domingo, 24 de abril de 2016

Esse estrambótico e complicado negócio que é a vida (e a política)

Há, nesse estrambótico e complicado negócio que é a vida, certos períodos estranhos em que o homem considera o universo inteiro como uma simples e enorme farsa, ainda que mal vislumbre em que pode consistir a brincadeira e tenha bastante desconfiança de que esta se realiza à sua custa. Entretanto, nada o desalenta e nada parece valer a pena enquanto está lutando. Engole todos os acontecimentos, ideias, credos e opiniões e todas as coisas duras, visíveis ou invisíveis, por mais encaroçadas que sejam; como uma avestruz de poderosa digestão engole balas e pedaços de pedras.

(Moby Dick, Volume I, página 343, capítulo 49 - A Hiena - Clássico Abril Coleções, São Paulo, abril de 2010, tradução de Berenice Xavier)

Tempos sombrios caíram sobre mim, sobre nós. E não estou falando somente da minha própria vida que poderia ser um roteiro para uma série de TV, uma sucessão de dramas e bizarrices digna de um modelo lynchiano.

Sim - Pelo Golpe de 64!

Sim - Pelo meu pai, minha mãe, meu filho, minha mulher, minha amante loira do celular iphone 6...

E o mundo, o nosso mundo, a nossa jovem ex-Democracia, nascida no ano do meu próprio vislumbre de luz, suspira agonizante, diante de uma política acéfala, aculturada, vulgar, despreparada, oligárquica, patriarcal, machista, defensora de torturas e ditaduras, extremista religiosa - o Estado Laico que dane-se! "Eu quero mesmo é faturar um milhão" - Lava Jato - meus jatinhos particulares!

Ismael, em Moby Dick, não poderia ter descrito seu próprio cenário de desilusão de forma mais atemporal.

Tudo isso é culpa nossa - nostra maxima culpa - criamos monstros. E agora eles irão nos devorar!

Nascemos em meio a lama, tendemos a passividade e ao esquecimento - corrupção, aos montes, nas Universidades (apropriação de bens públicos), nos trabalhos que almejamos, nas empresas que mascaram Planos de Contas, subornos astronômicos e até na nossa própria casa.

Somos todos uns bananas, isso sim! - E formamos uma República cheia delas - nanica, PRATA ou PLOMO, ao gosto do freguês.

Fui uma avestruz. Tive que engoli, em um processo igual ao maldito, cruel e elitista foie gras, desculpas esfarrapadas de UMA LIMPEZA que não passa de uma farsa, uma do tamanho do universo paralelo. E, depois que meus olhos sagraram diante de um DESCALABRO HOMÉRICO, eu vomitei - minha (in) digestão matou-me - a avestruz tornou-se um ganso bem morto.

Nossa política é egoísta. Ela não representa você, nem eu, nem o totó da casa deles. Preocupam-se com seus prazeres satisfeitos e suas ostentações - se ele tem é porque Deus deu (ou o Diabo) e o dízimo gordo dos fiéis, os nosso impostos, a propina. E agora elas todas (as notinhas) reinam na Suíça.

Somos uma piada mundial. Ou seja, todo dia é um 7x1 diferente!

Respiramos ainda o ar de uma sociedade saudosista da escravidão. Há tempos esse ar envenenado atinge os sindicatos, as empregadas domésticas, os porteiros, os estudantes, a galera das Humanas, a UNE, as famílias do Bolsa Família e da Minha Casa, Minha Vida, em mim e em você. Ela (a sociedade) nunca contentou-se em não ter mais seres humanos como propriedade. Vivemos uma era de jovens que cultuam o ódio, porque eles mesmos são vazios, mimados, criados em uma bolha de laboratório - cheios de quereres que ultrapassam o respeito e a liberdade individual. 

Respiramos mais ainda o ar de uma sociedade saudosista de um tempo escuro que também manchou nossa História - 64. Quem em sã consciência defenderia tal atrocidade? E a resposta assusta. Pois falhou-se em tratar criminosos como eles realmente são. Quando um protótipo errado de ser humano defende torturadores e assassinos, a culpa é dele mesmo por ser tão energúmeno. Porém, quando alguns milhares também o seguem... Hum... Isso causa uma certa beliscada incomodante - como não pensar em Hitler, Pinochet, AI-5, Carlos 'Infernal' Ustra...

Quando a História faz seu papel e o jornalismo é sério - bandidos não viram heróis!

A vida tornou-se estrambótica, negra e cheia de incertezas. Nossa Moby Dick nos roubou mais uma perna, ajudada pela nossa própria tripulação. Ahab não contaria com isso nem mesmo em seu pior pesadelo.

E o pesadelo dele agora é o nosso.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Eu o encontrarei

Se os ventos do Norte soprarem
Em terras distantes, muito além
E todos os caminhos negarem-se
De alguma maneira, atravessarei...
... Essas areias distantes do tempo...

... Que contam cada vida
Cada uma com um alento
De todos aqueles que amei.

São as passagens de outrora
Enterradas sobre metáforas
E lembranças esquecidas
De caminhadas vívidas.

Outra parte de mim
Em algum lugar está
Perto, longe, aqui
Ou acima do luar..

Universum: representação do Universo elaborada
e usada pelo astrônomo Camille Flammarion na obra
"L'atmosphère: météorologie populaire", Paris/1888.
Separados
Mortos
Vivos
Anos
Ou momentos

Algum dia
Eu o encontrarei
E saberei sobre tudo
Aquilo que almejei.

T. S. Frank








quarta-feira, 13 de abril de 2016

É solitário andar por entre a gente

Chega-se a uma certa idade e constata-se que todos os ideais morreram, pelo menos aqueles tenros juvenis que alçavam voos altíssimos como os de Pegasus.

Não amar mais é o limbo, o próprio, este descrito com palavras fortes em muitos livros que citam seres moribundos. 

Não confio e não interesso-me. 

E os dias passam em telas embaçadas, um filme em filtro azul, frio e angustiante. 

Decepção e todas as mazelas de uma alma inquieta em busca da vividez humana não me surpreendem mais - puro cotidiano! Depois de alguns anos, descobre-se as mentiras, as bocas retorcidas, o orgulho e a soberba. Todos os sinais estavam piscando em amarelo, violeta e laranja. Porém a cegueira dos sentimentos tratou esta paisagem infernal com um photoshop descarado. 

Não quero mais estar onde estou - este solo infértil, vil e ordinário. 

Este sabor amargo, ácido, corroendo a minha garganta, sufoca-me e lacera o meu interior. 

A solidão é um estado de espírito (ouvi em algum lugar...). E não há nada e ninguém que possa preencher este vazio abissal. 

Todos os dias escuto histórias. E concluí que as pessoas procuram-me para desabafar, falar sobre seus anseios e desejos, muitas vezes indignações e constatações sobre a realidade cruel. Ouço-as atentamente - como seus lábios mexem-se nervosamente, construindo cada frase, derramando cada gota salina de lágrima. Se sou o consolo de cada uma, isso enaltece-me e, como uma maquiagem, preenche, por algumas horas, a lacuna que eternamente existirá. Há uma parte egoísta, obviamente, nesse ínterim - tenho alguém que deseja compartilhar algo - e todos esses contos são uma distração para minha mente cansada. 

Mórbida é esta vida sem prazeres, sem ação, sem mistérios a serem resolvidos, sem risos desprendidos, sem cumplicidade, sem café da tarde que cheira a menta. 

Metade de mim morreu. Há quanto tempo? Não sei.

É solitário andar por entre a gente - percebemos todas as migalhas de atenção que recebemos, as caminhadas tristes e o escutar para não ser ouvido. 

Sinto-me amarrada, presa pela ponta dos pés. Minha voz continuamente é abafada. Há muita raiva gratuita, sentimentos controversos, desejos inertes e sem esperança. 

Daqui há algum tempo, depois das vozes que se silenciam para cantarem em outras árvores, todas as andorinhas pousam suavemente para visitar o gato ranzinza. E, depois que o véu da noite surge, desaparecem, voltando para suas vidas prioritárias. 

Hoje é um dia triste. E, por si só, aqui tem-se toda a explicação. 

E lamentos podem ser ouvidos em forma de miados abafados.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Quem tem medo da música clássica?

Há muito tempo, em um lugar distante, vivia uma garota que assistia a um programa chamado Quem Tem Medo da Música Clássica...

Quando eu tinha uns 11 anos (há muito tempo, diga-se de passagem), a alegria bateu à porta: uma antena parabólica. O primeiro programa que vi foi na TV Escola, uma linda animação baseada em Romeo &Julieta (1591/1595).

E como nós não tínhamos condições de sonhar com uma TV por assinatura, ter 24 canais, mesmo a maioria tendo mais bois e grills George Foremam do que qualquer outra coisa, era simplesmente espetacular. E no meio dessa salada, com tomates e pepinos, havia o famigerado canal da TV Senado.

Pois bem, surpreendentemente, existia um programa magnífico, sim! E ele chamava-se Quem Tem Medo da Música Clássica, apresentado, pelo já falecido, político (e também escritor, jornalista, advogado...) Artur da Távola.

(Antigamente, bem antigamente, os políticos eram cultos, com formação em Letras, Direito, versados em uma educação erudita. A maioria, corrupta, claro, porém, cultos. Hoje é esse circus, ainda mais corrupto e vulgar...).

O título merece destaque, pois daria uma bela dissertação sobre as dificuldades de entrar no mundo da música erudita. Não pelo ouvidos, que é a parte romântica e bela. Porém pelas pessoas ao redor - as ignorantes (essa música não tem letra!),  as arrogantes (sei tocar piano, dulcimer e equilibrar pratos!), e as piores: as riquinhas e arrogantes (vi um concerto na Bulgária e a Soprano desafinou na Ária); vale também destacar aquelas que só escutaram uma vez na vida um álbum com Tchaikovsky, e, se duvidar, dizem que sabem o Latim todo de Carmina Burana.

Eu tinha medo da música clássica. Era uma paixão secreta, daquelas que movimentam devaneios. E meu instrumento favorito é a Flauta Doce. E, só hoje, bem crescidinha, consegui estudar um pouco, em casa mesmo (e continuo estudando).

Todos temos receios. E um deles é pensar que o erudito é apenas para  as pessoas mais abastardas, aquelas que podem comprar ingresso caros, viajar para ver os grandes balés com grandes regências.

Só que a vida nos deu o bastante para degustarmos o melhor desse gênero: nossa percepção auditiva.

Com um pouquinho de interesse e esquecendo a questão de classes sociais, o deleite causado pela música clássica transcende barreiras: primaveras e outonos cheios de encantamento, onde a única plateia que importa é você mesmo (a).

Atualização (2024): Antigamente a TV Senado tinha um canal para o Arthur da Távola (print). O link não existe mais. Há alguns dos programas no YouTube. Deixarei abaixo.






terça-feira, 15 de março de 2016

Ecos da Natureza (Echoes from Nature) - Flauta Nativa Americana - NAF

Como já havia dito antes em uma postagem anterior, há algum tempo tenho um novo hobby: Native American Flute (Flauta Nativa America). Ainda estou praticando, descobrindo novos sons e novas maneiras de tocar. Eis aqui um pouco de improvisação...

Ecos da Natureza
Flauta (em bambu) Nativa Americana, chave em F, pentatônica
Tocada por T.S. Frank
Música incidental: Relaxation & Meditation with Music & Nature: Amazon Rainforest - Sounds of the Earth.

Echoes from Nature
Native American Bamboo Flute, Key F, pentatonic, 
Performed by T.S. Frank
Incidental music from Relaxation & Meditation with Music & Nature: 
Amazon Rainforest - Sounds of the Earth.


segunda-feira, 14 de março de 2016

Coração secreto...

Bate dentro de mim, todas as madrugadas, um coração a mais. Aquele escondido, liberto, por vezes libertino, dono de incansáveis histórias que caminham em ruas esquecidas no passado e saudoso de um esfuziante futuro do pretérito.

Ele é incansável, destemido, intrépido e aventureiro. Não tem medo, não perdoa e avassala como ventos raivosos que rasgam o véu da noite.

Tem sede infinita de amar e ser amado, corresponder entre linhas e receber cartas adocicadas que poderiam formar livros cheios de cores e paixões.

Feito tão puramente, no abrandar do sono mais profundo e dos sonhos mais íntimos, despiu-se desavergonhado, inocente, tão agora, tão intensamente...

Só que este foge de mim todos os dias, como gotas límpidas que escorrem pelas mãos, sobrando apenas vestígios de sentimentos que poderiam conquistar minha própria confiança.

Ao redor, somente a escuridão disfarçada em sorrisos e gentilezas. Estou farta e cansada disto tudo, um belo teatro! Quero milhas além destes rostos tão duros, tão cheios de si, mergulhados em suas próprias divindades, gananciosos, ríspidos, opressores, indelicados... Ah, mundo cruel e indesejoso, você poderia estar escondido nas profundezas abissais!

Minha vida não passa de tentativas frustradas, barulhos ensurdecedores de vozes irritantes com suas conversas vazias e cheias.. Cheias de números e formas que não dizem absolutamente nada.

E todos os dias entrego-me aos meus próprios pesadelos. Por sorte, algumas vezes, manifesta-se esse rico e inoxidável motor de vida para acalentar minhas próprias lágrimas.

"Ele passou como um raio fulgurante... Desaparecendo em sua própria calmaria. Deixando vazios espaços que tentaram ser abertos por muitas vezes... E, agora, a um passo de desistir, não me resta mais nada a não ser lamentar...".

E esse coração secreto ainda não aceitou tão grandiosa derrota. Recusa-se, inventa teses e dissertações. Só que os números são frios, calculistas e precisos. E, em outra dimensão, assim como toda a desavença entre mecânica clássica e mecânica quântica, este parâmetro não cabe aqui.

De fato, jaz neste lugar a possibilidade de outra história de amor.

Não posso dizer como sinto-me - são as convenções e as precauções de quem já não mais quer escrever sobre corações partidos.

Contudo o coração que esconde-se partilharia e confessaria - sua solidão e seus desejos. E admitindo que não pode deixá-lo e não pode tê-lo, guarda-o para si profundamente...

terça-feira, 8 de março de 2016

Rádio da madrugada, velhos tempos e amores imaginativos - platonismo e suas metáforas

Hilo com uma Ninfa - John William Waterhouse/1883

Há algo místico e infinito no amor platônico, apesar dele frequentar a região da dor, sofrimento, miserabilidade e solidão.

Ele é sempre a inspiração certeira para livros que registram a saga dos desejos não realizados na forma mais humanamente palpável. Só que todos esquecem da sua pureza, delicadeza e liberdade. O amor platônico é a utopia que mantém a mente fértil e o coração vivo e esperançoso. E isso é infinitamente mais consolador do que o desgosto com os amores consumados e que mostraram tão somente o amargo sabor da vida real.

Não há regra que impeça que o amor platônico, um dia, possa tornar-se vívido e bilateral e, quem sabe, tão doce como seus outrora frutos imaginativos. Não se deve duvidar do nirvana amoroso. Porém vivê-lo como se fosse a força eletromotriz da vida é caminhar rumo a tristeza crônica e a mortificação da alma.

Por estes tempos tenho revivido histórias sobre platonismo que estavam na tenra juventude. Naquela época, imaginativamente, o céu não era o limite, o limite rumava ao infinito.

Reviver a dubiedade é angustiar-se à conta-gotas. Não há desespero exagerado e nem tristeza excessiva. Não há culpados, nem nós mesmos, o maquinário do sentimento, e muito menos a nossa criação, os desejados.

[E assim tem sido há um certo tempo.]

Todos os poemas poderiam ser escritos com rimas douradas. Quadros poderiam ser pintados com gotas prateadas de chuva e traços amadeirados das folhas do outono. As rádios da madrugada poderiam tocar madrugada adentro. E ao embalarem danças sob o luar, com seus narradores afoitos, mandando recadinhos, o cenário perfeito estaria formado.

O platonismo deseja o bem, o sucesso, a felicidade, mesmo em outros braços. É livre da ilusão de que acabará inevitavelmente em conquista. Ele nasce regido por poréns.

Os platônicos amam simplesmente a existência do ser admirado, a sua essência e seu modo de vida. É como Pigmalião a admirar sua própria criação.

Este é o mais ingênuo dos amores e que, muitas vezes, é ruborizado na vergonha de admitir o próprio sentimento a si mesmo. Também é o mais humilde, deleitando-se em pequenos sorrisos, gestos e conversas. Franciscano por essência.

Se lágrimas do amor platônico fossem transformadas em vinho, o mais doce deles seria criado.

Posso afirmar que não há nada mais intimista e próprio do que gostar secretamente. E, a cada minuto, mais e mais amores platônicos nascem, tornando-se imortais e rumando a um tempo imemorial em que a vida repousa na mais suave das montanhas.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Curiosidades - Esquilos e Tâmias - O engano contextual dos tradutores - Parte II

É, meu amigo (a) leitor (a), a vida pode chocar-nos com descobertas inimagináveis! Se pudesse transformar essa informação em uma música, seria "Meu mundo caiu...".

Quem não conhece os lindos e fofos Tico e Teco da Disney, os esquil... Não, ELES SÃO TÂMIAS!

BUM! Minha cabeça explodiu!

Como é essa história?

Começo pela distribuição da CULPA - Tradutores brasileiros!

Na descrição em inglês está bem claro:

"Chip and Dale (also rendered as Chip 'n' Dale or Chip an' Dale) are two CHIPMUNK cartoon characters created in 1943, at Walt Disney Productions." (from Wikipedia)

"Tico e Teco (...) são duas TÂMIAS em cartoon criadas em 1943 pela Disney Produções."

No inglês não tem erro, esquilo é esquilo (squirrel) e tâmia (chipmunk) é tâmia. E não são a mesma coisa de jeito nenhum (você não é seu primo, por exemplo, vocês são só da mesma família!).

Vamos a Biologia então: Taxonomia - a classificação dos seres vivos que a gente estuda desde a pré-escola. 


Esquilos e Tâmias são da mesma família, mas são de gêneros e espécies diferentes. Se continuássemos a afirmar que eles são a mesma criatura, seria como falar que chimpanzés e humanos também são (nós e nossos amigos primatas formamos a família Hominidae, porém a separação acontece no gênero, no qual pertencemos ao Homo e somos agora os únicos dessa.).

Esquilos e Tâmias estão na família Sciuridae. E esta inclui cerca de 279 espécies classificadas em 51 gêneros. E tem bichinho de tudo quanto é jeito, onde a tâmia é somente um exemplar (a marmota é da mesma família e você não sai por ai dizendo que a criaturinha é um esquilo!).

Diferenças para gravar de vez

Nossas adoráveis tâmias são pequenas e possuem listras distintas. Seu comprimento varia entre 16 e 30 cm, enquanto o esquilo de árvore (um exemplo de esquilo) é maior e não tem listras e possui comprimento entre 38 e 52 cm. Todos eles têm pelo curto e orelhas arredondadas e diminutas.


Esquilo  e tâmia respectivamente.

Outros famosos...

ALVIN e companhia são TÂMIAS!
PIP, do filme A Encantada (Enchanted/2007), também é uma TÂMIA!

Se você se interessou por esse artigo, também poderá se interessar pela postagem do CQ&Sherlock:
Curiosidades - Sereias e Sirenes - O engano contextual dos tradutores - Parte I

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Crítica da Semana: Boa Noite, Mamãe (Ich seh, ich seh)/2014

Boa Noite, Mamãe é uma ótima surpresa no gênero terror/suspense. Um filme perturbador, na medida, que há muito tempo não se via.

Boa Noite, Mamãe (Ich seh, ich seh/2014 ), dirigido por Veronika Franz e Severin Fiala, é um filme de terror austríaco genuíno, cuja jornada para o desfecho nos leva a conclusões ambíguas até que a verdade seja revelada.

Poderia ser só mais um filme do circuito alternativo a Hollywood, mas não é! O cinema austríaco é extremamente forte, veja o caso de A Fita Branca (Das weiße Ban/2009), que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Globo de Ouro de Melhor Filme (estrangeiro), além de duas nomeações ao Oscar de 2010. Boa Noite, Mamãe faz jus, com méritos, a essa safra.

O filme centra-se em três personagens, a mãe (interpretada por Susanne Wuest) e os irmãos gêmeos Lukas (interpretado por Lukas Schwarz) e Elias (interpretado por Elias Schwarz).

A abertura da película apresenta-nos uma fotografia belíssima (essa é assinada por Martin Glasbachita), focada em destacar paisagem onde fica a casa da família. E esse paradisíaco lugar é explorado pelos gêmeos de todas as formas, em suas caminhadas e brincadeiras, demostrando uma ligação muito forte entre os dois. A cena do lago pode passar despercebida, mas ali reside o motivo que desencadeia a história que será narrada. Aliás, os detalhes merecem muita atenção, mostrando-nos, em alusões, sentimentos e fatos.


A mãe, depois de algum tempo afastada, retorna à casa com o rosto coberto por ataduras devido a uma cirurgia. Os gêmeos a recebem com estranheza e nos fazem apostar na ideia de que há algo errado com a progenitora. Aos poucos, eles concluem que aquela mulher não é a mãe deles.

São seus pensamentos e sonhos que conduzem o filme. Eles tornam-se nossos olhos e também formam a nossa opinião.

A suposta mãe, às vezes austera, tenta manter a disciplina e uma rotina. A casa, afastada do resto do mundo, passa uma impressão de isolamento proposital. Tudo é bonito, limpo e claro.

Só que, aos poucos, as revelações surgem. E conduzem a um final inesperado.

Sim, as impressões estão erradas. E a mãe apenas tenta manter o que restou da família. Enquanto os gêmeos mostram-se como antagonistas. Bem... Apenas um, pois o outro é fruto do trauma de um acidente traumático e é nesse ponto que a cena do lago volta a nossa mente. Há certas conexões que não podem ser quebradas - na fantasia do menino é que reside o perigo.

A mãe é realmente a mãe, o filho não, pelo menos não o de antes. Tomado pelas decisões do irmão, agora revelado imaginário, o menino vira um carrasco encarnado e esculpido, torturando e exigindo uma verdade que não existe daquela que acredita ser uma usurpadora.

O fim, a essa altura já deduzido pelo telespectador, chega. Ele é cru e preciso - causa e consequência. A reunião tão esperada pelos gêmeos só pode se realizada no ato da morte.

Boa Noite, Mamãe acerta em um roteiro que prende e instiga para depois nos deixar pasmos. E essa é a fórmula perfeita para um terror digno.

Trailer legendado de Boa Noite, Mamãe


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vida miserável

Nos pegamos muitas vezes a pensar sobre as escolhas da vida, o que mais queríamos, as amizades, os amores, investimentos, desistências.

E nesses pensamentos, para uns tristes e para outros não, uma pedaço enorme de nossa trajetória passa em forma de pulsos elétricos e uma fita é rebobinada, avançando e captando detalhes antes não percebidos e tão essenciais.

Hoje pensei em todas as minhas escolhas e elas, tão questionáveis, são cinzas como as tempestades que agora caem.

Amizades. Estas são as mais equivocadas possíveis. Eu sempre estou errando nesse aspecto. A sensação mais estranha do mundo é ser amigo de alguém e este o considerar uma dentre as várias que possui, pertencendo a uma escala inferior, a opção quando aqueles mais queridos não estão por perto. Os sentimentos cegam e os sinais tão claros estavam ali e nunca foram percebidos. Tanto tempo depois, um pequeno estalar, e aquela fita, que agora volta, mostra toda a tolice e as ricas minúcias da desconsideração. Quando não há nada melhor... E assim é mais uma sentença nesse círculo humano em que muitas pessoas afortunadas conseguem achar os alvos certos.

Amores. Acabaram-se todos. E esta é uma sensação negra, desconcertante e incoerente. Como se todo o sentido da vida tivesse esvaído-se pelo ralo. Destruídos por sentimentos iguais ao das amizades questionáveis. Das relações abusivas a incompreensão, da opção em um cardápio, entre crises que logo passarão, e lágrimas, houve de tudo. Amei todos e não recebi nada. Ninguém importa-se a não ser que haja lucro e traga divertimento.

Profissão e estudo. Um dia eu quis ser tudo, até mesmo um raio de luz. A melhor fase da vida (mesmo com toda a tristeza) foi imagina-se no topo, não por dinheiro, mas pelo sucesso de ser o que sempre se quis. E esse tempo ficou tão distante, que quase não me lembro. Pergunto-me o que é ter, por exemplo, parentes instigantes e admirados, aqueles tios legais que trazem livros e que falam maravilhas do universo, ou os primos que sonham e deliram e não têm medo. Desses, eu conheço somente a cobrança e a humilhação. Alguns são movidos pela mesquinharia, outros pelas mentiras, dinheiro e aparências. Já passei por diversas situações degradantes - falarem que minhas roupas são pobres e surradas, não ter onde cair morta, ser estorvo por ter parado de trabalhar para estudar nessa altura do campeonato [e mais ainda porque todos consideram todos os empregos que tive uma merda], ser egoísta, preguiçosa, um fracasso e outras tantas frases motivacionais. Não tenho amor por nenhum. E é simples assim. Mantenho-os o mais longe possível da minha vida. E isso não significa, devido a minha atual condição financeira, que isso seja a paz.
Terminar o curso tem tornado-se tarefa não somente árdua, mais definhante. Professores que dizem que você não é capaz, colegas que não dão a mínima, mais cobranças... Ultimamente, por causa de dinheiro [a falta dele], e a escassez de oportunidades e tempo para um trabalho, sou atacada por todos, todos os dias. A miséria da alma é a minha condenação atual.

Talvez, um dia, a roda gire... E quando isso acontecer, o que farei com eles? Talvez permita-me apenas ignorá-los e viver tranquilamente como sempre quis desde pequena. Vingança e humilhações como revanche, não. O silêncio e o desprezo já são suficientes - o que não é visto não é sentido e aquele que apanha nunca esquece. E sou um elefante nesse quesito.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Propagandas Históricas Brasileiras - Laka (Me Dá um Beijo) - 1989



Incrível como as propagandas, não somente as brasileiras, perderam um pouco do encanto por padecerem nas mãos do politicamente correto. Duvido que, fosse hoje, essa doçura ficaria no ar sem causar polêmicas do xiitas evangélicos e das patrulhas familiares mais preocupadas em encher o saco do que educar seus filhos verdadeiramente.

Todos querem parecer bons pais, mas vá perguntar se eles já leram Mark Twain para os filhos...

Enquanto isso...

Essa propaganda do chocolate Laka, da Lacta, de 1989, nos trouxe a maravilhosa canção Crying In The Rain na voz de uma das duplas que mais gosto: The Everly Brothers. A música foi escrita por Howard Greenfield e Carole King e originalmente gravada pelo duo, em 1962. Mais tarde, em 1990, um grupo que amo, o A-ha, fez sua própria versão da música e que ficou excelente.

 
Quanto ao Laka...

... Continua, para mim, com gostinho de amor adolescente... Ou aquele amor platônico vindo do oceano... Ou todos os amores bons, bonitinhos, com gostinho de "Eu quero mais um pouquinho"...

Versão do The Everly Brothers


Versão do A-ha


Fontes:

domingo, 24 de janeiro de 2016

Mudanças no CQ&Sherlock

Como podem ver, o blog mudou o layout, saiu do preto e foi para o cinza, roxo, lilás, não sei, furta cor.

Tornou-se um tom pastel.

Saímos também do horizonte do Facebook, que cá entre nós, nunca trouxe sorte e muito menos novos leitores para este blog. Demos um tempo, talvez definitivo [a escritora aqui também livrou-se do Facebook Pessoal].

Cansamos um pouco de relatos sobre politicagem, gente muito feliz, postando suas bebedeiras com seus amigos para sempre de quatro semanas. Engraçado, todos são alegres no Facebook. E tudo é tão denso como gelatina de frutas.

Este blog teve mais sorte com o Orkut. Foi a época de mais leitores. Porque havia uma certa anarquia que funcionava nos grupos de blogueiros: você recebia um comentário, ou seria chamado de caloteiro [uma aberração, a marca escarlate, a ficha criminal da blogosfera.].

Hoje é a sorte de quem o encontra na ferramentas de buscas. Mas continuamos.

Firmes como estacas no brejo!

Ecos das montanhas que tocam o céu

Na calmaria das montanhas enluaradas
Sobre a brisa gélida da noite sorrateira
Há sons e caminhadas
Daqueles que vagueiam à espreita.

São almas em forma de sussurros
E suspiros daqueles que amam.
São poemas recitados em uivos 
Por vozes milenares que cantam. 

Agora, o pó,
A solidão...
Carne e sofrimento. 

Depois, ecos de amores perdidos,
Espíritos andarilhos
das montanhas renascidos. 


T.S. Frank




Para saber mais...

R. Carlos Nakai
R. Carlos Nakai é um grande flautista nativo americano de origem navaja/ute. Nasceu em 16 de abril de 1946, em Flagstaff, no Arizona, EUA. Seu nome verdadeiro é Raymond Carlos Nakai e é considerado referência quando os assuntos são música nativa e flautas NAF - Flauta Nativa Americana. 

A Biblioteca do Congresso (Library of Congress) possui mais de 30 dos seus trabalhos preservados no Centro de Folclore Americano (American Folklife Center).

Seus álbuns Earth Spirit and Canyon Trilogy são os únicos álbuns nativos americanos com os certificados de ouro e platina, respectivamente, pela RIAA (Recording Industry Association of America).

Nakai desenvolveu um sistema de tablatura para flautas nativas (conhecida também como Nakai Tablatura) que pode ser usada em NAFs com várias afinações.

Em 2005, ele foi introduzido no Arizona Music & Entertainment Hall of Fame. Também ganhou o Arizona Governor's Arts 1992. Possui um Doutorado Honorário pela Northern Arizona University, que recebeu em 1994. Tem Mestrado em Estudos Indígenas pela  Universidade do Arizona. 


**Notas da Autora

Nakai é referência para quem gosta e toca música nativa americana, principalmente os flautistas NAFs. Assim que comecei  a tocar minha NAF (bamboo flute in F) a Nakai Tablatura ajudou muito. Seus álbuns são presença constante nos meus dispositivos móveis (eu uso o Spotify, mas está disponível no Deezer também). 

Um dia farei uma postagem falando sobre minha paixão pela cultura indígena americana e também a sul-americana. Se um dia puder sair desse abismo em que moro, meus planos são separar um ano para ter mais contato com essa cultura, principalmente os ensinamentos sobre espiritualidade, também baseados na reencarnação. 

Hoje a NAF significa muito pra mim, um refúgio e um descanso mental. É impressionante a ignorância das pessoas acerca da importância, história e beleza desse instrumento. Não raro, aqui onde moro, as NAFs são reduzidas a gírias de usuários de canabis ou relegadas a sarjeta quando fazem piada com outro belo instrumento que padece na boca de pessoas com o cérebro de um gambá em coma: a Flauta de Pã (instrumento milenar andino). 

Para Escutar... 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O som da solidão

Quando eu era pequena, as chuvas eram acontecimentos majestosos. Ali eram abertos os portais para um outro mundo. Todos os sonhos podiam voar até aquela incrível altura e encontrar a realização.

Elas sempre vinham do leste; raios e trovões eram os címbalos e as cornetas da anunciação. Só os escolhidos sabiam da sua importância e dos segredos que traziam. Enquanto o resto do céu ainda reluzia em um amarelo espelhado, o horizonte começava a mostrar os corcéis negros com ventos tempestivos.

Em certas ocasiões, o arco-íris aparecia e eu pensava: ele veio transportar alguém para o outro lado para dar-lhe uma vida espetacular.

E foi há tanto tempo... Que restaram-me, apenas, fragmentos de recordações. O agora é mentiroso e vil. Os olhos desse momento, que observam o firmamento, estão pesados e cansados. A vida ganhou tons indesejados de um amarelo abafado e doentio.

As pessoas têm muita pressa, precisam correr atrás de um ônibus, buscar alguém, dar satisfação, gritar com outras, despejar ódio e frustrações e é assim dia após dia. Se chovesse, não notariam, a não ser que atrapalhasse. Pergunto-me se algum dia, neste lugar, perceberam elas que as nuvens também possuem cores.

A solidão que a chuva traz é confortável. Suas gotas deslizam em sinfonia. É como um abraço bom, uma sorriso que alguém provoca. Já a solidão que as pessoas causam em outras é devastadora, um pós-tornado, onde só há entulho e morte.

Estou sobre os escombros, procurando razão para refazer e continuar.

As nuvens do leste, cheias de sons celestiais, são uma metáfora triste de tempos que não voltarão. Este meu tempo é cheio de desacompanhamento e notas solitárias. As pessoas ao redor são apenas o produto desse meio. Não há nada para se esperar porque delas somente o nada pode ser extraído.

Tão obstinadas foram as eras de outrora que para esta tenho que defender-me arduamente das suas catástrofes climáticas - construí um galpão subterrâneo na minha própria alma.

E depois dessa avalanche interior, quem sabe, reste um pedaço de mim para admirar aquelas nuvens cinzas e carregadas que deixei naqueles portais.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Show: Van Morrison - Full Concert - 02/01/79 - Belfast [OFFICIAL por Van Morrison on MV]

Van Morrison é uma lenda. Um dos melhores cantores do mundo e um dos meus preferidos. Por quê? A explicação está em sua discografia praticamente irretocável, em uma carreira com os melhores álbuns da história da música, como o maior de todos, diga-se de passagem, Moondance, de 1970, arrebatador em críticas em sua totalidade.

Sua maior qualidade está em retratar os amores, as paixões, aquela garota dos olhos marrons... usando cenários centralizados em sua Irlanda, como por exemplo, em Cyprus Avenue, que é uma rua de sua cidade natal, Belfast.

Sempre cercado com músicos competentes, essa é uma daquelas grandes apresentações, com versões excelentes de suas já memoráveis canções.

Este não é um shows que fãs colocam no youtube. É um projeto que vale muito a pena conhecer, chamado Music Vault, que oferece uma gama de espetáculos antológicos não só do Van The Man; muitos outros mitos da música estão nele. Abaixo da apresentação, estarão os links para conferir esse catálogo de jóias preciosas.

Aproveite! [Enjoy!]





01 • Moondance [0:00:00]
02 • Checkin' It Out [0:04:02]
03 • Moonshine Whiskey [0:07:19]
04 • Tupelo Honey [0:13:46]
05 • Wavelength [0:20:10]
06 • Saint Dominic's Preview [0:26:46]
07 • Don't Look Back [0:33:46]
08 • I've Been Working [0:38:24]
09 • Gloria [0:43:54]
10 • Cyprus Avenue [0:47:59]

Para expandir horizontes...

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