sexta-feira, 25 de março de 2016

Quem tem medo da música clássica?

Há muito tempo, em um lugar distante, vivia uma garota que assistia a um programa chamado Quem Tem Medo da Música Clássica...

Quando eu tinha uns 11 anos (há muito tempo, diga-se de passagem), a alegria bateu à porta: uma antena parabólica. O primeiro programa que vi foi na TV Escola, uma linda animação baseada em Romeo &Julieta (1591/1595).

E como nós não tínhamos condições de sonhar com uma TV por assinatura, ter 24 canais, mesmo a maioria tendo mais bois e grills George Foremam do que qualquer outra coisa, era simplesmente espetacular. E no meio dessa salada, com tomates e pepinos, havia o famigerado canal da TV Senado.

Pois bem, surpreendentemente, existia um programa magnífico, sim! E ele chamava-se Quem Tem Medo da Música Clássica, apresentado, pelo já falecido, político (e também escritor, jornalista, advogado...) Artur da Távola.

(Antigamente, bem antigamente, os políticos eram cultos, com formação em Letras, Direito, versados em uma educação erudita. A maioria, corrupta, claro, porém, cultos. Hoje é esse circus, ainda mais corrupto e vulgar...).

O título merece destaque, pois daria uma bela dissertação sobre as dificuldades de entrar no mundo da música erudita. Não pelo ouvidos, que é a parte romântica e bela. Porém pelas pessoas ao redor - as ignorantes (essa música não tem letra!),  as arrogantes (sei tocar piano, dulcimer e equilibrar pratos!), e as piores: as riquinhas e arrogantes (vi um concerto na Bulgária e a Soprano desafinou na Ária); vale também destacar aquelas que só escutaram uma vez na vida um álbum com Tchaikovsky, e, se duvidar, dizem que sabem o Latim todo de Carmina Burana.

Eu tinha medo da música clássica. Era uma paixão secreta, daquelas que movimentam devaneios. E meu instrumento favorito é a Flauta Doce. E, só hoje, bem crescidinha, consegui estudar um pouco, em casa mesmo (e continuo estudando).

Todos temos receios. E um deles é pensar que o erudito é apenas para  as pessoas mais abastardas, aquelas que podem comprar ingresso caros, viajar para ver os grandes balés com grandes regências.

Só que a vida nos deu o bastante para degustarmos o melhor desse gênero: nossa percepção auditiva.

Com um pouquinho de interesse e esquecendo a questão de classes sociais, o deleite causado pela música clássica transcende barreiras: primaveras e outonos cheios de encantamento, onde a única plateia que importa é você mesmo (a).

Atualização (2024): Antigamente a TV Senado tinha um canal para o Arthur da Távola (print). O link não existe mais. Há alguns dos programas no YouTube. Deixarei abaixo.






terça-feira, 15 de março de 2016

Ecos da Natureza (Echoes from Nature) - Flauta Nativa Americana - NAF

Como já havia dito antes em uma postagem anterior, há algum tempo tenho um novo hobby: Native American Flute (Flauta Nativa America). Ainda estou praticando, descobrindo novos sons e novas maneiras de tocar. Eis aqui um pouco de improvisação...

Ecos da Natureza
Flauta (em bambu) Nativa Americana, chave em F, pentatônica
Tocada por T.S. Frank
Música incidental: Relaxation & Meditation with Music & Nature: Amazon Rainforest - Sounds of the Earth.

Echoes from Nature
Native American Bamboo Flute, Key F, pentatonic, 
Performed by T.S. Frank
Incidental music from Relaxation & Meditation with Music & Nature: 
Amazon Rainforest - Sounds of the Earth.


segunda-feira, 14 de março de 2016

Coração secreto...

Bate dentro de mim, todas as madrugadas, um coração a mais. Aquele escondido, liberto, por vezes libertino, dono de incansáveis histórias que caminham em ruas esquecidas no passado e saudoso de um esfuziante futuro do pretérito.

Ele é incansável, destemido, intrépido e aventureiro. Não tem medo, não perdoa e avassala como ventos raivosos que rasgam o véu da noite.

Tem sede infinita de amar e ser amado, corresponder entre linhas e receber cartas adocicadas que poderiam formar livros cheios de cores e paixões.

Feito tão puramente, no abrandar do sono mais profundo e dos sonhos mais íntimos, despiu-se desavergonhado, inocente, tão agora, tão intensamente...

Só que este foge de mim todos os dias, como gotas límpidas que escorrem pelas mãos, sobrando apenas vestígios de sentimentos que poderiam conquistar minha própria confiança.

Ao redor, somente a escuridão disfarçada em sorrisos e gentilezas. Estou farta e cansada disto tudo, um belo teatro! Quero milhas além destes rostos tão duros, tão cheios de si, mergulhados em suas próprias divindades, gananciosos, ríspidos, opressores, indelicados... Ah, mundo cruel e indesejoso, você poderia estar escondido nas profundezas abissais!

Minha vida não passa de tentativas frustradas, barulhos ensurdecedores de vozes irritantes com suas conversas vazias e cheias.. Cheias de números e formas que não dizem absolutamente nada.

E todos os dias entrego-me aos meus próprios pesadelos. Por sorte, algumas vezes, manifesta-se esse rico e inoxidável motor de vida para acalentar minhas próprias lágrimas.

"Ele passou como um raio fulgurante... Desaparecendo em sua própria calmaria. Deixando vazios espaços que tentaram ser abertos por muitas vezes... E, agora, a um passo de desistir, não me resta mais nada a não ser lamentar...".

E esse coração secreto ainda não aceitou tão grandiosa derrota. Recusa-se, inventa teses e dissertações. Só que os números são frios, calculistas e precisos. E, em outra dimensão, assim como toda a desavença entre mecânica clássica e mecânica quântica, este parâmetro não cabe aqui.

De fato, jaz neste lugar a possibilidade de outra história de amor.

Não posso dizer como sinto-me - são as convenções e as precauções de quem já não mais quer escrever sobre corações partidos.

Contudo o coração que esconde-se partilharia e confessaria - sua solidão e seus desejos. E admitindo que não pode deixá-lo e não pode tê-lo, guarda-o para si profundamente...

terça-feira, 8 de março de 2016

Rádio da madrugada, velhos tempos e amores imaginativos - platonismo e suas metáforas

Hilo com uma Ninfa - John William Waterhouse/1883

Há algo místico e infinito no amor platônico, apesar dele frequentar a região da dor, sofrimento, miserabilidade e solidão.

Ele é sempre a inspiração certeira para livros que registram a saga dos desejos não realizados na forma mais humanamente palpável. Só que todos esquecem da sua pureza, delicadeza e liberdade. O amor platônico é a utopia que mantém a mente fértil e o coração vivo e esperançoso. E isso é infinitamente mais consolador do que o desgosto com os amores consumados e que mostraram tão somente o amargo sabor da vida real.

Não há regra que impeça que o amor platônico, um dia, possa tornar-se vívido e bilateral e, quem sabe, tão doce como seus outrora frutos imaginativos. Não se deve duvidar do nirvana amoroso. Porém vivê-lo como se fosse a força eletromotriz da vida é caminhar rumo a tristeza crônica e a mortificação da alma.

Por estes tempos tenho revivido histórias sobre platonismo que estavam na tenra juventude. Naquela época, imaginativamente, o céu não era o limite, o limite rumava ao infinito.

Reviver a dubiedade é angustiar-se à conta-gotas. Não há desespero exagerado e nem tristeza excessiva. Não há culpados, nem nós mesmos, o maquinário do sentimento, e muito menos a nossa criação, os desejados.

[E assim tem sido há um certo tempo.]

Todos os poemas poderiam ser escritos com rimas douradas. Quadros poderiam ser pintados com gotas prateadas de chuva e traços amadeirados das folhas do outono. As rádios da madrugada poderiam tocar madrugada adentro. E ao embalarem danças sob o luar, com seus narradores afoitos, mandando recadinhos, o cenário perfeito estaria formado.

O platonismo deseja o bem, o sucesso, a felicidade, mesmo em outros braços. É livre da ilusão de que acabará inevitavelmente em conquista. Ele nasce regido por poréns.

Os platônicos amam simplesmente a existência do ser admirado, a sua essência e seu modo de vida. É como Pigmalião a admirar sua própria criação.

Este é o mais ingênuo dos amores e que, muitas vezes, é ruborizado na vergonha de admitir o próprio sentimento a si mesmo. Também é o mais humilde, deleitando-se em pequenos sorrisos, gestos e conversas. Franciscano por essência.

Se lágrimas do amor platônico fossem transformadas em vinho, o mais doce deles seria criado.

Posso afirmar que não há nada mais intimista e próprio do que gostar secretamente. E, a cada minuto, mais e mais amores platônicos nascem, tornando-se imortais e rumando a um tempo imemorial em que a vida repousa na mais suave das montanhas.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Curiosidades - Esquilos e Tâmias - O engano contextual dos tradutores - Parte II

É, meu amigo (a) leitor (a), a vida pode chocar-nos com descobertas inimagináveis! Se pudesse transformar essa informação em uma música, seria "Meu mundo caiu...".

Quem não conhece os lindos e fofos Tico e Teco da Disney, os esquil... Não, ELES SÃO TÂMIAS!

BUM! Minha cabeça explodiu!

Como é essa história?

Começo pela distribuição da CULPA - Tradutores brasileiros!

Na descrição em inglês está bem claro:

"Chip and Dale (also rendered as Chip 'n' Dale or Chip an' Dale) are two CHIPMUNK cartoon characters created in 1943, at Walt Disney Productions." (from Wikipedia)

"Tico e Teco (...) são duas TÂMIAS em cartoon criadas em 1943 pela Disney Produções."

No inglês não tem erro, esquilo é esquilo (squirrel) e tâmia (chipmunk) é tâmia. E não são a mesma coisa de jeito nenhum (você não é seu primo, por exemplo, vocês são só da mesma família!).

Vamos a Biologia então: Taxonomia - a classificação dos seres vivos que a gente estuda desde a pré-escola. 


Esquilos e Tâmias são da mesma família, mas são de gêneros e espécies diferentes. Se continuássemos a afirmar que eles são a mesma criatura, seria como falar que chimpanzés e humanos também são (nós e nossos amigos primatas formamos a família Hominidae, porém a separação acontece no gênero, no qual pertencemos ao Homo e somos agora os únicos dessa.).

Esquilos e Tâmias estão na família Sciuridae. E esta inclui cerca de 279 espécies classificadas em 51 gêneros. E tem bichinho de tudo quanto é jeito, onde a tâmia é somente um exemplar (a marmota é da mesma família e você não sai por ai dizendo que a criaturinha é um esquilo!).

Diferenças para gravar de vez

Nossas adoráveis tâmias são pequenas e possuem listras distintas. Seu comprimento varia entre 16 e 30 cm, enquanto o esquilo de árvore (um exemplo de esquilo) é maior e não tem listras e possui comprimento entre 38 e 52 cm. Todos eles têm pelo curto e orelhas arredondadas e diminutas.


Esquilo  e tâmia respectivamente.

Outros famosos...

ALVIN e companhia são TÂMIAS!
PIP, do filme A Encantada (Enchanted/2007), também é uma TÂMIA!

Se você se interessou por esse artigo, também poderá se interessar pela postagem do CQ&Sherlock:
Curiosidades - Sereias e Sirenes - O engano contextual dos tradutores - Parte I

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Crítica da Semana: Boa Noite, Mamãe (Ich seh, ich seh)/2014

Boa Noite, Mamãe é uma ótima surpresa no gênero terror/suspense. Um filme perturbador, na medida, que há muito tempo não se via.

Boa Noite, Mamãe (Ich seh, ich seh/2014 ), dirigido por Veronika Franz e Severin Fiala, é um filme de terror austríaco genuíno, cuja jornada para o desfecho nos leva a conclusões ambíguas até que a verdade seja revelada.

Poderia ser só mais um filme do circuito alternativo a Hollywood, mas não é! O cinema austríaco é extremamente forte, veja o caso de A Fita Branca (Das weiße Ban/2009), que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Globo de Ouro de Melhor Filme (estrangeiro), além de duas nomeações ao Oscar de 2010. Boa Noite, Mamãe faz jus, com méritos, a essa safra.

O filme centra-se em três personagens, a mãe (interpretada por Susanne Wuest) e os irmãos gêmeos Lukas (interpretado por Lukas Schwarz) e Elias (interpretado por Elias Schwarz).

A abertura da película apresenta-nos uma fotografia belíssima (essa é assinada por Martin Glasbachita), focada em destacar paisagem onde fica a casa da família. E esse paradisíaco lugar é explorado pelos gêmeos de todas as formas, em suas caminhadas e brincadeiras, demostrando uma ligação muito forte entre os dois. A cena do lago pode passar despercebida, mas ali reside o motivo que desencadeia a história que será narrada. Aliás, os detalhes merecem muita atenção, mostrando-nos, em alusões, sentimentos e fatos.


A mãe, depois de algum tempo afastada, retorna à casa com o rosto coberto por ataduras devido a uma cirurgia. Os gêmeos a recebem com estranheza e nos fazem apostar na ideia de que há algo errado com a progenitora. Aos poucos, eles concluem que aquela mulher não é a mãe deles.

São seus pensamentos e sonhos que conduzem o filme. Eles tornam-se nossos olhos e também formam a nossa opinião.

A suposta mãe, às vezes austera, tenta manter a disciplina e uma rotina. A casa, afastada do resto do mundo, passa uma impressão de isolamento proposital. Tudo é bonito, limpo e claro.

Só que, aos poucos, as revelações surgem. E conduzem a um final inesperado.

Sim, as impressões estão erradas. E a mãe apenas tenta manter o que restou da família. Enquanto os gêmeos mostram-se como antagonistas. Bem... Apenas um, pois o outro é fruto do trauma de um acidente traumático e é nesse ponto que a cena do lago volta a nossa mente. Há certas conexões que não podem ser quebradas - na fantasia do menino é que reside o perigo.

A mãe é realmente a mãe, o filho não, pelo menos não o de antes. Tomado pelas decisões do irmão, agora revelado imaginário, o menino vira um carrasco encarnado e esculpido, torturando e exigindo uma verdade que não existe daquela que acredita ser uma usurpadora.

O fim, a essa altura já deduzido pelo telespectador, chega. Ele é cru e preciso - causa e consequência. A reunião tão esperada pelos gêmeos só pode se realizada no ato da morte.

Boa Noite, Mamãe acerta em um roteiro que prende e instiga para depois nos deixar pasmos. E essa é a fórmula perfeita para um terror digno.

Trailer legendado de Boa Noite, Mamãe


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vida miserável

Nos pegamos muitas vezes a pensar sobre as escolhas da vida, o que mais queríamos, as amizades, os amores, investimentos, desistências.

E nesses pensamentos, para uns tristes e para outros não, uma pedaço enorme de nossa trajetória passa em forma de pulsos elétricos e uma fita é rebobinada, avançando e captando detalhes antes não percebidos e tão essenciais.

Hoje pensei em todas as minhas escolhas e elas, tão questionáveis, são cinzas como as tempestades que agora caem.

Amizades. Estas são as mais equivocadas possíveis. Eu sempre estou errando nesse aspecto. A sensação mais estranha do mundo é ser amigo de alguém e este o considerar uma dentre as várias que possui, pertencendo a uma escala inferior, a opção quando aqueles mais queridos não estão por perto. Os sentimentos cegam e os sinais tão claros estavam ali e nunca foram percebidos. Tanto tempo depois, um pequeno estalar, e aquela fita, que agora volta, mostra toda a tolice e as ricas minúcias da desconsideração. Quando não há nada melhor... E assim é mais uma sentença nesse círculo humano em que muitas pessoas afortunadas conseguem achar os alvos certos.

Amores. Acabaram-se todos. E esta é uma sensação negra, desconcertante e incoerente. Como se todo o sentido da vida tivesse esvaído-se pelo ralo. Destruídos por sentimentos iguais ao das amizades questionáveis. Das relações abusivas a incompreensão, da opção em um cardápio, entre crises que logo passarão, e lágrimas, houve de tudo. Amei todos e não recebi nada. Ninguém importa-se a não ser que haja lucro e traga divertimento.

Profissão e estudo. Um dia eu quis ser tudo, até mesmo um raio de luz. A melhor fase da vida (mesmo com toda a tristeza) foi imagina-se no topo, não por dinheiro, mas pelo sucesso de ser o que sempre se quis. E esse tempo ficou tão distante, que quase não me lembro. Pergunto-me o que é ter, por exemplo, parentes instigantes e admirados, aqueles tios legais que trazem livros e que falam maravilhas do universo, ou os primos que sonham e deliram e não têm medo. Desses, eu conheço somente a cobrança e a humilhação. Alguns são movidos pela mesquinharia, outros pelas mentiras, dinheiro e aparências. Já passei por diversas situações degradantes - falarem que minhas roupas são pobres e surradas, não ter onde cair morta, ser estorvo por ter parado de trabalhar para estudar nessa altura do campeonato [e mais ainda porque todos consideram todos os empregos que tive uma merda], ser egoísta, preguiçosa, um fracasso e outras tantas frases motivacionais. Não tenho amor por nenhum. E é simples assim. Mantenho-os o mais longe possível da minha vida. E isso não significa, devido a minha atual condição financeira, que isso seja a paz.
Terminar o curso tem tornado-se tarefa não somente árdua, mais definhante. Professores que dizem que você não é capaz, colegas que não dão a mínima, mais cobranças... Ultimamente, por causa de dinheiro [a falta dele], e a escassez de oportunidades e tempo para um trabalho, sou atacada por todos, todos os dias. A miséria da alma é a minha condenação atual.

Talvez, um dia, a roda gire... E quando isso acontecer, o que farei com eles? Talvez permita-me apenas ignorá-los e viver tranquilamente como sempre quis desde pequena. Vingança e humilhações como revanche, não. O silêncio e o desprezo já são suficientes - o que não é visto não é sentido e aquele que apanha nunca esquece. E sou um elefante nesse quesito.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Propagandas Históricas Brasileiras - Laka (Me Dá um Beijo) - 1989



Incrível como as propagandas, não somente as brasileiras, perderam um pouco do encanto por padecerem nas mãos do politicamente correto. Duvido que, fosse hoje, essa doçura ficaria no ar sem causar polêmicas do xiitas evangélicos e das patrulhas familiares mais preocupadas em encher o saco do que educar seus filhos verdadeiramente.

Todos querem parecer bons pais, mas vá perguntar se eles já leram Mark Twain para os filhos...

Enquanto isso...

Essa propaganda do chocolate Laka, da Lacta, de 1989, nos trouxe a maravilhosa canção Crying In The Rain na voz de uma das duplas que mais gosto: The Everly Brothers. A música foi escrita por Howard Greenfield e Carole King e originalmente gravada pelo duo, em 1962. Mais tarde, em 1990, um grupo que amo, o A-ha, fez sua própria versão da música e que ficou excelente.

 
Quanto ao Laka...

... Continua, para mim, com gostinho de amor adolescente... Ou aquele amor platônico vindo do oceano... Ou todos os amores bons, bonitinhos, com gostinho de "Eu quero mais um pouquinho"...

Versão do The Everly Brothers


Versão do A-ha


Fontes:

domingo, 24 de janeiro de 2016

Mudanças no CQ&Sherlock

Como podem ver, o blog mudou o layout, saiu do preto e foi para o cinza, roxo, lilás, não sei, furta cor.

Tornou-se um tom pastel.

Saímos também do horizonte do Facebook, que cá entre nós, nunca trouxe sorte e muito menos novos leitores para este blog. Demos um tempo, talvez definitivo [a escritora aqui também livrou-se do Facebook Pessoal].

Cansamos um pouco de relatos sobre politicagem, gente muito feliz, postando suas bebedeiras com seus amigos para sempre de quatro semanas. Engraçado, todos são alegres no Facebook. E tudo é tão denso como gelatina de frutas.

Este blog teve mais sorte com o Orkut. Foi a época de mais leitores. Porque havia uma certa anarquia que funcionava nos grupos de blogueiros: você recebia um comentário, ou seria chamado de caloteiro [uma aberração, a marca escarlate, a ficha criminal da blogosfera.].

Hoje é a sorte de quem o encontra na ferramentas de buscas. Mas continuamos.

Firmes como estacas no brejo!

Ecos das montanhas que tocam o céu

Na calmaria das montanhas enluaradas
Sobre a brisa gélida da noite sorrateira
Há sons e caminhadas
Daqueles que vagueiam à espreita.

São almas em forma de sussurros
E suspiros daqueles que amam.
São poemas recitados em uivos 
Por vozes milenares que cantam. 

Agora, o pó,
A solidão...
Carne e sofrimento. 

Depois, ecos de amores perdidos,
Espíritos andarilhos
das montanhas renascidos. 


T.S. Frank




Para saber mais...

R. Carlos Nakai
R. Carlos Nakai é um grande flautista nativo americano de origem navaja/ute. Nasceu em 16 de abril de 1946, em Flagstaff, no Arizona, EUA. Seu nome verdadeiro é Raymond Carlos Nakai e é considerado referência quando os assuntos são música nativa e flautas NAF - Flauta Nativa Americana. 

A Biblioteca do Congresso (Library of Congress) possui mais de 30 dos seus trabalhos preservados no Centro de Folclore Americano (American Folklife Center).

Seus álbuns Earth Spirit and Canyon Trilogy são os únicos álbuns nativos americanos com os certificados de ouro e platina, respectivamente, pela RIAA (Recording Industry Association of America).

Nakai desenvolveu um sistema de tablatura para flautas nativas (conhecida também como Nakai Tablatura) que pode ser usada em NAFs com várias afinações.

Em 2005, ele foi introduzido no Arizona Music & Entertainment Hall of Fame. Também ganhou o Arizona Governor's Arts 1992. Possui um Doutorado Honorário pela Northern Arizona University, que recebeu em 1994. Tem Mestrado em Estudos Indígenas pela  Universidade do Arizona. 


**Notas da Autora

Nakai é referência para quem gosta e toca música nativa americana, principalmente os flautistas NAFs. Assim que comecei  a tocar minha NAF (bamboo flute in F) a Nakai Tablatura ajudou muito. Seus álbuns são presença constante nos meus dispositivos móveis (eu uso o Spotify, mas está disponível no Deezer também). 

Um dia farei uma postagem falando sobre minha paixão pela cultura indígena americana e também a sul-americana. Se um dia puder sair desse abismo em que moro, meus planos são separar um ano para ter mais contato com essa cultura, principalmente os ensinamentos sobre espiritualidade, também baseados na reencarnação. 

Hoje a NAF significa muito pra mim, um refúgio e um descanso mental. É impressionante a ignorância das pessoas acerca da importância, história e beleza desse instrumento. Não raro, aqui onde moro, as NAFs são reduzidas a gírias de usuários de canabis ou relegadas a sarjeta quando fazem piada com outro belo instrumento que padece na boca de pessoas com o cérebro de um gambá em coma: a Flauta de Pã (instrumento milenar andino). 

Para Escutar... 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O som da solidão

Quando eu era pequena, as chuvas eram acontecimentos majestosos. Ali eram abertos os portais para um outro mundo. Todos os sonhos podiam voar até aquela incrível altura e encontrar a realização.

Elas sempre vinham do leste; raios e trovões eram os címbalos e as cornetas da anunciação. Só os escolhidos sabiam da sua importância e dos segredos que traziam. Enquanto o resto do céu ainda reluzia em um amarelo espelhado, o horizonte começava a mostrar os corcéis negros com ventos tempestivos.

Em certas ocasiões, o arco-íris aparecia e eu pensava: ele veio transportar alguém para o outro lado para dar-lhe uma vida espetacular.

E foi há tanto tempo... Que restaram-me, apenas, fragmentos de recordações. O agora é mentiroso e vil. Os olhos desse momento, que observam o firmamento, estão pesados e cansados. A vida ganhou tons indesejados de um amarelo abafado e doentio.

As pessoas têm muita pressa, precisam correr atrás de um ônibus, buscar alguém, dar satisfação, gritar com outras, despejar ódio e frustrações e é assim dia após dia. Se chovesse, não notariam, a não ser que atrapalhasse. Pergunto-me se algum dia, neste lugar, perceberam elas que as nuvens também possuem cores.

A solidão que a chuva traz é confortável. Suas gotas deslizam em sinfonia. É como um abraço bom, uma sorriso que alguém provoca. Já a solidão que as pessoas causam em outras é devastadora, um pós-tornado, onde só há entulho e morte.

Estou sobre os escombros, procurando razão para refazer e continuar.

As nuvens do leste, cheias de sons celestiais, são uma metáfora triste de tempos que não voltarão. Este meu tempo é cheio de desacompanhamento e notas solitárias. As pessoas ao redor são apenas o produto desse meio. Não há nada para se esperar porque delas somente o nada pode ser extraído.

Tão obstinadas foram as eras de outrora que para esta tenho que defender-me arduamente das suas catástrofes climáticas - construí um galpão subterrâneo na minha própria alma.

E depois dessa avalanche interior, quem sabe, reste um pedaço de mim para admirar aquelas nuvens cinzas e carregadas que deixei naqueles portais.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Show: Van Morrison - Full Concert - 02/01/79 - Belfast [OFFICIAL por Van Morrison on MV]

Van Morrison é uma lenda. Um dos melhores cantores do mundo e um dos meus preferidos. Por quê? A explicação está em sua discografia praticamente irretocável, em uma carreira com os melhores álbuns da história da música, como o maior de todos, diga-se de passagem, Moondance, de 1970, arrebatador em críticas em sua totalidade.

Sua maior qualidade está em retratar os amores, as paixões, aquela garota dos olhos marrons... usando cenários centralizados em sua Irlanda, como por exemplo, em Cyprus Avenue, que é uma rua de sua cidade natal, Belfast.

Sempre cercado com músicos competentes, essa é uma daquelas grandes apresentações, com versões excelentes de suas já memoráveis canções.

Este não é um shows que fãs colocam no youtube. É um projeto que vale muito a pena conhecer, chamado Music Vault, que oferece uma gama de espetáculos antológicos não só do Van The Man; muitos outros mitos da música estão nele. Abaixo da apresentação, estarão os links para conferir esse catálogo de jóias preciosas.

Aproveite! [Enjoy!]





01 • Moondance [0:00:00]
02 • Checkin' It Out [0:04:02]
03 • Moonshine Whiskey [0:07:19]
04 • Tupelo Honey [0:13:46]
05 • Wavelength [0:20:10]
06 • Saint Dominic's Preview [0:26:46]
07 • Don't Look Back [0:33:46]
08 • I've Been Working [0:38:24]
09 • Gloria [0:43:54]
10 • Cyprus Avenue [0:47:59]

Para expandir horizontes...

Projeto Music Vault - Facebook

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Por que ainda escrevo?

Tenho este blog há seis anos. Ele evoluiu, adquiriu corpo e consistência e não houve um ano sequer que não tenha escrito algo por aqui. Este nasceu da necessidade de partilhar tristezas, angústias e dissabores da minha própria vida e assim o faz desde então. Mas há a parte informativa, compartilhando o que sei sobre cinema, música, história, ciência e alguns ramos que não são tão populares assim. Escrever de forma coerente e seguindo a proposta que defini é um prazer trabalhoso. São necessárias muitas consultas, revisão, reformulação e até abandono de textos. E para quê? Eis aqui a constatação um pouco dolorida.

Escrevo para pessoas como eu. E onde elas estão? Aqui neste mesmo mundo quantitativo. Nele, os comuns estão quase sempre sorrindo e contentes com seus lagos rasos. 

Aqui está meu monólogo e pantomina...

Ler não é mais um deleite tão popular. Leituras fáceis, talvez, juntamente com sucessos instantâneos. O mundo é dos youtubers, dos famosos e descolados. Sinto que é o pior momento para ter o talento da escrita - um atestado para a fome, pobreza, anonimato ou, com muita sorte, um nome no rol do clube cult. Falar sobre tristezas e amarguras não causa mais tanta empatia. Falar sobre a alegria dos momentos simples e descrevê-los elegantemente, muito menos. Isso pertence a livros centenários empoeirados e aos poucos saudosistas que anseiam por mudanças que nunca virão.

Seis anos são de uma persistência sem tamanho, ou a palavra mais bonita que conheço: perseverança. Agora, mais do que nunca, escrevo para mim. Um ato que salva-me do fundo das cavernas escuras diárias e dos pensamentos mais sombrios. É uma fuga em minha própria mente, já em seus primeiros sinais de cansaço e estafa. A realidade é demasiada feia para que se viva enrolada, a todo instante, em seus espinhos. E passeios sorrateiros longe disso evitam desastres. 

Aqui há toda uma história de vida, não bonita, muitas vezes triste, injustiçada e ferida. É a colcha de retalhos que fiz de cenas do meu cotidiano, dos amores perdidos, dos não correspondidos e dos maléficos. 

Sento-me aqui para escrever sobre meus próprios motivos em persistir e lá fora há um entulho de tarefas esperando para serem cumpridas. E essas, desinteressantes e frustrantes, são o muro frio de um castelo construído com erros e culpas. 

Perdi quase todo o contentamento com a vida, até mesmo com alguns imaginários. E, para transformar em uma metáfora amena, tenho tencionado ser um raio de luz, sem forma, nem corpo. Gostaria de ser livre, livre de toda a rede depreciativa que moldou um ser a partir dos seus próprios restos e que não teve tempo para fortalecer-se. 

Sinto-me escrava dos meus caprichos e dos enganos que cometi para alcançá-los. Sou nada mais que fragmentos de alguém que desejou respeito, amor e quietude. 

E agora só possuo a minha escrita que ascende somente aos meus olhos. São minhas cartas para além oceano, engarrafadas, que ainda esperam ser encontradas e abertas. 

***

Eu fecho meus olhos e falo com Deus
E rezo para que você possa salvar a minha alma
Eu olho para você a brilhar
Antes que a escuridão se instale
Eu tenho demônios
Eu tenho demônios tentando me pegar
Mas eles nunca irão me derrubar
Sou apenas humano
Por baixo da minha pele, os cortes são profundos
Só preciso de um tempinho para lidar com eles...
(James Morrison - Demons - Higher Than/2015)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Música Celta: Greg Joy

Greg Joy
A primeira postagem do ano de 2016 começa com amor. E dos meus muitos amores, a música Celta é a mais presente. 


***

Descobri Greg Joy através de um aplicativo na minha Smartv, o Calm Radio Multimix (aplicativo também para Android). Ele contém inúmeras playlists com músicas do mundo inteiro e uma delas, claro, é a Celtic Music.

Depois de escutá-lo pela primeira vez, adquiri toda a discografia. E, depois do Luar Na Lubre (a minha banda favorita), é o que estou escutando diariamente.

Em sua discografia há inúmeras interpretações magistrais de canções famosas do folk escocês, irlandês e inglês. Só pra citar algumas no cenário das series, por exemplo: há Skye Boat Song, música folk escocesa, tema de abertura série Outlander - A Viajante do Tempo Unquiet Grave, música folk inglesa, cantada no último episódio da terceira temporada de Penny Dreadful pela necromante Hecate.

Biografia

Greg Joy nasceu em Victoria/Canadá, em 1954. Seu principal instrumento é o violão - o de 6 e 12 cordas. Toca também dulcimer e bandolim O amor pela música folk das ilhas britânicas levou-o ao Victoria Music Conservatory, no final dos anos 70, para estudar violão clássico. Ele já fez inúmeras apresentações com vários grupos celtas e de music world.

Discografia

1986 - Textures
1991 - Tapestries
1993 - Celtic Secrets
1995 - Touching Hearts [& Brock Tully and Ginnie Doidge]
1996 - Celtic Secrets II
1997 - Celtic Impressions
1999 - A Magical Celtic Christmas [& Mark Brake]
1999 - Celtic Enchantment
2002 - Winds of Change
2003 - Celtic Dancer
2004 - Visions of Paradise
2005 - Celtic Echoes [Celtic Passion]
2010 - Enchanting Celtic Christmas
2014 - The Minstrel and the Maiden
2015 - Shades of Blue and Gold


Algumas faixas dos álbuns de Greg Joy...








Fontes: 

Encartes dos álbuns de Greg Joy

Para escutar:


Para comprar 


domingo, 27 de dezembro de 2015

Natal e Ano Novo - A constatação dos dissabores anuais

Florbela Espanca
O meu talento!... De que me tem servido? Não trouxe nunca às minhas mãos vazias a mais pequenina esmola do destino. Até hoje não há ninguém que de mim se tenha aproximado que me não tenha feito mal. Talvez por culpa minha, talvez... O meu mundo não é como o dos outros, quero de mais, exijo de mais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê! (Florbela Espanca, Desafinado Desconcerto: Contos, Cartas, Diários. Iluminuras, 2002. P. 271)

Florbela é uma achado. Assim como Augusto dos Anjos e sua poesia cortante e realista em metáforas negras, ela aproxima-se de mim com a alma parecida, uma vida de angústia e decepções.

E, nesse final de ano (com o Natal que passou e o Ano Novo que aproxima-se), mais constatações da minha vida: minuciosamente detalhada em seus poemas.

Veja o destaque, frase perfeita, avassaladora e ratificadora: Até hoje não há ninguém que de mim se tenha aproximado que me não tenha feito mal. Talvez por culpa minha, talvez... E assim o é - sem delongas e sem drama, apenas a verdade nua e crua. 

Natal é uma época para a família. Sim, aquelas de comercial ou das pessoas felizes e bobas, satisfeitas com o raso, o multicolorido instantâneo e suas vidas recheadas com sopa de orfanato. A felicidade parece bombom de quinta comprado com moeda de um centavo. 

Natal também lembra-me esperança, o menino Jesus, os desenhos católicos e o catecismo. Era a época em que eu podia ser tudo, claro, na imaginação. Quando somos pequenos, mesmo com as mazelas do dia a dia, as perseguições, pobreza e o destrato na escola (bullying de hoje), o espírito inquietante e a esperança são o mais tenro combustível da alma. Poderíamos, para sempre, ser infantes, ou, ao menos, ter um ínfimo do brio de outrora só para sobrevivermos com o mínimo de dor. Porém crescemos e enxergamos o mal, o preconceito, o descaso e o descarte.

As ceias, antes esperadas, só mostram agonia, problemas domésticos, queixumes. A grande maioria das pessoas que amo e gosto, e que gostaria que estivesse ao meu lado nesse momento, tem outras prioridades, outros amigos mais importantes, outros amores. Muitos deles enganaram, viram apenas algo passageiro, um número, uma nota musical solitária para coleção particular. 

Foi um ano terrível, cheio de tristeza e pesar. Apunhaladas, fofocas, pessoas insanas, coração partido e toda sorte de desgosto. Seres humanos ruins foram coroados, idolatrados e elogiados. E vivem agora seus contos de fada - com beleza, riqueza, belos rebentos, atenção e glorificação. 

Amar tornou-se difícil. E os fracassos apareceram - controle, crítica e dizeres para alimentar a baixa auto estima. Não amei este ano - foram 365 dias estéreis. E não lembro-me de uma época assim. E espero não ter nada parecido por anos. 

Sinto-me presa. Aliás, sempre estive. Sou escrava das convenções, dos dramas alheios, das imposições dos outros. Não tenho dinheiro e nem um rumo certo. Vivo de lampejos de felicidade imaginária e sorrisos soltos. Estes, aliás, causados por pessoas não próximas; talvez, as melhores e mais sensatas que já entraram em minha vida. 

A vida como ela é - cinza. 

Mas quero chuva. Porque ela possui o mais belo céu, o cheiro enebriante de terra gotejada, frio, eletricidade e, antes, bem antes, o arco-íris da infância, cheio de Matemática e Física. Portal de frenesi, palco de cores em tons pastéis. É um espetáculo raro por estes tempos.

Há apenas raios cegantes de sol, com cores vivas e artificialmente alegres, enjoativas. Sem bases e discussões. 

[Fale-me de Beatles, dos Celtas, qualquer ato sólido e artístico. Tire-me desse mar de lama alheio! Ofereça-me uma café com leite quente e um bolinho boliviano. Seja um estranho encantador, alguém para sempre, mesmo por instantes.]

Hoje, pós-natal, e depois que todos comeram como animais, pensando em Papai Noel (minha época favorita ainda é a Páscoa, ao menos, lembram de Jesus), estou com mais um episódio forte de dor nas costas. Existem dias com menos dor, porém ela sempre está lá - companheira inseparável. A cronicidade do meu dia a dia.

Das coisas boas, uma descoberta incrível: um musicista celta - Greg Joy. Também voltei a assistir Arquivo-X e tem sido muito divertido. Agora toco Flauta Nativa Americana - NAF que amo e acalma-me (ninguém nunca me deu forças para tocá-la e assim que o fiz, muitas críticas vieram, não porque eu toco mal, pelo contrário, e sim desdenhos ou o velho descaso, fora que ela é considerada um objeto que ocupa espaço, muito indesejável no começo). 

O curso de Física continua um show de horrores, claro, para mim (porque NUNCA vão dizer algo parecido, afinal, cada um cuida da sua própria vida acadêmica e esses assuntos são terminantemente proibidos. A premissa é que somente os fortes sobrevivem, pois fazem parte disso o egoísmo e também a falta de apoio). Contudo é como disse um amigo e jovem escritor certa vez para mim - Termine isso! E tire sua bunda daí! Não há nada que te segure, não há raízes, não há nada espetacular e forte. Só que é bem difícil manter-se na linha e focada. São tantos problemas, tanta desarmonia e a falta de uma figura para admirar. Episódios recorrentes de desrespeito acontecem, a última, e que me abalou muito, eu já contei em uma postagem anterior.

Vista área de Newgrange - Irlanda
Uma vez terminada toda essa jornada excruciante, poderei começar uma nova vida, longe, muito longe daqui, sem levar nada e ninguém na bagagem. Sem laços, sem história, apenas a vontade de
recomeçar. 

Essa é minha única promessa para o novo ano. Difícil? Exato. É a chave da minha liberdade, minha chance de renascer e poder ter fé em mim, no meu talento. O preço é alto, nada mais que o esperado. Aqui, agora, não há pessoas que acreditem em mim. Essa tarefa é somente minha.

Raio de luz em Newgrange, Solstício de Inverno
Desejo a todos (as) os leitores (as) um ano mais calmo e produtivo. A paz é a lacuna a ser preenchida e a saúde, pois bem sei, é essencial. Do resto, cada um precisa ter ou arrancar da alma, mesmo que seja dolorido. 

E, dessa forma, que as nossas vidas possam ser como a luz que entra em Newgrange a cada Solstício de Inverno - o lembrete da esperança que nunca falha!





Uma linda música celta de Greg Joy!