sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Física, Astronomia e rock 'n' roll vs. realidade

Bem, cheguei até aqui. Na verdade, é o começo de uma grande, grande caminhada. Depois de um ano, eis que finalmente conquistei a vaga para Física Bacharelado com a possibilidade de cursar.

Será a árdua jornada para alcançar a Astronomia. Tudo movido a um amor infantil, intrínseco na alma.

Eu deveria estar feliz. E estou. Porém de forma quase anestesiada. Penso no restante – o inglês fluente que eu ainda não possuo (dinheiro, dinheiro, dinheiro!), viagens, Matemática, Física, HBC (Horas de Bunda na Cadeira). E eu terei que encarar todos esses desafios, assim como Hércules encarou os 12 trabalhos.

Afinal, era tudo que eu queria - não roubei todas as Superinteressantes dos vizinhos, não estraçalhei as Vejas na parte de Astronomia, não quebrei meu porquinho para tirar aqueles 25 reais suados para assinar a falecida revista Astronomia Novae da SBEA (Sociedade Brasileira Para o Ensino de Astronomia) e meus colegas não me traziam recortes do espaço à toa. Eu tenho um amor, o maior amor do mundo, do tamanho do universo.

Nessa caminhada tão difícil, ainda enfrento, dia após dia, a ignorância das pessoas e também a soberba de algumas - muitas acham que Física e Astronomia são inúteis, feitas para aqueles que têm dinheiro e não precisam trabalhar para comer e pagar contas, e outras que, por possuírem as mesmas paixões, ou o mesmo amor, entretanto mais condições econômicas, questionam a minha escolha.

E o jogo começará - debaixo de muitas restrições orçamentárias, sacrifícios, isolamento, ônibus, solidão...

Seria ingênuo de minha parte dizer que tudo vai dar certo. Contudo Física e Astronomia, para mim, sempre terão aquela trilha sonora com muito rock ‘n’ roll, aquele gostinho saboroso do programa Espaçonave Terra, o frisson da chamada do Marcelo Gleiser para o Globo Ciência e dos olhos vidrados na série Cosmos do Carl Sagan.

É, ainda, muita pretensão trilhar o caminho das estrelas e até mesmo muita ousadia imaginar terminar um curso considerado dificílimo. Entretanto tentar é a melhor maneira, apesar de ser a que machuca mais, de transformar sonhos em realidade.

Só pergunto-me - terei que ser uma 'Sherlock Holmes' para isso? Seria a sociopatia funcional a solução para CONQUISTAR E EXPANDIR a Ciência em minha vida?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Living Apart Together - uma nova maneira de convivência

Há muito venho pesquisando notícias e matérias sobre o LAT - Living Apart Together (Vivendo Juntos Separados) - esse novo e interessantíssimo conceito de família. Não tenho encontrado muito material no Brasil, porém em sites da Europa, principalmente Portugal e Inglaterra, e América do Norte, Estados Unidos, esse recente estilo de vida já ocupa considerável espaço na mídia.

Esse novo termo foi-me apresentado quando vi uma reportagem sobre um casal de atores brasileiros - Mauro Mendonça e Rosa Maria Murtinho - eles são casados há 50 anos, porém vivem em casas diferentes, separadas apenas por uma piscina. E eu pensei - "Isso é fabuloso, genial e formidável!".

Antes de tudo, quero ressaltar que o LAT não vai substituir o modelo tradicional de família, entretanto é uma opção para aquelas pessoas que simplesmente não se encaixam na forma que a sociedade impõe - ora, se todos são diferentes e têm direitos iguais, por que não tentar manter um relacionamento estável e familiar por um outro ângulo?

"As pessoas acham que somos loucos" Diz Kimberly Kaye, 26 anos, que vive há três anos em LAT com seu namorado. "Porém é uma relação honesta e tem sido a melhor decisão que já tomamos. Não só temos o espaço para "sentir falta" um do outro, como o nosso tempo juntos já está em um nível semelhante aos primeiros meses." (revisa ELLE, 12 de agosto de 2009, publicação inglesa)

No campo profissional, há também muitos benefícios citados por Kaye:

"Nós temos sido capazes de focar em outras partes de nossas vidas", diz Kaye. Ela foi promovida em quatro meses, um impulso na carreira que ela atribui a sua maior produtividade. O namorado dela ganhou novos e estáveis clientes de forma freelance, em parte, admite Kaye, porque "eu não estou lá, à noite, insistindo para que ele 'se afaste' do Mac para provar que me ama." (revisa ELLE, 12 de agosto de 2009, publicação inglesa)

A publicação inglesa ainda apresenta a opinião médica sobre o LAT:

"E até mesmo pesquisas recentes comprovam os benefícios do Living Apart.  - Há quinze anos, os especialistas no campo da terapia sexual costumavam dizer que o melhor sexo estava entre as pessoas que estavam mais próximas, [...]", diz Scott Haltzman, MD, assistente clínico e professor de Psiquiatria da Brown University e autor de 'Os Segredos das Famílias Felizes'.  - Mas houve uma mudança do pêndulo em nosso pensamento. Nós sabemos agora que uma das coisas que melhora a atratividade sexual nem sempre é estar na presença de outra pessoa. Há boas evidências de que um LAT pode realmente aumentar a atração sexual do casal." (revisa ELLE, 12 de agosto de 2009, publicação inglesa)

Para muitos xiitas, o Living Apart Together pode soar como uma verdadeira ameaça à 'integridade familiar' - para as senhoritas ávidas por casamentos convencionais, isso não passa de 'uma insanidade' e para a parte machista, um 'atentado à naturalidade'. Pergunta seja feita - é a instituição familiar um conto de fadas ou a base sólida para um vida harmoniosa? E verdade seja dita - ninguém quer viver numa fantasia e numa vida moldada pela unanimidade. Cada casal vive a harmonia que lhe convém - o amor não tem forma, não tem padrão, não é estatística - ele reinventa-se - isso basta.

E viva a diversidade!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cyanide and Happiness - O "Underground"

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Crítica da semana: Veludo Azul (Blue Velvet)/1986

Veludo azul mostra-nos a face bizarra de um mundo coberto pelas cores artificiais de tulipas esfuziantes. Para David Lynch a vida não é nenhuma propaganda de margarina. Por detrás de sorrisos brilhantes, escondem-se existências tão degradantes como a pior sarjeta existente.

David Lynch choca. E disso todo mundo sabe, ou deveria saber. Não é fácil absorver as ideias de um diretor que foca sua arte em um mundo perturbador e vertiginoso. Porém, de todas as obras lynchianas, Veludo Azul (Blue Velvet/EUA/1986) figura entre as mais primorosas - a passagem de uma vida aparentemente correta, no velho estilo american way of life, para outra escura, fria e sufocante em apenas um atravessar de rua.

Na pequena Lumberton, o jovem Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan), recém-chegado à cidade natal, encontra uma orelha humana em um terreno baldio. A partir desse acontecimento, uma série de eventos fará com que Jeffrey cruze o caminho de pessoas perigosas, como o psicopata Frank Booth (numa interpretação magistral do saudoso Dennis Hooper, personificando um dos 50 maiores vilões de todos os tempos segundo a AFI's) e de uma perturbada cantora - Dorothy Vallens (Isabella Rossellini).

A trilha sonora é um espetáculo à parte - desde a canção Blue Velvet de Bobby Vinton, até a cena antológica com a música In Dreams de Roy Orbison .

David Lynch foi indicado à categoria de Melhor Diretor, no Oscar de 1987, por este filme.

Não posso esconder a minha admiração por Lynch. Muitas pessoas costumar dizer que suas vidas são filmes lynchianos - eu mesma digo isso. Não é exagero! O cineasta apenas projeta na tela o que essas vidas são - um verdadeiro escárnio. Só que muitos ainda iludem-se com o sabor artificial e acreditam que tudo é maravilhoso. É como na abertura do filme - aquelas tulipinhas vermelhas, amarelas, com aquela cerquinha branca tão bonitinha... Contudo a realidade nua e crua é que isso é uma grande mentira! It’s a strange world (É um mundo estranho). Se há sobrevivência, loucura mínima, ou nenhuma tentativa de suicídio, então temos lucro total.

Sim, a nossa existência não passa de um filme bizarro, só que você, leitor (a), talvez, ainda esteja no prólogo - as tulipas esfuziantes ainda brilham.

Trailer - Veludo Azul (Blue Velvet)


Roy Orbison - In Dreams


Bobby Vinton - Blue Velvet



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A síndrome da filha do chofer

- Você tem alguma objeção? - Objeção? A você? Olhe para você! Eu achei que uma brisa adorável havia passado pela casa toda. - Mesmo que essa brisa... Venha diretamente da casa em cima da garagem? - São os anos 90, Sabrina. - É o que eles dizem. (Sabrina/EUA/1995)

É como visualizar uma grande festa justamente dessa garagem, em cima de uma árvore, onde todos os convidados estão felizes, e você não passa da filha do chofer cujas únicas riquezas que possui são os sonhos e uma pilha de livros.

Só que eu não sou a Sabrina de Sydney Pollack, não me foi oferecida nenhuma oportunidade em Paris e não há nenhum Linus Larrabee para dizer-me que sou uma brisa adorável...

... E eu escutei That Sunday (That Summer) na voz do Nat Cole e chorei compulsivamente – porque ela é bela, suave e lembra-me dos meus sonhos tão distantes, onde tudo é harmônico como o som de uma caixinha de música...

Maldita ilusão! Maldita ilusão! Eu poderia quebrar milhares de objetos na parede. Gritar, gritar, como uma ensandecida, depois ter uma febre emocional e afogar-me em um balde de sorvete com leite. Estou anestesiada e triste. E isso, por enquanto, detém sentimentos mais avassaladores.

... E quando a triste verdade finalmente for estampada em minha face, vou sobreviver? Eu que cheguei tão perto, tão perto? Ou terei que esconder minhas lágrimas e esperar todos saírem para finalmente extravasar minhas dores?

Há um ano, eu sentia-me a própria Eleanor Rigby da música dos Beatles e percebo que o que mudou mesmo foi apenas o ano. Continuo sozinha. Agora eu também assumo minha condição de filha do chofer... A observar todos ao redor crescerem e conquistarem o amor dos Larrabees.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Foi perfeito...

Por um dia... Foi-me concedido o gosto da calmaria, da alegria, da esperança e de um cappuccino com creme e uma ótima companhia.

Por um dia... Eu sentir-me com o poder de tocar o céu com meus dedos longos, de que aqueles devaneios infantis poderiam tornar-se realidade. Foi como se uma brisa suave falasse delicadamente – “Sinta! Sinta tudo isso! E deixe-se levar.”

Ao adentrar aquela sala, pela manhã, uma sensação de completude apoderou-se de minha alma. Por um breve momento, todos os medos foram embora. Eu senti-me forte e capaz. Quem, em seu conceito padrão de normalidade, poderia imaginar que um Centro Tecnológico, uma assinatura, o recebimento de um comprovante e um quadro de Einstein na parede pudessem causar tanta comoção em uma garota?

Eu fecho meus olhos e vejo tudo novamente – ao som de Everybody Wants To Rule The World do Tears For Fears, através da janela do carro, os coqueiros balaçam de acordo com o vento e as ondas do mar estatelam-se na areia - sinfonia magistral.

E uma manhã saborosa levou-me a uma tarde adorável. Foi tão elegante como Nat King Cole, com Stardust, e tão desprendida e alegre como uma Caravan de Van Morrison. Teve gosto de creme, café expresso, um terço de leite vaporizado e um terço de espuma de leite vaporizado. E os papos fluem, fluem... Em uma palavra – explêndido! E concordo – tomar chá na sacada, pensando na vida, olhando o crepúsculo, com seus nuances vermelhos e azuis, ou o céu estrelado é simplesmente genial, genial!

Porém, como em A.I. – Inteligência Artificial –, foi apenas um dia. E tudo teve um fim às 06:00 horas da matina do dia seguinte, quando o ônibus chegou e eu coloquei novamente meus pés na triste e cruel realidade. E agora encontro-me numa situação delicada, onde, há qualquer momento, tudo pode quebrar como porcelana chinesa ao chão.

Todavida um dia especial. Definitivamente como no final de Cisne Negro:

“Como você se sente? – Perfeito... – O quê? Foi perfeito...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

R.I.P. Gary Moore

... E mais um ótimo músico se vai.
1952-2011

Gary Moore - Over The Hills And Far Away

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Am I sad french clown?

Enquanto escuto o DVD do a-ha - Live at Vallhall - Homecoming, meu pulso dói e meus pensamentos são transportados a outros lugares. Eu sei que tem algo fora do lugar, eu sei.

E esse turbilhão de pensamentos leva-me a um tango na Argentina, a uma dança a dois naquela rua de pedras - ao ritmo energético da Moondance de Van Morrison - a um show daquela banda dos anos 80 - ao lado de amigos loucos, engraçados e bêbados - a uma caçada a tornados ao som de Child In Time do Deep Purple - como no filme Twister - a uma escavação arqueológica no Cairo e a observação dos movimentos das antenas de radioastronomia no Chile.

Só que o mundo está mais para um filme de Darren Aronofsky juntamente com David Lynch – vícios, desilusões, sonhos esfacelados, lei de Murphy, pantomimas, escuridão, vulgaridades, gritos, suicídios, pobreza, guerra interna, loucura, depressão e morte. Ou tudo que o Pink Floyd, sabiamente, cantou em Dark Side Of The Moon.

A poucas horas de mais uma lista do Sisu e mais problemas à vista, eu não consigo sentir nada mais do uma angústia pesadíssima. E essa angústia fica presa, sufocando. É como gritar no vácuo. E além de todo o desmoronamento interior, eu ainda tenho que ver todos esses sentimentos serem transformados em culpa pelos meus ouvintes.

Também, aos poucos, vou concluindo que tenho certa tendência a ser confundida com um clown francês – minha vida é uma comédia por acaso? Fora os clichês – não fique assim, vai dar tudo certo, mantenha a esperança... Não preciso de livros de auto-ajuda humanos. Bons ouvidos e um café bastam-me. Porém, a mim, um ser marcado por um crime que desconheço e pelo qual estou sendo punida, é negado até os desejos mais simples.

E aquele pensamento sobre ser internada em uma clínica de repouso para jovens autodestrutivos ainda é recorrente. É como no filme On The Edge - a probabilidade de achar bons ouvintes em um lugar onde há um aglomerado de semelhantes é bem maior.

... E agora começa a tocar Stay On These Roads... E não sei explicar o porquê de uma música lembrar-me de momentos que nunca vivi. É como ler um livro sobre uma vida que você deseja ter, contudo é só um livro. Muitas vezes eu penso se o Criador não me esqueceu no canto e atrasou a data de meu envio em uns 30 anos.

E depois de mais um dia cinza, melancólico e mais algumas palavras digitadas nesse blog, chegou a hora de deitar. E concordo com o Kurt Cobain que “dormir é um dos melhores momentos da vida.”. Só que o Kurt escolheu isso para sempre e sempre é uma palavra muito pesada e que seduz como uma serpente astuta.