domingo, 31 de janeiro de 2016

Propagandas Históricas Brasileiras - Laka (Me Dá um Beijo) - 1989



Incrível como as propagandas, não somente as brasileiras, perderam um pouco do encanto por padecerem nas mãos do politicamente correto. Duvido que, fosse hoje, essa doçura ficaria no ar sem causar polêmicas do xiitas evangélicos e das patrulhas familiares mais preocupadas em encher o saco do que educar seus filhos verdadeiramente.

Todos querem parecer bons pais, mas vá perguntar se eles já leram Mark Twain para os filhos...

Enquanto isso...

Essa propaganda do chocolate Laka, da Lacta, de 1989, nos trouxe a maravilhosa canção Crying In The Rain na voz de uma das duplas que mais gosto: The Everly Brothers. A música foi escrita por Howard Greenfield e Carole King e originalmente gravada pelo duo, em 1962. Mais tarde, em 1990, um grupo que amo, o A-ha, fez sua própria versão da música e que ficou excelente.

 
Quanto ao Laka...

... Continua, para mim, com gostinho de amor adolescente... Ou aquele amor platônico vindo do oceano... Ou todos os amores bons, bonitinhos, com gostinho de "Eu quero mais um pouquinho"...

Versão do The Everly Brothers


Versão do A-ha


Fontes:

domingo, 24 de janeiro de 2016

Mudanças no CQ&Sherlock

Como podem ver, o blog mudou o layout, saiu do preto e foi para o cinza, roxo, lilás, não sei, furta cor.

Tornou-se um tom pastel.

Saímos também do horizonte do Facebook, que cá entre nós, nunca trouxe sorte e muito menos novos leitores para este blog. Demos um tempo, talvez definitivo [a escritora aqui também livrou-se do Facebook Pessoal].

Cansamos um pouco de relatos sobre politicagem, gente muito feliz, postando suas bebedeiras com seus amigos para sempre de quatro semanas. Engraçado, todos são alegres no Facebook. E tudo é tão denso como gelatina de frutas.

Este blog teve mais sorte com o Orkut. Foi a época de mais leitores. Porque havia uma certa anarquia que funcionava nos grupos de blogueiros: você recebia um comentário, ou seria chamado de caloteiro [uma aberração, a marca escarlate, a ficha criminal da blogosfera.].

Hoje é a sorte de quem o encontra na ferramentas de buscas. Mas continuamos.

Firmes como estacas no brejo!

Ecos das montanhas que tocam o céu

Na calmaria das montanhas enluaradas
Sobre a brisa gélida da noite sorrateira
Há sons e caminhadas
Daqueles que vagueiam à espreita.

São almas em forma de sussurros
E suspiros daqueles que amam.
São poemas recitados em uivos 
Por vozes milenares que cantam. 

Agora, o pó,
A solidão...
Carne e sofrimento. 

Depois, ecos de amores perdidos,
Espíritos andarilhos
das montanhas renascidos. 


T.S. Frank




Para saber mais...

R. Carlos Nakai
R. Carlos Nakai é um grande flautista nativo americano de origem navaja/ute. Nasceu em 16 de abril de 1946, em Flagstaff, no Arizona, EUA. Seu nome verdadeiro é Raymond Carlos Nakai e é considerado referência quando os assuntos são música nativa e flautas NAF - Flauta Nativa Americana. 

A Biblioteca do Congresso (Library of Congress) possui mais de 30 dos seus trabalhos preservados no Centro de Folclore Americano (American Folklife Center).

Seus álbuns Earth Spirit and Canyon Trilogy são os únicos álbuns nativos americanos com os certificados de ouro e platina, respectivamente, pela RIAA (Recording Industry Association of America).

Nakai desenvolveu um sistema de tablatura para flautas nativas (conhecida também como Nakai Tablatura) que pode ser usada em NAFs com várias afinações.

Em 2005, ele foi introduzido no Arizona Music & Entertainment Hall of Fame. Também ganhou o Arizona Governor's Arts 1992. Possui um Doutorado Honorário pela Northern Arizona University, que recebeu em 1994. Tem Mestrado em Estudos Indígenas pela  Universidade do Arizona. 


**Notas da Autora

Nakai é referência para quem gosta e toca música nativa americana, principalmente os flautistas NAFs. Assim que comecei  a tocar minha NAF (bamboo flute in F) a Nakai Tablatura ajudou muito. Seus álbuns são presença constante nos meus dispositivos móveis (eu uso o Spotify, mas está disponível no Deezer também). 

Um dia farei uma postagem falando sobre minha paixão pela cultura indígena americana e também a sul-americana. Se um dia puder sair desse abismo em que moro, meus planos são separar um ano para ter mais contato com essa cultura, principalmente os ensinamentos sobre espiritualidade, também baseados na reencarnação. 

Hoje a NAF significa muito pra mim, um refúgio e um descanso mental. É impressionante a ignorância das pessoas acerca da importância, história e beleza desse instrumento. Não raro, aqui onde moro, as NAFs são reduzidas a gírias de usuários de canabis ou relegadas a sarjeta quando fazem piada com outro belo instrumento que padece na boca de pessoas com o cérebro de um gambá em coma: a Flauta de Pã (instrumento milenar andino). 

Para Escutar... 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O som da solidão

Quando eu era pequena, as chuvas eram acontecimentos majestosos. Ali eram abertos os portais para um outro mundo. Todos os sonhos podiam voar até aquela incrível altura e encontrar a realização, mesmo que imaginativa.

Elas sempre vinham do leste; raios e trovões eram os címbalos e as cornetas da anunciação. Só os escolhidos sabiam da sua importância e dos segredos que traziam. Enquanto o resto do céu ainda reluzia em um amarelo espelhado, o horizonte começava a mostrar os corcéis negros com ventos tempestivos.

Em certas ocasiões, o arco-íris aparecia e eu pensava: ele veio transportar alguém para o outro lado para dar-lhe uma vida espetacular.

E foi há tanto tempo... Que restaram-me, apenas, fragmentos de recordações. O agora é mentiroso e vil. Os olhos desse momento, que observam os céus, estão pesados e cansados. A vida ganhou tons indesejados de um amarelo abafado e doentio.

As pessoas têm muita pressa, precisam correr atrás de um ônibus, buscar alguém, dar satisfação, gritar com outras, despejar ódio e frustrações e é assim dia após dia. Se chovesse, não notariam, a não ser que atrapalhasse. Pergunto-me se algum dia, neste lugar, perceberam elas que as nuvens também possuem cores.

A solidão que a chuva traz é confortável. Suas gotas deslizam em sinfonia. É como um abraço bom, uma sorriso que alguém provoca. Já a solidão que as pessoas causam em outras é devastadora, um pós-tornado, onde só há entulho e morte.

Estou sobre os entulhos, procurando razão para refazer e continuar.

As nuvens do leste, cheias de sons celestiais, são uma metáfora triste de tempos que não voltarão. Este meu tempo é cheio de desacompanhamento e notas solitárias. As pessoas ao redor são apenas o produto desse meio. Não há nada para se esperar porque delas somente o nada pode ser extraído.

Tão obstinadas foram as eras de outrora que para esta tive que defender-me destas catástrofes climáticas - construí um galpão subterrâneo na minha própria alma.

E depois dessa avalanche interior, quem sabe, reste um pedaço de mim para admirar aquelas nuvens cinzas e carregadas que deixei naqueles portais.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Show: Van Morrison - Full Concert - 02/01/79 - Belfast [OFFICIAL por Van Morrison on MV]

Van Morrison é uma lenda. Um dos melhores cantores do mundo e um dos meus preferidos. Por quê? A explicação está em sua discografia praticamente irretocável, em uma carreira com os melhores álbuns da história da música, como o maior de todos, diga-se de passagem, Moondance, de 1970, arrebatador em críticas em sua totalidade.

Sua maior qualidade está em retratar os amores, as paixões, aquela garota dos olhos marrons... usando cenários centralizados em sua Irlanda, como por exemplo, em Cyprus Avenue, que é uma rua de sua cidade natal, Belfast.

Sempre cercado com músicos competentes, essa é uma daquelas grandes apresentações, com versões excelentes de suas já memoráveis canções.

Este não é um shows que fãs colocam no youtube. É um projeto que vale muito a pena conhecer, chamado Music Vault, que oferece uma gama de espetáculos antológicos não só do Van The Man; muitos outros mitos da música estão nele. Abaixo da apresentação, estarão os links para conferir esse catálogo de jóias preciosas.

Aproveite! [Enjoy!]





01 • Moondance [0:00:00]
02 • Checkin' It Out [0:04:02]
03 • Moonshine Whiskey [0:07:19]
04 • Tupelo Honey [0:13:46]
05 • Wavelength [0:20:10]
06 • Saint Dominic's Preview [0:26:46]
07 • Don't Look Back [0:33:46]
08 • I've Been Working [0:38:24]
09 • Gloria [0:43:54]
10 • Cyprus Avenue [0:47:59]

Para expandir horizontes...

Projeto Music Vault - Facebook

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Por que ainda escrevo?

Tenho este blog há seis anos. Ele evoluiu, adquiriu corpo e consistência e não houve um ano sequer que não tenha escrito algo por aqui. Este nasceu da necessidade de partilhar tristezas, angústias e dissabores da minha própria vida e assim o faz desde então. Mas há a parte informativa, compartilhando o que sei sobre cinema, música, história, ciência e alguns ramos que não são tão populares assim. Escrever de forma coerente e seguindo a proposta que defini é um prazer trabalhoso. São necessárias muitas consultas, revisão, reformulação e até abandono de textos. E para quê? Eis aqui a constatação um pouco dolorida.

Escrevo para pessoas como eu. E onde elas estão? Em um mundo tão quantitativo, todos estão quase sempre sorrindo e contentes com seus lagos rasos. 

Aqui está meu monólogo e pantomina...

Ler não é mais um prazer tão popular. Leituras fáceis, talvez, juntamente com sucessos instantâneos. O mundo é dos youtubers, dos populares e descolados. Sinto que é o pior momento para ter o talento da escrita - um atestado para a fome, pobreza, desconhecimento ou, com muita sorte, um nome no rol do clube cult. Falar sobre tristezas e amarguras não causa mais tanta empatia. Falar sobre a alegria dos momentos simples e descrevê-los elegantemente, muito menos. Isso pertence a livros centenários empoeirados e aos poucos saudosistas que anseiam por mudanças que nunca virão. 
Seis anos são de uma persistência sem tamanho, ou a palavra mais bonita que conheço: perseverança. Agora, mais do que nunca, escrevo para mim. Um ato que salva-me do fundo das cavernas escuras diárias, dos pensamentos mais sombrios. É uma fuga em minha própria mente, já em seus primeiros sinais de cansaço e estafa. A realidade é demasiada feia para que se viva enrolada a todo instante em seus espinhos. E passeios sorrateiros longe disso evitam desastres. 

Aqui há toda uma história de vida, não bonita, muitas vezes triste, injustiçada e ferida. É a colcha de retalhos que fiz de cenas do meu cotidiano, dos amores perdidos, dos não correspondidos e dos maléficos. 

Sento-me aqui para escrever sobre meus próprios motivos em persistir e lá fora há um entulho de tarefas esperando para serem cumpridas. E essas, desinteressantes e frustrantes, são o muro frio de um castelo construído com erros e culpas. 

Perdi quase todos os prazeres da vida, até mesmo alguns imaginários. E, para transformar em uma metáfora amena, tenho desejado ser um raio de luz, sem forma, nem corpo. Gostaria de ser livre, livre de toda a rede depreciativa que moldou um ser a partir dos seus próprios restos e que não teve tempo para fortalecer-se. 

Sinto-me escrava dos meus desejos e dos enganos que cometi para alcançá-los. Sou nada mais que fragmentos de alguém que desejou respeito, amor e quietude. 

E agora só possuo a minha escrita que alcança somente os meus olhos. São minhas cartas para além oceano, engarrafadas, que ainda esperam ser encontradas e abertas. 

***

Eu fecho meus olhos e falo com Deus
E rezo para que você possa salvar a minha alma
Eu olho para você para iluminar
Antes que a escuridão se instale
Eu tenho demônios
Eu tenho demônios tentando me pegar
Mas eles nunca irão me derrubar
Sou apenas humano
Por baixo da minha pele os cortes são profundos
Só preciso de um tempinho para lidar com eles...
(James Morrison - Demons - Higher Than/2015)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Música Celta: Greg Joy

Greg Joy
A primeira postagem do ano de 2016 começa com amor. E dos meus muitos amores, a música Celta é a mais presente. 


***

Descobri Greg Joy através de um aplicativo na minha Smartv, o Calm Radio Multimix (aplicativo também para Android). Ele contém inúmeras playlists com músicas do mundo inteiro e uma delas, claro, é a Celtic Music.

Depois de escutá-lo pela primeira vez, adquiri toda a discografia. E, depois do Luar Na Lubre (a minha banda favorita), é o que estou escutando diariamente.

Em sua discografia há inúmeras interpretações magistrais de canções famosas do folk escocês, irlandês e inglês. Só pra citar algumas no cenário das series, por exemplo: há Skye Boat Song, música folk escocesa, tema de abertura série Outlander - A Viajante do Tempo Unquiet Grave, música folk inglesa, cantada no último episódio da terceira temporada de Penny Dreadful pela necromante Hecate.

Biografia

Greg Joy nasceu em Victoria/Canadá, em 1954. Seu principal instrumento é o violão - o de 6 e 12 cordas. Toca também dulcimer e bandolim O amor pela música folk das ilhas britânicas levou-o ao Victoria Music Conservatory, no final dos anos 70, para estudar violão clássico. Ele já fez inúmeras apresentações com vários grupos celtas e de music world.

Discografia

1986 - Textures
1991 - Tapestries
1993 - Celtic Secrets
1995 - Touching Hearts [& Brock Tully and Ginnie Doidge]
1996 - Celtic Secrets II
1997 - Celtic Impressions
1999 - A Magical Celtic Christmas [& Mark Brake]
1999 - Celtic Enchantment
2002 - Winds of Change
2003 - Celtic Dancer
2004 - Visions of Paradise
2005 - Celtic Echoes [Celtic Passion]
2010 - Enchanting Celtic Christmas
2014 - The Minstrel and the Maiden
2015 - Shades of Blue and Gold


Algumas faixas dos álbuns de Greg Joy...








Fontes: 

Encartes dos álbuns de Greg Joy

Para escutar:


Para comprar