sexta-feira, 28 de março de 2014

Astronomia - uma estrela

Dizem muito mais do que podemos decifrar
As anis estrelas distantes
E, há muito tempo, sonhos infantes
Foram moldados à luz do luar

Enquanto a Rainha do Norte brilha
A grande e formidável Ursa ergue-se
Assim a bela vaidosa despede-se
Com ousadia pela celeste trilha




E, todos os dias, nessa roda gigante
A madrugada brinca com seu véu
Negro hipnotizante de movimentos flutuantes

E assim chega ao fim mais uma história
É o começo da aurora
E de mais um dia que já vem!



(Poema inspirado levemente na música Astronomy do grupo americano Blue Öyster Cult
T.S. Frank

Significados 

Rainha do Norte - constelação boreal Cassiopeia (latim: Cassiopea)
Grande e formidável Ursa - constelação boreal Ursa Maior (latim: Ursa Major)


Mitologia

"Continuando seu voo, Perseu chegou ao país dos etíopes, cujo rei era Cefeu. A rainha Cassiopeia, orgulhosa de sua beleza, atrevera-se a comparar-se com as ninfas marinhas, que, indignadas, mandaram um prodigioso monstro marinho devastar o litoral. A fim de apaziguar as divindades Cefeu foi aconselhado, por um oráculo, a expor sua filha Andrômeda, para ser devorada pelo monstro. [...] Cassiopeia é chamada a estelar rainha da Etiópia, porque, depois de morta, foi colocada entre as estrelas, formando a constelação daquele nome. Embora tivesse alcançado essa honra, as ninfas do mar, suas velhas inimigas, conseguiram que ela fosse colocada na parte do céu próxima ao pólo, onde, todas as noites, tem de passar metade do tempo com a cabeça para baixo, recebendo uma lição de humildade." (trechos extraídos do O Livro de Ouro da Mitologia, pags. – 161;163, Martin Claret, 2006)

A história da música Astronomy

Astronomy é uma canção do grupo americano de Rock Blue Öyster Cult. Já apareceu em vários dos álbuns da banda. A primeira versão saiu  em 1974 no álbum Secret Treaties. Seu segundo álbum ao vivo, Some Enchanted Evening, de 1978, incluiu uma versão com um solo estendido de guitarra. A terceira versão foi incluída no álbum Imaginos, de 1988. Ela também foi regravada para a coletânea Cult Classic, de 1994. Em 2002 foi incluída no álbum ao vivo A Long Day's Night.


A letra da canção contém alguns versos de um poema de Sandy Pearlman, produtor da banda. O mesmo chama-se The Soft Doctrines of Immaginos. Nele aliens conhecidos como Les Invisibles guiam um humano modificado chamado Imaginos, também conhecido por Desdinova, através da história. Este desempenha papéis fundamentais que, eventualmente, levam à eclosão da Primeira Guerra Mundial.

São feitas referências a objetos celestes em toda a canção: The light that never warms (a luz que nunca se aquece) refere-se a Lua, The Queenly flux (o fluxo magestoso) refere-se a constelação de CassiopeiaMy dog, fixed and consequent (Meu cachorro, fixo e consequente) refere-se a Sirius, a estrela alfa da constelação de Cão Maior (latim: Canis Major) e Four Winds Bar  (bar Quatro Ventos) que pode ser uma referência ao Trópico de Câncer.

A música foi regrava pela banda americana de Heavy Metal Metallica e o cover lançado no álbum Garage Inc. de 1998. (Wikipédia em Inglês - Astronomy Song)

Por Blue Öyster Cult


Por Metallica




terça-feira, 18 de março de 2014

Fracasso - a parte importante e humana do aprendizado

O período das férias é marcado pela renovação e o semestre letivo pela iconoclastia agregada a dores de estômago, de cabeça, desânimo e muitas lágrimas. É o processo mais doloroso da minha vida até aqui. E tenho que enfrentá-lo sozinha, convertendo todos os "nãos" e o "não acreditar" em combustível para continuar na jornada.

Antes, quando cursava Ciências Contábeis, tudo parecia ser um pouco mais simples. Mas não deixava de ter as dificuldades do curso de Física que faço hoje. O cenário era apenas diferente e as pretensões também. Apenas queria terminar e enfrentar os titãs da Ciência. Porém, como em todas as guerras, sonhos passam por processos de desumanização, de quebras e de fortalecimento, tornam-se frangalhos, contudo se não fosse pela pequena fagulha de esperança que é responsável por manter vivos todos os grandes projetos, muitas da grandes obras, talvez, não teriam sido expostas ao grande público.

E nesse processo de volta e recomeço, férias e semestres iniciados, há o companheiro mais fiel do campo do aprendizado: o fracasso. E, claro, definidas as atividades e desafios que são bem comuns no meu curso atual, fico às voltas com esta imensa possibilidade.

O que mais me impressiona é a falta [talvez propositalmente] de discernimento do que deveria ser um ambiente saudável de estudos. É a personificação dos Três Macacos Sábios japoneses, mas às avessas: o que está errado deverá continuar da mesma forma, pois é necessário para ter sucesso.

Lendo e procurando sobre fracassos, deparei-me com algo bem interessante sobre o tema, um texto do astrofísico Marcelo Gleiser. O texto é interessantíssimo e há partes que merecem destaque:

"Fracassamos quando tentamos fazer algo. Só isso já mostra o valor do fracasso, representando nosso esforço. Não fracassar é bem pior, pois representa a inércia ou, pior, o medo de tentar. Na ciência ou nas artes, não fracassar significa não criar. Todo poeta, todo pintor, todo cientista coleciona um número bem maior de fracassos do que de sucessos. São frases que não funcionam, traços que não convencem, hipóteses que falham. O físico Richard Feynman famosamente disse que cientistas passam a maior parte de seu tempo enchendo a lata de lixo com ideias erradas. Pois é. Mas sem os erros não vamos em frente. O sucesso é filho do fracasso."

"Gosto sempre de dizer que os melhores professores são os que tiveram que trabalhar mais quando alunos. Esse esforço extra dimensiona a dificuldade que as pessoas podem ter quando tentam aprender algo de novo, fazendo do professor uma pessoa mais empática e, assim, mais eficiente. Sem o fracasso, teríamos apenas os vencedores, impacientes em ensinar os menos habilidosos o que para eles foi tão fácil de entender ou atingir."

"Claro, sendo os humanos do jeito que são, a vaidade pessoal muitas vezes obscurece a memória dos fracassos passados; isso é típico daqueles mais arrogantes, que escondem seus fracassos e dificuldades por trás de uma máscara de sucesso. Se o fracasso fosse mais aceito socialmente, existiriam menos pessoas arrogantes no mundo." 

Mas para o processo de aprendizado tentativa-fracasso-acerto torna-se saudável é necessário que haja professores capazes de transformar esse ciclo em algo proveitoso e formar um profissional humano e preocupado em ensinar Ciência para todos.

Muitos têm medo da Física e da Matemática pela falta de empatia que alguns profissionais possuem. Pudera, os mesmos espalham ao quatro cantos que estas áreas são templos sagrados sem espaço para fracassos, um teatro de egos, um lugar habitado apenas por gênios, onde perguntas básicas não são aceitas: pode existir espaço para o fracasso, mas ele está no final do corredor das humilhações.

Desejo, um dia, ter a oportunidade de estar em lugares em que se possa errar e tentar novamente, sem ter a própria capacidade desacreditada. Onde existam professores menos cansados, menos frustrados e menos arrogantes, com a preocupação de ensinar e prezar pela qualidade de ensino sem pensar em "fabricar artigos" em massa. Pode parecer uma utopia, uma lugar além do arco-íris, ou a própria terra de Oz, mas sem mudar pensamentos distorcidos, todos os trabalhos frutíferos [e os infrutíferos] ficarão presos na terra dos sonhos.

Marcelo Gleiser termina dizendo que fracasso tem gosto de vida. Não há nada mais humano do que nossas falhas.

Pode ser que no final do semestre eu esteja novamente em pedaços, mas recomeçar é o que resta. Prefiro ser um quebra-cabeças de erros e tentativas e ressurgir como a velha Fênix do que tornar-me uma máscara de arrogância tentando encobrir meu lado mais humano.

Fontes:

Homenagem ao fracasso - Marcelo Gleiser - 22/12/2013 - Folha de São Paulo
Os Três Macacos Sábios - Wikipédia em Português

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A alegria dos homens nas notas de Bach

Não há muito tempo (e para meu estarrecimento) ouvi algo de como música clássica, além de chata e antiga, também é insignificante por não possuir letra (Como assim?). Foi um aluno do curso de Física.

Ao escutar Bach hoje, lembrei dessa história. E muitos estão perdendo a melhor parte da festa por estarem justamente mergulhados nesse poço de ignorância.

Para esses que não se sentem tocados com Jesus Alegria dos Homens (Jesus bleibet meine Freude) e outros concertos dele (ou mesmo de outros compositores), só posso falar algo: lamento!

Assim, como disse o próprio Jesus ao finalizar a parábola do semeador: quem tem ouvidos para ouvir, ouça (Lucas 8, 8).

***
Johann Sebastian Bach (1685-1750) nasceu onde hoje é a Alemanha, em uma família com tradição na música. Teve quatro filhos que tiveram uma importância tão grande na mesma área que o sobrenome já estaria de qualquer forma garantido na imortalidade. Ser um Bach também significava possuir uma veia religiosa fortíssima.

Bach não foi um menino gênio como Mozart. Demorou um pouco para que as suas composições despontassem - lá pelos seus 35 anos. Mas como todos os bons e ótimos músicos, os instrumentos eram seu forte desde cedo, destacando-se no órgão.  E depois, no período que passou na corte de Köthen (1717-1723), cujos hábitos religiosos mais moderados permitiram-lhe dedicar-se mais intensamente à música instrumental profana, ele se revelou também um extraordinário cravista.

Bach não praticou a ópera, embora não lhe faltasse talento para isso.

Era bom de boca e gostava mesmo de comer (isso remonta-me a Vinicius e ao poema Não comerei da Alface a Verde Pétala). E como gostava de café! Apesar da fama de econômico, tinha a casa sempre cheia de flores e sempre gastava com instrumentos novos.

Foi um professor paciente com os alunos talentosos e impaciente com os que considerava medíocres.

Como pai, deu liberdade para cada um dos filhos desenvolver a própria personalidade musical.

Sua morte assinalou o final de um período - o barroco se fora e o classicismo chegara. Era a época do Iluminismo e das ideias revolucionárias e a Revolução Francesa logo, logo aconteceria. Assim, sua obra passou um bom tempo sendo apenas privilegio de círculos restritos. Só a partir de 1829, quando se fez a execução pública da Paixão segundo São Mateus, regida por Felix Mendelssohn, é que a obra de Bach passou a ser conhecida por um público mais amplo.

Poderia terminar dando dicas de algum álbum com as obras mais importantes de Bach, mas prefiro indicar o concerto que, para mim, simboliza a época de esperança, família, nascimento e alegria. Eis que Jesus Alegria dos Homens representa o Natal (apesar de já ter publicado textos mencionando que abomino o comércio em que se transformou). 

Trata-se da parte final e mais famosa da cantata  (tipo de composição vocal para uma ou mais vozes, com acompanhamento instrumental, às vezes também com coro, de inspiração religiosa ou profana) Coração e Boca e Ações e Vida, Herz und Mund und Tat und Leben, BWV 147a (sigla que quer dizer Bach-Werke-Verzeichnis "Catálogo de Obras de Bach" em alemão).

Música clássica não tem idade, credo ou faz qualquer distinção entre classes. O único fator que necessita é a perspicácia para ser apreciada e espalhada, assim como as sementes do semeador.


BWV 147 no vídeo acima (minutagem)

0:10   1. Chor "Herz und Mund und Tat und Leben" 
5:02   2. Rezitativ T "Gebenedeiter Mund!" 
6:50   3. Arie A "Schäme dich, o Seele nicht" 
10:27 4. Rezitativ B "Verstockung kann Gewaltige verblenden" 
12:09 5. Arie S "Bereite dir, Jesu, noch itzo die Bahn" 
16:33 6. Choral "Wohl mir, daß ich Jesum habe" 
19:43 7. Arie T "Hilf, Jesu, hilf, daß ich auch dich bekenne" 
23:24 8. Rezitativ A "Der höchsten Allmacht Wunderhand" 
25:46 9. Arie B "Ich will von Jesu Wundern singen" 
28:40 10. Choral "Jesus bleibet meine Freude" (A parte famosa)


A cantata é conduzida por Nikolaus Harnoncourt, regente alemão conhecido por suas performances de obras dos períodos clássicos e anteriores. É ganhador de um Grammy (2001) pela gravação da obra de Bach: Paixão segundo São Mateus.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Café Quente & Sherlock é TOP 100 do Prêmio Top Blog 2013: Yupi!

Olá, queridos (as) leitores (as)!

É com muita alegria que digo a vocês que o nosso blog entrou para a Lista Top 100 na categoria Arte & Cultura - blog Pessoal - da 5ª Edição do TopBlog Brasil e está classificado para as votações do segundo turno.


Já são quase quatro anos... E esse é um momento muito especial.


Agradeço a todos (as) que votaram. E, principalmente, por sempre estarem aqui, conferindo as postagens, as dicas, os filmes e as reflexões.

É sempre bom saber que tem alguém lendo e gostando. É o combustível que move o CQ&Sherlock.

Bem, o selo continua aí do lado e para votar nessa nova etapa é só seguir esses passos:

1. Clique no selo;
2. Você vai ser direcionado para a página de votação do TopBlog Brasil;
3. Vai aparecer local de preenchimento e votação;
4. Agora é só votar - lembrando que é permitido votar até duas vezes: por e-mail e por Facebook.

ATENÇÃO: a votação para o segundo turno do TopBlog Brasil vai até DIA 13 de MARÇO de 2014!

Até a próxima!





A vida em cor-de-rosa*

Suave, bem baixinho, as notas divagavam...

Hold me close and hold me fast
The magic spell you cast
This is La vie en rose...


Fortes abraços, magia...  Um dia eu pensei - "A vida em cor-de-rosa". Saltitantes nuances, sorrisos... Ah, muito complicado descrever todo esse fulgor. É uma cegueira instantânea.

Porém não me custa tentar imaginar uma vida tão esfuziante como as ruas iluminadas de Paris, salpicadas por um dourado sobrenatural. 

E eu pensei em você, dedicando todo esse esforço ao seu amor inalcançável. 

Deixemos a tristeza de lado, por alguns minutos, saboreando mais notas amadeiradas e florais...

When you kiss me heaven sighs
And though I close my eyes
I see La vie en rose


De olhos fechados, os beijos são observados apenas pelo céu. Sim, a vida tornou-se cor-de-rosa. 

Cá estão os desejos tecidos e arrematados por palavras. Tão distantes estão da realidade minha, talvez da sua. Porém o que faz cada dia valer a pena é que podemos viver nos sonhos toda a felicidade fragmentada pelo cotidiano iconoclasta.

When you press me to your heart
I'm in a world apart
A world where roses bloom

Romance de folhetim das tardes. E eu continuei a pensar que, sentindo seu coração, vivi em um mundo diferente, onde rosas floresciam.

And when you speak... Angels sing from above
Everyday words seems... To turn into love songs

As palavras que saem da sua boca encaixam-se em um hino angelical - são pequenas e delicadas peças de uma canção de amor.

Give your heart and soul to me
And life will always be
La vie en rose

E seu coração pertenceu a mim por alguns instantes. 

Porém sonhos terminam, cedo ou tarde. Está na hora de voltar para realidade. Mas antes lembrarei que, sempre que for assim, nossas vidas serão em cor-de-rosa.

* História da canção

La Vie en Rose (A vida em cor-de-rosa) é uma canção que foi escrita originalmente em francês por Edith Piaf, com melodia de Marguerite Monnot e Louis Guglielmi. Foi lançada no álbum Chansons Parisiennes de 1947. A canção original foi responsável pela notoriedade mundial de Piaf [o título da canção deu nome ao filme biográfico de 2007 que rendeu o Oscar de melhor atriz para Marion Cotillard no papel da própria Piaf]. A versão que temos no texto é cantada por Louis Armstrong [e pode ser encontrada no álbum Satchmo Serenades]. A letra em inglês foi escrita por David Mark. Esta foi incluida no Hall da Fama do Grammy em 1998.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Sereia

Sereia, lá onde a lua banha-se
Calmamente, um dia ouviu-se
Seu canto, puro e pujante
A enfeitiçar jovens viajantes.

Olhares perdidos nas procelas
São dias sem sol e sem velas
O vento cá não sopra mais
O silêncio das ondas é voraz...

[Esta pedra cinzenta é a lembrança
Das lendas entardecidas
Nos contos de criança]

“A bela azul espuma do mar virou
Sacrificou-se em prol de um amor
Que sempre a menosprezou.”

                                                       T.S. Frank




Se você ficou curioso sobre as ilustrações do vídeo... Tratam-se de três obras de John William Waterhouse (1849-1917), pintor inglês. 1. The Mermaid/1901; 2. The Siren Circa/1900; 3. Hylas and the Nymphs/1896. A última ilustração do vídeo não é do pintor.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Um novo ano - Chronos e sua essência

Tenho a sensação de reforma, recomeço e novos caminhos. E isso era somente a passagem do ano - tão simbólico. Porém não sei... Da minha janela apenas vi bêbados e a luz débil amarelada a cegar-me. Meus ossos não me deram paz. Fiquei por aqui, na cama,a espreitar, por um buraquinho, a alegria de plástico de muitos e pensei - ah, melhor deixar para o dia dois - meu doce quotidiano!
E foram fogos, beijos, juras de amor, brigas, começos e términos.

E no que pensei? Não me lembro. Podia ter pensado na minha casa de madeira, junto aos pinheiros e meu rebanho de ovelhas brancas. Muito longe, lá no Sul... Um dia.

Lembrei de qualquer coisa, disso eu sei.

O que um ano todo trouxe, não há de apagar-se em um dia.

Sem mágica, sem espírito. 

Enganar-se e fazer falsas promessas é enfadonho, pueril e bobo.

Eu acredito no trabalho e na construção.

E se o primeiro dia foi o primeiro tijolo, então, celebremos esta nova etapa.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Curiosidades cinéfilas: Overture, Intermission e Entr'acte

Caro (a) leitor (a), imagine comigo...

Você estava numa boa, pensando em qual filme assistir nesse fim de ano letárgico e preguiçoso e teve a brilhante ideia de ver Ben-Hur ou algum outro com um nome em Latim, quem sabe Quo Vadis...

Comprou aquela Coca-Cola geladinha, fez a velha pipoca de micro-ondas, colocou o DVD e ... Durante uns 6 minutos você se deparou com um grande OVERTURE, enquanto tocava a trilha sonora do filme. "Tudo bem, já passou", você pensou. E não é que duas horas depois apareceu um grande INTERMISSION e logo em seguida um ENTR'ACTE e mais e mais trilha sonora de novo...

NÃO É POSSÍVEL, Jesus!

Mas por que isso aconteceu?
Vamos às respostas! E, quem sabe, você passará a gostar desse velho modelo dos filmes de antigamente.

 
Overture Ben-Hur/1959

Overture – era uma abertura estática que tinha a finalidade de mostrar a trilha sonora, geralmente usada para aqueles filmes épicos, como Ben-Hur e Quo Vadis, por exemplo. O uso dela permitia que as pessoas entrassem no cinema e se acomodassem antes do filme começar. Também era uma premissa para mostrar a essência do filme. O ano de 1979 marcou o desuso da Overture, sendo que os últimos filmes a utilizá-la foram Jornada nas Estrelas – O Filme (Star Trek: The Motion Picture) e Abismo Negro (The Black Hole). Porém, a partir do último citado, as Overtures foram utilizadas somente nas chamadas roadshows, que são mostras limitadas de filmes, sendo retiradas no momento em que esses entram em circuito nacional, como aconteceu com Greystoke: A Lenda de Tarzan, o Rei da Selva (Greystoke: The Legend of Tarzan, Lord of the Apes/1984), O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas/1994), Dançando no Escuro (Dancer In The Dark/2000), Cruzada (Kingdom of Heaven/2005), mas preservada na Versão do Diretor e Melancolia (Melancholia/2011).


Alguns filmes que utilizaram a Overture:

· King Kong (1933)
· E... O Vento Levou (Gone with the Wind) (1939)
· Vidas Amargas (East of Eden) (1955)
· Ben-Hur (1959)
· Spartacus (1960)
· Amor, Sublime Amor (West Side Story) (1961)
· Lawrence de Arábia (Lawrence of Arabia) (1962)
· Minha Bela Dama (My Fair Lady) (1964)
· 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey) (1968)
· Jornada nas Estrelas – O Filme (Star Trek: The Motion Picture) (1979)
· Abismo Negro (The Black Hole) (1979)


A lista completa dos filmes que utilizaram Overtures você encontra AQUI.

Intermission Ben-Hur/1959

Intermission - era o intervalo nos filmes que tinha uma finalidade prática: facilitar a substituição dos rolos de filmes. Porque em um filme Épico, com umas quatro horas de duração, isso precisava ser feito sem deixar o espectador irritado. E servia para mostrar mais ainda a trilha sonora, geralmente, primorosa. O público podia aproveitar para fazer outras coisas também, como esticar as pernas, ir ao banheiro e comprar guloseimas.


Alguns filmes que utilizaram o Intermission:

· O Nascimento de Uma Nação (The Birth of a Nation) (1915)
· E... O Vento Levou (Gone with the Wind) (1939)
· Fantasia (1940)
· Os Sete Samurais (Seven Samurai) (1954)
· Ben-Hur (1959)
· Spartacus (1960)
· O Rei dos Reis (King of Kings) (1961)
· Lawrence de Arábia (Lawrence of Arabia) (1962)
· Cleopatra (1963)
· Deu a Louca No Mundo (It's a Mad, Mad, Mad, Mad World) (1963)
· Minha Bela Dama (My Fair Lady) (1964)
· Doutor Jivago (Doctor Zhivago) (1965)
· Help! (1965) [Beatles] (Intervalo inferior a 10 segundos)
· A Noviça Rebelde (The Sound of Music) (1965)
· Grand Prix (1966)
· 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey) (1968)
· O Poderoso Chefão (The Godfather) (1972)
· Os Cowboys (The Cowboys) (1972)
· Mais Forte que a Vingança (Jeremiah Johnson) (1972)
· O Poderoso Chefão Parte II (The Godfather: Part II) (1974)
· Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python And The Holy Grail) (1975)



Intervalo inferior a 10 segundos

· Barry Lyndon (1975)
· Gandhi (1982)
· Neon Genesis Evangelion: Death & Rebirth (1997)


Entr'acte Ben-Hur/1959


Entr'acte - foi feito para aparecer logo após o Intermission, mostrando que era chegado, como no teatro, o segundo ato. Não tinha somente a finalidade de ser um intervalo para a troca de rolos. Como no filme Ben-Hur, o Entr'acte mostra o começo da nova jornada do herói. 


E por que entraram em desuso?

Com o passar dos anos, a tecnologia fez com que a mudança dos rolos fosse imperceptível. Se O Hobbit/2012 fosse de 40 anos atrás, teríamos nele, com quase absoluta certeza, Overture e Intermission (talvez com Entr'acte).


Fontes:

Abertura - Wikipédia em Português
Overture - Wikipédia em inglês
Intermission - Wikipédia em inglês
Entr'acte - Wikipédia em Inglês
Roadshow - Wikipédia em inglês

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Crítica da semana: Sede de Viver (Lust for Life)/1956

"Van Gogh foi o gênio incompreendido, marcado por falhar em aspectos importantes de uma época ainda fechada para a liberdade de expressão. Apenas desejou achar seu lugar no mundo, um mundo em tons de amarelo energético. E com Sede de Viver, Kirk Douglas transforma-se na vivacidade de Vincent - sua vida e suas histórias com a essência de seus quadros - muita intensidade."

Pintores (as) e escritores (as) têm muito em comum - o reconhecimento póstumo. E os (as) maiores (as), quase sempre, são os (as) que enlouqueceram pelo meio do caminho ou sucumbiram à pressão de uma sociedade não preparada para a gama de ideias e opiniões dos mesmos (as), por exemplo: Edgar Allan Poe, o grande escritor dos contos de terror e suspense, que influenciaria Arthur Conan Doyle e Agatha Christie mais tarde, acabaria retirado da sarjeta, delirando antes de morrer; Vermeer, o pintor da luz e perfeição técnica, viu-se na pobreza e, por dever muito e não ter mais condições de sustentar a família, morreu de um ataque do coração. Sendo assim, não foi diferente com Vincent van Gogh. Sua vida curta, cheia de histórias e incompreensão, terminaria de forma trágica aos 37 anos. E coube ao filme Sede de Viver (Lust for Life/EUA/1956) retratar com maestria essa trajetória. A película traz atuações espetaculares de Kirk Douglas (Vicent van Gogh) e Anthony Quinn (Paul Gauguin).

O filme merece ser comentando desde a abertura, com o emblemático Leo The Lion da MGM (em sua época de ouro), passando pelas mãos firmes e certeiras do diretor Vicente Minelli (sim, o pai da Liza e, na época do filme, já divorciado da Judy Garland) e terminando com um mosaico das obras originais de van Gogh vindas de museus e coleções particulares.

A história começa em 1877, mostrando o serviço religioso de Vincent em uma vila de mineiros na Bélgica. Vivendo em condições deploráveis e sem dar notícias, van Gogh preocupa o seu irmão Theo que aparece e o leva novamente para a Holanda. Van Gogh aos poucos recupera-se, porém uma desilusão amorosa o faz mudar para Paris, onde seu irmão Theo trabalha como negociante de artes. Na grande cidade, ele faz contato com diversos artistas impressionistas e conhece aquele que viria a ser seu maior amigo, Paul Gauguin. Influenciado por Gauguin, van Gogh vai atrás de lugares ensolarados para pintar e muda-se para a Bretanha. Algum tempo depois, Gauguin vai morar com ele. A situação precária em que os dois vivem e a deterioração mental de van Gogh fazem com que os dois não continuem juntos. Theo vai em socorro do irmão que pede a ele para ser internado em um manicômio.

O filme possui cores altamente vivas que caem como uma luva no enredo. É como enxergar através dos olhos do próprio Vincent e sentir sua agonia e seu desespero (desconfia-se que o pintor via tudo em amarelo, a chamada Xantopsia, talvez por beber absinto demais, ou fosse daltônico; também há a suspeita de que sofria de esquizofrenia ou de transtorno bipolar). Despojado dos bens materiais, ele estava onde o povo estava, vendo e pintado os agricultores colhendo, os ventos soprando nos campos, a boemia embriagada, as estrelas incandescentes, luzes e mais luzes.

Todo este trabalho rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Anthony Quinn, além das indicações nas categorias de Melhor Ator, Melhor Direção de Arte e Melhor Roteiro Adaptado. Kirk Douglas recebeu o Globo de Ouro de Melhor Ator Dramático daquele ano por seu papel no filme.

Há pouco para reclamar, a não ser minúcias, desta bela obra: a falta da cena completa da orelha cortada (uma das melhores do filme e a mais emblemática da vida de van Gogh) que geraria a concepção de Autorretrato com a Orelha Cortada. Sabe-se que este famoso quadro do pintor foi concebido em 6 de janeiro de 1889 e a orelha foi-se antes, em 23 de dezembro de 1888. Porém a pintura não é vista em parte alguma do filme, nem mesmo no mosaico final.

Não há como finalizar sem mencionar o trabalho da grande lenda das trilhas sonoras: Miklós Rózsa. Responsável pelas composições dos épicos Ben-Hur e Quo Vadis, Rózsa criou para Sede de Viver uma das trilhas mais belas do cinema. Infelizmente a trilha não foi indicada ao Oscar. Um grande erro!

Se você é amante das artes ou só conhece van Gogh porque alguém na sala de aula um dia quis cortar a própria orelha, este é um filme altamente recomendável. Uma das grandes maravilhas de uma época salpicada com o amarelo dourado dos grandes atores, atrizes, estúdios, diretores e composições musicais.

Trailer


Trilha sonora [parte final - a parte da abertura é ainda mais bonita, mas ainda não foi disponibilizada no youtube]

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Notícias do front: épocas e nuances cinzas

Difícil é escrever, olhar ao redor e notar que o tempo desejado foi-se há anos.

Mudaram as estações e de uns meses para cá a inspiração para escrever desapareceu em meio a um nevoeiro de acontecimentos.

Muitas pessoas perderam minha consideração. E, muitas vezes, sair do meu cubículo para lidar com certos tipos é a tarefa mais árdua existe.

Não há como descrever a falta de senso, de cultura e, muitas vezes, bondade que assola a maioria dos jovens. São como robôs, muito bons em um ou dois aspectos, mas que acusam erro em outros mais sutis e humanos.

A pobreza de pensamento é ainda pior junto com agressividade vazia de argumentos. Eis uma narrativa simbólica:

"Um dia estava a escutar música clássica e certa criatura desprovida de qualquer característica requintada ou que a torne humanamente suportável disse que ao menos o funk carioca tem letra."

Sinceramente, diante desse exposto, fico a pensar no fato egoísta de isolamento do mundo.

E não se engane! Essas pessoas são justamente as que têm a oportunidade de frequentar uma universidade.

Eu perdi minha fé em certos aspectos. E muito de vez em quando, há alguns lampejos de salvação. Porém esmorecem diante das facilidades na estrada da vida.

Quanto mais jovens são, mais preconceituosos. E são assim em toda
s as áreas ou padrões que aos olhos dos mesmo não merecem existir. Acho que nesses dois anos, já fui vítima de certas brincadeiras, por exemplo, por escutar Chopin, ou ler um George Orwell, ou ter mais idade do que a maioria, ou ver um filme com Charlton Reston. São fatos inconcebíveis no meu mundo e no que acredito que faça um uma pessoa ser realmente uma pessoa: amar as artes, dar valor ao passado, respeitar as diferenças e basear o futuro em alicerces mais sólidos.

Esses dias sinto que o lugar mais atraente é o meu quarto e arrastar-me para fora dele significa voltar ao mesmo extremamente decepcionada a ponto de querer apenas dormir por uns dois dias antes de ter certeza que quase tudo está perdido em relação ao ser humano.

Continuo nessa caminhada, com paradas e reflexões, então. Não há modo de não sair ferida, mas existem maneiras de, talvez, desviar de algumas pedradas. Defender o que se acredita requer a maior e mais difícil virtude: paciência.


28 anos


Passou-se o dia 22 de novembro e agora mais um ano, dos tantos e muitos que desejo. 
Um aniversário diferente: a velha tristeza sentou-se para comer um pedaço de bolo, enquanto a alegria de um dia pintou-se com notas florais azuis e inundou o ambiente, declamando Vinicius. 

Soneto de Aniversário 

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

(Rio, 1942)

(Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 451.)


domingo, 13 de outubro de 2013

Novas vozes da Soul - Charles Bradley

Mas antes de tudo...

Querido (a) leitor (a), você deve estar cansado de escutar as mesmas frases clichês sobre o chafurdado cenário musical atual. São mais e mais lamentações de viúvos e viúvas querendo um revival do antes.

Porém o que se tem não é mais do que o reflexo da nova geração que não gosta de ler e acha que as regras gramaticais deveriam ter o mesmo destino do Latim. Meninos e meninas que vivem ornamentados com todos os aparatos que os tonam fisicamente porta-vozes de uma geração superficialmente rica: sua bases são fracas como um edifício construído com material de quinta, têm asco do passado e não possuem bagagem para analisar o impacto, por exemplo, de um disco do Marvin Gaye. Todavia entendem tudo de tecnologia e destroem os 1000 níveis de um videogame em menos de um mês. São muito bons em algo, mas só nisso. São robozinhos que ficam ouriçados por qualquer asneira. E compram brigas que levam mais de 500 comentários no Facebook para acabar. Não raro hasteiam a bandeira de que tudo que refere-se a cultura deveria ser destruído porque não é tecnológico. 

E por que eles têm tanta influência hoje? Porque são uma geração forte economicamente e que detém o poder de compra. Maravilha mesmo para os mesmos é viajar escutando a nova banda do último minuto e que vai envelhecer na velocidade em que o Benjamim Button ficou novo. E se assim é, segundo a lei que rege o mercado, que agradar essas mãozinhas tão benevolentes é mais do que esperado. Mídia é isso, reflexo das gerações. E não adianta lamentar ou esbravejar tempos que já foram-se. O problema é mais profundo e a perspectiva muito sombria, afinal, quem vai ensinar a sucessora dessa geração a redescobrir os valores da polivalência?  Música boa há aos montes, acredite! E hoje vou apresentar um belo exemplo. Agora cabe a você usar a sua internet para algo melhor do que bisbilhotar o mundo azul.

***

Charles Bradley saiu das ruas para nos mostrar que a Soul continua viva. Sua história parece mais um enredo de filme: fugiu de casa na adolescência e morou durante dois anos nas ruas e nos metrôs. Arrumou emprego como cozinheiro-chefe, através de um programa do governo. Foi aí que alguém disse que ele parecia com James Brown. Mesmo com medo de cantar, montou uma banda que fez alguns shows, mas que teve que se desfazer porque seus colegas foram convocados para Guerra do Vietnã. Depois disso continuou no emprego de cozinheiro por 10 anos. Decidiu viajar, passou por Nova Iorque, Seattle, Alasca, Canadá até se estabelecer na Califórnia onde manteve empregos temporários e fez pequenos concertos durante 20 anos. Voltou para Nova Iorque em 1996 para se apresentar como sósia do James Brown com o nome de Black Velvet. Passou perrengues e quase morreu por um erro médico. Durante o período como Black Velvet foi descoberto por Gabriel Roth, co-fundador da Daptone Records. Mais tarde, em 2011, veio seu álbum de estreia. Na primavera de 2012 foi lançado Soul of America, um documentário dirigido por Poull Brien, que conheceu Bradley quando dirigiu o videoclipe para a música The World (Is Going Up In Flames). O filme conta a história de Bradley desde sua infância na Flórida, passando por seus dias de mendigo e seus shows como Black Velvet. O filme termina com sua primeira turnê e a gravação do disco pela Daptone.

Então, com um Charles Bradley enchendo o cenário musical com a vivacidade da Soul, você ainda vai se lamentar por ter que ouvir forçosamente as músicas descartáveis da Lady Gaga ou de qualquer outra pessoa que se diz artista? Espero que não. Mova-se! Pegue um soultrain e trate de comprar os dois ótimos álbuns que estão abaixo. Divirta-se!


No Time for Dreaming - 2011

Ficha técnica:

Data de lançamento: 25 de janeiro de 2011
Duração: 42:30
Gênero: R&B
Estilo: Retro-Soul
Críticas: 4 estrelas das 5 possíveis (All Music)
Prêmios/Nomeações: a revista Mojo classificou o álbum como #40 dos 50 Melhores Álbuns de 2011.

Faixas

1. The World (Is Going Up in Flames) (Bradley, Brenneck, Mike Deller, Leon Michels) 3:22
2. The Telephone Song (Brenneck, Dave Guy, Michels, Homer Steinweiss, Fernando Velez) 3:48
3. Golden Rule (Bradley, Brenneck, Michels, Nick Movshon, Steinweiss) 3:29
4. I Believe in Your Love (Bradley, Brenneck, Michels) 3:54
5. Trouble in the Land (Brenneck, Michels) 1:02
6. Lovin' You, Baby (Bradley, Brenneck) 5:27
7. No Time for Dreaming (Joe Quarterman) 2:52
8. How Long (Bradley, Brenneck, Guy, Michels, Steinweiss) 3:54
9. In You (I Found a Love) (Bradley, Brenneck, Michels) 3:21
10. Why Is It so Hard? (Bradley, Brenneck, Michels, Steinweiss) 4:09
11. Since Our Last Goodbye (Brenneck, Michels, Steinweiss) 4:16
12. Heartaches and Pain (Bradley, Brenneck)

Victim of Love - 2013

Ficha técnica:

Data de lançamento: 02 de abril de 2013
Duração: 40:21
Gênero: R&B
Estilo: Retro-Soul
Críticas: 4 estrelas das 5 possíveis (All Music)
Considerações: aclamação universal dos críticos de música

Faixas

1.  Strictly Reserved For You (Charles Bradley, Thomas Brenneck, Adam Feeney) 3:43
2. You Put the Flame On It (Bradley, Brenneck, David Guy, Leon Michels, Nick Movshon) 3:49
3. Let Love Stand A Chance (Bradley, Brenneck) 3:59
4. Victim of Love (Bradley, Brenneck) 3:29
5. Love Bug Blues (Brenneck, Lamont Dozier, Guy, Michels, Brian Holland, Eddie Holland, Movshon, Homer Steinweiss) 3:00
6. Dusty Blue (Victor Axelrod, Brenneck, Guy, Michels, Movshon, Steinweiss) 3:22
7. Confusion (Bradley, Brenneck, Guy, Michels) 3:45
8. Where Do We Go From Here (Bradley, Brenneck, Guy, Daniel Foder, Michels, Adam Feeney, Steinweiss) 3:11
9. Crying in the Chapel (Bradley, Brenneck) 3:55
10. Hurricane (Bradley, Brenneck, Guy, Michels, Mavshon, Michael Deller, Steinweiss) 3:32
11. Through the Storm (Bradley, Brenneck) 4:32

Vídeos





Fontes: 


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Noturno

Tão silencioso é teu olhar
Que não precisas dizer nada.
És manhã orvalhada,
Céu cinza e cristais de luz.

Tu que vens nessa calmaria
E teu caminhar é um Noturno de Chopin.
São notas musicais da Ópera Nove
Segunda parte de café e esperança.

Suavemente cobre-te de luz.
Não mais dourada
E nem esfuziante de outrora.

Muito além é teu rosto,
Que diz tudo e muito mais
Do que todas as palavras já geradas.

T.S. Frank



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

E a terceira temporada de Sherlock/BBC?


Bem, a espera pela temporada de Sherlock/BBC é bem longa e já está praticamente intrínseca às novas temporadas, pois o mesmo fato aconteceu com a segunda. Até a presente data da postagem, não há previsão para que os episódios já gravados sejam finalmente liberados, mas o alívio é que provavelmente já está em fase de pré-produção, ou seja, apenas os últimos retoques.

A data colocada para a estreia, segundo os rumores, é apenas em janeiro de 2014. Porém nada confirmado pela produção. Aliás esta é tão misteriosa quanto a maneira [SPOILER] como Sherlock conseguiu enganar a todos e fingir a própria morte.

O que tem-se, segundo as informações do blog Snail Trail, é o seguinte:

1. A justificativa da demora:

“Acidentalmente, a forma como fazemos os episódios cria um grande intervalo entre as filmagens, de forma a que Benedict e o Martin possam ir fazer grandes filmes e depois regressar para o programa que todos adoramos. Se mantivermos este modelo, é ideal." (Steven Moffat em entrevista, retirado de Como está Sherlock desde de abril [4], 13/09/2013, blog Snail Trail)

2. A data de estreia:

“Não sei de onde veio o último rumor quanto à data de transmissão de Sherlock ser 01/04. Não de mim, pois a data de transmissão ainda não foi confirmada.” (Sue Vertue em entrevista, retirado de Como está Sherlock desde de abril [4], 13/09/2013, blog Snail Trail)

3. [SPOILER] Sobre as gravações da revelação de como Sherlock caiu e não morreu:
“Nos fizemos algumas cenas falsas.” (Jeremy Lovering, realizador de The Empty Hearse, em entrevista, retirado de Como está Sherlock desde de abril [4], 13/09/2013, blog Snail Trail)

O que pode-se fazer diante desses fatos? Apenas esperar ou ver as grandes produções que Benedict Cumberbatch e Martin Freeman estão fazendo no cinema. Nosso querido Sherlock está em filmes de grande destaque como Além da Escuridão - Star Trek, 12 Anos de Escravidão e O Quinto Poder (biografia de Julian Assange e sendo o mesmo). Martin continuará na saga do Bilbo Bolseiro, depois de o Hobbit: Uma Jornada Inesperada, agora vem O Hobbit: A Desolação de Smaug. Aliás, quem é a voz do Smaug? Isso mesmo, Benedict Cumberbatch!

Tem mais novidades também no quesito vilões: como [SPOILER] o Moriarty saiu de cena, temos agora um novo arqui-inimigo do nosso querido Sherlock:

"[...] a produtora Sue Vertue divulgou a imagem de Charles Augustus Magnussem, personagem que desafiará Holmes e Watson. Ele será interpretado pelo ator dinamarquês Lars Mikkelsen (Forbrydelsen, Those Who Kill), irmão de Mads Mikkelsen (Hannibal). Ainda não foram divulgados detalhes sobre o personagem, mas é possível que ele seja a adaptação de Charles Augustus Milverton, o rei dos chantagistas, que é apresentado na obra de Arthur Conan Doyle. Ele aparece no conto The Adventure of Charles Augustus Milverton, publicado em 1904.” (Conheça o Novo Desafio de Sherlock, revista Veja, 29/07/2013).

Bem, agora fiquem com os nomes dos três (sim, de novo e de novo, só três)

1. The Empty Hearse – O Caixão Vazio (referência: o conto A Casa Vazia, do livro A Volta de Sherlock Holmes)

2. The Sign of Three – O Signo dos Três (referência: o livro O Signo dos Quatro; para quem leu o livro… Sabe que vem personagem nova por aí…)

3. His Last Wow – A Última Promessa (referência: o livro O Último Adeus de Sherlock Holmes... E isso pode ser o fim da série... Ou não...)

Por enquanto é isso, queridos (as) leitores (as). Quando saírem mais novidades, estarei aqui para passar para vocês. Aproveitem e vejam o Teaser da terceira temporada e as fontes consultadas!

E vamos vendo a primeira e a segunda temporadas pela zilhonésima vez.

Fontes

Blog Snail Trail – Tudo sobre Sherlock/BBC!
Sherlock BBC Brasil

Postagem do CQ&Sherlock - Sherlock/BBC
Postagem do CQ&Sherlock - Benedict Cumberbatch

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Notas de uma madrugada como outras de tantos anos

Dor e medo... E o par dessas madrugadas calmas é um ponto negro cheio de mistério e com cheiro de café. É época de desesperança, sendo que o único som que traz animação ficou no passado. O tilintar da máquina de escrever não ressoa mais.

A expressão de vida também é um pouco de desespero interior em silêncio, uma angústia tenaz em meio à loucura que faz-me sentir como um peixe frio, congelando em meio ao meu próprio mundo de águas turvas.

Sou tristeza disfarçada de alegria: uma boba da corte, uma clown de Shakespeare, um desalento.

Ah, vida, poderia lamentar-te dias e dias. Contudo meu pequeno aquário possui bolhas azuis brilhantes que refletem vidas que um dia desejei ter.

Sou alegria momentânea tão esfuziante que tenho medo das horas contadas em que abraça-me.  

Caminho nessa estrada cinza, velha companheira de uma vida. Agora tenho uma nova pérola para lembrar-me do que sempre quis.

Os sentimentos unilaterais um dia podem ser bilaterais, concluo. Porém é uma estrada espinhosa e rastros de pequenos cortes carmim  e lágrimas despertam a agonia de não se ter o que as outras pessoas conseguem sempre.

Sim... O amor... Tão distante, vislumbrado em uma janela com vidros espessos: sorrisos ecoam, vidas se fazem e outras vidas surgem. Um filme repetido, a mesma valsa e o mesmo
céu... Dos outros, sempre dos outros.

Sou a solidão de Prometeu. E, talvez, um dia minha punição seja revogada.