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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Desligamento voluntário - Física Bacharelado - Finalmente!!!

Livre estou, livre estou!
Bem, hoje finalmente pedi meu desligamento voluntário do curso de Física Bacharelado. Então, estou oficialmente fora dele, sem vínculo algum com a universidade, a não ser pelo bacharel em Ciências Contábeis, que terminei com êxito por lá há alguns anos.

Nesse tempo, desde do cancelamento da matrícula, passando pela recusa do famigerado e incompetente colegiado (formado por professores que mais parecem bufões da Idade Média e mais instigantes que sopa rala de orfanato) até a saída final, chegaram-me fatos bem interessantes. Soube, outro dia, que quase todos que tiveram recusados os pedidos de matrícula entraram com novos recursos por outro colegiado (o chamado de centro) e voltaram. Dos que voltaram pelo método clássico (apesar de muitos estarem no curso pelo tempo de dois cursos inteiros), veio-me, também, que um deles (o caso mais bizarro de todos) SEQUER está frequentado as aulas. Outra, mais esperta, que também teve seu processo deferido para o plano de estudos, foi chamada para uma nova vaga pelo SISU 2018.1 e um ex-colega, vendo que a chance que lhe deram não seria suficiente para que terminasse, já tratou de ver novas possibilidades para entrar novamente.

Ou seja... Pelo que pode-se concluir, tudo não passou de uma ENORME FACHADA fadada ao fracasso. É óbvio que muitos não conseguirão cumprir o prazo do tal bilhete de ouro da segunda chance. Entretanto todo esse CIRCO serviu para constatar:

1. Os professores de física (a maioria) são incompetentes, altamente ignorantes e não conseguiriam redigir um texto que pudesse ter o mínimo de cultura e respeitabilidade. Sabem um pouco do que estudaram e recusam-se a ensinar decentemente, talvez por medo da concorrência e por essa fantasia quase sexual de que tudo nesse entulho de equações não pode ser apreendido por ensinamentos (por telepatia ou osmose quem sabe).

2. Os que ficaram são pobres iludidos...

3. A Universidade não jubilou ninguém. Um blefe daqueles. Simplesmente quem não pedir desligamento voluntário (e não tem mais um pingo de interesse de ficar nessa casa da mãe Joana), ficará para sempre no LIMBO DE SER VINCULADO E PROIBIDO DE FREQUENTAR AS AULAS.

A minha parte, já fiz... Agora é esperar por melhorias e seguir com a vida.

Como diria Carlota Joaquina - "Dessa terra, não quero nem o pó!" Incluindo muitos dos ex-colegas (e até formados!) que são interesseiros (puxadores de tapete e xeleléus) e mais falsos que uma nota de três reais.

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Saiba o começo dessa história em:

Partidas & Reflexões - Uma carta de despedida para Ciência

sábado, 31 de março de 2018

Réquiem

Requiem aeternam dona eis, Domine; et lux perpetua luceat eis.
Repouso eterno dá-lhes, Senhor, e que a luz perpétua os ilumine.

(Introitus - Requiem em ré menor, K. 626, Mozart)

Latim
Requiēs - descanso, repouso
f (genitivo requiētis); terceira declinação.

É um momento difícil para escrever. De vez em quando, creio eu, as pessoas que contam um pouco das suas vivências e de seus devaneios por meio das palavras sofrem, em maior ou menor grau, com o gosto amargo de ter inspiração nenhuma. E estou nessa fase, um tanto melancólica, empurrando os acontecimentos, sem excitação, tal qual uma andarilha a desfazer-se.

Posso citar muitas coisas que estou fazendo e isso pode parecer bem animador.

Estou...

... Redigindo um artigo para terminar minha Pós/MBA em Contabilidade Pública, trabalhando com Mapas Mentais no modo homework para um aplicativo de Educação Corporativa, indo ao pilates, planejando estudar para concursos públicos e fazer mais cursos de capacitação, voltando para a Auto-Escola e assistindo a Netflix no final de todas as noites.

Parece uma vida agitada e cheia de possibilidades, entretanto algo anda a atormentar-me, como uma dormência parcial. Sinto que vivo uma realidade indiferente, que nunca pertenceu-me. Assemelha-se a vestir a roupa de outro ser e que usurpei o seu lugar. As pessoas que esperam algo dela não fazem ideia de que eu não posso satisfazê-las.

Todos os dias escuto sentenças cruéis sobre uma criatura que não deveria ser do modo como é. Ela deveria existir para fazer-se ideal e assim suprir as expectativas daqueles que nunca enxergarão além das cercas dos seus lugares de origem.

Eu não desejava exatamente essa Pós de Contabilidade Pública, quero mesmo estudar História, Arqueologia, Literatura, Cinema, Música, participar de rodas de poesia com pessoas ávidas e instigantes e que almejam os prazeres das minúcias. Gostaria de tomar café e falar sobre os livros que contam as experiências reais de George Orwell. Meu trabalho com Mapas Mentais gera apenas 63% de um salário mínimo por mês e quando há demanda (depois de um tempo de aflição, acabei de verificar que já recebi pelo trabalho desse mês.). O pilates causa-me dor e a instrutora transparece uma falsidade sem precedentes. Estudar para concursos públicos é um fardo e a Auto-Escola, bem... É sempre um evento traumático.

Ontem soube que um colega do meu ex-curso de Física teve seu plano de estudos aprovado. Ele já está no curso desde 2008 (e nessa época faltava pouco para que eu me formasse em Ciências Contábeis na mesma instituição...). Só em uma cadeira, ele reprovou incontáveis vezes, sendo a última no semestre que passou. Ele ainda veio-me falar que sentia muito por mim e que pelo menos eu estava fazendo uma pós e estava na frente dos que ficaram. Fiquei em estado de cólera e se estivesse falando pessoalmente com o mesmo, teria cometido uma barbaridade. Só que o meu problema não o engloba. A minha raiva direciona-se aos professores e ao maldito e inútil colegiado (o que foi relatado minuciosamente em outro texto). Para mim, foi a morte de algo, uma grande ilusão embrulhada em papel de sonho, e, neste momento, passo pelo Requiem e não sei quando o rito terminará.

Eu sempre vivi numa solidão extrema, mesmo acompanhada por muitos. Tentei suprimi-la com amizades débeis e descartáveis e com relacionamentos odiosos e abusivos. Entretanto este estado recente é ainda mais obscuro, pois está nu, de pele ao vento, reluzindo como um farol que não deixa-me esquecer do meu desterro... Longe daqueles que completam-me.

Todos sumiram. Foram cuidar das suas vidas e dos assuntos e pessoas de seus interesses. Noto que enquanto estavam em uma situação frágil e distanciados dos olhos e toque dos que amavam, procuravam uma morfina para abrandar o deslocamento temporário. Assim saíam à procura da pessoa mais disponível. E como em toda revoada, ao atingirem suas metas, partiram para onde pertenciam, deixando os mortos e feridos para trás.

Pergunto-me como superar seis anos e alguns meses de apostas altas, de erros e desvarios. Indago-me como esquecer os rostos e as falas. Meu receio é que esta existência esteja falhando e eu não cumpra o propósito que foi-me designado. Sou uma pecadora imperdoável e meu carma pode-se estender além do infinito.

Acomete-me uma enjoativa enxaqueca e meu estômago padece há dias. Deus, mantenha-me em minha própria mente, pois longe dela sobrará de mim apenas poeira e escuridão.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Partidas & Reflexões - Uma carta de despedida para Ciência

Encerra-se aqui meu ciclo com o curso de Física. Faltam-me apenas as formalidades com a papelada do desligamento voluntário.

Bem, no começo desse blog, eu falava da minha paixão por Astronomia. Compartilhei minha alegria em passar para o curso de Física e também todos os dissabores que vieram depois e como a estrada foi penosa. É o famoso nadar e nadar e morrer na praia.

Entretanto a história é mais profunda e, talvez, sirva de alerta para quem pretende entrar neste universo ingrato e miserável de estudar Ciência no Brasil, pois ela não é feita só de pensamentos, teorias e experimentos, muito menos de ilusões com o Firmamento e as Abóbadas Estelares. É essencialmente composta por pessoas odiosas de todos os tipos, professores e professoras asquerosos (as), machistas, hipócritas e egocêntricos (as) e colegas de classe do mesmo feitio, mas em versão beta.

Estudar Física é uma boa alusão para a expressão cavar o próprio túmulo - ou você foge do algoz ou aceita a morte de todas as suas conquistas. Acredite, diante deles, esses monstros rotundos e infelizes, você é apenas um daqueles fardos que fica pedindo explicações e exercícios.

A Física não precisa de questionadores e exigências, precisa de máquinas submissas, de preferência, muito petizes, que não atormentem suplicando o modo de fazer e o desvendar do mistério - quem ousa entrar nesse lugar precisa, minimamente, sair de casa sabendo toda a Mecânica Clássica. E não tente aprendê-la na faculdade, finja que aprendeu ou terá sua cabeça guilhotinada logo mais.

E foi assim que aconteceu comigo.

Eis toda a história...

Os alunos de todos os cursos que passaram dos quatro anos tiveram suas matrículas canceladas pela minha agora ex-Instituição. Houve um tremendo pandemônio por causa disso devido a uma série de irregularidades e questionamentos e a Universidade, uma covarde, como qualquer órgão público brasileiro, jogou nas mãos do Colegiado de cada Departamento o destino dos alunos. Ao saber disso, muitos desistiram tão logo, pois é de conhecimento geral a forma como os professores de Física tratam seus discentes mais comuns.

Eu já pensava em sair e até expliquei isso em outros textos. Mas nunca acredita-se que a tempestade realmente virá.

Entreguei o meu processo para tentar cursar mais um período e dar uma nova chance a mim mesma, caso não aparecesse outro curso ou um trabalho (que já venho procurando). A Instituição deu a todos, de qualquer ano, o prazo de 2 anos para conclusão, mediante plano de estudos e aval dos professores do tão famigerado COLEGIADO.

Da Física, que mistura erroneamente Licenciatura e Bacharelado, 49 alunos tiveram suas matrículas canceladas, num total de 150 alunos. Isso mesmo, eu não digitei errado: no curso de Física, juntando Licenciatura e Bacharelado (meu caso), havia um total de 150 alunos ativos e de todos os anos que você possa presumir. Se você se perguntar o porquê do MEC já não ter fechado esse pequeno clã... Eu também faço-me o mesmo questionamento.

Desses 49, 12 apresentaram seus argumentos em forma de processo ao colegiado e 4 tiveram os seus, entre eles o meu, indeferidos.

Tudo bem... Você, leitor (a), deve pensar que  "Ela foi indeferida porque é de 2011 e todos os outros são mais antigos..."  Ah, não mesmo!

Desses 8 deferidos, três são de 2008. Imagine, a diferença de 2008 para 2011 são de 3 anos, praticamente um curso de qualquer área. Se um aluno de 2008, por menos cadeiras que ele possa ter, tem condições de voltar, já que ele estourou o tempo de conclusão em 6 anos, por que uma pessoa de 2011, ativa, que estourou o tempo de formar-se em 3 anos, não pode? Porque, repito, 4 semestres foram dados a todos.

Pois não é que verdades sobre esse mundo obscuro que cercava-me vieram à tona?

A notícia foi dada-me pelo coordenador do curso. Coloco aqui o que ele escreveu, na íntegra (recortes originais da conversa):


Esses mostressores, principalmente os que eu soube que tomaram conta do meu processo, não conhecem-me, praticamente. Se um ou dois deram aulas para mim, digo que foi muito. Neste caso... Como podem tomar uma decisão séria dessas? Baseados em quais fatos? Em históricos e números prejudicados por problemas de ordens diversas? Problemas esses que foram bem documentados e entregues.

Todavia nada supera a seguinte sentença:

QUE EU NÃO TERIA CONDIÇÕES DE VOLTAR COM TANTAS DISCIPLINAS DIFÍCEIS.

E eu concluo: ALEM DO MEU SONHO TER VIRADO PESADELO, OS PROFESSORES DUVIDAM DA MINHA CAPACIDADE. ALGUNS SERES QUE NUNCA SEQUER DERAM AULA PARA MIM NESSES SEIS ANOS. E COM O AVAL DO RESTANTE, ACHARAM QUE EU NÃO MEREÇO ESTAR ALI.


Claro, eu posso entrar novamente, fiz ENEM, tenho nota para isso, posso conseguir até mesmo por porte de diploma superior. Mas como continuar num curso que tem esse tipo de gente como professor? Uma coisa é você especular, saber por suposições... Outra bem diferente é alguém de dentro falar, melhor, escrever o que os professores acham de sua pessoa. Por que continuar a estudar com seres que pensam isso sobre seus alunos?

E eis a prova final de que eu não sou apenas alguém com o orgulho ferido - eu fui INJUSTIÇADA:

Olharam bem essa parte grifada? Então, é essa gente que não está nem aí para mim que formam os futuros da Ciência no meu estado. São essas pessoas que escolhem quem deve ficar e quem deve sair, como imperadores bufantes e maquiavélicos que fazem o famoso sinal para acabar com o gladiador na arena.

É uma melancólica história de um sonho bonito. Só que a vida é feita desses infortúnios, a minha até bem mais. É o que estava destinado e o que, de fato, aconteceu.

Meu balanço do curso de Física foi o pior. Dele eu não levo ninguém, não fiz amigos de verdade. Poderia dizer que é a diferença de idade... Eu sou bem mais velha que a maioria... Entretanto há muita falsidade e gente esperta, que fica em cima do muro o tempo todo, esperando uma boa oportunidade para se sobressair. Muita gente jovem extremamente astuta, que usa de todas as formas para passar e se formar. Muitas pessoas que diziam-se minhas amigas... E que depois descobri o mar de mentiras e deslealdade em que elas estavam metidas. Outras que vão e voltam... E eu, muitas vezes, sou ignorada. Não, não... Pensando bem, dessa forma não havia como continuar.

Sim, eu fui muito inocente, pois sou uma entusiasta de carteirinha. Cheguei com expectativas altas, achando que tinha encontrado o meu lugar e que todos falariam de Carl Sagan, nebulosas, filosofia de vida... Percebi que o curso de Contabilidade, ao menos, deixou-me com alguns amigos que sentem saudades de mim e dizem isso. De onde eu não queria é que eu construí algo, mesmo que pequeno.

Apesar do tempo que todos disseram que eu perdi... Penso...

É melhor a iconoclastia do que a adoração a falsos ídolos.

É melhor desvencilhar-me de uma relação falida e abusiva como essa.

Adeus, Física! Adeus, Ciência! 
Talvez em outra vida, eu consiga achar a sua real essência...

Deus, que eu não demore muito para reerguer meus olhos para as Constelações e a Astronomia.

E a minha vida segue!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Das aulas e suas desmotivações (grosserias e outros aspectos...)

Final de ano... E seriam as férias o descanso para os mais variados tipos de mente. Contudo isso não é o que acontece por essas bandas de cá.

Foram alguns meses de greve e eu pensei que estaria revitalizada para mais um período chocante. Um engano tremendo!

[Pergunto-me se essas situações que descreverei a seguir acontecem, em grande número, em um mundo civilizado, em um país desenvolvido. Se assim for, então a Terra é mesmo uma droga e não há nenhum tipo de esperança na vida futura; nem mesmo aquela relatada em romances.]

Ah, Astronomia! Quando olhava o céu e sua Via Láctea brilhante e leitosa, não imaginava que tudo isso poderia ser um inferno sem tamanho. Mas cá estou eu...

A pior sensação para um aluno humanizado e sensível é ser humilhado de alguma forma em público. E isso acontece tanto por aqui que muitos consideram uma rotina normal - literalmente, um cafezinho após as refeições [até alunos que estão agora no Mestrado, em alguma parte desse país, de alguma forma, são mencionados em passagens degradantes intelectualmente e viram histórias tristes repassadas ano após ano.].

Pois bem, hoje foi um dia em que repensei, seriamente, em todas as minhas escolhas. Diante das grosserias de um professor [já conhecido por este fator], tive que conter toda a minha indignação e imaginar - isso é passageiro.

[paciência e compreensão são moedas de ouro raras em Física - Ou um sinal de fraqueza?]

Somos culpados por eles, em grande parte, nossos medos alimentam-os.

Eu sabia ditar aquela maldita equação, mas, como um ser falho, esqueci-me do nome de um mero vetor. E isso foi a minha sentença nesse dia. Fui rebaixada a um micróbio e pensei - "Vou virar uma daquelas histórias tristes?".

Fui beber uma água, pensar, respirar e catar alguns raios de Sol. Eu só tenho uma vida e não posso estragá-la assim [não mais!] por conta de grosserias daqueles que não significam nada nela.

É difícil encarar, como não não? As dificuldades triplicam, montanhas elevam-se e os momentos tornam-se horrorosos.

Por outro lado, vejo que é possível dar conteúdos difíceis se você tem carisma, boa vontade, menos orgulho e fé. Alguns exemplos estão agora disponíveis - o frescor da iniciação! Por quanto tempo isso durará? O suficiente para mostrar que é realizável já está de bom tamanho.

Escrevendo agora, não sei qual será minha atitude daqui para a frente. Mas não posso dizer que esquecerei e deixarei passar. Afinal, tudo que vai, volta... Certeiramente. É só questão de esperar o momento propício e os acontecimentos. À vezes, o próprio destino encarrega-se de fazer vigorar a Lei.

Vou comer Sushi e abrir uma Pepsi gelada - e por hoje, e só por hoje, vou abstrair este fatídico dia.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Da saudade de tempos imemoriais de outras vidas...

Estudar Exatas tem sido um grande desafio. Não tanto pela Ciência em si, que é bela e cheia de perseverança [apesar das vaidades que nunca entenderei]. A falta de espiritualidade de todos ao redor é um espinho pontiagudo.

Todos são de ferro e feitos de palavras agressivas soltas cronometradamente em larga escala. Cenários de disputas, mesquinharias e incompreensão. Ao mesmo tempo, são pálidos e frios, sem mistério, sem sal e muito menos açúcar. É como olhar grandes recipientes vazios encrustados de números e quantidade, fórmulas e desdenhos.

Há assuntos que não gosto de discutir [ou, ao longo do tempo, aprendi a evitar]. São eles, religião e política.

Assim que entrei no curso, foi dada-me a seguinte máxima: "religião não combina com Física.". Fiquei com isso na minha cabeça por muito tempo.

Pensei nos cientistas do Vaticano, Latim, Isaac Newton e todas as possibilidades românticas e poéticas de uma vida que pode ser clara, tranquila, espiritual, buscando o conhecimento sobre o mundo e sobre si mesmo. Contudo parece um assunto proibido, só murmurado em coxias, na calada da noite. Sinto-me numa fábrica ideológica imposta - ser e ser - não é uma questão, é a própria vida.

Dentro do meu próprio mundo, eu sou um paradoxo. Sou católica e acredito em reencarnação. Gosto da propriedade investigativa dos  Dr. Ian Stevenson (já falecido) e o Dr. Jim B. Tucker (Psychiatry and Neurobehavioral Sciences - The Division of Perceptual Studies - University of Virginia - School of Medicine)Do outro lado, meu modelo de profissional é o Carl Sagan - cético e divulgador nato da ciência, não a apavorante, e sim  aquela de um mundo que não precisa ser complicado, basta amá-lo para entendê-lo (igualzinho a Olavo Bilac que aconselhava a amar as estrelas para compreendê-las...).

Em nenhum momento entrei em conflito com esses dois mundos. A coexistência é a chave para a paz.

Sinto, cada dia mais, que aqui não é o lugar, o meu. Não consegui criar raízes e belas histórias. Não sinto saudade.

Falta-me o sentimento vivo e intenso. E ele existe e viveu ardentemente em mim.

Muitas pessoas alegam ter memórias de outras vidas (geralmente aparecem na infância, antes dos 7 anos). Outras sentem a falta inexplicável de algo que não viveram - um fragmento de uma vida esfuziante de outrora, de outro tempo, imemorial e longínquo.

Revendo Arquivo-X (1993-2001), cada vez mais identifico-me com o Fox Mulder. E, todos que assim se sentem, têm medo de, no meio acadêmico, acabarem com a reputação de estranho, louco e desacreditado.

O assunto vidas passadas também foi abordado na série - os carmas, pessoas que continuam ao nosso lado, as mesmas missões, os mesmos pecados e defeitos, inimigos, amigos e amores.

Hoje sinto-me letárgica. Não há um grande amor ou laços de amizades intensos. E assim é essa caminhada há alguns anos.

As perguntas permanecem abertas e as respostas perdidas. Porém há tantas histórias para serem vividas e redescobertas. Em algum lugar vaga, com a mesma impressão, alguém que também sente que um pedaço dessa vida está ligada a outras que, nesse momento, ocultam-se em labirintos que deixam escapar somente a sensação de que a alma é imortal e imutável.

Não se vive para sempre.
Vive-se várias vezes...


***

Este é o tema do filme para TV Minha Vida Na Outra Vida (Yesterday's Children - 2000/EUA/França). Ele foi inspirado no livro autobiográfico de Jenny Cockell. O Livro de Jenny, Yesterday’s Children: The Extraordinary Search for My Past Life Family (1993), relata suas lembranças de uma vida passada e sua jornada para reunir seus filhos de ontem que deixou ao morrer na Irlanda de 1932. O filme conta com Jane Seymour (a famosa Dr. Quinn e do belo filme Em Algum Lugar do Passado), Clancy Brown (Highlander e Sleepy Hollow) e o grande ator Hume Cronyn (que foi, também, marido de Jessica Tandy).

O tema é cantado por Jenn Mahoney e chama-se A Dream That Only I Can Know. Tem uma parte cantada em gaélico irlandês e outra em inglês - um trecho abaixo traduzido (Letra da música aqui).



"Escute o meu coração
E como ele segue um sonho
E ele leva a um lugar
Que somente eu conheço 
Para conhecer meu coração 
É preciso seguir um sonho 
Um sonho que apenas eu posso conhecer." 


domingo, 7 de setembro de 2014

Sonhadora - O Outro Mundo

"In all this talk of time
Talk is fine
But I don't want to stay around
Why can't we pantomime, just close our eyes
And sleep sweet dreams
Me and you with wings on our feet."



"De toda essa conversa sobre o tempo,
Conversar é o melhor,
Mas eu não quero ficar por perto.
Porque não podemos fingir, apenas fechar nossos olhos
E sonhar doces sonhos.
Eu e você, com asas em nossos pés."  (trecho de The Great Beyond de R.E.M.)


R.E.M. é a pura metáfora sobre os sonhadores e isso não somente pelo nome da banda remeter o próprio estágio profundo do sono onde ocorrem os sonhos mais intensos. Suas letras são carregadas com cenários e pensamentos daqueles que, para escaparem do mundo cruel em volta, divagam e transitam por universos mais acolhedores em suas canções. 

Hoje lembrei-me intensamente dos dias que escutava as músicas da banda e sentia cada nota. Entretanto, infelizmente, em vez de trazê-las por meio de pensamentos mais esperançosos, as memórias emergiram tristemente. Senti meu coração espatifar-se no muro de uma realidade constrangedora e houve migalhas de momentos saudosistas por todos os lados. 

Ultimamente tenho sentindo-me vazia, desesperançosa e, talvez, carregando um grande carma: de achar que, em algum lugar, há pessoas diferentes, que valorizam o amor, acreditam nele, acreditam também nas boas ações, na ajuda desprovida de interesse, em fazer o bem, ou seja, por todas as razões teóricas que nos fazem únicos em nossa própria existência.  

Ao longo dos anos fui maltratada, não pelas convicções desses sentimentos bons, mas pelas pessoas diferentes de mim em que insisti em manter uma ligação. Um dos meus maiores erros foi ter amado alguém que destruiu minha própria imagem de uma pessoa que poderia e merecia ser bem cuidada. Todos os aprendizados são válidos, porém gostaria de ter recebido este em doses menos intensas. 

Com esta experiência, passei a questionar o que é um fato sobre alguém. Sempre escutava que as críticas negativas, tanto emocionais e físicas, relativas a mim eram a famigerada realidade. O que é a realidade? O que é um fato? Existe uma verdade universal sobre um ser humano e sua personalidade? Deveria aceitar e acreditar que uma mudança em minha essência seria de fato para meu bem ou para o bem daquele que queria manipular-me e que tudo funcionasse do seu jeito prático e frio? Custou-me (e ainda estou no processo) convencer a mim mesma que "ser única" e "desviada do padrão" não eram defeitos e sim minha própria identidade não muito bem compreendida pelos outros e muito menos respeitada: eu sou um peixe dourado podado por um aquário de vidro

Sim, isso caracteriza uma espécie de violência psicológica. É claro que eu sobrevivi, mas não sem sequelas. Olho a garota de dez anos atrás, cheia de sonhos e com a sede do conhecimento, que achava que os bons sentimentos e o amor eram as engrenagens que moviam o mundo. Tinha a concepção que, fora do meu cercado interiorano, não havia desuso neste campo. Hoje, já mulher, vejo que o meu minha cerca protegeu-me das decepções enquanto edificava meu próprio caráter. Apesar do bullying adolescente sofrido, pude construir e desfrutar de emoções puras e ter esperança sobre acerca de uma sociedade que pudesse fervilhar em conhecimento e ter mais bondade do que aquela em que vivi. Notei que tive contato cedo com a doação, a entrega, o amor e a cultura de muitas maneiras -  foram as minhas experiências de antes que seguraram-me no meu trajeto sem amargar em um poço de tristeza antes do que deveria. 

Sim, agora estou amargando nesse poço. E escrever é uma ferramenta que utilizo para livrar-me, por alguns momentos, da pesada máscara que carrego para não demonstrar, a quem não devo, o meu próprio desespero interior. 

Partilhar sofrimentos e angústias feriu-me muitas vezes, assim como sonhos e anseios. E sobre esse último, recentemente, surpreendeu-me a denominação sonhadora. De fato, no contexto inserido, senti-me uma pobre coitada que padecerá no mundo pela falta de praticidade e pela esperança ultrapassada - uma utopia digna de pena

Passei por tantos maus bocados - dor física crônica, medos, solidão, demonstrações de egoísmo, de falta de caráter, de exploração e de esperteza. Chorei e choro muitas vezes trancada porque não há ninguém com tempo, disposição ou entendimento (nunca, de verdade, ninguém tem tempo, sempre contado os minutos no relógio, muito atarefado com as coisas práticas, a ávida e feroz busca pelo conhecimento padrão, pela formação e a estabilidade profissional a todo custo). Abandonei as possibilidade da minha primeira formação acadêmica porque, por mais dinheiro que ela pudesse ter proporcionado-me, seria apenas mais um tijolo na parede, um modelo padrão, uma pessoa forjada e muito infeliz na área. Minha família comprou o meu segundo sonho: Física. Eu sempre ansiei por ser uma astrônoma e trabalhar com o estudo das estrelas e do Universo. E por ser um grande sonho, as quedas também são muitas. Eu cumpro uma pena, dia após dia, por essa escolha, não pelo conhecimento da Física e sua estrutura intacta e incorrupta, mas justamente pelo material humano. Sofro, não para adaptar-me, mas para sobreviver às mazelas das matérias difíceis dadas por professores, que além de serem maus profissionais do ensino, fazem questão de serem iconoclastas; por muitos colegas, bem mais jovens, muito cruéis e que somente sabem falar de números e cálculos de uma forma incrivelmente mecanizada (que sei: não é a única realidade, não aquela que eu quero e não a que meus modelos profissionais viveram). Vivo um pequeno inferno diário em pensionatos mal-estruturados, com muita bagunça, sem tranquilidade, sem segurança, sem lugar para preparar refeições, tendo que sair todos os dias para comer fora. O cotidiano de ônibus sucateados, com motoristas e cobradores mal-educados e passageiros ainda piores, e o pouco dinheiro do mês a esvair-se como água desanimam profundamente. 

Diante de todo o exposto, eu realmente não esperava escutar, um dia, um sonhadora (muito pela inocência de garimpar compreensão) tão entristecedor. Quem poderá colocar-se, um dia, em minha pele? Quem poderá ter uma reflexão coerente? 

É muito fácil julgar, o esporte favorito de muitos que conheço. Torna-se mais fácil ainda quando se está em uma casa confortável, contando com um carro para emergências, mesmo utilizando ônibus, acordando e tendo café da manhã para depois almoçar tranquilamente, voltando da universidade, cheio de dúvidas, raiva e angústia, e ter um lugar somente seu para repousar a cabeça, sem pensar todos os dias - "não poderei sair desse purgatório, pois não tenho condições.". 

Depois desse ocorrido, voltei para casa, no ônibus de sempre, sem noção do tempo. Fiquei triste pelos julgamentos e com a sensação de que o meu vazio aumentara. Pela primeira vez, sinto que o amanhã não vai ser melhor. 

Se fosse possível uma acolhida, eu bem que gostaria. Na verdade, apenas uma conversa saudável, animadora, com alguém que renovasse a esperança na beleza do acreditar, que não medisse o tempo, não falasse em compromissos, que não sobrepusesse sua voz sobre a minha, que desse-me espaço e compreensão, não se baseasse em aspectos físicos e valorizasse o todo, o conjunto de uma obra; que, finalmente, soubesse entender contextos. 

É assim que é ser sonhadora? Ou a sociedade acostumou-se e mergulhou em seu próprio caldo insosso e instantâneo? São muitos os questionamentos, realidades distintas e culpas. E este caminho tornou-se escuridão, cercado por águas turvas. 

Sim, mais do que nunca, agora, preciso manter as asas do meus pés feridos e cansados. Bem ou mal, eles mantêm-me ainda no caminho, sustentado minha alma taciturna e calejada.




domingo, 8 de janeiro de 2012

The masterplan

Acordei – dor de cabeça. Bebi litros e litros de chá. Gravei umas músicas. Não ficaram boas – na verdade, odiei todas e ando odiando a minha própria voz.

Pensei na Astronomia...

[nenhuma segurança - eu por mim mesma e ninguém mais.]

Não estou conseguindo curtir as minhas próprias férias – é como se estivesse com um grande peso – idade, problemas familiares, a grana que anda curta [e sim, quando foi que não esteve? Sempre a mesma história em duas décadas e um pouco de existência!], casa e o próprio peso do curso de Física - professores ruins exigindo que você seja autodidata e que tenha na ponta da língua o que os melhores cientistas provaram com ajuda de grandes universidades e grandes mestres.

Colegas... Tão novos e esperançosos - alguns muito espertos, outros muito malvados e ríspidos; há os bons no que estudam, os convencidos e os que vivem a dizer que tudo no curso é básico, muito básico... E eu pensando – O básico que F******!

O inferno de Dante – talvez a sensação de olhar o vazio e de acabar com tudo isso da maneira mais eficiente possível e nada politicamente correta.

Aos poucos, sinto que emudeço. As minhas últimas tentativas de ‘diminuir’ a pressão foram experiências frustrantes – como expressar-me para pessoas que vivem em situações diferentes e desconhecem esses problemas? Certamente ouvirei a emblemática – você reclama demais!

... Reclamar demais, olhar inquisitivo, sorrisos de escárnio...

- Por favor, uma passagem só de ida para...

Por que as pessoas têm a mania de sorrir quando você está precisando de algumas palavras de conforto ou de uma piada sobre um livro do George Orwell?

[uma vez um colega de curso fez uma piadas muito legal sobre os mendigos da Pior em Paris e Londres – momento sublime e raro!]

Ontem fiquei preocupada. Não consegui chorar e estava prestes a morrer envolta por um sentimento de impotência. Então escutei Oasis MTV Unplugged [1996] (aquele que o Liam faltou por uma suposta laringite, contudo tomou todas em um pub, assistindo ao concerto.).

E... Lembrei daqueles planos maiores da adolescência - o êxtase dos ônibus espaciais, Vênus à noroeste, radiotelescópios, os olhos azuis inspiradores [talvez, pelo resto da minha vida, a lembrança mais pura do que é o verdadeiro amor – desprovido de lágrimas de sangue e palavras duras.].

Finalmente chorei.

E a vida esfuziante, embalada pelo Oasis, virá - shows de rock, Astronomia, casinha de madeira, chá em bule de porcela, laguinho para mergulhar os pés, lençóis brancos, floresta de pinheiro, ovelhas brancas, torta de maçã e canela e, talvez, olhos azuis da compreensão e da cumplicidade?

O mundo do conhecimento é maravilhoso, porém para alguns, como eu, muitas vezes, janelas que não podem ser transpassadas são abertas. O masterplan [plano maior] vira uma tortura.

A realidade é uma grandessíssima M****.

Manhã gloriosa e plano maior, por enquanto, são ainda as músicas do Oasis, trazendo lembranças de pensamentos da época de ouro da inocência da minha própria mente. E se um dia, por obra divina, tudo mudar, Oasis MTV Unplugged derramará os primeiros acordes em um dia ensolarado que proclamará a minha liberdade!

The Masterplan

# E, então, dance, se você quiser dançar
Por favor, irmão, se dê uma chance
Você sabe que eles irão
Em qual caminho quiserem seguir
Tudo o que sabemos é que nós não sabemos
Como vai acontecer
Por favor, irmão, deixe acontecer
Esquivar-se da vida não vai nos deixar entender
Que somos todos parte de um plano maior# (trecho de Masterplan - Oasis/Noel Gallagher - 1995) 



Morning Glory

#Todos os seus sonhos são feitos
Quando você está condenado ao espelho e a lâmina de barbear
Hoje é o dia que todo o mundo verá
Outra tarde ensolarada
[Eu estou] andando ao som da sua melodia favorita
O amanhã nunca sabe o que não sabe tão cedo# (trecho de Morning Glory - Oasis/Noel Gallagher - 1995)

sábado, 17 de setembro de 2011

Da sensação de impotência e desconforto...

Engraçado, eu não me lembro de ter sentido algo parecido na minha primeira faculdade. Talvez eu tivesse mais energia, esperança e tranquilidade.

Depois de um rio de lágrimas, eis que estou aqui, pensando. As palavras não saem como deveriam, eu nem consigo falar a respeito.

Como descrever a sensação de vazio? E como relatar uma agonia sem precedentes? Minha cabeça dá voltas e mais voltas, lamentando as paredes frias.

Quanto tempo vai durar esse inferno? Minha pirâmide das necessidades básicas desabou - a satisfação pessoal foi para o espaço!

Vontade de largar tudo e ir por aí em busca de uma resposta para minha própria vida. Como aprender sobre 'o divino mundo'?

As palavras de um professor não saem da minha mente - para 'chegar ao topo' (da Física), você necessita mais do que fé... Na verdade, em 6 meses, bombardearam-me com todas as 'negativas' possíveis - professores, colegas, colegas e mais professores. Isso é um grande pesadelo!

Tanta gente [...] ao redor e eu tendo que exercer a polidez de um Quentin Crisp.

E se eu pedisse socorro? Alguém escutaria? Sempre está chovendo em mim. E aqueles 'dias felizes' nunca existiram. Respostas, sentido para a vida...

A sensação de impotência diante desse mundo 'bonito'aparece em nuances cinzas. Desconforto, a velha amiga.

O inverno da alma voltou - não há como florescer em meio a tantos dissabores.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Recomendação Especial - Gaelic Storm

Bem...

Depois desse intervalo de tempo far away from here, eu poderia escrever um longo texto sobre toda a desesperança, letargia e falta de sentimento sobre mim, porém decidi não fazê-lo. Deixarei para uma próxima.

Talvez valha a pena (este texto direciona-se exatamente a um público que sente-se perdido ou sofra do mal da momentânea fase lixão) falar que a minha 'querida universidade' tem-se mostrado uma inimiga bem feroz - muita gente boa reunida e eu flutuando no mundo paralelo, ou seja, é tempo de perguntar-me: será que tenho algum talento para isso, ou é apenas uma inclinação infantil? Não deveria ter assistido à recepção aos calouros. Foi desanimador demais. Acho que ganhei uma passagem de ida para o inferno da 'exclusão' e não me dei conta...

Um lobo solitário possui mais sentimentos do que eu (fase mármore) - apenas observo a multidão e as pessoas que um dia admirei sem reconhecer a euforia de outrora.

***
Gaelic Storm




Minha grande descoberta (culpa do MP4 player da Philips GoGear que trouxe a música). 
A banda fisgou-me nos primeiros acordes do violino com toque irlandês! Perdoem-me, mas preciso dizer que é FODÁSTICO escutá-la!
Formada em 1996, em Santa Mônica, EUA, possui influência céltica - tanto irlandesa como escocesa. Participou da trilha sonora do filme Titanic, em 1997.

A atual formação conta com:

Patrick Murphy (acordeão, spoons, bodhrán e vocal)
Steve Twigger (violão, bouzouki, bandolim e vocal)
Ryan Lacey (djembe, doumbek, surdo, cajón, vocal e percussão)
Peter Purvis (highland bagpipes, uillean pipes, deger pipes e tin whistle)
Jessie Burns (violino e vocal)

Apesar do meu MP4 ter ido para a garantia com apenas 15 dias de uso, eu tenho que agradecer ao cara de Sampa que fez a manutenção, pois foi através desse famigerado e amado aparelho que eu conheci o trabalho do grupo.


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Física, Astronomia e rock 'n' roll vs. realidade

A Lenda: Carl Sagan
Bem, cheguei até aqui. Na verdade é o começo de uma grande, grande caminhada. Depois de um ano, eis que finalmente conquistei a vaga para Física Bacharelado com a possibilidade de cursar

Será a árdua jornada para alcançar a Astronomia. Tudo movido por um amor infante e intrínseco na alma.

Eu deveria estar feliz e estou. Porém de forma quase anestesiada. Penso no restante - o inglês fluente que eu ainda não possuo (dinheiro, dinheiro, dinheiro!), viagens, Matemática, Física, HBC (Horas de Bunda na Cadeira). E eu terei que encarar todos esses desafios, assim como Hércules encarou os 12 trabalhos.

Afinal, era tudo que eu queria - não roubei todas as Superinteressantes dos vizinhos, não estraçalhei as Vejas na parte de Astronomia, não quebrei meu porquinho para tirar aqueles 25 reais suados para assinar a falecida revista Astronomia Novae da SBEA (Sociedade Brasileira Para o Ensino de Astronomia) e meus colegas não me trouxeram recortes sobre espaço à toa. Eu tenho um amor, o maior amor do mundo, do tamanho do universo.

Nessa caminhada tão difícil, ainda enfrento, dia após dia, a ignorância das pessoas e também a soberba de algumas - muitas acham que Física e Astronomia são inúteis, feitas para aqueles que têm dinheiro e não precisam trabalhar para comer e pagar contas.

E o jogo logo começará - debaixo de muitas restrições orçamentárias, sacrifícios, isolamento, ônibus, solidão...

Carl Sagan e a Voyager 2 - 1986
Seria ingênuo de minha parte dizer que tudo vai dar certo. Contudo Física e Astronomia, para mim, sempre terão aquela trilha sonora com muito rock ‘n’ roll, aquele gostinho saboroso do programa Espaçonave Terra, o frisson da chamada do Marcelo Gleiser para o Globo Ciência e dos olhos vidrados na série Cosmos do Carl Sagan.

É, ainda, muita pretensão trilhar o caminho das estrelas e até mesmo muita ousadia imaginar terminar um curso considerado dificílimo. Entretanto tentar é a melhor maneira, apesar de ser a que machuca mais, de transformar sonhos em realidade.

Só pergunto-me: terei que ser uma Sherlock Holmes para isso? Seria a sociopatia funcional a solução para conquistar e expandir a Ciência em minha vida?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Semana das incertezas (part. II)

Minha cabeça dói nesse exato momento. Estou gripada e sem muitas esperanças.

Depois do resultado da primeira chamada, eu comecei a perguntar a mim mesma se a grande chance não foi ano passado, quando eu consegui ser aprovada em duas faculdades distintas para Matemática e Física.

Agora que tenho uma possibilidade real de mobilidade, a vaga parece distante. É insano pensar que um curso de Física, antes de 1/1, agora esteja 25/1, porém é o que aconteceu nessa edição do SISU, agravando ainda mais minha melancolia. Fiquei por tão pouco que não pude esconder minha tristeza durante o dia da divulgação dos resultados.

Algumas pessoas falaram comigo naquele momento taciturno. Algumas conversas foram de grande valia. Outras fizeram-me apenas relembrar que meu coração desvairado teima em cultivar sentimentos que existem unilateralmente.

Essa semana será decisiva. Se não sobrarem vagas para meu curso, o que fazer durante esse um ano que antecederá mais uma cansativa prova do ENEM? Continuar a trabalhar? Juntar dinheiro e fazer uma viagem? Ir a shows de rock em grandes cidades? Estudar em casa ou ir para o cursinho? Fazer pós e mestrado em Contábeis? Estudar para um concurso público? Confesso que a probabilidade de ficar mais um ano nessa expectativa não é nada agradável e é terrivelmente alarmante.

E que venha mais uma rodada.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Semana das incertezas

Ando de um lado para o outro, meu nariz está irritado e minha vontade de escrever tornou-se mínima nesta semana.

Por quê? Ora, porque meu futuro, minha paixão, meu ânimo e minha própria sanidade estão nas mãos de um sistema falho como o SISU.

Vou abster-me dos detalhes sobre meu próprio desempenho ao longo da semana em relação ao meu tão sonhado curso de Física. Resultado mesmo só dia 24 de janeiro. Porém as preliminares já deixam-me à beira de um ataque de nervos, pois sei que muitos que tiveram média acima da minha e, consequentemente, jogaram por jogar em Física como segunda opção, ocupam, agora, o espaço daqueles que realmente amam e querem esse curso para suas vidas. Tudo bem que haverá mais chamadas, todavia isso implica em mais agonia para os pobres corações dos aspirantes a cientistas.

Oh, isso parece um pesadelo inacabável! E apesar de já ter uma faculdade pública no currículo, estou parecendo uma iniciante no mundo do vestibular. Um medo terrível de passar mais um ano longe do meu sonho consome minha alma.

(Preciso de um chocolate... Pausa de 5 minutos - elevador, piso, supermercado, prateleira, caixa, passos, elevador, porta, cadeira, PC, blog... Nhác!)

Meu Deus, nem o chocolate é capaz de animar-me! Acho que se meus dois CDs do Queen chegassem logo, eu poderia ficar mais calma.

Enquanto isso... Desenvolve-se o meu drama interior.

domingo, 13 de junho de 2010

Olhei para o céu e ele se abriu - percebi que era a minha vida que estava lá...


Há um trecho de um livro que, quando eu o li pela primeira vez, causou-me uma comoção extraordinária:

"Meus pais não eram cientistas. Não sabiam quase nada sobre ciência. Mas, ao me apresentar simultaneamente ao ceticismo e à admiração, me ensinaram as duas formas de pensar, de tão difícil convivência, centrais para o método científico. Estavam a apenas um passo da pobreza. Mas quando anunciei que queria ser astrônomo, recebi apoio incondicional - mesmo eles (como eu) só tivessem uma ideia muito rudimentar da profissão de Astrônomo. Nunca sugeriram que, consideradas as circunstâncias, talvez fosse melhor eu ser médico ou advogado." 
(O Mundo Assombrado Pelos Demônios, página 14, Companhia de Bolso, 2006)

Esse livro é O Mundo Assombrado Pelos Demônios do grande astrônomo e divulgador da ciência Carl Sagan.

Sagan é minha inspiração em se tratando da profissão mais bela do mundo (porque todos os apaixonados são assim - o maior amor do mundo).

Enquanto tantos não abastados sonham em ser médicos e advogados para fugir da pobreza e alcançar status social, outros apenas querem aprender e difundir conhecimento. Essa é a diferença entre tornar-se mais um, com uma vida confortável e estagnada, ou uma joia mundial, mesmo vivendo, ou sobrevivendo, dia após dia, com uma casinha simples e uma sacola de devaneios.

E se Stendhal, Dostoiévski e Einstein tivessem optado por medicina ou advocacia para alcançar o tão sonhado status? Haveria livros maravilhosos para escancarar uma sociedade cheia de preconceitos e mostrar a degradação da moral? Saberíamos que as estrelas não estão exatamente naquele pontinho onde as enxergamos? Pensaríamos em viagens no tempo? Teríamos noção da imensidão do universo?

Você teria seu ipod ou sua TV HD Full se no mundo só existissem médicos e advogados?

É melhor viver com dinheiro ou com realização? Seria ordem e progresso? Ou primeiro progresso e ordem? (alguém já disse-me que ordem nunca vem antes do progresso, ou você acha que o Bill Gates vivia numa organização digna de dona de casa dos anos 30?)

A ciência é algo tão maravilhoso. É nela que estão as mãos de Deus. E carreiras como a de astrônomo revela-nos pessoas que, como o dr. Sagan, enfrentaram as dificuldades em nome da escolha.

Essa foi a diferença entre um coleguinha de escola de Carl Sagan, que resolveu ser advogado ou médico, e ele que seguiu um sonho juvenil. E esse menino pobre que descobriu a ciência e resolveu abraçá-la, no fim das contas, acabou estampando a capa da Times e agora mesmo tem sua contribuição levada pela Sonda Voyager aos confins do universo.

Eu tive um sonho... Eu olhei para o céu e ele se abriu. Enxerguei o cinturão e a constelação austral de Órion. Meu coração disparou. Percebi que era a minha vida que estava lá.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Quero ser Dr. Walter Bishop!


"Se a nova série do J.J. Abrams, Fringe, ficasse apenas no universo do impagável Dr. Walter Bishop, seria uma maravilha de série."

Certo. Dada a premissa, vamos aos fatos.

Fringe é uma daquelas séries para fãs incondicionais de Sci-Fi, ou seja, para aqueles que gostam de Arquivo-X, Stargate, Jornada nas Estrelas e, também, para quem gosta de Ciência como Ciência pura, do tipo que vê Discovery Channel, assiste a séries como O Universo e tudo relacionado a Física e Química. Ela exige do telespectador um conhecimento prévio de todos esses campos para que se capte a sua essência.

Fringe tem uma audiência razoável em se tratando de Ficção Científica, pois esse tipo de série é, digamos, "um pouco demais" para os padrões intelectuais da maioria dos cidadãos americanos acostumados com Desperates Housewives, por exemplo. Mas eu acho que Fringe vai ter vida longa. 

[Atualização, 09/01/2017 - e teve vida longa. Com 5 temporadas, sem cancelamento e com final digno.]

Os personagens, esses sim... Uns deixam a série mais legal ainda, outros... Credo! A personagem principal, a imaculada Olivia Dunhan (Olivia Torv), é totalmente descartável. Já o filho do Walter Bishop, Peter Bishop (Joshua Jackson), é cabível e pertinente. Eu também colocaria a assistente do Walter, Astrid Farnsworth (Jasika Nicole) como um personagem bem interessante. Mas Fringe é Dr. Walter Bishop. Inegável isso.

O cara é o mestre dos mestres. Dê uma cadeia carbônica a ele e terás a fórmula de uma arma mortífera ou a cura para uma doença de milhares de anos. Bishop é a personificação daquilo que qualquer aspirante, como eu, a astrofísico, químico e derivados quer ser. Não existe nada de espetacularmente científico que o Dr. Walter não tenha uma participação. Ele já conseguiu ir até a outra dimensão.

Loucuras à parte, além do humor negro e da ótima atuação do ator John Noble (o Denetor de O Senhor dos Anéis), Dr. Walter Bishop é um daqueles cientistas ficcionais que realmente merece uma série só pra ele.

Um deleite vê-lo e imaginar que um dia você pode ter todo aquele domínio. Óbvio, depois de estudar anos, sobreviver à loucura e a uma provável internação num hospício. Fácil demais!