quinta-feira, 18 de abril de 2013

Curta de Animação - Mickey & Friends - The Band Concert/1936/ Walt Disney

Bem, por esses dias, estou a apreciar os grandes curtas de animação que fazem parte da história do cinema e da vida dos nossos avôs, pais, tios e da nossa vida também.
A denominação Curta de Animação pode parecer estranha ao primeiro contato, porém, caro (a) leitor (a), garanto que você já viu muitos, até mesmo os mais renomados e premiados com o Oscar. Acompanhe esta nova categoria do CQ&Sherlock e delicie-se!


Mickey & Friends - The Band Concert/1936/ Walt Disney

Um dos meus favoritos. Assistia pela manhã, lá no sertão de Meu Deus...

De 1935, trata-se do primeiro em que Mickey está colorido (usando o processo 3 da Technicolor, a marca norte-americana pertencente à Technicolor Motion Picture Corporation, responsável pela coloração dos filmes até a década de 60). É um dos mais lembrados e aclamados curtas da Disney, deixando um grande legado para os profissionais do Cartoon. Ocupa a posição #3 na lista dos 50 Melhores Cartoons de Todos os Tempos. Foi produzido pela Walt Disney Productions e lançado pela United Artists. The Concert Band foi dirigido por Wilfred Jackson e contou com música adaptada por Leigh Harline. O único personagem que fala no filme é o Pato Donald, voz de Clarence Nash.

MÚSICA CLÁSSICA: posso dizer que as crianças de antigamente tinham muita sorte, pois podiam contar com desenhistas e toda uma equipe que acreditava que música clássica deveria ser absorvida ainda na infância. Assim como em muitos desenhos do Pica-Pau (Walter Lantz) e Tom & Jerry (Hanna-Barbera), a Disney caprichava nas adaptações de composições de grandes nomes do mundo erudito para suas histórias. Em The Band Concert temos a magnífica e vigorosa obra de Gioachino Rossini - Guillaume Tell. Guillaume foi escrita a partir da peça Wilhelm Tell, do dramaturgo alemão Friedrich Schiller, esta baseada na lenda de Guilherme Tell. No curta temos a apresentação da parte mais famosa da Ópera: a Overture. Esta tem quatro passagens, cujo final famoso é muito utilizado nas sonoplastias: prelude - uma passagem devagar, começando com cinco violoncelos; tempestade - uma seção dinâmica tocada por toda a orquestra; Ranz des Vaches - protagonizada pelas trompas inglesas; final - passagem ultra dinâmica que lembra um marcha de cavalos feita por trompas e trompetes e tocada por toda a orquestra [uma dica: veja a regência do grande maestro austríaco (e meu maestro favorito) Herbert von Karajan para Guillaume Tell aqui].

OUTRA MÚSICA: a partir do momento 04:00 até o 04:09 do cartoon, a obra de Rossini é substituída momentaneamente pelo instrumental da conhecidíssima Streets Of Cairo/The Poor Little Country Maid (no popular: Música do Encantador de Serpentes).

A Banda

Mickey Mouse - Maestro
Pateta (Goofy) - Clarineta

Cão sem nome (Unnamed dog) - Trombone
Clarabela (Clarabelle Cow) - Flauta
Horácio (Horace Horsecollar) - Percussão
Peter (Peter Pig) - Trompete
Paddy (Paddy Pig) - Tuba

Ficha Técnica

Dirigido por Wilfred Jackson
Produzido por Walt Disney
Vozes por Clarence Nash
Musica por Leigh Harline e Gioachino Rossini
Animação por: 
Johnny Cannon
Les Clark (Mickey Mouse)
Ugo D'Orsi
Frenchy DeTremaudan
Clyde Geronimi
Huszti Horvath
Dick Huemer
Jack Kinney
Wolfgang Reitherman
Ward Kimball
Milt Kahl
Archie Robin
Louie Schmitt
Dick Williams
Roy Williams
Cy Young
Esboços:
Hugh Hennesy
Terrell Stapp
Estúdio: Walt Disney Productions
Distribuído por United Artists
Data de lançamento: 23 de fevereiro de 1935 (USA)
Processo de coloração por Technicolor (3-strip)
Duração: 9 minutos
País: Estados Unidos
Língua: Inglês






Laranja atômico

São dias amarelados, débeis, frágeis e insossos. O mesmo filme e as mesmas atitudes. Apenas algo mudou - a condição de interesse.

Os rostos, antes observados, esperados, despertadores de sentimentos misteriosos, caíram no profundo abismo do ostracismo.

O café não tem mais o mesmo gosto, o chá está morno. As horas passam, dias passam, pessoas passam.

Talvez seja apenas o sinal do cansaço, da idade, dos círculos quebrados, das rotinas desfeitas.

Vejo-me em uma casa de madeira, no meio da floresta, sem material humano, sem esperanças e nem desilusões. Os raios de sol queimam suavemente, a água cai, o verde brilha esfuziantemente e notas estremecem o ar.

O tempo mudou.

E tudo de antes se perdeu.

Minha face, minha alegria, meus amores.

E não há nada além de um horizonte laranja atômico.

terça-feira, 19 de março de 2013

A intríseca relação entre a busca do coração de ouro e a esperança

"Eu quero viver, eu quero doar
Eu tenho cavado em busca de um coração de ouro
São estas expressões que eu não abro mão
Que me mantém procurando por um coração de ouro
E estou envelhecendo
Elas me mantém procurando por um coração de ouro
Estou envelhecendo" (Neil Young, 1972, álbum Harvest


Uma gama de buscas para dar sentindo à vida, com objetivos claros ou não... E assim somos nós. Porém essas procuras intensas só são possíveis com a ajuda de uma das linhas mais resistentes que se tem conhecimento: a esperança.

Ao longo dos milênios muitos relatos sobre esse sentimento único foram deixados. O mais belo está na mitologia grega, imerso na criação do mundo, juntamente com a história de Prometeu, o coração de ouro dos humanos, o titã punido por ajudar a humanidade, o símbolo da resistência e da luta contra opressão. E assim como ele é o símbolo do sofrimento imerecido, a esperança é a representação da dádiva vinda de Zeus para abençoar o mundo. 

Segundo a Mitologia de Thomas Bulfinch, uma vez Pandora perdeu quase todas os presentes entregues a ela por Zeus, menos a esperança. "[...] embora haja tantos males, a esperança nunca nos abandona; e enquanto a tivermos, nenhuma soma de outras enfermidades podem nos fazer inteiramente desgraçados."*

Como bem se pode perceber: para esperança não existe tempo, existe perda.

Nossa busca maior, talvez, seja pelo coração de ouro de Prometeu e o relatado por Neil Young, ou seja, pelas pessoas que fazem o bem para nós e pelas pessoas ao redor. Contudo há algo maior, mais cheio de propósito: a satisfação plena, não somente de encontrar os nossos corações,  porém de nos tornamos o coração de ouro dos outros. 


Informações: 
* Trecho extraído de O Livro de Ouro da Mitologia, Thomas Bulfinch, 2006, Martin Claret, p. 31.
* Foto 2: Quadro Prometeu Acorrentado de Jacob Jordaens. Foto 3: Ilustração Pandora de Walter Crane

terça-feira, 12 de março de 2013

Anos Dourados

Boleros, fotografias e lembranças
Dos anos dourados saudosos
E dos versos destemidos
Que compunham outrora

Momentos em preto e branco
Frio, inverno da alma
Filamentos de sonhos brilhantes
Submersos em cristais d'água

Em alguns momentos estamos felizes
Imersos em pensamentos passados
Mas de repente fecha-se o álbum...

... E acaba o vinho e a música do Tom e Chico*
A noite foi-se e o dia já vem
E vide a nós, vida que ainda tem.

T.S. Frank

Informações:

*Poema inspirado na música Anos Dourados, de 1986, de autoria de Tom Jobim e Chico Buarque

"A TV Globo encomendou a Tom Jobim uma música para a minissérie Anos Dourados. O maestro fez a melodia, e nada do parceiro terminar a letra. Chico havia quebrado o pé, e lembra-se de se emocionar vendo o seriado na tevê. Tom ligava avisando que a música iria entrar, mas nada da letra - que só ficou pronta depois que o programa já havia saído do ar. Chico admite não ser muito rápido, mas se defende dizendo que nesse caso "a minissérie é que foi precipitada". Valeu a pena esperar."  

(trecho do livro Chico Buarque, da série Histórias de Canções, de Wagner Homem, p. 243, editora LeYa, 2009)

Fotografia - Felipe Camargo e Malu Mader em cena da minissérie Anos Dourados/1986



sexta-feira, 1 de março de 2013

Às vezes, é preciso um bocado de tristeza...

Queridos (as) leitores (as), em falta, eu sei...  O curso de Física, os medos... Vida de escritor aspirante é difícil .. In fact, a falta de inspiração é a Medusa dos escritores. Mas cá estou eu e do outro lado estão as férias - esperando-me com mais escritos. 

"É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não..." (Escrito por Vinicius de Moraes & Baden Powell, presente em Vinicius & Odette Lara/1963)



Por esses dias estou a garimpar as discografias dos meus queridos Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque. E, a cada visita e revisita, o meu mundo enche-se de notas coloridas naturalmente, como se a vida fosse onda que, delicadamente, alterna ápices e fundos - nenhuma alegria de plástico e nenhuma tristeza de botequim de quinta. O que se tem é a harmonia. 

Difícil mesmo e não se chatear com o que ficou para trás. Como pode o mundo estar tão estúpido, tão arrogante, tão pobre, tão mau educado, tão opressor? Por que trancafiaram as qualidades? O que fizeram elas para terem destino tão cruel? 

A semana não foi fácil, a retrasada uma das piores. Nada que valha a pena descrever em mais linhas. Porém digo-lhes que agora posso escrever com mais propriedade sobre a natureza humana das humilhações, pecados e ignorância.

Ah, vida... É melhor ser alegre que ser triste, mas a tristeza não é tão má - ela é irmã da Esperança - a filha do leiteiro. 

Todos estão, de alguma forma, ocupados com suas vidas - os de São Paulo, os de Minas, os do Sul, Norte, Nordeste, Centro Oeste, os que leem esse texto e outros. Eu penso em vocês, penso no que fazem, nos retratos felizes das suas vidas ou nas linhas de desesperança que os afligem. Imagino como agem, o que escutam, se estão no frio ou no quentinho, dando comida aos patos no lago, sentados (as)  com os namorados (as), olhando o horizonte e planejando dias melhores. E o que mais gosto - imaginar muitos de vocês entrando em uma padaria simples, mas sofisticada, sentindo cheiro de café [que agora não posso beber tão cedo] e vendo docinhos e dizendo - "Bela tarde ou manhã."

Das tristezas e medos, todos temos um pouco [eu confesso - sou exagerada. Tenho a alma das tragédias gregas], todavia devemos seguir, nos cuidar - fisicamente e mentalmente. Afastar quem faz mal, abraçar quem faz bem, dizer "Eu gosto de você" para quem merece e falar, mesmo que tardiamente, tudo que sentimos. 

Sim... E agora continuemos com nosso sopro divino. 

Se do escárnio podemos tirar ensinamentos, então dos presentes do dia a dia, cunhados na brandura dos mistérios, tiremos o combustível dessa locomotiva. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Show: Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho e Miúcha Musicalmente Dallo Studio 3 [Show Completo]

Por esses dias, estou sem muito tempo para escrever os textos no blog. Algumas ideias já me ocorreram, porém, mais tarde, eu as expressarei aqui.

Vou abrir uma parte para os shows que vou 'garimpando' pelo youtube. Eis, então, o primeiro:

Gravado na Itália, em outubro de 1978, este show reuniu quatro grandes mestres da música brasileira: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Toquinho e Miúcha, interpretando os sucessos imortais da Bossa Nova. Composições como "Wave", "Tarde em Itapuã", "Águas de Março" e "Samba de Uma Nota Só", entre outras, estão presentes neste inesquecível registro.

Vídeo atualizado em: 15 de janeiro de 2016!

Tracklist:

01 • Samba de Orly
02 • Tributo a Caymmi (Pot-pourri O Bem do Mar/ Saudade da Bahia/ O Mar)
03 • Tarde em Itapuã
04 • Desafinado
05 • Wave
06 • Samba de uma Nota Só
07 • Águas de Março
08 • Samba do Avião
09 • O que Será (À Flor da Pele)
10 • Samba para Vinicius
11 • Vai Levando
12 • A Felicidade
13 • Água de Beber
14 • Garota de Ipanema / Sei Lá
15 • Chega de Saudade / Berimbau / Canto de Ossanha


domingo, 27 de janeiro de 2013

Aquelas doces palavras...

Ah, tu, Amor! Transformaram-te em banalidade como brigas de quinta-feira estampadas em jornais de sexta.
Psiquê recebendo o primeiro beijo do
Cupido (Psyché et l'Amour), 1798, de
François Gérard, exibido no Louvre

Sim, o amor, transmutado em ridículo, proferido toda vez que algum jovem desvairado e febril encontra alguém ainda mais desajuizado. 

Ama-se hoje, odeia-se amanhã! [Postarei 'aquelas' fotos no Facebook! E com legendas em CAPS LOCK]

E, sendo assim, quero um T.A.R.D.I.S. ou um Doutor [preferencialmente o Nono ou o Décimo Primeiro] para mostrar-me as passagens do amor em diferentes épocas. 

Geralmente o saudosista é tratado como um louco incapaz de encaixar-se na realidade multicolorida de um mundo que nasce em micro-ondas e termina na lata do lixo todos os dias. Porém, se assim for, sou uma - prefiro o ritual dos chás - colhidos, lavados, feitos e apreciados - do que viver rotina de fast food

Cá entre nós, querido (a) leitor (a), eu creio que o amor [exilado como os poetas e o bom Português] deva estar escondido em algum lugar por aí, evitando tostar a delicada pele nestes raios de insensatez. 

Em uma manhã dessas, vi um colibri. Brilhava tão intensamente - violeta, azul - e voou suavemente pelo céu cinza que prenunciava chuva. E, com minha velha e típica xícara de chá, pensei, por um momento, que sentir amor fosse assim - apenas estar confortável e da simplicidade extrair um sorriso sem igual. 

Talvez eu nunca ache-o na forma de um Mr. Darcy. Todavia seria injusto aceitar migalhas de carinho ou uma vida desforme em nome da velha sociedade que precisa que todas as peças estejam no lugar, mesmo após tanto tempo da dita revolução feminina. 

E o amor, traquino e solene, vaga por aí. Eu sei que ele não está feliz com os seus usurpadores que vivem a rodear as redes sociais e dão-lhe a fama de mais vagabundo que ladrão de esquina. Quem sabe, um dia, volte a reinar junto com os poemas de uma época em que amar era simplesmente amar. 

"Diga-me palavras doces, aquelas que eu ouvi você cantando outro dia. São simples e melodiosas e, se arrancar-me um sorriso, digo-te que serei a pessoa mais feliz em vê-lo outra vez."

Sim, Amor, estas são para você. Se quiser tomar chá, avise-me, estarei à disposição. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Das aparências: amostra grátis do fugaz cotidiano


"A sabedoria nasce menos da inteligência e mais do coração." (Peter Rosegger, poeta austríaco, 1897)

Hoje sentei-me e observei, não o mar a formar ondas através da névoa de procelas matinais. Contemplei a sordidez, a soberba e o julgamento - artistas eficientes nesses palcos errantes da vida. 

Enquanto visualizava as cenas em atos rápidos e enérgicos, quis um café, uma mesa, uns livros. Quis tantas coisas, entre elas, que aquele espetáculo patético fosse cancelado por falta de público [ilusão!].

Meu amor esvaia-se a cada exemplar de arrogância mostrada. Se o conhecimento é a chave da liberdade, por que, baseado nela, vou incitar a mãe de todas as prisões humanas - o ódio? 

Questiono-me se estou no lugar errado dia após dia. Reviso os erros e as perguntas navalhantes.

Chega! É o suficiente por hoje!

E das aparências forçadas eu quero a mais abissal distância. 

A ignorância humana é interessante - pode esconder-se nos mais altos títulos e no mais alto patamar de inteligência. Porém tem horror à sabedoria. 

Então, resta-me viver. Enquanto isso, continuo a observar esse circo louco e triste que é o cotidiano.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

2013 - Nova jornada...

Mais um ano, mais dias, mais horas...

Aborrecimentos, estradas, conflitos, amores, desamores.

E a vida segue, ritmada cadenciadamente, freneticamente, loucamente em ladrilhos amarelos reluzentes como ouro do amanhecer, ouro dos tolos e apaixonados.

Adeus, estrada de tijolos amarelos de 2012.

Ah! Pudera eu largar tudo isso e ir de encontro à poesia morta, ao vale dos poetas que tombaram diante de um mundo de máquinas, de números rigorosos, de corações duros e de pouca gentileza e amor.

A literatura morreu? Ou as palavras tornaram-se descartáveis. Por onde andam os escritores ávidos por noites boêmias e redes de palavras tecidas ao luar? Onde está essa gente?

Sumiram meus sapatos vermelhos. Porém ainda posso dizer - "Não há lugar como o nosso lar". Sim, meu lar em cada esquina, em cada banco, em cada morada do amigo próximo.

Hoje não hesito em dizer que apenas estou cansada. O mundo é cinza-negro, frio, comum.

Contudo, na confusão de mim, nem poderia ousar ser um raio de luz - não suportaria ter uma dupla identidade - ser partícula e onda.

Quero apenas ser eu, dormir nos banquinhos, beber café e ler aquele livro do Steinbeck largado há séculos na velha prateleira. Quero entender a mecânica celeste, desenhar mapas, gráficos, parábolas. Descobrir a força que rege a estrela mais intrigante - a humanidade.

Continuo, então, a escrever, assim como sempre. Não há lugar melhor do que este. 

Eis minha voz, minha vez, meu eu. 

Queridos (as) leitores (as), muito obrigada por ainda estarem aqui.

E festejemos mais um ano. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sad birthday

Hoje é dia...

... de reflexão e de análise dos momentos amargos que muitas pessoas proporcionaram a mim, principalmente nesse dia tão especial.

Hoje é dia...

... de ver que os amigos de épocas passadas se foram e, agora, permeiam outros campos, permitindo apenas uma visualização longínqua de suas novas vidas e de seus novos amigos.

Hoje é dia...

... de rever todas as escolhas e aceitar os dois anos mais errados dessa minha vida até aqui. Os arrependimentos chegam e o perdão não. E esse é o mais difícil de praticar - por enquanto, ele não existe no meu dicionário. Talvez eu nunca perdoe certas pessoas e muitas atitudes, por mais justificadas que elas sejam. Há laços que nunca mais poderão ser refeitos e sorrisos que nunca mais poderão ser dados da mesma forma.

Hoje é dia...

... de relembrar as grandes decepções acerca das pessoas mais imaculadas.

Hoje é dia...

... de ver o grande abismo de solidão.

Se fosse-me permitida uma realização de desejo, assopraria as velinhas débeis e pediria uma borracha. Não hesitaria em esquecer tudo, mesmo que custasse-me uma ou três pessoas que tenho apreço [não mais do que isso].

E, desses agora 27, pouca coisa quero guardar.

E feliz aniversário... Para, quem sabe, os próximos anos.

sábado, 17 de novembro de 2012

Farewell Facebook

Não, eu não cometi um assassinato, não estou sendo procurada pelo FBI, CIA, equipe do Criminal Minds, CSI, ou pelo Sherlock ou Patrick Jane. É apenas um 'Porra, não quero mais!" [Ursinho TED mode on].

Sim, eu cansei do Facebook e toda a invasão que ele proporciona.

Antes de entrar no âmbito pessoal, eis algumas indagações que você, caro (a) leitor (a), deveria fazer a si mesmo (a):

1. Quanto tempo você gasta diariamente no Facebook?
2. Quanto desse tempo você realmente empregou para fazer o que queria fazer antes de de logar no Facebook?
3. Quantas pessoas você realmente queria que fossem suas amigas no Facebook?
4. Quantas confusões você já arrumou por causa de uma atualização, um curtir ou um comentário no Facebook?
5. Quanto tempo já gastou procurando um plano infalível para se desfazer daquele 'amigo' que você não quer mais no Facebook?
6. Dos amigos que você tem no Facebook, quais são seus amigos de verdade na vida real?
7. Você fez um perfil no Facebook porque quis ou porque todo mundo tem?
8. Você tem medo de ser tachado de esquisito, possível psicopata e antissocial se um dia decidir não ter mais Facebook?
9. O Facebook deixa você com tempo livre para as outras atividades?
10. O Facebook tornou-se sua vida?

Você [como eu! Aposto!], invariavelmente, todos os dias, sente vontade de ver o que aconteceu com aquela pessoa que você gosta [e mantém no Facebook] e não gosta [e, por questões morais e pacíficas, também mantém]. A primeira é prazerosa, por vezes, muito engraçada e mantém uma linha saudável de comportamento em redes sociais. Já a segunda... É tão venenosa quanto pequenas doses de mercúrio.

Há também o tempo gasto, uma espécie de feitiço, no qual você pode ficar horas simplesmente olhando para a tela com aquelas cores azuis, esperando a próxima atualização, ou aquele inbox se abrir, magicamente, para uma conversa - Oba, alguém quer conversar comigo!

Contudo, não há só ganhos, existem perdas. Com o fim do meu perfil, lá se vai metade da comunicação que tenho com muitos leitores do blog e queridos parceiros, bem como a Fã Page do CQ&Sherlock. E, claro, o contato com alguns poucos bons amigos da vida real.

Mas, aos meus leitores e parceiros, sempre tem o próprio blog e o e-mail do CQ&Sherlock, bem como o quadro de recados e os próprios comentários. Aos amigos, bem, esses sabem meu endereço, meu MSN particular [futuro Skype] e meu número de celular [nada como receber SMS!].

É isso! Eu não quero me sentir como em 1984, não quero ser  John Smith e, muito menos, parecer vigiada pelo Grande Irmão [deixa isso para o livro que estou lendo do meu querido George Orwell].

Não vou dizer que não voltarei um dia para o Fantástico Mundo Azul. Toda decisão pode ser revogada. Porém, por enquanto, é o melhor.

Documentário - Adeus, Facebook (Um pequeno filme sobre um suicídio digital)

Encontrei este pequeno documentário, de pouco mais de 11 minutos, sobre algumas questões 'existenciais' acerca do Facebook. O filme é alemão, mas possui legendas em inglês e é de fácil compreensão. O personagem vai analisando cada pessoa e cada convite [até mesmo dos pais]. E ele se pergunta: "O que realmente eu estou fazendo aqui?". Vale a pena conferir!




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Desterro

"Diz-lhe que eu quero voltar e, de novo, na tua foz, as mãos e alma lavar. Quero voltar branca flor. Que neste desterro maldito, estou morrendo de amor." (Lua Na Lubre - Desterro/2007. trad. e adap. T.S. Frank)

Quão triste é a não adaptação a um certo lugar e nele visualizamos apenas amargas lembranças.

Voltar é uma cruel realidade - as mesmas paredes frias e as luzes amarelas e doentes ao longe. O medo dos egos, estilos de vida, críticas, invasão e incompreensão. Os sonhos tornam-se fragmentos cortantes de um futuro incerto. Os amores são veias latejantes e incômodas e cada lágrima tem o nome de alguém ou atitude.

Exílio temido e aguardado, contado dia após dias, depois de um período turbulento que ainda arrasta-se. A morte ronda, grita e assusta, enfatiza a dor e a loucura. Uma grande prisão essa vida, dessa forma - lenta, dolorida, cabisbaixa, sem propósito.

Ao olhar as ruas feias, esgotadas, cansadas, com suas pessoas vulgares, contemplo o triste fim, as cinzas de uma desumanização que já se consagrou - o teatro demoníaco - o espetáculo de nuances de sangue.

Das pessoas que conheci nesse vale, poucas são bem-vindas ou estão incólumes, brancas e inodoras, como a água cristalina que brota de fontes não mais existentes. Delas, das muitas, há sujeira por demais, escárnio, erros, maldade, ignorância, arrogância, superficialidade - são gotas de uma grande poça de lama.

Desterro maldito! Tão pálido e degradante, cada hora, cada minuto, uma agonia interminável.

Dos muitos passos em falso, dos questionamentos e da própria culpa em entregar a vida e os desejos a um bando de iconoclastas forjados no vazio, o pior foi ter caído na armadilha da sensação frágil de conforto e segurança.

Saudades da terrinha, da terrinha que escolhi (futura ou não), dos cafés e sorrisos, mesmo em lugares simples, mas verdadeiros. Saudades dos que eu adotei, saudade do sol em tom vermelho, das casinhas e sua gente nas portas, do ar e da brisa quente. Saudade do lugar o qual pertenço.

Pode ser que de lá eu apenas carregue as lembranças, mas daqui quero esquecer tudo - não há um dia que eu não me puna por minhas escolhas, mesmo muitas sendo feitas por minha inocência e acolhidas pela leviandade daqueles que vislumbraram o poder de destruição.

Desterro, minha punição! Se não morrer de tristeza, suas cicatrizes perdurarão por muito tempo - esculpidas em rostos que bem sei.



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O chá de cozinha

"Uma postagem pouco provável no blog de alguém que acredita fervorosamente no Living Apart Together e que está mais para a turma do professor Higgins."

Um chá de cozinha pode ser um objeto de estudo dos mais interessantes. É a mais vívida demostração de como duas pessoas podem ser felizes (e muito!) com a construção de uma família tradicional e que o amor conjugal existe para aqueles que têm sorte (parte importante) e uma paixão ardente que ainda não morreu no frio congelante da Sibéria.

A estrutura desse evento é basicamente assim: um clube, muito álcool, muita comida, go-go boys strippers ou um casal de comediantes gays, muitos presentes (a bola da vez é a tal da petisqueira), amigas ávidas por aquelas brincadeiras picantes, amigas doidas pela comida e as amigas das amigas da noiva.

E nesse momento eu poderia dizer - ah, vá! Quanta bobageira! Para que tudo isso? É apenas um casamento, um troço falido. Porém essa é a minha visão. Se meu conceito de felicidade não passa perto de festanças de casamento e do convívio na mesma casa, o que impede os outros de conseguirem isso dessa forma? Da mesma maneira que quero que respeitem minha opinião quanto as formas de amor, de como (não) viver juntos e dos novos conceitos de família, eu devo respeitar a alegria de uma noiva tradicional, feliz com seu casamento, com sua nova vida, seus futuros filhos, seu lar e com as muitas panelas que ganhou.

Um chá de cozinha é uma boa oportunidade para refletir sobre as dificuldades das mulheres em manter a sanidade:

1. Se casa, poderá ser: a víbora (visão da sogra); a ingrata (visão da mãe e das amigas solteiras); a desleixada (visão da sogra, do marido e das inimigas); a Amélia (visão do marido e dos amigos do marido); a boboca (visão das amigas solteiras, do marido e dos amigos do marido), a pobrezinha (visão das amigas casadas), a sortuda (visão das amigas solteiras); a boa mulher (visão da sociedade).

2. Se não casa ou/e pensa diferente sobre casamento e família, poderá ser: a fracassada (visão dos homens e das inimigas); a mal amada (visão dos homens e das inimigas); a pobrezinha (visão das amigas solteiras); a sortuda (visão das amigas casadas); a encalhada (visão da família); a lésbica (visão dos homens chutados, família e amigos); a revolucionária (visão daquele tio maluco); a independente (visão da empresa de trabalho) e a esquisita (visão da sociedade).

Ou seja, não há liberdade de escolha pura e simples para as mulheres. Um desses conceitos sempre vai ser supervalorizado pela sociedade de tempos em tempos.

Casamento é bom para quem quer e acredita nele. E essa noiva, imersa no que ela mesmo disse: "tudo está dando certo para mim", é a demonstração disso. Da mesma forma, os que não querem ou não pensam em cerimônias podem ser muito felizes.

E lógico, no estágio em que estou hoje, é difícil acreditar nessa felicidade de propaganda de margarina. Tudo bem, a vida segue. E eu comi bem para caramba nesse convescote moderno.

E, no final das contas, liberdade para casar ou não casar é título de álbum de Renato Russo - Equilíbrio Distante.

***
Se você gostou dessa postagem, poderá apreciar também:

Liberdade? Você tem escolha?
O Living Apart Together - uma nova maneira de convivência


sábado, 13 de outubro de 2012

Mais notícias do Front...

Engraçado, geralmente, começamos pelo começo - janeiro é um bom começo, dieta é na segunda e por aí vai. Só que, muitas vezes, isso é tão redondinho que parece mais promessa de político amarelo.

Recomeçar mesmo em novembro - mês de aniversário. Daqui a pouco vem os trinta e com eles muitas coisas que ficaram para trás - o que busco mesmo é a tranquilidade.

Mas nenhuma paz vem antes da guerra.

Ninguém me conhece, nem eu mesma. E costumo dizer que se alguém entrasse em minha mente, sairia dela, no mínimo, insano e furioso.

Daqui um mês retomar a faculdade de Física. Muitas coisas precisam mudar, muitas atitudes são necessárias e algumas coisas precisam ser ditas para a vida seguir em frente.

"De noite quero descansar..." Isso me lembra que agora estou escutando Legião Urbana. Não acho Renato Russo melhor letrista que Cazuza. Acho-o mais sentimental, mas romântico - um poeta parnasiano enquanto Cazuza é mais da classe de Augusto dos Anjos.

É dia quente - dia de esquecimento.

Dia do perdão, talvez. Depois da vingança.

Por hora, só.

Pintura - Nêmesis, de Alfred Rethel (1816-1859), pintor alemão do século XIX.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dos pequenos infernos diários...

Dia quente e sem perspectiva. E pensei - se fosse permitido-me um desejo, um único que fosse, pediria um campo verde, frio e a presença de alguém que pudesse compreender apenas a minha forma de ser. Como é apenas um desejo, isso significa que, na atual conjectura, não há nada que prove que essa pessoa exista [talvez tenha morrido ou era bom demais para viver em um mundo tão catastrófico].

Não sei se tenho saudades da vida de antes, da vida de sempre. Todavia eu senti quando estava doente, pois não sabia se viveria para ver o sol cinza novamente [o velho medo da morte... O que há do outro lado? Não se sabe!].

Ultimamente tenho sentindo uma vontade imensa de dizer algumas verdades da maneira como devem ser ditas. Muita gente passou pela minha vida, disse o que queria e foi-se. E eu, como uma estúpida polida e medrosa, escutei tudo passivamente e pior - guardei.

Todos os dias é a mesma rotina - pesadelos, acordar, esmiuçar, entristecer-se, pensar, acumular e dormir.

A única coisa que ainda inspira-me é o Café Quente & Sherlock. Ele mostra que eu ainda estou viva, muito sozinha, mas ainda respirando. Pode ser o único detentor do meu amor [o amor do Camões] - a construção em palavras de alguém que sofre silenciosamente. E, quando manifesta-se, é motivo de piada, escárnio e descrédito por parte dos próximos.

Fugi, por algum tempo, da velha escrita - ela não tinha medo de ferir ninguém, do mesmo modo que 'eles' não têm medo de machucar-me. Mas do que adianta essa polidez? Essas palavras doces? Do agradar? O deixa para lá? Absolutamente nada! Faltam apenas dizer- Nasça de novo!

É mais um daqueles dias em que nada faz sentido, imagine a existência! Porém não em uma escala global. Afinal o que a falta de dinheiro prova é isso - a retirada da oportunidade de conhecer pessoas que podem mostrar que esse 'círculo regional' é o responsável por um mundo parecido com um campo de trabalhos forçados - onde só há dor, lamentação e desespero!

[não deve-se deixar a vida ter sentido somente por causa de alguém. Isso causa desgaste e uma enorme tristeza. Porém se ela parece não ter justamente por isso, então, por que não experimentar uma outra amostra?]

Um dia eu disse que queria apagar 99% das pessoas que conheci. Eu estendo esse número para uns 99,9%. Esse ano foi de erros e descobertas.

Uma das poucas descobertas boas foi saber que ajuda nos piores momentos não é algo exclusivo de livros ou de pessoas abençoadas pela roda da sorte da vida. De onde menos se espera, ela aparece. Já de onde se espera...

Não arrependo-me de nada dito e que permanece postado nesse blog - ao contrário! Gosto do meu nome - T.S. Frank. E tenho orgulho de toda a história construída até aqui. Este foi a minha voz quando ela falhou de fato, meu porta-voz, meu porto e, principalmente, minha janela para achar pessoa que sentem-se da mesma maneira como eu e estão fora da bolha multicolorida de vidas saídas de esfuziantes propagandas de margarinas.

E aos que não gostam, sentem-se incomodados com as verdades da vida alheia ou que acham que isso é muito complicado, tudo bem. Não há mais nada a dizer sem descer alguns degraus.

Hoje é o inferno, amanhã uma promessa - chuva, sordidez e dor de cabeça. Com muita sorte, apenas dormir sem pesadelos.

De fato, o que fazer para viver bem? Aceitar a solidão como uma companheira que pode trazer muitas experiências e aprendizados, quiçá até tranquilidade. Seja você, não importa o que digam. Mesmo que isso signifique, uma vez ou outra, a exposição de alguma frase no sentido "você é um (a) fracassado (a) na área pessoal.".