segunda-feira, 9 de julho de 2018

O desgosto da família (a marca da dor crônica)

Hoje estou com tanta dor, tanta... Que passei a maior parte da tarde chuvosa e cinza deitada sem dizer nada sobre o que se passa comigo. Ninguém quer mais ouvir, é claro. E a situação torna-se mais infernal ainda porque meus joelhos estão de uma vilania sem precedentes.

Vou ao médico especialista nos joelhos na quarta-feira (a coluna nem sei quando poderei ir para conseguir remédios para a dor). Porém desde de agora perdi as esperanças. Só tenho vontade de chorar e esquecer de mim mesma. Queria muito uma morfina.

Por que eu sempre estou com muitas dores? Um dia vou conseguir voltar ao normal?

Sentar para escrever esse texto está me deixando sem paciência e irritada. Sinto que vou desabar.

Há tempos preciso de um auxílio extra com a questão da dor crônica, creio eu que uma das melhores alternativas seria a psicológica. Entretanto já falaram que só irei ao psicólogo com meu próprio dinheiro, que depressão e tristeza são para os fracos. Estou constantemente a escutar que preciso aguentar a dor, pois fulano age assim, beltrano assim...

Eu já escrevi tanto sobre isso, mas sinto que ainda não consegui dizer o quanto o mundo que estou inserida tem, ao longo dos anos, feito um mal terrível para minha própria sanidade e vontade de viver.

É certo que neste momento eu sou o pior fracasso, a personificação dos meus medos passados. O retrato fiel de alguém que ruiu.

Todos os dias eu acordo e não gostaria de tê-lo feito. Eu sei que os piores momentos virão. Vou ouvir conversas que eu não gostaria, dizer que eu sou um peso e que absolutamente nada do que eu fiz até hoje levou-me a lugar algum. Tento fazer um pouco do único trabalho que eu arrumei após a catástrofe do curso de Física. Mas o projeto do mês continua emperrado, pois tive inúmeros problemas de saúde (incluindo o cálculo renal) e o dinheiro que me pagam, Deus, não dá para absolutamente nada. Sinto que estou sendo explorada e feita de tola.

Estou com nojo da minha própria aparência. E eu a desprezo. Sou um corpo doente e inútil que fica atrasando a vida de outras pessoas ao redor. Tudo em mim, da pele ao dedão do pé, é de uma monstruosidade infindável.

As minhas dores não são minhas, são propriedade alheia, fazendo da vida das pessoas um grande inferno. Eu sei disso, pois são as frases do dia a dia.

Hoje é um daqueles excepcionais momentos que eu gostaria de dormir e não acordar mais. Ficar no mundo dos sonhos, onde não há uma dor sequer que possa alcançar o meu corpo.

Eu só queria conversar com alguém que entendesse o quanto o meu cotidiano é pesado e sem motivação. Como levantar é difícil, tomar banho é complicado, ficar em pé para escovar os dentes, lavar o cabelo, cortar a unha do pé... Não poder lavar a própria roupa... E nem mesmo passar muito tempo deitada ou sentada. É uma agonia. Se existisse esse alguém...

Preciso de uma conversa de conforto. E é triste saber que só posso tê-la se eu tiver dinheiro para pagar um profissional.

O que eu sinto parece uma tempestade, um mar revolto, uma consequência. Talvez haja tanto do passado, e mais ainda do presente, que alimenta esses grandes monstros .

Queria apenas poder falar livremente, voltar ao dia que eu assisti o Enigma do Outro Mundo (The Thing) comendo pipoca, chocolate e tomando refrigerante e sentindo que a vida era deliciosamente simples, sem muitas dores.

Segundo muitos, essa é a minha pior versão: a pessoa que nunca foi bonita nem por fora e nem por dentro (e tornou-se ainda menos admirável com alguns poucos quilos a mais). Que nunca pode trazer orgulho, só um terremoto de dores de cabeça, que talvez nunca consiga um trabalho decente e digno, que dependa sempre de alguém e que nunca irá casar-se e ter uma família.

Eu sou simplesmente o grande desgosto da família.

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