quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A beleza do mais

Meu querido Café Quente & Sherlock está um pouco abandonado. São tantos dilemas a ocupar minha mente: tempo, curso de Física, provas, tristezas, decepções e o fantasma dos escritores: a falta de inspiração. Sobreviver é o mantra da vez. 

Costumo dizer aos meus amigos, em tempos de férias e gordices da madrugada, que estou acumulando gordura para o inverno. Na minha mente eu me divirto pensando na figura do Leôncio do Pica-Pau.

Porém, já faz um tempo, que deixei o manequim 38. E isso poderia ser motivo de tristeza e desespero: oh, virei uma amora da Fantástica Fábrica de Chocolates! Porém eu me sinto bem em usar manequim 40 e 42 e este fato pode muito bem ser motivo de orgulho.

Eu ainda estou dentro do peso considerado saudável para minha altura, segundo IMC [Índice de Massa Corpórea que você pode medir aqui]. Muitos dos meus amigos e algumas amigas falam que eu estou bonita e esses comentários precisam ganhar destaque.

Contudo, como sempre, há os lados opositores e deles eu preciso fazer uma espécie de triagem e extrair o melhor: tarefa árdua, mas necessária.

Há alguns meses, bem mais para 1 ano, alguém me disse que meu ganho de peso foi todo para meu rosto. Depois do impacto desse pequeno bombardeio, eu analisei e percebi que tal pessoa não merecia crédito algum por se tratar justamente do tipo: puxe o maior número de pessoas para baixo.

Mesmo nos tempos de magreza, eu sempre fui admiradora dos cheinhos. Por exemplo, Leandro Hassum é lindo. Outra que merece as mais altas reverências é a belíssima Christina Hendricks e dela apresento um sensato comentário:

"Quando eu era modelo, a primeira vez que fui para a Itália, tomava cappuccino todos os dias e acabei ganhando 7 kg. E me senti linda [...] Eu tirava a roupa em frente ao espelho e pensava: 'oh, eu pareço mesmo uma mulher'. Eu me sentia bonita e nunca tentei perder esse peso, porque eu adorei!” (Revista Health, julho/agosto de 2010).

Hendricks é o confrontar. E isso é admirável em tempos que mulheres famosas e anônimas procuram desesperadamente academias não porque querem se sentir bonitas para elas mesmas e sim para encaixarem-se em um padrão onde a alface é a suma sacerdotisa digna de todas as vitaminas e sais minerais possíveis.

Pelas observações do dia a dia, muitas mulheres conhecidas procuram diminuir suas formas para arrumar namorados. Fico a me perguntar se esse relacionamento tão almejado, baseado em forma física padronizada, trará bases sólidas e felicidade para essas mesmas mulheres. Não consigo compreender certos tipos de metas. Um modelo de personalidade e companheiro ideal é o Pierce Brosnan, só para citar um. Sua esposa, agora plus size, Keely Shaye-Smith, já foi modelo e bem magrinha, porém Brosnam deixa bem claro: “Amo as curvas da minha mulher.”

Depois de escândalos do tipo Abercrombie & Fitch e a infeliz e vergonhosa declaração do presidente da empresa , Mike Jeffries, ["Muitas pessoas não servem (em nossas roupas) e não devem servir. Somos excludentes? Absolutamente."] e do pouco apoio que os mais cheinhos tem no geral, vê uma beldade como Hendricks ser considerada uma das mulheres mais bonitas e sexys do planeta dá uma sensação de que o mundo ainda tem jeito.

E como diz Vinicius de Moraes:

... E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.*


Fontes:

Cálculo do IMC
* Não Comerei da Alface a Verde Pétala, poema de Vinicius de Moraes
Campanha veste sem-teto com roupas Abercrombie em protesto contra a grife (Folha de São Paulo, 16/05/2013)


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