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domingo, 30 de outubro de 2022

Agora sou licenciada em História: graduação terminada!

Tornou-se um tanto incômodo voltar aos assuntos mortos e enterrados. Entretanto, preciso fazê-lo. Não poderia deixar de falar de um ciclo encerrado, sendo que esse mesmo foi iniciado quando um outro teve um final triste. Saí do curso de Física, há quatro anos, e desisti de um sonho de infância. A realidade nua e crua levou-me a um diferente caminho - o curso de História.

E, no dia 26 de setembro de 2022, me tornei Historiadora, ou Professora de História, ou mesmo, simplesmente, Licenciada em História. Foi uma caminhada peculiar em uma área segura para enfrentar os fantasmas que teimam em se fazer presentes.

E por que tudo ainda persiste no cinza? Talvez seja a falta de um emprego, ou exercer a profissão em um Museu ou Arquivo (o ideal), ou mesmo refletir sobre os desejos de um Mestrado e um Doutorado que podem não acontecer tão rápido assim. 

Sinto falta de muitas pessoas que se foram. Seria muito interessante contar para as mesmas como é estranha a sensação de conquistar algo e, ao mesmo tempo, sentir-se uma injustiçada ou uma impostora. Como se nenhuma fatia do mundo pertencesse a mim. Avalio, algumas vezes, uma pequena nota de um suicídio imaginário. E endereçaria os meus preciosos livros para aqueles que saíram da minha vida como luzes débeis que se afastaram de um monstro. 

Tudo é tão pesado e humilhante. Nos últimos dois anos, deixei de escrever sobre o que eu sentia, pois não há sentimento; nem mesmo a raiva que movia-me como um combustível inesgotável. Inexistem amores das esquinas ou das praças, com seus rostos misteriosos e chamativos, pois meus olhos se fecharam e só enxergam o mal ou o desinteresse. Sou vítima da minha idade, do meu corpo e de mim mesma. 

E não os culpo. Afinal, há muitas pessoas jovens e notáveis por aí. Por isso afeiçoei-me ao conhecimento, aos estudos e a um outro universo. Melhor, apeguei-me aos mortos e suas narrativas de anos, décadas e milênios. Eles não podem me esnobar e deixam-me tocá-los gentilmente através das palavras escritas, fotos e outros acervos do passado.

Pudera eu resgatar aquela sensação de gosto de coalhada e maçãs e que, misturadas, criavam uma atmosfera de sabor ansioso e êxtase. 

Contudo, não há chance mais para isso. 

Assim, conformo-me e volto a pensar em uma nota sobre a morte da minha própria alma: condenada por merecimento. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Crítica da Semana - 1917/2019

1917 é uma obra-prima. Feito para ser visto no cinema em toda a sua grandiosidade. Sam Mendes leva-nos a uma viagem em dois grandes atos, cada um sem cortes aparentes. Uma única missão para dois jovens soldados dentro da I Guerra Mundial. As trincheiras nunca foram retratadas de maneira mais fiel e dimensional. É uma imersão dentro de um inferno dantesco e um espetáculo de iguais proporções.

Lanço essa crítica antes de escrever definitivamente sobre Coringa (Joker/2019) e que fui assistir quatro vezes no cinema com o mesmo entusiasmo inicial. Pensei que igual sensação não pudesse mais atingir-me. Que engano! 1917 é um dos melhores filmes que eu já vi em toda minha vida. E digo isso com a premissa de que filmes sobre guerra são difíceis para mim (apesar de ter apreciado muitos deles ao longo da minha vida), pois sou acometida, durante semanas, por um sentimento de que a vida é somente tristeza, morte e sofrimento, no qual reinam a barbárie e as decepções, todas envoltas pela injustiça. É difícil expor isso quando eu estou em um curso para ser uma futura historiadora. Entretanto sim, meus caros (as) leitores (as), enfrentar a Historiografia é uma tarefa que pode causar lágrimas constantes, pois o passado é cheio de sangue.

Só que 1917 traz consigo algo diferente. Primeiro, por ter como base a I Guerra Mundial, a Grande Guerra. Não há muitos filmes do circuito americano especificadamente sobre esse marco historiográfico. As exceções podem ser encontradas no cinema russo, como o bom trabalho Battalion (Батальонъ/2015) sobre as mulheres russas no front da I Guerra Mundial. Segundo, o filme de Sam Mendes é direto e sem rodeios. Começa e termina com uma determinada missão. Não existe mais do que isso: "Em 06 de abril de 1917, o general Erinmore (Colin Firth) informa a dois jovens soldados britânicos, Tom Blake (Dean-Charles Chapman) e William Schofield (George MacKay), que a inteligência, por meio de reconhecimento aéreo, verificou que os alemães não estão em retirada como se pensava antes, mas que um recuo tático havia sido feito para uma nova área de defesa. Com as linhas telefônicas de campo cortadas, Blake e Schofield são obrigados a entregar em mãos uma mensagem ao 2º Batalhão do Regimento de Devonshire, para cancelarem o ataque que poderá custar a vida de 1.600 homens.

Porém o mais impressionante é a parte técnica. Só para efeitos de comparação: se o Coringa de Todd Phillips é o que é pela atuação de Joaquim Phoenix, 1917 é igualmente por causa de seu diretor, Sam Mendes. Vale ressaltar que, apesar de toda a concepção voltar-se para a I Guerra Mundial, o arco central é baseado em histórias que o avó do diretor, Alfred Hubert Mendes (o sobrenome não nega, os Mendes têm raízes em Portugal), contava. Ele foi soldado na Grande Guerra e, muitas vezes, serviu como mensageiro por ser pequeno, rápido e ágil. Então trata-se de uma película ficcional, aprimorada com fatos históricos pela roteirista (junto com Sam Mendes) Krysty Wilson-Cairns. Com a história então em mãos, a monumental construção do cenário procurou reproduzir quilômetros e quilômetros de trincheiras em campos reais, espalhando efeitos feitos na raça e na coragem, indo de explosões, poços de lama, reproduções de cavalos mortos e cadáveres.



O Épico de Guerra de Mendes foi feito em One Shotum grande e já conhecido trunfo do cinema, para que o filme parecesse exatamente uma grande sequência dentro de uma específica linha temporal. É o famoso Plano-Sequência. A definição de AUMONT e MARIE é exatamente essa: "trata-se de um plano bastante longo e articulado para representar o equivalente de uma sequência (Dicionário Teórico e Crítico de Cinema, Campinas: Papirus, 2001, p. 231)." Desse modo, 1917 tem dois aparentes planos-sequência, mas que, de fato, trata-se da junção de alguns costurados em pontos específicos do filme (ao adentrarem lugares escuros). Menciono dois porque você saberá exatamente onde estará essa passagem quando assisti-lo. Curiosidade: em língua inglesa o filme é chamado de ONE SHOT no modo LONG TAKE. E o pioneiro nesse sentido foi Alfred Hitchcock e seu Festim Diabólico (Rape/1948).

Depois de assistir ao filme (e somente após isso!), as várias reportagens e vídeos sobre a produção do filme darão a dimensão do árduo fazer dessa jornada cinematográfica. Você se sentirá dentro da missão de Blake e Schofield graças ao esforço da equipe de filmagem que coloca o telespectador na narrativa em terceira pessoa, em primeira pessoa e em travelings (deslocamento espacial de câmera nos trilhos) sem nunca quebrar a sequência, passando por muros, cercas, subindo e descendo, com gente correndo e andando dentro da trincheira, com carros acima dessa com mais filmadoras e seus operadores. Devido ao ambiente apertado das locações, as câmeras em HD tiveram que ser adaptadas para serem as mais leves possíveis e assim facilitar toda a ação. Em entrevista ao programa do Jimmy Fallon, o ator George MacKay disse que os ensaios antes da filmagem levaram 6 meses. Isso mesmo. O filme é uma grande coreografia!

O filme e tão voltado para o realismo que até os ratos parecem de verdade. Assisti a um crítico falando que a película é tão imersiva que na hora do aparecimento dos roedores ele pensou: "Poxa, deve ter dado um trabalhão treinar esses ratos!" E esse é um pensamento momentâneo que nos acomete ao ver a obra, pois aqui sim os efeitos visuais são utilizados para ajudar e não para deixá-lo com cara somente do jogo Battlefield 1.

A fotografia é um ponto alto. A direção de Roger Deakins, que é um veterano da área com 15 indicações ao Oscar (contando com a de 1917), é um primor. As cenas noturnas captam o horror, a agonia e a beleza envenenada pela destruição, na qual as luzes deslizam suavemente pelas ruínas. É um trabalho deslumbrante. Se a fotografia é assim, a trilha sonora de Thomas Newman, também um veterano com 14 indicações a estatueta (incluindo 1917), é grandiosa e bela. Para se ter uma noção, a cena da corrida final de Schofield pelas trincheiras é acompanhada pela composição de Newman e ela torna-se ainda mais memorável com a sonoridade.

Além disso, as atuações são muitos boas. Das grandes estrelas, temos pequenas e importantes aparições, como as de: Benedict Cumberbatch (Sherlock/Jogo da Imitação), Andrew Scott (Sherlock/Fleabag), Richard Madden (Cinderella/Bodyguard) e o já mencionado Colin Firth (Orgulho e Preconceito/Discurso do Rei). Porém são as ótimas atuações dos garotos principais, MacKay e Chapman, desconhecidos* do grande público, que nos levam com seriedade a essa odisseia (*unknown tem sido mais utilizado nas mídias para falar dos protagonistas e considero um termo bastante complicado, uma vez que quem acompanha a BBC, ITV e mais emissoras britânicas já viu muito trabalho dos dois. Só nesse final de semana assisti dois filmes com MacKay, Amor em Tempos de Ódio/Where Hands Touch/2018 e Capitão Fantástico/Captain Fantastic/2016).

Um alerta! Os cartazes já revelam que uma hora a missão será apenas de um homem só. Portanto é Schofield que nos guiará até o destino final. Outro destaque são os figurantes, extremamente interessantes e que atuam maravilhosamente (pois não há nada mais frustante que um figurante apático olhando o horizonte, fazendo cara de paisagem).

No que diz respeito ao contexto historiográfico, pode preparar-se! Muita gente vai falar besteira sobre a I Guerra Mundial e o filme. Portanto vou citar uma crítica que você DEVE EVITAR, mesmo depois de assistir ao filme: a do canal OMELETE TV. Além das falhas técnicas, eles não sabem nada sobre a história desse período e apresentam argumentos fraquíssimos. Por outro lado, pessoas de peso também terão suas reclamações acerca do roteiro dentro da Grande Guerra. Por exemplo, do Waldemar Dalenogare Neto, que é professor universitário, com formação acadêmica na área de história e pós-graduação em cinema, além de membro da Academia Brasileira de Cinema. Ele mesmo deu nota 7 à obra. A crítica dele eu coloquei abaixo. São argumentos muito bons e bem fundamentados. E como estudante de História, vou deixar dois livros sobre a I Guerra Mundial. São eles de autores renomados e muito indicados dentro do próprio curso.

Sim, 1917 é tudo isso: grande, majestoso, épico. É bem feito, bem dirigido, bem ensaiado. Vale muito a pena assistir no CINEMA, pois é para tela grande, para um ótima poltrona e som de primeira qualidade. Faça um favor a si mesmo esse ano: NÃO PERCA POR NADA! É uma EXPERIÊNCIA inesquecível. Uma obra que ficará para a posterioridade e para ser sempre lembrada. 

NOTA: 
10 cafezinhos

Trailer:




Por trás da produção de 1917, trilha sonora, entrevista e críticas sobre 1917:












Para saber mais sobre as técnicas empregadas em 1917:


Livros para começar a entender a I Guerra Mundial:

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos. O Breve Século XX 1947-1991. São Paulo: Companhia da Letras, 1995.

GILBERT, Martin. A Primeira Guerra Mundial: Os 1.590 dias que transformaram o mundo. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2017.


sábado, 12 de outubro de 2019

Coringa, Cinema & História - o cotidiano solitário no meio de uma multidão incompatível

S..., 12 de outubro do ano de 2019.

Saudações.

Bom, por qual parte começar? Um mês inteira afastada; praticamente fagocitei setembro. Não se tratou de um desligamento da escrita. Jamais! Entretanto digo que o curso de História tem exigido muito de mim: compromissos, lecionar para as crianças do nono ano, estudos, algumas noites de insônia e uma certa dose de loucura e episódios de surtos.

E essa é uma parte complicada. Na última segunda-feira estive praticamente à beira de um colapso mental, com direito a um choro estrondoso, lamentos e quase um ranger de dentes bíblico. O motivo pode parecer o mais banal dentro do cenário em que os jovens universitários estão mergulhados em um oceano de desinteresse, portando-se como figuras patéticas e bufantes, que não sabem se expressar na língua materna, pensam apenas em beber algo muito vagabundo e extremamente barato em lugares nos quais a vulgaridade é uma senha principesca. Contudo não poderia sê-lo para mim. Perdi um fichamento no maldito Word e entrei em desespero. Foi a cereja de um bolo que assa em estresse, tarefas e muito pouco dinheiro. E mesmo ao recuperá-lo no momento final, o estrago mental já estava feito. Estou presa em um universo em que a única coisa que me pertence é o próprio curso de História e qualquer ponto fora do planejamento é motivo para um verdeiro apocalipse. 

Sim. Vivo em um limbo. Ninguém mais é interessante, nem mesmo desperta aquela admiração que é necessária para cotidiano, que alimenta a alma e causa um sabor na boca igualzinho ao de maçãs com coalhada. É uma espécie de filme verde, um tanto sujo, desesperançoso. Por isso sigo otimamente na solidão. E não pense que é uma queixa; ponho mais como uma questão de que esses sapatos calçam melhor. 

Assim, no último sábado, fui assistir ao Coringa do Joaquim Phoenix. Meu Deus do Céu! Fazia tanto tempo que eu não via algo que parecesse um pouco com o cinema que gosto: com filtros que gradualmente saem desse tom musgo, azul envelhecido e marron para as cores sádicas e eufóricas da loucura do amarelo e vermelho. Ao final, aplaudi em pé. 

Hannah Arendt
Só que essa experiência pediu uma outra apenas comigo mesma. Ontem fui na primeira sessão vespertina rever o filme. Comprei um ingresso para a cadeira mais espetacular de todas: a  da segunda fileira - 13B, que praticamente traga o telespectador e é evitada pela massa em geral. Peguei pipoca doce (a minha favorita) uma super Coca-Cola e fiquei lá embaixo como se não houvesse o amanhã e ninguém a mais além de mim e Arthur Fleck

Eu realmente deveria fazer isso mais vezes. 

Para o fechamento do dia, comprei um belíssimo livro da Hannah Arendt chamado As Origens do Totalitarismo. É mais um para o curso de História e que irá fazer companhia para o ótimo Peter Burke

Penso em gravar um podcast... Como nos velhos tempos... Talvez saia essa semana. Será sobre o lado psicológico do filme Coringa ou Cinema e História (no contexto historiográfico). 

Essa é mais uma carta de notícias. Espero que chegue tão logo aos seus olhos.

Até muito em breve.

T.S. Frank

P.S: envio-te a música do Cream. Você entenderá tão logo (ou isso até mesmo já aconteceu!). 
Guarde isso:  - Olha o que você fez! A cidade está queimando por sua causa! - Eu sei. É lindo, não é?




domingo, 20 de janeiro de 2019

O legado romano cotidiano - Legatum e Legatus - Um pouco de Etimologia, Latim e História

Hoje, um dia frio e cinzento, com um pouco de dor na coluna, café e pão com cerejas, estava eu a refletir sobre meu próprio legado. Pensei até mesmo nesses acumulados de escritos (que podem desaparecer a qualquer momento pela vontade de terceiros) e até mesmo em minhas futuras aulas e palestras de História. Não pensei em filhos, nem em amores ou família, pois não me deu vontade alguma. A minha utopia (apesar de meus mestres insistirem sempre no sentido coletivo dessa palavra) é um dia recuperar aquela alma que acreditava na figura das paixões. 

Dito isso, vamos ao LEGADO e todas as suas explicações.

De acordo com o Dicionário Michaelis, temos DOIS TIPOS DE LEGADO: 

Legado - Parte I

JURÍDICO: disposição, a título gracioso, por via da qual uma pessoa confia a outra, em testamento, determinado benefício de natureza patrimonial; doação causa mortis.

JURÍDICO: parte da herança deixada pelo testador a quem não seja herdeiro por disposição testamentária nem fideicomissário.

HISTÓRIA, MILITAR: na Roma Antiga, era o comandante de uma legião.

[adendo: apesar da etimologia latina apresentada pelo dicionário está correta, para esse tipo específico de militar romano antigo, a denominação em Latim é LEGATUS, ou melhor, LEGATUS LEGIONIS, ou seja, O LEGADO LEGIONÁRIO. BUNSON, Matthew, A Dictionary of the Roman Empire, 1995, p. 228]

FIGURATIVO: aquilo que se passa de uma geração a outra, que se transmite à posteridade.

ETIMOLOGIA: Latim: legatum.

Legado - Parte II

Que ou o que é encarregado de qualquer missão diplomática.

[adendo: aqui chamaremos pelo GENITIVO de legatus, LEGATI, e que pode ser dividido em duas classes: 1) Legati ou embaixadores enviados para Roma por nações estrangeiras; 2) Legati ou embaixadores enviados de Roma para as nações estrangeiras e para as províncias. Esse sentido é que é usado para a designação eclesiástica citada abaixo. MURRAY, John. A Dictionary of Greek and Roman Antiquities. 1875, pp. 677-679]

ECLESIÁSTICO: 1) Aquele que desempenha a função de embaixador extraordinário da Santa Sé. 2) Prelado, geralmente cardeal, encarregado dessa embaixada.

DIPLOMÁTICO: na Roma Antiga, funcionário do Senado que se encarregava da administração das províncias.

[adendo: aqui temos o LEGATUS AUGUSTI PRO PRAETORE, nome dado a um homem de confiança que assumia uma província de Roma, significando O LEGADO DO IMPERADOR COMO PRETOR. MURRAY, John. A Dictionary of Greek and Roman Antiquities. 1875, pp. 677-679 ]

ETIMOLOGIA: Latim: legatus.

Agora... O que podemos perceber de ligação entre legatum e legatus? 

Que ambos, etimologicamente, tem o mesmo radical da palavra latina LEGO. Ou seja, derivam da mesma.

Abaixo fiz um esquema com o significado de lego e suas relações:



Espero que o meu legado aqui tenha contribuído um pouquinho para o legado de vocês, queridos (as) leitores (as).

Ah, e não CONFUNDA o LEGO LATINO com o LEGO DE BRINCAR. Esse último deriva da abreviação de duas palavras dinamarquesas "leg godt", que significa "jogar bem".


Fontes:

Etimologia e Latim:

Gramática Latina - Napoleão Mendes de Almeida - 30ª Edição - Editora Saraiva, 2011.
Dicionário Escolar Latino-Português - Ernesto Faria - MEC.
Dicionário Português-Latim - F. Magalhães - LEP - 1959.


História:

A Dictionary of the Roman Empire - Matthew Bunson. Google Books. Em inglês.
Legatus, um artigo por Leonhard Schmitz. Parte do livro A Dictionary of Greek and Roman Antiquities de William Smith. Universidade de Chicago. Em inglês.


Curiosidade



terça-feira, 1 de janeiro de 2019

É mais um ano!

Cá estou eu, em mais um ano, neste espaço de escrita. E lá vão-se, agora e realmente, quase dez anos de pequenos relatos, esses que podem ser, muito bem, a minha Micro História, um conceito novo que aprendi no curso de História. E, falando nele, digo que das minhas realizações acadêmicas iniciais, é a que até agora foi a mais feliz e saborosa, com um gostinho de torta de maçã e cafezinho da tarde.

Esse caminho de estudos leva-me a concretizações ainda muito particulares, assim como a muitas brigas para impor o meu ego (sim, muito grandioso). Entretanto é a primeira vez que eu sei que esses embates tornam-me segura de mim mesma, pois (não culpe-me por minha arrogância) sei como posso ser capaz e melhor. E, de antemão, o que pode impedir-me de ser reconhecida é o favorecimento dado a outros não tão merecedores (o que já, infelizmente, mostrou-se tão cedo). 

Ah... Criei trabalhos incríveis: falei sobre os manuscritos iluminados, explorei o meu inglês, passei madrugadas com pesquisas extraordinárias, impus a minha voz, debati sobre a Fome da Batata, na Irlanda, falei sobre o Cinema e suas concepções históricas, aprendi que não podemos fazer dos filmes documentos isentos de ideologia, entretanto podemos utilizar os mesmos para entender a sociedade na qual eles foram concebidos. Mostrei para a sala o James Dean e sua Juventude Transviada e também o David Lynch. Aprendi um pouco de Libras e conheci pessoas mais novas, muitíssimo mais novas. Um dos poucos momentos de tristeza nesse curso e que causou um específico desconforto espinhoso deu-se quando um certo jovem da sala, em conversas informais comigo, foi muito enfático ao falar da minha solteirice e meus trinta e três anos (não posso queixar-me do meu formato, foi dado-me um rosto muito bom!). Foi como se ele dissesse: "Eu tenho vinte anos e você está perto da morte e longe do despertar dos amores..." ou algo do gênero. Inquietou-me pensar que se fosse um HOMEM nas minhas condições, ele seria celebrado como um verdadeiro Deus, cobiçado em forma, pensamento e idade. O machismo, infelizmente, não está longe de acabar, mesmo entre os botões frescos de cravo.

Ainda continuo a trabalhar com mapas mentais e também sou bolsista do PIBID (Programa de Iniciação a Docência), acompanhando uma escola da rede estadual.

O novo governo nacional é um grande pesadelo, uma verdadeira distopia. É como mergulhar no terror. Passarei a tarde assistindo a filmografia e a nova série do Jim Carrey, Kidding. Estou agora mergulhada no universo dele. Ele é um ator excepcional e sua trajetória de vida merece um estudo. 

Passou-se mais um ano em que amei ninguém. Senti saudade da intensidade e fervor daqueles de outrora preenchidos por esse sentimento, mesmo que, na grande maioria, fosse unilateral, platônico e um fruto caramelizados da minha mente. Isso sim foi muito estranho. Será que estou no oceano da desilusão? Uma naufraga esperando apenas a morte? Ou falta-me a paciência e a limpeza dos rancores, a queima das recusas, o esquecimento das trocas e desprezo? São as reflexões que podem levar-me as respostas que preciso.

Por aqui, então, termino. E deixarei a primeira música que escutei nesse dia de muitos outros que foram enebriados pelas promessas e imaginação.

sábado, 11 de agosto de 2018

Piers Paul Read - De um livro da adolescência para a descoberta de um machista escritor

Capa de O Oportunista/1973
Não é fácil ser uma mulher. E é assim desde os tempos de Eva, Jezabel, Madalena e outras figuras do escárnio bíblico. Mesmo com o movimento feminista a todo vapor, a empatia da maioria dos homens é quase ínfima perto do que poderia ter-se a essa altura.
Eu não odeio o sexo oposto. Entretanto, ao longo dos anos, ele passou do status de delicatesse para uma figura invasiva, ávida por penetrações e satisfação do próprio ego e falo. Os homens, na grande maioria das vezes, tornam-se patéticos por pensar que são os únicos indivíduos que saciam nossos desejos. A ignorância e má vontade são seus piores inimigos.

Pois bem, já que estamos falando do machismo, cabe aqui dizer que nem mesmo a minha coleção literária escapa ilesa. É certo dizer que algumas obras favoritas cairão no limbo, empurradas pela revelação das ideologias nefastas de seus escritores.

E foi assim com Piers Paul Read e um dos livros da minha adolescência - O Oportunista (The Upstart/1973), lançado aqui lá pela década de 1980 e que só fui ler quase nos anos 2000. Ele estava esquecido até outro dia, pois o primeiro exemplar esvaiu-se com as inúmeras mudanças de casa e cidades. Contudo o saudosismo não me deixou esquecer de Hilary (um homem, pois sim!) e suas desventuras. Comprei um exemplar usado pelo site de sebos Estante Virtual. E lá fui procurar mais sobre o autor...

Piers é, antes de tudo, um católico britânico fervorosíssimo e que deixaria qualquer horda de beatos Os Sobreviventes - A Tragédia dos Andes (Alive: The Story of the Andes Survivors/ 1974) e que virou o filme Vivos (Alive/1993/Com o Ethan Hawke).
Contracapa de o Oportunista/1973
no chinelo pelo grande apego as suas convicções. Nascido em 1941, foi educado por monges beneditinos e formou-se em História por Cambridge, onde obteve também seu grau de Mestre. É responsável por

A religiosidade fanática sempre foi e será um empecilho para a aceitação de que as mulheres são iguais aos homens em intelecto, força e potencial. E são por bravatas como essas abaixo que, por mais erudita que seja a pessoa, qualquer traço de admiração por seu trabalho é mirrado:

"Você não encontra qualquer evidência de que as mulheres estão insatisfeitas com a sua condição antes do século XVIII [...]. Eu acho que as mulheres viam como ordem natural o fato de que o homem deveria ser o chefe da família, o que foi também aprendido com os ensinamentos cristãos. Por isso elas desempenhavam este papel doméstico. E eu acho que as feministas provocaram um ressentimento contra os homens que persiste até hoje." (Piers Paul Read , 18 de julho de 2010, The Guardian)

"Independentemente da teologia ou dogma, eu acho as crianças muito vulneráveis ​​e eu acho que elas são as vítimas do triunfo do feminismo à medida em que ele é parcialmente culpado pelas enormes estatísticas da separação de pessoas que não casaram. Eu diria que a educação das crianças é mais importante do que qualquer outra coisa, e eu acho que é muito difícil para as mulheres seguirem uma carreira e criarem filhos. [...] Eu não acredito que o feminismo tenha feito as mulheres felizes..." (Piers Paul Read , 03 de julho de 2010, The Guardian)

Há muito para analisar...

Livro: Os Sobreviventes
A Tragédia dos Andes/1974
Vejamos a primeira declaração. Um historiador que afirma que as mulheres antes do século XVIII estavam plenamente satisfeitas com seu papel de parideiras e gerenciadoras de refeições é de uma percepção assustadoramente idiota. Afinal, que ser humano não teria medo de, um vez colocado o seu total desgosto com sua própria condição, ser: separado dos filhos, posto em um manicômio, ter um apedrejamento moral e físico (o que acontece até hoje), entrar para a classe dos párias, além de assassinatos pela tal defesa da honra (masculina) e outras perversidades? Ele, usando muito bem a construção de argumentos para deturpar, faz de sua condição de estudioso da área um atestado de que TODAS AS MULHERES eram donas de casa por um prazer quase nirvânico. Seria bom que ele aceitasse que as feministas não provocaram sentimentos ruins contra os homens. É que a modernidade trouxe também um conceito talvez bem novo para este senhor: o direito das mulheres.

Já a segunda sentença... Meu Deus... Todos são culpados pela separação de um casal: as mulheres, o cachorro, os jornais, os livros, o remédio, a TPM, o psiquiatra, a falta de psiquiatra, menos, é claro, os homens! Como ele pode dizer que o feminismo não deixou as mulheres felizes? Isso seria mais uma vez o mansplaining do escritor gritando? Chega a ser engraçado o fato dele ignorar que as crianças não são educadas apenas pela mãe, que há um pai que tem mãos, boca e cérebro não só para espalhar sua testosterona territorial. Gostaria muito que ele falasse isso diante de todas as mulheres que criaram seus filhos trabalhando (com ou sem um pai presente) e sobreviveram bem, assim como as proles, e desempenharam um papel ótimo.

Essa tal felicidade proporcionada pelo amor e proteção dos homens parece um daqueles slogans cafonas e antiquados da antiga URSS para promover os grandes feitos da nação. Colocando minhas próprias experiências na mesa, digo que meus momentos mais infelizes e miseráveis foram ao lado de homens. Nenhum deles me proporcionou prazer algum, todos tão enfadonhos e medíocres em seus mundinhos pequenos de machos alfa. Neste ponto concluímos que boa parte deles espera de relacionamentos estáveis e casamentos, além do famoso transar para fazer filhos (porque depois vem as amantes e prostitutas), uma outra mãe, pois eles não suportam a ideia de viverem por conta própria. Isso sim pode explicar uma das origens da famigerada ordem natural das coisas.
Senhor simpático: Piers Paul Read

Depois de todo esse desvelar, pergunto-me qual será a minha reação ao olhar novamente aquele livro que devorei há tantos anos. É um tanto quanto desolador esse tipo de iconoclastia: não se trata apenas de quebrar uma imagem. A luta para não matar toda uma uma obra é a parte mais difícil. 

De qualquer maneira, nunca mais verei a criatura e o criador da mesma forma. O machismo é realmente um ceifador feroz: destrói corpos, vidas e boas lembranças literárias. 
As mulheres estão felizes por deixar as feministas serem duramente criticadas: poucos estão preparados para defender o movimento que deu direitos às mulheres. É por isso que o Piers Paul Read pode atacá-lo sem ser desafiado. Artigo em inglês - The Guardian Eletrônico



domingo, 15 de julho de 2018

Novo curso: História - Um recomeço para vida acadêmica




Bem, PASSEI e estou DEVIDAMENTE MATRICULADA NO CURSO DE HISTÓRIA. 

Voltei para a mesma universidade pública e federal de antes...

Se uma porta foi fechada, eu tinha, então, que abrir uma janela.

De modo algum desistiria de tentar obter uma segunda graduação e ter a possibilidade de mestrado e doutorado em uma área que tivesse afinidade.

Pensei primeiramente em Letras. Entretanto logo repensei... O curso nesta cidade não oferece uma opção de turno noturno, algo que a História já possui. Assim que arrumar um emprego CTPS, farei os trâmites legais para a migração, sem o prejuízo da perda de cadeiras (já que é o mesmo curso, só muda o horário).

O turno vespertino facilitará o meu trabalho home office (quando tiver demanda, se houver...), pois não tenho muito ânimo para sair de casa com os primeiros raios de Sol. Por fim, o curso de História é uma área que pode englobar, perfeitamente, muito da Literatura (a parte mais atrativa de Letras para mim).

Terei, claro, uma bocado de trabalho pela frente: montanhas de leitura, estudos e exigência de uma escrita rica. E isso lembra-me: QUE ÓTIMO QUE EU FIZ LATIM!

E que seja um caminho calmo, laborioso e cheio de recompensas!


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Carnyx - A Trombeta Celta de Guerra

Reconstrução da Carnyx de Deskford por John Creed.
Foto retirada do site do Museu Nacional da Escócia.
Lívio Tito escreveu: "Então notícias vieram que os gauleses estavam nos portões e tão logo gritos parecidos com uivos de lobos e sons bárbaros foram escutados." (apud Neil Oliver em Os Celtas: Sangue, Ferro e Sacrifício/The Celts: Blood, Iron and Sacrifice, episódio 01, BBC, 2015)

Essa descrição de Lívio (Titus Livius, 59 a.C. - 17 d.C.) sugere que esses sons bárbaros podem ter sido produzidos por uma peculiar trombeta de bronze usada como uma espécie de arma psicológica para aterrorizar o inimigo em incursões de guerra entre 300 a. C. e 200 a. C.

Esse instrumento belíssimo é um dos muitos que fazem parte da Cultura Celta. E para conhecê-lo melhor é necessário também saber um pouco mais sobre aqueles que o utilizavam - o povo da antiga região da Gália.

1. Os Celtas

Um druida, sacerdote Celta,
na visão de William Stukeley
em 1740. Figura retirada do
Livro The Ancient Celts de
Barry Cunliffe. P. 12,
1997.

Os celtas foram um grupo de povos que habitou uma vasta região da Europa. Compartilhavam muitas ligações em comum, dentre elas os costumes sociais, artes, práticas religiosas, e, principalmente, a língua. Eles são considerados os introdutores da metalurgia do ferro no Continente Europeu, dando origem, nesta região, a Idade do Ferro.

1.2 Os Gauleses

Famosa estátua em homenagem a
Vercingetórix. Localiza-se em Alise-
Sainte-Reine, leste da França. Foi
construída por Aimé Millet a pedido do
imperador Napoleão III e instalada em
1865.
Os gauleses formavam um conjunto de populações celtas que habitava a Gália, provavelmente, a partir da Primeira Idade do Ferro (cerca de 800 a.C.). Esta região, hoje, corresponde a França, Bélgica, Suíça, Inglaterra e uma parte da Itália. Eles dividiam-se em diversas tribos e cada uma dessas possuía sua própria cultura e tradições. Os arqueólogos acreditam que as raízes celtas desses povos da Gália derivam da expansão territorial de uma outra civilização - os celtas de La Tène (La Tène é um sítio arqueológico no município de mesmo nome, localizado na Suíça).

Um grande e importante chefe gaulês (da tribo dos arvernos) foi Vercingetórix (80 a.C. - 46 a.C.). Ele liderou a revolta gaulesa contra os romanos. Porém acabou por render-se a Júlio César após perder a famosa Batalha de Alésia, último confronto armado da Guerra das Gálias.

É comum achar que os gauleses eram um bando de guerreiros frustrados, saqueadores e brigões até que Júlio César os transformou em um povo civilizado sob a égide de Roma. A má reputação dos gauleses deve-se a textos antigos. Porém nada disso é verdade. Eles eram até muito evoluídos para a época, com uma refinada arte dos metais, emprego de técnicas sofisticadas para a agricultura e até mesmo um certo domínio de Astronomia e Medicina.

Há também de mencionar-se que algumas pessoas confundem os gauleses com os vikings - povos totalmente diferentes uns dos outros. Os vikings também povoavam a Europa, contudo em outra parte - a região da Escandinávia - que engloba, agora, a Suécia, a Dinamarca e a Noruega.

Se você, caro (a) leitor (a), é dessa turma, então vamos a um macete para não errar mais:

Somos GAULESES!
Sou um VIKING!

ASTERIX e OBELIX são GAULESES!


HAGAR, O HORRÍVEL é um VIKING!

MEMORIZE ISSO!





Agora que você sabe um pouco mais sobre O Povo Celta da Gália, vamos passar para o nosso ponto principal.

2. A Carnyx

Reconstrução de dois tipos de Carnyxes.
Foto tirada no Museu Celta em Hallein,
Áustria. 
Como já foi mencionado, a Carnyx era uma arma de guerra e os celtas levavam milhares delas para os campos de batalha.

A Carnyx consistia em um fino tubo de bronze curvado em ângulos retos em ambas as extremidades. A inferior terminava em um bocal e a superior alargava-se para encaixar-se em uma cabeça de bronze de um javali selvagem. Os historiadores acreditam que dentro dessa cabeça havia uma espécie de língua que vibrava de acordo com o ruído produzido pelo instrumento. A trombeta era tocada em uma posição vertical para que a cabeça do javali ressoasse bem acima das cabeças dos guerreiros.

Sobre isso o renomado trombonista britânico e o único tocador de Carnyx no mundo, John Kenny, fala:

"A Carnyx, claramente, foi usada para provocar medo nos inimigos na batalha. O som é produzido da mesma forma que uma moderna trombeta, trombone, trompa, tuba - você vibra seus lábios. Mas com esse instrumento o som é aprisionado no crânio de bronze e ele trabalha exatamente como nosso crânio porque nossas cordas vocais são amplificadas por todas as passagens nasais e pelo formato do nosso crânio. Esse é o porquê de nós podermos fazer um som sem abrir nossas bocas. É exatamente o mesmo com esse instrumento. O som não é projetado para frente, é radial e isso é extremamente incomum no mundo dos instrumentos musicais. O som dessas trombetas, acompanhadas por uivos e tiros, é considerado como uma intencional parte do plano de guerra designado para aterrorizar o inimigo. O mundo naquela época era um lugar muito quieto e esses instrumentos podem intimidar os seres humanos e tocar alto como um trovão e tão alto como o mar. Além disso, quando elas são tocadas na vertical, estão a 12 pés de altura (aproximadamente 3,6576 metros) e têm uma cabeça, então se você vê 12 ou mais delas saindo da névoa na manhã gritando como loucas, é bem possível imaginar que você está sendo atacado por uma raça de gigantes." (fala extraída de Os Celtas: Sangue, Ferro e Sacrifício/The Celts: Blood, Iron and Sacrifice, episódio 01, BBC, 2015)
 
John Kenny tocando uma réplica de uma Carnyx.
Foto extraída do site Carnyx & Co.

O historiador grego Diodoro Sículo (Diodorus Siculus,  90 a.C. - 30 a.C.) também menciona que:

"Suas trombetas são de um tipo peculiar e bárbaro que produzem um som desagradável."

2.1 A Carnyx de Deskford


Aquarela feita há 50 anos com os pedaços da Carnyx de Deskford.
Foto retirada do site do Museu Nacional da Escócia.

A Carnyx de Deskford é a cabeça de uma trombeta da Idade do Ferro. Encontrada no Nordeste da Escócia por volta de 1816, ela é uma obra-prima da antiga Arte Celta. Tem a forma de um javali selvagem, porém estava sem a juba, a língua e o tubo de bronze. Caracteriza-se por uma construção complexa, forjada por chapas de bronze e latão. Isso ajudou a datá-la, pois o latão não é nativo da Escócia, ou seja, isso significa que o material era metal reciclado romano. Com essa e outras evidências, um período entre 80 d.C. e 250 d.C. foi estimado para a sua construção. 

2.1.1 Réplica da Carnyx de Deskford

John Creed trabalhando na reconstrução da Carnyx. Quase
todas as ferramentas utilizadas nesse processo foram
usadas pelos artesãos da Idade do Ferro.
Foto retirada do site do Museu Nacional da Escócia.
A ideia para a reconstrução de uma Carnyx veio pelo compositor, músico e historiador musical Dr. John Purser. Seu desejo consistia em construir uma nova trombeta celta para trazer a música do passado e mantê-la viva. Com o financiamento do Glenfiddich Living Scotland Awards, do Hope-Scott Trust e do Museu Nacional da Escócia, este projeto foi realizado por John Creed.

As partes que faltavam foram reconstruídas a partir de comparações com outras achadas em diferentes partes da Europa. Embora os exemplares remanescentes sejam poucos, há muitas representações da Carnyx, especialmente nas esculturas e cunhagens romanas.

Alguns elementos são inevitavelmente especulativos, como, por exemplo, o comprimento e o diâmetro originais do tubo, embora as dimensões estejam dentro do intervalo conhecido. No entanto, a reconstrução é precisa no que tange o conhecimento atual.

O processo e o resultado da construção podem ser vistos no vídeo abaixo feito pelo Museu Nacional da Escócia (legendado em inglês).


2.1.2 A voz da Carnyx de Deskford

O vídeo a seguir, feito pelo Museu Nacional da Escócia, mostra o som da réplica da Carnyx de Deskford.



2.2 O Projeto Europeu de Arqueologia Musical - EMAP

O Projeto Europeu de Arqueologia Musical (EMAP em inglês) é um programa que visa realçar as antigas raízes culturais da Europa a partir de uma perspectiva inusitada: a musical, a científica e a sensorial. O ponto de partida escolhido foi a música, pois a música sempre foi percebida como uma necessidade primária de qualquer civilização digna desse nome. 
John Kenny com a réplica da Carnyx de Tintignac.
Foto tirada do site do Projeto Europeu de Arqueologia
Musical - EMAP

Com a duração de cinco anos (2013-2018), ela visa condensar a investigação científica e a criatividade artística, usando tecnologias modernas. Conta com a participação de sete países e dez instituições europeias.

Para esse projeto foram recrutados arqueólogos, musicólogos, pesquisadores, fabricantes de instrumentos musicais, compositores, músicos, cineastas, designers de som e artistas de multimídia, contando com o apoio científico e organizacional de universidades, museus, órgãos públicos, festivais de música, academias, centros de pesquisa e de arquivos de música. A União Européia financia 50% do programa (cerca de 4 milhões de euros.). O restante fica a cargo das dez instituições que participam e por várias outras iniciativas ligadas ao programa.

As principais atrações são alguns dos dispositivos musicais mais fascinantes criados pelo homem durante períodos históricos diferentes e as muitas interconexões que os produziram. E dentre flautas feitas de ossos, rombos, conchas e outros instrumentos musicais espalhados por toda a Europa, há a Carnyx, especificadamente a de Tintignac (uma região da França onde foram encontrados muitos artefatos arqueológicos.).

O representante desta parte é o já mencionado músico John Kenny. Ele ajudou a reconstruir a Carnyx de Tintignac. E desde 2014 ele apresenta-se em recitais e palestras por toda a Europa com a réplica. O instrumento foi reconstruído por Jean Boisserie, baseado na pesquisa de uma equipe de cientistas francesa, esta liderada pelo arqueólogo Christophe Maniquet.

O processo e o resultado da construção da Carnyx de Tintignac podem ser vistos no vídeo abaixo feito pelo Projeto Europeu de Arqueologia Musical.


O vídeo a seguir, feito pelo Projeto Europeu de Arqueologia Musical, mostra o som da réplica da Carnyx de Tintignac.


2.3 A Carnyx na Cultura Popular

O melhor exemplo encontra-se no famoso quadrinho francês Asterix. Há um personagem chamado Assurancetourix (também chamado Chatotorix ou Cacofonix) que é o músico da tribo gaulesa. Além da famosa harpa, ele também toca a Carnyx, como podemos ver na tirinha abaixo:

Tirinha retirada do artigo Instrumentos Musicais da
Antiguidade ilustrados nas Aventuras de Asterix,
o Gaulês, de Daniel A. Russel. Curso de
Engenharia da Universidade Estadual
da Pensilvânia/EUA.

Observação: a Carnyx desse quadrinho assemelha-se mais a Carnyx encontrada em Tintignac.

2.3 Considerações finais

A Arqueologia revela, todas as vezes que acha artefatos novos, que o mundo antigo era extremamente rico culturalmente. E que esse campo de estudo, juntamente com a História, é indispensável para entendermos nossa própria existência no contexto da mudança dos milênios até onde estamos hoje.

A combinação de Arqueologia, artesanato e música também mostrou-se uma poderosa ferramenta para decifrar esses pequenos fragmentos que surgem em áreas que já foram a morada de grandes e misteriosas civilizações.

O exemplo da Carnyx mostra que a sua recriação possibilita (mesmo que seja apenas uma réplica e que não possa garantir a fidedignidade ao som da originais da Idade do Ferro) uma visão mais apropriada aos usos e costumes de sociedades que foram marginalizadas e relegadas ao barbarismo pelos escritores gregos e romanos.

De fato, a descoberta, remontagem e apresentação da Carnyx é um tributo aos artesão e músicos que viveram e lutaram por sua sobrevivência e liberdade há quase 2000 anos.

***

Fontes

Documentário

Os Celtas: Sangue, Ferro e Sacrifício (The Celts: Blood, Iron and Sacrifice), episódios 01-03, BBC, 2015. Em Inglês.

Livros

Ancient Celts. Barry Cunliffe. Várias páginas consultadas. Editora Penguin Books. ISBN-10 0140254226. Em Inglês.
Kingdoms of the Celts A History and Guide. John King. Várias páginas consultadas. Editora Brandford. ISBN 0-7137-2693-8. Em Inglês.



Meio Eletrônico - E-books

História de Roma Antiga: vol. I: das origens à morte de César. Francisco Oliveira, José Luís Brandão. Google Livros. Várias páginas consultadas. Em Português.


Meio Eletrônico - Sobre gauleses e celtas

O verdadeiro Asterix foi derrotado por César. Site da Revista História Viva (Fora do ar). Em Português. 
Os gauleses eram bárbaros? Site da Revista História Viva (Fora do ar). Em Português. 
Vercingetórix - Wikipédia em Português.
Cultura de La Tène - Wikipédia em Inglês.

Meio Eletrônico - Sobre a Carnyx

Instrumentos Musicais da Antiguidade ilustrados nas Aventuras de Asterix, o Gaulês - Por Daniel A. Russel. Curso de Engenharia da Universidade Estadual da Pensilvânia/ EUA. Em Inglês.

Meio Eletrônico - Sobre o Projeto Europeu de Arqueologia Musical - EMAP

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Manuscritos Iluminados – Tesouros da Idade Média

Cena do filme O Nome da Rosa/1986
"Basicamente eu diria que as iluminuras estavam lá não como uma explicação, ou até mesmo como uma ilustração, mas como um modo de adicionar valor a Palavra de Deus." (Professora Germaine Greer, Universidade de Cambridge, documentário Illuminations Treasures of the Middle Ages - BBC)

Os livros modernos são uma comodidade. Cada texto é reproduzido mecanicamente em larga escala - um objeto reivindicado para o consumo das massas. Mas há muito tempo, quando cada livro era único e feito à mão, a palavra tinha uma espécie de magia e poder sobre ele. Por mais de 1000 anos, os manuscritos iluminados trouxeram estórias de mitos e lendas para a vida. Suas páginas brilhantes preservaram ideias das crenças religiosas e muitos mistérios sobre a Idade Medieval. E eles são muito importantes, pois contêm a maior parte da arte requintada medieval e cultura da Europa antes do século XVI.

1. Primórdios

Cena do filme O Nome da Rosa/1986
Quando o Cristianismo chegou até Roma, foi perseguido. Porém, gradualmente, a Religião Cristã cresceu no interior do próprio Império do século IV. Esse Cristianismo já não era mais o das pequenas comunidades, como no início - estava hierarquizado e modificado. Com o Edito de Milão (313 D.C., com o Imperador Constantino), foram asseguradas a tolerância e liberdade de culto para todos os cristãos no território do Império Romano. Em 380 D.C., o Imperador Teodósio decretou que a religião oficial do Império seria o Cristianismo e o mesmo, antes de morrer, em 395 D.C., instaurou duas capitais do Império – Constantinopla, no Oriente, com a Língua Grega - E Roma, no Ocidente, com a Língua Latina.

Quando o Império Romano do Ocidente esfacelou-se, apenas o Cristianismo Romano, na forma da Igreja Católica, sobreviveu. Com as Invasões Bárbaras, uma nova questão foi colocada – como cristianizar esses povos? Eles não eram analfabetos, eles simplesmente eram ágrafos – não tinham escrita. Então a necessidade de evangelizar esses povos tornou-se urgente. Paralelo a este movimento, alguns cristãos afastaram-se do mundo, concentrando-se em monastérios, com regras e trabalhos permanentes. Foram os monasticistas que dedicaram sua vida a religião, ao culto, as privações, as obrigações de voto e, principalmente, aos manuscritos iluminados.

2. Os primeiros mosteiros

O primeiro mosteiro apareceu no Egito, no deserto, com Santo Antão, no século IV (350 D.C.). E o primeiro mosteiro na Europa surgiu na parte Ocidental, no Monte Cassino, Itália, por São Bento de Núrsia, em 529 D.C., originando a Ordem dos Beneditinos.

Evangelhos de Lindisfarne - Iluminura
insular - Mosteiro da Inglaterra na
Ilha de Lindisfarne (hoje Holy Island) – 

Nortúmbria
No interior desses mosteiros, apareceu uma manifestação artística de monges feita para monges – as Iluminuras. E essas não tinham nenhuma finalidade de proselitismo. Eram cópias feitas para adornar os altares e para serem vistas pelos olhos de Deus – a Glorificação da Divindade.

3. As Iluminuras

O termo iluminura está ligado ao verbo latino illuminare (iluminar). O termo, no século IX, começou a ser utilizado pelos autores medievais para designar qualquer tipo de ornamentação ou ilustração de manuscritos. Neste sentido, illuminare significa destacar (tornar luminoso), através da imagem que determina certos aspectos do texto (para alguns autores este termo só é aplicado quando é utilizado o ouro ou a prata na pintura.). A palavra iluminura também é chamada de miniatura por alguns estudiosos que a fazem derivar da palavra latina minium (vermelho) e do verbo miniare que significa escrever a vermelho.

3.1 Do papiro ao códice

O papiro surgiu no Egito e era feito de fibras vegetais (há papiros desse material datados do século 27 A.C., achados na cidade de Tebas). E foi este papiro que chegou, no século 7 A.C, na cidade grega Pérgamo (hoje Bérgamo, na Turquia). No século 3 A.C., surgiu, então, o pergaminho (em homenagem a cidade) - um suporte para a escrita feito com couro de animais jovens (geralmente carneiro, cabra ou vitelo), tratado com água de cal, esticado ao sol e depois raspado com pedra vulcânica.

A vantagem do pergaminho em relação ao papiro é que o primeiro suportava a inscrição no verso e podia-se apagar também. Para escrever usava-se plumas, geralmente de gansos.

Entre o século III e IV D.C., esse pergaminho chegou na Europa Ocidental e foi utilizado nos mosteiros para cópia e ilustrações de livros. No século IV D.C., ele foi transformado em páginas retangulares e depois costurado. Assim surgiu o códice, que revolucionou o processo de transmissão da escrita, facilitou o transporte, a produção e conservação de imagens, já que no rolo as camadas de pintura estalavam frequentemente com o sucessivo enrolamento dos manuscritos.

[Até o século XV, o grande suporte para ilustração e escrita era o pergaminho. Só depois que o papel apareceu na Europa Ocidental, trazido pela expansão árabe. O papel já existia na China desde o final século I.]

3.2 Manuscritos iluminados – arte monástica

O Cristianismo é, efetivamente, a religião dos livros. Com essa definição, os mosteiros foram responsáveis pelas ilustrações destinadas aos livros do Catolicismo - as iluminuras.

No interior dos scriptorium (local do mosteiro destinado a criação dos manuscritos.) existiam carteiras, tinteiros, tintas pretas e tintas vermelhas de diversas origens. A preta, por exemplo, era originária da excrescência dos ovos de insetos deixados nas folhas dos carvalhos e posteriormente maceradas. Também era utilizado pigmentos de ouro ou folhas de ouro, a chamada crisografia, e pigmentos de prata ou folhas de prata, a argentografia.

Os monges que trabalhavam nas iluminuras eram classificados como: monge copista (antiquari), monge ilustrador (miniator – que, progressivamente, passa a designar todo aquele que executava qualquer ornamentação.) e monge rubricador - que se dedicava a fazer as letras capitulares das Iluminuras (Rubrica vem do latim rubrica, que significa vermelho, porém nem todas as capitulares eram dessa cor.).

3.2.1 O Manuscrito de Kells

O Livro de Kells (800 D.C) é o mais importante e maravilhoso objeto (apesar de não concluído) da chamada Arte Insular a sobreviver desde os primeiros séculos da Cristandade Celta. Cada página é magnificamente ornada com elaborados padrões decorativos e animais míticos que refletem a influência da tradição do trabalho com metais que marcou o período.

Escrito em latim, o Livro de Kells contêm os quatro Evangelhos do Novo Testamento, além de notas preliminares e explicativas, e numerosas ilustrações e iluminuras coloridas.

Monograma da Encarnação
Deus vivo e encarnado - Iniciais de Cristo
em grego - Livro de Kells
Ele deve seu nome a Abadia de Kells, situada em Kells, no condado de Meath, Irlanda. Os monges eram originários do Mosteiro de Iona, localizado numa das Ilhas Hébridas, situado em frente à costa oeste da Escócia. Iona possuía uma das comunidades monásticas mais importantes da região desde São Columba, o grande evangelizador da Escócia. Devido a multiplicação das incursões vikings, Iona tornou-se perigosa e a maioria dos monges partiu para Kells, levando o manuscrito para lá.

Tamanha era a fantasia materializada nessas iluminuras pelos escribas e monges do Mosteiro de Kells que sua obra foi considerada por um cronista do século XIII “não o trabalho de homens, mas de anjos.”.

O livro encontra-se exposto permanentemente na Biblioteca do Trinity College de Dublin – Irlanda.

3.3. Mudança – Arte Carolíngia

Enquanto as ilustrações ocorriam nas ilhas, no continente europeu, o chefe dos francos, Carlos Magno, através de uma série de vitórias militares, consegue centralizar o poder na Europa. Depois, em 800 D.C., ele é coroado pelo Papa o Rei Cristão do Ocidente.

Nesse período, há um esforço para recuperação dos padrões clássicos da arte da Roma Antiga - o que foi chamada Arte Carolíngia. As iluminuras ganharam traços da cultura romana clássica. E os monges passaram a trabalhar nos palácios.

3.3.1 O Livro Vermelho de Montserrat

O Llibre Vermell de Montserrat (O Livro Vermelho de Montserrat) é um manuscrito iluminado contendo canções do final da Idade Média. Foi escrito em torno de 1399. Seu nome provém da encadernação vermelha que recebeu no século XIX. Originalmente possuía 172 fólios duplos, dos quais 32 se perderam. 
Canção Stella Splendens
Livro Vermelho de Montserrat

As 10 composições que restam são todas anônimas. O Mosteiro foi um famoso local de peregrinação católica naquele tempo, possuindo um santuário da Virgem de Montserrat. As músicas do manuscrito são, na maioria, louvações a Virgem. Os textos das músicas são em catalão e latim e o estilo musical sugere que datam de bem antes da ocasião em que foram compiladas. 

Ele, hoje, está no Mosteiro de Montserrat, nos arredores de Barcelona, na Espanha.

Sua relativa simplicidade e belo desenho melódico fizeram com que as canções fossem gravadas por conjuntos contemporâneos dedicados à música medieval. 

Músicas

1. Canção: O virgo splendens (fol. 21v-22) (Oh Virgem esplendorosa)
2. Virelai: Stella splendens (fol. 22r) (Estrela esplêndida)
3. Canção: Laudemus Virginem (fol. 23) (Louvemos a Virgem)
4. Virelai: Mariam, matrem virginem, attolite (fol. 25r) (Louvemos Maria, nossa Virgem Mãe)
5. Virelai: Polorum Regina (fol. 24v) (Rainha dos pólos)
6. Virelai: Cuncti simus concanentes (fol. 24) (Cantemos juntos)
7. Canção: Splendens ceptigera (fol. 23) (Rainha esplêndida)
8. Balada: Los set gotxs (fol. 23v) (Os sete gozos)
9. Moteto: Imperayritz de la ciutat joyosa/Verges ses par misericordiosa (fol. 25v) (Imperatriz da cidade feliz/ Virgem, se por misericórdia)

10. Virelai: Ad mortem festinamus (fol. 26v) (Nos apressamos para a morte)

3.4 Fim de um período

Todo esse mundo veio abaixo com o nascimento das primeiras universidades no século XIII, onde os estudantes necessitavam de livros que fossem produzidos mais rapidamente, mesmo que fossem menos bonitos. Com a prensa de Gutemberg, em 1455, o declínio das iluminuras se iniciou.

No século XVI, as luzes dos manuscritos iluminados apagaram-se de vez. Na Inglaterra, com Henrique VIII e a fundação da Igreja Anglicana, muitos deles foram queimados e monastérios dissolvidos.

Alguns conseguiram preservar os livros que foram proibidos e trouxeram, assim, a história dessa rica arte para os dias de hoje.

A Universidade de Cambridge possui uma das maiores coleções de manuscritos iluminados do mundo - uma gama de diferentes tipos de livros religiosos.

Graças a perseverança dos antigos monges e técnicas de conservação avançadas, podemos testemunhar também o que, antes, era reservado somente para os olhos de Deus.

Recomendações

Filme

O Nome da Rosa (1986) - uma das obras primas de Umberto Eco que virou filme pelas mãos do diretor Jean-Jacques Annaud (Guerra do Fogo/1981). Através de misteriosos assassinatos em uma abadia, o cotidiano dos monges e as iluminuras são mostrados em seu esplendor. Com Sean Connery, Cristian Slater e F. Abraham Murray.

Livro

Idade Média, Bárbaros, Cristãos e Muçulmanos - Umberto Eco - Umberto Eco, com a colaboração dos mais importantes medievalistas de diversas disciplinas, nos leva em uma viagem envolvente e surpreendente através da sociedade, arte, história, literatura, música, filosofia e ciência deste período intenso da história da civilização europeia.

Disponível para compra em: Livraria Cultura (clique aqui)

Música

Jordi Savall & Hespèrion XX - Llibre Vermell de Montserrat (2010) - através de Jordi Savall, compositor e regente catalão, especialista em música antiga, e seu grupo, Hespèrion XX (agora Hespèrion XXI), este álbum traz uma performance energética e sofisticada das canções do Livro Vermelho de Montserrat.

Disponível para compra em: Google Play (clique aqui)

Luar Na Lubre – Les Set Gotxs/Faixa do álbum Mar Maior (2014) - O grande grupo galego mostra uma versão ainda mais energética e animada da canção que faz parte do Livro Vermelho de Montserrat.



Fontes

Meio eletrônico - Documentários e aulas

Illuminations Treasures of the Middle Ages - BBC. Ano 2008. Em Inglês.
História da arte II - UNESP - Iluminuras medievais: arte monástica - Parte 1. 
História da arte II - UNESP - Iluminuras medievais: arte monástica - Parte 2.
História da arte II - UNESP - Iluminuras medievais: arte monástica - Parte 3.

Meio eletrônico - E-books

Dicionário da Idade Média. Organizado por H. R. Loyn. Google Livros. Várias páginas consultadas. Em Português.

Livros 

Idade Média, Bárbaros, Cristãos e Muçulmanos. Umberto Eco. Várias páginas consultadas. Editora D. Quixote Books. ISBN 9789722049924. Em Português.
1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer. Patricia Schultz. Página 42. Editora Sextante/Gmt. ISBN 8575422162. Em Português.

Meio eletrônico - Artigos e Postagens

À descoberta da cor na iluminura medieval com o Apocalipse do Lorvão e o Livro das Aves - Departamento de Conservação e Restauro - Faculdade de Ciência e Tecnologia - Universidade Nova de Lisboa - Arquivo Digital - Iluminura Medieval. Em Português.
A luz e a sombra da iluminura - História, imagem e narrativas. No 15, outubro/2012 - ISSN 1808-9895. Em Português.

Outros

Constantino Promulga o Edito de Milão - Opera Mundi - Uol.
Livro de Kells - Wikipédia em Português.
Livro de Kells - Wikipédia em Inglês.
Carlos Magno - Wikipédia em Português.
Arte Carolíngia - Wikipédia em Português.
Livro Vermelho de Montserrat - Wikipédia em Inglês.