sábado, 13 de dezembro de 2014

Curta de Animação - Tom & Jerry - The Cat Concerto/1947/Metro-Goldwyn Mayer

Tom & Jerry é uma quase unanimidade. Não me atrevo a dizer que seja em seu grau total porque sempre há os da discórdia. 
A série é uma das obras-primas da dupla Hanna e Barbera, esta, por sua vez (junto com Walt Disney, Walter Lantz e Chuck Jone) compõe a tétrade máxima dos Cartoons Clássicos, a Era Dourada em que desenho era um bem inquestionável de cultura - disputas para fazer o melhor [algo como, nos dias de hoje, a BBC, ITV e 4 Channel (todas da Inglaterra) fazem com suas séries e minisséries.]. 

A série de desenhos Tom & Jerry não leva a marca típica Hanna-Barbera em suas aberturas e créditos finais, pois os episódios clássicos foram produzidos para MGM Cartoon Studio
Os desenhos passaram por Hanna e Barbera entre 1940-1958. Depois, entre 1960 e 1962, por Gene Deitch. Entre 1963 e 1967, foram conduzidos pelo grande nome responsável por Looney Tunes e Merrie Melodies -  Chuck Jones. Depois desse último, os desenhos passaram ainda por outras fases. 

Tom & Jerry - The Cat Concerto/1947/Metro-Goldwyn Mayer

Criado em 1946 e lançado nos cinemas em 26 de abril de 1947 (e relançado em 1955 pela Metro-Goldwyn Mayer). Foi produzido por Fred Quimby e dirigido por William Hanna e Joseph Barbera, com a supervisão musical der Scott Bradley e animação por Kenneth Muse, Ed Barge e Irven Spence. O desenho ganhou o Oscar de Melhor Curta de Animação de 1946 (concorrentes daquele ano: Musical Moments from Chopin - Walter Lantz Productions, Universal - Walter Lantz; John Henry and the Inky-Poo - Paramount - George Pal; Squatter's Rights - Walt Disney Productions, RKO Radio - Walt Disney; Walky Talky Hawky - Warner Bros. - Edward Selzer). Ocupa a posição #42 na lista dos 50 Melhores Cartoons de Todos os Tempos.

MÚSICA CLÁSSICA: a música clássica presente no desenho é Hungarian Rhapsody No. 2, de Franz Liszt. Faz parte de um conjunto de 19 rapsódias.

 [o que é uma rapsódia? Termo originário do grego rhapsodía, significando “canção costurada”. Designa, desde a Grécia Arcaica, tanto cada um dos livros de Homero (século VIII a.C.) quanto os poemas épicos cantados por alguém que não fosse o criador deles. Rapsodo é o nome dado a um artista popular ou cantor que, na antiga Grécia, ia de cidade em cidade recitando poemas, principalmente epopeias.]

A No. 2 foi composta em 1847 e dedicada ao escritor e estadista húgaro László Teleki. Liszt também era húngaro e usou suas influências musicais da juventude (música húngara com elementos ciganos) como inspiração para a obra. Recomendo que vejam a interpretação do pianista húngaro Adam Gyorgy para a Rapsódia Número 2 aqui.

OUTRA MÚSICA:  a partir do momento 04:41 até o 04:58 do cartoon, a obra de Lizst é substituída momentaneamente pelo instrumental da canção On The Atchison, Topeka And The Santa Fe. A música faz parte do filme As Garçonetes de Harvey (The Harvey Girls), de 1946, e nele é interpretada por Judy Garland. Foi composta por Harry Warren, com letra de Johnny Mercer. A canção ganhou o Oscar de 1946. Recomendo assistir dois vídeos - a parte do filme com a música aqui e outra com um ritmo mais animado aqui. Ambas cantadas por Garland.

Ficha Técnica
Dirigido por William Hanna e Joseph Barbera
Produzido por Fred Quimby
História por William Hanna e Joseph Barbera
Música por Scott Bradley, Franz Liszt, Harry Warren e Johnny Mercer
Animação por Kenneth Muse, Ed Barge, Irven Spence e Richard Bickenbach (sem créditos)
Estúdio: MGM Cartoon Studio
Distribuído por Metro-Goldwyn-Mayer
Data de Lançamento: 26 abril de  1947
Processo de coloração por Technicolor
Duração: 07:32 minutos
País: EUA
Língua: Inglês

Fontes:

Tom e Jerry - Wikipédia em Português
Tom e Jerry - Wikipédia em Inglês
The Cat Concerto - Wikipédia em Português
The Cat Concerto - Wikipédia em Inglês
Oscar de Melhor Curta de Animação - Wikipédia em Inglês
E-Dicionário de Termos Literários - Rapsódia
Livro Os 50 Melhores Cartoons de Todos Os Tempos - Seleção por 1000 Profissionais da Animação - Edição em Inglês - Editora Turner Publishing Inc./Atlanta
Estúdio de Animação MGM - Wikipédia em Inglês
Franz Liszt - Wikipédia em Inglês
Rapsódia Número 2 - Wikipédia em Inglês
Música On the Atchison, Topeka and the Santa Fe - Wikipédia em Inglês

Caro (a) leitor (a), você poderá se interessar, também, pelas postagens da mesma linha:

Curta de Animação - Mickey & Friends - The Band Concert/1936/ Walt Disney

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

E se pudesse esquecer...

Pergunto-me o quão egoísta seria esquecer pessoas, lugares, situações. Apenas recomeçar. Sem passado.

São dias muito complicados, como todos os de tanto tempo. Porém eu realmente peguei-me pensando nisso - esquecer todas as lembranças dos rostos de agora. Muitas vezes crio histórias, cenários conduzidos por músicas delicadas e... Não há um conhecido. Outras pessoas são modeladas, diferentes das muitas atuais (a grande e ingrata maioria) - generosas, gentis, sabias, solidárias, dispostas, interessantes, misteriosas, charmosas... Um universo utópico. Porém, se não fosse por ele, teria sucumbido há muito nesse pequeno e sufocante limbo.

A vida desenha um ciclo - existem épocas em que você conhece alguém regular, em contrapartida, chovem muitos que trarão a dúvida, o dissabor, a desordem, a antipatia, o descaso, o aproveitamento, a desilusão e muitas e ácidas lágrimas.

Não, não seria egoísmo. Concluo agora. Quantos dos mesmos estão pensando nas palavras duras, atos, aproveitamento ou mesmo lembrando-se da mera existência de quem agora escreve?

Faces chateadas, mentes intolerantes, falácias - o gosto podre de cada entonação.

Não sobra tempo: ocupados e ocupados infinitamente - ganhar dinheiro, escrever equações, uma festa, outros compromissos. Ou... Sobrou um espaço ínfimo, vou agendar...  - Sim, espere... Preciso ir.,.

E quando ajudam -  cobranças e mais olhares ranzinzas... "Eu perdi meu tempo para nada...".

No fim - sou culpada por todos os males. Quem sabe até pelas guerras mundo afora.

O desejo de apagar...

... Um bocado de gente do depois, do outra hora e do não tenho tempo.

... Outras tantas do mal-amada, sozinha, desiludida, idiota.

... E mais tantas do é fácil (quando é difícil), pavoneando sabedoria, é difícil (quando tudo que se precisa é de uma explicação de alguém disposto).

Ao redor há os tons monossilábicos, insípidos, cinzas e marrons.

[e mais um semestre abandonado...]

Sempre, uma vez na semana [talvez duas], aparecem as opiniões: estude mais, não faça isso, não seja polivalente, por que não trabalhar, sério? Que pena...

[tenho memória de elefante para situações e dizeres ruins]

Algumas correntes foram quebradas - as das humilhações do iconoclasta de outrora. Sobraram cacos, feridas abertas. A cicatrização é extremamente lenta. Nunca houve ninguém para ouvir, pois nunca existiu também tempo...

[Todos têm suas prioridades divididas em cem colocações.]

Somaram-se as dores físicas e persistentes com o mundo-cubículo, o descaso cotidiano, as misérias humanas da convivência, o ombro retirado e negado.

Formou-se uma nuvem pesada preta e azulada

Mas no meu martírio, altíssimo, eu preciso encenar, dizer que está tudo bem, pois do contrário, quem liga, ou melhor, as chateações jorrarão, que são tão iguais ao representar -  são os biquinhos de desagrado.

Hoje foi um dia de muita dor, a dor física que desgasta dia após dia, sem causa aparente, que teima em procurar explicações materiais para algo que pode ser também da alma. Porém, no meu círculo, nada é levado em conta se não existe a prova comum.

Se eu pudesse esquecer, esqueceria. Não há nada demais em querer suprimir a dor imposta.

Muitas vezes, por várias vezes, desejei apenas conversas e uma sopa quente.

... E esses desejos foram a minha condenação.




**Sobre o vídeo: LOCAL HERO é uma das músicas que mais gosto do Dire Straits. Tema de um filme britânico de mesmo nome (1983). A versão original é mais animada. O que não cabe aqui. Porém a versão do álbum/DVD On The Night (1993) é mais bonita e singela. E esta sim dá-me a sensação de calmaria e esperança. Como os vales verdes cheios de ovelhas em terras para lá de frias (um sonho escocês, irlandês, quem sabe...)


sábado, 6 de dezembro de 2014

Quando Ouvi o Astrônomo Erudito (When I Heard the Learn’d Astronomer)

A Via Láctea pode ser vista como um grande faixa ou arco no céu 
noturno se as condições de visibilidade forem boas o suficiente.
Esta foto panorâmica foi tirada no Vale da Morte, 

Califórnia, EUA.

Por Walt Whitman*

Quando ouvi o astrônomo erudito,
Quando as provas, os números foram enfileirados diante de mim,
Quando me foram mostrados os mapas e diagramas a somar, dividir e medir,
Quando, sentado, ouvia o astrônomo muito aplaudido, na sala de conferências,
Senti-me logo inexplicavelmente cansado e enfermo,
Até que me levantei e saí, parecendo sem rumo
No ar úmido e místico da noite, e repetidas vezes
Olhei em perfeito silêncio para as estrelas.



A Via Láctea no Hemisfério Sul.
(Foto Tirada no Observatório
La Silla - Chile)

(When I heard the learn’d astronomer,
When the proofs, the figures, were ranged in columns before me,
When I was shown the charts and diagrams, to add, divide, and measure them,
When I sitting heard the astronomer where he lectured with much applause in the lecture-room,
How soon unaccountable I became tired and sick,
Till rising and gliding out I wander’d off by myself,
In the mystical moist night-air, and from time to time,
Look’d up in perfect silence at the stars.)


(Publicado originalmente no livro Folhas de Relva/Leaves Of Grass em 1855)

***

Se o astrônomo descrito (mais parecido com alguns físicos/professores que conheço) fosse mais filosófico (sim, pensou Carl Sagan, pensou bem!) que mecânico, talvez o grande Walt Whitman não tivesse saído da sala e ido conversar com as próprias estrelas. Então, como diz Olavo Bilac, "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas..."

Sobre Walt Whitman*

"Toda revolução digna deste nome produz seu grande poeta [...] Assim, se Maiakovski é o poeta da Revolução russa, não é exagero dizer que Walt Whitman (1819-1892) é o grande poeta da Revolução Americana, ocorrida uma geração (1776) antes de seu nascimento." (Paulo Leminski em Introdução In Walt Whitman. Folhas das FOLHAS DE RELVA. Seleção e tradução de Geir Campos. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984. p. 8)

Whitman  (Huntington, 31 de maio de 1819 – Camden, 26 de março de 1892) foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano, considerado por muitos o "pai do verso livre".

O que é Verso Livre?

No fazer poético, os versos livres, também chamados de versos irregulares, não utilizam os esquemas métricos, nem as rimas, ou qualquer outro padrão musical, mas preocupam-se tão somente com o ritmo e a musicalidade natural da fala ou leitura. Alguns poetas e estudiosos afirmam que os versos livres possuem afinidades com a prosa, enquanto outros enxergam uma grande autonomia e distinção nessa forma poética. De qualquer forma, é inegável que os versos livres garantem ao poeta uma maior licença para se expressar e possuir maior controle sobre o desenvolvimento da sua obra. Consequentemente, os versos livres produzirão uma poesia espontânea e individualizada.

Declamações (em inglês - língua original do poema)

Pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson:



Na série americana Breaking Bad, Temporada 3, Episódio 6 - Sunset:



Fontes: 

Quando ouvi o astrônomo erudito - Pensador Uol

sábado, 29 de novembro de 2014

Chernobyl - Silêncio mortal

Passado de glória
Pedaços de história
Eram muitas vidas
Sob térmica agonia.

"De repente, fez-se luz..."
Um inferno que conduz
Silenciosamente a lembranças
De dias de esperança.

A juventude irradiada
Mortalmente condenada
Pó de sonhos esquecidos
Abandonados e interrompidos.

[Invisível
Crível
Cenário temível]

Meias-vidas eternas
Era o fim de uma era
E o nascimento de uma quimera.

T.S. Frank

Um drone capturou imagens em ângulos diferenciados da cidade ao redor da Usina de Chernobyl. A produção foi feita pelo fotógrafo Danny Cooke para o programa 60 Minutos do canal CBS. O vídeo conta com a música da jovem cantora americana Hannah Miller, chamada Promise Land. O cenário nos traz imensas reflexões sobre a ação do homem em seu próprio meio e como tragédias com essa proporção podem comprometer o curso natural e saudável da vida durante anos. Em meio ao cenário apocalítico, a vegetação e alguns animais podem ser vistos, dando-nos a esperança de uma pequena e lenta, mas significativa, regeneração.



Fontes:

History Channel - Drone sobrevoa Chernobyl e faz imagens impressionantes da cidade fantasma

Recomendados (com links): 

Discovery Channel - Documentário O Desastre de Chernobyl
Fantástico 2001 - Visita a Chernobyl
Discovery Channel - Documentário Hora Zero - O Desastre de Chernobyl

sábado, 22 de novembro de 2014

Aniversário: 29 em notas P&B

"Foi um dia calmo, extremamente.
Apenas fiquei no meu quarto. 
Como todos os dias. 
Foi comum, reflexivo, 
cheio de notas: 
amadeiradas, cafeinadas, adocicadas. 
Preocupo-me com o futuro 
e domina-me o medo. 
Perdi-me em um turbilhão de dúvidas. 
Constatei o óbvio. 
Curo-me ainda de um coração, 
agora, colado, cheio de cicatrizes. 
Só fiz meu cappuccino e assisti ao meu mundo. 
O que eu quero: tempo e qualidade de vida. 
Do resto... Farei minha própria caminhada." 

"Define-me cafés [agora com leite], madrugadas, fins de tarde... Sorrisos, conversas soltas, talvez ousadas, ao fim da tarde [depende do ouvinte, leio os sinais]. São músicas da madrugada. Não há pressão. O cheiro bom, a brisa, a delicadeza do ser, conquista-me, tão simples - é o vento e a suavidade..."




domingo, 12 de outubro de 2014

Blues da Minha Vida

Cheiro de café,
Suavidade, movimento.
Leite espumoso, branco harmonioso.

Repousam meus lábios
Em xícara flutuante
Vislumbro, desejo, cubro-me.

[abre-se o túnel de pensamentos]

Sobre a abóbada celeste, em meio ao frio,
Cintilam fagulhas azuis, vermelhas e amarelas.
Eram um frenesi, um choque, um toque

[é a passagem de um longo tempo]

Acordam-me os olhos da realidade
Eram águas passadas
Sóis que não brilham mais.

A felicidade escondeu-se,
Perdeu-se dentro de mim, cansou-se.
E sigo-lhe as pistas em tentativas frustradas.

Estou presa na dor.
E não lembro-me mais como é viver sem ela
O ópio do momento terminou em derradeiro gole.

Cegam-me as luzes das promessas
Com sussurros de esperança
Naquela mesa, em cores ovais.

[Minha dor consome-me persistentemente.]

E é na tristeza que deixo
Gotas aprisionadas...
E são elas as notas vivas
Do blues da minha vida.




domingo, 5 de outubro de 2014

A corrida para o Oscar 2015

Aqui estão alguns dos filmes que são fortes candidatos a uma indicação (ou a indicações) no Oscar 2015. Alguns estiveram presentes em grandes festivais, como o de Toronto e o de Cannes. 

1-O Jogo da Imitação (The Imitation Game) - filme biográfico - Benedict SHERLOCK Cumberbatch faz o papel do matemático Alan Turing. Com grandes chances de ser indicado a melhor ator e de ganhar também; Trailer - clique aqui!

2-O Abutre (Nighcrawler) - roteiro original - enfrentando dificuldades para conseguir um emprego formal, um jovem decide entrar no agitado submundo do jornalismo criminal independente de Los Angeles. A fórmula é correr atrás de crimes e acidentes chocantes, registrar tudo e vender a história para veículos interessados - Com grandes chances de ser indicado a melhor ator -
Jake Gyllenhaal assustadoramente diferente; Trailer - clique aqui!

3-Foxcather - Uma História que Chocou o Mundo - filme baseado em fatos reais - John E. du Pont, milionário paranoico e esquizofrênico, depois de construir um centro de treinamento de luta livre na Pensilvânia, atira e mata o medalhista olímpico David Schultz. Com Steve Carrel, Mark Ruffalo e Channing TatumTrailer - clique aqui!

4-Vício Inerente (Inherent Vice) - adaptação da novela homônima - o detetive drogado Larry "Doc" Sportello perambula pela Los Angeles de 1970 investigando o caso do desaparecimento de sua ex-namorada. Com Joaquim PhoenixTrailer - clique aqui!

5-Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância) - roteiro original - sobre um ator que tenta resgatar sua glória do passado. Com Michael Keaton, Emma Stone  e Edward NortonTrailer - clique aqui!

6-Invencível (Unbroken) - filme biográfico/adaptação do livro homônimo - retrata a história real do atleta olímpico Louis Zamperini, que sofre um acidente de avião e cai em pleno mar. Ele luta durante 47 dias para reencontrar a terra firme e, quando consegue, é capturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Direção de Angelina JolieTrailer - clique aqui!

7-Teoria de Tudo (The Theory of Everything) - filme biográfico - sobre Stephen Hawking - cosmologista britânico. Com grandes chances de ser indicado a melhor ator - Eddie RedmayneTrailer - clique aqui!

8-Love & Mercy - filme biográfico - sobre Brian Wilson na época da criação do grande álbum dos Beach Boys - Pet Sounds. Com Paul DanosTrailer não disponível ainda!

9-Pawn Sacrifice - baseado em fatos reais - filme sobre o enxadrista americano Bobby Fischer e o russo Boris Spassky; com Tobey Maguire e Liev SchreiberTrailer não disponível ainda! 

10-Whiplash - Em Busca da Perfeição - roteiro original - filme sobre um professor de bateria para jazz tirânico e um aluno promissor. Com grandes chances de ser indicado a melhor ator coadjuvante e de ganhar também - J. K. SimmonsTrailer - clique aqui!

11-Sr. Turner (Mr. Turner) - filme biográfico - o pintor inglês impressionista J.M.W Turner é fascinado pelas luzes e pelo efeito da iluminação no mar, nas cidades, nas construções e nas paisagens. Ele é pai solteiro de duas filhas. Em um período triste de sua vida, ele conhece uma mulher incrível, por quem se apaixona. Com grandes chances de ser indicado a melhor ator – Timothy Spall levou o prêmio no Festival de Cannes; Trailer - clique aqui!

12-Garota Exemplar (Gone Girl) - adaptação da novela homônima  - sobre uma mulher que desaparece e o principal suspeito é o seu marido. Com Ben AffleckTrailer - clique aqui!

13-Interstellar - ficção científica/roteiro original - sobre viagens no tempo e realidades alternativas. Um grupo de exploradores percorre um "buraco-de-minhoca" no espaço e termina em uma realidade alternativa. Com Matthew McConaugheyTrailer - clique aqui!

14-Um Santo Vizinho (St. Vincent) - roteiro original - uma mulher acaba de se divorciar. Ela e o filho de doze anos se mudam. Um vizinho se aproxima deles e se oferece para cuidar do menino. Uma grande amizade nasce. Com Bill Murray e Melissa McCarthyTrailer - clique aqui!

15-O Juiz (The Judge) -  roteiro original - um advogado de muito sucesso volta à cidade em que cresceu para o velório de sua mãe. No local, acaba descobrindo que seu pai é apontado pela polícia como um dos suspeitos pelo assassinato da mulher. Ele, então, decide defender o pai, que foi ausente na sua criação, no tribunal. Com Robert Downey Jr e Vera Farmiga. Com grandes chances de ser indicado a melhor ator coadjuvante - Robert DuvallTrailer - clique aqui!

16-Corações Famintos (Hungry Hearts) - roteiro original - um americano e uma italiana se conhecem, por um acaso, na porta do banheiro de um restaurante e se apaixonaram. Rapidamente eles se casam e vão ter um bebê. Depois do nascimento da criança, uma luta interna será travada pelo casal para manterem-se unidos; Trailer - clique aqui!

17-Livre (Wild) - filme biográfico - após a morte de sua mãe, um divórcio e uma fase de autodestruição repleta de heroína, uma mulher decide mudar e investir em uma nova vida junto à natureza selvagem. Para tanto, ela se aventura em uma trilha de 1100 milhas pela costa do oceano Pacífico. Com Reese WitherspoonTrailer - clique aqui!

18-Shelter - roteiro original - dois moradores de rua de Nova York vivem rodeados por desespero, perigos e incertezas. Eles acabam conhecendo e apaixonando-se e percebem que juntos podem tentar construir uma vida melhor. Dirigido por Paul Bettany. Com Jennifer ConnellyTrailer não disponível ainda!

19-Mapa para as Estrelas (Maps to the Stars) – roteiro original - uma jovem conhece um motorista de limusine que sonha se tornar ator. Eles começam a sair juntos e flertar um com o outro. Não demora muito para que ela comece a trabalhar para uma atriz decadente que está desesperada para conseguir o papel principal da refilmagem de um sucesso estrelado por sua mãe, décadas atrás. Com Robert Pattinson John Cusack. Direção de David Cronenberg. Com grandes chances de ser indicada a melhor atriz coadjuvante - Juliane MooreTrailer - clique aqui!

20- Para Sempre Alice (Still Alice) - roteiro original - uma renomada professora de linguística, aos poucos, começa a esquecer certas palavras e se perder pelas ruas de Manhattan. Ela é diagnosticada com Alzheimer. A doença coloca em prova a força de sua família. Enquanto a relação com o marido se fragiliza, ela e a filha se aproximam. Com grandes chances de ser indicada a melhor atriz - Juliane MooreTrailer - clique aqui!

21-Cake - Uma Razão Para Viver - roteiro original - uma mulher traumatizada e depressiva busca ajuda em um grupo para pessoas com dores crônicas. Lá, ela descobre o suicídio de um dos membros do grupo, ficando, então, obcecada pela história. Com Jennifer AnistonTrailer - clique aqui!

Fontes: 

Oscar 2015 - As primeiras apostas! OmeleTV #291.3

sábado, 13 de setembro de 2014

Grumpy Cat sobre o caso do U2 no iTunes...


Quem é GRUMPY CAT?

Grumpy Cat (Gata Ranzinza) é uma gata celebridade da internet. Sua expressão de insatisfação virou um meme mundialmente conhecido. Seu nome verdadeiro é Tartar Sauce (Molho Tártaro). Ela tem um irmão chamado Pokey. O vídeo que a tornou famosa está aqui embaixo: 


Se você quer saber mais sobre a GRUMPY CAT acesse...

Quem é U2?


Chamada da matéria do Jornal O Globo Eletrônico

Nunca pensei que esse dia chegaria, afinal, com tanta tecnologia, você pode, praticamente, conhecer todos os ramos musicais e suas histórias.

Mas muitas coisas mudaram de uns 10 anos para cá e isso assusta-me para valer. Diante da recente notícia de que usuários do iTunes reclamaram do álbum grátis do U2 em suas bibliotecas, o horizonte da esperança tornou-se uma grande utopia digna de Thomas More. Aqui não cabe o julgamento acerca de "você gostar ou não de U2" e sim analisar a que ponto chegamos na total falta de CONHECIMENTO sobre o que se está criticando. Eis os sinais claros e concisos do analfabetismo desolador e da falta de compreensão como um todo. Eu adoro U2. Ponto! Quem não gosta tem suas razões. Contudo chegar a perguntar algo que o Google "Oráculo Supremo" e o Youtube respondem em questão de segundos é, no mínimo, digno de um castor com morte cerebral. Imagine, há 10 anos, ganhar um álbum do U2? Uau! E agora - "Quem é U2? E por que as músicas deles ficam aparecendo no meu iPhone?”, soa como a trombeta do fim dos tempos, ou, pelo menos, do enterro da cultura e discernimento - R.I.P!
Chamada do iTunes para o álbum novo do U2 -
Songs of Innocence
Outro dia fiquei imaginando como deixam a tal Nicki Minaj veicular um clipe pornográfico sem restrição de idade e uma música que faz apologia a uma sentença imbecil: O CRIME COMPENSA. Pior não é esse fato e sim os defensores de tal "zoada do inferno", literalmente. Então eu lembrei que aqui temos o famigerado funk carioca, os forrós pseudo-universitários (ou melhor, pela maioria, totalmente universitários, se é que me entendem...). Conclusão: é um funeral global mesmo.

Daqui algum tempo, como um Museu, para preservar o que o ser humano fez de melhor (aqui somente cabe o melhor, mas sabemos que Museus também preservam histórias tristes.), teremos que guardar em vitrines discos e CDs do U2. E, como os feitos de Hércules ou qualquer conto grego ou romano, contar, de geração para geração, que um dia a música foi excepcional.

Perder a paciência, nesse caso do U2, é fácil, afinal, sempre prezo pelas boas discussões, mas como não se assustar com a ignorância e comentários baixos daqueles que só sabem recorrer a esta ferramenta por falta de educação mesmo? Não tardará, para defender esses embustes da Finada Disney de Outrora ou do Top Billboard, que a inquisição volte. Ninguém pode criticar um álbum da Beyoncé ou Lady Gaga, por exemplo. Mas (apesar da falta de propaganda em prol dos seus próprios gostos musicais - Beyoncé com Etta James e Aretha Franklin e Lady Gaga com Tony Benett) quase nenhum "consumidor" assíduo de suas "obras" dá-se ao trabalho de pesquisar sobre os pilares de suas "divas". Sim, eu tenho medo do futuro. Como Philip Roth escreveu, a literatura, como conhecemos, está morrendo e terá um fim daqui uns 10 anos ou pouco mais. A música segue o mesmo trajeto. E o que isso nos diz?

A civilização é descrita por seu grau de desenvolvimento e avanço em vários setores. Sim, voltaremos a idade da pedra em cérebro e chegaremos ao mundo dos Jetsons em tecnologias extraordinárias inúteis para a educação por culpa daqueles que as operam. Trágico!

Fontes:

Irritados com álbum-presente, usuários do iTunes indagam 'quem é U2?' nas redes.



Algumas músicas do U2 - Experimente!






domingo, 7 de setembro de 2014

Sonhadora - O Outro Mundo

"In all this talk of time
Talk is fine
But I don't want to stay around
Why can't we pantomime, just close our eyes
And sleep sweet dreams
Me and you with wings on our feet."



"De toda essa conversa sobre o tempo,
Conversar é o melhor,
Mas eu não quero ficar por perto.
Porque não podemos fingir, apenas fechar nossos olhos
E sonhar doces sonhos.
Eu e você, com asas em nossos pés."  (trecho de The Great Beyond de R.E.M.)


R.E.M. é a pura metáfora sobre os sonhadores e isso não somente pelo nome da banda remeter o próprio estágio profundo do sono onde ocorrem os sonhos mais intensos. Suas letras são carregadas com cenários e pensamentos daqueles que, para escaparem do mundo cruel em volta, divagam e transitam por universos mais acolhedores em suas canções. 

Hoje lembrei-me intensamente dos dias que escutava as músicas da banda e sentia cada nota. Entretanto, infelizmente, em vez de trazê-las por meio de pensamentos mais esperançosos, as memórias emergiram tristemente. Senti meu coração espatifar-se no muro de uma realidade constrangedora e houve migalhas de momentos saudosistas por todos os lados. 

Ultimamente tenho sentindo-me vazia, desesperançosa e, talvez, carregando um grande carma: de achar que, em algum lugar, há pessoas diferentes, que valorizam o amor, acreditam nele, acreditam também nas boas ações, na ajuda desprovida de interesse, em fazer o bem, ou seja, por todas as razões teóricas que nos fazem únicos em nossa própria existência.  

Ao longo dos anos fui maltratada, não pelas convicções desses sentimentos bons, mas pelas pessoas diferentes de mim em que insisti em manter uma ligação. Um dos meus maiores erros foi ter amado alguém que destruiu minha própria imagem de uma pessoa que poderia e merecia ser bem cuidada. Todos os aprendizados são válidos, porém gostaria de ter recebido este em doses menos intensas. 

Com esta experiência, passei a questionar o que é um fato sobre alguém. Sempre escutava que as críticas negativas, tanto emocionais e físicas, relativas a mim eram a famigerada realidade. O que é a realidade? O que é um fato? Existe uma verdade universal sobre um ser humano e sua personalidade? Deveria aceitar e acreditar que uma mudança em minha essência seria de fato para meu bem ou para o bem daquele que queria manipular-me e que tudo funcionasse do seu jeito prático e frio? Custou-me (e ainda estou no processo) convencer a mim mesma que "ser única" e "desviada do padrão" não eram defeitos e sim minha própria identidade não muito bem compreendida pelos outros e muito menos respeitada: eu sou um peixe dourado podado por um aquário de vidro

Sim, isso caracteriza uma espécie de violência psicológica. É claro que eu sobrevivi, mas não sem sequelas. Olho a garota de dez anos atrás, cheia de sonhos e com a sede do conhecimento, que achava que os bons sentimentos e o amor eram as engrenagens que moviam o mundo. Tinha a concepção que, fora do meu cercado interiorano, não havia desuso neste campo. Hoje, já mulher, vejo que o meu minha cerca protegeu-me das decepções enquanto edificava meu próprio caráter. Apesar do bullying adolescente sofrido, pude construir e desfrutar de emoções puras e ter esperança sobre acerca de uma sociedade que pudesse fervilhar em conhecimento e ter mais bondade do que aquela em que vivi. Notei que tive contato cedo com a doação, a entrega, o amor e a cultura de muitas maneiras -  foram as minhas experiências de antes que seguraram-me no meu trajeto sem amargar em um poço de tristeza antes do que deveria. 

Sim, agora estou amargando nesse poço. E escrever é uma ferramenta que utilizo para livrar-me, por alguns momentos, da pesada máscara que carrego para não demonstrar, a quem não devo, o meu próprio desespero interior. 

Partilhar sofrimentos e angústias feriu-me muitas vezes, assim como sonhos e anseios. E sobre esse último, recentemente, surpreendeu-me a denominação sonhadora. De fato, no contexto inserido, senti-me uma pobre coitada que padecerá no mundo pela falta de praticidade e pela esperança ultrapassada - uma utopia digna de pena

Passei por tantos maus bocados - dor física crônica, medos, solidão, demonstrações de egoísmo, de falta de caráter, de exploração e de esperteza. Chorei e choro muitas vezes trancada porque não há ninguém com tempo, disposição ou entendimento (nunca, de verdade, ninguém tem tempo, sempre contado os minutos no relógio, muito atarefado com as coisas práticas, a ávida e feroz busca pelo conhecimento padrão, pela formação e a estabilidade profissional a todo custo). Abandonei as possibilidade da minha primeira formação acadêmica porque, por mais dinheiro que ela pudesse ter proporcionado-me, seria apenas mais um tijolo na parede, um modelo padrão, uma pessoa forjada e muito infeliz na área. Minha família comprou o meu segundo sonho: Física. Eu sempre ansiei por ser uma astrônoma e trabalhar com o estudo das estrelas e do Universo. E por ser um grande sonho, as quedas também são muitas. Eu cumpro uma pena, dia após dia, por essa escolha, não pelo conhecimento da Física e sua estrutura intacta e incorrupta, mas justamente pelo material humano. Sofro, não para adaptar-me, mas para sobreviver às mazelas das matérias difíceis dadas por professores, que além de serem maus profissionais do ensino, fazem questão de serem iconoclastas; por muitos colegas, bem mais jovens, muito cruéis e que somente sabem falar de números e cálculos de uma forma incrivelmente mecanizada (que sei: não é a única realidade, não aquela que eu quero e não a que meus modelos profissionais viveram). Vivo um pequeno inferno diário em pensionatos mal-estruturados, com muita bagunça, sem tranquilidade, sem segurança, sem lugar para preparar refeições, tendo que sair todos os dias para comer fora. O cotidiano de ônibus sucateados, com motoristas e cobradores mal-educados e passageiros ainda piores, e o pouco dinheiro do mês a esvair-se como água desanimam profundamente. 

Diante de todo o exposto, eu realmente não esperava escutar, um dia, um sonhadora (muito pela inocência de garimpar compreensão) tão entristecedor. Quem poderá colocar-se, um dia, em minha pele? Quem poderá ter uma reflexão coerente? 

É muito fácil julgar, o esporte favorito de muitos que conheço. Torna-se mais fácil ainda quando se está em uma casa confortável, contando com um carro para emergências, mesmo utilizando ônibus, acordando e tendo café da manhã para depois almoçar tranquilamente, voltando da universidade, cheio de dúvidas, raiva e angústia, e ter um lugar somente seu para repousar a cabeça, sem pensar todos os dias - "não poderei sair desse purgatório, pois não tenho condições.". 

Depois desse ocorrido, voltei para casa, no ônibus de sempre, sem noção do tempo. Fiquei triste pelos julgamentos e com a sensação de que o meu vazio aumentara. Pela primeira vez, sinto que o amanhã não vai ser melhor. 

Se fosse possível uma acolhida, eu bem que gostaria. Na verdade, apenas uma conversa saudável, animadora, com alguém que renovasse a esperança na beleza do acreditar, que não medisse o tempo, não falasse em compromissos, que não sobrepusesse sua voz sobre a minha, que desse-me espaço e compreensão, não se baseasse em aspectos físicos e valorizasse o todo, o conjunto de uma obra; que, finalmente, soubesse entender contextos. 

É assim que é ser sonhadora? Ou a sociedade acostumou-se e mergulhou em seu próprio caldo insosso e instantâneo? São muitos os questionamentos, realidades distintas e culpas. E este caminho tornou-se escuridão, cercado por águas turvas. 

Sim, mais do que nunca, agora, preciso manter as asas do meus pés feridos e cansados. Bem ou mal, eles mantêm-me ainda no caminho, sustentado minha alma taciturna e calejada.




sábado, 26 de julho de 2014

Perdas & ganhos

"Qualquer maneira de amor vale à pena
Qualquer maneira de amor vale amar
Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela

Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor valerá" 

(trecho da música Paula e Bebeto de Milton Nascimento e Caetano Veloso)


Há tempos não escutava tantas músicas boas no rádio. Pudera! Quase madrugada.

Reza a lenda que somente os fortes sobrevivem ao sonífero que o véu da noite faz flutuar no ar e, assim, os insones conseguem ouvir o silêncio na forma de um canto suave e o cheiro enebriante desse tempo transforma palavras soltas em verdadeiros saraus.

Foi-se James Taylor com Fire & Rain e lembrei-me de tempos de esperança, olhos azuis e uma vida que transformei em notória em meu próprio pensamento.

Rémy mordendo ao mesmo tempo comidinhas de
naturezas distintas - Nhami! Uma explosão de sabores!
Cena de Ratatouille/2007
Foram-se Rod Stewart e tantos outros que gosto. Por alguns bons minutos pensei: que gosto tem a boa música? Revitalização posso dizer, uma mistura talentosa de vida, assim parecida com as explosões de ideias que Rémy [Ratatouille] teve - juntando comidinhas de naturezas distintas .

E, nessa mescla de notas e sabores, eis que surge Milton Nascimento com Paula & Bebeto

Escutei atentamente. E foi aberto um pequeno livro com uma história por muito tempo inerente ao meu próprio ser. Muitas vezes senti não só vergonha das páginas que descreviam o que muitos chamam de bobice, porém, também, da fragilidade e incompreensão que compunham ainda mais folhas. 

Das últimas, tratei com fé [ainda permaneço na estrada da perseverança].

Há épocas com curvas sinuosas e cheias de dor. Uma dor que transforma e diz muito mais do que conselhos esquematizados. É o ritual das lágrimas da verdade. E este brilha como uma agulha de ouro em tempos que retalhos podem, com força de vontade, formar uma bela colcha de aprendizado e nova vida.

Contudo e a tão famigerada "bobice"? Transformou-se em amor sucateado [duro escrever A-M-O-R em certas situações - é o agoniante som do vidro arranhado por diamante, é despir-se no frio, quase uma violência].

E qual é a sensação do fim? O fracasso? Talvez. Mas os fracassos são bilaterais. Não há culpa solitária.

Amargo é o sabor do vazio preenchido pelo
orgulho ferido, o nó na garganta e o abatimento. É trabalhoso reconstruir-se e voltar a acreditar que as boas sensações podem alcançar a alma.

Porém continuar é fundamental. Marche, vida! Marche!

Sim, todas as formas de amor valem à pena, até mesmo as unilaterais, cheias de conflitos e mágoas.

E também são justas [essa dou crédito ao Lulu Santos].

E as engrenagens da minha própria história movem-se. 

Não é, ainda, a permuta das estações. Entretanto, para agora, busquei proteger-me dos respingos de outonos promissores que apenas prenunciavam um rigoroso inverno de solidão.









sábado, 19 de julho de 2014

Nebulosa Estelar

"Era uma vez um raio de luz. O raio de luz viu uma Drag Queen e desejou brilhar tanto quanto ela. Mas ele só brilhava na cor dourada, muito outono. Ele queria ser primavera. Sendo assim, teve, um dia, uma grande ideia: comprou purpurina de todas as cores. Jogou, fez chover e uma atmosfera de pó cintilante se fez: era o nascimento de uma nebulosa estelar."


T. S. Frank

Anjo de neve: a Sharpless 2-106 é uma belíssima região de formação
de estrelas localizada a aproximadamente 2 mil anos-luz da Terra.
A poeira cósmica e os gases criaram uma nebulosa que lembra um
“anjo de neve”.
Conhecendo um pouco de Astronomia...

Nebulosa

Matéria interestelar é toda matéria existente entre as estrelas. Sua concentração é da ordem de um átomo por centímetro cúbico, em média. Aos gás formado nesse espaço se juntam partículas sólidas, em geral denominadas poeira cósmica. Os gases são constituídos de hidrogênio atômico ou ionizado, de grãos sólidos, de partículas sólidas mal conhecidas, responsáveis pela extinção e polarização interestelar. A matéria interestelar aparece brilhante ou obscura, muito densa ou tênue. Forma imensas nuvens que são facilmente detectáveis aos telescópios ou astrógrafos* sob forma de enormes nebulosas brilhantes, como a Nebulosa de Órion, ou escuras, como o Saco de Carvão. As nebulosas podem ser:

1. Nebulosas planetárias: apresentam-se com camadas gasosas esféricas, que envolvem uma estrela quente. Seus aspecto é esverdeado, o que faz lembrar os planetas longínquos, que deram origem ao seu nome.

2. Nebulosas obscuras: o seu aspecto obscuro é facilmente perceptível quando em contraste com nebulosas brilhantes. Parecem sem proto-estrelas*, o que faz supor que sejam pontos de condensação no interior das nebulosas difusas. Pela dificuldade de estudo, sua natureza é bastante duvidosa e contraditória.

3. Nebulosas difusas: foram as primeiras a serem observadas. Apresentam-se como o espectro das nebulosas planetárias.

(Fragmento extraído de O Livro de Ouro do Universo do astrônomo brasileiro Prof. Doutor Ronaldo Rogério de Freitas Mourão. Editora Ediouro, 2000, p. 355-356)

Glossário 

*1 - Astrógrafo - um astrógrafo (ou câmera astrográfica) é um telescópio projetado para a Astrofotografia. Geralmente são usados ​​em estudos do campo extenso do céu noturno, bem como a localização de objetos como asteroides, meteoros e cometas .

*2 - Protoestrela (de acordo com a reforma ortográfica de 2013) -  é o resultado do colapso de pequenas nuvens (surgidas da fragmentação de grandes nuvens moleculares que sofrem com a sua própria gravitação) que possuem massa suficiente para formar uma estrela.

Fontes

Discovery Imagens Hubble

O Livro de Ouro do Universo/Mourão
Como as estrelas se formam? EAD - Astrofísica Geral - Observatório Nacional
Bicho papão da reforma ortográfica, entenda o Hífen - Gazeta Online


sábado, 28 de junho de 2014

Ferri durities temperatur igne, hominum poese et artibus*

"Eis que o tempo passou e os corações tornaram-se rochas polidas e refinadas, porém ainda rochas. A essência de passar para a nova geração a beleza do outrora perdeu-se. Os precursores das artes e poesia são desprezados e sobrevivem cabisbaixos e taciturnos, moribundos, de certa forma, em prateleiras empoeiradas. O futuro é preocupante. A relevância dos sentimentos descritos brilhantemente em palavras, tintas e notas que reluzem como gotas douradas de sol vagueia pelo escárnio - envelheceu. E os discursos limpos e prazerosos sobre ela estão em baixa.
Como sacerdotes da antiga Grécia em ruínas, os semeadores ainda espalham os grãos quase extintos. Todavia os frutos apodrecerão em uma estrada com muitos caminhantes. Se esse cenário se mantiver, em breve, lacunas que não poderão ser mais preenchidas serão uma realidade intransponível e as bases fortes e essenciais, consideradas antiquadas, logo serão derrubadas e substituídas. E será o fim daqueles que embelezaram o mundo apenas com a imaginação. E a dureza dos homens não poderá ser mais abrandada."



Colin Firth e Scarlett Johansson em Moça com Brinco
de Pérola (2003)
Em Moça com Brinco de Pérola (Girl with a Pearl Earring/Reino Unido/Luxemburgo/2003) há um diálogo que merece atenção: Johannes Vermeer (Colin Firth) explica a jovem empregada Griet (Scarlett Johansson) o que é uma base de cor, pois a moça indagou sobre um quadro que parecia não ter nenhum cor certa. Sendo assim, o pintor define que a base determina o tom, a sombra na luz, e quando esta seca, ele dá o acabamento. Para elucidar, pergunta a Griet de que cor as nuvens são e ela responde que são brancas. Vermeer sabia que Griet compreendia e espera pela resposta certa. Griet pensa mais e percebe que as nuvens possuem cores: amarelo, azul e cinza, ou seja, há cores nas nuvens. E ele finaliza: agora você entende. Mais tarde, no desfecho da história do filme, a esposa de Vermeer, furiosa, reafirma que Griet é analfabeta. Mas ela, a própria companheira de Vermeer, não é capaz de compreender a essência dos quadros dele, a beleza e a importância da demora na composição. A jovem empregada, mesmo iletrada, entende e admira, sabe o que pode mudar, por exemplo, a luz no estúdio e atrapalhar a pintura. Ela sabe que pode mover até mesmo um móvel de lugar para dar mais liberdade ao cenário de um quadro inacabado.

Em Os Contos Proibidos do Marquês de Sade (Quills
Kate Winslet em Contos Proibidos
do Marquês de Sade (2000)
/EUA/Alemanha/Reino Unido/2000
), a jovem lavadeira Madeleine (Kate Winslet) faz de tudo para que os livros do Marquês de Sade (Geoffrey Rush) sejam publicados, mesmo este estando decadente e confinado em um asilo. Ela adora ler os contos dele e os considera até mesmo divertidos e cômicos. O Marquês procura chocar, mostrando um lado proibido e faz uso desse para o entretenimento da sociedade. Só que não é aceito e muito menos bem visto. Porém faz sucesso no submundo e poucas pessoas o compreendem como Madeleine.

Nos dois exemplos há a quebra do muro do status social - o poder da compreensão é independente de saber ler ou não, de ser rico ou pobre. É como um instinto, mas somente inerente ao ser humano que nasce com ele.

E na compreensão das artes e da poesia reside, de forma cromossômica, a essência da humanidade - os sentimentos. Não os de origem vil e sim os que emocionam, despertam o amor, a compaixão e fazem rir. Esta percepção tira-nos da escuridão de bases mais selvagens e primitivas - os de posse, os territorialistas, os de sobrevivência a qualquer custo e do possuidor e do possuído. É uma janela aberta que é capaz de manter nossa alma limpa, mesmo com todas as sujeiras ao redor.

Agora vivemos, depois de épocas de frenesi cultural, um verdadeiro estupor, onde prevalece a insensibilidade. Não existe entendimento total das artes e poesia, muito menos da literatura mais trabalhada, ou das músicas mais esplendorosas.

Se estamos em época assim, como haverá o despertar da compreensão naqueles que nasceram e nascerão com essa percepção? Todos precisamos de estímulos e situações para descobrirmos o que nos fazem seres humanos, assim como Griet tinha as pinturas de Vermeer e Madeleine tinha as obras do Marquês. A pergunta que fica é: o que essa geração e a geração vindoura terão? Os novos alicerces são castelos de cartas e as referências diluídas. Sabe-se tudo sobre tecnologia, porém quase nada sobre a escrita. Sabe-se muito sobre a vida dos outros e muito menos como os de perto sentem-se. Sim, os corações transformaram-se em silício, silicone, plasma e LED. Não há tempo e nem vocação para doçura - a praticidade não deixa e o novo não importa-se com o velho.

Porém, enquanto houver uma fagulha da chama que mantém viva as artes e a poesia, bem como sua compreensão, sempre existirá esperança - uma das poucas dádivas que restou nessa caixa de Pandora em que vivemos.

E mesmo encoberto e, por muitas vezes, imaginário, ainda é um mundo maravilhoso, esperando apenas ser descoberto e sentido.

"Amai para entendê-las..." Bilac diria.

***


Palavras e frases latinas:

*Ferri durities temperatur igne, hominum poese et artibus
- a dureza do ferro é abrandada pelo fogo, a do homem pela poesia e pelas artes.

***


Fragmento extraído da parte XIII [Ora (direis) ouvir estrelas!] do poema Via-Láctea de Olavo Bilac, declamado por Juca de Oliveira, ator  e dramaturgo brasileiro.




quinta-feira, 15 de maio de 2014

Fase de dor...

"Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido." (Charles Chaplin, o último discurso do filme O Grande Ditador)


De todos os dias que posso me lembrar, esses fazem parte do rol dos piores: angustiantes, solitários e sombrios. Minhas lágrimas esvaíram-se pela demanda. Estou vazia. É como apenas levar, dias após dia, um peso invisível, indiferente para as outras pessoas. O ar me falta muitas vezes e crises de pânico se instalam e tomam conta por algumas horas excruciantes. 

É uma pequena história... Que se faz, agora, em uma tentativa de arranjo de palavras.

Tenho uma diminuição no espaço discal entre L5 e S1 (degenaração discal) que se arrasta desde 2011 (assim que cheguei a São Luís para o curso de Física). Na época, fiz fisioterapia, RPG - Reeducação Postural Global - e tive uma melhora considerável. O custo foi elevado, afinal, estava mergulhada em uma segunda vida de universitária tardiamente. Passei os dois anos seguintes mais ou menos, com algumas crises que não duravam mais do que dois ou três dias (com gelo ajudando a aliviar um pouco o desconforto). 

Como já relatei aqui, nas postagens de 2012, o meio deste ano foi de grande tristeza, perda de semestre e descrença. Tive o primeiro contato com o desespero, a incapacidade e a autoflagelação. As dificuldades que vinha enfrentando tanto no lado pessoal como no universitário, finalizando com um grave problema familiar, resultaram em uma inexplicável falta de ar que arrastou-se por dois meses. Estive por vários dias acamada, impossibilitada de qualquer atividade física e mergulhada em uma profunda apatia. Procurei ajuda médica. O primeiro, um pneumatologista, pediu um exame para detectar asma (pois sou asmática). Lembro que ao chegar no local para o mesmo, fui muito maltratada pelo realizador. Já estava bastante frágil nessa altura e fiquei ainda mais triste. Quando o resultado saiu, o pneumatologista disse que eu não tinha nada. Ele apenas falou que aquilo poderia ser uma "ansiedade" e ratificou o diagnóstico. Depois estendeu as mãos e se despediu (foi a partir daí que fui perdendo ainda mais a crença na medicina que é oferecida à maioria da população, com consultas a preços exorbitantes e que não há a preocupação em passar exames diversos, ou mesmo verificar o histórico de tristeza e problemas pessoais para, assim, ajudar no diagnóstico de queixas que, a primeira vista, não parecem ter sentido físico.). 

Nesta época eu morava eu um pensionato numa parte muito perigosa do centro da cidade, que poderia muito bem ser comparada com o submundo de uma Londres Vitoriana em pleno século XXI - com todos os tipos de crime, pessoas e cenas grotescas que se possa imaginar. 

Meu mundo estava completamente fragmentado e eu pensava somente em tristeza e dor. Dois amigos me ajudaram nessa fase. E, talvez, se não fosse por eles, poderia ter definhado naquele lugar, esquecida e desacreditada, pois, como constato hoje, raramente os outros se importam com a dor e o desespero do próximo. É quase um consenso de muitos (incluindo professores) que estes infortúnios são uma mentira, ou uma desculpa para não estudar. É a máxima do mudo instantâneo: você só vale quando está saudável e alegre. 

De onde esperei ajuda, esta não veio. E descobri na pele, da pior forma, o clichê mais verdadeiro desta terra: amigos e amores estarão do seu lado quando mais precisar, seja qual for o momento. Assim, mais tarde, foi-me revelado que perdoar é um ato muito complicado e que necessita de muita reflexão. Sou apenas um ser humano que tem todo direito de guardar mágoas (geralmente, por incrível que pareça, até este direito é tido por alguns como algo tão execrável que você passa de vítima a algoz.).

Até esta parte da história, eu já carregava comigo inúmeras decepções com o curso de Física e com pessoas que eu conheci e comecei a gostar. Muitas partiram meu coração, falaram mentiras, ou simplesmente [englobando o mundo machista], por algum motivo, suas vidas se tornaram um tédio e, para escapar disso, momentaneamente, viram em mim o objeto de entretenimento - uma gueixa ávida por encontrar verdadeiros sentimentos, entretanto apenas uma gueixa. E como as estações são efêmeras, o inverno passou. E elas voltaram para sua rotina, usando justificativas fáceis para maquiar o verdadeiro cenário. 

Eu estava cansada. Muito cansada. O grande sonho de ser uma cientista começava a se fragmentar e este se desfazia em mais pedaços a cada aula superficial de professores ruins, egocêntricos e iconoclastas, aliado ao fato de colegas que, fazendo jus a frase de Oscar Wilde "A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida." (Pen, Pencil and Poison - Pena, Pincel e Veneno), copiavam os piores exemplos de comportamento e sempre, mesmo falhando, diziam que tudo era muito fácil ou que sabiam o que, às vistas claras, era difícil e mal explicado - um verdadeiro show de gabolice.  

Perdi o semestre e voltei para casa. Descobri que tinha gastrite e um probleminha que fazia com que eu tivesse uma alergia respiratória devido a um refluxo (sim, maus hábitos, comidinhas noturnas, estresse, má alimentação, tristeza, café e muitos outros fatores.). Em três meses consegui recuperar a saúde e um pouco de fé. Porém o fato de ter quase 10 anos a mais do que muitos que estão em Física e ainda perder o semestre contribuíram para uma tristeza praticamente inerente. 

Assim... Final de 2012 e todo o ano de 2013. Alguns bons acontecimentos fizeram-se presentes. E, em um dia favorável do destino, em uma certa tarde, muito brilhante e ensolarada, eu vislumbrei e tive o que sempre quis. Um pequeno conto de fadas, uma lembrança excelente. E assim, ao cair da noite, tudo desfez-se. Sim, um presente merecido. Eu precisava voltar a acreditar que o mundo, mesmo feio e cruel para alguns, pode oferecer, mesmo que rapidamente, passagens marcantes e edificantes. 

Passou-se um certo tempo.... E cá estou em 2014. Mudei de endereço, contudo morando em pensionato ainda. Uma vida muito difícil, onde preciso me anular, baixar a cabeça, chorar quieta. E, claro, encarar a solidão como uma verdade universal.  É como estar de mãos e pés atados. Meu cotidiano não é mais do que uma atuação, um palco. Geralmente as pessoas ao redor estão quase sempre chateadas por qualquer fato, ou estão aborrecidas por dinheiro, isso e aquilo outro, reclamando aos montes, fazendo seu direito em cima do meu de também estar triste. Sinto-me obrigada a sorrir e dizer que está tudo bem, afinal, pelas leis naturais, a vida impõe quem deve gritar mais alto para ser ouvido. E, assim, quando volto para a casa provisória, no cubículo que chamo de quarto, posso ver a prisão que me cerca: além do frio desses dias chuvosos, ronda-me a atmosfera fortalecida de muita dor e falta de esperança. O medo é uma presença constante e fiel. 

E aqueles dias de dois anos atrás parecem ter deixado resquícios que hoje brotam. As dores lombares voltaram muito fortes. Fui ao médico e o problema se agravou. Descobri que, além da degeneração, tenho osteófitos [os famigerados bicos de papagaio]. Há quatro meses minha vida se arrasta com correntes que fazem um barulho audível só para mim. Tento, ao máximo, amenizar a situação para os outros. Pois sei, com a experiência já adquirida, que serão apenas palavras que não farão diferença alguma na vida dos mesmos. É mais um semestre que será perdido. Somente sinto-me bem nas aulas de Latim.  

Hoje faltei mais uma vez na faculdade. Acordei às três horas da manhã com dor. Antigamente considerava dormir uma forma de expurgar a melancolia do dia que passou. Todavia o sono está sendo interrompido. Então, nem isso tenho mais. Minha garganta está seca e causa-se uma agonia misturada com letargia. Tenho medo da volta da falta de ar. Estou esperando que ela se cure... Pelo menos para ter um mal a menos. 

(Chove muito... Não recordo de dias tão frios e cinzas... Um clima atípico e estranho: úmido e taciturno.)

Estou fazendo outro tipo de fisioterapia. E não estou sentindo melhoras. Meu castelo desmorona, pedra por pedra.

Tudo que eu queria, agora, era um tempo, um lugar para voltar e me curar das dores do corpo e da alma. Um pouco de aconchego, carinho. Nada de olhares de piedade, pena e bem distantes da ajuda que vem cheia de cobranças e da carga que mostra que eu sou um fardo. Queria estar longe da indiferença. Gostaria de sorrisos, de paz, de estar bem. Desejo o que nunca tive, uma outra vida, um recomeço. 

Tive que tomar uma difícil decisão. Alguns sentimentos são tão inexplicáveis ante aos fatos que fazem deles um acesso de loucura e pouco amor próprio que livrar-se dos mesmos é uma tarefa árdua, solitária e martirizada. Hoje percebo o mal que faço a mim mesma insistindo em mudanças que nunca virão, em respeito que nunca se fará presente e na reciprocidade que habita apenas o fantasioso. 

Vivo minha agonia e meu pesar. Lembranças de épocas ruins vão e voltam em solavancos. Espero, apenas, daqui algum tempo, contar que algumas feridas cicatrizaram. Enquanto isso, resta-me apenas esperar mais um dia dissipar-se. O tempo, então, é o único que me sobrou por inteiro.




sábado, 3 de maio de 2014

Levanta e anda!

"Irmão, você não percebeu que você é o único representante do seu sonho na face da Terra? Se isso não fizer você correr, chapa, eu não sei o que vai..." 

Álbum O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve 
Aqui/Emicida/2013
E era mais um dia frio, cheio de dores. Era hora de trabalhar, fazer algo, pensar  e achar soluções... Melhor... Dá motivo, sentido. Parece tudo tão perdido, oscilando harmonicamente no seno do ângulo de uma esperança diminuta.

Meus ouvidos e uma estação de rádio: trânsito, tolices, muita música ruim, uma balbúrdia de palavras mal empregadas e melodias de um doce artificial. Um cenário enjoativo, amenizado por um pequeno cristal reluzente: eis que uma música do Emicida fala justamente sobre a importância de continuar com os sonhos e buscar a motivação, mesmo em meio a dor e as tantas desventuras da vida, pois, afinal, quem pode mover a máquina das realizações e suas engrenagens senão nós mesmos?

"Quem costuma vir de onde eu sou, às vezes, não tem motivos pra seguir. Então levanta e anda, vai, levanta e anda, vai, levanta e anda. Mas eu sei que vai, que o sonho te traz coisas que te faz prosseguir."

Jesus ressuscitando a filha de Jairo
Afresco na Igreja de Chora, em Istambul.
São pequenas porções de reflexão sobre nós mesmos, um pouco aqui e um pouco mais adiante, a história de cada um em cada verso. O cotidiano duro [na proporcionalidade de cada vida], frangalhos de desejos envoltos em lágrimas e descrença. Porém assim como Jesus disse: "Levanta-te, garotinha!" para a filha de Jairo, devemos pegar nossos moribundos sonhos e trazê-los de volta à vida. 

"Eu sei, cansa, quem morre ao fim do mês: nossa grana ou nossa esperança. Delírio é equilíbrio entre o nosso martírio e nossa fé."

Não é fácil encarar a dor física e da alma, a falta de dinheiro e quase tudo esvaindo-se com a fluidez da água. Sonhamos com uma vida melhor, respeito, amor e o reconhecimento. A fase mais difícil é a perseverança - justamente o insistir, continuar e acreditar mesmo em tempos de dificuldade.

"Esses boy conhece Marx, nós conhece a fome. Então serra os punho, sorria. E jamais volte pra sua quebrada de mão e mente vazias."

Muitas pessoas nunca entenderão a dor daqueles que conhecem as amarguras e decepções do cotidiano. Para as mesmas é importante apenas ler e discutir sobre as mazelas da vida dos outros - é a busca do status da intelectualidade envolto na comodidade e nos louros dos mundos esfuziantemente coloridos. E do outro lado, no submundo cinza, partilhar as angústias é como gritar onde não existe ar para estabelecer a comunicação - uma pantomima sem plateia e a surdez da incompreensão.

[E lembrou-me George Orwell que, em suas andanças por Paris e Londres, muito mais do que enaltecer seu intelecto, quis sentir as aflições de uma vida de dificuldade extrema (mesmo que depois tenham sido essas impostas a sua própria vida) antes de relatá-las em seu livro sobre a pobreza.] 

Emicida contextualiza no agora o que Gonçalves Dias proclamou em tempos anteriores na Canção do Tamoio

"Viver é lutar. 
Se o duro combate 
Os fracos abate, 
Aos fortes, aos bravos, 
Só pode exaltar."

E nessa luta por viver nossos sonhos, com pés descalços e feridos, o amanhã melhor é fruto justamente do nosso ato de levantar e seguir em frente. 

Fontes:

O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui - Wikipédia em Português


  

terça-feira, 22 de abril de 2014

Notícias do front... Hurts

É uma época bem estranha, talvez muito mais triste do que as outras. Até aqui  uma sucessão de acontecimentos ingratos tem assolado a minha vida. Minha cabeça dói e a sensação de morbidade inebria todo este lugar. É o grande inverno da alma.

[Não me veio nenhuma trilha sonora, não desejaria clichês e nem lugares comuns. Ah, esse comum, o irmão siamês da superficialidade de hoje, da falta de palavras para classificação, do refinamento tão vagabundo quanto o mais vagabundo dos materiais existentes... Sim, lembrei, Ceremony do Joy Division e cantado pelo New Order... This is why events unnerve me, they find it all a different story...]

Bebi chá, bebi achocolatado, todos desceram sem gosto, sem vida. A casa e suas grades, seus problemas vulgares, fria, escura, tão triste como contos de orfanato.

Aflige-me a dor, não a psicológica, companheira inseparável das lembranças que surgem vez e também outra e que espalham um rastro vermelho no cubículo que intitulam de quarto, estou com a dor física dos velhos problemas de saúde que resolveram fazer uma visita.

É estranho até escrever sobre, pois escrever é uma arte tão nobre e agora tão esquecida que penso que deveria ser um ritual, uma purificação, mas neste momento custa-me pensar sobre como organizar as palavras.

O começo de ano veio com as típicas enfermidades de veraneio, mas que amedrontam muito os que moram sozinhos: infecções intestinais recorrentes, talvez, pelas comidas suspeitas e pelos desgostos que aparecem.

Gastei dinheiro que não deveria, investi em viagens que me trouxeram muitos dissabores e alguns dias de cama. Cheguei a conclusões que não queria. E, finalmente, voltei a sentir dores nas costas a ponto de procurar o médico novamente e constatar que minha coluna está muito comprometida.

Passei muito tempo deitada, remoendo muitas lembranças ruins e escolhas ruins. Estando sozinha, fico sem opção alguma e até o céu noturno, muitas vezes, me é negado, pois as grades da prisão intitulada de "casa provisória" não deixam espaço para observação.

Era só o grande sonho de trabalhar com aquilo que eu sempre quis. Mas tornou-se um grande e enorme pesadelo, sem volta, sem chances de recomeçar. Não posso recuar e não posso avançar. É um fígado comido pelo abutre das circunstâncias e que renasce apenas para ser devorado novamente.

Muitas vezes minha tristeza é alvo de escárnio. Sinto-me refém no próprio mundo que eu quis. Tornou-se feio, sujo e cheio de dor, com falsidade, ambições, pessoas erradas, de conversas erradas, de pensamentos tortos: o peixe em um aquário cheio de lodo. 

Compreender as pessoas ao redor está além das minhas possibilidades no momento e muito mais improvável está minha empatia pelas mesmas. Sinto falta de uma compreensão em larga escala. Sinto falta de alguém que diga: "independente do que acontecer, do que resultar, vamos te apoiar e estaremos do seu lado."

Fase, trajetória, estigma, tantas denominações... Dos fatos cômicos e trágicos desta vida a que, por vezes, me assombra é a paixão. Queria ter o dom de transformar um grande erro de quatro anos em uma história no nível de Woody Allen, um roteiro para a arte, espalhado pelo mundo em forma de recuperação e cicatrização [não só esta história, mas todas as posteriores que ficaram muito longe de um final feliz]. Foram muitas feridas, muitas palavras duras e pontiagudas professadas em nome da clareza. No nível psicológico, ataques gratuitos por erros ou por desconhecimentos naturais cabíveis a qualquer ser humano; nível físico, também em palavras: o objeto, eu, que precisa manter a mesma forma, sem alma e coração, que ousou ter um acréscimo e teve que escutar pedras em forma de reprovações.

Claro, depois do choque e do afastamento da fonte de angústia e mágoas foi quase instintivo tentar achar diferentes modos de agir em diferentes pessoas. Nem sempre aqueles que parecem, no começo, gentis, amáveis, conservam por muito tempo essas características se isso tudo for só um embuste. Poderia agradecer ao fato de mudanças repentinas de comportamento, uma salvação da superficialidade dos dias de hoje, mascarada por gostos finos, subcultura pop, etc, etc. Uma vez foi-me permitido constatar que as melhores lembranças, mesmo as de um dia apenas, não necessitaram de lugares caros, passeios de carros... Bastaram apenas boa vontade, ônibus e uma pessoa disposta a tornar o dia leve, bonito e sem pressões.

Dizem que nada dura para sempre, nem mesmo a tristeza, porém, se houvesse permissão, desejaria que fosse o tempo de mudanças, onde finalmente há a permuta das estações.