Sereia, lá onde a lua banha-se
Calmamente, um dia ouviu-se
Seu canto, puro e pujante
A enfeitiçar jovens viajantes.
Olhares perdidos nas procelas
São dias sem sol e sem velas
O vento cá não sopra mais
O silêncio das ondas é voraz...
[Esta pedra cinzenta é a lembrança
Das lendas entardecidas
Nos contos de criança]
“A bela azul espuma do mar virou
Sacrificou-se em prol de um amor
Que sempre a menosprezou.”
T.S. Frank
Se você ficou curioso sobre as ilustrações do vídeo... Tratam-se de três obras de John William Waterhouse (1849-1917), pintor inglês. 1. The Mermaid/1901; 2. The Siren Circa/1900; 3. Hylas and the Nymphs/1896. A última ilustração do vídeo não é do pintor.
Tenho a sensação de reforma, recomeço e novos caminhos. E isso era somente a passagem do ano - tão simbólico. Porém não sei... Da minha janela apenas vi bêbados e a luz débil amarelada a cegar-me. Meus ossos não me deram paz. Fiquei por aqui, na cama,a espreitar, por um buraquinho, a alegria de plástico de muitos e pensei - ah, melhor deixar para o dia dois - meu doce quotidiano! E foram fogos, beijos, juras de amor, brigas, começos e términos.
E no que pensei? Não me lembro. Podia ter pensado na minha casa de madeira, junto aos pinheiros e meu rebanho de ovelhas brancas. Muito longe, lá no Sul... Um dia.
Lembrei de qualquer coisa, disso eu sei.
O que um ano todo trouxe, não há de apagar-se em um dia.
Sem mágica, sem espírito.
Enganar-se e fazer falsas promessas é enfadonho, pueril e bobo.
Eu acredito no trabalho e na construção.
E se o primeiro dia foi o primeiro tijolo, então, celebremos esta nova etapa.
Você estava numa boa, pensando em qual filme assistir nesse fim de ano letárgico e preguiçoso e teve a brilhante ideia de ver Ben-Hurou algum outro com um nome em Latim, quem sabe Quo Vadis...
Comprou aquela Coca-Cola geladinha, fez a velha pipoca de micro-ondas, colocou o DVD e ... Durante uns 6 minutos você se deparou com um grande OVERTURE, enquanto tocava a trilha sonora do filme. "Tudo bem, já passou", você pensou. E não é que duas horas depois apareceu um grande INTERMISSION e logo em seguida um ENTR'ACTE e mais e mais trilha sonora de novo...
NÃO É POSSÍVEL, Jesus!
Mas por que isso aconteceu?
Vamos às respostas! E, quem sabe, você passará a gostar desse velho modelo dos filmes de antigamente.
Overture Ben-Hur/1959
Overture – era uma abertura estática que tinha a finalidade de mostrar a trilha sonora, geralmente usada para aqueles filmes épicos, como Ben-Hur e Quo Vadis, por exemplo. O uso dela permitia que as pessoas entrassem no cinema e se acomodassem antes do filme começar. Também era uma premissa para mostrar a essência do filme. O ano de 1979 marcou o desuso da Overture, sendo que os últimos filmes a utilizá-la foram Jornada nas Estrelas – O Filme (Star Trek: The Motion Picture) e Abismo Negro (The Black Hole). Porém, a partir do último citado, as Overtures foram utilizadas somente nas chamadas roadshows, que são mostras limitadas de filmes, sendo retiradas no momento em que esses entram em circuito nacional, como aconteceu com Greystoke: A Lenda de Tarzan, o Rei da Selva (Greystoke: The Legend of Tarzan, Lord of the Apes/1984), O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas/1994), Dançando no Escuro (Dancer In The Dark/2000), Cruzada (Kingdom of Heaven/2005), mas preservada na Versão do Diretor e Melancolia (Melancholia/2011).
Alguns filmes que utilizaram a Overture:
· King Kong (1933) · E... O Vento Levou (Gone with the Wind) (1939) · Vidas Amargas (East of Eden) (1955) · Ben-Hur (1959) · Spartacus (1960) · Amor, Sublime Amor (West Side Story) (1961) · Lawrence de Arábia (Lawrence of Arabia) (1962) · Minha Bela Dama (My Fair Lady) (1964) · 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey) (1968) · Jornada nas Estrelas – O Filme (Star Trek: The Motion Picture) (1979) · Abismo Negro (The Black Hole) (1979)
A lista completa dos filmes que utilizaram Overtures você encontra AQUI.
Intermission Ben-Hur/1959
Intermission - era o intervalo nos filmes que tinha uma finalidade prática: facilitar a substituição dos rolos de filmes. Porque em um filme Épico, com umas quatro horas de duração, isso precisava ser feito sem deixar o espectador irritado. E servia para mostrar mais ainda a trilha sonora, geralmente, primorosa. O público podia aproveitar para fazer outras coisas também, como esticar as pernas, ir ao banheiro e comprar guloseimas.
Alguns filmes que utilizaram o Intermission:
· O Nascimento de Uma Nação (The Birth of a Nation) (1915) · E... O Vento Levou (Gone with the Wind) (1939) · Fantasia (1940) · Os Sete Samurais (Seven Samurai) (1954) · Ben-Hur (1959) · Spartacus (1960) · O Rei dos Reis (King of Kings) (1961) · Lawrence de Arábia (Lawrence of Arabia) (1962) · Cleopatra (1963) · Deu a Louca No Mundo (It's a Mad, Mad, Mad, Mad World) (1963) · Minha Bela Dama (My Fair Lady) (1964) · Doutor Jivago (Doctor Zhivago) (1965) · Help! (1965) [Beatles] (Intervalo inferior a 10 segundos) · A Noviça Rebelde (The Sound of Music) (1965) · Grand Prix (1966) · 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey) (1968) · O Poderoso Chefão (The Godfather) (1972) · Os Cowboys (The Cowboys) (1972) · Mais Forte que a Vingança (Jeremiah Johnson) (1972) · O Poderoso Chefão Parte II (The Godfather: Part II) (1974) · Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python And The Holy Grail) (1975)
Intervalo inferior a 10 segundos
· Barry Lyndon (1975) · Gandhi (1982) · Neon Genesis Evangelion: Death & Rebirth (1997)
Entr'acte Ben-Hur/1959
Entr'acte - foi feito para aparecer logo após o Intermission, mostrando que era chegado, como no teatro, o segundo ato. Não tinha somente a finalidade de ser um intervalo para a troca de rolos. Como no filme Ben-Hur, o Entr'acte mostra o começo da nova jornada do herói.
E por que entraram em desuso?
Com o passar dos anos, a tecnologia fez com que a mudança dos rolos fosse imperceptível. Se O Hobbit/2012 fosse de 40 anos atrás, teríamos nele, com quase absoluta certeza, Overture e Intermission (talvez com Entr'acte).
"Van Gogh foi o gênio incompreendido, marcado por falhar em aspectos importantes de uma época ainda fechada para a liberdade de expressão. Apenas desejou achar seu lugar no mundo, um mundo em tons de amarelo energético. E com Sede de Viver, Kirk Douglas transforma-se na vivacidade de Vincent - sua vida e suas histórias com a essência de seus quadros - muita intensidade."
Pintores (as) e escritores (as) têm muito em comum - o reconhecimento póstumo. E os (as) maiores (as), quase sempre, são os (as) que enlouqueceram pelo meio do caminho ou sucumbiram à pressão de uma sociedade não preparada para a gama de ideias e opiniões dos mesmos (as), por exemplo: Edgar Allan Poe, o grande escritor dos contos de terror e suspense, que influenciaria Arthur Conan Doyle e Agatha Christie mais tarde, acabaria retirado da sarjeta, delirando antes de morrer; Vermeer, o pintor da luz e perfeição técnica, viu-se na pobreza e, por dever muito e não ter mais condições de sustentar a família, morreu de um ataque do coração. Sendo assim, não foi diferente com Vincent van Gogh. Sua vida curta, cheia de histórias e incompreensão, terminaria de forma trágica aos 37 anos. E coube ao filme Sede de Viver (Lust for Life/EUA/1956) retratar com maestria essa trajetória. A película traz atuações espetaculares de Kirk Douglas (Vicent van Gogh) e Anthony Quinn (Paul Gauguin).
O filme merece ser comentando desde a abertura, com o emblemático Leo The Lion da MGM (em sua época de ouro), passando pelas mãos firmes e certeiras do diretor Vicente Minelli (sim, o pai da Liza e, na época do filme, já divorciado da Judy Garland) e terminando com um mosaico das obras originais de van Gogh vindas de museus e coleções particulares.
A história começa em 1877, mostrando o serviço religioso de Vincent em uma vila de mineiros na Bélgica. Vivendo em condições deploráveis e sem dar notícias, van Gogh preocupa o seu irmão Theo que aparece e o leva novamente para a Holanda. Van Gogh aos poucos recupera-se, porém uma desilusão amorosa o faz mudar para Paris, onde seu irmão Theo trabalha como negociante de artes. Na grande cidade, ele faz contato com diversos artistas impressionistas e conhece aquele que viria a ser seu maior amigo, Paul Gauguin. Influenciado por Gauguin, van Gogh vai atrás de lugares ensolarados para pintar e muda-se para a Bretanha. Algum tempo depois, Gauguin vai morar com ele. A situação precária em que os dois vivem e a deterioração mental de van Gogh fazem com que os dois não continuem juntos. Theo vai em socorro do irmão que pede a ele para ser internado em um manicômio.
O filme possui cores altamente vivas que caem como uma luva no enredo. É como enxergar através dos olhos do próprio Vincent e sentir sua agonia e seu desespero (desconfia-se que o pintor via tudo em amarelo, a chamada Xantopsia, talvez por beber absinto demais, ou fosse daltônico; também há a suspeita de que sofria de esquizofrenia ou de transtorno bipolar). Despojado dos bens materiais, ele estava onde o povo estava, vendo e pintado os agricultores colhendo, os ventos soprando nos campos, a boemia embriagada, as estrelas incandescentes, luzes e mais luzes.
Todo este trabalho rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Anthony Quinn, além das indicações nas categorias de Melhor Ator, Melhor Direção de Arte e Melhor Roteiro Adaptado. Kirk Douglas recebeu o Globo de Ouro de Melhor Ator Dramático daquele ano por seu papel no filme.
Há pouco para reclamar, a não ser minúcias, desta bela obra: a falta da cena completa da orelha cortada (uma das melhores do filme e a mais emblemática da vida de van Gogh) que geraria a concepção de Autorretrato com a Orelha Cortada. Sabe-se que este famoso quadro do pintor foi concebido em 6 de janeiro de 1889 e a orelha foi-se antes, em 23 de dezembro de 1888. Porém a pintura não é vista em parte alguma do filme, nem mesmo no mosaico final.
Não há como finalizar sem mencionar o trabalho da grande lenda das trilhas sonoras: Miklós Rózsa. Responsável pelas composições dos épicos Ben-Hur e Quo Vadis, Rózsa criou para Sede de Viver uma das trilhas mais belas do cinema. Infelizmente a trilha não foi indicada ao Oscar. Um grande erro!
Se você é amante das artes ou só conhece van Gogh porque alguém na sala de aula um dia quis cortar a própria orelha, este é um filme altamente recomendável. Uma das grandes maravilhas de uma época salpicada com o amarelo dourado dos grandes atores, atrizes, estúdios, diretores e composições musicais.
Trailer
Trilha sonora [parte final - a parte da abertura é ainda mais bonita, mas ainda não foi disponibilizada no youtube]
Difícil é escrever, olhar ao redor e notar que o tempo desejado foi-se há anos.
Mudaram as estações e de uns meses para cá a inspiração para escrever desapareceu em meio a um nevoeiro de acontecimentos.
Muitas pessoas perderam minha consideração. E, muitas vezes, sair do meu cubículo para lidar com certos tipos é a tarefa mais árdua existe.
Não há como descrever a falta de senso, de cultura e, muitas vezes, bondade que assola a maioria dos jovens. São como robôs, muito bons em um ou dois aspectos, mas que acusam erro em outros mais sutis e humanos.
A pobreza de pensamento é ainda pior junto com agressividade vazia de argumentos. Eis uma narrativa simbólica:
"Um dia estava a escutar música clássica e certa criatura desprovida de qualquer característica requintada ou que a torne humanamente suportável disse que ao menos o funk carioca tem letra."
Sinceramente, diante desse exposto, fico a pensar no fato egoísta de isolamento do mundo.
E não se engane! Essas pessoas são justamente as que têm a oportunidade de frequentar uma universidade.
Eu perdi minha fé em certos aspectos. E muito de vez em quando, há alguns lampejos de salvação. Porém esmorecem diante das facilidades na estrada da vida.
Quanto mais jovens são, mais preconceituosos. E são assim em toda
s as áreas ou padrões que aos olhos dos mesmo não merecem existir. Acho que nesses dois anos, já fui vítima de certas brincadeiras, por exemplo, por escutar Chopin, ou ler um George Orwell, ou ter mais idade do que a maioria, ou ver um filme com Charlton Reston. São fatos inconcebíveis no meu mundo e no que acredito que faça um uma pessoa ser realmente uma pessoa: amar as artes, dar valor ao passado, respeitar as diferenças e basear o futuro em alicerces mais sólidos.
Esses dias sinto que o lugar mais atraente é o meu quarto e arrastar-me para fora dele significa voltar ao mesmo extremamente decepcionada a ponto de querer apenas dormir por uns dois dias antes de ter certeza que quase tudo está perdido em relação ao ser humano.
Continuo nessa caminhada, com paradas e reflexões, então. Não há modo de não sair ferida, mas existem maneiras de, talvez, desviar de algumas pedradas. Defender o que se acredita requer a maior e mais difícil virtude: paciência.
Passou-se o dia 22 de novembro e agora mais um ano, dos tantos e muitos que desejo.
Um aniversário diferente: a velha tristeza sentou-se para comer um pedaço de bolo, enquanto a alegria de um dia pintou-se com notas florais azuis e inundou o ambiente, declamando Vinicius.
Soneto de Aniversário
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
(Rio, 1942)
(Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 451.)
Querido (a) leitor (a), você deve estar cansado de escutar as mesmas frases clichês sobre o chafurdado cenário musical atual. São mais e mais lamentações de viúvos e viúvas querendo um revival do antes.
Porém o que se tem não é mais do que o reflexo da nova geração que não gosta de ler e acha que as regras gramaticais deveriam ter o mesmo destino do Latim. Meninos e meninas que vivem ornamentados com todos os aparatos que os tonam fisicamente porta-vozes de uma geração superficialmente rica: sua bases são fracas como um edifício construído com material de quinta, têm asco do passado e não possuem bagagem para analisar o impacto, por exemplo, de um disco do Marvin Gaye. Todavia entendem tudo de tecnologia e destroem os 1000 níveis de um videogame em menos de um mês. São muito bons em algo, mas só nisso. São robozinhos que ficam ouriçados por qualquer asneira. E compram brigas que levam mais de 500 comentários no Facebook para acabar. Não raro hasteiam a bandeira de que tudo que refere-se a cultura deveria ser destruído porque não é tecnológico.
E por que eles têm tanta influência hoje? Porque são uma geração forte economicamente e que detém o poder de compra. Maravilha mesmo para os mesmos é viajar escutando a nova banda do último minuto e que vai envelhecer na velocidade em que o Benjamim Button ficou novo. E se assim é, segundo a lei que rege o mercado, que agradar essas mãozinhas tão benevolentes é mais do que esperado. Mídia é isso, reflexo das gerações. E não adianta lamentar ou esbravejar tempos que já foram-se. O problema é mais profundo e a perspectiva muito sombria, afinal, quem vai ensinar a sucessora dessa geração a redescobrir os valores da polivalência? Música boa há aos montes, acredite! E hoje vou apresentar um belo exemplo. Agora cabe a você usar a sua internet para algo melhor do que bisbilhotar o mundo azul.
***
Charles Bradley saiu das ruas para nos mostrar que a Soul continua viva. Sua história parece mais um enredo de filme: fugiu de casa na adolescência e morou durante dois anos nas ruas e nos metrôs. Arrumou emprego como cozinheiro-chefe, através de um programa do governo. Foi aí que alguém disse que ele parecia com James Brown. Mesmo com medo de cantar, montou uma banda que fez alguns shows, mas que teve que se desfazer porque seus colegas foram convocados para Guerra do Vietnã. Depois disso continuou no emprego de cozinheiro por 10 anos. Decidiu viajar, passou por Nova Iorque, Seattle, Alasca, Canadá até se estabelecer na Califórnia onde manteve empregos temporários e fez pequenos concertos durante 20 anos. Voltou para Nova Iorque em 1996 para se apresentar como sósia do James Brown com o nome de Black Velvet. Passou perrengues e quase morreu por um erro médico. Durante o período como Black Velvet foi descoberto por Gabriel Roth, co-fundador da Daptone Records. Mais tarde, em 2011, veio seu álbum de estreia. Na primavera de 2012 foi lançado Soul of America, um documentário dirigido por Poull Brien, que conheceu Bradley quando dirigiu o videoclipe para a música The World (Is Going Up In Flames). O filme conta a história de Bradley desde sua infância na Flórida, passando por seus dias de mendigo e seus shows como Black Velvet. O filme termina com sua primeira turnê e a gravação do disco pela Daptone.
Então, com um Charles Bradley enchendo o cenário musical com a vivacidade da Soul, você ainda vai se lamentar por ter que ouvir forçosamente as músicas descartáveis da Lady Gaga ou de qualquer outra pessoa que se diz artista? Espero que não. Mova-se! Pegue um soultrain e trate de comprar os dois ótimos álbuns que estão abaixo. Divirta-se!
No Time for Dreaming - 2011
Ficha técnica:
Data de lançamento: 25 de janeiro de 2011 Duração: 42:30 Gênero: R&B
Estilo: Retro-Soul
Críticas: 4 estrelas das 5 possíveis (All Music)
Prêmios/Nomeações: a revista Mojo classificou o álbum como #40 dos 50 Melhores Álbuns de 2011.
Faixas
1. The World (Is Going Up in Flames) (Bradley, Brenneck, Mike Deller, Leon Michels) 3:22
2. The Telephone Song (Brenneck, Dave Guy, Michels, Homer Steinweiss, Fernando Velez) 3:48
3. Golden Rule (Bradley, Brenneck, Michels, Nick Movshon, Steinweiss) 3:29
4. I Believe in Your Love (Bradley, Brenneck, Michels) 3:54
5. Trouble in the Land (Brenneck, Michels) 1:02
6. Lovin' You, Baby (Bradley, Brenneck) 5:27
7. No Time for Dreaming (Joe Quarterman) 2:52
8. How Long (Bradley, Brenneck, Guy, Michels, Steinweiss) 3:54
9. In You (I Found a Love) (Bradley, Brenneck, Michels) 3:21
10. Why Is It so Hard? (Bradley, Brenneck, Michels, Steinweiss) 4:09
11. Since Our Last Goodbye (Brenneck, Michels, Steinweiss) 4:16
12. Heartaches and Pain (Bradley, Brenneck)
Victim of Love - 2013
Ficha técnica:
Data de lançamento: 02 de abril de 2013 Duração: 40:21 Gênero: R&B Estilo:Retro-Soul
Críticas: 4 estrelas das 5 possíveis (All Music)
Considerações: aclamação universal dos críticos de música
Faixas
1. Strictly Reserved For You (Charles Bradley, Thomas Brenneck, Adam Feeney) 3:43
2. You Put the Flame On It (Bradley, Brenneck, David Guy, Leon Michels, Nick Movshon) 3:49
3. Let Love Stand A Chance (Bradley, Brenneck) 3:59
4. Victim of Love (Bradley, Brenneck) 3:29
5. Love Bug Blues (Brenneck, Lamont Dozier, Guy, Michels, Brian Holland, Eddie Holland, Movshon, Homer Steinweiss) 3:00
6. Dusty Blue (Victor Axelrod, Brenneck, Guy, Michels, Movshon, Steinweiss) 3:22
7. Confusion (Bradley, Brenneck, Guy, Michels) 3:45
8. Where Do We Go From Here (Bradley, Brenneck, Guy, Daniel Foder, Michels, Adam Feeney, Steinweiss) 3:11
9. Crying in the Chapel (Bradley, Brenneck) 3:55
10. Hurricane (Bradley, Brenneck, Guy, Michels, Mavshon, Michael Deller, Steinweiss) 3:32
11. Through the Storm (Bradley, Brenneck) 4:32
Bem, a espera pela temporada de Sherlock/BBC é bem longa e já está praticamente intrínseca às novas temporadas, pois o mesmo fato aconteceu com a segunda. Até a presente data da postagem, não há previsão para que os episódios já gravados sejam finalmente liberados, mas o alívio é que provavelmente já está em fase de pré-produção, ou seja, apenas os últimos retoques.
A data colocada para a estreia, segundo os rumores, é apenas em janeiro de 2014. Porém nada confirmado pela produção. Aliás esta é tão misteriosa quanto a maneira [SPOILER] como Sherlock conseguiu enganar a todos e fingir a própria morte.
O que tem-se, segundo as informações do blog Snail Trail, é o seguinte:
1. A justificativa da demora:
“Acidentalmente, a forma como fazemos os episódios cria um grande intervalo entre as filmagens, de forma a que Benedict e o Martin possam ir fazer grandes filmes e depois regressar para o programa que todos adoramos. Se mantivermos este modelo, é ideal." (Steven Moffat em entrevista, retirado de Como está Sherlock desde de abril [4], 13/09/2013, blog Snail Trail)
2. A data de estreia:
“Não sei de onde veio o último rumor quanto à data de transmissão de Sherlock ser 01/04. Não de mim, pois a data de transmissão ainda não foi confirmada.” (Sue Vertue em entrevista, retirado de Como está Sherlock desde de abril [4], 13/09/2013, blog Snail Trail)
3. [SPOILER] Sobre as gravações da revelação de como Sherlock caiu e não morreu: “Nos fizemos algumas cenas falsas.” (Jeremy Lovering, realizador de The Empty Hearse, em entrevista, retirado deComo está Sherlock desde de abril [4], 13/09/2013, blog Snail Trail)
O que pode-se fazer diante desses fatos? Apenas esperar ou ver as grandes produções que Benedict Cumberbatch e Martin Freeman estão fazendo no cinema. Nosso querido Sherlock está em filmes de grande destaque como Além da Escuridão - Star Trek, 12 Anos de Escravidão e O Quinto Poder (biografia de Julian Assange e sendo o mesmo). Martin continuará na saga do Bilbo Bolseiro, depois de o Hobbit: Uma Jornada Inesperada, agora vem O Hobbit: A Desolação de Smaug. Aliás, quem é a voz do Smaug? Isso mesmo, Benedict Cumberbatch!
Tem mais novidades também no quesito vilões: como [SPOILER] o Moriarty saiu de cena, temos agora um novo arqui-inimigo do nosso querido Sherlock:
"[...] a produtora Sue Vertue divulgou a imagem de Charles Augustus Magnussem, personagem que desafiará Holmes e Watson. Ele será interpretado pelo ator dinamarquês Lars Mikkelsen (Forbrydelsen, Those Who Kill), irmão de Mads Mikkelsen (Hannibal). Ainda não foram divulgados detalhes sobre o personagem, mas é possível que ele seja a adaptação de Charles Augustus Milverton, o rei dos chantagistas, que é apresentado na obra de Arthur Conan Doyle. Ele aparece no conto The Adventure of Charles Augustus Milverton, publicado em 1904.” (Conheça o Novo Desafio de Sherlock, revista Veja, 29/07/2013).
Bem, agora fiquem com os nomes dos três (sim, de novo e de novo, só três)
1. The Empty Hearse – O Caixão Vazio (referência: o conto A Casa Vazia, do livro A Volta de Sherlock Holmes)
2. The Sign of Three – O Signo dos Três (referência: o livro O Signo dos Quatro; para quem leu o livro… Sabe que vem personagem nova por aí…)
3. His Last Wow – A Última Promessa (referência: o livro O Último Adeus de Sherlock Holmes... E isso pode ser o fim da série... Ou não...)
Por enquanto é isso, queridos (as) leitores (as). Quando saírem mais novidades, estarei aqui para passar para vocês. Aproveitem e vejam o Teaser da terceira temporada e as fontes consultadas!
E vamos vendo a primeira e a segunda temporadas pela zilhonésima vez.
Dor e medo... E o par dessas madrugadas calmas é um ponto negro cheio de mistério e com cheiro de café. É época de desesperança, sendo que o único som que traz animação ficou no passado. O tilintar da máquina de escrever não ressoa mais.
A expressão de vida também é um pouco de desespero interior em silêncio, uma angústia tenaz em meio à loucura que faz-me sentir como um peixe frio, congelando em meio ao meu próprio mundo de águas turvas.
Sou tristeza disfarçada de alegria: uma boba da corte, uma clown de Shakespeare, um desalento.
Ah, vida, poderia lamentar-te dias e dias. Contudo meu pequeno aquário possui bolhas azuis brilhantes que refletem vidas que um dia desejei ter.
Sou alegria momentânea tão esfuziante que tenho medo das horas contadas em que abraça-me.
Caminho nessa estrada cinza, velha companheira de uma vida. Agora tenho uma nova pérola para lembrar-me do que sempre quis.
Os sentimentos unilaterais um dia podem ser bilaterais, concluo. Porém é uma estrada espinhosa e rastros de pequenos cortes carmim e lágrimas despertam a agonia de não se ter o que as outras pessoas conseguem sempre.
Sim... O amor... Tão distante, vislumbrado em uma janela com vidros espessos: sorrisos ecoam, vidas se fazem e outras vidas surgem. Um filme repetido, a mesma valsa e o mesmo
céu... Dos outros, sempre dos outros.
Sou a solidão de Prometeu. E, talvez, um dia minha punição seja revogada.
Queridos (as) leitores (as) e amigos (as) do Café Quente & Sherlock...
Pois bem, recebi MAIS um e-mail dizendo que nosso querido cantinho foi indicado ao Prêmio Top Blog 2012 [quem indicou, MAIS UMA VEZ, não se sabe...].
Então, fiquem à vontade para votar no CQ&Sherlock!
O Selo está no lado esquerdo do blog.
Se um uma palavra, única e exclusiva, fosse suficiente para definir a figura de Ava Gardner essa seria: aparição.
A primeira vez que vi uma foto de Ava, por causa de outra admiração, Frank Sinatra, tive a sensação de que aquela mulher foi desenhada cuidadosamente por algum malicioso artista do Olimpo que pretendia, exclusivamente, incitar a indagação de como alguém poderia possuir uma beleza tão exultante.
Porém ser apenas ‘o mais belo animal do mundo’ [denominação dada poeta Jean Cocteau devido ao seu olhar de gata descrito por colegas de estúdio] não seria suficiente. Seu rosto dizia mais. Então, precisava ver o que mais Ava Gardner tinha a oferecer.
Nasceu em 24 de dezembro de 1922, em Grabtown, Carolina do Norte, EUA. No começo foi modelo. Pouco tempo depois, foi para telas de cinema e fez filmes como, Assassinos (1946) Mogambo (1953 - que lhe rendeu uma indicação ao Oscar), A Condessa Descalça (1954), E Agora Brilha o Sol (1957), A Noite do Iguana (1964) e vários outros títulos.
Tão movimentada como sua carreira de atriz, a sua vida pessoal era motivo de grande interesse e burburinhos nos bastidores. Casou-se oficialmente três vezes: com o ator Mickey Rooney (1942-1943), o bandleader de jazz Artie Shaw (1945-1946) e Frank Sinatra (1951-1957), que deixou a esposa anterior, Nancy, por ela. E a eles somam-se os romances, como, por exemplo, o bilionário Howard Hughes (que foi retratado no filme O Aviador - The Aviator - de 2004)). A vida de Gardner merecia um livro de Raymond Chandler.
Ava é a #25 na lista do American Film Institute (AFI) das Maiores Estrelas Femininas do Cinema.
A atriz não teve filhos e ao fim da vida, com a beleza que a alçou ao Olimpo cada vez mais distante, não tinha mais o glamour e nem mais o dinheiro de outrora. Quando pesquisei, poucas fotos pude achar dessa época.
Não sei se Ava era pretensiosa ou convencida. Havia uma certa rivalidade (com ajuda da mídia) entre Gardner e Elizabeth Taylor. Segundo o livro Ava Gardner: The Secrets conversations, de Peter Evans, uma vez ela disse - "Elizabeth Taylor não é linda, ela é bonita. [...] Eu fui linda." ("Elizabeth Taylor is not beautiful, she is pretty,” Ava informs Snyder. “I was beautiful.”)*.
Prefiro ver Ava como um ícone da década mais dourada e clássica do cinema. Uma mulher que possuía face e corpo perfeitos dignos das descrições de escritores gregos. Mas a beleza também pode ser um fardo. Certos atributos podem mascarar o que realmente somos e queremos. E, talvez, esta tenha sido a prisão de Gardner.
*As duas palavras equivalem-se, mas pretty é mais usada para expressar o fútil, ou seja, onde somente há a beleza física. Ava, talvez, tentou dizer que ela era mais completa, tanto fisicamente como intelectualmente.
Meu querido Café Quente & Sherlock está um pouco
abandonado. São tantos dilemas a ocupar minha mente: tempo, curso de Física, provas, tristezas, decepções
e o fantasma dos escritores: a falta de
inspiração. Sobreviver é o mantra da vez.
Costumo dizer aos meus amigos, em tempos de férias e gordices da madrugada, que estou acumulando gordura para o inverno. Na minha mente eu me divirto pensando na figura do Leôncio do Pica-Pau.
Porém, já faz um tempo, que deixei o manequim 38. E isso poderia ser motivo de tristeza e desespero: oh, virei uma amora da Fantástica Fábrica de Chocolates! Porém eu me sinto bem em usar manequim 40 e 42 e este fato pode muito bem ser motivo de orgulho.
Eu ainda estou dentro do peso considerado saudável para minha altura, segundo IMC [Índice de Massa Corpórea que você pode medir aqui]. Muitos dos meus amigos e algumas amigas falam que eu estou bonita e esses comentários precisam ganhar destaque.
Contudo, como sempre, há os lados opositores e deles eu preciso fazer uma espécie de triagem e extrair o melhor: tarefa árdua, mas necessária.
Há alguns meses, bem mais para 1 ano, alguém me disse que meu ganho de peso foi todo para meu rosto. Depois do impacto desse pequeno bombardeio, eu analisei e percebi que tal pessoa não merecia crédito algum por se tratar justamente do tipo: puxe o maior número de pessoas para baixo.
Mesmo nos tempos de magreza, eu sempre fui admiradora dos cheinhos. Por exemplo, Leandro Hassum é lindo. Outra que merece as mais altas reverências é a belíssima Christina Hendricks e dela apresento um sensato comentário:
"Quando eu era modelo, a primeira vez que fui para a Itália, tomava cappuccino todos os dias e acabei ganhando 7 kg. E me senti linda [...] Eu tirava a roupa em frente ao espelho e pensava: 'oh, eu pareço mesmo uma mulher'. Eu me sentia bonita e nunca tentei perder esse peso, porque eu adorei!” (Revista Health, julho/agosto de 2010).
Hendricks é o confrontar. E isso é admirável em tempos que mulheres famosas e anônimas procuram desesperadamente academias não porque querem se sentir bonitas para elas mesmas e sim para encaixarem-se em um padrão onde a alface é a suma sacerdotisa digna de todas as vitaminas e sais minerais possíveis.
Pelas observações do dia a dia, muitas mulheres conhecidas procuram diminuir suas formas para arrumar namorados. Fico a me perguntar se esse relacionamento tão almejado, baseado em forma física padronizada, trará bases sólidas e felicidade para essas mesmas mulheres. Não consigo compreender certos tipos de metas. Um modelo de personalidade e companheiro ideal é o Pierce Brosnan, só para citar um. Sua esposa, agora plus size, Keely Shaye-Smith, já foi modelo e bem magrinha, porém Brosnam deixa bem claro: “Amo as curvas da minha mulher.”
Depois de escândalos do tipo Abercrombie & Fitch e a infeliz e vergonhosa declaração do presidente da empresa , Mike Jeffries, ["Muitas pessoas não servem (em nossas roupas) e não devem servir. Somos excludentes? Absolutamente."] e do pouco apoio que os mais cheinhos tem no geral, vê uma beldade como Hendricks ser considerada uma das mulheres mais bonitas e sexys do planeta dá uma sensação de que o mundo ainda tem jeito.
E como diz Vinicius de Moraes:
... E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.*
Quando Einstein teve a brilhante ideia de pensar em um tempo relativizado, nossos bisavós iam à encontros românticos à luz da lua. E veio ao mundo não só um emaranhado de equações físicas, mas a concepção de que, no vale das palavras que esperam ser escritas, tempo é uma questão de referencial.
E certo tempo depois, de acordo com os relógios newtonianos, um rapaz de 28 [ou 29] anos resolveu expressar, na forma de música, sua preocupação de não mais estar preparando-se para qualquer coisa na vida, porém de estar bem no meio dela. Assim nasceu Time do jovem [depende do ponto de vista e da cabeça pensante] Roger Waters.
Agora, cá estou eu a tirar Dark Side Of Moon do armário e deixar que a notas da 4ª faixa ecoem - estou refletindo sobre os jovens velhos de 27 anos.
27 é uma faca de dois gumes - de um lado, os jovens imersos nos dez e pouco e 20 e pouco [bem poucos], alguns familiares e amigos da mesma idade insistindo que os trinta estão logo ali: a juventude acabou! É hora de esquecer os sonhos juvenis e procurar os caminhos dourados da estabilidade [leia-se Money, de uma história em breve]. Do outro, outros jovens imersos nos mesmos dez e pouco ou vinte e pouco [bem poucos], outros familiares e amigos dizendo o inverso. E nessa constante mudança de referencial, minha cabeça vira um grande corpo maciço e curva o espaço-tempo ao redor: as luzes de pensamentos benfeitores são desviados e não estou apta a saber sua exata localização.
Instaura-se a crise da velhice relativa. Ou seja, sempre há uma conjunção condicional espinhosa nas questões mais humanas possíveis: os jovens amores [se existir maturidade], o curso de Física [contanto que termine cedo], as festas [desde que sua faixa etária esteja inserida no público alvo] e mais atos e fatos cotidianos.
Das várias teses da madrugada, uma permeia insistentemente minha mente - meu tempo não é o mesmo deles. Viajei na velocidade da luz por um universo de desvarios, histórias e fantasias, almejando alcançar as estrelas. Idealizei pessoas, situações e uma vida inteira, e, quando voltei, anos passaram-se e meu mundo mudou porque eu envelheci justamente para os que ficaram, porém meu olhar voltou-se para eles cheio de esperança de encontrar a maturidade que desejei.
No final, a conclusão pode ter várias faces, mas a mesma essência: meu espírito e minha mente estavam ali desde meus não tão distantes dez e pouco. Eu apenas ganhei as experiências cunhadas nesta caminhada até aqui. Não se pode esperar que pessoas, mesmo sendo muito jovens, mudem sua personalidade com o tempo - ela é imutável.
Aqui, neste momento, e na nossa velocidade, tempo é implacável: não há relatividade e experiências que modifiquem mentes vazias que não querem ser modificadas.
Algo é certo, o tempo vai passar, seja ele na relatividade ou não. E quando a velhice chegar para aqueles que não sabem respeitá-la e admirá-la, o destino não passará de um buraco negro - imperdoável.
E Time tocou.
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