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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Crítica da Semana: A Fonte da Vida (The Fountain)/2006 - Com explicação da história

Eis um filme cheio de simbolismo. Aqui a chave do entendimento passa pelos conceitos de reencarnação e aceitação da morte para semear a vida. Sua não linearidade é um convite para aqueles que pensam e gostam de cinema muito além do lugar-comum.

A Fonte da Vida (The Fountain/EUA/2006), quando foi lançado, recebeu muitas críticas espinhosas. O tempo passou e eu só assisti agora. E tive a sorte de ver logo após O Universo no Olhar (I Origins/2014) (crítica aqui), um filme muito ruim com uma ideia muito boa. E, ao contrário desse último, os assuntos mostrados, como a Ciência e Espiritualidade, caminham juntos sem que um tema desfavoreça o outro. A ideia de reencarnação, juntamente com a aceitação da morte para propagar a vida, tem seu próprio espaço, trabalhada de uma forma filosófica e na dosagem certa.

Mesmo antes das filmagens começarem, Darren Aronofsky, o diretor, enfrentou problemas. Ele planejou, originalmente, dirigir a obra com um orçamento de R$ 70 milhões e contava com Brad Pitt e Cate Blanchett para os papéis principais. Porém a saída de Pitt e o aumento nos custos levaram a Warner Bros. a encerrar a produção. Depois desses imbróglios, o diretor remodelou o script e ressuscitou o projeto com um orçamento quase pela metade do inicial (cerca R$35 milhões). O casal principal agora era outro, com os atores Hugh Jackman e Rachel Weisz. As locações de cenários passaram para Montreal e Quebec e a macrofotografia foi um dos artifícios usados para criar os efeitos visuais fundamentais do filme a um baixo custo.

A alma da película gira em torno das boas interpretações de Hugh e Rachel. A química dos dois é cativante. A versatilidade e talento de Jackman são notáveis. Seus três personagens são distintos entre si, mas procuram atingir o mesmo ponto e achar as mesmas respostas. E ele nos entrega exatamente isso com muita maestria. Weisz é mais contida, suas duas personagens são muito diferentes e não tem muito em comum. Entretanto isso apenas ressalta seu próprio talento na obra.

A Fonte da Vida alterna momentos entre o belo e o confuso. O que assusta os telespectadores mais ávidos pelo imediatismo. Contudo, como toda obra com um intuito mais profundo, faz-se necessário um olhar mais instigante e pessoal. Somente com esses dois elementos, seus segredos são revelados. Linguagens rebuscadas e consultas a obras acadêmicas (há artigos em português sobre o filme recheados de conceitos assustadoramente difíceis!) não são necessárias para seu entendimento, acredite!

Um filme tocante e visualmente deslumbrante, um daqueles que permeia os pensamentos por muito tempo. Muitíssimo recomendado!

Trailer de A Fonte da Vida
Legendado




***

Para um melhor embasamento, utilizarei aqui um bom artigo em inglês chamado A Fonte Explicada (The Fountain Explained) do site Philoscifi. A partir deste momento coloco o selinho de:



Explicações e organização

O filme é fragmentado, seguindo uma ordem não cronológica. Assim, temos uma bela bagunça para arrumar. Isso pode ser reduzido um bocado se aceitarmos a reencarnação como o elemento primordial da narrativa.

Dessa forma, Tomás/Tommy/Tom são reencarnações da mesma alma em um período dentro de mil anos até a descoberta da chave da imortalidade. Isabel/Izzy também reencarnou muitas vezes. E esse ciclo só é interrompido quando Tommy (o marido de Izzy) deixa a semente no túmulo dela, tornando-a uma Árvore da Vida.

Com essas premissas, podemos então reordenar as sequências do enredo para produzir uma linha cronológica:

Isabel e Tomás
Cena de A Fonte da Vida/2006
Passado - Isabel envia Tomás para uma viagem em busca da chave da vida eterna. Nessa missão ele encontra a Árvore da Vida, porém morre logo em seguida, pois sua ambição o torna indigno. Ambos, Rainha Isabel e Tomás, reencarnam até o presente.

Presente - Izzy está morrendo, mas aceita o diagnóstico pacificamente. Só que Tommy, seu marido, não aceita este fato . Izzy escreve A Fonte (The Fountain), um livro inacabado sobre seu passado, e pede ao marido para finalizá-lo. Ela morre. Tommy começa a investigar a Árvore da Vida e desvenda o segredo da imortalidade. Ele deixa uma semente no túmulo de Izzy e ela torna-se uma Árvore.

Futuro - Tom e a Árvore estão se aproximando da estrela moribunda Shibalba. A Árvore começa a morrer. Tom desespera-se, mas finalmente entende o significado da vida eterna. Ele abandona a Árvore e lança-se ao seu destino. Tom e a Árvore morrem na explosão da Estrela, espalhando a vida e criando o universo. Tom é o último homem e o Primeiro Pai.

A busca

A busca pela vida eterna é o esforço humano por excelência, atravessando todas as culturas e atividades ao longo do tempo. No filme, Tomás procura o Santo Graal (A Árvore da Vida) e Tommy a cura para o câncer. O primeiro corre atrás do místico e o segundo quer uma resposta científica. Tomás começa na selva, caçando uma lenda, e acaba no laboratório, perseguindo o científico. No entanto, o objetivo de ambos os personagens é o mesmo - a Árvore.

A história também pode ser vista como uma abordagem sobre a obsessão pela grandeza e o quanto essa jornada é solitária. Por mil anos, Tomás/Tommy/Tom estão, na maior parte do tempo, sozinhos. Eles só enxergam o que amam por partes e nunca como um todo. Tomás vê seus soldados morrerem na selva. Os pesquisadores que trabalham com Tommy esforçam-se sempre para acompanhar seu ritmo vertiginoso. E Tom, o último homem, sabe que todos que já conheceu e gostou estão mortos. E isso torna-se um fardo e uma agonia.

Trata-se, por assim dizer, de uma expedição pessoal para enfrentar nosso maior medo - a morte. Apesar de todo nosso conhecimento científico e crenças religiosas, a maioria das pessoas ainda têm medo de morrer quando esta hora chega. Assim como Tom, o viajante espacial, despido de todo o materialismo, cada pessoa deve aceitar seu destino sozinha, ou seja, ninguém pode fazê-lo por outra, mesmo que a ame profundamente.

A Jornada através dos nomes

Izzy e Tommy
Cena de A Fonte da Vida/2006
A evolução dos nomes do herói através da linha do tempo é uma parte importante da obra - Tomás, Tommy Creo e Tom. No Novo Testamento, em João 20:24-29, a aparição mais famosa de Tomé (ou Tomás) dá-se quando ele duvida da ressurreição de Jesus e afirma que necessita sentir Suas chagas antes de convencer-se. Essa passagem é a origem da expressão "Tomé, o Incrédulo" bem como de diversas tradições populares similares, tal como "Fulano é feito São Tomé, precisa ver para crer". Após ver Jesus vivo, Tomé professa sua fé em Jesus e então passar a ser considerado "Tomé, o Crente".
No filme, Tomás, o Conquistador, é um seguidor da Rainha Isabel. Este aceita a missão que a soberana destina-lhe. Mais tarde, como Tommy Creo, ele passar a ter dificuldades em aceitar a morte de Izzy. Este é um ponto interessante porque "Creo" em espanhol significa "Eu acredito". No final, Tom, o viajante espacial, sem título ou mesmo sobrenome, passar a acreditar e torna-se simplesmente um homem.

A Árvore

A Árvore é um grande símbolo neste filme. Não só tem laços religiosos (Árvore da Vida no Jardim do Éden, por exemplo), como também científicos. Muitos dos nossos medicamentos são extraídos de plantas. E esta é uma das razões pela qual os cientistas estão tão preocupados com a destruição das florestas. Pode ser que muitas delas, até então desconhecidas, sejam chaves para tratar doenças que no momento são incuráveis. As árvores são seres vivos muito próximos da imortalidade. Sabe-se que algumas espécies existem há mais de mil anos.

O Conquistador

O Ocidente tem uma visão extremamente polarizada do mundo - preto e branco, o bem e o mal e o certo e o errado. No começo, o conquistador é a religião, portanto a mão da justiça que está disposta a matar todos os que se opõem a ela. Nos dias atuais, o Conquistador é a Ciência, cuja a determinação de desmistificar o mundo enfrenta as fronteiras do fervor religioso.

O pensamento oriental é mais circular aceitando mais a pluralidade e a ambiguidade. E por seguir essa Filosofia, na maioria das vezes, é desvalorizado pelo Ocidente. Essa tensão pela busca do meio termo e da reconciliação permeia a obra de Aronofsky.

Tempo

A Fonte da Vida, de alguma forma, distorce nossa percepção do tempo. O filme parece ter mais tempo do que os 96 minutos de sua duração. Existem duas possíveis razões para isso. Primeiro, três histórias distribuídas em uma grande escala de tempo, contribuindo para um sentimento de épico. Em segundo lugar, o nível de intensidade emocional sustentada ao longo do filme e que deixa muitos espectadores exauridos até o final.

A Roda ou o Círculo

Tom, o viajante espacial
Cena de A Fonte da Vida/2006
Este é um símbolo muito comum no pensamento oriental. Não há começo ou fim, tudo está relacionado, fazendo parte do mesmo conjunto. Dessa maneira, destacam-se alguns dos seus usos e aparecimentos no filme:

Roda do tempo - A história inteira é um círculo. Tom é o primeiro pai e o último homem. Ele, presume-se, reencarnou muitas vezes (círculos dentro dos círculos) até tornar-se efetivamente imortal no final.

Ciclo de vida e morte - A morte gera vida e a vida leva à morte. Sem um, não existe o outro. Esta não é apenas uma ideia religiosa, na ciência há muitos exemplos, tais como o ciclo do carbono e a criação de elementos mais pesados ​​através de múltiplas explosões estelares.

Anéis do tempo - Uma ótima cena mostra como Tom, o viajante espacial, conta o tempo tatuando-se com anéis. É uma boa alusão aos anéis de crescimento, como os que uma árvore possui. Quando o tronco de uma árvore é cortado, nota-se que existem círculos escuros. Cada anel corresponde a um ano de vida desta. Nas árvores que vivem em regiões de clima temperado, esses anéis são bem fáceis de contar. Já nas espécies de regiões tropicais, como é o caso do Brasil, os anéis são difíceis de definir. Isso porque o clima influencia diretamente na formação desses anéis. A análise desses anéis de crescimento também comprovou que é possível reconstruir as oscilações de fatores do clima em certos períodos. Assim também acontece com os moluscos, que possuem anéis que dizem sua idade.

Anéis concêntricos - Quando Tom voa em direção a Shibalba, uma série aparentemente interminável de anéis concêntricos surge.

Nave espacial esférica - A esfera é basicamente a versão 3D do círculo.

O anel - O símbolo tradicional de amor e compromisso infinito. Tomás e Tommy, cada um, perdem o anel, uma vez como conquistador e outra como cientista. Isso acontece porque eles não estavam preparados e não tinham aprendido a verdadeira lição sobre seu significado. A lição só é absorvida por Tom, o viajante espacial, que recupera o anel do Conquistador para completar o ciclo (a roda) da vida.

Música - A música é minimalista, repetindo, insistentemente, os mesmos temas em ciclos.

Mais dicas

Iluminação progressiva – O filme fica mais leve à medida que a linha do tempo progride. Por exemplo, escuro (selva), tons silenciosos e neutros (laboratório) e brilhante (Shibalba).

Ouro - A cor dourada é usada porque simboliza o desejo e a obsessão e encaixa-se particularmente bem com o tema maia e espanhol. Também está conectado com o "ouro de tolo", algo que você cobiça, mas depois percebe que não é o que você queria.

O mapa das estrelas - A maioria das pessoas não se preocupa com os créditos (a não ser que seja um filme da Marvel), entretanto, neste filme, é uma parte interessante. Podem ser observados aglomerados de luz em segundo plano. Isso é, de fato, o que os cientistas dizem que aconteceu após o Big Bang.

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Fontes

A Fonte Explicada. Site Philoscifi. Artigo em inglês
A Fonte da Vida. Site Omelete.
A Fonte da Vida. Wikipédia em Português.
A Fonte da Vida. Wikipédia em Inglês.
A Fonte da Vida. Rotten Tomatoes. Site em Inglês.
A Fonte da Vida. IMDb. Site em Inglês.
Macrofotografia. Wikipédia em Português.
Dúvida de Tomé. Wikipédia em Português.
Você sabia que é possível descobrir a idade de uma árvore olhando o interior do tronco. Site EBC. 
Anéis de crescimento de árvores indicam histórico do clima. Hemocentro/USP.

Meio Eletrônico - E-books

terça-feira, 25 de julho de 2017

Crítica da Semana: Universo no Olhar (I Origins)/2014

Um filme ruim com uma ideia ruim pode ser até divertido, mas quando temos um trabalho péssimo advindo de uma ótima ideia, o único sentimento que fica é de um grande aborrecimento. Eis a definição exata para essa película.

Meu Deus do Céu... Fazia um certo tempo que um filme não despertava em mim um sentimento de antipatia. Algo um pouco perto disso veio com À Noite Sonhamos (A Song to Remember/1945). Portanto Universo no Olhar (I Origins/EUA/2014) conseguiu superar todas as minhas expectativas negativas. Ele, arrisco-me a dizer, deveria ser uma cartilha para todos os alunos de cinema, pois é sempre bom ter exemplos vívidos de como desperdiçar uma ideia interessante no campo da Sétima Arte.

Apesar de ser muito elogiado por aí e até ganhar uns prêmios no cenário independente, o filme tem uma construção que peca pela não profundidade em temas que insiste o tempo todo em comprar para si, como o encontro de almas, a morte e o luto. E, de quebra, ainda trata a reencarnação muito superficialmente, tanto pelo lado da religião como pelo da ciência. E a culpa respinga para tudo que é canto: direção, elenco e, principalmente, roteiro.

Vamos por partes...


O diretor Mike Cahill erra a mão feio, viu! Com quatro filmes no currículo, o seu A Outra Terra (Another Earth/2011) já o colocava no cenário cult promissor sem muito merecimento. Sua assinatura é o apelo pelo dramalhão travestido com uma roupinha mais descolada, underground e jovial, digamos assim. Essa sua obra de 2014 ratifica isso. 

O elenco é bem mediano, salvando-se somente Archie Panjabi (que interpreta Priya Varma), que ganha no quesito carisma e faz um grande esforço para dar credibilidade ao seu personagem, mesmo que esse esteja relegado aos momentos finais da película. Michael Pitt (que interpreta Ian Gray) está deslocado e não causa empatia, piorando ainda mais quando um luto muito estranho, por parte dele, é revelado. Na primeira oportunidade, atraca-se com sua assistente porque essa leva-lhe uma sopinha quente. Seu personagem melhora no final apenas, quando liga-se justamente à personagem mais sensata do filme, Priya Varma. Brit Marling interpreta Karen, a personagem oportunista de pesares. Ela não destaca-se além disso. Uma analogia com um urubu caberia muito bem aqui.

Dedico agora um parágrafo a personagem Sofi (interpretada por Àstrid Bergès-Frisbey). Sua presença tem uma grande parcela de culpa no desastre que o filme é. Ela deveria ser a parte espiritual, iluminada e sensata, passando uma serenidade típica àqueles que estão em um nível mais elevado em suas próprias crenças. Só que ao invés disso, a moça é enjoativa por demais. Seu ar misterioso do começo beira o ridículo, muito ajudado pela sua tentativa de inserir sexo em um contexto bem falso. E daí por diante a ladeira é o caminho certo. Ela restringe-se a partes de seminudez e nudez. Seu jeito de modelo sem cérebro é parecido com alguém que foi criado dentro de um desses cultos malucos. Com frases saídas de livros baratos de auto ajuda, ela mira na parte divina e acerta o new hippie chic. A cena em que ela morre, pelo amor... Lembrou-me os filmes do antigo Cinema em Casa do SBT. Poxa! Se era para a garota passar dessa para outra por causa de um elevador, que fizesse com ele caindo, lentamente, dando espaço para analogias e reflexão. Cortá-la ao meio, deixando-a em uma poça de sangue foi uma mistura de gore com impacto zero.

O final é insosso. Nosso desbravador descontextualizado finalmente encontra a íris única de Sofi na Índia. O renascimento é a prova que abala um universo inteiro. Era para ser majestoso... Entretanto não é. 

Aqui não cabe-me julgar as crenças e a ciência. Se o filme fosse bom, assim como a ideia que o cerca, um debate razoável seria estabelecido. 

Se quer um conselho, melhor assistir outro filme, talvez Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time/1980) na Netflix. Ao menos tem o Christopher Reeve e é de época. 



Trailer Legendado

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Livro da semana - A Volta: A Incrível e Real História da Reencarnação de James Huston Jr.

O livro que tenho é da: Best Seller
Ano: 2009
ISBN: 8576843692
Número de páginas: 320
Autores: Bruce Leininger, Andrea Leininger e Ken Gross (trad. Claudia Gerpe Duarte)
Preço-faixa: 35,90 (+frete)


A Volta: A Incrível e Real História da Reencarnação de James Huston Jr. é um livro que nos traz uma história extraordinária com uma riqueza de detalhes incrível. Nele a busca por uma explicação não prende-se a dogmas religiosos para dizer o que é certo ou errado, pelo contrário. Eis o seu grande mérito!

De todas as questões que permeiam a religiosidade e a alma humana, a reencarnação é uma das mais instigantes. Muitos estudos sérios abordam o assunto. O maiores exemplos vêm do Dr. Ian Stevenson (já falecido) e o Dr. Jim B. Tucker. O trabalho de ambos pode ser encontrado na Psychiatry and Neurobehavioral Sciences - The Division of Perceptual Studies - University of Virginia - School of Medicine e em vários livros e documentários sobre o tema com inúmeros relatos catalogados e minuciosamente descritos. Só que o livro de Bruce Leininger, Andrea Leininger e Ken Gross não é estudo e muito menos um livro científico, nem mesmo defende ou acusa qualquer fé que seja. É, acima de tudo, uma narrativa de pais que apenas queriam encontrar uma solução para o problema comportamental do filho e acabaram por descobrir duas histórias de vidas entrelaçadas e, ao mesmo tempo, separadas por mais de 50 anos.

James Huston Jr. e James Leininger, ou James 2
e James 3
James Leininger era apenas um garotinho de 2 anos de idade quando pesadelos sobre uma avião em chamas que caiu no mar começaram. Ao mesmo tempo, um fascínio (que beirava a fixação) por aviões crescia por parte dele. Os detalhes de seus sonhos e os relatos de lembranças sobre pessoas e lugares permitiram que seus pais, Bruce e Andrea Leininger, começassem uma busca incansável pela verdade por trás das palavras do menino. O resultado é a descoberta da história de James Huston Jr., piloto norte-americano que morreu na Segunda Guerra Mundial.

O mundo tomou conhecimento dessa história, primeiramente, pelo canal ABC que fez uma matéria sobre o assunto, em 15 de abril de 2004. Mais tarde o livro foi lançado.

O livro tem uma linguagem fácil e cotidiana e nos traz a reencarnação sem nenhuma ótica religiosa. A parte do registro fotográfico merece destaque - há fotos de Huston, das pessoas relacionadas a ele, amigos, família e dos aviões que pilotou. Há também desenhos de James Leininger com nítidas alusões ao acidente que matou Huston. Registros dos encontros de James com seus amigos e familiares da vida passada também fazem parte do acervo.

Um dos primeiro desenhos feitos assinado como
James 3, quando James tinha 3 anos. Figura do
Livro A Volta, p. 149.
O livro peca somente pelo excesso de relatos da vida pessoal e profissional dos pais. O começo torna-se um tanto irritante por focar exatamente nestes pontos. Porém, quando o assunto volta-se para a busca por respostas e as investigações sobre os pesadelos de James, sem rodeios ou desvios, o livro torna-se instigante a ponto de existir uma vontade de terminá-lo a qualquer custo.

A volta é, sem dúvidas, um livro que, independente do crer ou não crer em reencarnação, conta-nos uma história impressionante que mantém o leitor ávido por saber cada detalhe - o passado e o presente. Recomendadíssimo!




Primetime - ABC - sobre a reencarnação de James Huston Jr - 15 de abril de 2004 - Em inglês sem legendas.




Fox & Friends - Fox - James Leininger e suas família em 2013 - Em inglês sem legendas.




Documentário da Discovery Science - Ciência da Alma - Sobre reencarnação - Dublado 


domingo, 13 de dezembro de 2015

Da saudade de tempos imemoriais de outras vidas...

Estudar Exatas tem sido um grande desafio. Não tanto pela Ciência em si, que é bela e cheia de perseverança [apesar das vaidades que nunca entenderei]. A falta de espiritualidade de todos ao redor é um espinho pontiagudo.

Todos são de ferro e feitos de palavras agressivas soltas cronometradamente em larga escala. Cenários de disputas, mesquinharias e incompreensão. Ao mesmo tempo, são pálidos e frios, sem mistério, sem sal e muito menos açúcar. É como olhar grandes recipientes vazios encrustados de números e quantidade, fórmulas e desdenhos.

Há assuntos que não gosto de discutir [ou, ao longo do tempo, aprendi a evitar]. São eles, religião e política.

Assim que entrei no curso, foi dada-me a seguinte máxima: "religião não combina com Física.". Fiquei com isso na minha cabeça por muito tempo.

Pensei nos cientistas do Vaticano, Latim, Isaac Newton e todas as possibilidades românticas e poéticas de uma vida que pode ser clara, tranquila, espiritual, buscando o conhecimento sobre o mundo e sobre si mesmo. Contudo parece um assunto proibido, só murmurado em coxias, na calada da noite. Sinto-me numa fábrica ideológica imposta - ser e ser - não é uma questão, é a própria vida.

Dentro do meu próprio mundo, eu sou um paradoxo. Sou católica e acredito em reencarnação. Gosto da propriedade investigativa dos  Dr. Ian Stevenson (já falecido) e o Dr. Jim B. Tucker (Psychiatry and Neurobehavioral Sciences - The Division of Perceptual Studies - University of Virginia - School of Medicine)Do outro lado, meu modelo de profissional é o Carl Sagan - cético e divulgador nato da ciência, não a apavorante, e sim  aquela de um mundo que não precisa ser complicado, basta amá-lo para entendê-lo (igualzinho a Olavo Bilac que aconselhava a amar as estrelas para compreendê-las...).

Em nenhum momento entrei em conflito com esses dois mundos. A coexistência é a chave para a paz.

Sinto, cada dia mais, que aqui não é o lugar, o meu. Não consegui criar raízes e belas histórias. Não sinto saudade.

Falta-me o sentimento vivo e intenso. E ele existe e viveu ardentemente em mim.

Muitas pessoas alegam ter memórias de outras vidas (geralmente aparecem na infância, antes dos 7 anos). Outras sentem a falta inexplicável de algo que não viveram - um fragmento de uma vida esfuziante de outrora, de outro tempo, imemorial e longínquo.

Revendo Arquivo-X (1993-2001), cada vez mais identifico-me com o Fox Mulder. E, todos que assim se sentem, têm medo de, no meio acadêmico, acabarem com a reputação de estranho, louco e desacreditado.

O assunto vidas passadas também foi abordado na série - os carmas, pessoas que continuam ao nosso lado, as mesmas missões, os mesmos pecados e defeitos, inimigos, amigos e amores.

Hoje sinto-me letárgica. Não há um grande amor ou laços de amizades intensos. E assim é essa caminhada há alguns anos.

As perguntas permanecem abertas e as respostas perdidas. Porém há tantas histórias para serem vividas e redescobertas. Em algum lugar vaga, com a mesma impressão, alguém que também sente que um pedaço dessa vida está ligada a outras que, nesse momento, ocultam-se em labirintos que deixam escapar somente a sensação de que a alma é imortal e imutável.

Não se vive para sempre.
Vive-se várias vezes...


***

Este é o tema do filme para TV Minha Vida Na Outra Vida (Yesterday's Children - 2000/EUA/França). Ele foi inspirado no livro autobiográfico de Jenny Cockell. O Livro de Jenny, Yesterday’s Children: The Extraordinary Search for My Past Life Family (1993), relata suas lembranças de uma vida passada e sua jornada para reunir seus filhos de ontem que deixou ao morrer na Irlanda de 1932. O filme conta com Jane Seymour (a famosa Dr. Quinn e do belo filme Em Algum Lugar do Passado), Clancy Brown (Highlander e Sleepy Hollow) e o grande ator Hume Cronyn (que foi, também, marido de Jessica Tandy).

O tema é cantado por Jenn Mahoney e chama-se A Dream That Only I Can Know. Tem uma parte cantada em gaélico irlandês e outra em inglês - um trecho abaixo traduzido (Letra da música aqui).



"Escute o meu coração
E como ele segue um sonho
E ele leva a um lugar
Que somente eu conheço 
Para conhecer meu coração 
É preciso seguir um sonho 
Um sonho que apenas eu posso conhecer."