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sábado, 31 de março de 2018

Réquiem

Requiem aeternam dona eis, Domine; et lux perpetua luceat eis.
Repouso eterno dá-lhes, Senhor, e que a luz perpétua os ilumine.

(Introitus - Requiem em ré menor, K. 626, Mozart)

Latim
Requiēs - descanso, repouso
f (genitivo requiētis); terceira declinação.

É um momento difícil para escrever. De vez em quando, creio eu, as pessoas que contam um pouco das suas vivências e de seus devaneios por meio das palavras sofrem, em maior ou menor grau, com o gosto amargo de ter inspiração nenhuma. E estou nessa fase, um tanto melancólica, empurrando os acontecimentos, sem excitação, tal qual uma andarilha a desfazer-se.

Posso citar muitas coisas que estou fazendo e isso pode parecer bem animador.

Estou...

... Redigindo um artigo para terminar minha Pós/MBA em Contabilidade Pública, trabalhando com Mapas Mentais no modo homework para um aplicativo de Educação Corporativa, indo ao pilates, planejando estudar para concursos públicos e fazer mais cursos de capacitação, voltando para a Auto-Escola e assistindo a Netflix no final de todas as noites.

Parece uma vida agitada e cheia de possibilidades, entretanto algo anda a atormentar-me, como uma dormência parcial. Sinto que vivo uma realidade indiferente, que nunca pertenceu-me. Assemelha-se a vestir a roupa de outro ser e que usurpei o seu lugar. As pessoas que esperam algo dela não fazem ideia de que eu não posso satisfazê-las.

Todos os dias escuto sentenças cruéis sobre uma criatura que não deveria ser do modo como é. Ela deveria existir para fazer-se ideal e assim suprir as expectativas daqueles que nunca enxergarão além das cercas dos seus lugares de origem.

Eu não desejava exatamente essa Pós de Contabilidade Pública, quero mesmo estudar História, Arqueologia, Literatura, Cinema, Música, participar de rodas de poesia com pessoas ávidas e instigantes e que almejam os prazeres das minúcias. Gostaria de tomar café e falar sobre os livros que contam as experiências reais de George Orwell. Meu trabalho com Mapas Mentais gera apenas 63% de um salário mínimo por mês e quando há demanda (depois de um tempo de aflição, acabei de verificar que já recebi pelo trabalho desse mês.). O pilates causa-me dor e a instrutora transparece uma falsidade sem precedentes. Estudar para concursos públicos é um fardo e a Auto-Escola, bem... É sempre um evento traumático.

Ontem soube que um colega do meu ex-curso de Física teve seu plano de estudos aprovado. Ele já está no curso desde 2008 (e nessa época faltava pouco para que eu me formasse em Ciências Contábeis na mesma instituição...). Só em uma cadeira, ele reprovou incontáveis vezes, sendo a última no semestre que passou. Ele ainda veio-me falar que sentia muito por mim e que pelo menos eu estava fazendo uma pós e estava na frente dos que ficaram. Fiquei em estado de cólera e se estivesse falando pessoalmente com o mesmo, teria cometido uma barbaridade. Só que o meu problema não o engloba. A minha raiva direciona-se aos professores e ao maldito e inútil colegiado (o que foi relatado minuciosamente em outro texto). Para mim, foi a morte de algo, uma grande ilusão embrulhada em papel de sonho, e, neste momento, passo pelo Requiem e não sei quando o rito terminará.

Eu sempre vivi numa solidão extrema, mesmo acompanhada por muitos. Tentei suprimi-la com amizades débeis e descartáveis e com relacionamentos odiosos e abusivos. Entretanto este estado recente é ainda mais obscuro, pois está nu, de pele ao vento, reluzindo como um farol que não deixa-me esquecer do meu desterro... Longe daqueles que completam-me.

Todos sumiram. Foram cuidar das suas vidas e dos assuntos e pessoas de seus interesses. Noto que enquanto estavam em uma situação frágil e distanciados dos olhos e toque dos que amavam, procuravam uma morfina para abrandar o deslocamento temporário. Assim saíam à procura da pessoa mais disponível. E como em toda revoada, ao atingirem suas metas, partiram para onde pertenciam, deixando os mortos e feridos para trás.

Pergunto-me como superar seis anos e alguns meses de apostas altas, de erros e desvarios. Indago-me como esquecer os rostos e as falas. Meu receio é que esta existência esteja falhando e eu não cumpra o propósito que foi-me designado. Sou uma pecadora imperdoável e meu carma pode-se estender além do infinito.

Acomete-me uma enjoativa enxaqueca e meu estômago padece há dias. Deus, mantenha-me em minha própria mente, pois longe dela sobrará de mim apenas poeira e escuridão.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Quantos anos você tem? Todos.

Meu lugar favorito: Dolcce Grill
Mais um aniversário chegou. E uma sensação péssima invade-me toda vez que este dia, minimamente esquisito, vai consumando-se. Ontem confabulei que esta cinzenta terça-feira poderia ser engolida e, como em um buraco de minhoca, minha pessoa seria arremessada diretamente na quarta-feira.

Depois dos 30, a contagem não importa mais. E sendo assim, como em todos os outros ordinários dias, eu acordei com gritos e reclamações. A luz do Sol, brilhante e irritadiça, batia diretamente na parede, o que dava a impressão de que aquela era uma amostra grátis do Inferno. O momento mais engraçado foi a hora do parabéns, esse som detestável, que foi esquecido em meio à pressa de cantá-lo e entregar o presente universal: uma certa quantia em dinheiro.

Fui escutar Chopin. Ah, como eu o amo... Em seus Noturnos, suspeito eu, ele capturou um pedaço da graça de cada anjo habitante do céu.

Não fui à aula e nunca mais iria se pudesse. Eu desejei escapar, achar um buraco de Alice, uma toca de coelho, ou um velho rico decrépito que desse a mim uma casa na Toscana, de madeira, rodeada por girassóis e um monte de ovelhas.

Eu queria liberdade. Só que ontem eu queria morrer. Sim, a morte é apenas uma libertação momentânea, pois, de qualquer maneira, reincarna-se e esse ciclo recomeça, os mesmos erros e as mesmas pessoas, homens em mulheres, mulheres em homens.

Antes de querer morrer, eu queria ser um raio de luz. Eu não teria forma, eu não seria uma mulher. Mas eu adoro ser mulher, então por que eu queria ser esse tracejado de fótons?

E eu fiquei a perguntar-me isso o dia inteiro. Necessitava de uma resposta e de dar-me alguns presentes: a minha própria companhia, um livro e minha confeitaria favorita. Aquelas horas foram únicas, como tantas outras, em que pude abrir meu livro, sem culpa, sem esperar ninguém, nem ao menos desejar uma presença sequer. Foi a minha plenitude e o meu zênite.

Porém eu ainda não tinha a minha resposta, por mais cafés expressos que eu tomasse, com aquela espuma branca, fofa e macia como algodões aromatizados - o pedaço do firmamento em uma junção de gotas amarronzadas em nuances creme.

Terminei e fui caminhar. Depois sentei-me ao ar livre, olhando um urso de pelúcia gigante no meio de um monte de presentes brilhantes com um fundo oco, tudo tão verdadeiro como uma nota de três reais. As pessoas conversavam, andavam, olhavam vitrines, compravam e falavam ao telefone. Alguns estudantes discutiam algo que certamente era inútil. E, de repente, veio-me uma tristeza ainda mais profunda. Que diabos de sensação pegajosa. Eu poderia chorar naquele momento.

Então um certo filme começou a passar em frente aos meus olhos...

... Eu não amava mais, não tinha um objeto de adoração. Os deuses da minha vida foram aniquilados como estátuas massacradas por um martelo. Eu, que sempre amei algo ou alguém, tinha acabado de constatar o grande e temido vazio. O que aconteceu? Em que maldita estrada eu deixei-me?

Tomei consciência de mim e da prisão de ser mulher, por mais que eu amasse sê-la.

Eu sou uma insana lacuna sedenta. Quero opções, sem julgamento. Só que eu sou uma escrava de meu próprio tempo, sendo açoitada por opiniões, empecilhos e expectativas.

Eu poderia ser uma vadia, ser quieta, gostar de homens mais velhos, com dinheiro, ou gostar de mais novos e sustentá-los. Eu poderia gostar de mulheres. Eu poderia fazer sonetos para ambos... Então por que eu parei no poderia... Poderia, poderia...?

Ecoando... Ecoando...

Peguei o ônibus. Fui embora.

Deus do céu, tenha piedade de mim.

Eu já sei porque eu queria morrer e muito antes ser um raio de luz, ou mesmo engolir o meu aniversário.

Estou à beira do grande abismo.

E a única sensação que tenho é do vento gélido a sorrir tenebrosamente, cheio de dentes, à espera do próximo ato.




sábado, 27 de agosto de 2016

Minha nova Flauta Nativa Americana de 6 furos (diatônica) e a música Annie's Song do John Denver

Há alguns dias comprei uma nova NAF (Flauta Nativa Americana). Como já falei anteriormente para você, querido (a) leitor (a), eu tenho uma feita de bambu, pentatônica, ou seja, com cinco furos. Ela é mais típica dos povos andinos (frequentemente, pode-se ver o bambu empregado nas famosas e belíssimas Flautas de Pã.). Mas eu desejava também ter uma típica da América do Norte. E assim consegui realizar o meu desejo (o que me endividou até o final do ano.).

Eis my new PRECIOUS:

NAF - Diatônica - 6 furos - em madeira

Ela é também em F (assim como a de bambu). Quando a encomendei, pedi que fosse uma pentatônica. Mas o luthier convenceu-me que era melhor ter a diatônica, assim como as originais. Ele apenas colocou a faixa de couro no quarto furo para virar uma de 5 furos, assim como é feito nos Estados Unidos. Com o tempo, percebi que era melhor tirar a faixa e treinar com todos os furos. Assim saiu Annie's Song na minha flauta, cuja a gravação que eu fiz você escutará logo mais. Pois antes falarei dessa canção que eu amo que foi escrita e gravada por um músico que amo ainda mais, John Denver (que eu já falei AQUI e AQUI no blog há uns anos...).

Annie's Song


Álbum de 1974 - Back Home
Again - Na foto, podemos ver
John Denver e sua esposa
Annie Martell Denver
Annie's Song (também conhecida como "Annie's Song (You Fill Up My Senses)") é uma canção de rock country escrita e gravada pelo cantor John Denver. Ela foi lançada como single do álbum de 1974 - Back To Home Again. E tornou-se um estrondoso e cativante sucesso. Ficou no topo dos charts de música daquele ano por meses e terminou na famosa lista cumulativa de dezembro da Bilboard Hot 100 de 1974 em #25. Ele a escreveu para sua primeira esposa, Annie Martell Denver, em 1973, em apenas 10 minutos e meio, num teleférico de uma estação de ski. Toda a beleza que viu na descida o inspiraram a escrever sobre a esposa. 
John Denver
Foto retirada do encarte do
álbum A Song's Best Friend
The Very Best Of John
Denver

Milt Okun (produtor musical de Denver), no encarte do álbum A Song's Best Friend The Very Best of John Denver, de 2004, fala que:

John chegou um dia no estúdio e tocou esta canção, que chamava de Song For Annie. Eu lhe disse: - John, estes são os primeiros acordes do Segundo Movimento da Primeira Sinfonia de Tchaikovsky. Este mesmo trecho também havia sido usado, uns quarenta anos atrás, em uma canção pop chamada 'Moon Love'. John então se sentou ao piano por meia hora e modificou a música, que ficou sendo uma pequena parte Tchaikovsky e em sua maior parte Denver. John foi quem teve a ideia de fazer um refrão inteiro apenas murmurando. Naquele tempo todas as vozes tinham que ser gravadas, não havia os recursos de hoje, ao alcance de alguns botões. No fim, a parceria com Tchaikovsky acabou ficando ótima. E Annie's Song tocou vários corações ao redor do mundo. 

Infelizmente, John Denver faleceu em 12 de outubro de 1997, em um acidente com seu avião experimental. Ele mesmo o pilotava no momento.


A Sinfonia No. 1 - Tchaikovsky


... Também conhecida por Sonhos Diurnos de Inverno - Pyotr Ilyich Tchaikovsky a escreveu em Sol Menor (G Minor), em 1866, logo após ter aceitado um cargo de professor no Conservatório de Moscou. E a mais antiga obra notável do compositor.

Estrutura:

1. Sonhos de uma Viagem de Inverno. Allegro tranquillo;
2. Terra da Desolação, Terra das Névoas. Adagio cantabile;
3. Scherzo. Allegro scherzando giocoso;
4. Finale. Andante lugubre - Allegro maestoso.


Minha gravação de Annie's Song

Flauta (em madeira) Nativa Americana, chave em F, diatônica
Tocada por T.S. Frank

Annie's Song
Native American Flute (wood), Key F, diatonic,
Performed by T.S. Frank






Performace de John Denver -  Annie's Song

"Vocês sabem, é algo maravilhoso ser capaz de compartilhar-se com as pessoas. E eu encontro tanta alegria em escrever canções que o melhor que eu posso fazer sobre isso é cantar para vocês. E eu gostaria que soubessem que a melhor parte de comunicar e compartilhar-se é ser capaz de dividir o modo como se sente sobre a primeira pessoa em sua vida - esta bela mulher que eu sei que é a Annie, que apoiou-me e deu-me forças para fazer tudo o que eu queria em minha vida. Esta é sua canção..." (John Denver)




Sinfonia No. 1 - Tchaikovsky

... Por um dos meus regentes favoritos - Herbert von Karajan

Berliner Philharmoniker
1979



Fontes:

Milt Okun - Encarte do álbum A Song's Best Friend The Very Best of John Denver, de 2004 - Faixa 8 - Annie's Song
Annie's Song - Wikipédia em Inglês
John Denver - Wikipédia em Inglês
Sinfonia No. 1 - Tchaikovsky - Wikipédia em Inglês

sexta-feira, 25 de março de 2016

Quem tem medo da música clássica?

Há muito tempo, em um lugar distante, vivia uma garota que assistia a um programa chamado Quem Tem Medo da Música Clássica...

Quando eu tinha uns 11 anos (há muito tempo, diga-se de passagem), a alegria bateu à porta: uma antena parabólica. O primeiro programa que vi foi na TV Escola, uma linda animação baseada em Romeo &Julieta (1591/1595).

E como nós não tínhamos condições de sonhar com uma TV por assinatura, ter 24 canais, mesmo a maioria tendo mais bois e grills George Foremam do que qualquer outra coisa, era simplesmente espetacular. E no meio dessa salada, com tomates e pepinos, havia o famigerado canal da TV Senado.

Pois bem, surpreendentemente, existia um programa magnífico, sim! E ele chamava-se Quem Tem Medo da Música Clássica, apresentado, pelo já falecido, político (e também escritor, jornalista, advogado...) Artur da Távola.

(Antigamente, bem antigamente, os políticos eram cultos, com formação em Letras, Direito, versados em uma educação erudita. A maioria, corrupta, claro, porém, cultos. Hoje é esse circus, ainda mais corrupto e vulgar...).

O título merece destaque, pois daria uma bela dissertação sobre as dificuldades de entrar no mundo da música erudita. Não pelo ouvidos, que é a parte romântica e bela. Porém pelas pessoas ao redor - as ignorantes (essa música não tem letra!),  as arrogantes (sei tocar piano, dulcimer e equilibrar pratos!), e as piores: as riquinhas e arrogantes (vi um concerto na Bulgária e a Soprano desafinou na Ária); vale também destacar aquelas que só escutaram uma vez na vida um álbum com Tchaikovsky, e, se duvidar, dizem que sabem o Latim todo de Carmina Burana.

Eu tinha medo da música clássica. Era uma paixão secreta, daquelas que movimentam devaneios. E meu instrumento favorito é a Flauta Doce. E, só hoje, bem crescidinha, consegui estudar um pouco, em casa mesmo (e continuo estudando).

Todos temos receios. E um deles é pensar que o erudito é apenas para  as pessoas mais abastardas, aquelas que podem comprar ingresso caros, viajar para ver os grandes balés com grandes regências.

Só que a vida nos deu o bastante para degustarmos o melhor desse gênero: nossa percepção auditiva.

Com um pouquinho de interesse e esquecendo a questão de classes sociais, o deleite causado pela música clássica transcende barreiras: primaveras e outonos cheios de encantamento, onde a única plateia que importa é você mesmo (a).

Atualização (2024): Antigamente a TV Senado tinha um canal para o Arthur da Távola (print). O link não existe mais. Há alguns dos programas no YouTube. Deixarei abaixo.






sábado, 13 de dezembro de 2014

Curta de Animação - Tom & Jerry - The Cat Concerto/1947/Metro-Goldwyn Mayer

Tom & Jerry é uma quase unanimidade. Não me atrevo a dizer que seja em seu grau total porque sempre há os da discórdia. 
A série é uma das obras-primas da dupla Hanna e Barbera, esta, por sua vez (junto com Walt Disney, Walter Lantz e Chuck Jone) compõe a tétrade máxima dos Cartoons Clássicos, a Era Dourada em que desenho era um bem inquestionável de cultura - disputas para fazer o melhor [algo como, nos dias de hoje, a BBC, ITV e 4 Channel (todas da Inglaterra) fazem com suas séries e minisséries.]. 

A série de desenhos Tom & Jerry não leva a marca típica Hanna-Barbera em suas aberturas e créditos finais, pois os episódios clássicos foram produzidos para MGM Cartoon Studio
Os desenhos passaram por Hanna e Barbera entre 1940-1958. Depois, entre 1960 e 1962, por Gene Deitch. Entre 1963 e 1967, foram conduzidos pelo grande nome responsável por Looney Tunes e Merrie Melodies -  Chuck Jones. Depois desse último, os desenhos passaram ainda por outras fases. 

Tom & Jerry - The Cat Concerto/1947/Metro-Goldwyn Mayer

Criado em 1946 e lançado nos cinemas em 26 de abril de 1947 (e relançado em 1955 pela Metro-Goldwyn Mayer). Foi produzido por Fred Quimby e dirigido por William Hanna e Joseph Barbera, com a supervisão musical der Scott Bradley e animação por Kenneth Muse, Ed Barge e Irven Spence. O desenho ganhou o Oscar de Melhor Curta de Animação de 1946 (concorrentes daquele ano: Musical Moments from Chopin - Walter Lantz Productions, Universal - Walter Lantz; John Henry and the Inky-Poo - Paramount - George Pal; Squatter's Rights - Walt Disney Productions, RKO Radio - Walt Disney; Walky Talky Hawky - Warner Bros. - Edward Selzer). Ocupa a posição #42 na lista dos 50 Melhores Cartoons de Todos os Tempos.

MÚSICA CLÁSSICA: a música clássica presente no desenho é Hungarian Rhapsody No. 2, de Franz Liszt. Faz parte de um conjunto de 19 rapsódias.

 [o que é uma rapsódia? Termo originário do grego rhapsodía, significando “canção costurada”. Designa, desde a Grécia Arcaica, tanto cada um dos livros de Homero (século VIII a.C.) quanto os poemas épicos cantados por alguém que não fosse o criador deles. Rapsodo é o nome dado a um artista popular ou cantor que, na antiga Grécia, ia de cidade em cidade recitando poemas, principalmente epopeias.]

A No. 2 foi composta em 1847 e dedicada ao escritor e estadista húgaro László Teleki. Liszt também era húngaro e usou suas influências musicais da juventude (música húngara com elementos ciganos) como inspiração para a obra. Recomendo que vejam a interpretação do pianista húngaro Adam Gyorgy para a Rapsódia Número 2 aqui.

OUTRA MÚSICA:  a partir do momento 04:41 até o 04:58 do cartoon, a obra de Lizst é substituída momentaneamente pelo instrumental da canção On The Atchison, Topeka And The Santa Fe. A música faz parte do filme As Garçonetes de Harvey (The Harvey Girls), de 1946, e nele é interpretada por Judy Garland. Foi composta por Harry Warren, com letra de Johnny Mercer. A canção ganhou o Oscar de 1946. Recomendo assistir dois vídeos - a parte do filme com a música aqui e outra com um ritmo mais animado aqui. Ambas cantadas por Garland.

Ficha Técnica
Dirigido por William Hanna e Joseph Barbera
Produzido por Fred Quimby
História por William Hanna e Joseph Barbera
Música por Scott Bradley, Franz Liszt, Harry Warren e Johnny Mercer
Animação por Kenneth Muse, Ed Barge, Irven Spence e Richard Bickenbach (sem créditos)
Estúdio: MGM Cartoon Studio
Distribuído por Metro-Goldwyn-Mayer
Data de Lançamento: 26 abril de  1947
Processo de coloração por Technicolor
Duração: 07:32 minutos
País: EUA
Língua: Inglês

Fontes:

Tom e Jerry - Wikipédia em Português
Tom e Jerry - Wikipédia em Inglês
The Cat Concerto - Wikipédia em Português
The Cat Concerto - Wikipédia em Inglês
Oscar de Melhor Curta de Animação - Wikipédia em Inglês
E-Dicionário de Termos Literários - Rapsódia
Livro Os 50 Melhores Cartoons de Todos Os Tempos - Seleção por 1000 Profissionais da Animação - Edição em Inglês - Editora Turner Publishing Inc./Atlanta
Estúdio de Animação MGM - Wikipédia em Inglês
Franz Liszt - Wikipédia em Inglês
Rapsódia Número 2 - Wikipédia em Inglês
Música On the Atchison, Topeka and the Santa Fe - Wikipédia em Inglês

Caro (a) leitor (a), você poderá se interessar, também, pelas postagens da mesma linha:

Curta de Animação - Mickey & Friends - The Band Concert/1936/ Walt Disney

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A alegria dos homens nas notas de Bach

Não há muito tempo (e para meu estarrecimento) ouvi algo de como música clássica, além de chata e antiga, também é insignificante por não possuir letra (Como assim?). Foi um aluno do curso de Física.

Ao escutar Bach hoje, lembrei dessa história. E muitos estão perdendo a melhor parte da festa por estarem justamente mergulhados nesse poço de ignorância.

Para esses que não se sentem tocados com Jesus Alegria dos Homens (Jesus bleibet meine Freude) e outros concertos dele (ou mesmo de outros compositores), só posso falar algo: lamento!

Assim, como disse o próprio Jesus ao finalizar a parábola do semeador: quem tem ouvidos para ouvir, ouça (Lucas 8, 8).

***
Johann Sebastian Bach (1685-1750) nasceu onde hoje é a Alemanha, em uma família com tradição na música. Teve quatro filhos que tiveram uma importância tão grande na mesma área que o sobrenome já estaria de qualquer forma garantido na imortalidade. Ser um Bach também significava possuir uma veia religiosa fortíssima.

Bach não foi um menino gênio como Mozart. Demorou um pouco para que as suas composições despontassem - lá pelos seus 35 anos. Mas como todos os bons e ótimos músicos, os instrumentos eram seu forte desde cedo, destacando-se no órgão.  E depois, no período que passou na corte de Köthen (1717-1723), cujos hábitos religiosos mais moderados permitiram-lhe dedicar-se mais intensamente à música instrumental profana, ele se revelou também um extraordinário cravista.

Bach não praticou a ópera, embora não lhe faltasse talento para isso.

Era bom de boca e gostava mesmo de comer (isso remonta-me a Vinicius e ao poema Não comerei da Alface a Verde Pétala). E como gostava de café! Apesar da fama de econômico, tinha a casa sempre cheia de flores e sempre gastava com instrumentos novos.

Foi um professor paciente com os alunos talentosos e impaciente com os que considerava medíocres.

Como pai, deu liberdade para cada um dos filhos desenvolver a própria personalidade musical.

Sua morte assinalou o final de um período - o barroco se fora e o classicismo chegara. Era a época do Iluminismo e das ideias revolucionárias e a Revolução Francesa logo, logo aconteceria. Assim, sua obra passou um bom tempo sendo apenas privilegio de círculos restritos. Só a partir de 1829, quando se fez a execução pública da Paixão segundo São Mateus, regida por Felix Mendelssohn, é que a obra de Bach passou a ser conhecida por um público mais amplo.

Poderia terminar dando dicas de algum álbum com as obras mais importantes de Bach, mas prefiro indicar o concerto que, para mim, simboliza a época de esperança, família, nascimento e alegria. Eis que Jesus Alegria dos Homens representa o Natal (apesar de já ter publicado textos mencionando que abomino o comércio em que se transformou). 

Trata-se da parte final e mais famosa da cantata  (tipo de composição vocal para uma ou mais vozes, com acompanhamento instrumental, às vezes também com coro, de inspiração religiosa ou profana) Coração e Boca e Ações e Vida, Herz und Mund und Tat und Leben, BWV 147a (sigla que quer dizer Bach-Werke-Verzeichnis "Catálogo de Obras de Bach" em alemão).

Música clássica não tem idade, credo ou faz qualquer distinção entre classes. O único fator que necessita é a perspicácia para ser apreciada e espalhada, assim como as sementes do semeador.


BWV 147 no vídeo acima (minutagem)

0:10   1. Chor "Herz und Mund und Tat und Leben" 
5:02   2. Rezitativ T "Gebenedeiter Mund!" 
6:50   3. Arie A "Schäme dich, o Seele nicht" 
10:27 4. Rezitativ B "Verstockung kann Gewaltige verblenden" 
12:09 5. Arie S "Bereite dir, Jesu, noch itzo die Bahn" 
16:33 6. Choral "Wohl mir, daß ich Jesum habe" 
19:43 7. Arie T "Hilf, Jesu, hilf, daß ich auch dich bekenne" 
23:24 8. Rezitativ A "Der höchsten Allmacht Wunderhand" 
25:46 9. Arie B "Ich will von Jesu Wundern singen" 
28:40 10. Choral "Jesus bleibet meine Freude" (A parte famosa)


A cantata é conduzida por Nikolaus Harnoncourt, regente alemão conhecido por suas performances de obras dos períodos clássicos e anteriores. É ganhador de um Grammy (2001) pela gravação da obra de Bach: Paixão segundo São Mateus.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Noturno

Tão silencioso é teu olhar
Que não precisas dizer nada.
És manhã orvalhada,
Céu cinza e cristais de luz.

Tu que vens nessa calmaria
E teu caminhar é um Noturno de Chopin.
São notas musicais da Ópera Nove
Segunda parte de café e esperança.

Suavemente cobre-te de luz.
Não mais dourada
E nem esfuziante de outrora.

Muito além é teu rosto,
Que diz tudo e muito mais
Do que todas as palavras já geradas.

T.S. Frank



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Curta de Animação - Mickey & Friends - The Band Concert/1936/ Walt Disney

Bem, por esses dias, estou a apreciar os grandes curtas de animação que fazem parte da história do cinema e da vida dos nossos avôs, pais, tios e da nossa vida também.
A denominação Curta de Animação pode parecer estranha ao primeiro contato, porém, caro (a) leitor (a), garanto que você já viu muitos, até mesmo os mais renomados e premiados com o Oscar. Acompanhe esta nova categoria do CQ&Sherlock e delicie-se!


Mickey & Friends - The Band Concert/1936/ Walt Disney

Um dos meus favoritos. Assistia pela manhã, lá no sertão de Meu Deus...

De 1935, trata-se do primeiro em que Mickey está colorido (usando o processo 3 da Technicolor, a marca norte-americana pertencente à Technicolor Motion Picture Corporation, responsável pela coloração dos filmes até a década de 60). É um dos mais lembrados e aclamados curtas da Disney, deixando um grande legado para os profissionais do Cartoon. Ocupa a posição #3 na lista dos 50 Melhores Cartoons de Todos os Tempos. Foi produzido pela Walt Disney Productions e lançado pela United Artists. The Concert Band foi dirigido por Wilfred Jackson e contou com música adaptada por Leigh Harline. O único personagem que fala no filme é o Pato Donald, voz de Clarence Nash.

MÚSICA CLÁSSICA: posso dizer que as crianças de antigamente tinham muita sorte, pois podiam contar com desenhistas e toda uma equipe que acreditava que música clássica deveria ser absorvida ainda na infância. Assim como em muitos desenhos do Pica-Pau (Walter Lantz) e Tom & Jerry (Hanna-Barbera), a Disney caprichava nas adaptações de composições de grandes nomes do mundo erudito para suas histórias. Em The Band Concert temos a magnífica e vigorosa obra de Gioachino Rossini - Guillaume Tell. Guillaume foi escrita a partir da peça Wilhelm Tell, do dramaturgo alemão Friedrich Schiller, esta baseada na lenda de Guilherme Tell. No curta temos a apresentação da parte mais famosa da Ópera: a Overture. Esta tem quatro passagens, cujo final famoso é muito utilizado nas sonoplastias: prelude - uma passagem devagar, começando com cinco violoncelos; tempestade - uma seção dinâmica tocada por toda a orquestra; Ranz des Vaches - protagonizada pelas trompas inglesas; final - passagem ultra dinâmica que lembra um marcha de cavalos feita por trompas e trompetes e tocada por toda a orquestra [uma dica: veja a regência do grande maestro austríaco (e meu maestro favorito) Herbert von Karajan para Guillaume Tell aqui].

OUTRA MÚSICA: a partir do momento 04:00 até o 04:09 do cartoon, a obra de Rossini é substituída momentaneamente pelo instrumental da conhecidíssima Streets Of Cairo/The Poor Little Country Maid (no popular: Música do Encantador de Serpentes).

A Banda

Mickey Mouse - Maestro
Pateta (Goofy) - Clarineta

Cão sem nome (Unnamed dog) - Trombone
Clarabela (Clarabelle Cow) - Flauta
Horácio (Horace Horsecollar) - Percussão
Peter (Peter Pig) - Trompete
Paddy (Paddy Pig) - Tuba

Ficha Técnica

Dirigido por Wilfred Jackson
Produzido por Walt Disney
Vozes por Clarence Nash
Musica por Leigh Harline e Gioachino Rossini
Animação por: 
Johnny Cannon
Les Clark (Mickey Mouse)
Ugo D'Orsi
Frenchy DeTremaudan
Clyde Geronimi
Huszti Horvath
Dick Huemer
Jack Kinney
Wolfgang Reitherman
Ward Kimball
Milt Kahl
Archie Robin
Louie Schmitt
Dick Williams
Roy Williams
Cy Young
Esboços:
Hugh Hennesy
Terrell Stapp
Estúdio: Walt Disney Productions
Distribuído por United Artists
Data de lançamento: 23 de fevereiro de 1935 (USA)
Processo de coloração por Technicolor (3-strip)
Duração: 9 minutos
País: Estados Unidos
Língua: Inglês