Incrível como as propagandas, não somente as brasileiras, perderam um pouco do encanto por padecerem nas mãos do politicamente correto. Duvido que, fosse hoje, essa doçura ficaria no ar sem causar polêmicas do xiitas evangélicos e das patrulhas familiares mais preocupadas em encher o saco do que educar seus filhos verdadeiramente.
Todos querem parecer bons pais, mas vá perguntar se eles já leram Mark Twain para os filhos...
Enquanto isso...
Essa propaganda do chocolate Laka, da Lacta, de 1989, nos trouxe a maravilhosa canção Crying In The Rain na voz de uma das duplas que mais gosto: The Everly Brothers. A música foi escrita por Howard Greenfield e Carole King e originalmente gravada pelo duo, em 1962. Mais tarde, em 1990, um grupo que amo, o A-ha, fez sua própria versão da música e que ficou excelente.
Quanto ao Laka...
... Continua, para mim, com gostinho de amor adolescente... Ou aquele amor platônico vindo do oceano... Ou todos os amores bons, bonitinhos, com gostinho de "Eu quero mais um pouquinho"...
O ano era 1994 - Copa do Mundo dos EUA - e fomos campeões.
Mas lembro-me, especialmente e muito mais, de uma das propagandas mais lindas que já vi em toda a minha vida - Sadia 50 Anos. Um trabalho formidável da agência de criação W/Brasil e direção de Julinho Xavier.
Por anos fiquei com a belíssima canção em minha mente e com todas as variadas cenas de amor e afeto que o ser humano pode demonstrar e receber.
Por morar em um quase vilarejo, só anos mais tarde descobri o nome da canção - Perhaps Love - e os cantores - John Denver e Plácido Domingo. E Denver tornou-se um dos meus favoritos
De todas as doces lembranças da infância, esta tem um significado profundo: o descobrimento de um mundo com uma qualidade musical vasta.
A Empresa Sadia
Sadia S. A. é o nome de uma empresa subsidiária de produção de alimentos frigoríficos do Brasil, fundada em 1944. Hoje, juntamente com a Perdigão S.A., faz parte do grupo Brasil Foods.
Foi Fundada por Attilio Fontana (1900-1989) em 7 de junho de 1944, a partir da aquisição de um frigorífico em dificuldades - a S. A. Indústria e Comércio Concórdia. Esta foi rebatizada por seu fundador, pouco tempo depois, como Sadia. O nome foi composto a partir das iniciais SA de Sociedade Anônima e DIA das três últimas letras da palavra Concórdia. Tornou-se marca registrada em 1947.
John Denver, Plácido Domingo e a música Perhaps Love
A parceria entre John Denver (1943-1997), cantor de country e folk americano, e Plácido Domingo (1941), tenor lírico-spinto espanhol, gerou a gravação da belíssima Perhaps Love em 1981. A música apareceu pela primeira vez no álbum de Plácido Domingos - Perhaps Love, no mesmo ano. Depois, em 1998, apareceu no álbum de John Denver - Rocky Mountain Christmas. A música foi escrita por Denver para a sua esposa Annie Martell no período em que eles estavam separados e entrando em processo de divórcio. A canção alcançou, em 1982, nos EUA, a posição #22 Adult Contemporary Chart e #59 na Billboard Hot 100.
Milt Okun (produtor musical de Denver), no encarte do álbum A Song's Best Friend The Very Best of John Denver, de 2004, fala que:
Perhaps Love mudou minha vida. Mudou a vida de John. Eu
sempre fui louco por ópera. Vinte anos atrás, eu cruzei com Plácido Domingo.
Comecei a seguir seus passos pelo mundo afora pensando que podia fazer um disco
clássico de muito sucesso com ele. Por cinco anos ele me evitou - pensou que eu
era um fã maluco, e de certa idade, de música clássica. Até que finalmente ele
concordou em gravar comigo. Houve um certo momento na carreira de John em que
seus discos não estavam vendendo tanto como antes. Eu o convenci a escrever uma
música de amor bem óbvia. John voltou para seu hotel e escreveu Perhaps Love - uma música linda, com uma letra simples, mas penetrante. Eu já estava gravando
Annie’s Song com Domingo. Mas naquela época, a gravadora pareceu não gostar
muito de Peharps Love. Então, eu a mostrei a Domingo, que disse: “É tão bonita,
com tantas imagens inesquecíveis. É claro que vou gravá-la.” Foi quando tive a
ideia de transformá-la num dueto [...].
E eu acabei gravando uma série de álbuns com o Domingo.
Curiosidades
É possível ver a atriz brasileira Mariana Ximenes, na época com 13 anos, na propaganda.
John Denver & Plácido Domingo - Perhaps Love (na íntegra)
Há alguns anos, quando eu era uma guriazinha travessa e vivia no Lugar Tão Tão Distante, o que a gente tinha mesmo era a TV e uma porção de livros para ler. E foi numa dessas atividades que eu escutei pela primeira vez John Denver. O ano era 1994 e a comemoração dos 50 anos da Sadia trouxe uma propaganda ícone, com a música Perhaps Love (participação de Plácido Domingo). Confira a propaganda aqui embaixo:
A música ficou na minha mente como uma doce lembrança. Depois de algum tempo, descobri finalmente um dos cantores que hoje é um dos meus favoritos.
As canções de Denver agradam-me muito e tenho as minhas preferidas: Annie's Song, Peharps Love, Sunshine On My Shoulders, Living On Jet Plane, Looking For Space e Take Me Home/Country Roads.
Deixo aqui um texto de um grande fã de Denver (texto extraído do encarte do álbum A Song's Best Friend The Very Best of John Denver, de 2004).
A Songs's Best Friend - The Very Best Of John Denver Ano 2004
David Wild – Comentário de um fã
Grandes canções nunca nos abandonam, nem de jato, nem de outra maneira.
As canções de John Denver têm feito parte de nossas vidas há tanto tempo que é perfeitamente perdoável que de vez em quando esqueçamos o quanto elas são impressionantes.
Durante grande parte da década, John Denver era o maior astro em evidência – fato que levou algumas pessoas a esnobarem e desvalorizarem suas inegáveis conquistas como artista e como homem. Está certo, Denver se tornou um superstar da mídia – adorado por milhões de pessoas de diversas gerações no mundo todo – mas... Ei...
Não vá usar isso contra ele!
Por ser tremendamente popular, por tocar fundo nas emoções e por ser um consciente cidadão do nosso planeta – basicamente, por ter o coração no lugar certo – John Denver era constantemente tido como um artista que não tinha aquele algo mais, aquele toque “hip”, numa época em que o sentimento livre de ser “hippie” dominava, chegava a ser exagerado. Certamente, Denver era o eleito do público, mas não era o queridinho dos críticos. Mas ele tinha algo muito mais do que “hip” dentro de si: era simplesmente muito bom no que fazia. Ele era country? Ele era roqueiro? Ele era do povão? Estas classificações todas se confundem e acabam desbotando, mas John Denver era, sem dúvida, único.
Como o tempo para desanuviar as ideias, agora fica claro como um riacho da Rocky Mountain por que estas canções continuam a encantar gerações. Elas tocam no fundo de corações que cresceram com a música de Denver. Elas falam de sentimentos a toda e qualquer pessoa cujo coração esteja aberto a um tipo de música desafiadora despida de cinismo. De certo modo, as canções de John Denver se tornaram um pouco daquilo que ele mais amava na natureza – coisas bonitas, coisas vivas, coisas realmente importantes.
John Denver Foto retirada do encarte do álbum A Song's Best Friend The Best Of John Denver
“Eu sempre pensei na música de John como um riacho cristalino correndo através de um rio de águas poluídas”. Diz Milt Okun, amigo de longa data e produtor de Denver, que trabalhou ao lado do artista. “Desde o começo, eu sempre achei que John dizia as coisas de um jeito muito próprio, facilmente compreendido por qualquer pessoa. Ele constantemente criava aquelas belas imagens, aquelas melodias e aqueles pensamentos, e sempre queria dizer aquilo mesmo. Ele não tinha nada de cínico ou de oportunista. Ele amava a natureza verdadeiramente e adorava as montanhas. Era uma saudável influência para todos nós. E deixou para trás um belíssimo legado musical.”
Infelizmente, Henry John Deutschendorf, nascido em Roswell, Novo México (USA), em 31 de dezembro de 1943, partiu cedo demais. Faleceu em 12 de outubro de 1997, com apenas 53 anos, ao sofrer um acidente pilotando um avião. Mas a música de John Denver ainda está bem viva.*
“Acho que não há dúvidas de que as canções de John ainda serão ouvidas por muito mais tempo.”, diz Milt Okun. “Em todo lugar que vou, percebo que, quando se fala de John, as pessoas ainda sabem e amam suas canções. E pelo que eu sei das vendagens de partituras, livros instrumentais/songbooks, posso afirmar que as pessoas continuam querendo tocam estas canções. A maioria delas são simples e diretas, mas trazem um toque mais apimentado, original e surpreendente nas melodias, assim como também, com toda certeza, nas letras. Conheço pessoas que compram o mesmo songbook mais de uma vez. Então, dá pra ter a certeza de que sua música – suas canções – vão continuar pulsando nas veias de todo o país. Estas canções fazem parte de nós – estão na trilha sonora de nossas mentes."
John Denver fazia questão de tocar para o povo. “O prazer de John vinha do fato do público gostar do que ele fazia. Eu mostrava para ele uma fita gravada de um coral de colégio entoando uma de suas canções e isso lhe dava mais prazer do que ter um novo sucesso nas paradas da revista Bilboard. John gostava especialmente de ouvir as crianças cantando suas músicas. E ele adorava cantar para as crianças. É claro que ele adorava cantar para qualquer público. Ele adorava cantar – simplesmente o ato de cantar, este ato de dar e receber. Era isso que fazia dele o Melhor Amigo da Canção."
John Denver Foto retirada do encarte do álbum A Song's Best Friend The Best Of John Denver
Denver teve a sorte de saber o quanto as pessoas gostavam de sua música – de saber que tinha deixado sua marca. Em 1996, apenas um ano antes de sua trágica morte, ele disse ao jornalista Lou Carlozo do Chicago Tribune: “Eu tenho cinco ou seis canções em todos os bares de karaokê do mundo.”
É claro que John Denver conquistou significativamente muito mais que isso. “Meu objetivo quando canto é passar a alegria de viver o que sinto.”, explicou ele certa vez. E isto foi certamente o que conseguiu em sua vida. Era o tipo de homem que olhava bem de perto para as coisas que achava mais bonitas no mundo e comunicava essa beleza ao resto de nós. Ao escrever e cantar sobre estas coisas com tamanho amor e incontestável talento, Denver conseguia trazer à tona a beleza de sua própria natureza.
Talvez agora, em pleno século 21, John Denver possa finalmente ser visto e ouvido com mais justiça – não apenas como mais uma sensação pop mundial, mas como o artista importante e de valor inesgotável que sempre foi. “Pra fala a verdade, eu nunca esperei que John fosse se tornar tão popular.” Confessa Okun sobre seu velho amigo, sem esconder uma risada. “Assim que o conheci, achei que ele era um bom cantor do povo. Todo o seu sucesso pop me deixou estupefato. E hoje eu ainda acho que ele é um cantor popular muito, muito bom, que fala de temas de apelo universal, com uma mensagem de vida positiva. Para mim, a música de Denver representa o que há de melhor na arte.”
* Segundo o livro John Denver: Mother Nature's Son, de John Collis, John Denver foi preso por dirigir alcoolizado duas vezes e que possivelmente estava pilotando ilegalmente o seu avião quando morreu.
John Denver Foto retirada do encarte do álbum A Song's Best Friend The Best Of John Denver
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Fontes: E-book John Denver: Mother Nature's Son, John Collis, 1999, ISBN 9781780573304 Encarte do álbum A Song's Best Friend The Very Best of John Denver, de 2004