sábado, 28 de dezembro de 2013

Curiosidades cinéfilas: Overture, Intermission e Entr'acte

Caro (a) leitor (a), imagine comigo...

Você estava numa boa, pensando em qual filme assistir nesse fim de ano letárgico e preguiçoso e teve a brilhante ideia de ver Ben-Hur ou algum outro com um nome em Latim, quem sabe Quo Vadis...

Comprou aquela Coca-Cola geladinha, fez a velha pipoca de micro-ondas, colocou o DVD e ... Durante uns 6 minutos você se deparou com um grande OVERTURE, enquanto tocava a trilha sonora do filme. "Tudo bem, já passou", você pensou. E não é que duas horas depois apareceu um grande INTERMISSION e logo em seguida um ENTR'ACTE e mais e mais trilha sonora de novo...

NÃO É POSSÍVEL, Jesus!

Mas por que isso aconteceu?
Vamos às respostas! E, quem sabe, você passará a gostar desse velho modelo dos filmes de antigamente.

 
Overture Ben-Hur/1959

Overture – era uma abertura estática que tinha a finalidade de mostrar a trilha sonora, geralmente usada para aqueles filmes épicos, como Ben-Hur e Quo Vadis, por exemplo. O uso dela permitia que as pessoas entrassem no cinema e se acomodassem antes do filme começar. Também era uma premissa para mostrar a essência do filme. O ano de 1979 marcou o desuso da Overture, sendo que os últimos filmes a utilizá-la foram Jornada nas Estrelas – O Filme (Star Trek: The Motion Picture) e Abismo Negro (The Black Hole). Porém, a partir do último citado, as Overtures foram utilizadas somente nas chamadas roadshows, que são mostras limitadas de filmes, sendo retiradas no momento em que esses entram em circuito nacional, como aconteceu com Greystoke: A Lenda de Tarzan, o Rei da Selva (Greystoke: The Legend of Tarzan, Lord of the Apes/1984), O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas/1994), Dançando no Escuro (Dancer In The Dark/2000), Cruzada (Kingdom of Heaven/2005), mas preservada na Versão do Diretor e Melancolia (Melancholia/2011).


Alguns filmes que utilizaram a Overture:

· King Kong (1933)
· E... O Vento Levou (Gone with the Wind) (1939)
· Vidas Amargas (East of Eden) (1955)
· Ben-Hur (1959)
· Spartacus (1960)
· Amor, Sublime Amor (West Side Story) (1961)
· Lawrence de Arábia (Lawrence of Arabia) (1962)
· Minha Bela Dama (My Fair Lady) (1964)
· 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey) (1968)
· Jornada nas Estrelas – O Filme (Star Trek: The Motion Picture) (1979)
· Abismo Negro (The Black Hole) (1979)


A lista completa dos filmes que utilizaram Overtures você encontra AQUI.

Intermission Ben-Hur/1959

Intermission - era o intervalo nos filmes que tinha uma finalidade prática: facilitar a substituição dos rolos de filmes. Porque em um filme Épico, com umas quatro horas de duração, isso precisava ser feito sem deixar o espectador irritado. E servia para mostrar mais ainda a trilha sonora, geralmente, primorosa. O público podia aproveitar para fazer outras coisas também, como esticar as pernas, ir ao banheiro e comprar guloseimas.


Alguns filmes que utilizaram o Intermission:

· O Nascimento de Uma Nação (The Birth of a Nation) (1915)
· E... O Vento Levou (Gone with the Wind) (1939)
· Fantasia (1940)
· Os Sete Samurais (Seven Samurai) (1954)
· Ben-Hur (1959)
· Spartacus (1960)
· O Rei dos Reis (King of Kings) (1961)
· Lawrence de Arábia (Lawrence of Arabia) (1962)
· Cleopatra (1963)
· Deu a Louca No Mundo (It's a Mad, Mad, Mad, Mad World) (1963)
· Minha Bela Dama (My Fair Lady) (1964)
· Doutor Jivago (Doctor Zhivago) (1965)
· Help! (1965) [Beatles] (Intervalo inferior a 10 segundos)
· A Noviça Rebelde (The Sound of Music) (1965)
· Grand Prix (1966)
· 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey) (1968)
· O Poderoso Chefão (The Godfather) (1972)
· Os Cowboys (The Cowboys) (1972)
· Mais Forte que a Vingança (Jeremiah Johnson) (1972)
· O Poderoso Chefão Parte II (The Godfather: Part II) (1974)
· Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python And The Holy Grail) (1975)



Intervalo inferior a 10 segundos

· Barry Lyndon (1975)
· Gandhi (1982)
· Neon Genesis Evangelion: Death & Rebirth (1997)


Entr'acte Ben-Hur/1959


Entr'acte - foi feito para aparecer logo após o Intermission, mostrando que era chegado, como no teatro, o segundo ato. Não tinha somente a finalidade de ser um intervalo para a troca de rolos. Como no filme Ben-Hur, o Entr'acte mostra o começo da nova jornada do herói. 


E por que entraram em desuso?

Com o passar dos anos, a tecnologia fez com que a mudança dos rolos fosse imperceptível. Se O Hobbit/2012 fosse de 40 anos atrás, teríamos nele, com quase absoluta certeza, Overture e Intermission (talvez com Entr'acte).


Fontes:

Abertura - Wikipédia em Português
Overture - Wikipédia em inglês
Intermission - Wikipédia em inglês
Entr'acte - Wikipédia em Inglês
Roadshow - Wikipédia em inglês

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Crítica da semana: Sede de Viver (Lust for Life)/1956

"Van Gogh foi o gênio incompreendido, marcado por falhar em aspectos importantes de uma época ainda fechada para a liberdade de expressão. Apenas desejou achar seu lugar no mundo, um mundo em tons de amarelo energético. E com Sede de Viver, Kirk Douglas transforma-se na vivacidade de Vincent - sua vida e suas histórias com a essência de seus quadros - muita intensidade."

Pintores (as) e escritores (as) têm muito em comum - o reconhecimento póstumo. E os (as) maiores (as), quase sempre, são os (as) que enlouqueceram pelo meio do caminho ou sucumbiram à pressão de uma sociedade não preparada para a gama de ideias e opiniões dos mesmos (as), por exemplo: Edgar Allan Poe, o grande escritor dos contos de terror e suspense, que influenciaria Arthur Conan Doyle e Agatha Christie mais tarde, acabaria retirado da sarjeta, delirando antes de morrer; Vermeer, o pintor da luz e perfeição técnica, viu-se na pobreza e, por dever muito e não ter mais condições de sustentar a família, morreu de um ataque do coração. Sendo assim, não foi diferente com Vincent van Gogh. Sua vida curta, cheia de histórias e incompreensão, terminaria de forma trágica aos 37 anos. E coube ao filme Sede de Viver (Lust for Life/EUA/1956) retratar com maestria essa trajetória. A película traz atuações espetaculares de Kirk Douglas (Vicent van Gogh) e Anthony Quinn (Paul Gauguin).

O filme merece ser comentando desde a abertura, com o emblemático Leo The Lion da MGM (em sua época de ouro), passando pelas mãos firmes e certeiras do diretor Vicente Minelli (sim, o pai da Liza e, na época do filme, já divorciado da Judy Garland) e terminando com um mosaico das obras originais de van Gogh vindas de museus e coleções particulares.

A história começa em 1877, mostrando o serviço religioso de Vincent em uma vila de mineiros na Bélgica. Vivendo em condições deploráveis e sem dar notícias, van Gogh preocupa o seu irmão Theo que aparece e o leva novamente para a Holanda. Van Gogh aos poucos recupera-se, porém uma desilusão amorosa o faz mudar para Paris, onde seu irmão Theo trabalha como negociante de artes. Na grande cidade, ele faz contato com diversos artistas impressionistas e conhece aquele que viria a ser seu maior amigo, Paul Gauguin. Influenciado por Gauguin, van Gogh vai atrás de lugares ensolarados para pintar e muda-se para a Bretanha. Algum tempo depois, Gauguin vai morar com ele. A situação precária em que os dois vivem e a deterioração mental de van Gogh fazem com que os dois não continuem juntos. Theo vai em socorro do irmão que pede a ele para ser internado em um manicômio.

O filme possui cores altamente vivas que caem como uma luva no enredo. É como enxergar através dos olhos do próprio Vincent e sentir sua agonia e seu desespero (desconfia-se que o pintor via tudo em amarelo, a chamada Xantopsia, talvez por beber absinto demais, ou fosse daltônico; também há a suspeita de que sofria de esquizofrenia ou de transtorno bipolar). Despojado dos bens materiais, ele estava onde o povo estava, vendo e pintado os agricultores colhendo, os ventos soprando nos campos, a boemia embriagada, as estrelas incandescentes, luzes e mais luzes.

Todo este trabalho rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para Anthony Quinn, além das indicações nas categorias de Melhor Ator, Melhor Direção de Arte e Melhor Roteiro Adaptado. Kirk Douglas recebeu o Globo de Ouro de Melhor Ator Dramático daquele ano por seu papel no filme.

Há pouco para reclamar, a não ser minúcias, desta bela obra: a falta da cena completa da orelha cortada (uma das melhores do filme e a mais emblemática da vida de van Gogh) que geraria a concepção de Autorretrato com a Orelha Cortada. Sabe-se que este famoso quadro do pintor foi concebido em 6 de janeiro de 1889 e a orelha foi-se antes, em 23 de dezembro de 1888. Porém a pintura não é vista em parte alguma do filme, nem mesmo no mosaico final.

Não há como finalizar sem mencionar o trabalho da grande lenda das trilhas sonoras: Miklós Rózsa. Responsável pelas composições dos épicos Ben-Hur e Quo Vadis, Rózsa criou para Sede de Viver uma das trilhas mais belas do cinema. Infelizmente a trilha não foi indicada ao Oscar. Um grande erro!

Se você é amante das artes ou só conhece van Gogh porque alguém na sala de aula um dia quis cortar a própria orelha, este é um filme altamente recomendável. Uma das grandes maravilhas de uma época salpicada com o amarelo dourado dos grandes atores, atrizes, estúdios, diretores e composições musicais.

Trailer


Trilha sonora [parte final - a parte da abertura é ainda mais bonita, mas ainda não foi disponibilizada no youtube]

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Notícias do front: épocas e nuances cinzas

Difícil é escrever, olhar ao redor e notar que o tempo desejado foi-se há anos.

Mudaram as estações e de uns meses para cá a inspiração para escrever desapareceu em meio a um nevoeiro de acontecimentos.

Muitas pessoas perderam minha consideração. E, muitas vezes, sair do meu cubículo para lidar com certos tipos é a tarefa mais árdua existe.

Não há como descrever a falta de senso, de cultura e, muitas vezes, bondade que assola a maioria dos jovens. São como robôs, muito bons em um ou dois aspectos, mas que acusam erro em outros mais sutis e humanos.

A pobreza de pensamento é ainda pior junto com agressividade vazia de argumentos. Eis uma narrativa simbólica:

"Um dia estava a escutar música clássica e certa criatura desprovida de qualquer característica requintada ou que a torne humanamente suportável disse que ao menos o funk carioca tem letra."

Sinceramente, diante desse exposto, fico a pensar no fato egoísta de isolamento do mundo.

E não se engane! Essas pessoas são justamente as que têm a oportunidade de frequentar uma universidade.

Eu perdi minha fé em certos aspectos. E muito de vez em quando, há alguns lampejos de salvação. Porém esmorecem diante das facilidades na estrada da vida.

Quanto mais jovens são, mais preconceituosos. E são assim em toda
s as áreas ou padrões que aos olhos dos mesmo não merecem existir. Acho que nesses dois anos, já fui vítima de certas brincadeiras, por exemplo, por escutar Chopin, ou ler um George Orwell, ou ter mais idade do que a maioria, ou ver um filme com Charlton Reston. São fatos inconcebíveis no meu mundo e no que acredito que faça um uma pessoa ser realmente uma pessoa: amar as artes, dar valor ao passado, respeitar as diferenças e basear o futuro em alicerces mais sólidos.

Esses dias sinto que o lugar mais atraente é o meu quarto e arrastar-me para fora dele significa voltar ao mesmo extremamente decepcionada a ponto de querer apenas dormir por uns dois dias antes de ter certeza que quase tudo está perdido em relação ao ser humano.

Continuo nessa caminhada, com paradas e reflexões, então. Não há modo de não sair ferida, mas existem maneiras de, talvez, desviar de algumas pedradas. Defender o que se acredita requer a maior e mais difícil virtude: paciência.


28 anos


Passou-se o dia 22 de novembro e agora mais um ano, dos tantos e muitos que desejo. 
Um aniversário diferente: a velha tristeza sentou-se para comer um pedaço de bolo, enquanto a alegria de um dia pintou-se com notas florais azuis e inundou o ambiente, declamando Vinicius. 

Soneto de Aniversário 

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

(Rio, 1942)

(Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 451.)


domingo, 13 de outubro de 2013

Novas vozes da Soul - Charles Bradley

Mas antes de tudo...

Querido (a) leitor (a), você deve estar cansado de escutar as mesmas frases clichês sobre o chafurdado cenário musical atual. São mais e mais lamentações de viúvos e viúvas querendo um revival do antes.

Porém o que se tem não é mais do que o reflexo da nova geração que não gosta de ler e acha que as regras gramaticais deveriam ter o mesmo destino do Latim. Meninos e meninas que vivem ornamentados com todos os aparatos que os tonam fisicamente porta-vozes de uma geração superficialmente rica: sua bases são fracas como um edifício construído com material de quinta, têm asco do passado e não possuem bagagem para analisar o impacto, por exemplo, de um disco do Marvin Gaye. Todavia entendem tudo de tecnologia e destroem os 1000 níveis de um videogame em menos de um mês. São muito bons em algo, mas só nisso. São robozinhos que ficam ouriçados por qualquer asneira. E compram brigas que levam mais de 500 comentários no Facebook para acabar. Não raro hasteiam a bandeira de que tudo que refere-se a cultura deveria ser destruído porque não é tecnológico. Já escutei tantos absurdos do nível de 'funk carioca é o movimento cultural de um povo' ou 'todo o arsenal da arqueologia deveria ser demolido em nome do progresso da urbanização'.

E por que eles têm tanta influência hoje? Porque são uma geração forte economicamente e que detém o poder de compra. Maravilha mesmo para os mesmos é viajar na fumaça de um beck escutando a nova banda do último minuto e que vai envelhecer na velocidade em que o Benjamim Button ficou novo. E se assim é, segundo a lei que rege o mercado, agradar essas mãozinhas tão benevolentes é mais do que esperado. Mídia é isso, reflexo das gerações. E não adianta lamentar ou esbravejar tempos que já foram-se. O problema é mais profundo e a perspectiva muito sombria, afinal, quem vai ensinar a sucessora dessa geração a redescobrir os valores da polivalência? Contudo há sempre o outro lado. Não mais aquele em que concertos de rock faziam a cabeça de milhares de jovens enquanto os mesmos procuravam livros do Lewis Carroll para entender Dark Side of Moon e viam O Mágico de Oz mesmo sendo de um passado distante. Música boa há aos montes, acredite! E hoje vou apresentar um belo exemplo. Agora cabe a você usar a sua internet para algo melhor do que bisbilhotar o mundo azul.

***

Charles Bradley saiu das ruas para nos mostrar que a Soul continua viva. Sua história parece mais um enredo de filme: fugiu de casa na adolescência e morou durante dois anos nas ruas e nos metrôs. Arrumou emprego como cozinheiro-chefe, através de um programa do governo. Foi aí que alguém disse que ele parecia com James Brown. Mesmo com medo de cantar, montou uma banda que fez alguns shows, mas que teve que se desfazer porque seus colegas foram convocados para Guerra do Vietnã. Depois disso continuou no emprego de cozinheiro por 10 anos. Decidiu viajar, passou por Nova Iorque, Seattle, Alasca, Canadá até se estabelecer na Califórnia onde manteve empregos temporários e fez pequenos concertos durante 20 anos. Voltou para Nova Iorque em 1996 para se apresentar como sósia do James Brown com o nome de Black Velvet. Passou perrengues e quase morreu por um erro médico. Durante o período como Black Velvet foi descoberto por Gabriel Roth, co-fundador da Daptone Records. Mais tarde, em 2011, veio seu álbum de estreia. Na primavera de 2012 foi lançado Soul of America, um documentário dirigido por Poull Brien, que conheceu Bradley quando dirigiu o videoclipe para a música The World (Is Going Up In Flames). O filme conta a história de Bradley desde sua infância na Flórida, passando por seus dias de mendigo e seus shows como Black Velvet. O filme termina com sua primeira turnê e a gravação do disco pela Daptone.

Então, com um Charles Bradley enchendo o cenário musical com a vivacidade da Soul, você ainda vai se lamentar por ter que ouvir forçosamente as músicas descartáveis da Lady Gaga ou de qualquer outra pessoa que se diz artista? Espero que não. Mova-se! Pegue um soultrain e trate de comprar os dois ótimos álbuns que estão abaixo. Divirta-se!


No Time for Dreaming - 2011

Ficha técnica:

Data de lançamento: 25 de janeiro de 2011
Duração: 42:30
Gênero: R&B
Estilo: Retro-Soul
Críticas: 4 estrelas das 5 possíveis (All Music)
Prêmios/Nomeações: a revista Mojo classificou o álbum como #40 dos 50 Melhores Álbuns de 2011.
Citações de críticos: "É inacreditável que este sujeito tenha lançado seu primeiro disco aos 62 anos de idade. Com um vozeirão de trincar paredes de concreto e um modo arrebatador de cantar letras muito tristes, ele gravou um daqueles discos de soul /R&B que faria o próprio Hitler chorar como um adolescente emo. Os arranjos são sensacionais e a voz do cara... Meu Jesus na cruz!" (Régis Tadeu, Os 10 Melhores Álbuns de 2011, 2011, Yahoo)

Faixas

1. The World (Is Going Up in Flames) (Bradley, Brenneck, Mike Deller, Leon Michels) 3:22
2. The Telephone Song (Brenneck, Dave Guy, Michels, Homer Steinweiss, Fernando Velez) 3:48
3. Golden Rule (Bradley, Brenneck, Michels, Nick Movshon, Steinweiss) 3:29
4. I Believe in Your Love (Bradley, Brenneck, Michels) 3:54
5. Trouble in the Land (Brenneck, Michels) 1:02
6. Lovin' You, Baby (Bradley, Brenneck) 5:27
7. No Time for Dreaming (Joe Quarterman) 2:52
8. How Long (Bradley, Brenneck, Guy, Michels, Steinweiss) 3:54
9. In You (I Found a Love) (Bradley, Brenneck, Michels) 3:21
10. Why Is It so Hard? (Bradley, Brenneck, Michels, Steinweiss) 4:09
11. Since Our Last Goodbye (Brenneck, Michels, Steinweiss) 4:16
12. Heartaches and Pain (Bradley, Brenneck)

Victim of Love - 2013

Ficha técnica:

Data de lançamento: 02 de abril de 2013
Duração: 40:21
Gênero: R&B
Estilo: Retro-Soul
Críticas: 4 estrelas das 5 possíveis (All Music)
Considerações: aclamação universal dos críticos de música

Faixas

1.  Strictly Reserved For You (Charles Bradley, Thomas Brenneck, Adam Feeney) 3:43
2. You Put the Flame On It (Bradley, Brenneck, David Guy, Leon Michels, Nick Movshon) 3:49
3. Let Love Stand A Chance (Bradley, Brenneck) 3:59
4. Victim of Love (Bradley, Brenneck) 3:29
5. Love Bug Blues (Brenneck, Lamont Dozier, Guy, Michels, Brian Holland, Eddie Holland, Movshon, Homer Steinweiss) 3:00
6. Dusty Blue (Victor Axelrod, Brenneck, Guy, Michels, Movshon, Steinweiss) 3:22
7. Confusion (Bradley, Brenneck, Guy, Michels) 3:45
8. Where Do We Go From Here (Bradley, Brenneck, Guy, Daniel Foder, Michels, Adam Feeney, Steinweiss) 3:11
9. Crying in the Chapel (Bradley, Brenneck) 3:55
10. Hurricane (Bradley, Brenneck, Guy, Michels, Mavshon, Michael Deller, Steinweiss) 3:32
11. Through the Storm (Bradley, Brenneck) 4:32

Vídeos




Fontes: 


Vale a pena ler:

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Noturno

Tão silencioso é teu olhar
Que não precisas dizer nada.
És manhã orvalhada,
Céu cinza e cristais de luz.

Tu que vens nessa calmaria
E teu caminhar é um Noturno de Chopin.
São notas musicais da Ópera Nove
Segunda parte de café e esperança.

Suavemente cobre-te de luz.
Não mais dourada
E nem esfuziante de outrora.

Muito além é teu rosto,
Que diz tudo e muito mais
Do que todas as palavras já geradas.

T.S. Frank



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

E a terceira temporada de Sherlock/BBC?


Bem, a espera pela temporada de Sherlock/BBC é bem longa e já está praticamente intrínseca às novas temporadas, pois o mesmo fato aconteceu com a segunda. Até a presente data da postagem, não há previsão para que os episódios já gravados sejam finalmente liberados, mas o alívio é que provavelmente já está em fase de pré-produção, ou seja, apenas os últimos retoques.

A data colocada para a estreia, segundo os rumores, é apenas em janeiro de 2014. Porém nada confirmado pela produção. Aliás esta é tão misteriosa quanto a maneira [SPOILER] como Sherlock conseguiu enganar a todos e fingir a própria morte.

O que tem-se, segundo as informações do blog Snail Trail, é o seguinte:

1. A justificativa da demora:

“Acidentalmente, a forma como fazemos os episódios cria um grande intervalo entre as filmagens, de forma a que Benedict e o Martin possam ir fazer grandes filmes e depois regressar para o programa que todos adoramos. Se mantivermos este modelo, é ideal." (Steven Moffat em entrevista, retirado de Como está Sherlock desde de abril [4], 13/09/2013, blog Snail Trail)

2. A data de estreia:

“Não sei de onde veio o último rumor quanto à data de transmissão de Sherlock ser 01/04. Não de mim, pois a data de transmissão ainda não foi confirmada.” (Sue Vertue em entrevista, retirado de Como está Sherlock desde de abril [4], 13/09/2013, blog Snail Trail)

3. [SPOILER] Sobre as gravações da revelação de como Sherlock caiu e não morreu:
“Nos fizemos algumas cenas falsas.” (Jeremy Lovering, realizador de The Empty Hearse, em entrevista, retirado de Como está Sherlock desde de abril [4], 13/09/2013, blog Snail Trail)

O que pode-se fazer diante desses fatos? Apenas esperar ou ver as grandes produções que Benedict Cumberbatch e Martin Freeman estão fazendo no cinema. Nosso querido Sherlock está em filmes de grande destaque como Além da Escuridão - Star Trek, 12 Anos de Escravidão e O Quinto Poder (biografia de Julian Assange e sendo o mesmo). Martin continuará na saga do Bilbo Bolseiro, depois de o Hobbit: Uma Jornada Inesperada, agora vem O Hobbit: A Desolação de Smaug. Aliás, quem é a voz do Smaug? Isso mesmo, Benedict Cumberbatch!

Tem mais novidades também no quesito vilões: como [SPOILER] o Moriarty saiu de cena, temos agora um novo arqui-inimigo do nosso querido Sherlock:

"[...] a produtora Sue Vertue divulgou a imagem de Charles Augustus Magnussem, personagem que desafiará Holmes e Watson. Ele será interpretado pelo ator dinamarquês Lars Mikkelsen (Forbrydelsen, Those Who Kill), irmão de Mads Mikkelsen (Hannibal). Ainda não foram divulgados detalhes sobre o personagem, mas é possível que ele seja a adaptação de Charles Augustus Milverton, o rei dos chantagistas, que é apresentado na obra de Arthur Conan Doyle. Ele aparece no conto The Adventure of Charles Augustus Milverton, publicado em 1904.” (Conheça o Novo Desafio de Sherlock, revista Veja, 29/07/2013).

Bem, agora fiquem com os nomes dos três (sim, de novo e de novo, só três)

1. The Empty Hearse – O Caixão Vazio (referência: o conto A Casa Vazia, do livro A Volta de Sherlock Holmes)

2. The Sign of Three – O Signo dos Três (referência: o livro O Signo dos Quatro; para quem leu o livro… Sabe que vem personagem nova por aí…)

3. His Last Wow – A Última Promessa (referência: o livro O Último Adeus de Sherlock Holmes... E isso pode ser o fim da série... Ou não...)

Por enquanto é isso, queridos (as) leitores (as). Quando saírem mais novidades, estarei aqui para passar para vocês. Aproveitem e vejam o Teaser da terceira temporada e as fontes consultadas!

E vamos vendo a primeira e a segunda temporadas pela zilhonésima vez.

Fontes

Blog Snail Trail – Tudo sobre Sherlock/BBC!
Sherlock BBC Brasil

Postagem do CQ&Sherlock - Sherlock/BBC
Postagem do CQ&Sherlock - Benedict Cumberbatch

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Notas de uma madrugada como outras de tantos anos

Dor e medo... E o par dessas madrugadas calmas é um ponto negro cheio de mistério e com cheiro de café. É época de desesperança, sendo que o único som que traz animação ficou no passado. O tilintar da máquina de escrever não ressoa mais.

A expressão de vida também é um pouco de desespero interior em silêncio, uma angústia tenaz em meio à loucura que faz-me sentir como um peixe frio, congelando em meio ao meu próprio mundo de águas turvas.

Sou tristeza disfarçada de alegria: uma boba da corte, uma clown de Shakespeare, um desalento.

Ah, vida, poderia lamentar-te dias e dias. Contudo meu pequeno aquário possui bolhas azuis brilhantes que refletem vidas que um dia desejei ter.

Sou alegria momentânea tão esfuziante que tenho medo das horas contadas em que abraça-me.  

Caminho nessa estrada cinza, velha companheira de uma vida. Agora tenho uma nova pérola para lembrar-me do que sempre quis.

Os sentimentos unilaterais um dia podem ser bilaterais, concluo. Porém é uma estrada espinhosa e rastros de pequenos cortes carmim  e lágrimas despertam a agonia de não se ter o que as outras pessoas conseguem sempre.

Sim... O amor... Tão distante, vislumbrado em uma janela com vidros espessos: sorrisos ecoam, vidas se fazem e outras vidas surgem. Um filme repetido, a mesma valsa e o mesmo
céu... Dos outros, sempre dos outros.

Sou a solidão de Prometeu. E, talvez, um dia minha punição seja revogada.


CQ&Sherlock no Top Blog 2013

Queridos (as) leitores (as) e amigos (as) do Café Quente & Sherlock...
Pois bem, recebi MAIS um e-mail dizendo que nosso querido cantinho foi indicado ao Prêmio Top Blog 2012 [quem indicou, MAIS UMA VEZ, não se sabe...].
Então, fiquem à vontade para votar no CQ&Sherlock!
O Selo está no lado esquerdo do blog.



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

E Deus esculpiu... Ava Gardner


Se um uma palavra, única e exclusiva, fosse suficiente para definir a figura de Ava Gardner essa seria: aparição.

A primeira vez que vi uma foto de Ava, por causa de outra admiração, Frank Sinatra, tive a sensação de que aquela mulher foi desenhada cuidadosamente por algum malicioso artista do Olimpo que pretendia, exclusivamente, incitar a indagação de como alguém poderia possuir uma beleza tão exultante.

Porém ser apenas ‘o mais belo animal do mundo’ [denominação dada poeta Jean Cocteau devido ao seu olhar de gata descrito por colegas de estúdio] não seria suficiente. Seu rosto dizia mais. Então, precisava ver o que mais Ava Gardner tinha a oferecer.


Nasceu em 24 de dezembro de 1922, em Grabtown, Carolina do Norte, EUA. No começo foi modelo. Pouco tempo depois, foi para telas de cinema e fez filmes como, Assassinos (1946) Mogambo (1953 - que lhe rendeu uma indicação ao Oscar), A Condessa Descalça (1954), E Agora Brilha o Sol (1957), A Noite do Iguana (1964) e vários outros títulos.

Tão movimentada como sua carreira de atriz, a sua vida pessoal era motivo de grande interesse e burburinhos nos bastidores. Casou-se oficialmente três vezes: com o ator Mickey Rooney (1942-1943), o bandleader de jazz Artie Shaw (1945-1946) e Frank Sinatra (1951-1957), que deixou a esposa anterior, Nancy, por ela. E a eles somam-se os romances, como, por exemplo, o bilionário Howard Hughes (que foi retratado no filme O Aviador - The Aviator - de 2004)). A vida de Gardner merecia um livro de Raymond Chandler.

Ava é a #25 na lista do American Film Institute (AFI) das Maiores Estrelas Femininas do Cinema.

A atriz não teve filhos e ao fim da vida, com a beleza que a alçou ao Olimpo cada vez mais distante, não tinha mais o glamour e nem mais o dinheiro de outrora. Quando pesquisei, poucas fotos pude achar dessa época.

Não sei se Ava era pretensiosa ou convencida. Havia uma certa rivalidade (com ajuda da mídia) entre Gardner e Elizabeth Taylor. Segundo o livro Ava Gardner: The Secrets conversations, de Peter Evans, uma vez ela disse - "Elizabeth Taylor não é linda, ela é bonita. [...] Eu fui linda." ("Elizabeth Taylor is not beautiful, she is pretty,” Ava informs Snyder. “I was beautiful.”)*.

Prefiro ver Ava como um ícone da década mais dourada e clássica do cinema. Uma mulher que possuía face e corpo perfeitos dignos das descrições de escritores gregos. Mas a beleza também pode ser um fardo. Certos atributos podem mascarar o que realmente somos e queremos. E, talvez, esta tenha sido a prisão de Gardner.

*As duas palavras equivalem-se, mas pretty é mais usada para expressar o fútil, ou seja, onde somente há a beleza física. Ava, talvez, tentou dizer que ela era mais completa, tanto fisicamente como intelectualmente.




Fontes: 

Ava Gardner - Wikipedia em Inglês
A vida de Ava Gardner - dos murros de Howard Hughes às ameaças de suicídio de Sinatra

Resenha do Livro The Secrets conversations sobre Ava Gardner e Orson Welles - The New York Times - Em inglês


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A beleza do mais

Meu querido Café Quente & Sherlock está um pouco abandonado. São tantos dilemas a ocupar minha mente: tempo, curso de Física, provas, tristezas, decepções e o fantasma dos escritores: a falta de inspiração. Sobreviver é o mantra da vez. 

Costumo dizer aos meus amigos, em tempos de férias e gordices da madrugada, que estou acumulando gordura para o inverno. Na minha mente eu me divirto pensando na figura do Leôncio do Pica-Pau.

Porém, já faz um tempo, que deixei o manequim 38. E isso poderia ser motivo de tristeza e desespero: oh, virei uma amora da Fantástica Fábrica de Chocolates! Porém eu me sinto bem em usar manequim 40 e 42 e este fato pode muito bem ser motivo de orgulho.

Eu ainda estou dentro do peso considerado saudável para minha altura, segundo IMC [Índice de Massa Corpórea que você pode medir aqui]. Muitos dos meus amigos e algumas amigas falam que eu estou bonita e esses comentários precisam ganhar destaque.

Contudo, como sempre, há os lados opositores e deles eu preciso fazer uma espécie de triagem e extrair o melhor: tarefa árdua, mas necessária.

Há alguns meses, bem mais para 1 ano, alguém me disse que meu ganho de peso foi todo para meu rosto. Depois do impacto desse pequeno bombardeio, eu analisei e percebi que tal pessoa não merecia crédito algum por se tratar justamente do tipo: puxe o maior número de pessoas para baixo.

Mesmo nos tempos de magreza, eu sempre fui admiradora dos cheinhos. Por exemplo, Leandro Hassum é lindo. Outra que merece as mais altas reverências é a belíssima Christina Hendricks e dela apresento um sensato comentário:

"Quando eu era modelo, a primeira vez que fui para a Itália, tomava cappuccino todos os dias e acabei ganhando 7 kg. E me senti linda [...] Eu tirava a roupa em frente ao espelho e pensava: 'oh, eu pareço mesmo uma mulher'. Eu me sentia bonita e nunca tentei perder esse peso, porque eu adorei!” (Revista Health, julho/agosto de 2010).

Hendricks é o confrontar. E isso é admirável em tempos que mulheres famosas e anônimas procuram desesperadamente academias não porque querem se sentir bonitas para elas mesmas e sim para encaixarem-se em um padrão onde a alface é a suma sacerdotisa digna de todas as vitaminas e sais minerais possíveis.

Pelas observações do dia a dia, muitas mulheres conhecidas procuram diminuir suas formas para arrumar namorados. Fico a me perguntar se esse relacionamento tão almejado, baseado em forma física padronizada, trará bases sólidas e felicidade para essas mesmas mulheres. Não consigo compreender certos tipos de metas. Um modelo de personalidade e companheiro ideal é o Pierce Brosnan, só para citar um. Sua esposa, agora plus size, Keely Shaye-Smith, já foi modelo e bem magrinha, porém Brosnam deixa bem claro: “Amo as curvas da minha mulher.”

Depois de escândalos do tipo Abercrombie & Fitch e a infeliz e vergonhosa declaração do presidente da empresa , Mike Jeffries, ["Muitas pessoas não servem (em nossas roupas) e não devem servir. Somos excludentes? Absolutamente."] e do pouco apoio que os mais cheinhos tem no geral, vê uma beldade como Hendricks ser considerada uma das mulheres mais bonitas e sexys do planeta dá uma sensação de que o mundo ainda tem jeito.

E como diz Vinicius de Moraes:

... E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.*


Fontes:

Cálculo do IMC
* Não Comerei da Alface a Verde Pétala, poema de Vinicius de Moraes
Campanha veste sem-teto com roupas Abercrombie em protesto contra a grife (Folha de São Paulo, 16/05/2013)


sábado, 29 de junho de 2013

Dark Side Of Moon - Tempo - Einstein, A Relatividade, A Velhice e Meus 27 anos...

Quando Einstein teve a brilhante ideia de pensar em um tempo relativizado, nossos bisavós iam à encontros românticos à luz da lua. E veio ao mundo não só um emaranhado de equações físicas, mas a concepção de que, no vale das palavras que esperam ser escritas, tempo é uma questão de referencial.

E certo tempo depois, de acordo com os relógios newtonianos, um rapaz de 28 [ou 29] anos resolveu expressar, na forma de música, sua preocupação de não mais estar preparando-se para qualquer coisa na vida, porém de estar bem no meio dela. Assim nasceu Time do jovem [depende do ponto de vista e da cabeça pensante] Roger Waters.

Agora, cá estou eu a tirar Dark Side Of Moon do armário e deixar que a notas da 4ª faixa ecoem - estou refletindo sobre os jovens velhos de 27 anos.

27 é uma faca de dois gumes - de um lado, os jovens imersos nos dez e pouco e 20 e pouco [bem poucos], alguns familiares e amigos da mesma idade insistindo que os trinta estão logo ali: a juventude acabou! É hora de esquecer os sonhos juvenis e procurar os caminhos dourados da estabilidade [leia-se Money, de uma história em breve]. Do outro, outros jovens imersos nos mesmos dez e pouco ou vinte e pouco [bem poucos], outros familiares e amigos dizendo o inverso. E nessa constante mudança de referencial, minha cabeça vira um grande corpo maciço e curva o espaço-tempo ao redor: as luzes de pensamentos benfeitores são desviados e não estou apta a saber sua exata localização.

Instaura-se a crise da velhice relativa. Ou seja, sempre há uma conjunção condicional espinhosa nas questões mais humanas possíveis: os jovens amores [se existir maturidade], o curso de Física [contanto que termine cedo], as festas [desde que sua faixa etária esteja inserida no público alvo] e mais atos e fatos cotidianos.

Das várias teses da madrugada, uma permeia insistentemente minha mente - meu tempo não é o mesmo deles. Viajei na velocidade da luz por um universo de desvarios, histórias e fantasias, almejando alcançar as estrelas. Idealizei pessoas, situações e uma vida inteira, e, quando voltei, anos passaram-se e meu mundo mudou porque eu envelheci justamente para os que ficaram, porém meu olhar voltou-se para eles cheio de esperança de encontrar a maturidade que desejei.

No final, a conclusão pode ter várias faces, mas a mesma essência: meu espírito e minha mente estavam ali desde meus não tão distantes dez e pouco. Eu apenas ganhei as experiências cunhadas nesta caminhada até aqui. Não se pode esperar que pessoas, mesmo sendo muito jovens, mudem sua personalidade com o tempo - ela é imutável.

Aqui, neste momento, e na nossa velocidade, tempo é implacável: não há relatividade e experiências que modifiquem  mentes vazias que não querem ser modificadas.

Algo é certo, o tempo vai passar, seja ele na relatividade ou não. E quando a velhice chegar para aqueles que não sabem respeitá-la e admirá-la, o destino não passará de um buraco negro - imperdoável.

E Time tocou.



Caro (a) leitor (a), você poderá se interessar, também, pelas postagens da mesma linha:

Dark Side Of Moon - Morte - Ruslana Korshunova

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Dente-de-Leão


Canções gentis, brisas suaves
Têm gosto de anis e canela
E das janelas folheadas em dourado
Notas amadeiradas divagam


Poetas e prosas flutuam
São mares de rosas azuis
Contos da tarde serena
Cafés que ardem com menta

Criança arredia é essa vida!
Que vaga perdida pelas estradas
A transformar maçã em pera
Pelo simples capricho proporcionado

E meu céu tem mais uma estrela
Pintada de maneira arteira
E foi, assim, de repente
Que tudo ficou reluzente!


por T.S. Frank






sexta-feira, 10 de maio de 2013

Palavras para um único momento feliz...

Desemboquei em um mar de mágoas. Nadei e encontrei terra. Ergui um grande muro e construí meu próprio mundo.

E, dessa perspectiva, veio-me logo fragmentos de vidas multicoloridas, amáveis, felizes, reluzentes, adoráveis, envoltas delicadamente pela manta do amor...  Ah, mas a tristeza cai-me pesadamente. É minha vida, única e exclusiva, carrega fardos, pesares e rancor.

Flutuo e meio a águas turvas. E assim é meu cotidiano - incompreendido, desrespeitado e questionado.

A vida é um jogo de cartas marcadas, assim como o espetáculo que vi outro dia: a bailarina, bonita e gentil, agraciada e ovacionada por seu público devoto, desliza suavemente pelo palco com suas sapatilhas vermelhas, em um tilintar de cores: ela nasceu para isso. Lá do alto, a única coisa que vinha-me em mente era a pergunta: "como as pessoas conseguem administrar, sem morrerem afogadas, a própria alegria e bem-estar?".

Apesar de toda a dor, de vez em quando, relembro o único momento feliz que tive, não há muito tempo, em março, numa tarde de um sábado esfuziante, em que pude, por algumas horas, entender e sentir a vida da bailarina da sapatilha vermelha.

Talvez o Destino, em um ato de compaixão, mostrou-me a vida como ela é para as pessoas que a própria escolheu. Nessa estrada cruel e espinhosa, é importante apenas continuar e agarrar-se a minha própria com mais afinco, mesmo que, muitas vezes, cair vertiginosamente pareça ser uma solução das mais viáveis.

Quando deito minha cabeça no travesseiro, depois da rotina de aborrecimentos, penso que, por mais doloroso que seja, as pessoas felizes são a esperança desse mundo tão frio. Afinal, mesmo alheia, a alegria é um bálsamo em dias quentes.

Das muitas pessoas que conheci ao longo desses anos de nova casa, muitas caíram no esquecimento, algumas causaram-me muito sofrimento e outras deixam-me, ainda, desconfortavelmente taciturna. Poucas fazem-me sorrir e essas sempre serão minhas lanternas.

Porém apenas uma, mesmo sendo um cometa fulgurante, mostrou-me uma vida que, muitas vezes, desejei.

Hoje sei que continuo na estrada fria e cinza com os mesmos rostos que causam-me dor. Porém, mesmo seguindo seu próprio caminho e muito distante, esse pequeno feixe de luz que apareceu naquele sábado esfuziante ainda iluminará meu mundo eternamente sombrio por um bom tempo.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Curta de Animação - Mickey & Friends - The Band Concert/1936/ Walt Disney

Bem, por esses dias, estou a apreciar os grandes curtas de animação que fazem parte da história do cinema e da vida dos nossos avôs, pais, tios e da nossa vida também.
A denominação Curta de Animação pode parecer estranha ao primeiro contato, porém, caro (a) leitor (a), garanto que você já viu muitos, até mesmo os mais renomados e premiados com o Oscar. Acompanhe esta nova categoria do CQ&Sherlock e delicie-se!


Mickey & Friends - The Band Concert/1936/ Walt Disney

Um dos meus favoritos. Assistia pela manhã, lá no sertão de Meu Deus...

De 1935, trata-se do primeiro em que Mickey está colorido (usando o processo 3 da Technicolor, a marca norte-americana pertencente à Technicolor Motion Picture Corporation, responsável pela coloração dos filmes até a década de 60). É um dos mais lembrados e aclamados curtas da Disney, deixando um grande legado para os profissionais do Cartoon. Ocupa a posição #3 na lista dos 50 Melhores Cartoons de Todos os Tempos. Foi produzido pela Walt Disney Productions e lançado pela United Artists. The Concert Band foi dirigido por Wilfred Jackson e contou com música adaptada por Leigh Harline. O único personagem que fala no filme é o Pato Donald, voz de Clarence Nash.

MÚSICA CLÁSSICA: posso dizer que as crianças de antigamente tinham muita sorte, pois podiam contar com desenhistas e toda uma equipe que acreditava que música clássica deveria ser absorvida ainda na infância. Assim como em muitos desenhos do Pica-Pau (Walter Lantz) e Tom & Jerry (Hanna-Barbera), a Disney caprichava nas adaptações de composições de grandes nomes do mundo erudito para suas histórias. Em The Band Concert temos a magnífica e vigorosa obra de Gioachino Rossini - Guillaume Tell. Guillaume foi escrita a partir da peça Wilhelm Tell, do dramaturgo alemão Friedrich Schiller, esta baseada na lenda de Guilherme Tell. No curta temos a apresentação da parte mais famosa da Ópera: a Overture. Esta tem quatro passagens, cujo final famoso é muito utilizado nas sonoplastias: prelude - uma passagem devagar, começando com cinco violoncelos; tempestade - uma seção dinâmica tocada por toda a orquestra; Ranz des Vaches - protagonizada pelas trompas inglesas; final - passagem ultra dinâmica que lembra um marcha de cavalos feita por trompas e trompetes e tocada por toda a orquestra [uma dica: veja a regência do grande maestro austríaco (e meu maestro favorito) Herbert von Karajan para Guillaume Tell aqui].

OUTRA MÚSICA: a partir do momento 04:00 até o 04:09 do cartoon, a obra de Rossini é substituída momentaneamente pelo instrumental da conhecidíssima Streets Of Cairo/The Poor Little Country Maid (no popular: Música do Encantador de Serpentes).

A Banda

Mickey Mouse - Maestro
Pateta (Goofy) - Clarineta

Cão sem nome (Unnamed dog) - Trombone
Clarabela (Clarabelle Cow) - Flauta
Horácio (Horace Horsecollar) - Percussão
Peter (Peter Pig) - Trompete
Paddy (Paddy Pig) - Tuba

Ficha Técnica

Dirigido por Wilfred Jackson
Produzido por Walt Disney
Vozes por Clarence Nash
Musica por Leigh Harline e Gioachino Rossini
Animação por: 
Johnny Cannon
Les Clark (Mickey Mouse)
Ugo D'Orsi
Frenchy DeTremaudan
Clyde Geronimi
Huszti Horvath
Dick Huemer
Jack Kinney
Wolfgang Reitherman
Ward Kimball
Milt Kahl
Archie Robin
Louie Schmitt
Dick Williams
Roy Williams
Cy Young
Esboços:
Hugh Hennesy
Terrell Stapp
Estúdio: Walt Disney Productions
Distribuído por United Artists
Data de lançamento: 23 de feveiro de 1935 (USA)
Processo de coloração por Technicolor (3-strip)
Duração: 9 minutos
País: Estados Unidos
Língua: Inglês





Laranja atômico

São dias amarelados, débeis, frágeis e insossos. O mesmo filme e as mesmas atitudes. Apenas algo mudou - a condição de interesse.

Os rostos, antes observados, esperados, despertadores de sentimentos misteriosos, caíram no profundo abismo do ostracismo.

O café não tem mais o mesmo gosto, o chá está morno. As horas passam, dias passam, pessoas passam.

Talvez seja apenas o sinal do cansaço, da idade, dos círculos quebrados, das rotinas desfeitas.

Vejo-me em uma casa de madeira, no meio da floresta, sem material humano, sem esperanças e nem desilusões. Os raios de sol queimam suavemente, a água cai, o verde brilha esfuziantemente e notas estremecem o ar.

O tempo mudou.

E tudo de antes se perdeu.

Minha face, minha alegria, meus amores.

E não há nada além de um horizonte laranja atômico.

terça-feira, 19 de março de 2013

A intríseca relação entre a busca do coração de ouro e a esperança

"Eu quero viver, eu quero doar
Eu tenho cavado em busca de um coração de ouro
São estas expressões que eu não abro mão
Que me mantém procurando por um coração de ouro
E estou envelhecendo
Elas me mantém procurando por um coração de ouro
Estou envelhecendo" (Neil Young, 1972, álbum Harvest


Uma gama de buscas para dar sentindo à vida, com objetivos claros ou não... E assim somos nós. Porém essas procuras intensas só são possíveis com a ajuda de uma das linhas mais resistentes que se tem conhecimento: a esperança.

Ao longo dos milênios muitos relatos sobre esse sentimento único foram deixados. O mais belo está na mitologia grega, imerso na criação do mundo, juntamente com a história de Prometeu, o coração de ouro dos humanos, o titã punido por ajudar a humanidade, o símbolo da resistência e da luta contra opressão. E assim como ele é o símbolo do sofrimento imerecido, a esperança é a representação da dádiva vinda de Zeus para abençoar o mundo. 

Segundo a Mitologia de Thomas Bulfinch, uma vez Pandora perdeu quase todas os presentes entregues a ela por Zeus, menos a esperança. "[...] embora haja tantos males, a esperança nunca nos abandona; e enquanto a tivermos, nenhuma soma de outras enfermidades podem nos fazer inteiramente desgraçados."*

Como bem se pode perceber: para esperança não existe tempo, existe perda.

Nossa busca maior, talvez, seja pelo coração de ouro de Prometeu e o relatado por Neil Young, ou seja, pelas pessoas que fazem o bem para nós e pelas pessoas ao redor. Contudo há algo maior, mais cheio de propósito: a satisfação plena, não somente de encontrar os nossos corações,  porém de nos tornamos o coração de ouro dos outros. 


Informações: 
* Trecho extraído de O Livro de Ouro da Mitologia, Thomas Bulfinch, 2006, Martin Claret, p. 31.
* Foto 2: Quadro Prometeu Acorrentado de Jacob Jordaens. Foto 3: Ilustração Pandora de Walter Crane

terça-feira, 12 de março de 2013

Anos Dourados

Boleros, fotografias e lembranças
Dos anos dourados saudosos
E dos versos destemidos
Que compunham outrora

Momentos em preto e branco
Frio, inverno da alma
Filamentos de sonhos brilhantes
Submersos em cristais d'água

Em alguns momentos estamos felizes
Imersos em pensamentos passados
Mas de repente fecha-se o álbum...

... E acaba o vinho e a música do Tom e Chico*
A noite foi-se e o dia já vem
E vide a nós, vida que ainda tem.

T.S. Frank

Informações:

*Poema inspirado na música Anos Dourados, de 1986, de autoria de Tom Jobim e Chico Buarque

"A TV Globo encomendou a Tom Jobim uma música para a minissérie Anos Dourados. O maestro fez a melodia, e nada do parceiro terminar a letra. Chico havia quebrado o pé, e lembra-se de se emocionar vendo o seriado na tevê. Tom ligava avisando que a música iria entrar, mas nada da letra - que só ficou pronta depois que o programa já havia saído do ar. Chico admite não ser muito rápido, mas se defende dizendo que nesse caso "a minissérie é que foi precipitada". Valeu a pena esperar."  

(trecho do livro Chico Buarque, da série Histórias de Canções, de Wagner Homem, p. 243, editora LeYa, 2009)

Fotografia - Felipe Camargo e Malu Mader em cena da minissérie Anos Dourados/1986



sexta-feira, 1 de março de 2013

Às vezes, é preciso um bocado de tristeza...

Queridos (as) leitores (as), em falta, eu sei...  O curso de Física, os medos... Vida de escritor aspirante é difícil .. In fact, a falta de inspiração é a Medusa dos escritores. Mas cá estou eu e do outro lado estão as férias - esperando-me com mais escritos. 

"É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não..." (Escrito por Vinicius de Moraes & Baden Powell, presente em Vinicius & Odette Lara/1963)



Por esses dias estou a garimpar as discografias dos meus queridos Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque. E, a cada visita e revisita, o meu mundo enche-se de notas coloridas naturalmente, como se a vida fosse onda que, delicadamente, alterna ápices e fundos - nenhuma alegria de plástico e nenhuma tristeza de botequim de quinta. O que se tem é a harmonia. 

Difícil mesmo e não se chatear com o que ficou para trás. Como pode o mundo estar tão estúpido, tão arrogante, tão pobre, tão mau educado, tão opressor? Por que trancafiaram as qualidades? O que fizeram elas para terem destino tão cruel? 

A semana não foi fácil, a retrasada uma das piores. Nada que valha a pena descrever em mais linhas. Porém digo-lhes que agora posso escrever com mais propriedade sobre a natureza humana das humilhações, pecados e ignorância.

Ah, vida... É melhor ser alegre que ser triste, mas a tristeza não é tão má - ela é irmã da Esperança - a filha do leiteiro. 

Todos estão, de alguma forma, ocupados com suas vidas - os de São Paulo, os de Minas, os do Sul, Norte, Nordeste, Centro Oeste, os que leem esse texto e outros. Eu penso em vocês, penso no que fazem, nos retratos felizes das suas vidas ou nas linhas de desesperança que os afligem. Imagino como agem, o que escutam, se estão no frio ou no quentinho, dando comida aos patos no lago, sentados (as)  com os namorados (as), olhando o horizonte e planejando dias melhores. E o que mais gosto - imaginar muitos de vocês entrando em uma padaria simples, mas sofisticada, sentindo cheiro de café [que agora não posso beber tão cedo] e vendo docinhos e dizendo - "Bela tarde ou manhã."

Das tristezas e medos, todos temos um pouco [eu confesso - sou exagerada. Tenho a alma das tragédias gregas], todavia devemos seguir, nos cuidar - fisicamente e mentalmente. Afastar quem faz mal, abraçar quem faz bem, dizer "Eu gosto de você" para quem merece e falar, mesmo que tardiamente, tudo que sentimos. 

Sim... E agora continuemos com nosso sopro divino. 

Se do escárnio podemos tirar ensinamentos, então dos presentes do dia a dia, cunhados na brandura dos mistérios, tiremos o combustível dessa locomotiva. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Show: Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho e Miúcha Musicalmente Dallo Studio 3 [Show Completo]

Por esses dias, estou sem muito tempo para escrever os textos no blog. Algumas ideias já me ocorreram, porém, mais tarde, eu as expressarei aqui.

Vou abrir uma parte para os shows que vou 'garimpando' pelo youtube. Eis, então, o primeiro:

Gravado na Itália, em outubro de 1978, este show reuniu quatro grandes mestres da música brasileira: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Toquinho e Miúcha, interpretando os sucessos imortais da Bossa Nova. Composições como "Wave", "Tarde em Itapuã", "Águas de Março" e "Samba de Uma Nota Só", entre outras, estão presentes neste inesquecível registro.

Vídeo atualizado em: 15 de janeiro de 2016!

Tracklist:

01 • Samba de Orly
02 • Tributo a Caymmi (Pot-pourri O Bem do Mar/ Saudade da Bahia/ O Mar)
03 • Tarde em Itapuã
04 • Desafinado
05 • Wave
06 • Samba de uma Nota Só
07 • Águas de Março
08 • Samba do Avião
09 • O que Será (À Flor da Pele)
10 • Samba para Vinicius
11 • Vai Levando
12 • A Felicidade
13 • Água de Beber
14 • Garota de Ipanema / Sei Lá
15 • Chega de Saudade / Berimbau / Canto de Ossanha


domingo, 27 de janeiro de 2013

Aquelas doces palavras...

Ah, tu, Amor! Transformaram-te em banalidade como brigas de quinta-feira estampadas em jornais de sexta.
Psiquê recebendo o primeiro beijo do
Cupido (Psyché et l'Amour), 1798, de
François Gérard, exibido no Louvre

Sim, o amor, transmutado em ridículo, proferido toda vez que algum jovem desvairado e febril encontra alguém ainda mais desajuizado. 

Ama-se hoje, odeia-se amanhã! [Postarei 'aquelas' fotos no Facebook! E com legendas em CAPS LOCK]

E, sendo assim, quero um T.A.R.D.I.S. ou um Doutor [preferencialmente o Nono ou o Décimo Primeiro] para mostrar-me as passagens do amor em diferentes épocas. 

Geralmente o saudosista é tratado como um louco incapaz de encaixar-se na realidade multicolorida de um mundo que nasce em micro-ondas e termina na lata do lixo todos os dias. Porém, se assim for, sou uma - prefiro o ritual dos chás - colhidos, lavados, feitos e apreciados - do que viver rotina de fast food

Cá entre nós, querido (a) leitor (a), eu creio que o amor [exilado como os poetas e o bom Português] deva estar escondido em algum lugar por aí, evitando tostar a delicada pele nestes raios de insensatez. 

Em uma manhã dessas, vi um colibri. Brilhava tão intensamente - violeta, azul - e voou suavemente pelo céu cinza que prenunciava chuva. E, com minha velha e típica xícara de chá, pensei, por um momento, que sentir amor fosse assim - apenas estar confortável e da simplicidade extrair um sorriso sem igual. 

Talvez eu nunca ache-o na forma de um Mr. Darcy. Todavia seria injusto aceitar migalhas de carinho ou uma vida desforme em nome da velha sociedade que precisa que todas as peças estejam no lugar, mesmo após tanto tempo da dita revolução feminina. 

E o amor, traquino e solene, vaga por aí. Eu sei que ele não está feliz com os seus usurpadores que vivem a rodear as redes sociais e dão-lhe a fama de mais vagabundo que ladrão de esquina. Quem sabe, um dia, volte a reinar junto com os poemas de uma época em que amar era simplesmente amar. 

"Diga-me palavras doces, aquelas que eu ouvi você cantando outro dia. São simples e melodiosas e, se arrancar-me um sorriso, digo-te que serei a pessoa mais feliz em vê-lo outra vez."

Sim, Amor, estas são para você. Se quiser tomar chá, avise-me, estarei à disposição. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Das aparências: amostra grátis do fugaz cotidiano


"A sabedoria nasce menos da inteligência e mais do coração." (Peter Rosegger, poeta austríaco, 1897)

Hoje sentei-me e observei, não o mar a formar ondas através da névoa de procelas matinais. Contemplei a sordidez, a soberba e o julgamento - artistas eficientes nesses palcos errantes da vida. 

Enquanto visualizava as cenas em atos rápidos e enérgicos, quis um café, uma mesa, uns livros. Quis tantas coisas, entre elas, que aquele espetáculo patético fosse cancelado por falta de público [ilusão!].

Meu amor esvaia-se a cada exemplar de arrogância mostrada. Se o conhecimento é a chave da liberdade, por que, baseado nela, vou incitar a mãe de todas as prisões humanas - o ódio? 

Questiono-me se estou no lugar errado dia após dia. Reviso os erros e as perguntas navalhantes.

Chega! É o suficiente por hoje!

E das aparências forçadas eu quero a mais abissal distância. 

A ignorância humana é interessante - pode esconder-se nos mais altos títulos e no mais alto patamar de inteligência. Porém tem horror à sabedoria. 

Então, resta-me viver. Enquanto isso, continuo a observar esse circo louco e triste que é o cotidiano.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

2013 - Nova jornada...

Mais um ano, mais dias, mais horas...

Aborrecimentos, estradas, conflitos, amores, desamores.

E a vida segue, ritmada cadenciadamente, freneticamente, loucamente em ladrilhos amarelos reluzentes como ouro do amanhecer, ouro dos tolos e apaixonados.

Adeus, estrada de tijolos amarelos de 2012.

Ah! Pudera eu largar tudo isso e ir de encontro à poesia morta, ao vale dos poetas que tombaram diante de um mundo de máquinas, de números rigorosos, de corações duros e de pouca gentileza e amor.

A literatura morreu? Ou as palavras tornaram-se descartáveis. Por onde andam os escritores ávidos por noites boêmias e redes de palavras tecidas ao luar? Onde está essa gente?

Sumiram meus sapatos vermelhos. Porém ainda posso dizer - "Não há lugar como o nosso lar". Sim, meu lar em cada esquina, em cada banco, em cada morada do amigo próximo.

Hoje não hesito em dizer que apenas estou cansada. O mundo é cinza-negro, frio, comum.

Contudo, na confusão de mim, nem poderia ousar ser um raio de luz - não suportaria ter uma dupla identidade - ser partícula e onda.

Quero apenas ser eu, dormir nos banquinhos, beber café e ler aquele livro do Steinbeck largado há séculos na velha prateleira. Quero entender a mecânica celeste, desenhar mapas, gráficos, parábolas. Descobrir a força que rege a estrela mais intrigante - a humanidade.

Continuo, então, a escrever, assim como sempre. Não há lugar melhor do que este. 

Eis minha voz, minha vez, meu eu. 

Queridos (as) leitores (as), muito obrigada por ainda estarem aqui.

E festejemos mais um ano.