domingo, 8 de abril de 2018

Divindade

Apolo em sua carruagem (1685)
Óleo sobre tela
Luca Giordano
Museu de Belas Artes de Boston/EUA
Meu amor não consumado
Tinha um rosto vívido,
Cabelos feitos de Sol
E olhos do Oceano.

Criou a primavera
E o outono acarvalhado
Deixou o inverno lagrimoso
E o verão de Cassiopéia.

Era um Deus do Olimpo,
Apolo em sangue e carne.
De um sorriso abrasador
E palavras reconfortantes.

Ainda lembro-te
Parado à porta
A fazer-se efígie
Imaculada e idolatrada.

Foste de outras,
Tantas outras.
E de mim
Apenas poesia.

Perdeu-se tua figura
Que era minha morada
Apagou-se tua face,
Farol de muitas caminhadas.

Findou-se a devoção,
Assim como meus sonhos
De insanos devaneios.

Vivo agora de lembranças
Daquele que nunca tive
E que não mais sei.

Sou migalhas de utopia
De uma ingrata vida
Que fez-me só solidão.

T.S. Frank




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