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sábado, 31 de dezembro de 2022

Etarismo e o ano novo... Alegria dos 37 roubados!


O que é a idade para uma mulher? Um número? Uma marca? Um simbolismo? Bem, depende. No meu caso, tive a felicidade dos meus anos como mulher roubados ano passado. Ou será que começou mais cedo? Talvez. 

Lembro-me da primeira vez que vi o famoso "etarismo" de perto. E eu só tinha 27 anos. E foi assim...

"No auge da minha ilusão com o curso de Física, deixei-me levar pela inocência de que todos adorariam saber sobre os anos 90 e minhas preferências mais saudosistas. Estávamos em uma mesa do refeitório da UFMA. Um rapaz (que tinha no máximo uns 21 anos) fala isso:  - Nossa, essa menina é velha demais!." 

E ali eu perdi um pouco da minha essência. Melhor, a escondi, passei a suspeitar de mim mesma e das minhas qualidades. O que me causava um sorriso no rosto, um orgulho em falar, transformara-se numa espécie de LETRA ESCARLATE. 

Não seria surpresa dizer que cursar Física foi um destino cruel e necessário. Eu precisava ver de perto que aquilo não era para mim, por mais que eu amasse Astronomia. Porém, ainda pergunto-me, como eu estaria se não tivesse passado por esse tipo de violência. 

Como seria o meu eu hoje se tivesse passado por experiências mais agradáveis, tivesse os amores que eu desejei e acreditasse que a minha vida valesse algo significativo para o mundo? Melhor? Pior? São só suposições. O que eu sou hoje é o que eu posso oferecer no momento. Isso sim é a realidade fria. 

Mudei. Me formei em História. Dei aulas de Contabilidade. Não fui paga. E ainda sinto um gosto do escanteio, da falta de conexões: com esse mundo e com o meu anterior que me mantinha verdadeiramente cheia de vida.

Antes desse ano terminar, eu preciso falar sobre o meu erro do ano passado. Eu mesma procurei isso, por motivos nobres e que foram a minha derrota. Eu falei do roubo da alegria de completar mais um ano a cada temporada. Roubaram a minha alegria de ter 27, de ter 35, dos 36 e, finalmente, dos 37:

"Numa tempestade de palavras hostis, nascida da boca de um homem maligno (e que eu não deveria ter novamente me aproximado), escutei - "Uma mulher de quase 40 anos!". Eu ainda posso sentir o peso, o desprezo, a vontade dele de me atingir e ferir, como em um deleite fervente por fazer exatamente o que pretendia. Eu tinha 35 e ele tinha 33."

Então, uma mulher ter 40 anos é motivo de escárnio? É o fim da dignidade da mesma? E eu nem os tinha ainda e ainda não os tenho. E, mesmo assim, foram-me roubados juntamente com a plenitude futura.

Em outro momento... No mesmo ano... Um rapaz de 26 disse que: "Nossa, tu é mais velha que o meu irmão mais velho!".  Em um encontro. 

E isso tornou-se rotina. Seriam as companhias? As escolhas de vida? Ou somente eu mesma? 

Seria possível ter uma felicidade nunca sentida aos 37? Ou aos 40 anos? Parece bem improvável.

Não tenho mais o vigor anterior de escrever. Por isso essa postagem é para lembrar-me do que me machuca e do que preciso me curar. Aqui redijo com melancolia. Um sabor metálico de tristeza assola-me. E a solução? Não sei. Preciso de um psicólogo? Um psiquiatra? Aceitar a solidão e um mundo perdido para mim? Ou providenciar novos óculos, novos olhos e novos ares para esse novo ano? Quero um emprego fixo e meu tão sonhado mestrado. E também trabalhar em um museu e escutar as vozes silenciadas do passado.

Que seja um ano melhor... Pelo menos um pouco.


segunda-feira, 4 de março de 2019

O ritmo da chuva

Dan Fogelberg Live Greetings from the West/1991
Se eu fosse você... Escutaria esse álbum. Tem no Spotify.
Eis que são dias de carnaval. As pessoas passam, cantam, deslumbram-se, tingem-se de luz e alegria. Encontram seus amores de um para sempre que durará uns três dias. E sim, a vida é dessa maneira a cada novo ano, enjoativamente colorida.

Observar tais acontecimentos é um belo exercício para a imaginação. O que será que aguarda essas pobres almas após a quarta-feira de cinzas? O choque da desilusão cotidiana, provavelmente. Entretanto se o mundo fosse feito apenas de realidade, não existiria a Arte, nem a Literatura e muito menos o Cinema. Não haveria poesia, nem cancioneiros apaixonados, muito menos a esperança solitária daqueles que esperam os navios retornarem, dia após dia, das longas jornadas pelo mar.

Viver é demasiado espinhoso para contentar-se somente com o que os olhos podem enxergar nos dias claros ou mesmo naqueles escuros delimitados por uma luz que projeta-se no quase nada. Não condeno o Carnaval, porém prefiro tê-lo ao meu próprio modo, em um ritmo de chuva que traz o frio, boas xícaras de café e gordurinhas que derretem no verão.

E essa passagem deixou o ato de escrever um pouco letárgico. Talvez seja uma falta passageira de vontade que retornou por um breve momentos ao escutar o Dan Fogelberg ao vivo.

Contudo não se engane! Há muito a dizer para aqueles que ainda querem e estão por perto, de alguma forma.

Por enquanto... Fico com as notas macias e diamantadas das gotas de chuva.


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

É mais um ano!

Cá estou eu, em mais um ano, neste espaço de escrita. E lá vão-se, agora e realmente, quase dez anos de pequenos relatos, esses que podem ser, muito bem, a minha Micro História, um conceito novo que aprendi no curso de História. E, falando nele, digo que das minhas realizações acadêmicas iniciais, é a que até agora foi a mais feliz e saborosa, com um gostinho de torta de maçã e cafezinho da tarde.

Esse caminho de estudos leva-me a concretizações ainda muito particulares, assim como a muitas brigas para impor o meu ego (sim, muito grandioso). Entretanto é a primeira vez que eu sei que esses embates tornam-me segura de mim mesma, pois (não culpe-me por minha arrogância) sei como posso ser capaz e melhor. E, de antemão, o que pode impedir-me de ser reconhecida é o favorecimento dado a outros não tão merecedores (o que já, infelizmente, mostrou-se tão cedo). 

Ah... Criei trabalhos incríveis: falei sobre os manuscritos iluminados, explorei o meu inglês, passei madrugadas com pesquisas extraordinárias, impus a minha voz, debati sobre a Fome da Batata, na Irlanda, falei sobre o Cinema e suas concepções históricas, aprendi que não podemos fazer dos filmes documentos isentos de ideologia, entretanto podemos utilizar os mesmos para entender a sociedade na qual eles foram concebidos. Mostrei para a sala o James Dean e sua Juventude Transviada e também o David Lynch. Aprendi um pouco de Libras e conheci pessoas mais novas, muitíssimo mais novas. Um dos poucos momentos de tristeza nesse curso e que causou um específico desconforto espinhoso deu-se quando um certo jovem da sala, em conversas informais comigo, foi muito enfático ao falar da minha solteirice e meus trinta e três anos (não posso queixar-me do meu formato, foi dado-me um rosto muito bom!). Foi como se ele dissesse: "Eu tenho vinte anos e você está perto da morte e longe do despertar dos amores..." ou algo do gênero. Inquietou-me pensar que se fosse um HOMEM nas minhas condições, ele seria celebrado como um verdadeiro Deus, cobiçado em forma, pensamento e idade. O machismo, infelizmente, não está longe de acabar, mesmo entre os botões frescos de cravo.

Ainda continuo a trabalhar com mapas mentais e também sou bolsista do PIBID (Programa de Iniciação a Docência), acompanhando uma escola da rede estadual.

O novo governo nacional é um grande pesadelo, uma verdadeira distopia. É como mergulhar no terror. Passarei a tarde assistindo a filmografia e a nova série do Jim Carrey, Kidding. Estou agora mergulhada no universo dele. Ele é um ator excepcional e sua trajetória de vida merece um estudo. 

Passou-se mais um ano em que amei ninguém. Senti saudade da intensidade e fervor daqueles de outrora preenchidos por esse sentimento, mesmo que, na grande maioria, fosse unilateral, platônico e um fruto caramelizados da minha mente. Isso sim foi muito estranho. Será que estou no oceano da desilusão? Uma naufraga esperando apenas a morte? Ou falta-me a paciência e a limpeza dos rancores, a queima das recusas, o esquecimento das trocas e desprezo? São as reflexões que podem levar-me as respostas que preciso.

Por aqui, então, termino. E deixarei a primeira música que escutei nesse dia de muitos outros que foram enebriados pelas promessas e imaginação.

sábado, 31 de março de 2018

Réquiem

Requiem aeternam dona eis, Domine; et lux perpetua luceat eis.
Repouso eterno dá-lhes, Senhor, e que a luz perpétua os ilumine.

(Introitus - Requiem em ré menor, K. 626, Mozart)

Latim
Requiēs - descanso, repouso
f (genitivo requiētis); terceira declinação.

É um momento difícil para escrever. De vez em quando, creio eu, as pessoas que contam um pouco das suas vivências e de seus devaneios por meio das palavras sofrem, em maior ou menor grau, com o gosto amargo de ter inspiração nenhuma. E estou nessa fase, um tanto melancólica, empurrando os acontecimentos, sem excitação, tal qual uma andarilha a desfazer-se.

Posso citar muitas coisas que estou fazendo e isso pode parecer bem animador.

Estou...

... Redigindo um artigo para terminar minha Pós/MBA em Contabilidade Pública, trabalhando com Mapas Mentais no modo homework para um aplicativo de Educação Corporativa, indo ao pilates, planejando estudar para concursos públicos e fazer mais cursos de capacitação, voltando para a Auto-Escola e assistindo a Netflix no final de todas as noites.

Parece uma vida agitada e cheia de possibilidades, entretanto algo anda a atormentar-me, como uma dormência parcial. Sinto que vivo uma realidade indiferente, que nunca pertenceu-me. Assemelha-se a vestir a roupa de outro ser e que usurpei o seu lugar. As pessoas que esperam algo dela não fazem ideia de que eu não posso satisfazê-las.

Todos os dias escuto sentenças cruéis sobre uma criatura que não deveria ser do modo como é. Ela deveria existir para fazer-se ideal e assim suprir as expectativas daqueles que nunca enxergarão além das cercas dos seus lugares de origem.

Eu não desejava exatamente essa Pós de Contabilidade Pública, quero mesmo estudar História, Arqueologia, Literatura, Cinema, Música, participar de rodas de poesia com pessoas ávidas e instigantes e que almejam os prazeres das minúcias. Gostaria de tomar café e falar sobre os livros que contam as experiências reais de George Orwell. Meu trabalho com Mapas Mentais gera apenas 63% de um salário mínimo por mês e quando há demanda (depois de um tempo de aflição, acabei de verificar que já recebi pelo trabalho desse mês.). O pilates causa-me dor e a instrutora transparece uma falsidade sem precedentes. Estudar para concursos públicos é um fardo e a Auto-Escola, bem... É sempre um evento traumático.

Ontem soube que um colega do meu ex-curso de Física teve seu plano de estudos aprovado. Ele já está no curso desde 2008 (e nessa época faltava pouco para que eu me formasse em Ciências Contábeis na mesma instituição...). Só em uma cadeira, ele reprovou incontáveis vezes, sendo a última no semestre que passou. Ele ainda veio-me falar que sentia muito por mim e que pelo menos eu estava fazendo uma pós e estava na frente dos que ficaram. Fiquei em estado de cólera e se estivesse falando pessoalmente com o mesmo, teria cometido uma barbaridade. Só que o meu problema não o engloba. A minha raiva direciona-se aos professores e ao maldito e inútil colegiado (o que foi relatado minuciosamente em outro texto). Para mim, foi a morte de algo, uma grande ilusão embrulhada em papel de sonho, e, neste momento, passo pelo Requiem e não sei quando o rito terminará.

Eu sempre vivi numa solidão extrema, mesmo acompanhada por muitos. Tentei suprimi-la com amizades débeis e descartáveis e com relacionamentos odiosos e abusivos. Entretanto este estado recente é ainda mais obscuro, pois está nu, de pele ao vento, reluzindo como um farol que não deixa-me esquecer do meu desterro... Longe daqueles que completam-me.

Todos sumiram. Foram cuidar das suas vidas e dos assuntos e pessoas de seus interesses. Noto que enquanto estavam em uma situação frágil e distanciados dos olhos e toque dos que amavam, procuravam uma morfina para abrandar o deslocamento temporário. Assim saíam à procura da pessoa mais disponível. E como em toda revoada, ao atingirem suas metas, partiram para onde pertenciam, deixando os mortos e feridos para trás.

Pergunto-me como superar seis anos e alguns meses de apostas altas, de erros e desvarios. Indago-me como esquecer os rostos e as falas. Meu receio é que esta existência esteja falhando e eu não cumpra o propósito que foi-me designado. Sou uma pecadora imperdoável e meu carma pode-se estender além do infinito.

Acomete-me uma enjoativa enxaqueca e meu estômago padece há dias. Deus, mantenha-me em minha própria mente, pois longe dela sobrará de mim apenas poeira e escuridão.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Falta de ar

É Carnaval. E todos estão entopercidos, imersos em prazeres, alegria e agitação.... Bem, exceto eu.
Ah, esta vida é muito pretenciosa, cheia de gentilezas compradas, atenção e cuidados brilhantemente falsos e corpos harmoniosamente costurados por histórias da vida alheia. É como viver em um universo odiosamente emprestado.
Algumas notícias surgem de conhecidos, com suas novas vidas e decisões. Nesse momento, vem-me o desfazer das débeis linhas que um dia aproximaram-nos. Olho para trás e pergunto-me o que realmente foi concreto, ou se, considerando o mundo nu e cru, as ilusões caramelizadas não passaram de desvarios carbonizados. Concluo que somos facilmente esquecidos ou substituídos quando a pele não mais reluz as partículas de excitação pela novidade.
Estou com crise de asma. E ter essa falta de ar, repentina e audaciosa, é um mergulho em queda livre em um oceano de memórias juvenis desagradavéis. Anseio por respirar livremente... Em todos os aspectos da minha vida.
Fogem-me as palavras bem escritas dos letrados, estudados e diplomados. Entretanto sobra-me uma convicção solitária de que posso ser cronista do meu eu incompleto e cinza.
Sou quem posso ser no momento, aquela que odeia recados com palavras tiradas de livros de auto-ajuda, que escuta o Antologia do Bread quase todas as madrugadas, que acha maravilhoso esperar o final de semana para assistir Arquivo-X e os filmes do Carpenter e que perdeu a confiança, admiração e a fé em quase todos que um dia conheceu... E... Mesmo assim... A esperança de achar uma resposta para meus anseios impera.
Preciso de um sorriso desses que tornam-se uma lembrança indestrutível. Mas é uma época difícil... As boas almas foram-se e restaram-me os meus algozes, estes prontos e solícitos por navalhar a minha carne.

domingo, 31 de dezembro de 2017

31

31 é um número esquisito, cheio de mistério, mas sem misticismo algum. É um primo daqueles que você não dá a mínima, como um desses infelizes parentes que a vida tratou de distribuir aos montes.

Entretanto, todos os anos, os terráqueos comemoram essa data como uma passagem exultante, um ritual sagrado que irá purificar todas as maldades feitas, expurgando assim todos os demônios para que nasça um novo ser. E estes, já no primeiro dia, farão tudo que, anteriormente, livraram-se e de forma extremamente potencializada.

Ao longo de alguns bons anos, eu mesma tentei socializar-me, mergulhando na atmosfera das festividades do ano novo vindouro comercial. Saí por aí com companhias tão interessantes como agasalho de lã caxemira no calor. E voltava dessa tramoia com a sensação de que a vida é uma eterna farsa, recheada de retoques, ambição e filtros para esconder as imperfeições (sem contar as inúmeras prestações acordadas para o vestido que nunca foi usado novamente). Não havia graça, as conversas eram pífias e os sorrisos vulgares ecoavam em uma vertigem que tomava conta de mim - um carrossel do horror com mascarados assustadores.

Só que a roda da existência realmente trabalha e transforma...

Na noite da sexta-feira que passou, recebi uma mensagem de um ex-colega da minha primeira faculdade. Esta era bem eloquente: - Estou na cidade, venha ver-me! Por um golpe de má sorte (ou não!), há um dois dias, uma virose apossou-se de mim, causando-me febrícula e dor de cabeça. Entretanto, para quem busca diversão, isso não configura impedimento. Em outros tempos, não seria indiferente este convite a mim.

Pensei e repensei em uma maneira de fugir dessa situação. Poderia apenas responder, marcar e não ir? Ou apenas contar um pouco da verdade, omitindo o real significado? Fiquei com a segunda opção. Livrei-me logo desse peso.

Evito, ao máximo, encontrar pessoas que participaram do meu cotidiano. Talvez, devido a relâmpagos de felicidade diabética, de vez em quando, ressurjo e mando alguns cumprimentos para estas criaturas e falo do passado, para depois sumir no nevoeiro da minha realidade. Lembranças daquela época são resquícios das tentativas de ter o meu próprio Show de Truman. Chega desse espetáculo de quinta categoria!

Minhas sandálias de ermitã começam o contato com a estrada poeirenta.

E o que eu quero da vida? Bem... Isso eu não sei ao certo e não será por causa de uma contagem de segundos que o oráculo do destino revelará suas concretas intenções. Mas é mais do que óbvio que tenho vontades.

Uma delas é curar-me da dor crônica e essa ânsia comparo com o poema do Quintana, Utopia. E desse pesar que tenho, gostaria de eliminar dois extremos: as pessoas que são indiferentes por considerar uma doença corriqueira e aquelas altamente piedosas que objetificam-me no seu conceito de coitadismo.

Sim, eu quero sair de casa e ter o meu próprio canto, comprar a minha vitrola para tocar meus vinis, decorar meu espaço com o quadro gigante do poster dos Beatles que comprei em São Paulo, junto com Casablanca e Cantando na Chuva.

Preciso de um emprego! E temos aqui uma necessidade e não um querer.

Nesta existência, hei de ir para a minha tão sonhada jornada a Galiza - fazer o Caminho de Santiago de Compostela.

Entrarei o ano esperando os DVDs que comprei do The Cure, o Acústico do A-ha, Jerry Lee Lewis e Concert Central Park do Simon & Garfunkel. Mandei todos para casa de um conhecido e um do Elvis (Live Hawaii) voltou e tive que buscar no CDD mais próximo porque a mãe dele não reconheceu a encomenda, apesar de todos os avisos... Talvez eu tenha um trabalhão para ter o restante em mãos ainda.

Não desejo amores e muito menos presenças em demasia. Quero muita tranquilidade, isso sim.

Quer saber... Assim como no Natal... Eu comerei bastante e depois ficarei a noite toda em claro, na nova poltrona reclinável, fazendo a digestão. Vou rir da degradação humana, ter um ou dois pesadelos, pensarei sobre reencarnação, escutarei Van Morrison e depois dormirei.

Concluo que a passagem de ano novo, assim como é hoje, não passa de um embuste bem disfarçado de promessas e ilusões rasas celebradas com fogos de artifício irritantes.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Mais um Carnaval!!!

Desejo a todos os leitores (as) um ótimo feriado e muita diversão!




domingo, 25 de dezembro de 2016

Mais um Natal...

Então, eu não tenho muito para escrever sobre o Natal. O que eu tinha para falar sobre ele foi escrito anteriormente, em outros anos...

Deixarei um vídeo do Drauzio Varella que explora bem o assunto natalino...

... É uma boa ferramenta para reflexão.

E sim... Eu estou com meu bucho cheio até agora - chutei a intolerância à lactose por hoje, comi muito panetone, Chester assado na cerveja, salpicão, farofa e bebi litros de Coca-Cola.

Hoje permiti-me ser um pouco feliz. Esqueci minhas dores físicas e psicológicas.

Estou com a minha família, o que realmente importa... O restante... Bem, deixarei para os comentários do Ano Novo...

Este é o meu milagre de Natal. 



domingo, 27 de dezembro de 2015

Natal e Ano Novo - A constatação dos dissabores anuais

Florbela Espanca
O meu talento!... De que me tem servido? Não trouxe nunca às minhas mãos vazias a mais pequenina esmola do destino. Até hoje não há ninguém que de mim se tenha aproximado que me não tenha feito mal. Talvez por culpa minha, talvez... O meu mundo não é como o dos outros, quero de mais, exijo de mais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê! (Florbela Espanca, Desafinado Desconcerto: Contos, Cartas, Diários. Iluminuras, 2002. P. 271)

Florbela é uma achado. Assim como Augusto dos Anjos e sua poesia cortante e realista em metáforas negras, ela aproxima-se de mim com a alma parecida, uma vida de angústia e decepções.

E, nesse final de ano (com o Natal que passou e o Ano Novo que aproxima-se), mais constatações da minha vida: minuciosamente detalhada em seus poemas.

Veja o destaque, frase perfeita, avassaladora e ratificadora: Até hoje não há ninguém que de mim se tenha aproximado que me não tenha feito mal. Talvez por culpa minha, talvez... E assim o é - sem delongas e sem drama, apenas a verdade nua e crua. 

Natal é uma época para a família. Sim, aquelas de comercial ou das pessoas felizes e bobas, satisfeitas com o raso, o multicolorido instantâneo e suas vidas recheadas com sopa de orfanato. A felicidade parece bombom de quinta comprado com moeda de um centavo. 

Natal também lembra-me esperança, o menino Jesus, os desenhos católicos e o catecismo. Era a época em que eu podia ser tudo, claro, na imaginação. Quando somos pequenos, mesmo com as mazelas do dia a dia, as perseguições, pobreza e o destrato na escola (bullying de hoje), o espírito inquietante e a esperança são o mais tenro combustível da alma. Poderíamos, para sempre, ser infantes, ou, ao menos, ter um ínfimo do brio de outrora só para sobrevivermos com o mínimo de dor. Porém crescemos e enxergamos o mal, o preconceito, o descaso e o descarte.

As ceias, antes esperadas, só mostram agonia, problemas domésticos, queixumes. A grande maioria das pessoas que amo e gosto, e que gostaria que estivesse ao meu lado nesse momento, tem outras prioridades, outros amigos mais importantes, outros amores. Muitos deles enganaram, viram apenas algo passageiro, um número, uma nota musical solitária para coleção particular. 

Foi um ano terrível, cheio de tristeza e pesar. Apunhaladas, fofocas, pessoas insanas, coração partido e toda sorte de desgosto. Seres humanos ruins foram coroados, idolatrados e elogiados. E vivem agora seus contos de fada - com beleza, riqueza, belos rebentos, atenção e glorificação. 

Amar tornou-se difícil. E os fracassos apareceram - controle, crítica e dizeres para alimentar a baixa auto estima. Não amei este ano - foram 365 dias estéreis. E não lembro-me de uma época assim. E espero não ter nada parecido por anos. 

Sinto-me presa. Aliás, sempre estive. Sou escrava das convenções, dos dramas alheios, das imposições dos outros. Não tenho dinheiro e nem um rumo certo. Vivo de lampejos de felicidade imaginária e sorrisos soltos. Estes, aliás, causados por pessoas não próximas; talvez, as melhores e mais sensatas que já entraram em minha vida. 

A vida como ela é - cinza. 

Mas quero chuva. Porque ela possui o mais belo céu, o cheiro enebriante de terra gotejada, frio, eletricidade e, antes, bem antes, o arco-íris da infância, cheio de Matemática e Física. Portal de frenesi, palco de cores em tons pastéis. É um espetáculo raro por estes tempos.

Há apenas raios cegantes de sol, com cores vivas e artificialmente alegres, enjoativas. Sem bases e discussões. 

[Fale-me de Beatles, dos Celtas, qualquer ato sólido e artístico. Tire-me desse mar de lama alheio! Ofereça-me uma café com leite quente e um bolinho boliviano. Seja um estranho encantador, alguém para sempre, mesmo por instantes.]

Hoje, pós-natal, e depois que todos comeram como animais, pensando em Papai Noel (minha época favorita ainda é a Páscoa, ao menos, lembram de Jesus), estou com mais um episódio forte de dor nas costas. Existem dias com menos dor, porém ela sempre está lá - companheira inseparável. A cronicidade do meu dia a dia.

Das coisas boas, uma descoberta incrível: um musicista celta - Greg Joy. Também voltei a assistir Arquivo-X e tem sido muito divertido. Agora toco Flauta Nativa Americana - NAF que amo e acalma-me (ninguém nunca me deu forças para tocá-la e assim que o fiz, muitas críticas vieram, não porque eu toco mal, pelo contrário, e sim desdenhos ou o velho descaso, fora que ela é considerada um objeto que ocupa espaço, muito indesejável no começo). 

O curso de Física continua um show de horrores, claro, para mim (porque NUNCA vão dizer algo parecido, afinal, cada um cuida da sua própria vida acadêmica e esses assuntos são terminantemente proibidos. A premissa é que somente os fortes sobrevivem, pois fazem parte disso o egoísmo e também a falta de apoio). Contudo é como disse um amigo e jovem escritor certa vez para mim - Termine isso! E tire sua bunda daí! Não há nada que te segure, não há raízes, não há nada espetacular e forte. Só que é bem difícil manter-se na linha e focada. São tantos problemas, tanta desarmonia e a falta de uma figura para admirar. Episódios recorrentes de desrespeito acontecem, a última, e que me abalou muito, eu já contei em uma postagem anterior.

Vista área de Newgrange - Irlanda
Uma vez terminada toda essa jornada excruciante, poderei começar uma nova vida, longe, muito longe daqui, sem levar nada e ninguém na bagagem. Sem laços, sem história, apenas a vontade de
recomeçar. 

Essa é minha única promessa para o novo ano. Difícil? Exato. É a chave da minha liberdade, minha chance de renascer e poder ter fé em mim, no meu talento. O preço é alto, nada mais que o esperado. Aqui, agora, não há pessoas que acreditem em mim. Essa tarefa é somente minha.

Raio de luz em Newgrange, Solstício de Inverno
Desejo a todos (as) os leitores (as) um ano mais calmo e produtivo. A paz é a lacuna a ser preenchida e a saúde, pois bem sei, é essencial. Do resto, cada um precisa ter ou arrancar da alma, mesmo que seja dolorido. 

E, dessa forma, que as nossas vidas possam ser como a luz que entra em Newgrange a cada Solstício de Inverno - o lembrete da esperança que nunca falha!





Uma linda música celta de Greg Joy!


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Um novo ano - Chronos e sua essência

Tenho a sensação de reforma, recomeço e novos caminhos. E isso era somente a passagem do ano - tão simbólico. Porém não sei... Da minha janela apenas vi bêbados e a luz débil amarelada a cegar-me. Meus ossos não me deram paz. Fiquei por aqui, na cama,a espreitar, por um buraquinho, a alegria de plástico de muitos e pensei - ah, melhor deixar para o dia dois - meu doce quotidiano!
E foram fogos, beijos, juras de amor, brigas, começos e términos.

E no que pensei? Não me lembro. Podia ter pensado na minha casa de madeira, junto aos pinheiros e meu rebanho de ovelhas brancas. Muito longe, lá no Sul... Um dia.

Lembrei de qualquer coisa, disso eu sei.

O que um ano todo trouxe, não há de apagar-se em um dia.

Sem mágica, sem espírito. 

Enganar-se e fazer falsas promessas é enfadonho, pueril e bobo.

Eu acredito no trabalho e na construção.

E se o primeiro dia foi o primeiro tijolo, então, celebremos esta nova etapa.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz 2012... De praxe...

É mais um ano que se vai. Conclusão imediata - Estou ficando velha (experimente estar numa turma de faculdade onde a maioria nasceu muito depois da queda do Muro de Berlin - I hate 90’s!).

Estou igual ao poema da Cecília Meirelles...

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração

que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?


Tudo bem... Ainda falta uma quantidade razoável para o ‘de repente trinta’. Contudo já estou em crise.

(Santo Antonio não foi legal esse ano - neeeeeeem um pouco!)

Os problemas não irão acabar de um dia para o outro - nem o Jack Bauer, Super Homem, Obama e a Fada Madrinha dariam jeito em tantos (quem sabe aguarrás).

Então, 2012 não será um recomeço - e sim apenas mais um prazo para dar cabo de todas as merdas, cafajestes e mal feitos do ano anterior.

E só.

Feliz ano novo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Happy Birthday, dear Little Jesus

Senhor Jesus,

É mais um ano... Sei que já são muitos, nem dá para contar nos dedinhos.

Eu sei que o Senhor fica muito triste pelos the mamas & the papas que ensinam que o Sr. Noel é mais importante. Só que como Vosmecê e sábio por demais, nem se preocupa tanto.

E, querido Je, as coisas não estão fáceis. E o mundo esta pior que Sodoma e Gomorra.

Ano passado eu disse que não gostava de Natal... Eu sei... Eu sei... Contudo é mais uma questão interior, cê sabe... E o Freud e o Jung...

Eu também não fui uma boa garota. Na verdade, em algumas situações, eu me comportei como aquele João Bobo que os guris traquinos chutam – maleável, idiota e chorona. Meu subconsciente xingou muitas pessoas, desejou que seus cabelos caíssem e espinhas nascessem em suas faces.

Não cumpri aquela primeira promessa, lembra? Só que eu andei conversando com umas amigas e elas escreveram-me no VEAA - Viciados em Alguém Anônimos - e já estou limpa há quase um mês. Estou tentando, viu, Jesuzinho...

Perdão, perdão, perdão.

Peço desculpas pelas coisas ruins que falei para algumas pessoas e desculpo aquelas que me falaram também.

Quero agradecer pela família (apesar da fragmentação), pela comida, pela casa (apesar de...), os amigos da faculdade, pela Física e pela Astronomia, o livro na Pior em Paris e Londres do George Orwell, os Beatles, o Queen, Dire Straits, Pink Floyd, New Order, Pet Shop Boys, Faith No More, Nat King Cole, Luar Na Lubre, John Denver, Creedence, The Mentalist, Fringe e o Sherlock BBC.

Obrigada por ter me dado aquela cola adesiva e por ter amenizado as minhas dores na coluna através da fisioterapia (infelizmente, elas voltaram mais fortes essa semana... Mas eu acho que pode ser TPM... Vai passar!).

Espero que o Senhor tenha um lindo niver, cheio de nuvens, docinhos, anjos, flautas e pessoas rezando por um mundo melhor.

Felicidades!

T.S. Frank

P.S.: dê aquele recado meu para Santo Antônio, eu não estou entendendo os sinais dele...

sexta-feira, 4 de março de 2011

O carnaval de um sad french clown

Carnaval, de um ano para cá, não tem lembrado-me uma época muito boa. Na verdade, para mim, nunca foi altamente confetes & serpentinas. No máximo, eu olhava as pessoas populares e descoladas brincarem felizes.

Porém este é o primeiro carnaval que eu não tenho vontade alguma de ver ou ouvir sobre o mesmo. Estou nauseada com este período.

Seria esse o sinal da minha velhice? Ou finalmente eu incorporei o sad french clown?

Contudo eu só tenho 1/4 de século... Acho que assumi minha identidade de um triste palhaço francês.

Então vou ficar em casa escutando meu álbum Love, Elvis do Elvis e o Grace do Jeff Buckley.

Contudo...

O CQ&Sherlock deseja a todos (as) um carnaval tranquilo e feliz - seja você um pierrot, uma columbina, um pirata, um beberrão ou um triste palhaço francês!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Começando com bom humor - Welcome 2011!

... E agora que o novo ano começou de vez, não sejamos hipócritas - desejemos apenas sobreviver a mais um ano...


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010 - Apresentação do balanço

E mais um ano se vai. E o caminhão de planos coloca-se novamente na estrada. Difícil mesmo é saber se os planos serão apenas planos por mais um ano.

Ontem eu estava relembrando alguns dos meus momentos em 2010. E se a minha vida fosse um Plano de Contas, o exercício terminaria no vermelho.

Comecemos pelo próprio CQ&Sherlock. Ele foi feito especialmente para entreter minha mente num período muito difícil - o desemprego, término de uma faculdade chata e desgastante e a desesperança profissional total. Um outro trabalho veio (tanto que eu tive que sacrificar o CQ&Sherlock na Copa do Mundo) e eu, mesmo com picos de profunda melancolia e crises de criatividade, mantive o Café. Confesso que não está sendo fácil postar com regularidade. A tristeza ainda dá o ar da graça. Contudo manter-se de pé já é um grande feito.

Passei em dois cursos: Física e Matemática. Não me matriculei em nenhum. Motivo óbvio - falta de dinheiro. Fiz o ENEM novamente. E cá estou eu a esperar os resultados. Todavia as chances de não cursar, caso eu passe novamente, são altas.

Problema familiares apareceram e continuam a aparecer; você, leitor (a), com certeza já passou ou passa por isso.

Fui a três shows internacionais - Scorpions, Creedence e ABBA The Show. Realizei uma porcentagem dos sonhos.

Com relação às pessoas, eu já separei diversos potes para aquelas que, no fundo (mesmo tentando não acreditar nisso), terei que guardar, pois quero preservar os bons momentos. Ainda posso dizer que foi um ano confuso e cheio de picos de sentimentos ruins - minha sanidade foi colocada à prova diversas vezes. Ontem resolvi, depois de ter ido ao fundo do poço, que o melhor é deixar a vida seguir seu curso. O tempo cura e ameniza dores. Vou deixá-lo exercer o seu papel. Quando os sentimentos são verdadeiros, nada, absolutamente nada, é forte o suficiente para destruí-los.

Os modos e estilos diferentes de vida fizeram-se presentes de maneira acentuada nesse ano. Bem, nunca estudei em escolas particulares de primeira linha, ando de ônibus e trabalho desde os quinze anos. Eu vim do interior. E hoje moro numa casa que provavelmente é do tamanho do quarto de muita gente. E como dizia Mário Quintana numa época difícil: "Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas". Não gostaria de ser sustentada completamente pelos meus pais. Um dia eu quis uma vida de estudante profissional de Física e Astronomia. Hoje, eu só quero ser uma estudante de Física e Astronomia e eu só vou conseguir isso através do suor do meu trabalho. Disso eu tenho absoluta certeza. Não quero criticar quem leva essa vida, longe de mim! Cada um na sua e o meu quadrado abrange o proletariado.

Decidi também que o que pintar de oportunidade eu agarrarei. Meu ¼ de século mostra-me que só devo abraçar causas que abracem-me também, ou seja: nada mais de ilusões. É encarar a realidade - se tudo vai mal, volte ao seu conjunto unitário.

Não sei se devo desejar Feliz Natal a todos os meus leitores (as), afinal, eu odeio o Natal. Porém vou desejar a todos vocês um 2011 tranqüilo e principalmente com saúde. O resto, clichê barato, é mais fácil de conseguir quando se tem essas duas coisas.

É que venha mais um ano! 

Happy New Year!


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Então... É Natal! Aaaghrrr!!!

É a época mais comercial do ano e também a que mais detesto. Ora, esqueceram-se complementante que é tempo para comemorar o nascimento do Messias e não a chegada do Papai Noel e as renas trufi-trufi.

Lembro-me bem quando assistia ao desenho dominical Histórias da Bíblia (que passava no SBT). Ele sim tinha todo o sentido do espírito de natal, o espírito do "bem fazer." Era simples, porém coerente. Não havia esse fru-fru de bolinhas vermelhas e meias com fios de ouro. O sentido do Natal (e outras comemorações católicas) se fazia presente através dele próprio.

O Natal de hoje só serve para lembrar-nos das condições materiais uns dos outros - ricos tem ceia, pobres assistem ao especial da Xuxa e imaginando o quanto seria bom ter uma mesa farta e presentes para dar aos filhos e a família.

E, nessa altura, Advento que é bom? Nada. Os abastados preocupam-se se os trâmites da ceia (o peru e o leitão a pururuca) estão fluindo. A questão é: agradar aos convidados. E as crianças riquinhas, mimadinhas e rosadinhas (isso não é culpa delas) ficam imaginando as tais renas flutuando pelo céu, trazendo ipods, celulares, notebooks e Wii (tudo é modernidade... Quem precisa cantar Noite Feliz se temos um high-tech Jingle Bells?). E a classe média B, C, pobres e etc preocupam-se em gastar o 13º terceiro em presentes - então é Natal!

E quem fez uma doação (livre de publicações em jornais e peso na consciência - "é meu dever") antes de tudo isso?

E não pensem que aqui está um discurso somente socialista. Ora, se tudo é ruim, fique com o menos pior. Porém não há sistema econômico que impeça as pessoas de celebrarem o verdadeiro espírito do advento. Elas fazem isso porque simplesmente não dão a mínima se foi Jesus ou o carinha barbudinho que nasceu no dia 25 de dezembro (a data que foi carimbada pela Igreja Católica). Importante mesmo é festejar a hipocrisia.

Até mesmo minha bebida favorita, Coca-Cola, sofre um baque nesta época: odeio aquela musiquinha - tan, tan, tan, tan... Espalhe essa magia... Isso me dá calafrios.

É por essas e outras mais que o ano para mim começa só em abril. Não que eu goste dos acontecimentos normais, entretanto é mais fácil sair da rotina quando todas essas festividades fakes passam.

Eu sou da turma do Grinch. E ponto final.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dia de mentiras!