sábado, 3 de dezembro de 2011

Tempo perdido...

Preocupou-me o fato de olhar para um chocolate e não ter a mínima vontade de comê-lo. Não consegui mover sequer o ‘baby finger’, hoje, pela manhã.

Inerte, na cama, desejei apenas acordar em outra realidade – sem identidade, sem passado... Pronta para recomeçar.

Depois de algumas décadas, acumulei muitas lembranças destrutivas – acontecimentos infantis que serão carregados como uma ancora.

Uma vez falei sobre bullying, porém essa postagem se foi. Não vou estender-me. É apenas para constatar que não importa – quando alguém sofreu esse tipo de violência por anos (numa época em que isso era apenas perseguição boba de criança), os sofrimentos da vida adulta – dificuldades, busca por sonhos, desesperança – puxarão as marcas do passado.

Outro dia, consegui, finalmente, falar sobre o assunto de um modo aberto – sem pudores ou vergonha. Ela, muito cordial e simpática, compreendeu muito do que eu disse. E, sinceramente, não há nada mais reconfortante do que desabafar sobre algo que machucou tanto e não receber aquela expressão facial: ‘mas do que diabos cê está falando?’

Só que neste momento da minha vida – tão delicado, incerto, frágil... – conversar não é suficiente. E as soluções são a longo prazo... E o cotidiano é pesado e assustador.

Massacra-me imaginar como seria a minha vida se tudo isso não tivesse acontecido, ou pensar se, no decorrer da infância, eu tivesse tido outras oportunidades – cidades grandes, escolas maiores, vizinhos legais, cerquinhas brancas, tulipas no jardim...

Eu sei que estou presa, presa a mim mesma... Intoxicada.

Gostaria de estar no litoral, sentada na areia e esquecer... Longe desse lugar, longe dessas pessoas... Longe do submundo... Longe do peso da minha própria alma.

E essas lembranças vieram à tona por causa de um certo alguém... Cujo a vida desejei – perfeitinha, redondinha, feliz... E, mais uma vez, acreditei em suas palavras... E foi como esperar um navio que nunca chegaria.

Preciso perdoá-lo... Apesar de tudo... Libertar-me...

Todavia, enquanto as sombras ainda recobrem, as nuvens prenunciam ainda mais chuva.

Deixo para vocês, queridos (as) leitores (as), uma das músicas que mais gosto de um grupo que eu amo - New Order - Regret - e diz muito sobre esse dia...

"Eu gostaria de um lugar que eu pudesse chamar de meu...
Ter uma conversa no telefone...
Acordar diariamente já seria um começo
Eu não reclamaria do meu coração ferido..." (Trecho de Regret, New Order, 1993)
jj

5 comentários:

  1. Olá.Essa é minha primeira visita ao blog.Vi seu link em outro blog e resolvi vir conhecê-lo.Adorei seu blog e já estou lhe seguindo.Seu blog é muito bem organizado e suas postagens muito bem elaboradas.Te convido a conhecer meu blog e segui-lo também.Aguardo sua visitinha!
    Bjs!
    Zilda Mara
    http://www.cacholaliteraria.blogspot.com

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  2. bah Ticy, abriu a guarda e o coração. Espero que resolveu teus baratos e agora com as férias o corpo, a alma e a mente voltem a trabalhar em conjunto :D

    Beijão! Bom final de semana!

    Palavra Vadia:
    http://palavravadia.blogspot.com

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  3. * Resolveu = resolva

    Ps: pois é voltei a ter blog hehehe

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  4. Acredito que as situações ficam mais difíceis quando colocamos um "e se fosse daquele jeito..?". As coisas acontecem diferentemente para cada pessoa. As situações geram aprendizados, determinam valores e muitas vezes causam admiração alheia. Pelos seus textos, você demonstra ser uma pessoa forte. Encontre opções dentro de você e ouse na primeira oportunidade que tiver. =) Saudades daqui.

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  5. Ticy,
    miga! Lindo como postagem, pois carrega aquele tanto de melancolia, que por incrível que possa parecer, é bela, pois carrega nela a esperança. Se a esperança for transformada em atitude positiva, sim, estará se cumprindo.

    Beijinhos!

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Querido (a) leitor (a), obrigada por ler e comentar no Café Quente & Sherlock! Espero que tenha sido uma leitura prazerosa. Até a próxima postagem!