Lembro-me da primeira vez que vi o famoso "etarismo" de perto. E eu só tinha 27 anos. E foi assim...
"No auge da minha ilusão com o curso de Física, deixei-me levar pela inocência de que todos adorariam saber sobre os anos 90 e minhas preferências mais saudosistas. Estávamos em uma mesa do refeitório da UFMA. Um rapaz (que tinha no máximo uns 21 anos) fala isso: - Nossa, essa menina é velha demais!."
E ali eu perdi um pouco da minha essência. Melhor, a escondi, passei a suspeitar de mim mesma e das minhas qualidades. O que me causava um sorriso no rosto, um orgulho em falar, transformara-se numa espécie de LETRA ESCARLATE.
Não seria surpresa dizer que cursar Física foi um destino cruel e necessário. Eu precisava ver de perto que aquilo não era para mim, por mais que eu amasse Astronomia. Porém, ainda pergunto-me, como eu estaria se não tivesse passado por esse tipo de violência.
Como seria o meu eu hoje se tivesse passado por experiências mais agradáveis, tivesse os amores que eu desejei e acreditasse que a minha vida valesse algo significativo para o mundo? Melhor? Pior? São só suposições. O que eu sou hoje é o que eu posso oferecer no momento. Isso sim é a realidade fria.
Mudei. Me formei em História. Dei aulas de Contabilidade. Não fui paga. E ainda sinto um gosto do escanteio, da falta de conexões: com esse mundo e com o meu anterior que me mantinha verdadeiramente cheia de vida.
Antes desse ano terminar, eu preciso falar sobre o meu erro do ano passado. Eu mesma procurei isso, por motivos nobres e que foram a minha derrota. Eu falei do roubo da alegria de completar mais um ano a cada temporada. Roubaram a minha alegria de ter 27, de ter 35, dos 36 e, finalmente, dos 37:
"Numa tempestade de palavras hostis, nascida da boca de um homem maligno (e que eu não deveria ter novamente me aproximado), escutei - "Uma mulher de quase 40 anos!". Eu ainda posso sentir o peso, o desprezo, a vontade dele de me atingir e ferir, como em um deleite fervente por fazer exatamente o que pretendia. Eu tinha 35 e ele tinha 33."
Então, uma mulher ter 40 anos é motivo de escárnio? É o fim da dignidade da mesma? E eu nem os tinha ainda e ainda não os tenho. E, mesmo assim, foram-me roubados juntamente com a plenitude futura.
Em outro momento... No mesmo ano... Um rapaz de 26 disse que: "Nossa, tu é mais velha que o meu irmão mais velho!". Em um encontro.
E isso tornou-se rotina. Seriam as companhias? As escolhas de vida? Ou somente eu mesma?
Seria possível ter uma felicidade nunca sentida aos 37? Ou aos 40 anos? Parece bem improvável.
Não tenho mais o vigor anterior de escrever. Por isso essa postagem é para lembrar-me do que me machuca e do que preciso me curar. Aqui redijo com melancolia. Um sabor metálico de tristeza assola-me. E a solução? Não sei. Preciso de um psicólogo? Um psiquiatra? Aceitar a solidão e um mundo perdido para mim? Ou providenciar novos óculos, novos olhos e novos ares para esse novo ano? Quero um emprego fixo e meu tão sonhado mestrado. E também trabalhar em um museu e escutar as vozes silenciadas do passado.
Que seja um ano melhor... Pelo menos um pouco.
Tenho 39, mas desde os 37 que eu me sinto e digo aos outros que já tenho 40.
ResponderExcluirSou assim, se tô na merda é melhor mergulhar, mas não recomendo.
Psicólogo ou psiquiatra?
Tente todos, mas eu mesmo prefiro conversar com alguém mais inteligente ou mais vivido que eu.
Tentei um psicólogo a uns meses atrás, mas por 350 reais a hora eu entendi que meu problema maior era o dinheiro mesmo.
De certa forma funcionou, uma só sessão foi o suficiente: parei de reclamar da vida e cortei meus gastos mais fúteis.
Boa sorte no mestrado, mas recomendo ir atrás de um concurso público em paralelo.
Você escreve muito bem, deve ler muito.
Faça um concurso, muitos poetas se escondem atrás das estações de trabalho.
Obrigada pelas recomendações!
Excluir