quinta-feira, 14 de julho de 2016

Filho da Lua (Hijo de La Luna)

“Tolos são aqueles que não entendem...”

Uma lenda conta que uma mulher cigana conjurou a Lua até o amanhecer. Ela, chorando, pediu que, ao chegar o dia, se casasse com um cigano. E, do céu, a Lua cheia respondeu:

- Você terá um homem de pele morena. Mas em troca eu quero o primeiro filho que vocês conceberão.

A Lua sabia que aquele que sacrificaria seu primeiro filho para não ficar sozinho, de certo, não iria amá-lo o suficiente. Ela queria ser mãe e não encontrava um amor que a tornasse mulher.

A cigana, por fim, aceitou a oferta. No entanto não parava de pensar: "O que a Lua irá fazer com uma criança de pele?".

O tempo passou, e a mulher teve um filho tão branco como o lombo de um arminho e com olhos cinzas – este era, de fato, o filho albino da Lua.

Entretanto o pai da criança, de pele morena, amaldiçoou a aparência do recém-nascido:

- Esse não é um cigano! E isso não vou tolerar!

Pensando estar desonrado, foi até a sua mulher com faca em punho:

- De quem é este filho? Diga-me! Tu enganaste-me!

E, assim, com a morte a feriu.

Depois foi para as montanhas com a criança nos braços. E ali mesmo a abandonou.

E os antigos dizem que nas noites de Lua cheia a criança renegada está feliz. E quando ela míngua, é porque está a acalmar o choro de seu filho em um berço.

E, dessa forma, contada de pai para filho, a história do Filho da Lua perdura através do tempo.


***

O conto foi extraído da música do grupo espanhol Mecano. Mecano foi uma das bandas espanholas mais relevantes dos anos 80 e 90. Constituída pelos irmãos Ignacio Cano e José María Cano, com a voz de Ana Torroja. A canção chama-se Hijo de La Luna, do álbum de 1986 - Entre el Cielo y el Suelo. De fato, uma das letras mais belas da língua espanhola.



domingo, 10 de julho de 2016

Parentes

Quando estamos condicionados a pobreza e a impossibilidade momentânea de um sucesso que os parentes consideram digno, toda briga em família, mesmo que estejamos cobertos de razão, vira motivo para lembrar que somos um estorvo.

Eu considero parentes (até que seja abençoada pela exceção) a encarnação do próprio demônio - o aviso diário que qualquer que seja o meu passo, serei condenada até o fim dos meus dias.

Hoje minha paz foi abalada pela presença espinhosa dessa entidade que carrega consigo a discórdia e a espalha no núcleo familiar de maneira ardilosa.

Não considero parentes parte da família. Esta reduz-se somente a pais e irmãos, sejam eles também de consideração, e os pets da casa.

Este laço sanguíneo imposto muito mais pelas regras medievais da sociedade do que pela importância genética em si é o peso que muita gente carrega, inclusive eu.

Vivo em um limbo - sem ter para onde ir, sem poder ficar triste, sem quereres que não me causem dores de estômago de preocupação.

Desapeguei-me do agradar. Meus olhos enxergaram porque já sagraram muito.

Mas isto não livra-me de uma raiva interior sólida, uma muralha construída por cada dissabor feito por um parente intrometido.

Hoje gostaria de isolar-me, fugir de tudo isso, considerar-me dona de mim mesma. Esquecer as injustiças e de como a minha boca é silenciada por ordens.

Se pudesse, subiria ao topo de uma montanha onde a Lua brilha platinada e as vozes das almas perdidas sussurram canções de esperança. Não haveria dor, sofrimento e sentimentos de culpa - não existiria a viva memória de parentes.

Ouço lágrimas e mágoas causadas por esses seres maquiavélicos.

E odiar é a palavra da vez...

sábado, 9 de julho de 2016

Colors of the Wind - Flauta Nativa Americana - NAF


Cá estou eu com mais uma gravação em minha Flauta Nativa Americana de bambu.

A música de hoje é um clássico da Disney - Cores do Vento (Color of the Wind), tema principal da animação de 1995 - Pocahontas.

Ela foi composta por Alan Menken e Stephen Schwartz. Venceu a categoria de melhor canção original no Oscar e Globo de Ouro. No Grammy Award, de 1996, foi premiada na categoria Best Song Written Specifically for a Motion Picture or for Television.

No filme, a personagem Pocahontas canta a versão da música que foi gravada pela cantora Judy Kuhn. A versão principal da canção, que foi lançada como single, foi gravada pela atriz e cantora norte-americana Vanessa Williams. O single recebeu uma indicação ao Grammy Award na categoria Best Female Pop Vocal Performance e foi certificado como disco de ouro pela Recording Industry Association of America (RIAA).

Eu, desde pequena, sou apaixonada pela canção. Eu vim de um lugar onde 70% do território é indígena, então, o filme e a música, que ressaltam a importância da natureza e do valor de glorificá-la por tudo que nos oferece, expressam um pouco do meu cotidiano naquela época. Lembro-me que fui assistir em um cinema caseiro e improvisado, afinal, ali era bem distante da DITA civilização...

Colors of the Wind também é uma fixação para os flautistas de NAF. É bem provável que quase todos, nos mais variados níveis de aprendizagem, a toquem nos mais diversos estilos.

Minha Flauta Nativa Americana feita em bambu
Para esta eu tive que usar arduamente a Tablatura Nakai. Em todos os sites especializados, não havia nenhuma tablatura para flauta de 5 furos, somente para as de 6. Tive que adequar todas as notas. O resultado você confere abaixo.

Espero que gostem!

P.S.: antes eu usava o player do 4Shared. Infelizmente, este não quis funcionar hoje aqui na plataforma Blogger. Então, minha gravação está no meu canal do Youtube.



Atualização em 10/11/2016
Player do 4Shared


Colors of the Wind
Flauta (em madeira) Nativa Americana, chave em F, pentatônica
Tocada por T.S. Frank

Colors of the Wind
Native American Flute (wood), Key F, pentatonic, 

Performed by T.S. Frank









Um flautista NAF profissional tocando Colors of the Wind (flauta em madeira)



Para matar a saudade do filme e da música...



terça-feira, 5 de julho de 2016

A megera domada

Dentro do meu peito caberia outra de mim.
Tão leve e cheia de intensidade,
reluzente a milhas de distância.
Um farol incandescente
e transbordante em desejo.

Em mim, tracejados e rabiscos
desse eu altivo e audacioso.
Em tons de ruge,
sedento em cores,
dos mais quentes e selvagens
amores.

Intrépido ser enjaulado,
ferido, acuado e agora
desmotivado.
Febril e doente,
convenientemente
domado e desmitificado.

Dos nuances flamejantes,
restos de cores azuis,
fúnebres e medrosos,
altamente pueris
e jocosos.

Meu eu é metade de mim,
do antes vívido e esfuziante futuro.
Que nunca foi vivido,
mas nunca esquecido.

Sou sombra, passado e
decadência.
Transformei-me em quimera,
sou meu tormento
e minha ruína.

Sou cisma
e solidão.

T.S. Frank



quinta-feira, 30 de junho de 2016

Esse quam videri (Ser ao invés de parecer!)

"Já ocorreu a você que nós nos iludimos? Que nós podemos ver mais claramente e distante de dia? Mas o sol fica no caminho. A noite é quando se vê melhor... Quando nós olhamos as estrelas brilhando, a muitas milhas de nós. A noite é como um voo alto, alto dentro do céu - enxergando tudo claramente... Do jeito como é." (Diálogo entre o jovem Hans Christian Andersen e Jonas Collin no filme O Jovem Andersen/Unge Andersen - Dinamarca - 2005, direção de Rumle Hammerich)

Há alguns dias resolvi traduzir a legenda de O Jovem Andersen (Unge Andersen), um filme sobre um dos meus escritores favoritos - Hans Cristian Andersen. É uma película difícil de achar, apesar de ser de 2005. Dez dias foram necessários para que ela ficasse pronta.

Então, mesmo com o mundo que temos hoje, onde é de mais interesse da massa conseguir algo sobre qualquer pseudo-escritor do que ler as obras dos verdadeiros gênios e mágicos da literatura mundial, pensei em ajudar a ínfima parcela que gosta de ir contra a corrente, que sabe menos inglês do que eu e que gostaria de saber sobre a trajetória de Andersen. 

Traduzir legendas de filmes raros é um ato franciscano. Não muito diferente de escrever quase regularmente neste blog. Ou seja, nenhum desses ofícios conta com um público expressivo. Mas há, sempre, essa invisível e incrível força motriz - a esperança em uma única pessoa, aquela que não sabe-se o nome, a  raça, a cor, a condição social, nem se é menino, menina, ambos ou todos. Se esta única pessoa utilizar e gostar, o trabalho foi válido.

E pensando no diálogo do começo, na legenda e nos acontecimentos dessa semana (e por que não em outras épocas?), cheguei a conclusão que é sempre bom partilhar experiências e situações. É entre os iguais que acha-se a compreensão.

Não sou uma pessoa difícil e tampouco fácil. Para a primeira, trato de exagero e pouco conhecimento sobre mim. A segunda, consideraria uma afronta e até mesmo uma crítica, afinal, nunca serei uma samaritana e não gosto nenhum pouco dessa ideia. Talvez muitos achem-me louca (eu mesma, de vez em quando, também considero este fato), pois abraço e defendo causas que, muitas vezes, nem dizem-me respeito. E isso custa-me muito, pois, além de ficar sozinha no campo de batalha, percebo que as pessoas (até mesmo as que são alvo das situações) não procuram envolver-se mesmo que acreditem que estão sendo injustiçadas ou que há injustiça.

De repente, caí em mim. Neste mundo cão, o único que importa-se e pode defender-me sou eu mesma. E, nesse ínterim, meu desespero faz com que eu cometa erros primários - algumas pessoas, até mesmo as mais próximas, uma hora ou outra, vão usar todos os meus pontos fracos como tinta para um quadro cruel.

Essa semana briguei com um colega de trabalho acadêmico. Porque fui defender o coletivo (a alma sindical gritando). Contudo a vida não é como os filmes: não apareceram outras reclamações, não tocou o fundo musical e ninguém uniu-se e deu as mãos. Virei um conjunto unitário. E foi um 7x1. 

Não tolero ameaças - a não ser em casos parecidos com o de Irene Adler em Sherlock Holmes - você precisa usá-las para defender-se dos verdadeiros vilões. Bem, eu mesma, nesta vida, já fui alvo de algumas, das mais graves, partindo de pessoas de antigos relacionamentos, as mais corriqueiras, como de colegas que usaram desabafos e confissões para tirar-me o sono. Com elas aprendi que o melhor é se precaver e só baixar a guarda para quem realmente for de confiança (o que não é tarefa fácil, talvez, se usarmos uma regra como cumprir todos os Trabalhos de Hércules...).

A vida é um padrão. E assim mais histórias surgem... Um baú de memórias.

Há algum tempo, muito tempo, uma determinada turma fazia a cadeira de Cálculo II. E com exceção de um aluno, todos os outros estavam indo muito mal. Falta de estudos? Não. A didática do professor era terrível - robotizada e insustentável (e a mais utilizada e aceita no curso de Física). A primeira prova veio e notas ruins apareceram como uma miríade de estrelas. Então, combinamos todos de não fazer a segunda avaliação para forçar, assim, o professor a nos dar mais tempo para contornar esse déficit de aprendizado. Poderia dar certo ou não. A vida é um jogo mesmo. Só que, infelizmente, um dos alunos, justamente a exceção, apareceu para fazer a prova - apesar das inúmeras súplicas e mensagens. Ele tinha facilidade e queria fazê-la, não importava o acordo. Direito dele? Sim, claro. Ele fez o que teve vontade e achava correto. Resultado - todos tiraram zero e ele tirou uma nota acima de sete. Tomei as dores para mim (elas também eram minhas, ora!), briguei e não falo mais com este desde então. Afinal, o mesmo direito que ele tem de fazer o que convém, eu também tenho - e com motivos bem plausíveis. Um dia ele tentou justificar seu erro, mas não existiu um pedido de desculpas. E hoje TODOS os que foram traídos falam com esta pessoa como se nada tivesse acontecido. Sim, o mundo é feito dessas estranhas relações. Mas só que o meu não é. E a vida seguiu.

Eu sempre uso as guerras como comparação - se um do meu pelotão trai a estratégia do grupo em benefício próprio, todos correm o risco de morrer. E alguém que trai, seja em qual situação for, pode repetir isso em outros momentos - com maior ou menor impacto - mas as sequelas existirão.

Traição tem uma significado tão forte para mim que nunca entenderei o porquê de ter tornado-se algo banal. Honra, fidelidade e compromisso podem não encher barriga, mas dignificam. Brinco que se eu fosse da Antiguidade, eu seria a 1 de Esparta. 

E nessa mundo lamacento e cheio de vermes e poços profundos, as ilusões são irremediáveis. Todos nós adentramos este véu momentaneamente confortável. Ficamos inertes sem saber onde aplicar nossos dons e nossas qualidades e duvidamos inúmeras vezes que essas existam. Sentimos raiva e sofremos injustiças.Tudo que achamos correto, aos olhos dos outros, é errado, inapropriado e o caminho mais rápido para o mais profundo isolamento e descrédito. E assim contentamos-nos e ser passíveis, medrosos e cabisbaixos.

A vida como deve ser é bizarra - é um resto de uma fogueira de conto de fadas, devaneios e perda momentânea da visão. De dia, uivamos, perdidos, clamando por uma direção e a noite, com os faróis de Andersen, alcançamos voos longínquos.

A verdade, de fato, nunca foi tão paradoxal. 

domingo, 5 de junho de 2016

Domingos

Dies Solis
Detalhe da Tapeçaria da Criação da Catedral de Girona
Girona/Catalunha/Espanha
Domingos são tristes por natureza - Dies Tristitiae.

Uma bola incandescente em xantopsia - Dies Solis.

São muitas xícaras de café e, às vezes, um cheiro de chuva que mostra-nos uma fagulha de vida da incansável natureza.

Eis o dia mais chato do universo e de todos os outros - Dies Insulsi.

E quem o nomeou Dies Dominicus, dormia nas missas, de certo.












Fontes:

Tapeçaria Romântica da Criação - Wikipédia em espanhol

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Nêmesis

Nêmesis 
1837
Alfred Rethel
The State Hermitage Museum/Rússia

As trombetas do juízo tocaram,
anunciando a quebra do mundo.
E fragmentos espalharam-se
por entre os cenários imundos.

Impreciso era o futuro
de uma vida sedenta.
A devorar tudo que havia
nas paisagens sangrentas.

Era o surgimento da Vingança
em resplendor
de Deusa.

E nada poderia detê-lo,
a não ser...
O próprio Ceifeiro.

T.S. Frank





















domingo, 29 de maio de 2016

Icarus

Ícaro e Dédalo de
Charles Paul Landon

Antigamente, muito antigamente, eu olhava o céu do meio-dia com suas nuvens em sombras douradas, mergulhadas em um branco de calmaria infinita... Passavam elas lentamente. E eu estava naquele piso, da casa do interior, com olhos brilhantes de esperança. Afinal, tudo iria mudar, pois ao crescer, todas as metas tornariam-se realidade. Esta é ainda uma lembrança vívida... Lembranças de momentos tolos sempre são os mais presentes.

O tempo foi passando e nada foi acontecendo. Não, ao menos, no meio material. Foram muitas mudanças para casas ruins, estudos enfadonhos, empregos degradantes. A família entrou em colapso e pessoas nefastas ao redor multiplicaram-se como os peixes de Jesus. Era uma pintura cinza e imunda aquele cenário. Um escárnio diário, uma agonia sem precedentes.

De vez em quando um brilho tênue, muito débil, pairava sobre minha vida. Daí eu dei-me conta que era só um reflexo da vida alheia. Afinal, nada daquilo pertencia a mim. Eram minhas projeções que criavam personagens - os mesmos dos livros que tanto amei (os responsáveis pela minha sobrevivência até o presente momento.).

A linha da minha vida é escarnecida e muito desfiada ao longo do percurso. Essa é uma definição mais do que clara até aqui. Eu errei muito. Minha pele parece que encolheu e agora espreme meus ossos.

Há um certo tempo eu tenho saudade daquele brilho tênue e muito débil. E isso é tristemente doloroso, pois sinaliza bem mais do que o fundo do poço da minha própria alma.

Apesar desse trajeto excruciante, eu ainda tenho muitos amores, os verdadeiros, os que não podem ser retirados de mim e que dependem somente da minha existência. Há uma incessante sede de voar, de ser livre, não ter mais corpo e espalhar-se mundo afora, ser o próprio aroma de todas as manhãs - bastar-se!

Mas nós, mulheres, temos uma tendência a ser um Ícaro.

Uma mulher tem o coração enorme. Suporta tantas injustiças e tantos desamores. É explorada, objetificada, traída inúmeras vezes... Os homens, em seu machismo e egoísmo, sempre tentam justificar seus erros aumentando os nossos. Raramente culpam a própria alma mimada.

O voo de Ícaro de Jacob Peter Gowy
Queremos ir mais alto e podemos. Mas cortaram nossas asas. E nossa inteligência criou um mecanismo de fuga, tecido com enorme zelo. E em nosso próprio desespero e encantamento, esquecemos de nos blindar e tomar cuidado. E o Sol, nosso inimigo, derreteu nossas asas. Frustradas, caímos para nossa própria morte.

Na contramão, eu não consigo entender essas mulheres de coração enorme - talvez porque o meu diminuiu. Por que perdoam? E amam infinitamente? E esta fé inabalada de que o amado vai mudar, ou de que tudo irá ser justo? Tão mais fortes e sensíveis, deveriam enxergar que elas são o suficiente para si mesmas (caso seus relacionamentos apenas subtraiam de seu amor próprio). Nesta vida, eu suponho, nunca obterei uma resposta e concluo que o mundo é um teatro de quinta categoria, vulgar, opaco, feito mesmo para o sadomasoquismo dos sócios majoritários.

Eu aprendi de muitas maneiras difíceis. E isso não significa que fiquei mais forte. Estou, a propósito, muito atônita com tudo isso que acontece.

Eu já dediquei muitos textos para aqueles que gostei. Mas em minha vida, no fundo, amei duas vezes. A primeira, há tanto tempo, na adolescência quase imemorial. A outra, bem... Foi o meu próprio céu, aquele que eu criei, e o inferno, o que realmente ele pode oferecer-me. E, agora, essas são partes inexoráveis de minha vida

Até agora falei apenas em decepções, desamores, falta de dinheiro, humilhações... Porém, analisando, todas essas têm participações que fogem do meu domínio. Existem outras pessoas ali, pouco preocupadas comigo. Eu sou a única que pode importar-se com o mais precioso: eu mesma.

O lamento por Ícaro de Herbert James
Draper
Então, o que realmente vale a pena a ponto de empregar-se a vida inteira? O que não podem me tirar? O que posso proporcionar-me? São para essas perguntas que eu preciso buscar respostas urgentes.

E essas respostas, mesmo incompletas, trazem a calmaria do barulho do mar. E isso agrada-me tanto que poderia morrer escutando as ondas que batem nas pedras. A última imagem captada por meus olhos, ainda com um sopro de vida, poderia ser das nuvens cinzas, enormes e macias que formam-se no horizonte, cheias de uma chuva gelada que toca a pele como um choque celestial. Seria um lugar frio, mas ao mesmo tempo acolhedor. Nada de Sol, com seu brilho cego e falso e um calor escaldante. Nada de um céu azul esfuziante como propaganda de margarina.

Não almejo uma vida cheia de dinheiro e montanhas de bens materiais. Com o tempo, aprendi que posso lutar para tê-los, se eu gastar muito da minha vida nessa empreitada, mas correrei o enorme risco de não ter muito do que realmente preciso.

Destruição de imagens em Zurique/1524
Retirado de Panorama de la Renaissance de
Margaret Aston



A vida é sim uma iconoclastia. E os fragmentos resultantes não poderão ser restaurados nem com a maior fé universal. Talvez, lavoisiando, esses cacos sejam transformados em lições e frutifiquem, espalhando sementes de aprendizado.

Hoje tenho a sensação do fracasso e da impotência, da servidão e do não reconhecimento. Tudo realmente está errado e fora de lugar. E eu poderia muito bem apagar tudo e todos da minha mente, sem nenhum arrependimento. Todavia não posso e não é possível.

Este peso que carrego em meu coração é um aviso cotidiano para fortificar as minhas asas: o presente está corroído e o futuro poderá ser um painel dos ossos que quebrei na minha jornada.


sábado, 28 de maio de 2016

Outcast e Preacher - novas séries que o CQ&Sherlock está acompanhando

Desde o fim de Fringe (2008-2013) e The Mentalist (2008-2015), digamos, não estava mais tão extraordinariamente empolgada com série alguma (Arquivo-X não conta, apesar da volta deste ano, pois foi um revival.).

Com a chegada da Netflix e da minha Smart TV, pude conferir muitas novidades neste campo - boas e ruins. E, também, criei raízes no meu sofá. A evolução das séries, ao longo do tempo, com ajuda dos serviços de streaming e downloads da internet, transformou esse passatempo em uma verdadeira cultura de massa - o símbolo de uma geração.

E os quadrinhos também entraram nessa.

E é aqui que temos o divisor de águas para a T.S. Frank.

Não gosto de quadrinhos de super-herois (e essa afirmação engloba mangás de todos os tipos e de todas as temáticas, assim como animes). Eles são bem feitos, são! E as qualidades são muitas. Aqui reina uma questão de gosto mesmo. É igual ao Senhor dos Anéis - não aprecio de jeito nenhum! E a saga é histórica, construída ricamente e é soberba. Mas prefiro, anos luz, a Saga Nárnia.

Eu amo quadrinhos para adultos, cheios de violência, sangue, sobrenatural, magia e o cotidiano urbano - verdadeiras dissertações sobre a vida real e seus fantasmas psicológicos. É nesse ponto que a arte dos balõezinhos fazem sentido para mim.

E, nesse fluxo, o CQ&Sherlock passa a acompanhar um série promissora, aliás, duas:




Santa tecnologia: agora posso ler Outcast no
meu tablete: #01 - Uma Escuridão o Cerca
1-OUTCAST - De longe, a minha preferida. Ela é baseada no quadrinho (que começou a partir de 2013 e continua a ser lançado) criado por Robert Kirkman (The Walking Dead) e Paul Azaceta. O enredo traz Kyle Barnes - um rapaz que, desde a infância, é atormentado por possessões demoníacas. Mas essas atingem somente as pessoas próximas a ele, trazendo dor e sofrimento para sua vida. Só que, agora, Kyle está determinado a descobrir a verdade sobre essa espécie de maldição que o assola, mesmo que isso signifique um possível extermínio da vida na Terra.

O primeiro episódio foi liberado no Youtube para que todos pudessem conferir. A responsável pelo piloto foi a Cinemax. Mas é a Fox que transmitirá a série. Ela irá ao ar todas as sextas.

O ator que faz o papel de Kyle é Patrick Fugit (o garoto de Quase Famosos/2000) - excelente no papel. É o tipo de protagonista que você se apega desde o começo.

A HQ já possui 18 edições lançadas e  eu já li 17 delas. Virou vício, a propósito.

Como a premiere oficial da série será ainda em 03 de julho, o Rotten Tomatoes ainda não colocou a pontuação. Mas no IMDb já mostra uma excelente nota - 8,2 (atualização do Rotten Tomatoes será colocada aqui assim que sair.).


2 - PREACHER - ela ainda é um mistério para mim. Confesso que, ao longo de quase uma hora e cinco minutos, eu fiquei na dúvida se ela estava me cansado ou me divertindo. Então, depois de ver o piloto, fui consultar algumas pessoas que já leram os quadrinhos e, por ventura, viram o primeiro episódio. Segundo a minha irmã, a primeira delas, foi amor de primeira! E ela está lendo os quadrinhos fervorosamente (eu ainda começarei). As palavras dela foram - a série deixa você curioso. O segundo, um colega do curso de Física, me disse que não viu o piloto, mas o quadrinho é insano e um dos melhores que ele já leu na vida.

Então, vamos lá: a série é baseada na série de 66 quadrinhos (mais 6 edições especiais), da década de 90, pelo selo Vertigo da DC Comics. Foi criada por Garth Ennis e Steve Dillon. Preacher conta a história de Jesse Custer, um ex-pastor que foi possuído por uma entidade sobrenatural e que confere a ele o poder de fazer com que qualquer pessoa o obedeça. Essa entidade é Gênesis - fugitiva do Paraíso. E os anjos a procuram para prendê-la novamente. Quando eles descobrem que ela e Jesse Custer se tornaram uma só indivíduo, o objetivo passa a ser exterminá-lo. Para isso ressuscitam um matador do século XIX, o Santo dos Assassinos e o enviam para persegui-lo.

O piloto dividiu opiniões. Os mais xiitas dos quadrinhos não gostaram muito. Talvez pelo toque de humor do ator Seth Rogen (responsável pela direção, juntamente com Evan Goldberg) e algumas caracterizações de personagens

Jesse é interpretado por Dominic Cooper (A Duquesa/2008), que está bem legal no papel.

É a AMC responsável pela transmissão da série. E ela vai ao ar todos os domingos.

Eu estou aguardando mais... Por enquanto, é isso que tenho para dizer sobre Preacher. Mas no IMDb a nota está ótima - 8,8. O Rotten Tomatoes também deu uma excelente nota - 92% de aprovação.



Fontes:

sábado, 21 de maio de 2016

Love Me Tender - Flauta Nativa Americana - NAF

Para os amantes de Elvis... Assim como eu...


Love Me Tender
Flauta (em bambu) Nativa Americana, chave em F, pentatônica
Tocada por T.S. Frank

Love Me Tender
Native American Bamboo Flute, Key F, pentatonic,
Performed by T.S. Frank



terça-feira, 17 de maio de 2016

Dia das Letras Galegas


A Galiza é um lugar fascinante, principalmente no que diz respeito a literatura e música. Sua riqueza cultural viaja o mundo, mantendo-se viva pelos galegos que preservam e defendem sua identidade fervorosamente.

Um pais místico e local de peregrinação - através do Caminho de Santiago de Compostela. Sua língua, o galego, quase uma irmã do nosso amado Português, dá voz aos mais belos poemas, como os de Federico Garcia Lorca.

Lorca, mesmo não sendo galego (espanhol de Fuente Vaqueros), rendeu-se a beleza da língua, escrevendo, em 1936, Seis Poemas Galegos.

Desde de 1963, os galegos festejam a sua literatura e sua língua, através do Dia das Letras Galegas, comemorado no dia 17 de maio. A programação abrange escolas, televisão e teatros. Há shows e atividades para que todos os galegos, e o restante do mundo, possam conhecer e maravilhar-se com as obras e histórias do poeta/escritor escolhido para representar o dia. Este ano é do poeta Manuel María.

O dia da comemoração é uma homenagem a data da primeira edição de Cantares Galegos, de Rosalía de Castro, considerada a fundadora da literatura galega moderna.

O Dia das Letras Galegas é uma exaltação ao que é ser galego - um povo que orgulha-se do seu patrimônio cultural e faz questão de mostrá-lo as outras nações.

Eis todos os homenageados: 

1963 Rosalía de Castro
1964 Alfonso Daniel Rodríguez Castelao
1965 Eduardo Pondal
1966 Francisco Añón Paz
1967 Manuel Curros Enríquez
1968 Florentino López Cuevillas
1969 Antonio Noriega Varela
1970 Marcial Valladares Núñez
1971 Gonzalo López Abente
1972 Valentín Lamas Carvajal
1973 Manoel Lago González
1974 Xoán Vicente Viqueira Cortón
1975 Xoán Manuel Pintos Villar
1976 Ramón Cabanillas Enríquez
1977 Antón Vilar Ponte
1978 Antonio López Ferreiro
1979 Manuel Antonio
1980 Afonso X de Leão e Castela, O Sábio
1981 Vicente Risco
1982 Luís Amado Carballo
1983 Manuel Leiras Pulpeiro
1984 Armando Cotarelo Valledor
1985 Antón Losada Diéguez
1986 Aquilino Iglesia Alvariño
1987 Francisca Herrera Garrido
1988 Ramón Otero Pedrayo
1989 Celso Emilio Ferreiro
1990 Luís Pimentel
1991 Álvaro Cunqueiro
1992 Fermín Bouza-Brey
1993 Eduardo Blanco Amor
1994 Luís Seoane
1995 Rafael Dieste
1996 Xesús Ferro Couselo
1997 Ánxel Fole
1998 Martim Codax, Joham de Cangas e Meendinho (em conjunto, autores de diversas cantigas medievais)
1999 Roberto Blanco Torres
2000 Manuel Murguía
2001 Eladio Rodríguez
2002 Frei Martín Sarmiento
2003 Antón Avilés de Taramancos
2004 Xaquín Lorenzo Fernández
2005 Lorenzo Varela
2006 Manuel Lugrís Freire
2007 María Mariño Carou
2008 Xosé María Álvarez Blázquez
2009 Ramón Piñeiro López
2010 Uxío Novoneyra
2011 Sois Pereiro
2012 Valentín Paz-Andrade
2013 Roberto Vidal Bolaño
2014 Xosé María Díaz Castro
2015 Xosé Filgueira Valverde
2016 Manuel María





Fontes

Dia das Letras Galegas - Wikipédia em Português
Dia das Letras Galegas - Wikipédia em Galego
Portal da Língua Galega
Letras Galegas - Homenageados - Em galego
Poema de Manuel María interpretado pelo grupo galego Fuxan os Ventos e o Quarteto Saiva Nova- Corporação de Rádio e Televisão de Galiza - CRTVG
Casa e Museu Manuel María
51 Páxinas de Nossas Letras - Parlamento da Galiza - PDF em galego
Letras Galegas 2016 - Corporação de Rádio e Televisão de Galiza - CRTVG
Rosália de Castro - Wikipédia em Português

Para acompanhar os eventos das Letras Galegas 2016 ao vivo

domingo, 15 de maio de 2016

Historinhas de gregos


Céu do sudeste - representação artística das Constelações
Das 88 Constelações reconhecidas pela União Astronômica
 Internacional - IAU, mais da metade foi descrita, primeiramente,
pelo antigos gregos, como Ptolomeu e Hiparco
Software Stellarium

"Lá fora, o céu conta-nos diversas fábulas. Eis que Marte, em sua fúria vermelha, passeia com divindade pelas garras do Escorpião. Seu brilho cega e hipnotiza-me! Antares, o antagonista e rival, observa-o, com quietude, pois não há nada que possa fazer para tirar-lhe o fulgor. Nesta jornada, o véu da madrugada, tecido em finíssimos grãos de sono, traz a trilha de Saturno. E, a Oeste, já adormece Júpiter. E quando a Aurora chegar, em luz e resplendor, Vênus brindará os amantes que completaram mais um ciclo juntos." 

Vez ou outra, pedaços de memórias e sensações voltam. E hoje, ao olhar toda a beleza do céu, lembrei-me da época do meu próprio e incauto desejo maior.

Ah, a vida era boa e as expectativas giravam como moinhos em plena atividade. E disso tudo sobraram-me apenas fragmentos.

A vida traça caminhos tortuosos. E esses podem ser espinhosos a ponto de destruir nossos pés. E arrastar-se não é tão louvável como nas belas e trágicas histórias.

O curso de Física levou boa parte das minhas esperanças e alegria. Culpa minha, sim. Nunca o desejei, mas remendos são feitos quando os ávidos precisam alcançar o sentido da vida. Errei e padeço... E, conclusivamente, nunca mais serei a mesma.

Nesta jornada de auto mutilação, muitas histórias bizarras são vividas e a beleza deste firmamento trouxe, neste momento, uma delas...

Assim que ingressei no curso, entrei em um programa de bolsa estudantil para pesquisa. Para minha alegria momentânea, ilusoriamente, tratava-se de Astronomia. E foi um martírio do começo ao fim.

Céu do Sudeste - Marte em Escorpião, seguido por Saturno
15 de maio de 2016
Software Stellarium
Neste período de limbo, certa vez, um rapaz, participante da mesma bolsa, estava a fazer seu trabalho escrito quando disse-me, no mais alto e bom tom de desdenho, que Astronomia não passava de "historinhas de gregos". A petulância deste ser com sua falta de discernimento sobre a importância histórica dos Gregos na Ciência foi tão impactante que fiquei meses remoendo esta grosseira fala nos meus pensamentos. Passados mais de de três anos deste nefasto fato, o sentimento de incredulidade ainda não se dissolveu.

Afinal, eu estava no curso de Física e disparates desse tipo não podiam ser reais. Mas eram e massivamente. E foi o começo da minha ruína.

Tipos como este colega citado e seus pensamentos estapafúrdios estão agora na pós-graduação e serão os futuros professores e pesquisadores desta casa em que estou hoje. Exaltam seus mestrados e doutorados, desfilando como pavões pelos corredores, impressionando uma parcela tão vazia quanto eles mesmos.

Sinto-me a peça de outro jogo. E nada faz sentido.

Todos os dias ouço histórias relacionadas a esse curso - gente a gabar-se, a falar mal das deficiências de aprendizado dos colegas, mentindo sobre notas e aumentando seus feitos, professores estúpidos e grosseiros, alunos que apoiam esses professores, religiosos fanáticos, notas sobre tentativas de suicídios, depressão, choros... E eu, do outro lado, pensando em milhares de outras possibilidades... Em como escrever, por exemplo, sobre Federico Garcia Lorca. Falta-me empatia.

Nesta balbúrdia, o que preocupa-me é a minha pobreza e a possibilidade de ser jogada na sarjeta. Ou seja, meu futuro profissional e como sustentar-me com dignidade.

Em meu egoísmo imenso, raiz intrínseca do meu ser, a liberdade vem em primeiro lugar. E todos estão tão presos a sua própria ignorância que julgo-os como a pior das inquisidoras. Eis meu pecado e confesso-o.

Estou deslocada neste cenário. Não ensaiei esta peça e nem pretendo decorar as falas. Rendo-me a mim mesma - prefiro ler vários livros e aprender mais sobre as historinhas de gregos.


Fontes:

Conhecendo as Constelações - UFMG - Observatório Astronômico Frei Rosário - por Ariana França Clávia

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Ecos (Echoes)

A capa de Meddle é uma orelha submersa. Ideia do
Pink Floyd que teve que ser aceita pelo lendário
 designer gráfico Storm Thorgerson.
Lá em cima, os albatrozes se mantêm imóveis no ar
E nas profundezas das ondas, nos labirintos das cavernas de corais,
O eco de uma maré distante vem magicamente pela areia
E tudo é verde e submarino

[...]

Estranhos passando na rua
Acidentalmente dois olhares se encontram
E eu sou você e o que eu vejo sou eu
E eu pego você pela mão
E o conduzo através da terra


[...]

Entretanto, todos os dias, você surge em meus olhos atentos
Convidando e me incitando a subir
E através da janela na parede entram escorrendo nas asas da luz do sol
Um milhão de brilhantes embaixadores da manhã
E ninguém canta canções de ninar para mim
E ninguém me faz fechar meus olhos
Então escancaro a janela
E chamo você através do céu



 (Ecoes. Escrita por Pink Floyd, em 1970, para o álbum Meddle de 1971)


***

Ecoam pensamentos vívidos sobre mim. 

E todos os dias encaro minha face, minha projeção, no espelho de minhas atitudes. 

Em tempos abafadiços, as chuvas são apenas resquícios frequentes de tentativas pífias de amenizar muitas situações. É tempo, então, de transforma-se em um eco sibilante. 

Complacência é a morte de Prometeu. E o verbo se fez - sofrer... Em vão.

A luz da manhã cega-me, vagarosamente. São estilhaços de vidros dourados, gotículas de fogo, braseiro, luzeiro, pontas - carne fumegante. 

Ah, como pelejam esses seres ávidos por emoções transcendentais! Somos todos cristais rachados esperando pelo estalar final. 

Todos desapareceram. E deles fragmentos de lembranças formam uma colcha inteira de retalhos em cores arlequim. 

Rostos foram esquecidos e sorrisos apagaram-se!

E eu sou você agora! Inimaginável sensação de pareamento. 

Formamos o oposto, o contrário, os anti, bélicos e párias. 

Somos traídos, aqui e acolá. E não nos acostumados - alma inquieta que forma-nos. Estamos sempre em guerra, declarando-a a todos os nossos desgostos. 

E a solidão teceu-nos.

Vagabundos... Errantes... Humilhados. Eis nosso cotidiano, você e eu!

E mais uma batalha foi escrita. E esse relato ecoará dentro de cavernas escuras da nossa própria perdição.




segunda-feira, 9 de maio de 2016

Livro da semana - A Volta: A Incrível e Real História da Reencarnação de James Huston Jr.

O livro que tenho é da: Best Seller
Ano: 2009
ISBN: 8576843692
Número de páginas: 320
Autores: Bruce Leininger, Andrea Leininger e Ken Gross (trad. Claudia Gerpe Duarte)
Preço-faixa: 35,90 (+frete)


A Volta: A Incrível e Real História da Reencarnação de James Huston Jr. é um livro que nos traz uma história extraordinária com uma riqueza de detalhes incrível. Nele a busca por uma explicação não prende-se a dogmas religiosos para dizer o que é certo ou errado, pelo contrário. Eis o seu grande mérito!

De todas as questões que permeiam a religiosidade e a alma humana, a reencarnação é uma das mais instigantes. Muitos estudos sérios abordam o assunto. O maiores exemplos vêm do Dr. Ian Stevenson (já falecido) e o Dr. Jim B. Tucker. O trabalho de ambos pode ser encontrado na Psychiatry and Neurobehavioral Sciences - The Division of Perceptual Studies - University of Virginia - School of Medicine e em vários livros e documentários sobre o tema com inúmeros relatos catalogados e minuciosamente descritos. Só que o livro de Bruce Leininger, Andrea Leininger e Ken Gross não é estudo e muito menos um livro científico, nem mesmo defende ou acusa qualquer fé que seja. É, acima de tudo, uma narrativa de pais que apenas queriam encontrar uma solução para o problema comportamental do filho e acabaram por descobrir duas histórias de vidas entrelaçadas e, ao mesmo tempo, separadas por mais de 50 anos.

James Huston Jr. e James Leininger, ou James 2
e James 3
James Leininger era apenas um garotinho de 2 anos de idade quando pesadelos sobre uma avião em chamas que caiu no mar começaram. Ao mesmo tempo, um fascínio (que beirava a fixação) por aviões crescia por parte dele. Os detalhes de seus sonhos e os relatos de lembranças sobre pessoas e lugares permitiram que seus pais, Bruce e Andrea Leininger, começassem uma busca incansável pela verdade por trás das palavras do menino. O resultado é a descoberta da história de James Huston Jr., piloto norte-americano que morreu na Segunda Guerra Mundial.

O mundo tomou conhecimento dessa história, primeiramente, pelo canal ABC que fez uma matéria sobre o assunto, em 15 de abril de 2004. Mais tarde o livro foi lançado.

O livro tem uma linguagem fácil e cotidiana e nos traz a reencarnação sem nenhuma ótica religiosa. A parte do registro fotográfico merece destaque - há fotos de Huston, das pessoas relacionadas a ele, amigos, família e dos aviões que pilotou. Há também desenhos de James Leininger com nítidas alusões ao acidente que matou Huston. Registros dos encontros de James com seus amigos e familiares da vida passada também fazem parte do acervo.

Um dos primeiro desenhos feitos assinado como
James 3, quando James tinha 3 anos. Figura do
Livro A Volta, p. 149.
O livro peca somente pelo excesso de relatos da vida pessoal e profissional dos pais. O começo torna-se um tanto irritante por focar exatamente nestes pontos. Porém, quando o assunto volta-se para a busca por respostas e as investigações sobre os pesadelos de James, sem rodeios ou desvios, o livro torna-se instigante a ponto de existir uma vontade de terminá-lo a qualquer custo.

A volta é, sem dúvidas, um livro que, independente do crer ou não crer em reencarnação, conta-nos uma história impressionante que mantém o leitor ávido por saber cada detalhe - o passado e o presente. Recomendadíssimo!




Primetime - ABC - sobre a reencarnação de James Huston Jr - 15 de abril de 2004 - Em inglês sem legendas.




Fox & Friends - Fox - James Leininger e suas família em 2013 - Em inglês sem legendas.




Documentário da Discovery Science - Ciência da Alma - Sobre reencarnação - Dublado 


segunda-feira, 2 de maio de 2016

The Huron Carol - Native American Flute - NAF

Grupo Hurão - Spencerwood/Quebec City
1880

The Huron Carol (também conhecida por Jesous Ahatonhia, Jesus is Born e Noël Huron) é, por muitos, considerada a primeira canção de Natal canadense. Provavelmente foi escrita pelo missionário jesuíta Jean de Brébeuf (1593-1649), que ensinou a música para o povo Hurão, perto de Georgian Bay, em 1642.

O povo Hurão (Huron People), conhecido por Povo de Wendat ou Wyandot, é uma população indígena da América do Norte. Eles, tradicionalmente, falavam a língua Wyandot, uma língua iroquesa. No século 15, os Hurões instalaram-se na região da costa norte do atual Lago Ontário. Depois migraram para Georgian Bay. Mais tarde, em 1615, nesse mesmo local, encontraram-se, pela primeira vez, com o explorador francês Samuel de Champlain.

Mocassins do Povo Hurão/1880 
Bata Shoe Museum
Hoje, o povo Wyandot tem uma Reserva das Primeiras Nações, em Quebec, Canadá, além de três principais assentamentos nos Estados Unidos; dois deles são governados de forma independente.

***

Aqui está uma gravação minha da canção natalina canadense The Huron Carol:

The Huron Carol
Flauta (em bambu) Nativa Americana, chave em F, pentatônica
Tocada por T.S. Frank

The Huron Carol
Native American Bamboo Flute, Key F, pentatonic,
Performed by T.S. Frank


The Huron Carol cantada em wyandot, francês e inglês por Heather Dale



The Huron Carol cantada em inglês e latim por Canadian Tenors




Fontes:

The Huron Carol - Flutopedia - Site em inglês
Povo Hurão - Wikipédia em Inglês