Mario Quintana - Poema I (A Rua dos Cataventos/1940)





Momento Mario Quintana
Audiopost com trecho do livro Poesia Completa Volume Único da Editora Nova Fronteira, ano de 2005, ISBN 978-85-209-2057-2. 

A Rua dos Cataventos - 1940
Poema I, página 85
Voz: T.S. Frank