domingo, 14 de fevereiro de 2016

Curiosidades - Esquilos e Tâmias - O engano contextual dos tradutores Part. II

É, meu amigo (a) leitor (a), a vida pode chocar-nos com descobertas inimagináveis! Se pudesse transformar essa informação em uma música, seria "Meu mundo caiu...".

Quem não conhece os lindos e fofos Tico e Teco da Disney, os esquil... Não, ELES SÃO TÂMIAS!

BUM! Minha cabeça explodiu!

Como é essa história?

Começo pela distribuição da CULPA - Tradutores brasileiros!

Na descrição em inglês está bem claro:

"Chip and Dale (also rendered as Chip 'n' Dale or Chip an' Dale) are two CHIPMUNK cartoon characters created in 1943, at Walt Disney Productions." (from Wikipedia)

"Tico e Teco (...) são duas TÂMIAS em cartoon criadas em 1943 pela Disney Produções."

No inglês não tem erro, esquilo é esquilo (squirrel) e tâmia (chipmunk) é tâmia. E não são a mesma coisa de jeito nenhum (você não é seu primo, por exemplo, vocês são só da mesma família!).

Vamos a Biologia então: Taxonomia - a classificação dos seres vivos que a gente estuda desde a pré-escola. 


Esquilos e Tâmias são da mesma família, mas são de gêneros e espécies diferentes. Se continuássemos a afirmar que eles são a mesma criatura, seria como falar que chimpanzés e humanos também são (nós e nossos amigos primatas pertencemos a família Hominidae, porém a separação acontece no gênero, no qual pertencemos ao Homo e somos agora os únicos dessa.).

Esquilos e Tâmias pertencem a família Sciuridae. E esta inclui cerca de 279 espécies classificadas em 51 gêneros. E tem bichinho de tudo quanto é jeito, onde a tâmia é somente um exemplar (a marmota é da mesma família e você não sai por ai dizendo que a criaturinha é um esquilo!).

Diferenças para gravar de vez

Nossas adoráveis tâmias são pequenas e possuem listras distintas. Seu comprimento varia entre 16 e 30 cm, enquanto o esquilo de árvore (um exemplo de esquilo) é maior e não tem listras e possui comprimento entre 38 e 52 cm. Todos eles têm pelo curto e orelhas arredondadas também pequenas.


Esquilo  e tâmia respectivamente.

Outros famosos...

ALVIN e companhia são TÂMIAS!
PIP, do filme A Encantada (Enchanted/2007), também é uma TÂMIA!

Se você se interessou por esse artigo, também poderá se interessar pela postagem do CQ&Sherlock:
Curiosidades - Sereias e Sirenes - O engano contextual dos tradutores Part. I

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Crítica da Semana: Boa Noite, Mamãe (Ich seh, ich seh)/2014

Boa Noite, Mamãe é uma ótima surpresa no gênero terror/suspense. Um filme perturbador, na medida, que há muito tempo não se via.

Atenção: essa crítica contém spoilers!

Boa Noite, Mamãe (Ich seh, ich seh/2014 ), dirigido por Veronika Franz e Severin Fiala, é um filme de terror austríaco genuíno, cuja jornada para o desfecho nos leva a conclusões ambíguas até que a verdade seja revelada.

Poderia ser só mais um filme do circuito alternativo a Hollywood, mas não é! O cinema austríaco é extremamente forte, veja o caso de A Fita Branca (Das weiße Ban/2009), que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Globo de Ouro de Melhor Filme (estrangeiro), além de duas nomeações ao Oscar de 2010. Boa Noite, Mamãe faz jus, com méritos, a essa safra.

O filme centra-se em três personagens, a mãe (interpretada por Susanne Wuest) e os irmãos gêmeos Lukas (interpretado por Lukas Schwarz) e Elias (interpretado por Elias Schwarz).

A abertura da película apresenta-nos uma fotografia belíssima (a fotografia do filme é assinada por Martin Gschlacht) focada em destacar a bela paisagem onde fica a casa da família. E esse belo lugar é explorado pelos gêmeos de todas as formas, em suas caminhadas e brincadeiras, demostrando uma ligação muito forte entre os dois. A cena do lago pode passar despercebida, mas ali reside o motivo que desencadeia a história que será narrada. Aliás, os detalhes merecem muita atenção, mostrando-nos, em alusões, sentimentos e fatos.

A mãe, depois de algum tempo afastada, retorna à casa com o rosto coberto por ataduras devido a uma cirurgia. Os gêmeos a recebem com estranheza e nos fazem apostar na ideia de que há algo errado com a progenitora. Aos poucos, eles concluem que aquela mulher não é a mãe deles.

São seus pensamentos e sonhos que nos conduzem através do filme. Eles tornam-se nossos olhos e também formam a nossa opinião.

A suposta mãe, às vezes austera, tenta manter a disciplina e uma rotina. A casa, afastada do resto do mundo, nos dá uma impressão de isolamento proposital. Tudo é bonito, limpo e claro.

Só que, aos poucos, as revelações surgem. E conduzem a um final inesperado.

Sim, as impressões estão erradas. E a mãe apenas tenta manter o que restou da família. Enquanto os gêmeos revelam-se antagonistas. Bem, apenas um, pois o outro é apenas fruto do trauma de um acidente trágico e é nesse ponto que a cena do lago volta a nossa mente. Há certas ligações que não podem ser quebradas - na fantasia do menino é que reside o perigo.

A mãe é realmente a mãe, o filho não, pelo menos não o de antes. Tomado pelas decisões do irmão, agora revelado imaginário, o menino torna-se um carrasco, torturando e exigindo uma verdade que não existe daquela que acredita ser uma usurpadora.

O fim, a essa altura já deduzido pelo telespectador, chega. Ele é cru e preciso - causa e consequência. A reunião tão esperada pelos gêmeos só pode se realizada no ato da morte.

Boa Noite, Mamãe acerta em um roteiro que prende e instiga para depois nos deixar pasmos. E essa é a fórmula perfeita para um terror digno.

Trailer legendado de Boa Noite, Mamãe



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vida miserável

Nos pegamos muitas vezes a pensar sobre as escolhas da vida, o que mais queríamos, as amizades, os amores, investimentos, desistências.

E nesses pensamentos, para uns tristes e para outros não, uma pedaço enorme de nossa trajetória passa em forma de pulsos elétricos e uma fita é rebobinada, avançando e captando detalhes antes não percebidos e tão essenciais.

Hoje pensei em todas as minhas escolhas e elas, tão questionáveis, são cinzas como as tempestades que agora caem.

Amizades. Estas são as mais equivocadas possíveis. Eu sempre estou errando nesse aspecto. A sensação mais estranha do mundo é ser amigo de alguém e este o considerar uma dentre as várias que possui, pertencendo a uma escala inferior, a opção quando aqueles mais queridos não estão por perto. Os sentimentos cegam e os sinais tão claros estavam ali e nunca foram percebidos. Tanto tempo depois, um pequeno estalar, e aquela fita, que agora volta, mostra toda a tolice e as ricas minúcias da desconsideração. Quando não há nada melhor... E assim é mais uma sentença nesse círculo humano em que muitas pessoas afortunadas conseguem achar os alvos certos.

Amores. Acabaram-se todos. E esta é uma sensação negra, desconcertante e incoerente. Como se todo o sentido da vida tivesse esvaído-se pelo ralo. Destruídos por sentimentos iguais ao das amizades questionáveis. Das relações abusivas a incompreensão, da opção em um cardápio, entre crises que logo passarão, e lágrimas, houve de tudo. Amei todos e não recebi nada. Ninguém importa-se a não ser que haja lucro e traga divertimento.

Profissão e estudo. Um dia eu quis ser tudo, até mesmo um raio de luz. A melhor fase da vida (mesmo com toda a tristeza) foi imagina-se no topo, não por dinheiro, mas pelo sucesso de ser o que sempre se quis. E esse tempo ficou tão distante, que quase não me lembro. Pergunto-me o que é ter, por exemplo, parentes instigantes e admirados, aqueles tios legais que trazem livros e que falam maravilhas do universo, ou os primos que sonham e deliram e não têm medo. Desses, eu conheço somente a cobrança e a humilhação. Alguns são movidos pela mesquinharia, outros pelas mentiras, dinheiro e aparências. Já passei por diversas situações degradantes - falarem que minhas roupas são pobres e surradas, não ter onde cair morta, ser estorvo por ter parado de trabalhar para estudar nessa altura do campeonato [e mais ainda porque todos consideram todos os empregos que tive uma merda], ser egoísta, preguiçosa, um fracasso e outras tantas frases motivacionais. Não tenho amor por nenhum. E é simples assim. Mantenho-os o mais longe possível da minha vida. E isso não significa, devido a minha atual condição financeira, que isso seja a paz.
Terminar o curso tem tornado-se tarefa não somente árdua, mais definhante. Professores que dizem que você não é capaz, colegas que não dão a mínima, mais cobranças... Ultimamente, por causa de dinheiro [a falta dele], e a escassez de oportunidades e tempo para um trabalho, sou atacada por todos, todos os dias. A miséria da alma é a minha condenação atual.

Talvez, um dia, a roda gire... E quando isso acontecer, o que farei com eles? Talvez permita-me apenas ignorá-los e viver tranquilamente como sempre quis desde pequena. Vingança e humilhações como revanche, não. O silêncio e o desprezo já são suficientes - o que não é visto não é sentido e aquele que apanha nunca esquece. E sou um elefante nesse quesito.