sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Extra de 2010 - Por tudo que desejei...


Um ano difícil. Tudo bem! Muitas vezes desejei apenas uma boa conversa e uma xícara de chá com biscoitinhos polvilhados com açúcar. Também almejei uma companhia para tomar esse chá, ao estilo Miss Marple - amigo, companheiro de aventuras, da madrugada, conversa solta, gargalhadas de uma bobagem qualquer, admirador das Ciências, das Artes, da Literatura e do Cinema, aquecedor noturno, par de meia, apreciador de shows de rock clássico e hard rock.

Contudo as pessoas não vêm completas. É enxergar além e perceber as qualidades. Tudo pode estar na pontinha do nariz. E se tudo falhar? For um engano? E se sobrarem cacos? Usemos a boa cola adesiva. Nada de choro e velas. Uma boa amizade pode ficar - apoio incondicional ao amigo 1.001 utilidades. E guarde os bons momentos se não sobrar nem a amizade.

Para o alto e avante!

E como diz Nat King Cole: "Quando eu me apaixonar, será para sempre."





segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mini capítulo III - O nascer do Sol - A chegada ao destino incerto

O trem finalmente chegou ao destino incerto e aquela foi a última parada. Ela desembarcou na estação que conservava o romantismo da década de 20. Sentou-se em um banco, jogou a mochila surrada de lado, olhou para os seus allstars e pensou - gosto deles. Ficou balançando os pés e de repente o turbilhão voltou - abandonou tudo! Porém, agora, estava leve, mesmo não sabendo se teria um lugar para dormir na noite que vinha chegando.

Ficou repassando anos de mágoas em instantes - os parentes bizarros, falta de dinheiro e a sua última investida - a gota d’água para aquela viagem insana e de última hora – Bastardo! Filho da mãe!. Ela necessitava esquecê-lo, até mesmo por uma questão de manter a própria vida.

Outra coisa que também pensou, porém com risos, foi no último emprego que mandou para o espaço junto com um colega que muitas vezes desejou uma morte violenta - Estúpido, burro, idiota, vulgar. Espero que você sofra muito, seu demônio!. Ela suportou durante algum tempo um ser esdrúxulo que considerava-se um sábio em pessoa e que para a mesma não passava de escória. O que não se suporta por dinheiro? Relembrou e riu de canto de boca.

Voltou seu olhar para as pessoas que caminhavam - flocos de algodão. Finalmente pegou a bolsa e saiu.

Rumou para o centro. Chegara a hora de procurar estadia.

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Mini capítulo II - O nascer do Sol - A viagem de trem
Mini capítulo III - O nascer do Sol - A chegada ao destino incerto

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010 - Apresentação do balanço

E mais um ano se vai. E o caminhão de planos coloca-se novamente na estrada. Difícil mesmo é saber se os planos serão apenas planos por mais um ano.

Ontem eu estava relembrando alguns dos meus momentos em 2010. E se a minha vida fosse um Plano de Contas, o exercício terminaria no vermelho.

Comecemos pelo próprio CQ&Sherlock. Ele foi feito especialmente para entreter minha mente num período muito difícil - o desemprego, término de uma faculdade chata e desgastante e a desesperança profissional total. Um outro trabalho veio (tanto que eu tive que sacrificar o CQ&Sherlock na Copa do Mundo) e eu, mesmo com picos de profunda melancolia e crises de criatividade, mantive o Café. Confesso que não está sendo fácil postar com regularidade. A tristeza ainda dá o ar da graça. Contudo manter-se de pé já é um grande feito.

Passei em dois cursos: Física e Matemática. Não me matriculei em nenhum. Motivo óbvio - falta de dinheiro. Fiz o ENEM novamente. E cá estou eu a esperar os resultados. Todavia as chances de não cursar, caso eu passe novamente, são altas.

Problema familiares apareceram e continuam a aparecer; você, leitor (a), com certeza já passou ou passa por isso.

Fui a três shows internacionais - Scorpions, Creedence e ABBA The Show. Realizei uma porcentagem dos sonhos.

Com relação às pessoas, eu já separei diversos potes para aquelas que, no fundo (mesmo tentando não acreditar nisso), terei que guardar, pois quero preservar os bons momentos. Ainda posso dizer que foi um ano confuso e cheio de picos de sentimentos ruins - minha sanidade foi colocada à prova diversas vezes. Ontem resolvi, depois de ter ido ao fundo do poço, que o melhor é deixar a vida seguir seu curso. O tempo cura e ameniza dores. Vou deixá-lo exercer o seu papel. Quando os sentimentos são verdadeiros, nada, absolutamente nada, é forte o suficiente para destruí-los.

Os modos e estilos diferentes de vida fizeram-se presentes de maneira acentuada nesse ano. Bem, nunca estudei em escolas particulares de primeira linha, ando de ônibus e trabalho desde os quinze anos. Eu vim do interior. E hoje moro numa casa que provavelmente é do tamanho do quarto de muita gente. E como dizia Mário Quintana numa época difícil: "Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas". Não gostaria de ser sustentada completamente pelos meus pais. Um dia eu quis uma vida de estudante profissional de Física e Astronomia. Hoje, eu só quero ser uma estudante de Física e Astronomia e eu só vou conseguir isso através do suor do meu trabalho. Disso eu tenho absoluta certeza. Não quero criticar quem leva essa vida, longe de mim! Cada um na sua e o meu quadrado abrange o proletariado.

Decidi também que o que pintar de oportunidade eu agarrarei. Meu ¼ de século mostra-me que só devo abraçar causas que abracem-me também, ou seja: nada mais de ilusões. É encarar a realidade - se tudo vai mal, volte ao seu conjunto unitário.

Não sei se devo desejar Feliz Natal a todos os meus leitores (as), afinal, eu odeio o Natal. Porém vou desejar a todos vocês um 2011 tranqüilo e principalmente com saúde. O resto, clichê barato, é mais fácil de conseguir quando se tem essas duas coisas.

É que venha mais um ano! 

Happy New Year!


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Dia de TPM: necessitando desconectar por uns três dias (PQP!)

ATENÇÃO: o texto contém palavras de baixo calão.

Puta que pariu (já começo assim mesmo), meus olhos estão ardendo até agora! Isso é o que acontece com alguém que dormiu quatro horas na noite e tinha que trabalhar às oito horas da manhã. Bem feito!

Essa minha vida anda muito desregrada, isso sim! Estou com aquela vontade insana de mandar algumas pessoas para o inferno com passagem só de ida.

Eu sempre dormi tarde. Só que eu dava sempre um jeito de compensar - uns belos cochilos diurnos. Narcolepsia era o meu nome. Só que o jogo virou, e eu estou mais para um zumbi do Romero.

E os problemas não cessam por aí. A porra da minha leitora/gravadora de DVD deu tilt e agora eu não posso ver os meus shows de rock, jazz e afins favoritos no único canto do meu cubículo onde eu realmente tenho paz.

E, para fechar com chave de ouro, eu ainda estou com uma alergia persistente nos olhos. Aquela visitinha ao oftalmologista é mais do que necessária.

Estou com uma espécie de pulga atrás da orelha. Estou possessa! Porque a minha vida é bizarra e só acontecem as coisas mais absurdas ao meu redor.

Eu já falei - se quiserem internar-me numa clínica de repouso, estou só esperando!

Tenho uma lista negra de todos aqueles que fizeram por merecer um: FODA-SE!!!!

Ah, pelo amor de Deus! Que encham o saco de outra pessoa, pois o meu já foi para o encerramento do exercício.

Estou escutando, agora, Whitesnake.

Falando nisso, eu não suporto essa síndrome do poder absoluto dos metaleiros. Muitos são uns cabeças duras de doer na alma. Não são nada expansivos e música se resume a Iron Maiden, Metallica e todos os outros "deuses do metal". Sim, que caralho de pensamento medieval é esse? O heavy metal nada mais é do que um subgênero do hard rock. E como diz o crítico do New York Times, Jon Pareles, "na taxonomia da música popular, o heavy metal é a principal subespécie do hard rock - o tipo com menos síncope, menos blues, com mais ênfase no espetáculo e mais força bruta."

[Na boa, todo metaleiro é roqueiro, todavia nem todos os roqueiros são metaleiros.]

Eu estou precisando mesmo é dormir por umas 72 horas, ou seja, desconectar-me por uns três dias para ver se essa minha irritação passa.

Dopei-me com um antialérgico poderoso e os bocejos já chegam. Ao sair do trampo, tomarei cuidado para não ser atropelada. Chegando em casa sã e salva, arrasto-me até a cama e lá mesmo fico.

E, caro (a) leitor (a), proferir palavrões, às vezes, é uma tremenda e eficaz válvula de escape. Que mal tem expressar, uma vez ou outra, um filho da mãe ou um porra, caralho...

E hoje eu estava precisando disso: aaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrgggggggggggggghhhhhhhhhhh!!!






quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Selos (part. IV)

Estes eu recebi do Blog Pleonasmos Redundantes.






E seguindo a tradição, vou repassá-los:

Blog do Pena
Cinemeiros News
Teoria da Vida
Musilítica e Blá, Blá, Blá
De Dentro

 
Esse outro eu ganhei dos blogs Cinemeiros News e Blog do Pena:
 
 



Repassando:

De Dentro
Calmila
Pleonasmos Redundantes
Jardim das Hespérides
 
 
 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Recomendação Musical - John Denver

Há alguns anos, quando eu era uma guriazinha travessa e vivia no Lugar Tão Tão Distante, o que a gente tinha mesmo era a TV e uma porção de livros para ler. E foi numa dessas atividades que eu escutei pela primeira vez John Denver. O ano era 1994 e a comemoração dos 50 anos da Sadia trouxe uma propaganda ícone, com a música Perhaps Love (participação de Plácido Domingo). Confira a propaganda aqui embaixo:




A música ficou na minha mente como uma doce lembrança. Depois de algum tempo, descobri finalmente um dos cantores que hoje é um dos meus favoritos.

As canções de Denver agradam-me muito e tenho as minhas preferidas: Annie's Song, Peharps Love, Sunshine On My Shoulders, Living On Jet Plane, Looking For Space e Take Me Home/Country Roads.


Deixo aqui um texto de um grande fã de Denver (texto extraído do encarte do álbum A Song's Best Friend The Very Best of John Denver, de 2004).

A Songs's Best Friend - The Very Best
Of John Denver 

Ano 2004
David Wild – Comentário de um fã


Grandes canções nunca nos abandonam, nem de jato, nem de outra maneira.
As canções de John Denver têm feito parte de nossas vidas há tanto tempo que é perfeitamente perdoável que de vez em quando esqueçamos o quanto elas são impressionantes.

Durante grande parte da década, John Denver era o maior astro em evidência – fato que levou algumas pessoas a esnobarem e desvalorizarem suas inegáveis conquistas como artista e como homem. Está certo, Denver se tornou um superstar da mídia – adorado por milhões de pessoas de diversas gerações no mundo todo – mas... Ei...

Não vá usar isso contra ele!

Por ser tremendamente popular, por tocar fundo nas emoções e por ser um consciente cidadão do nosso planeta – basicamente, por ter o coração no lugar certo – John Denver era constantemente tido como um artista que não tinha aquele algo mais, aquele toque “hip”, numa época em que o sentimento livre de ser “hippie” dominava, chegava a ser exagerado. Certamente, Denver era o eleito do público, mas não era o queridinho dos críticos. Mas ele tinha algo muito mais do que “hip” dentro de si: era simplesmente muito bom no que fazia. Ele era country? Ele era roqueiro? Ele era do povão? Estas classificações todas se confundem e acabam desbotando, mas John Denver era, sem dúvida, único.

Como o tempo para desanuviar as ideias, agora fica claro como um riacho da Rocky Mountain por que estas canções continuam a encantar gerações. Elas tocam no fundo de corações que cresceram com a música de Denver. Elas falam de sentimentos a toda e qualquer pessoa cujo coração esteja aberto a um tipo de música desafiadora despida de cinismo. De certo modo, as canções de John Denver se tornaram um pouco daquilo que ele mais amava na natureza – coisas bonitas, coisas vivas, coisas realmente importantes.

John Denver
Foto retirada do encarte
do álbum A Song's Best
Friend The Best Of
John Denver
“Eu sempre pensei na música de John como um riacho cristalino correndo através de um rio de águas poluídas”. Diz Milt Okun, amigo de longa data e produtor de Denver, que trabalhou ao lado do artista. “Desde o começo, eu sempre achei que John dizia as coisas de um jeito muito próprio, facilmente compreendido por qualquer pessoa. Ele constantemente criava aquelas belas imagens, aquelas melodias e aqueles pensamentos, e sempre queria dizer aquilo mesmo. Ele não tinha nada de cínico ou de oportunista. Ele amava a natureza verdadeiramente e adorava as montanhas. Era uma saudável influência para todos nós. E deixou para trás um belíssimo legado musical.”

Infelizmente, Henry John Deutschendorf, nascido em Roswell, Novo México (USA), em 31 de dezembro de 1943, partiu cedo demais. Faleceu em 12 de outubro de 1997, com apenas 53 anos, ao sofrer um acidente pilotando um avião. Mas a música de John Denver ainda está bem viva.*

“Acho que não há dúvidas de que as canções de John ainda serão ouvidas por muito mais tempo.”, diz Milt Okun. “Em todo lugar que vou, percebo que, quando se fala de John, as pessoas ainda sabem e amam suas canções. E pelo que eu sei das vendagens de partituras, livros instrumentais/songbooks, posso afirmar que as pessoas continuam querendo tocam estas canções. A maioria delas são simples e diretas, mas trazem um toque mais apimentado, original e surpreendente nas melodias, assim como também, com toda certeza, nas letras. Conheço pessoas que compram o mesmo songbook mais de uma vez. Então, dá pra ter a certeza de que sua música – suas canções – vão continuar pulsando nas veias de todo o país. Estas canções fazem parte de nós – estão na trilha sonora de nossas mentes." 

John Denver fazia questão de tocar para o povo. “O prazer de John vinha do fato do público gostar do que ele fazia. Eu mostrava para ele uma fita gravada de um coral de colégio entoando uma de suas canções e isso lhe dava mais prazer do que ter um novo sucesso nas paradas da revista Bilboard. John gostava especialmente de ouvir as crianças cantando suas músicas. E ele adorava cantar para as crianças. É claro que ele adorava cantar para qualquer público. Ele adorava cantar – simplesmente o ato de cantar, este ato de dar e receber. Era isso que fazia dele o Melhor Amigo da Canção."
John Denver
Foto retirada do encarte do álbum A Song's Best
Friend The Best Of John Denver
Denver teve a sorte de saber o quanto as pessoas gostavam de sua música – de saber que tinha deixado sua marca. Em 1996, apenas um ano antes de sua trágica morte, ele disse ao jornalista Lou Carlozo do Chicago Tribune: “Eu tenho cinco ou seis canções em todos os bares de karaokê do mundo.”

É claro que John Denver conquistou significativamente muito mais que isso. “Meu objetivo quando canto é passar a alegria de viver o que sinto.”, explicou ele certa vez. E isto foi certamente o que conseguiu em sua vida. Era o tipo de homem que olhava bem de perto para as coisas que achava mais bonitas no mundo e comunicava essa beleza ao resto de nós. Ao escrever e cantar sobre estas coisas com tamanho amor e incontestável talento, Denver conseguia trazer à tona a beleza de sua própria natureza.

Talvez agora, em pleno século 21, John Denver possa finalmente ser visto e ouvido com mais justiça – não apenas como mais uma sensação pop mundial, mas como o artista importante e de valor inesgotável que sempre foi. “Pra fala a verdade, eu nunca esperei que John fosse se tornar tão popular.” Confessa Okun sobre seu velho amigo, sem esconder uma risada. “Assim que o conheci, achei que ele era um bom cantor do povo. Todo o seu sucesso pop me deixou estupefato. E hoje eu ainda acho que ele é um cantor popular muito, muito bom, que fala de temas de apelo universal, com uma mensagem de vida positiva. Para mim, a música de Denver representa o que há de melhor na arte.”


* Segundo o livro John Denver: Mother Nature's Son, de John Collis, John Denver foi preso por dirigir alcoolizado duas vezes e que possivelmente estava pilotando ilegalmente o seu avião quando morreu. 


John Denver
Foto retirada do encarte do álbum A Song's Best
Friend The Best Of John Denver

***










Fontes: 

E-book John Denver: Mother Nature's Son, John Collis, 1999, ISBN 9781780573304
Encarte do álbum A Song's Best Friend The Very Best of John Denver, de 2004

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Das incertezas

O céu está limpo e as constelações estão presentes, porém a madrugada é gélida. E uma certa angústia paira em mim. É como estar em slow motion, num filme cinza com um nevoeiro melancólico.

Falta algo. Minha vida é uma sequência de incompletudes e incertezas. Doar-se é uma palavra quase extinta porque ela é o êxtase da certeza, da convicção, do amor, da amizade e da cumplicidade.

Tenho sono e gostaria de dormir por muito tempo. Uns cem anos talvez.

E esse sentimento sufocante de impossibilidade transforma meu taciturno filme em um complemento de Ingmar Bergman, com todas aquelas análises sobre o ser humano.

Nesse exato momento pode ser o começo do fim, o começo do novo ou o mesmo de sempre com uma ponta de devaneio. Quem vai saber?

Nesse instante eu sei; sei o que acontece, sei o que se passa... Imagino. E isso me dói.

Estão a esperar-me muitos livros, alguns documentários e filmes. Uma boa ocupação. Na verdade, uma simples e prazerosa atividade. Sim, devo voltar aos meus velhos amigos que, assim como lordes ingleses, são cultos, elegantes e gentis.

Por que cegamos-nos? Por quê? O óbvio faz-se tão presente que é quase um paradoxo não enxergamos o mesmo. Porém, criaturas como eu, temos a mania de, mesmo com todo o negativismo impregnado, guardar num certo baú a esperança e a fé nas pessoas, mesmo que tudo corra na direção contrária, arranhando e mostrando a realidade.

Difícil mesmo é passar dessa fase e voltar a tranquilidade. Sempre que nosso mundo de ilusões cai, o que sobra mesmo é a depressividade e aquela velha pergunta de divã vermelho: "vou, um dia, recuperar-me?".

E quando essa inevitável hora chega, o que mais precisa-se é de cama macia, Luar Na Lubre, biscoito e leite.

E essa hora está chegando para mim. São os primeiros sinais que eu vejo (fora os que já foram dados e eu não vi) e que levam-me a esse caminho descrito.

A realidade pode ser vil e cruel. Todavia, quando estou em meu mundo paralelo, os sentimentos são intensos - cada momento, cada minuto - sem piedade, sem rancor, sem dúvida e sem dificuldade.

E mesmo que sangre por muito tempo, não me arrependo.

Só resta o tempo fazer sua parte - em silêncio e devagar...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Então... É Natal! Aaaghrrr!!!

É a época mais comercial do ano e também a que mais detesto. Ora, esqueceram-se complementante que é tempo para comemorar o nascimento do Messias e não a chegada do Papai Noel e as renas trufi-trufi.

Lembro-me bem quando assistia ao desenho dominical Histórias da Bíblia (que passava no SBT). Ele sim tinha todo o sentido do espírito de natal, o espírito do "bem fazer." Era simples, porém coerente. Não havia esse fru-fru de bolinhas vermelhas e meias com fios de ouro. O sentido do Natal (e outras comemorações católicas) se fazia presente através dele próprio.

O Natal de hoje só serve para lembrar-nos das condições materiais uns dos outros - ricos tem ceia, pobres assistem ao especial da Xuxa e imaginando o quanto seria bom ter uma mesa farta e presentes para dar aos filhos e a família.

E, nessa altura, Advento que é bom? Nada. Os abastados preocupam-se se os trâmites da ceia (o peru e o leitão a pururuca) estão fluindo. A questão é: agradar aos convidados. E as crianças riquinhas, mimadinhas e rosadinhas (isso não é culpa delas) ficam imaginando as tais renas flutuando pelo céu, trazendo ipods, celulares, notebooks e Wii (tudo é modernidade... Quem precisa cantar Noite Feliz se temos um high-tech Jingle Bells?). E a classe média B, C, pobres e etc preocupam-se em gastar o 13º terceiro em presentes - então é Natal!

E quem fez uma doação (livre de publicações em jornais e peso na consciência - "é meu dever") antes de tudo isso?

E não pensem que aqui está um discurso somente socialista. Ora, se tudo é ruim, fique com o menos pior. Porém não há sistema econômico que impeça as pessoas de celebrarem o verdadeiro espírito do advento. Elas fazem isso porque simplesmente não dão a mínima se foi Jesus ou o carinha barbudinho que nasceu no dia 25 de dezembro (a data que foi carimbada pela Igreja Católica). Importante mesmo é festejar a hipocrisia.

Até mesmo minha bebida favorita, Coca-Cola, sofre um baque nesta época: odeio aquela musiquinha - tan, tan, tan, tan... Espalhe essa magia... Isso me dá calafrios.

É por essas e outras mais que o ano para mim começa só em abril. Não que eu goste dos acontecimentos normais, entretanto é mais fácil sair da rotina quando todas essas festividades fakes passam.

Eu sou da turma do Grinch. E ponto final.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nunca abandone o Sol (Never Leave The Sun)

Dando uma parada nas histórias da Ela, eu fiquei pensando em outros acontecimentos - a vida real. Nesse exato momento eu não me importaria se viessem e levassem-me para um clínica de repouso, como naquele filme On The Edge (com o Cillian Murphy).

Minha mente está confusa, meu estômago dói, estou inquieta... Quase estou suplicando por um sonífero de duração 24 horas.

O Café anda sem postagens e essas quando saem, saem assim... tristes, melancólicas... Pergunto-me se os leitores realmente merecem isso...

Estou sem inspiração. A vida não anda lá muito M&M's... Nunca esteve.

Dizem que as coisas melhoram com o tempo. Só se for para a realidade alternativa. E se a viagem até ela não causar estragos em outras vidas, então - levem-me, levem-me!

Estou com uma certa toxidade presente. Divirto-me mais imaginando como é "viver de cara para o vento"... Ou ficar pensando naquela praia de águas verdes e nuvens cinzas... E um arco-íris.

Eu terei que deixar muitos assuntos de lado, dar o famoso "tempo". Não do Café, lógico (uma hora alguma postagem boa virá.), porém de pontos, projetos e sentimentos que eu gostaria muito que simplesmente acontecessem na minha vida de um modo bom, sem nada lynchiano. Todavia elas insistem em não fluir, ou colocam em chegue minha própria sanidade mental. Esses turbilhões de incertezas, de sacrifícios sem propósito, de gosto amargo e agonia terão uma pausa até que alguma luz faça-se presente.

Esse meu bocejar ao menos prenuncia sono... Coisa que preciso ainda mais - dormir!

De todos os que colocarei na balança, dois eu gostaria muito que dessem certo. Ambos não dependem de mim e todos os sacrifícios que já fiz pelos mesmos só trouxeram-me uma única certeza - a absoluta incerteza.

Nunca abandone o Sol... Eu não gostaria... Contudo sua luz anda cada vez mais distante da minha face.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mini capítulo II - O nascer do Sol - A viagem de trem

No trem, ela pensou em todas as coisas pelas quais já passara. Ninguém entendia e nunca iria entender tanto pesar em um jovem coração.

Enquanto o trem seguia, e as luzes afastavam-se, lembrou daqueles lábios macios e tentou esquecê-los em vão. Estavam grudados, inseridos e absorvidos.

Só queria chegar ao novo destino - o mais longe que aquele trem pudesse levá-la.

"Como num turbilhão insano." - eram as cenas que voltavam - uma alegria era capaz de diminuir o mal-estar causado pelas dores, porém, se essa torna-se uma melancólica desilusão, todas as tristezas ganham mais força e tomam conta da alma como uma terrível doença.

Olhou para os outros passageiros - cada um tinha uma história, uma vida, felicidade e tristezas. Entretanto, todos sorriam e esses sorrisos ecoavam pelos vagões. Deixando a impressão de que aqueles atos desprendidos nunca fariam parte de sua vida.

O trem continuava. O sono logo chegaria trazendo os pesadelos. E aquela face voltaria. A mesma que plantou a loucura da eterna dúvida em sua mente.

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Mini capítulo I - O nascer do Sol - Em busca da esperança

Continuação


Mini capítulo III - O nascer do Sol - A chegada ao destino incerto



terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mini capítulo I - O nascer do Sol - Em busca da esperança

No anseio de ver os saborosos e magníficos devaneios de seu mundo particular um dia tornarem-se realidade, ela olhou o bilhete de viagem. Era um dia frio e nenhuma estrela fazia-se presente. Toda a tristeza do mundo estava ali, diante de seus olhos - na mobília, no telefone mudo, nos quadros cinzas, no quarto onde reinava o silêncio.

Sua mais recente decepção tirou-lhe o brilho intenso de vida. Restaram apenas as lágrimas que varriam a face e desciam até encontrar o chão.

"A vida devia ser mais prática. Por que não ser uma sociopata funcional?". Todavia ninguém escolhe ser assim. A linha da nossa existência determina o quão bobos seremos.

Arrumou as malas e deu uma última e rápida olhada ao redor. Ou a vida fazia sentido agora, ou ela iria esvair-se como um perfume cujo o frasco foi aberto.

"Estúpida!", pensou, "Por que acreditar?". E pegou o trem. Nada podia segurá-la, nem mesmo aquele sentimento de vazio e culpa.

A viagem era longa. Havia muito o que pensar ainda.

E na janela do trem eram refletidos os últimos olhares da desilusão.

Continuações

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Recomendação Musical - Todo o ritmo de Al Green

Al Green é um grande nome da Soul Music.

Nasceu em 1946, nos EUA.

Suas canções são cheias de sensualidade, de ginga, gostosas de ouvir e de dançar.

Al Green passou da música Soul para a Gospel e virou pastor. Voltou, em 2008, com Lay It Down, um dos melhores álbuns do ano.

O CQ & Sherlock RECOMENDA Al Green. Escute e divirta-se!

Al Green - Tired Of Being Alone

sábado, 30 de outubro de 2010

Gaudete - alegre-se!

Gaudete é o verbo latino para alegrar, alegrar-se.

Lá eu estava, em mais um devaneio. A Catedral erguia-se diante de mim e seus vitrais eram atravessados por luzes de um azul da cor da morada dos anjos. As pedras eram frias como o coração dos pólos, mas alimentavam o ambiente com o frescor da brisa virginal da madrugada. Estava sozinha e as gotas caíam na fonte, uma por uma, como uma sinfonia celestial. E eu rezava... Rezava para que a sombra que pousara em mim pudesse ir embora. Não havia mais canto e nem alegria. Estava presa em um mundo atingido pelas trevas.

Posso inventar muitos mundos, atravessá-los e até mesmo sentir as sensações que lá fazem-se presentes. Porém a dura realidade puxa-me dia a dia, insistindo, colocando álcool em minha ferida aberta.

Sinto-me culpada, culpada até mesmo por reclamar. Estão todos dementes? Ou estou sendo punida por algum crime do passado? É muito fácil ser louca, basta apenas estar na presença dos ditos sãos.

Onde está o sabor da maçã e do queijo que desfazem-se na boca? Ou esse amargor persistirá? Minha testa está casada de franzir.

Todos os dias escuto os relatos de felicidade, como histórias maravilhosas para colocar as crianças para dormir e sonhar com nuvens de algodão.

Alguém que caminha na praia, sonha, dorme por entre plumas... E eu a ouvir... No meu humilde cubículo... Trabalhando e tendo os sonhos esfacelados. E tendo ainda que aguentar insensatos e incompreensivos.

E aos pobres mortais, como eu, as migalhas são a sobrevivência.

Odeio as manhãs, pois elas lembram-me da labuta diária por algo simplesmente sem coerência. Agora, aos que vivem cercados pelo conforto e esperança, o alvorecer significa o começo de um dia perfeito.

E resta-me a madrugada com seu véu negro e seus gritos de lamentações.

Se eu pudesse, estaria numa casa de repouso, longe de tudo, perto dos insanos que têm muito mais em comum comigo. E sou uma estranha no ninho, esse mundo não me pertence. Eu fui colocada aqui porque a vida é uma atrevida e gosta de escrever em aramaico.

Na verdade, eu não sou de lugar algum. Muito para esse pequeno mundo em que estou e pequena para o outro.

Então... Gaudete, nesse momento, não passa de uma bela música do século XVI para mim.

Alegrar-se, em qualquer língua, é tarefa hercúlea e que está a brilhar longínqua como uma estrela.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Paraíso - descrição de um sonho



E ao som de Caribbean Blue...

Sou transportada a uma praia de águas verdes, com uma arco-íris vibrante ao fundo, um horizonte de céu cinza, com nuvens carregadas.

Eu estava no balanço com meu vestido floral e meu chapéu de fita vermelha e pés descalços. A face estava corada, alegre e com uma expressão calma.

Enquanto caminhava e o vento colocava suas mãos aveludadas em meu rosto, eu contemplava o arco-íris e as nuvens - eram portais de um novo mundo. E as canoas brancas, largadas à beira-mar, davam a sensação final de liberdade.

E ao longe ele vinha, com seus pés também descalços, sua camiseta branca e sua bermuda jeans desbotada. O vento lhe conferia o frescor da maçã colhida no outono e seu sorriso era um campo de algodão.

Os cabelos negros flutuavam... Os olhos da cor da noite ardiam em profundidade.

A fria e branquíssima areia, com seus pequenos grãos de quatzo brilhantes, roçavam meus pés agradavelmente.

Aproximou-se, a bela criatura, e apenas sorriu. Estática eu fiquei, a nortear meus sentidos.

Assim estendeu-me sua mão e caminhamos pela praia. As ondas quebravam em harmonia e as cores do arco-íris ainda estavam lá - mais vibrantes.

De repente, as procelas, longínquas e além das linhas, trouxeram as gotas da chuva para a praia. Nossas faces ficaram molhadas, marcadas por aqueles cristais.

Corremos e corremos... A vida não podia esperar... Duas crianças felizes...

E essa felicidade imprudente, despreocupada e ingênua enchia-nos com todas as notas e todos os nuances.

Abri os olhos.

Era chegado o fim do paraíso.

Terminara Caribbean Blue.


domingo, 17 de outubro de 2010

Crime & Castigo - o livro

"... Nos começos de julho, por um tempo extremamente quente, saía um rapaz de um cubículo alugado, na travessa de S..., e, caminhando devagar, dirigia-se à ponte de K..." (Crime Castigo, Cap. I, pag. 9, Nova Cultural, 2003).

Há sempre um livro especial para os amantes de leitura e, mesmo tendo Sherlock Holmes como um modelo, o meu é Crime e Castigo de Dostoiévski.

Sherlock representa uma espécie de mundo que eu gostaria de estar, pois, mergulhada em suas páginas, eu esqueço de todo o real problemático e consigo divertir-me. Holmes é prático, sagaz e evita qualquer sentimento de cunho nada aproveitável. E é assim que eu gostaria de ser.

Só que Crime e Castigo introduz um personagem mais próximo - um espelho de sensações e modo de vida.

Por isso esse livro de capa azul diz tanto. É uma obra próxima de seu leitor, pois nela está um pouco do seu universo e, principalmente, porque o protagonista, em alguns aspectos, vive as mesmas situações e conflitos do seu público.

Crime e Castigo dispensa mais uma resenha crítica. É um clássico da literatura mundial e de um dos grandes da linha de escritores que a Rússia produziu - Fiódor Dostoiévski.

Se você, leitor (a), já leu o livro, sabe agora o significado das minhas palavras. Se não, um dia, ao ler a obra, poderá compreender tudo na íntegra.

Lembro-me bem quando lia as páginas dessa obra e visualizava Rodion Românovitch Raskólnikov em sua agonia, em seus desvarios, no seu cubículo quente, com seus sentimentos conflituosos, tendo pesadelos e febre. E quanto mais o tempo passa, mais claramente vejo essas cenas.

Por aí acabam nossas semelhanças, pois no âmbito do livro, o seu caminho, ideias e, consequentemente, seu ato levaram-o ao caminho do calvário moral e penal.

Estou aqui sentada no calor, com dor de cabeça, pensando em Ráskol e no livro de capa azul.

Nós compartilhamos a mesma tristeza, dor e devaneios. E ficamos deitados em nossa cela, com nossos corpos febris, a imaginar o porquê de algumas coisas acontecerem. Há muitas coisas para pensar, para analisar - ele não tinha ilusões, tinha delírios. Eu vivo do mesmo jeito.

Por isso gosto de escrever. É melhor para expressar-me sem cair no normal. Existe mais liberdade e não há a pressão do momento. E mesmo vivendo todas as dificuldades imaginadas, Dostoiévski fazia isso de um modo brilhante.

Experimento a desarmonia, essa estranha sensação de estar sempre alguns degraus abaixo. Estou irritada por ter desenhado, em minha frente, esse abismo que separa os que têm tudo com facilidade e aqueles que têm que experimentar o universo da criatura de Dostoiévski.

E, no final, como ele bem falou:

"...Não, de maneira alguma. Divirto-me, mas é à custa da minha imaginação, é uma brincadeira! É isso mesmo, uma brincadeira!" (Crime Castigo, Cap. I, pag. 9, Nova Cultural, 2003)

... Porque a nós, os desprovidos do brilho da lua, dos bens de Minos e do pó de Afrodite, sobra a imaginação, pois ao menos Atenas olhou-nos.