sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Desterro

"Diz-lhe que eu quero voltar e, de novo, na tua foz, as mãos e alma lavar. Quero voltar branca flor. Que neste desterro maldito, estou morrendo de amor." (Lua Na Lubre - Desterro/2007. trad. e adap. T.S. Frank)

Quão triste é a não adaptação a um certo lugar e nele visualizamos apenas amargas lembranças.

Voltar é uma cruel realidade - as mesmas paredes frias e as luzes amarelas e doentes ao longe. O medo dos egos, estilos de vida, críticas, invasão e incompreensão. Os sonhos tornam-se fragmentos cortantes de um futuro incerto. Os amores são veias latejantes e incômodas e cada lágrima tem o nome de alguém ou atitude.

Exílio temido e aguardado, contado dia após dias, depois de um período turbulento que ainda arrasta-se. A morte ronda, grita e assusta, enfatiza a dor e a loucura. Uma grande prisão essa vida, dessa forma - lenta, dolorida, cabisbaixa, sem propósito.

Ao olhar as ruas feias, esgotadas, cansadas, com suas pessoas vulgares, contemplo o triste fim, as cinzas de uma desumanização que já se consagrou - o teatro demoníaco - o espetáculo de nuances de sangue.

Das pessoas que conheci nesse vale, poucas são bem-vindas ou estão incólumes, brancas e inodoras, como a água cristalina que brota de fontes não mais existentes. Delas, das muitas, há sujeira por demais, escárnio, erros, maldade, ignorância, arrogância, superficialidade - são gotas de uma grande poça de lama.

Desterro maldito! Tão pálido e degradante, cada hora, cada minuto, uma agonia interminável.

Dos muitos passos em falso, dos questionamentos e da própria culpa em entregar a vida e os desejos a um bando de iconoclastas forjados no vazio, o pior foi ter caído na armadilha da sensação frágil de conforto e segurança.

Saudades da terrinha, da terrinha que escolhi (futura ou não), dos cafés e sorrisos, mesmo em lugares simples, mas verdadeiros. Saudades dos que eu adotei, saudade do sol em tom vermelho, das casinhas e sua gente nas portas, do ar e da brisa quente. Saudade do lugar o qual pertenço.

Pode ser que de lá eu apenas carregue as lembranças, mas daqui quero esquecer tudo - não há um dia que eu não me puna por minhas escolhas, mesmo muitas sendo feitas por minha inocência e acolhidas pela leviandade daqueles que vislumbraram o poder de destruição.

Desterro, minha punição! Se não morrer de tristeza, suas cicatrizes perdurarão por muito tempo - esculpidas em rostos que bem sei.

5 comentários:

  1. Oi Ticy,

    Tudo bem? Fiquei tocada com o texto, pois passo uma situação semelhante. Mas como se prega, as cicatrizes significam que estamos vivos.

    Beijos,

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  2. Ticy-miga, saudadesss!
    Ainda em off no blog, mas me atualizando nas leituras essenciais. Não comentarei, necessariamente, mas sempre por aqui, tá bom?
    Beijos minha miga querida!

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  3. Olá, T. s..
    Acredito que não seja nada fácil viver em um lugar onde não queremos estar, com pessoas que não nos querem bem, mas se for necessário que precises passar por isso hoje para construíres um futuro melhor à tua escolha, então terá valido a pena.
    Abraço.

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  4. Olá, T. s..
    Acredito que não seja nada fácil viver em um lugar onde não queremos estar, com pessoas que não nos querem bem, mas se for necessário que precises passar por isso hoje para construíres um futuro melhor à tua escolha, então terá valido a pena.
    Abraço.

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  5. É realmente difícil viver em um lugar onde não nos sentimos bem, ja passei por isso, mas ninguém sabe o dia de amanha né ?!
    Mas eu sei que um dia tudo passa, tudo troca de lugar.
    Não será assim pra sempre, se a tua luta esta difícil, é porque sua vitoria é grande!

    Bjos


    Lyu somah
    http://lyusomah.blogspot.com.br/

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Querido (a) leitor (a), obrigada por ler e comentar no Café Quente & Sherlock! Espero que tenha sido uma leitura prazerosa. Até a próxima postagem!