terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Um análise sobre a 89ª Premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas - Oscar 2017


Tivemos mais uma cerimônia do Oscar. E vou logo adiantando - antes do final desastroso, um café de orfanato da década de 30 seria muito mais atraente. 

Há algum tempo venho perdendo o interesse por essa premiação. Antes eu era fascinada e esforçava-me para ver a maioria dos filmes que foram premiados. Só que os tempos mudaram e existem pontos que devem ser abordados. E esta postagem tem esse propósito.

PRIMEIRO PONTO

É inegável que os serviços de streaming e os seriados de TV ganharam milhares de fãs alucinados e, o mais importante, fiéis. A Netflix tornou-se gigante e uma referência, agora, da cultura pop. A sua eficiência, trabalhos de qualidade, modo de exibição, com seriados que saem logo com temporadas fechadas, apontam uma nova era. Os roteiristas tem mais liberdade, diversos assuntos são abordados, sem cortes e sem frescura. O preço ainda é justo e você pode assistir seu conteúdo a qualquer momento, onde quiser, nas smart TVs, tabletes e smarthphones. O conforto de não sair de casa, ter uma imagem tão boa quanto a do cinema e não irritar-se com plateias acéfalas que tiram todo o prazer das salas de exibição são convites atrativos.

CONCLUSÃO - os festivais que premiam séries estão tornando-se mais importantes que o Oscar.

SEGUNDO PONTO

Os críticos de cinema em tempos de Oscar, formados por youtubers famosos (que têm até mesmo canais ditos especializados em cinema), possuem um conhecimento tão raso da Sétima Arte como uma poça de água formada no sereno. Eles multiplicam-se como preás na época do cio. Cinema não é para qualquer um e informação nunca é demais. Não basta ter uma faculdade de jornalismo, falar inglês fluentemente e achar que sabe algo da área. É um convite ao descrédito. Ontem presenciei verdadeiros embustes que não sabiam dizer nem 1/3 do nome dos homenageados da noite, que só preocupavam-se em fazer propagandas, comer e gritar ao microfone.

Claro, salvo somente o Rubens Ewald Filho, mestre dos mestres, culto e um verdadeiro crítico de cinema, que estava pela TNT Brasil. Ao menos a Glória Pires, ano passado, foi verdadeira ao dizer que não sabia comentar. É muito melhor do que acreditar ser aquilo que não se pode ser.

CONCLUSÃO - a grande maioria dos comentaristas brasileiros são pífios.

TERCEIRO PONTO

As produções cinematográficas ainda são muito importantes, mas estão padecendo com safras fracas ou com filmes blockbusters de quadrinhos, cuja a memória não vai sobreviver ao passar das eras. Podem até faturar muito, porém dificilmente terão a mesma importância dos antecessores. O cinema independente tem chamado mais a atenção e despertado mais a curiosidade. O cinema de outros países, fora do circuito americano, também está ganhando mais adeptos. Esse tipo de filme não precisa mais ser lançado primeiramente nos cinemas. E é aqui que a Netflix e a Amazon, por exemplo, entram novamente. E é aqui que, também, outros festivais ganham cada vez mais repercussão.

CONCLUSÃO - o circuito americano, aos poucos, poderá perder uma boa fatia do mercado.

DESTAQUES NO OSCAR 2017

Positivos

1 - A aparição do Michael J. Fox;
2 - A comemoração dos 50 anos do filme Bonnie & Clyde com a participação de Faye Dunaway e Warren Betty;
3 - A aparição da Shirley MacLaine;
3 - A Viola Davis, rainha e musa, ganhando seu Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Fences e arrasando com seu vestido vermelho;
4 - A aparição do Lázaro Ramos e do Seu Jorge comentando, em uma pequeno filme da premiação, sobre os filmes que mais gostavam; 
5 - A volta do Mel Gibson;
6 - Brian Larson não ter aplaudido o Casey Afleck quando foi entregar o prêmio de Melhor Ator por Machester By The Sea a ele. Ela é uma ativista no que compete à proteção das mulheres quanto a violência sexual. Casey envolveu-se em acusações seríssimas nesse aspecto em 2010.
7 - Os protestos e os prêmios para quem foi atingido diretamente pelo veto de imigração do atual presidente dos EUA.

Negativos

1- Todos os prêmios ganhos por La La Land;
2 - A cobertura brasileira, tirando os comentários do Rubens Ewald Filho;
4 - Ninguém diretamente, fora os atingidos pelo veto de imigração, protestou contra Trump, vulgo Satanás, nos discursos de premiação;
3 - E, claro, A GRANDE GAFE DO SÉCULO, a entrega do Prêmio de Melhor Filme para La La Land quando era para Moonlight!!! Que eu faço questão de postar aqui:



E não foi culpa nem de Betty e muito menos de Dunaway. O erro foi da auditoria do Oscar mesmo. 


E não há nem como não lembrar da Gafe do Miss Universo 2015... É, La La Land foi a Miss Colômbia da vez... 



ALGUNS CONSELHOS...

Caro (a) leitor (a), é melhor você assistir filmes e séries da BBC, da ITV, ver as premiações do BAFTA, ver as premiações do TONY, do Laurence Olivier, ir aos bons festivais nacionais, prestigiar os grandes atores e as grandes atrizes do Brasil e do Mundo.

Mesmo que não possa ir ao Teatro, procure no youtube alguns trechos de peças, veja entrevistas sobre o assunto. Leia bons livros sobre Cinema e Teatro, leia a boa LITERATURA.

Procure conhecer os grandes compositores da História do Cinema, como o Ennio Morricone,
Miklós Rózsa...

Assista muita Netflix e, enquanto o Oscar não voltar para o SBT, não esforce-se tanto para assistir a próxima Cerimônia. E nem vá arrumar dívidas com TV por Assinatura. Talvez seja mais uma grande perda de tempo, assim como foi no domingo.

É... O ano já começa assim...

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