sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A síndrome da filha do chofer

- Você tem alguma objeção? - Objeção? A você? Olhe para você! Eu achei que uma brisa adorável havia passado pela casa toda. - Mesmo que essa brisa... Venha diretamente da casa em cima da garagem? - São os anos 90, Sabrina. - É o que eles dizem. (Sabrina/EUA/1995)

É como visualizar uma grande festa justamente dessa garagem, em cima de uma árvore, onde todos os convidados estão felizes, e você não passa da filha do chofer cujas únicas riquezas que possui são os sonhos e uma pilha de livros.

Só que eu não sou a Sabrina de Sydney Pollack, não me foi oferecida nenhuma oportunidade em Paris e não há nenhum Linus Larrabee para dizer-me que sou uma brisa adorável...

... E eu escutei That Sunday (That Summer) na voz do Nat Cole e chorei compulsivamente – porque ela é bela, suave e lembra-me dos meus sonhos tão distantes, onde tudo é harmônico como o som de uma caixinha de música...

Maldita ilusão! Maldita ilusão! Eu poderia quebrar milhares de objetos na parede. Gritar, gritar, como uma ensandecida, depois ter uma febre emocional e afogar-me em um balde de sorvete com leite. Estou anestesiada e triste. E isso, por enquanto, detém sentimentos mais avassaladores.

... E quando a triste verdade finalmente for estampada em minha face, vou sobreviver? Eu que cheguei tão perto, tão perto? Ou terei que esconder minhas lágrimas e esperar todos saírem para finalmente extravasar minhas dores?

Há um ano, eu sentia-me a própria Eleanor Rigby da música dos Beatles e percebo que o que mudou mesmo foi apenas o ano. Continuo sozinha. Agora eu também assumo minha condição de filha do chofer... A observar todos ao redor crescerem e conquistarem o amor dos Larrabees.

3 comentários:

  1. Que post fantástico T.S.
    Gostei do seu blog e da sua forma de escrever...
    estudas na UFMA? eu vou estudar lá tbm este ano, feri jornalismo...que curso vc faz? estou ind para Imperatriz esta semana.
    Podemos ser amigas? vou precisar de uma quando chegar, não conheço nada aí...ahaha

    Bjôs, seguindo teu blog, segue o meu tbm?

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  2. O que não da pra acontecer é ficar eternamente em cima da casinha observando a festa acontecer.

    Chega um momento que descemos da casa e vamos pra festa e se bobiar, faremos esforço para ser o protagonista da festa. Mesmo q isso leve tempo e nao agrade algumas pessoas.

    E isso é algo q eu admiro nos romanos. Enquanto os gregos eram teoricos, os romanos eram praticos, colocavam a mao na massa, e mesmo depois de derrotas nunca desistiram de tentarem.

    ;)

    Bjss

    http://www.estilodistinto.com/

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  3. T. Scherlock Frank!
    Já tive alguns 5 anos de filha de chofer sim! Depois de tanto perder tempo, se é que pode se dizer assim..., afinal tudo pode dar certo, mesmo que pareça que está dando errado... decidi por fim entrar na festa. Não fui convidada? Entrei de penetra. Nada que um bom vestido, boca calada e alguns risinhos não façam a gente parecer a atração principal do evento!!! Tudo na metáfora, claro!
    Abração e ótima semana!

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Querido (a) leitor (a), obrigada por ler e comentar no Café Quente & Sherlock! Espero que tenha sido uma leitura prazerosa. Até a próxima postagem!